2021/06/17

Peça do mês de junho

Mapa Escolar de Portugal Continental

Mapa de Portugal utilizado nas aulas de Geografia para ilustração das matérias lecionadas. O mapa apresenta as divisões administrativas do país, as suas principais cidades, cursos de água, relevo, vias rodoviárias e ferroviárias. No canto inferior esquerdo apresenta uma lista de água medicinais, um gráfico e um mapa orográficos. No lado direito identifica as principais cidades com número de freguesias, habitantes e área territorial. No canto inferior direito, mostra um mapa dos caminhos-de-ferro e um mapa hidrográfico. Escala - 1: 500 000

Está inventariado com o número ME/400117/414 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária D. Pedro V.


MJS

2021/06/14

Edifício-sede e parque da Fundação Calouste Gulbenkian

O Edifício-sede e Parque da Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa são candidatos a património mundial.

Situado no centro de Lisboa, o edifício-sede articula-se com o espaço do Museu Calouste Gulbenkian, funcionando como centro de exposições e sala de espetáculos. O projeto teve na sua origem um concurso lançado pela administração a três equipas de arquitetos, entre 1959 e 1960. O objetivo era perpetuar a memória de Calouste Gulbenkian.

Ruy Athouguia, Pedro Cid e Alberto Pessoa, foram os arquitetos responsáveis pelo projeto, com uma conceção sóbria, de linhas horizontais e uma visão exterior sobre o jardim. Concluído em 1966, tem cerca de 125 m de comprimento por 25 m de largura e seis pisos. Foi elaborado com técnicas modernas em betão armado e vidro. É um espaço único de divulgação cultural e da comunidade artística.

No seu interior predominam as madeiras e a alcatifa, com obras da autoria de José de Almada Negreiros, Jorge Barradas, João Abel Manta, Artur Rosa, Manuela Jorge e Vítor Fortes.

O parque, com cerca de 7.5 hectares, tem um papel de relevo na arquitetura paisagística portuguesa. Foi construído na década de 60, terminado em 1969 e o projeto é da autoria de António Viana Barreto e Gonçalo Ribeiro Telles. Concluído em 1969, o jardim contou com técnicas modernas e inovadoras. Inclui um lago, um anfiteatro ao ar livre e lajes no solo para a circulação do público. Renovado em 2002, assistiu à introdução de novos percursos, espelhos de água e novas espécies.

 

 

MJS

2021/06/10

Fortalezas Abaluartadas da Raia Luso Espanhola


As Fortalezas Abaluartadas da Raia Luso Espanhola integram a Lista Indicativa de Portugal enquanto candidatas à classificação de Património Mundial da Unesco.

Distribuindo-se pelos municípios de Almeida, Marvão, Valença e Elvas, atualmente já incluída no Património Mundial Português, estas fortificações alteram de forma impactante a paisagem. De uma inegável beleza e formato diferenciado estas construções militares tinham como objetivo a defesa do território e o refúgio da população em caso de ataque.

A sua construção deveu-se ao facto do sistema tradicional de defesa, torres amuralhadas perpendiculares ao solo, já não funcionar dada a evolução das técnicas militares e da artilharia móvel. São fortificações em forma de estrela, com um baluarte, dotadas de espessas muralhas e torres redondas mais resistentes aos ataques.

A Escola Italiana foi a que mais influenciou as construções em Portugal, sobretudo durante o século XVI. Após a Guerra da Restauração (1640 – 1648), a Coroa investiu na modernização de fortalezas nas zonas fronteiriças, convidando para tal vários mestres, engenheiros e militares estrangeiros. No Alentejo foi notória a presença de mestres holandeses e francesas. Os sistemas construídos em Almeida, Évora e Valença contribuíram em muito para o reforço da autonomia portuguesa.

Elvas tem a maior fortaleza abaluartada terrestre do mundo, de influência holandesa, ocupando um perímetro de cerca de 10 quilómetros. Não tem qualquer ângulo morto e permite ter uma visão de todo o terreno circundante. Nesta zona já tinham sido construídas fortificações na época romana e árabe.


Estas estruturas defensivas passaram a ser monumentos históricos únicos, refletindo a adaptação da arquitetura à morfologia de cada local. Constituem um espaço único e dinamizador da cultura, refletindo o relacionamento entre os povos.

