2021/07/08

Lisboa Histórica, Cidade Global - Parte I


(Imagem de um elétrico a circular numa típica ria lisboeta. Retirada da internet)

“Lisboa Histórica, Cidade Global”, encontra-se na Lista Indicativa de Portugal a Património Mundial, assente no conceito de Paisagem Urbana Histórica. Nesta categoria incluem-se aspetos como a topografia, a hidrologia, os recursos naturais, o ambiente, as infraestruturas, os espaços abertos, valores sociais, culturais e identidade. A área inclui a Baixa Pombalina, entre o antigo Terreiro do Paço, a colina do Chiado e a área junto ao rio.

Lisboa tem vestígios de ocupação humana anteriores ao Neolítico. Desde cedo teve contatos com Fenícios, Gregos e Cartagineses devido às condições naturais da região. Mais tarde, conquistada pelos Romanos, Lisboa foi incluída na Lusitânia e, posteriormente com as Invasões Bárbaras, fez parte do Reino Suevo e Visigótico.

Com a conquista muçulmana, Lisboa tornou-se um importante centro administrativo e comercial. Aqui convivem, lado a lado, muçulmanos, moçárabes e judeus. Apesar disso, no norte da Península Ibérica, os reinos cristãos organizam-se e levam a cabo um processo de reconquista. D. Afonso Henriques, com o auxílio dos cruzados, acaba por conquistar Lisboa em 1147. Em 1179 é concedido um Foral à cidade numa tentativa de recuperar as suas importantes ligações comerciais.

Será no século XIV que se farão importantes alterações na urbanização de Lisboa: a drenagem do Terreiro do Paço, novas ruas, muralhas e a crescente importância do Rossio como centro da cidade. Com D. Fernando, na eminência de um conflito militar com Castela, são construídas as Muralhas Fernandinas. Nesta época, surgem corporações de ofícios e as ruas tomam o nome das suas profissões: Rua da Prata, Rua do Ouro; Rua dos Sapateiros, etc. É a burguesia que assume o controle da cidade, favorecendo a expansão do comércio.

Lisboa continua a ser uma confluência de diferentes culturas e religiões, com especial destaque para judeus e muçulmanos que viviam, respetivamente em Judiarias e Mourarias.

A crise de 1383-85 vai marcar um novo período com a formação de uma nova aristocracia que assente o seu poder no comércio. São construídos grandes palácios em várias zonas e surgem os primeiros edifícios de habitação com vários andares. As ruas são estreitas e sinuosas, mas a cidade continua a crescer.

Com o início da expansão portuguesa e o desenvolvimento de novas rotas comerciais, Lisboa é o grande mercado europeu com exclusividade de produtos trazidos de África e do Oriente. No século XVI, a cidade é a mais rica da Europa e o verdadeiro centro do mundo. São construídos diversos monumentos emblemáticos como a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos, o Forte de São Lourenço e diversos palácios. A pavimentação das ruas torna-se uma prioridade, através da utilização de cubos de calcário e basalto, formando desenhos – a calçada portuguesa. Desenvolve-se o Bairro Alto e em 1552 é inaugurada a Feira da Ladra.

(Vista de vários prédios de Lisboa. Retirada da internet)

Com a introdução da Inquisição em Portugal, a prosperidade de Lisboa começa a decair. A expropriação de terras e a confiscação de bens destrói uma burguesia que desenvolvia e alimentava a cidade.

O domínio filipino agrava toda esta situação: Portugal perde algumas das suas colónias e o comércio vai decair abruptamente. Durante este período constroem-se fortalezas e edifícios católicos, como é o caso do Convento de São vicente de Fora ou a Torre do Bugio. Os problemas financeiros conduzem a população à miséria e ao desemprego com um aumento substancial da criminalidade.

Restaurada a independência, Lisboa encontra-se dominada pelas ordens religiosas, com a fundação de mais de 40 conventos. O surgimento do ouro do Brasil vem reativar a prosperidade de Lisboa: constrói-se o Panteão Nacional e o Aqueduto das Águas Livres, entre outros. Apesar disso, a maior parte da população vive na miséria e Lisboa é descrita como uma cidade suja e degradada.


MJS

2021/07/05

A Arte no Livro - marcas de posse. Super-libros (parte1)

 

«Marca(s) de Posse - Marca de propriedade, marca pessoal ou simplesmente Pertence, é o elemento que se coloca num livro ou documento e que identifica o seu possuidor.»

