2023/02/06

Educação e Monarquia: D. Sancho I (1154 - 1211)

D. Sancho I (1154 – 1211), "o Povoador", foi o quinto filho de D. Afonso Henriques e D. Mafalda de Saboia e segundo rei de Portugal. O seu governo teve como principal objetivo a consolidação e povoamento dos vários territórios do país.

Iniciou-se na vida militar aos 12 anos, chefiando uma expedição a Cidade Rodrigo que fracassou. Foi armado cavaleiro aos 15 anos em 1170 e passou, desde essa época a coordenar a estratégia de conquista.

Ainda durante a vida de Afonso Henriques, D. Sancho partilhou o governo com a sua irmã, D. Teresa que se ocupava fundamentalmente das questões administrativas, enquanto o futuro monarca se dedicava às atividades bélicas.


(Imagem retirada da Internet)

A organização política, administrativa e económica do reino caracterizaram o seu reinado, quer através da criação de manufaturas, quer através do fortalecimento do comércio e da concessão de cartas de foral. Os concelhos que se localizavam nas fronteiras receberam vários privilégios especiais. Diversos colonos estrangeiros fixaram-se no reino, bem como ordens religiosas.

Em 1189, Sancho I atacou o Algarve, tomando o castelo de Alvor e Silves. No entanto, em 1190, m novo ataque muçulmano recuperou estas cidades e ainda Alcácer, Palmela e Almada.

D. Sancho envolveu-se em querelas com Castela e viu as relações com a Santa Sé a deterioram-se pela recusa do pagamento anual de dois marcos-ouro. Incompatibilizou-se igualmente com o bispo do Porto e com o bispo de Coimbra.

No que respeita à educação, Sancho I tinha grande apreço pela arte e pela literatura, tendo escrito vários poemas. Durante o seu reinado alguns alunos frequentaram universidades estrangeiras, nomeadamente a Universidade de Bolonha que se destacava pelo ensino de Direito. Em 1192 concedeu uma quantia ao mosteiro de Santa Cruz para que os monges pudessem estudar em França.


MJS


2023/02/02

Educação e Monarquia: D. Afonso Henriques (1109?/1111? - 1185)


Educação é entendida como um processo contínuo que procura o desenvolvimento intelectual, físico ou moral de um indivíduo, com incidência no período da infância ou juventude. Pode igualmente entender-se como um conjunto de princípios ou valores que procuram a inserção do individuo em sociedade.

Este processo requer aquisição de conhecimentos que são transmitidos por alguém, ou seja, o ato de ensinar: a transmissão de conhecimentos e competências.

A educação é fundamental para a difusão do conhecimento e de aptidões essenciais para a formação do ser humano. Atualmente trata-se de um direito fundamental que tem por objetivo desenvolver a capacidade intelectual da população, bem como a sua formação nas diversas áreas: escolar, social, etc.

O ensino em Portugal seguiu desde cedo as tendências europeias, com algumas exceções. O presente conjunto de artigos pretende dar a conhecer o processo educativo ao longo dos vários reinados, iniciando-se com D. Afonso Henriques e terminando com D. Manuel II. Alguns destes reinados não denotam alterações em relação a períodos anteriores ou simplesmente não existem dados suficientes para se estabelecer uma linha educativa concreta.

Afonso Henriques (1109/1111 ? – 1185), “o Conquistador”, foi o primeiro rei de Portugal, reconhecido através da Bula Manifestis Probatum em 1179. Filho de D. Henrique, Conde de Portucale e de D. Teresa de Leão, Afonso Henriques tomou desde cedo a posição política de defesa da independência do Condado Portucalense, após a morte do seu pai.

(Imagem retirada da Internet)

Numa tentativa de se afastar da influência da nobreza mais ligada a Castela, o monarca deslocou a corte para Coimbra, financiando a fundação do Mosteiro de Santa Cruz. Nesta instituição recrutou vários intelectuais que considerou fundamentais para o seu governo como São Teotónio ou João Peculiar, Arcebispo de Braga.

Foi um estadista notável, com uma política de expansão territorial muito marcada. Rodeou-se de intelectuais, reconhecendo a importância da educação para o fortalecimento da nacionalidade e do governo do reino.

No que respeita à evolução do ensino em Portugal, pouco se sabe até ao século XI, havendo apenas referências à Sé de Braga e a um colégio/seminário junto da Sé de Coimbra. No início do século XII, existiam duas escolas, uma junto da Sé do Porto e outra no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Eram escolas episcopais, organizadas pela Igreja e que estavam orientadas para a formação do clero. O ensino aqui ministrado alargou-se progressivamente a estudantes que não pretendiam seguir a vida eclesiástica.