 

MJS


2021/06/07

Exposição Virtual: "Santo António no Museu Virtual da Educação"

Santo António, figura icónica da tradição lisboeta, nasceu em Lisboa em data incerta, provavelmente no ano de 1195. Na casa onde se supõe ter nascido, perto da Sé, foi erguida uma igreja em sua honra. Estudou na Igreja de Santa Maria Maior, Sé, sob a supervisão da Ordem dos Regrantes de Santo Agostinho. Entrou na Ordem ainda adolescente, no Mosteiro de S. Vicente de Fora, tendo sido mais tarde transferido para o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde contatou com monges franciscanos. Por volta de 1217 decidiu deslocar-se a Marrocos, seguindo a fé franciscana de evangelização dos muçulmanos. Ficou doente logo à chegada e teve de regressar. O barco onde seguia foi acometido por uma tempestade e acostou na Sicília. António permaneceu nesta zona até 1221, tendo vivido em Assis e chegando a conhecer São Francisco e os seus seguidores. Fixou-se posteriormente em Bolonha onde aprofundou os seus estudos, tendo-se dedicado ao ensino da teologia e à pregação nas universidades francesas de Toulouse, Montpellier e Limoges. A partir de 1230 pediu licença ao Papa para se dedicar à pregação e à contemplação. Regressando a Itália, acabou por morrer perto de Pádua, a 13 de junho de 1231. Foi canonizado no ano seguinte e os seus restos mortais encontram-se na Basílica de Santo António de Pádua. Em 1946 foi proclamado Doutor da Igreja. Durante a sua vida destacou-se como pregador, sendo um homem de cultura literária invulgar. Na devoção popular é considerado padroeiro dos amputados, dos animais, dos estéreis, dos barqueiros, dos idosos, das grávidas, dos pescadores, agricultores, viajantes e marinheiros; dos cavalos e burros; dos pobres e dos oprimidos; é invocado para achar coisas perdidas, para conceber filhos, para evitar naufrágios e para conseguir casamento. Nesta exposição encontram-se as imagens de Santo António que temos disponíveis no Museu Virtual da Educação que incluem escultura, azulejaria e pintura. 

ME/341256/276

Escultura de Santo António

Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos Francisco de Arruda

Escultura, provavelmente elaborada por professores da escola, destinada a ser colocada na parede. Trata-se de uma representação de um santo, vestido com a tradicional hábito, cuja mão se encontra colocada na cabeça de uma criança que se encontra a seus pés. Do lado direito está uma coluna com decoração religiosa, onde se pode observar um arcanjo.


Painel de azulejo

ME/402163/183

Escola Secundária Marquês de Pombal

Conjunto de 15 azulejos de módulo quadrangular da 1.ª metade do século XX, da autoria de Leopoldo Battistini. Retrata a Aparição de Nossa Senhora com o menino Jesus a Santo António de Lisboa tendo no cimo uma tiara de anjos. O Santo é representado com o hábito de franciscano, preso na cintura por um cordão, enquanto a cruz, o livro e o lírio estão no chão à sua esquerda. Moldura em ferro.


Retábulo

ME/402163/189

Escola Secundária Marquês de Pombal

Retábulo de altar da autoria de Leopoldo Battistini. Painel assente em silhar numa composição recortada ao gosto rocaille, policromado: azul, amarelo, verde-azul e roxo - manganês, composto por uma moldura simétrica, encimado por uma coroa real, suportada por dois anjos lateralmente e sobre uma concha com grandes dimensões, desenvolvendo -se largos enrolamentos e volutas de acanto. Estas dividem o espaço físico do painel em três, destacando-se na parte central " Nossa Senhora da Conceição?. Na base desta está inscrito: " os trez Padroeiros. Nossa Sra. da Conceição, S. Vicente e S. António." À esquerda do observador, S. Vicente, segura uma caravela com três corvos. (símbolo de Lisboa). À direita do observador, Santo António segurando na mão direita um livro e na mão esquerda uma cruz e flores. Abaixo do pé esquerdo do referido santo está a assinatura e datação. À direita do observador em plano inferior está citada: "Fca. Cca. Constância - Lisboa". Na base da composição e nos seus extremos situam-se dois anjos de costas voltadas.



Estudo

ME/402163/270

Escola Secundária Marquês de Pombal

Estudo para painel de azulejos da autoria de Maria de Portugal. Apresentando uma moldura policromada em tons verde, roxo e azul encimada por cabeça de anjo. O interior do painel representa uma figura religiosa -"santo"- em oração, tendo suspenso na mão direita um terço e na esquerda um livro aberto. À direita desta figura pode ver-se um crucifixo virado para o santo, colocado sobre uma mesa revestida por uma toalha com motivos florais. À esquerda do referido santo, junto aos pés pode ver-se um cão que segura na boca uma tocha acesa.