«Super-libros; ex-libris, ex-dono, carimbos, etiquetas… são muitas das formas de marcas que nos indicam a quem pertenceu determinada obra. Uma obra poderá ter uma, ou mais, marcas de posse, indicando, como tal, a sua “pertença” a um, ou mais, possuidores. Um livro “marcado”, qualquer que seja o tipo de marca, conta uma história que nos leva, além das descrições bibliográficas, até ao “dono”.»

In http://bibliotecadaajuda.blogspot.com

 

O livro pode ser encarado, por um lado, como simples “objeto” ou, considerando os últimos avanços tecnológicos, um produto comercial, apelativo, desenhado para um mercado de consumidores. Contudo, na sua essência, o livro sempre foi mais do que um mero produto. Trata-se de uma criação intelectual e artística, fruto de um processo criativo, que tem simultaneamente uma função informativa e uma dimensão estética. Um livro é mais do que o texto; é o resultado de um processo criativo multifacetado. Ganha muito pelo estado de conservação e estima em que se encontra, mas pode, igualmente, ser muito valorizado pelo tipo de encadernação que o envolve e protege e pela assinatura do artífice responsável. Existem livros que são procurados pela raridade da edição e outros ainda que se tornam procurados, apenas, pela raridade e qualidade das ilustrações. Esse género de livros tem um valor intrínseco de cariz artístico e não literário.

O mesmo acontece com obras encadernadas por encadernadores célebres, pela mestria, originalidade e erudição do trabalho artístico que apresentam, ou por qualquer outro fator que lhes confere reconhecido mérito e valor. Os colecionadores de encadernações dão ao texto uma importância relativa e mesmo secundária; o fator que prezam é o valor artístico da encadernação, a originalidade, a marca da oficina ou a assinatura do artesão encadernador e – caso dos super-libros – a marca de posse que ostenta, i.e., o monograma, emblema ou brasão que as pastas poderão exibir.

Encadernação com super-libros do Conde de Sucena.

(Colecção do autor).


O termo super-libros (ou supralibros), do latim “supra” (sobre; acima; por cima de) + “libros” (livros) indica a propriedade de um livro. Na Europa, não só, mas particularmente, a Inglaterra e a França produziram magníficos exemplares. Os ingleses referem-se-lhes através da expressão “armorial bindings” e os franceses recorrendo ao termo “reliures armoriées”.

De um modo geral e característico, a encadernação armoriada exibe motivos heráldicos ou monogramas em lugar de destaque, que identificam o seu proprietário, surgindo, a maior parte das vezes, gravado a ouro, a seco ou em relevo, sobre a pasta anterior da encadernação (ou em ambas) e, ocasionalmente, na lombada. Também se encontram belos exemplares de super-libros coloridos.

Enquanto o ex-libris consiste numa placa estampada ou colada no interior do livro, os super-libros são aplicados com ferros próprios à capa do livro, aquando da encadernação, conferindo maior relevo e destaque. Estes, podem ser textuais ou figurativos. Os primeiros são geralmente compostos por frases curtas nas capas ou pelas iniciais do proprietário na parte inferior da lombada. Os figurativos, apostos principalmente no centro, costumam ser motivos simbólicos ou heráldicos (o brasão de armas, a referência ao nome, divisa ou emblema identificativo do proprietário, ou da biblioteca particular que o detém).

 

 

Encadernação com super-libros do Marquês de Niza.

(Colecção do autor).

 

Do mesmo modo que os ex-libris, os super-libros (“especialidade icono-bibliographica”, no dizer de Mathias Lima) mais do que um adorno, são uma expressão de orgulho para o proprietário do livro, uma marca única e pessoal e, frequentemente, um motivo ornamental que soma beleza, valor e distinção. Além disso, também podem ter a função de dirimir o furto ou extravio do livro. Associados ao alto clero e nobreza, terão sido usados pela primeira vez durante a Renascença quando a nobre arte da impressão tipográfica facilitou um maior acesso ao livro, permitindo que as primeiras bibliotecas privadas começassem a ser criteriosamente formadas.

«Aliás, o que se passa na tipografia não é senão uma forma particular de apoio à disseminação dos símbolos nacionais, que encontramos igualmente nas filigranas de papel, nos selos pendentes da correspondência oficial, nas moedas e nas iluminuras, para não falarmos das pedras-de-armas. Intencionalmente ou não, a verdade é que a incrustação dos símbolos nacionais na memória coletiva só podia fazer-se com êxito recorrendo às armas falantes.»