Na época medieval, mais concretamente durante a primeira dinastia, a instrução era apenas ministrada aos que pretendiam seguir uma carreira eclesiástica. Apesar de instrumentos que facilitaram a difusão do saber, como o pergaminho por exemplo, a população mantinha-se analfabeta.

Nas escolas monásticas, lecionava-se em latim a Gramática, Retórica, Dialética (trivium), Aritmética, Música, Geometria e Astronomia (quadrivium), que preparavam a aprendizagem da Teologia.

O currículo das escolas episcopais era distinto visto que se inicialmente se procedia à aprendizagem da leitura e da escrita, a partir do Saltério e posteriormente se efetuava a aprendizagem da Gramática e de algumas noções elementares de Lógica, Retórica, Música e Aritmética. Apesar da existência de um ensino relativamente organizado em Portugal, o atraso em relação a outros países foi sempre bastante acentuado, situação atestada quer pela constante saída de estudantes, com o intuito de frequentar universidades estrangeiras, nomeadamente as de Salamanca, Paris, Montpellier, Pádua e Bolonha, quer ainda pela entrada de sacerdotes, com o intuito de impulsionarem as escolas portuguesas.


MJS

2023/01/30

Exposição Virtual : "Álbuns de fotografias no Museu Virtual da Educação"

Um álbum de fotografias é uma coleção de fotografias, tradicionalmente um caderno ou livro com páginas em branco. Uma fotografia é considerada um documento, logo, os álbuns são em si mesmos um arquivo.

O interesse pela fotografia iniciou-se na Europa na segunda metade do século XIX. A união entre a fotografia e o álbum documenta, cataloga e organiza o mundo. Progressivamente, os álbuns tornam-se espaços de construção temáticos: aniversários, casamentos, festas, escolas, retratos, etc. Sendo um espaço em branco, o álbum é dotado de total liberdade criativa, onde se contam narrativas pessoais ou históricas em imagens. São associados a memórias de acontecimentos, com uma forte componente emocional, ou seja, são fragmentos da vida pessoal/institucional de cada um ou de uma instituição.

Para além de serem uma fonte de recordação pessoal, constituem preciosos documentos históricos que nos permitem reconstituir momentos do passado e complementar informações. Os álbuns fotográficos que se encontram nas escolas secundárias recolhem informações vitais para o estudo da educação em Portugal. As capas são cuidadas, identificadas e algumas em tecido bordado. O seu conteúdo relaciona-se com atividades escolares como atuações de alunos em peças escolares, exposições, atividades artísticas ou desportivas, viagens de estudo, almoços ou convívios. Temos igualmente fotografias dos edifícios e espaços escolares: instalações, salas de aula, oficinas, vistas panorâmicas, etc. Muitas vezes observam-se junto das fotos alguns recortes de jornal ou mesmo alguns desenhos. 


Álbum de fotografias

ME/402280/50

Escola Secundária de Montemor-o-Novo

Álbum de fotografias com capa bordada, a ponto cruz, por aluna do antigo Curso de Formação Feminina. Contém, entre outras, fotografias da década de 60/70, relativas à antiga Escola Industrial e Comercial de Montemor-o-Novo, nomeadamente às instalações, salas de aula, oficinas, peças de teatro, atuações de alunos, exposições.


Álbum de fotografias

ME/402436/2383

Escola Secundária de Passos Manuel

Álbum de fotografias com inscrição na capa: "Liceu de Passos Manuel - Album de fotografias - Lisboa 1922". É constituído por uma capa de cartão com letras a dourado e folhas de papel com 41 fotografias de diferentes tamanhos. A temática diz respeito à escola e às atividades desenvolvidas: uma vista panorâmica do exterior da instituição, salas de aula, exposições, ginásio e atividades desportivas.


Álbum de fotografias

ME/402618/3

Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro

Álbum de fotografias com capa bordada por uma antiga aluna da escola. Contém, entre outras, fotografias de bordados e de peças de cerâmica. Um papel manuscrito no interior do álbum dá as seguintes indicações: "Álbum com: 1- Bordados; 2 - Peças de vestuário; 3 - Peças de adorno em pano e em barro; 4 - Bandeira da Banda Comércio e Indústria - 1947; 5 - Peças de cerâmica na continuação do estilo bordaliano; 6 - Álbuns; 7 - Encadernações (livros com trabalhos dos alunos); 8 - Fotos com as entidades oficiais que fizeram a inauguração da exposição retratada neste álbum, destacando-se Dr. Leonel Sotto Mayor - Director da Escola, Dr. Aníbal Correia."