Pintura

ME/402163/50

Escola Secundária Marquês de Pombal

Estudo preparatório do tema religioso "Aparecimento da Virgem com o Menino a Santo António" da autoria de Leopoldo Battistini O jogo espacial das figuras tem uma extraordinária verdade de expressão, nomeadamente a que representa o Santo António no ato de receber das mãos da Virgem, o menino Jesus. A ação é sublinhada pelo uso da cor, usando pincelada larga e sobreposta o que provoca quase a perda da focagem ótica.


MJS

2021/06/03

A Escola Primária da aldeia de Minas da Borralha - do minério transmontano, do contrabando camuflado e colaboracionista à matéria-prima cobiçada pelos Senhores da Guerra

 Edifício escolar de 2 salas, tipo Indefinido, misto, existente no núcleo das Minas da Borralha, freguesia de Salto, concelho de Montalegre. Inclui plantas e alçados do edifício, bem como troca primitiva de correspondência com a sociedade mineira francesa “Mines de Borralha”. Contém ainda informação sobre o edifício escolar que a empresa pretende construir para instrução dos filhos dos trabalhadores da citada sociedade mineira.

O processo referente à Escola Primária de Minas da Borralha, concelho de Montalegre, distrito de Vila Real, encontra-se à guarda da Direção de Serviços de Documentação e Arquivo da SGEC. A documentação deste processo encontra-se extremada entre maio de 1943 e dezembro de 1966. As primeiras notícias sobre aquilo que seria o grande complexo extrativo das minas da Borralha, dão conta da primeira concessão a um engenheiro francês, logo em 1902, após ouvir a um trabalhador de nome Domingos Borralha, que trabalhando nas minas de Coelhoso, Bragança, teria comentado que na sua terra natal “existiam muitas pedras iguais às que ali eram exploradas e que as usavam para atirar às cabras e construir muros.” Da confirmação in situ do engenheiro gaulês nada sabemos, mas logo no primeiro ano a céu aberto foi possível extrair 70 toneladas do volfrâmio, sendo que no ano subsequente e com algumas perfurações, foi possível extrair das entranhas da terra 170 toneladas do mesmo mineral, o que equivale a um crescimento homólogo anual de 242,86 %. O potencial da jazida mineira foi tão promissor, que logo em 1904, o complexo já dispunha de eletrificação. De produção ininterrupta desde 1902 a 1986, ano do seu encerramento – se considerarmos as interrupções do triénio 1944/ 46 e do quadriénio 1958/62 – o couto mineiro foi-se expandindo até aos 2000 hectares, chegando a empregar cerca de 2000 trabalhadores (há notícia que as minas e a população da aldeia chegou mesmo à cifra das 5000 pessoas) e atingindo uma profundidade de 210 metros. O auge da sua produção ocorreu nas décadas de `30, `40 e 50 do século passado, num claro indicador da procura do volfrâmio (ou tungsténio) ter um grande crescimento no esforço de guerra durante a II Guerra Mundial e depois nas guerras da Coreia, já na década de 1950.

Fonte: Plano dos Centenários, Peças desenhadas da Escola Primária do núcleo da Borralha, freguesia de Salto, concelho de Montalegre

O primeiro ofício datado de 31 de maio de 1943, enviado da sociedade “Mines de Borralha”, com sede social provisória na rue de Sully, 50, em Lyon, mas que detinha escritório em Lisboa, no largo do Corpo Santo, 13, 3º Esquerdo, solicita ao Ministério das Obras Públicas e Comunicações a autorização para “… a construção de uma escola primária, para ambos os sexos, destinada aos filhos dos nossos operários, que calculamos serem cêrca (sic) de 200. Embora a escola seja particular, gratuita e rural, pretendemos que o edifício destinado ao seu funcionamento seja construído de harmonia com os planos existentes para as escolas oficiais.” A autorização ministerial ocorre logo a 5 de junho, sendo que a Direção Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais, após o parecer da Repartição de Estudos e de Obras de Edifícios, informa a citada sociedade mineira a 19 de junho, enviando “Cópias de um projecto de uma escola de duas aulas e outra de um de 3 salas (…). Aproveitando o ensejo, cabe-me esclarecer que pretendendo Vª Exas. mandar construir escolas para uma população de cêrca (sic) de 200 crianças, de ambos os sexos, afigura-se a esta Direcção Geral aconselhável a construção de um edifício de 2 salas e outro de 3, ou dois de três salas, o que permitiria a completa separação dos sexos e, no caso da 2ª solução, uma margem para o acréscimo da população escolar.”