(Artur Anselmo, p. 1, 2014)

Então, como agora, os motivos heráldicos constituíam – e ainda têm esse poder – um motivo de regozijo e orgulho para um indivíduo particular ou uma família. Um brasão de armas denota uma determinada posição dentro da classe, prestigia uma instituição que o use e sublinha aspetos particulares de pertença a uma família. Na Europa medieval a atribuição e uso de armas tornou-se um hábito entre os nobres que constituíam uma casta militar distinta, com costumes e direitos próprios. Daqui evoluiu, até que no Renascimento toma sinais muito fortes de privilégio e de marca pessoal. A criação e porte de armas passou a não ser exclusivo de um grupo de nobres, estendendo-se a eclesiásticos, a cidades e demais entidades corporativas. A ‘nobre arte’ da encadernação, de igual modo, acompanhou as necessidades e vontades dos tempos, tornando-se um forte aliado dos que podiam dispor de meios para enriquecer e “iluminar” as suas bibliotecas.

A beleza e raridade destes espécimes, bem como o facto de serem exemplares únicos, tornam os livros com estas características valorizados e procurados por bibliófilos e colecionadores de todo o mundo e, consequentemente, altamente cotados na esfera do mercado livreiro antiquário mundial.

Em Portugal, foram produzidas encadernações com super-libros de rara e invulgar qualidade, muitas dos quais permanecem em valiosas coleções particulares. Por fim, enquanto dedicados estudiosos e divulgadores deste assunto, em território nacional, cumpre destacar os trabalhos dos seguintes autores: Aníbal Fernandes Tomás (1849-1911); Conde de Castro e Solla (1874-1948) e Mathias Lima (1885-1970).


JMG


 

BIBLIOGRAFIA e WEBGRAFIA:


ANSELMO, Artur (2014). Armas nacionais portuguesas como marcas tipográficas. In «Cultura revista de História e Teoria das Ideias», Vol. 33. [em linha]. [Consult. 14.06.2021]. Disponível: https://journals.openedition.org/cultura/2409?lang=en

BIBLIOTECA NACIONAL DA AJUDA (2006). Marcas de posse. [em linha]. [Consult. 08 de junho de 2021]. Disponível: https://bibliotecadaajuda.blogspot.com/search?q=super+libros

CASTRO E SOLLA, Conde de (1915). Super-libros ornamentaes: reproduções e notas descritivas. Lisboa: Typographia editora J. Bastos

GREENWOOD, Ryan (2013). Armorial-bindings: introduction. [em linha]. [Consult. 25.05.2021]. Disponível: https://library.law.yale.edu/news/armorial-bindings-introduction

LIMA, Mathias (1927). Super-libros portugueses inéditos. Porto: Fernando Machado & C.ª, Lda.

SECRETARIADO NACIONAL DE INFORMAÇÃO, CULTURA POPULAR E TURISMO [org.]. (1958). Catálogo da exposição de super-libros. Lisboa: Academia Portuguesa de Ex-Libris.

WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Supralibros. [em linha]. [Consult. 02 de junho de 2021]. Disponível: https://es.wikipedia.org/wiki/Supralibros


2021/07/01

Exposição Virtual "Cartazes de prevenção de acidentes de trabalho"

Os cartazes de prevenção de acidentes de trabalho, encontravam-se afixados nas salas de aula e laboratórios das escolas, com a finalidade de ensinar a prevenção dos vários acidentes no laboratório ou local de trabalho.

Estes exemplares pertencem a épocas distintas. Uns foram editados pelo Ministério das Corporações e Previdência Social, nos anos 50. Outros foram editados em época posterior, pela Direção Serviços de Prevenção de Riscos, tendo alguns sido realizados por alunos da Escola António Arroio.

Em Portugal, os cartazes de prevenção de acidentes de trabalho adquiriram valor estético nos anos 40, quando começaram a ser desenhados por artistas gráficos importantes no panorama artístico português, que introduziram técnicas gráficas inovadoras e adotaram correntes artísticas internacionais. O cartaz é um suporte de comunicação que se encontra geralmente afixado, para que seja visível a todos. Tem como função principal a divulgação de uma mensagem visual que procura informar, orientar ou persuadir um determinado público-alvo.

A utilização da imagem, “uma imagem vale mais que mil palavras”, pretende de um modo eficaz fazer passar a mensagem, que deve ser rapidamente apreendida. Esse conteúdo deverá ter uma leitura rápida e imediata, não suscetível de provocar dúvidas, o que conduz à utilização de uma mensagem escrita muito curta e uma imagem que transmita toda a informação necessária.