Álbum de fotografias

ME/ESDMF/189

Escola Secundária David Mourão Ferreira/SGEC

Conjunto de fotografias das instalações da Escola Comercial Veiga Beirão no "Palácio Marquez de Tancos", com perspetivas, alçados, interiores da escola, no período compreendido entre 1919 e 1932.


Álbum de fotografias

ME/ESDMF/123

Escola Secundária David Mourão Ferreira/SGEC

Álbum de fotografias da Escola Comercial D. Maria I, relativo à tarde cultural realizada no Teatro Nacional D. Maria I, a 6 de junho de 1954. Inclui recortes de jornal e desenhos dos figurinos, bem como fotografias do evento.


Álbum de fotografias

ME/346779/68

Escola Secundária com 3º Ciclo Clara de Resende

Álbum com diversas fotografias dos momentos assinaláveis da escola: festas, teatros, demonstrações de educação física, visitas de estudo, almoços de convívio, etc. Nas últimas páginas encontram-se algumas folhas soltas de um herbário. 


MJS

2023/01/26

Invenções portuguesas que mudaram o mundo (Parte IV)

 

(Imagem retirada da internet)

O Coloradd – Sistema de identificação para daltónicos

O Coloradd é um sistema de identificação de cores para daltónicos criado por Miguel Neiva, designer gráfico da Universidade do Minho. Existem cerca de 350 milhões de pessoas em todo o mendo com este problema.

O código é como um “alfabeto de cores”, baseando-se em cores primárias (magenta, amarelo e ciano) e nas cores que se formam a partir destas. A cada cor corresponde um símbolo que se pode aplicar diariamente. É usado em várias áreas: embalagens de comprimidos, pulseiras de hospitais, lápis de cor, mapas, semáforos, etc.

 

(Imagem retirada da internet)

O medicamento Zebinix (epilepsia)

Este medicamento para a epilepsia, comercializado desde 2010, foi criado pela farmacêutica portuguesa BIAL – Portela & Ca. Os estudos para o medicamento levaram 14 anos e custaram cerca de 300 milhões de euros.


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2023/01/23

Invenções portuguesas que mudaram o mundo (Parte III)

 

(Imagem retirada da internet)

O multibanco

O Multibanco funciona como uma rede de caixas automáticas que permite realizar transações bancárias e outro tipo de funcionalidades, como por exemplo o levantamento de dinheiro. Portugal foi um dos últimos países a desenvolver este tipo de infraestrutura, mas uma vez implantada tornou-se a mais avançada de sempre.

Em 1985 surgiram as primeiras 12 caixas de Multibanco em Lisboa e no Porto. Atualmente existem mais de 13.000 terminais, a maior densidade de caixas automáticas por habitante na Europa.


(Imagem retirada da internet)

Os cartões de telemóvel pré-pagos

Os cartões pré-pagos são cartões carregados com um determinado montante que pode ser gasto em chamadas e mensagens. Este cartão pode ser carregado várias vezes, consoante a necessidade.

Apesar de se ter espalhado a todo o mundo, a TMN, atual MEO foi a inventora deste sistema de pagamento.

(Imagem retirada da internet)

A Via Verde

Este sistema surgiu em 1991 e foi criado pela Brisa – Autoestradas em parceria com a Universidade de Aveiro. Trata-se de um sistema de portagem eletrónica para evitar filas para efetuar o pagamento das portagens.

Em 1995 estendeu-se a todo o país e funciona da seguinte forma: é colocado um identificador no vidro do veículo que, ao passar na portagem com o equipamento instalado, faz a leitura automática. O veículo não para e o pagamento é debitado automaticamente. Atualmente já é usado em vários países em todo o mundo.


MJS



2023/01/19

A singularidade da Escola Primária de Alijó ou a primazia da intermodalidade dos espaços educativos: algumas considerações

Edifício escolar de 3 salas de aula, com cantina e residência para professor, do tipo Indefinido, para a vila de Alijó, distrito de Vila Real. Inclui as peças desenhadas da planta geral (representação esquemática das três salas de aula, átrio central de configuração hexagonal, recreio coberto, refeitório, cozinha, arquivo e distintas instalações sanitárias). Fachada principal com cobertura, assente em 4 colunas de estilo dórico, átrio central com 6 faces, encimado por uma esfera armilar e a representação de um cata-vento com representação de ave.


