2025/12/25

Muitos Anos de Escolas – Volume III – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário da Escola Piloto à Área Aberta. Casos Especiais – Capítulo II – O Projeto Regional do Mediterrâneo – Parte III

 

(Desenho da perspetiva geral da Escola-Piloto de Mafra)


 

II – O Projeto Regional do Mediterrâneo

4 - A Escola-Piloto para o Ciclo Unificado (Mafra)

 

O Projeto da Escola-Piloto para o Ciclo Unificado, a ser edificado em Mafra, destinava-se aos 2 anos de ensino vestibular, com crianças entre 10 e os 14 anos. O programa de disciplinas, ainda em estudo na época, compreendia 5 áreas: Formação Espiritual e Nacional (Língua Pátria, História e Geografia Pátria e Moral e Religião); Iniciação Científica (Matemática e Ciências da Natureza); Formação Plástica (Desenho e Trabalhos Manuais); Atividades Rítmicas (Educação Musical e Física); e Língua Viva (Francês ou Inglês).

A capacidade da escola rondaria os 800 alunos, com 12 turmas masculinas e 12 turmas femininas. O programa de instalações compreendia uma zona administrativa (serviços administrativos, direção, gabinete médico, gabinetes de orientação escolar, cantina, vestiários e instalações sanitárias); zona de circulação; zona de ensino geral com espaços diferenciados consoante os currículos; e zona de ensino formativo (biblioteca, museu, refeitório, sala polivalente e pequenas salas temáticas).

Foram apresentados vários projetos, mas nenhum se concretizou, o que só aconteceria mais terce, cerca de 1968.

 

MJS

 

 

Fonte: BEJA, Filomena, et al. Muitos Anos de Escolas – Volume III – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário da Escola Piloto à Área Aberta. Casos Especiais. Lisboa, Secretaria Geral do Ministério da Educação, 1997.

 

2025/12/22

Educadores Portugueses dos séculos XIX e XX: Fonseca Benevides (1835 – 1911)

 

(Imagem do autor retirada da internet)
 

Francisco da Fonseca Benevides nasceu a 28 de janeiro de 1835 em Lisboa, filho de Inácio António da Fonseca Benevides. Em 1851 concluiu o curso da Escola Politécnica de Lisboa e ingressou na Marinha, onde permaneceu até 1856, e onde completou o curso da Escola Naval, em 1853.

Em 1854 foi designado professor das cadeiras de Física e de Hidrografia, no Instituto Industrial de Lisboa, e também das disciplinas de Mecânica e de Artilharia, na Escola Naval, onde lecionou até 1871.

Participou em várias exposições industriais, como a Exposição Internacional do Porto (1856) e Exposição Universal de Paris (1867). Fonseca Benevides foi diretor do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa onde procurou reformar o ensino tecnológico. Assumiu igualmente o cargo de Chefe da Inspeção do Ensino Industrial da Circunscrição Sul.

A sua grande preocupação foi a modernização do ensino industrial e a renovação tecnológica em Portugal, tendo colaborado em vários projetos de reforma, sobretudo no de Emídio Navarro, apresentado em 1891. Neste âmbito fundou o Museu Tecnológico do Instituto Industrial de Lisboa: a sua função seria a recolha de material pedagógico (estampas de máquinas e instrumentos de medida), a criação de centros de divulgação científica e a propaganda industrial. O Museu tinha subjacente o pensamento de que o ensino profissional, encarado como um sistema de distribuição de competências, estava diretamente relacionado com o desenvolvimento industrial da nação.

A sua produção escrita abrangeu várias áreas (a guerra, a física, a música e a história): Curso de Artilharia da Escola Naval: descrição do material de guerra (1858); Curso elementar de Física, contendo algumas noções de mecânica, e aplicações científicas e industriais (1863); O Fogo: obra científica e literária (1866); A Música: memória histórico-descritiva (1866), Noções de Física Moderna com Numerosas Aplicações (1870); Rainhas de Portugal (1878-1879), O Real Teatro de S. Carlos de Lisboa (1894). Para além disso, escreveu vários artigos para revistas e jornais. Foi agraciado com os graus de Cavaleiro da Ordem de Cristo (1862), Cavaleiro da Ordem de Santiago (1866) e Comendador da Ordem de Cristo (1867), tendo ainda sido admitido como Sócio Correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa, em 1866.

 

Fonte principal: Dicionário de educadores portugueses / dir. António Nóvoa. - Porto : ASA, 2003.

 

MJS