Do processo nada mais consta da opção tomada, mas tendo em consideração a documentação posterior, datada já de dezembro de 1966, a escola construída a expensas da sociedade mineira foi bem mais modesta e parca em recursos do que a proposta sugerida pelas entidades oficiais. Com efeito, e tendo em conta uma planta de 25 de novembro de 1966, constatamos que o edifício escolar que a sociedade mineira pretendeu então doar ao Estado “(…) está implantado num terreno de cerca de 1000 m.q. e que se compõe de 2 salas de aula, uma residência para professores, um pequeno alpendre e 2 retretes.” A exposição da vistoria solicitada pela Direção Geral do Ensino Primário e comunicada à Delegação para as Obras de Construção de Escolas Primárias é demolidora da avaliação que faz do espaço físico da escola, propondo que “Atendendo às deficiências de concepção de que o imóvel enferma e às obras de que necessita, julga esta Delegação que nem pode constituir solução capaz para as instalações do ensino nem há interesse em aceitar a doação, que a entidade proprietária se propõe fazer ao Estado.” Destarte, a concordância do Estado em recusar a doação, ficou logo plasmada por assinatura ministerial de 27 de dezembro de 1966.

A História, contudo, não se esgota nas fontes documentais estritamente institucionais; vai além do que a memória documental atesta, testemunha e comprova. Malgrado o explicitado supra, as gentes que trabalharam no couto mineiro da Borralha têm outras (boas) lembranças da aldeia que ganhou notoriedade nos tempos áureos da exploração volfrâmica. Da tradição oral, e de quem trabalhou nas minas, há a memória que que a todos era oferecida casa no bairro operário, água e energia elétrica. Havia um pequeno posto da GNR, Correios, posto médico, um refeitório, uma sala para projeção de cinema e escola, a primeira entre Braga e Chaves e onde os alunos aprendiam uma profissão para os diversos trabalhos da mina. Dessas “profissões” aprendidas em contexto de trabalho, importa referir a de escombreiro, maquinista de galerias, entivador (colocava madeiras para escoramento em minas) e eletricista. Dessa memória oral, há testemunhos de que na aldeia industrial foram construídas lavarias para a lavagem e separação do minério, uma fundição única na Península Ibérica, onde se procedia à transformação do volfrâmio em ferro tungsténio, além de oficinas, armazéns, carpintarias de apoio às várias galerias, britadores, o “stockwerk”, e bairros operários que chegaram a albergar cerca de 5000 pessoas. Além dos quadros de pessoal das “Mines de Borralha”, a exploração mineira feita a céu aberto, contava com os apanhistas, trabalhadores que tinham licença da empresa para apanhar o minério, com a condição de no final do dia o vender à sociedade mineira, além dos farristas, que mais não eram contrabandistas que à margem das regras, negociavam o volfrâmio “extra-muros”. Destes últimos, e porque o lucro e enriquecimento fáceis são sempre sedutores, conta-se que os farristas se “davam ao luxo” de fumar notas de 500 escudos, conquanto uma pedra de volfrâmio de 1 Kg valesse 1000 escudos, nos anos 40. Esta constatação não é displicente, porque foi exatamente durante a década de `40 que o volfrâmio teve mais procura, na medida que foi fundamental para o esforço de II Grande Guerra. Portugal e o governo de Salazar, foram essenciais para as duas frentes em conflito (Aliados e forças do Eixo), uma vez que de forma camuflada vendiam, quer a uns, quer a outros, não só o volfrâmio para a economia de guerra, bem como outros produtos essenciais como conservas, lã e calçado. Quer as forças aliadas, mormente os Ingleses através do Ministério da Guerra Económica (Ministry of Economic Warfare), quer os alemães, tinham no Portugal neutral, mas colaboracionista para ambos os lados (local privilegiado de espiões, refugiados, jogos diplomáticos e informadores de Guerra), testas-de-ferro encarregados de comprar tudo aquilo de que o inimigo necessitasse. Os ingleses, por exemplo, não necessitavam de volfrâmio, que obtinham das suas colónias, só o compravam para “secar” os alemães. Ao invés, e mesmo após o bloqueio de volfrâmio imposto pelos Aliados, Salazar continuava a fornecer a Alemanha, contrabandeando bens essenciais à guerra – quer os já citados, quer reexportando petróleo norte-americano, fosfatos do norte de África, matérias-primas das suas colónias, além de açúcar e estanho, mesmo que por cá vigorasse o racionamento de bens essenciais… -, seguindo para a Suíça em comboios fechados, através de territórios ocupados pelas forças nazis. Os alemães, ao invés pagavam a conivência portuguesa, com lingotes de ouro extorquidos aos bancos holandeses e belgas, após a invasão nazi destes territórios, o pagamento de juros e a compra de divisas. Os anos de 1941-43 são um período de ouro para as finanças públicas portugueses, com a compra cada vez maior de produtos estratégicos para o esforço de guerra, em ambos os lados das forças beligerantes. Com efeito, este triénio, ficou marcado pela primeira e única vez na época contemporânea, em que a balança comercial portuguesa foi positiva.