Tinham uma função didática e educativa, procurando ensinar e chamando a atenção para comportamentos perigosos e pouco corretos na utilização ferramentas e locais de trabalho. Procurava-se que essa mensagem chegasse a todas as pessoas, dando diretivas e informações para situações ou momentos ligados a atividades funcionais, de forma persuasiva com a finalidade de motivar a aquisição de comportamentos seguros nos locais de trabalho.


ME/ESAD/147

Escola Secundária Afonso Domingues

Quadro parietal com a descrição das medidas de proteção que devem ser tomadas durante o trabalho nas oficinas de mecânica. Trata-se de uma campanha publicitária do Ministério das Corporações e Previdência, que pretende alertar para os acidentes de trabalho e cuidados a ter nas oficinas, através de frases ou imagens que despertem a atenção do público. Neste cartaz, n.º 19, podemos observar um trabalhador que cai, em virtude do derramamento de óleo no chão.


ME/ESAD/149

Escola Secundária Afonso Domingues


Quadro parietal com a descrição das medidas de proteção que devem ser tomadas durante o trabalho nas oficinas de mecânica. Trata-se de uma campanha publicitária do Ministério das Corporações e Previdência, que pretende alertar para os acidentes de trabalho e cuidados a ter nas oficinas, através de frases ou imagens que despertem a atenção do público. Neste cartaz, n.º 39, podemos observar um trabalhador sem qualquer tipo de proteção a esfregar os olhos e uns óculos de grandes dimensões por baixo.


ME/401626/85

Escola Secundária de Emídio Navarro

Quadro parietal com a descrição das medidas de segurança que devem ser tomadas e dos vários riscos associados ao trabalho nas oficinas. Trata-se de uma campanha publicitária do Ministério do Trabalho, que pretende alertar para os acidentes de trabalho através de frases ou imagens que despertem a atenção do público. Neste caso, sob um fundo azul, surge ao centro uma fotografia de um aperto de mão. A mão do lado esquerdo tem luvas e a do lado direito não. Pretende alertar para o equipamento de proteção, as luvas, que deve ser utilizado no local de trabalho por forma a evitar acidentes.


ME/401626/70

Escola Secundária de Emídio Navarro

Quadro parietal com a descrição das medidas de segurança que devem ser tomadas e dos vários riscos associados ao trabalho nas oficinas. Trata-se de uma campanha publicitária do Ministério do Trabalho, que pretende alertar para os acidentes de trabalho através de frases ou imagens que despertem a atenção do público. Neste caso, sob um fundo azul, surgem duas frases a branco, em maiúsculas, que alertam para os riscos com o ruído em excesso. A par das frases estão duas imagens simétricas, uma em cada canto, que ilustram o uso de protetores de ouvido.


ME/400270/839

Escola Secundária Jácome Ratton

Quadro parietal com a descrição das medidas de proteção que devem ser tomadas durante o trabalho nas oficinas de mecânica. Trata-se de uma campanha publicitária do Ministério das Corporações e Previdência, que pretende alertar para os acidentes de trabalho, através de frases ou imagens que despertem a atenção do público. Neste caso podemos observar do lado esquerdo um trabalhador sem qualquer tipo de proteção, enfrentando o perigo de uma explosão. Do lado direito do cartaz encontram-se sete quadrículas com imagens referentes a cuidados a ter no local de trabalho: na 1.ª e 2.ª quadrículas alerta-se para o perigo de fumar; da 3.ª à 7.ª quadrículas temos várias situações de explosão de produtos químicos. É o cartaz nº 48, onde é visível a seguinte frase: "Atenção ao perigo das explosões!".


ME/400270/831

Escola Secundária Jácomme Ratton

Quadro parietal com a descrição das medidas de segurança que devem ser tomadas pelos trabalhadores nas oficinas. Trata-se de uma campanha publicitária que pretende alertar para os acidentes de trabalho através de frases ou imagens que despertem a atenção do público. Neste caso, sobre um fundo laranja, podemos observar uma silhueta de um trabalhador executando as suas funções junto de uma máquina, que se destaca de um parafuso em tons de azul. Foi desenhado na Escola de Artes Decorativas António Arroio, em Lisboa.