O processo referente da Escola Primária de Alijó, encontra-se à guarda da Direção de Serviços de Documentação e de Arquivo da SGEC. A documentação deste processo encontra-se extremada entre junho a setembro de 1969. Inicia-se com um Memorial da Câmara Municipal de Alijó, que foi entregue ao ministro da Obras Públicas (1), aquando da visita deste governante à cidade de Vila Real a 20 de junho de 1969. Da exposição necessariamente sintética, se dá nota que a edilidade alijoense “(…) tem vindo, com uma regularidade impressionante, a dar execução ao plano de construção de edifícios escolares para a instrução primária. Todos os núcleos escolares têm sido dotados com o seu edifício próprio e dezenas de edifícios novos se espalham pelo concelho. Apenas na Vila de Alijó não existe um único edifício do plano. Os edifícios que existem são um do tipo Conde de Ferreira, outro do tipo Adães Bermudes e o outro não tem tipo definido.” Fazendo menção que os edifícios existentes “(…) são insuficientes para a população escolar existente”, aparentemente por se encontrarem fisicamente muito afastados, a pretensão do executivo camarário funda-se na necessidade de um novo edifício escolar, composto por 6 salas, atendendo que para tal desiderato a Câmara oferece o respetivo terreno. Com despacho datado de 5 de julho, o Memorial é encaminhado para a Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, que por sua vez o encaminha para a Delegação para as Obras de Construção de Escolas Primárias, que funcionava na dependência daquela Direção Geral.

Após os trâmites processuais, as delongas expetáveis e demoras razoáveis para o período do veraneio de 1969, a pretensão da Câmara, com os elementos técnicos reunidos pelos vários organismos públicos envolvidos, é posta à consideração do ministro das Obras Públicas a 12 de setembro. Desta feita, a resposta não se fez esperar, e a 24 de setembro, o chefe do gabinete do ministro das Obras Públicas (presidia ao ministério o engenheiro Rui Alves da Silva Sanches), manda notificar a edilidade de Alijó da decisão governamental. A comunicação, que teria dececionado o executivo camarário fundamentava-se na seguinte explanação: “(…) que o Plano de Construções Escolares só prevê a construção de um edifício de 2 salas de aula na Vila de Alijó, e a execução desta obra ainda não foi pedida pelo Ministério da Educação Nacional, pelo que não se acha programada.”


Edifício escolar de 3 salas de aula, com cantina e residência para professor, do tipo Indefinido, do núcleo de Alijó, distrito de Vila Real. Alçado principal e plantas do edifício na escala de 1:100 e planta topográfica de enquadramento urbanístico na escala de 1:500

 

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Brevíssimas considerações sobre a arquitetura e espaços envolventes da Escola Primária de Alijó

Numa observação a olho nu, torna-se fácil constatar que esta Escola Primária de Alijó constitui um modelo isolado face às tipologias clássicas definidas pelo Plano dos Centenários, no tocante às construções escolares. Não obedecendo às clássicas tipologias do Plano (tipologias Douro Granito – como acontece em Vilarandelo, concelho de Valpaços - ou tipo Xisto – como no caso de São Miguel de Lobrigos, concelho de Santa Marta de Penaguião -, apenas para citar dois exemplos avulsos que são predominantes no distrito de Vila Real), as distintas áreas da Escola Primária de Alijó denotam uma interdependência funcional e organizativa do espaço escolar. O átrio central, formando um poliedro hexagonal, aparenta ser o elemento arquitetónico a partir do qual se distribuem os restantes espaços escolares; com efeito, daqui se distribuem as 3 salas de aula, o recreio coberto, o refeitório e cozinha anexa, bem como as instalações sanitárias e outros espaços de apoio à vida escolar. A planta do rés-do-chão permite identificar num dos lados do hexágono, um espaço reservado ao arquivo, outro reservado a um vestiário comum de apoio à comunidade escolar e um reduzido vértice reservado a arrumos. Todos os outros lados, dão acesso direto às salas de aula nºs 1 e 3; a um corredor de acesso à sala nº 2 e ao recreio coberto, que compreende um pequeno alpendre, cujos 5 degraus descendentes, dão acesso ao referido recreio. Os sanitários masculinos, de tipologia térrea, vulgarmente conhecidos por retrete turca, modelo muito comum nas escolas públicas deste período, encontram-se ao fundo do recreio coberto. O refeitório tem um único acesso pelo recreio e encontra-se contíguo à cozinha. A partir da representação da planta, podemos inferir que as instalações sanitárias femininas se encontram cinco degraus acima do recreio, espaço aparentemente comum aos dois sexos, porque aqui também existem 6 lavatórios das mãos, que serviriam de suporte às refeições de toda a comunidade escolar. Em espaço contíguo à cozinha, aparentemente com acesso através de porta, podemos percecionar o espaço destinado ao professor (a), constituído com um quarto com janela para o exterior, uma sala com dimensões assinaláveis e com saída para o exterior e casa de banho devidamente equipada.