Fonte: © Olhares.com                   foto de Vítor Ribeiro

Com o fecho das minas em 1986, a Câmara Municipal já investiu cerca de 2 000 000 euros, para a reabilitação deste espaço. Assim, em julho de 2015 abriu um núcleo do Ecomuseu do Barroso, onde se insere o Centro Interpretativo das Minas da Borralha, que compreende entre outros um centro do núcleo museológico (receção, auditório, balneários e algumas zonas de exposição); a fundição; edifício para futuras exposições; a casa dos compressores; edifício longitudinal, com quatro compressores de grandes dimensões e o Arquivo, piso onde se encontra um grande espólio documental, relacionado com todas as atividades relativas às minas. Já durante este ano de 2021, a atividade mineira poderá ser retomada na Borralha, através de um projeto da empresa Minerália – Minas, Geotecnia e Construções, Lda, com sede em Braga, para um contrato de concessão de exploração de volfrâmio, estanho e molibdénio, mas essa intenção está a ter muitos entraves por parte de população devido a problemas da extração a céu aberto do minério, bem como de sustentabilidade ambiental.

 


Algumas propostas de leitura e duas propostas musicais:


PIMENTEL, Irene Flunser – Judeus em Portugal durante a II Guerra Mundial. Lisboa: A Esfera dos Livros. 2006

ROSAS, Fernando – Portugal entre a Paz e a Guerra 1939-1945. Lisboa: Editorial Estampa.1995

https://www.publico.pt/2011/11/06/jornal/minas-mineiros-e-guerras-as-corridas-ao-volframio-23357897

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/portugal-e-o-dia-d-como-salazar-escapou-por-um-triz_n1152272

Red Hill Mining Town – U2 - The Joshua Tree, 1987

Os Senhores da Guerra – Madredeus – O Espírito da Paz, 1994


M.M.

2021/05/31

O Arquipélago dos Açores e a Dorsal Médio-Atlântica


A Dorsal Médio-Atlântica faz parte da lista de candidatos a Património Mundial da Unesco. Trata-se de uma cordilheira submarina situada sob o Oceano Atlântico e o Oceano Ártico em que, os seus pontos mais altos, emergem e formam ilhas. 

Fazendo parte do sistema global de dorsais oceânicas, pensa-se que a sua formação se deve a um limite divergente entre as placas norte-americana e euroasiática (Atlântico Norte) e as placas sul-americana e africana (Atlântico Sul). 

Foi descoberta por Bruce Heezen e Marie Tharp na década de 50, conduzindo à formulação da teoria de Alfred Wegener da deriva continental e da expansão do fundo oceânico. 

Esta dorsal entende-se por cerca de 11.300 km, quase todos submersos, à exceção da Islândia, Ilha de Ascensão e Açores, situando-se o seu ponto mais elevado na Ilha do Pico. 

No caso particular dos Açores, as ilhas das Flores e Corvo encontram-se na placa norte americana e as outras ilhas, na fronteira entre a placa euroasiática e africana, resultado da ação da atividade vulcânica desta zona. A área combina falhas tectónicas, com geração de sismos e fenómenos de vulcanismo. O fundo oceânico é menos profundo pois a crosta oceânica é extremamente elevada. 


A Ilha de Santa Maria foi a primeira a formar-se, há cerca de 6 milhões de anos e a Ilha da Pico, a última, com 186 mil anos. As movimentações, o vulcanismo e a variação do nível do mar conjugam-se aqui, sendo responsáveis pelo processo de formação e desaparecimento de múltiplas ilhas. De acordo com estudos recentes, há uma enorme probabilidade de todas as ilhas se afundarem, não só devido ao seu peso, mas também devido aos movimentos verticais. 