 

MJS

2021/06/28

Levadas da Ilha da Madeira

(Imagem de uma Levada na Ilha da Madeira. Imagem retirada da internet)

As Levadas da Ilha da Madeira fazem parte das listas indicativas para a candidatura de Bens a Património Mundial em Portugal. A Levada é um canal de irrigação ou aqueduto que se encontra ladeado por um percurso pedestre. Nascem geralmente no leito de um ribeiro ou em galerias subterrâneas.

As primeiras levadas foram construídas aquando do início da colonização da ilha, no século XV, devido à necessidade de água para as plantações de cana-de-açúcar e para o funcionamento dos engenhos e moinhos.

No início foram construídas por agricultores abastados, até 300 m de altitude. A água em excesso era vendida aos colonos. Também os héreus construíram estes canais. Eram agricultores, donos de parte da levada, e elegiam entre si uma comissão responsável pela manutenção da levada.

A intervenção do estado na construção e gestão das levadas tornou-se vital devido ao aumento da área cultivável, sendo necessário trazer a água do Norte para o sul da ilha. Todo o este processo implicava grandes obras e custos acrescidos. Assim, na primeira metade do século XIX, foi construída a Levada Velha do Rabaçal, terminada em 1860. A partir de 1947 foi criada a Comissão Administrativa de Aproveitamentos Hidráulicos, sob a direção d engenheiro Manuel Rafael Amaro da Costa.

(Imagem de uma Levada na Ilha da Madeira. Imagem retirada da internet)


Nessa data existiam cerca de 200 levadas que se estendiam por mil quilómetros. Entre 1947 e 1967 construíram-se mais 400 quilómetros de canais e edificaram-se quatro centrais hidroelétricas.

As técnicas de construção utilizadas eram, inicialmente, canais escavados diretamente na rocha. Quando tal não era possível, construíam-se calhas de madeira e posteriormente em alvenaria. Os construtores destas obras chamavam-se rocheiros e estavam sujeitos a inúmeros perigos como o desprendimento de rochas ou a queda no abismo. Os processos alteraram-se com o tempo e atualmente é utilizado o betão armado.

As levadas mais antigas são a Levada do Piornais, Levada do Curral e Castelejo, Levada Velha e Nova do Rabaçal ou Levada dos Tornos.

Os dados de que dispomos atualmente acerca da extensão das levadas não são precisos, até porque seria necessária uma definição do conceito de levada: canal de transporte de água até ao reservatório ou canal de transporte de água até aos consumidores finais.

Para além do aspeto bastante prático das levadas, os trilhos que as acompanham são verdadeiramente impressionantes ao nível paisagístico, constituindo uma verdadeira relíquia botânica.


MJS

2021/06/24

Ilhas Selvagens, Arquipélago da Madeira

(Imagem aérea das Ilhas Selvagens. Retirada da internet)

As Ilhas Selvagens encontram-se na lista indicativa de Património Mundial da UNESCO, tendo em conta a sua diversidade biológica e participação na evolução e desenvolvimento de processos biológicos.

Atendendo ao seu isolamento, as Ilhas Selvagens estão afastadas de qualquer intervenção humana, sendo consideradas um santuário ecológico. São formadas pelas ilhas Selvagem Grande, Selvagem Pequena e ilhéu de Fora, a 180 milhas da Madeira e ocupam uma área de cerca de 273 hectares. Estão rodeadas por uma extensa barreira de recifes, o que dificulta o acesso às ilhas.

A designação destas ilhas foi dada por Diogo Gomes de Sintra em 1438, embora já tivessem sido descobertas anteriormente. O Infante D. Henrique deteve a possa das ilhas que foram doadas, supostamente a Gião Caiado. Posteriormente foram vendidas a João Cabral de Noronha em 1717. Depois de longos anos, passando de proprietário, as ilhas foram adquiridas pelo Estado Português em 1971, tendo sido consideradas Reserva Natural, impedindo a caça ilegal.

A temperatura nesta área é mais alta do que na ilha da Madeira e a água do mar tem uma temperatura constante ao longo do ano. Jacques Cousteu afirmou que aqui se encontravam as águas mais limpas do mundo.

A fauna desta região é constituída por uma grande percentagem de aves marinhas nidificantes, uma vez que tem condições únicas para a nidificação. Entre as espécies que se podem referenciar temos a cagarra, o calcamar, a alma-negra, o roque-de-castro, o pintainho e o corre-caminho, que aqui se encontra todo o ano, bem como o francelho.