Anexo à sala nº 3, mas devidamente independente, encontramos um hall e uma sala, que eventualmente serviriam para espaço de estudo ou uma pequena biblioteca escolar, de apoio aos alunos. Estes dois espaços, estão ainda servidos por um lavatório de mãos e sanitários. Na planta do 1º andar, a que se acede por três lanços de escadas, encontramos um quarto de generosas dimensões, com janelas exteriores para dois dos lados e um pequeno pátio triangular, aparentemente externo ao edifício. A planta da cave, que é em todo similar ao espaço do 1º andar, é constituída por um espaço que indicia ser uma dispensa de apoio à cozinha, bem como um espaço destinado a arrumos (aparentemente para produtos de limpeza e consumíveis). Em termos de representação gráfica, quer as plantas dos três níveis, quer o alçado principal, encontram-se na escala de 1:100, sendo que a planta topográfica de enquadramento urbanística, encontra-se na escala de 1:500. Os desenhos técnicos são da responsabilidade da Delegação para as Obras de Construção de Escolas Primárias, na dependência direta da Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais do Ministério das Obras Públicas, estando datados de 22 de agosto de 1969.  



O atual Agrupamento de Escolas de Alijó (D. Sancho II), sediado na mesma vila duriense, herdeiro da Escola Primária que abordámos, é hoje um modelo de atualidade no panorama do ensino. Abrangendo nove estabelecimentos de ensino dispersos pelo concelho, desde o pré-escolar até à conclusão do ensino secundário, tem uma oferta formativa que vai desde os cursos científico-humanísticos (Ciências e Tecnologias, Ciências Socioeconómicas e Línguas e Humanidades), até aos cursos profissionais, de carácter mais prático e mais direcionados para a vida ativa, após a conclusão do 12º ano, não invalidando contudo o acesso ao ensino superior. Concomitantemente, o programa Erasmus +, incidindo nas áreas da educação, da formação, da juventude e do desporto, permite aos alunos intercâmbios com outras realidades, nomeadamente formando parcerias com Espanha, Lituânia, Grécia, França e Eslovénia. Prova reforçada desta vitalidade, é também a atribuição do Selo de Conformidade EQAVET atribuído pela Agência Nacional para a Qualificação e Ensino Profissional (ANQEP)  pelo período máximo previsto de três anos, após auditoria realizada por peritos.


M. M. 

Nota adicional: o autor deste artigo lecionou na então designada Escola Preparatória D. Sancho II, no ano letivo de 1994-95, em regime de substituição, na modalidade de recibos-verdes, a disciplina de História ao 7º ano e deu aulas de Apoio a alunos do 5º e 6º anos de escolaridade.


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(1) Rui Alves da Silva Sanches (Coimbra, 29 de abril de 1919 – Lisboa, 16 de junho de 2009), sobrinho por parte da mãe do Professor Marcello Caetano, licenciou-se em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto em 1941. Iniciou a sua carreira profissional no Ministério das Obras Públicas, na extinta Junta Autónoma das Obras de Hidráulica Agrícola. Foi Engenheiro-residente da obra de rega da Veiga de Chaves, da barragem de Vale de Gaio, da obra de rega do Vale do Sado e da barragem de Silves. Chefiou a missão de Estudos Hidráulicos do Estado Português na Índia. Em 1948 foi adjunto da Missão de Estudos Hidráulicos ao sul de Angola. Em 1946 exerceu os lugares de Chefe da Fiscalização da barragem do Biópio e da Brigada Técnica de Fomento e Povoamento do Cunene, em Angola, nos anos de 1951 e 1953. Em setembro de 1968, foi nomeado ministro das Obras Públicas e em janeiro de 1970, ministro das Comunicações, assumindo ambas as pastas até 25 de abril de 1974.