Contrariando esta tendência de afundamento, a ilha de Santa Maria e a ilha das Flores têm experienciado um processo de elevação com redução de atividade vulcânica. 

Para além das nove ilhas que se conhecem neste arquipélago, existem manifestações de outras pequenas ilhas que aparecem e desaparecem: o banco D. João de Castro, a ilha Sabrina e o vulcão da Serreta. 

Em 1720 formou-se uma ilha no banco D. João de Castro (entre São Miguel e Terceira) devido a uma erupção vulcânica. Apesar disso, a ilha desapareceu em julho de 1721 devido à erosão marinha. 

Em junho de 1811 houve algumas erupções na ilha de São Miguel que conduziram ao aparecimento da ilha Sabrina. Era uma espécie de cone com 100 metros de altura e 300 de diâmetro. Desapareceu passados três meses e nunca voltou a surgir, encontrando-se atualmente a 28 metros de profundidade.

Em dezembro de 1998, entre a Terceira e S. Jorge, ocorreu uma erupção vulcânica no Atlântico. Tratava-se do vulcão submarino da Serreta que cessou a sua atividade em agosto de 2001. 

 

MJS

2021/05/27

Costa Sudoeste: Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina


A Costa Sudoeste, da qual fazem parte o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e a Costa Vicentina são candidatos a Património Natural da Humanidade. Trata-se de uma faixa com cerca de 110 km, situada entre S. Torpes e Burgau. Têm uma enorme diversidade paisagística e elevada biodiversidade.

No aspeto geológico destacam-se o arenito e os calcários. O relevo tem áreas planas, cuja altitude aumenta para sul, onde o encaixe dos rios é mais profundo.

A bacia hidrográfica do reio Mira e do Barlavento Algarvio constituem a rede hidrográfica desta zona, sustentando a riqueza da biodiversidade. O clima é mediterrânico, de feição litoral, tornando-se bastante ameno, mas com nevoeiros. A precipitação é irregular, embora menos abundante no verão.

Quanto aos habitats, existem cerca de 35, a saber: habitats de água doce, que incluem águas paradas e charcos; charnecas e matos; e ainda florestas. Destaca-se a zona marinha com arribas litorais, praias, dunas, charnecas, estuários, cursos de água, etc.

A flora terrestre engloba três tipos de ambientes: vegetação de solos calcários, no planalto vicentino a sul; vegetação mais diversificada, no planalto litoral; e vegetação arbórea densa nas serras. Existe uma mistura de vegetação mediterrânica, atlântica e do norte de África. Estão identificadas cerca de 750 espécies, sendo que 12 são únicas.

A flora marinha abunda devido à natureza diversificada dos fundos rochosos de na água, existindo uma profusão de algas.


Quanto à fauna, abundam as aves na zona de arribas, destacando-se o guincho o guincho ou àguia-pesqueira, que aqui nidifica; a água-de-bonelli; o falcão peregrino; o peneireiro-comum, o peneireiro-das-torres; a gralha-de-bico-vermelho; a gralha-de-nuca-cinzenta; e o corvo-marinho-de-crista. A cegonha branca é uma das espécies mais comuns nesta zona, nidificando em árvores, prédios velhos ou postes de eletricidades.

As aves migratórias também por aqui passam, sendo o caso do pisco-de-peito-azul; o papa-moscas-preto; o papa-amoras comum; o alcatraz; a andorinha-do-mar; a águia-calçada; ou esporadicamente o falcão-da-rainha ou o búteo-mourisco.

No que respeita à fauna terrestre deve referir-se a lontra, o texugo, o sacarrabo e a fuinha. A presença de várias massas de água contribui para a existência de inúmeras espécies marinhas, atualmente bastante ameaçadas: o mero; os cavalos-marinhos; a enguia; o sável ou o caboz.

Para além de riquíssimo património natural, esta zona tem um património cultural bastante vasto. Povoada desde o mesolítico, a pesca foi sempre uma das atividades predominantes, tendo sido criadas inúmeras estruturas portuárias. Podem referir-se a Ilha do Pessegueiro, um rochedo arenítico com um fortim, e o respetivo forte da costa, edificados em finais do século XVI. O Forte de Belixe e a fortaleza de Sagres, bem como o farol do Cabo Sardão são locais a visitar.


MJS