(Imagem aérea das Ilhas Selvagens. Retirada da internet)

Os mamíferos nativos são inexistentes. Quanto aos vertebrados podem-se incluir a osga e a lagartixa. Existe um grande número de insetos coleópteros e lepidópteros. Nas áreas rochosas são visíveis litorinas, caramujos, cracas, lapas, ouriços do mar, esponjas, anémonas e estrelas do mar.

O ambiente marinho é densamente povoado por várias espécies: a castanheta, a tainha, o bogam o sargo, a garoupa, o bodião, o peixe-cão e o peixe-verde. É comum observarem-se tartarugas e cetáceos.

Quanto à flora, é maioritariamente constituída por espécies de plantas vasculares e endémicas. Podem-se apontar a cila-da-madeira; estreleira ou figueira-do-inferno, entre outras. A flora marinha caracteriza-se pela colonização de algas fitófilas e pela predominância das algas vermelhas.

 

 

MJS

 


2021/06/21

Icnitos de dinossáurios da Península Ibérica

(Imagem de um icnito de dinossáurio. Retirada da internet)


Os Icnitos de dinossáurios da Península Ibérico encontram-se na lista de candidatos a Património Mundial em Portugal. Entende-se por icnito um objeto que apresenta vestígios da atividade de seres vivos já desaparecidos. Em Portugal, os candidatos localizam-se na Pedreira do Galinha, Torres Vedras; Pedra de Mua, Cabo Espichel em Sesimbra; e em Vale de Meios, Santarém.

Todas estas jazidas têm pegadas de dinossáurios do período Jurássico e são vitais para o estudo da anatomia destes espécimes, permitindo conhecer detalhes da sua locomoção e comportamento social, bem como do ambiente em que viviam.

A Pedreira do Galinha é a zona mais conhecida e visitada em Portugal onde houve uma intervenção efetiva na proteção do património paleontológico. Aqui se encontram os trilhos mais longos de pegadas de dinossáurios saurópodes em todo o mundo, até ao momento. Foi descoberto na década de 90 e considerado Monumento Natural em 1997.

Esta jazida é uma laje calcária de cerca de 40 mil metros quadrados, que constituía o fundo de uma lagoa natural de pouco profundidade. O clima, durante o Jurássico era quente e húmido, o que permitiu uma vegetação abundante e vital para a sobrevivência dos grandes herbívoros. Vários saurópodes passaram por aqui deixando as suas pegadas na lama que se transformou em rocha calcária. Estão identificados vinte trilhos de características únicas.

A Pedra da Mua é Monumento Nacional desde 1997 e está inserida no Parque da Arrábida. Estas jazidas têm oito camadas sedimentares, 38 pistas de saurópodes e duas pistas de terópodes, num total de 700 pegadas pouco profundas. A camada 3 deste local é particularmente importante pois apresenta sete trilhos de saurópodes que caminhavam juntos, o que demonstra o seu comportamento social. A sua velocidade variava entre os 3.6 e os 5 km/ hora.

Um dos trilhos aqui presentes está na origem da lenda de Nossa Senhora da Mua: dois peregrinos teriam visto Nossa Senhora numa mula a subir as arribas, deixando as suas pegadas. No cimo da arriba foi construída uma ermida.


(Imagem de uma jazida com icnitos de dinossáurios. Retirada da internet)


A jazida de Vale de Meios tinha características diferentes na época Jurássica: um clima mais tropical, águas mais quentes e claras com barreiras de recifes. Tem uma enorme quantidade de pegadas bem preservadas e muito bem definidas, onde se podem observar trilhos feitos por dinossáurios carnívoros e por grandes herbívoros.

A preservação destas pistas para minimizar os efeitos da erosão e das condições atmosféricas envolvem um enorme esforço técnico e financeiro, em relação ao qual as autoridades responsáveis e a população em geral devem ser sensíveis.

 

MJS


2021/06/17

Peça do mês de junho

Mapa Escolar de Portugal Continental

Mapa de Portugal utilizado nas aulas de Geografia para ilustração das matérias lecionadas. O mapa apresenta as divisões administrativas do país, as suas principais cidades, cursos de água, relevo, vias rodoviárias e ferroviárias. No canto inferior esquerdo apresenta uma lista de água medicinais, um gráfico e um mapa orográficos. No lado direito identifica as principais cidades com número de freguesias, habitantes e área territorial. No canto inferior direito, mostra um mapa dos caminhos-de-ferro e um mapa hidrográfico. Escala - 1: 500 000

Está inventariado com o número ME/400117/414 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária D. Pedro V.


MJS