2021/02/11

Património Material de Portugal: Mosteiro de Alcobaça

 

(Imagem da fachada do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. Retirada da internet)

O Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça faz parte do património mundial classificado pela UNESCO desde 1989.

Situado na cidade de Alcobaça, este mosteiro é considerado a primeira obra totalmente em estilo gótico em Portugal. 

Em finais do século X, foi fundado em Cluny um mosteiro beneditino que seguia a Regra de S. Bento. No entanto, o abandono das regras rígidas da Ordem, levou alguns monges a fundar um novo mosteiro em Cister. Estes monges chegaram a Portugal em plena reconquista cristã levada a cabo por D. Afonso Henriques. Este monarca doou várias terras a S. Bernardo, na região de Alcobaça e em 1153 foi concedida uma Carta de Couto tendo-se iniciado a construção do Mosteiro em 1178.

Á medida que que conquista avançava para sul, estes monges tiveram um papel fundamental no povoamento e defesa do território. O auxílio à população e as ações de beneficência tornaram-se fundamentais.

O mosteiro é constituído por várias zonas que podemos destacar. Em primeiro lugar, a Igreja, que é a primeira construção totalmente gótica em Portugal. A sua planta de cruz latina tem uma nave central, duas naves laterais e um transepto. A capela-mor é limitada por um deambulatório com nove capelas. A sua arquitetura reflete a regra beneditina de humildade, isolamento e serviço a Deus, através da estrutura simples. Ao longo do tempo a igreja foi sofrendo alterações, nomeadamente entre 1702 e 1725, com a inclusão de elementos barrocos e campanários.

(Imagem dos claustros do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. Retirada da internet)

No interior da igreja encontram-se os túmulos de alguns monarcas portugueses, como é o caso de D. Afonso II (185-1223) e de D. Afonso III (1210 – 1279). Numa sala lateral estão mais oito túmulos, entre os quais o de D. Beatriz, mulher de D. Afonso III e três dos seus filhos e também D. Urraca, mulher de D. Afonso II.

Destacam-se igualmente os túmulos de D. Pedro I e de D. Inês de Castro, profundamente danificados aquando das invasões francesas

O primeiro Claustro foi provavelmente edificado em 1240. Foi substituído pelo Claustro de D. Dinis, edificado no século XIV, o centro da vida do mosteiro, à volta do qual se situam a Sala do Capítulo, o Refeitório, a Sala dos Monges, o Dormitório, o Parlatório e a Cozinha. D. Manuel I adicionou um segundo andar a esta construção.

A sala do Capítulo, incluída na zona do Claustro do Capítulo, tem uma fachada vistosa e servia às assembleias dos monges. Aqui se procedia à leitura dos capítulos da Regra Beneditina.

O Parlatório encontrava-se ao lado da Sala do Capítulo e era apenas aqui que os monges estavam autorizados a falar.

O Dormitório localiza-se no primeiro andar e conserva ainda a sua forma medieval. Atualmente possui três naves de grandes dimensões.

A Sala dos monges situava-se por baixo da zona norte do dormitório e servia, nos primeiros tempos, para o alojamento dos noviços. No início do século XVI esta zona foi transformada em área de trabalho e sala de estar para os monges.

A cozinha inicial tinha em consideração os hábitos alimentares dos monges que não consumiam carnes nem matérias gordas. A alteração destes costumes, com a autorização do consumo de carne tornou necessária a construção de uma nova cozinha, provavelmente em 1712. Incluía uma lareira central e duas laterais que permitam alimentar mais de 500 pessoas. Ao lado da nova cozinha encontrava-se o refeitório.

No que respeita às novas alas, podem destacar-se o Claustro do Cardeal, edificado no século XVI em homenagem ao Cardeal D. Henrique; o Claustro da Portaria e a Sala das Conclusões. Na zona Sul, funcionou o Colégio da Nossa Senhora da Conceição e o Claustro da Leitura.

O Núcleo Barroco inclui a Sacristia Nova, a Capela Relicário. e a Capela do Desterro.

(Imagem do interior do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. Retirada da internet)

A Capela-Relicário foi erigida entre 1669 e 1672, um exemplar único em Portugal em trabalho de talha dourada.

A Capela do Desterro data do século XVIII e o seu interior é totalmente revestido a azulejos onde se narram episódios da vida de Jesus.

A Sacristia, de origem medieval, foi substituída na época de D. Manuel I, mas desapareceu durante o terramoto de 1755. Foi reconstruída em 1770 em estilo Barroco, tendo-se conservado os portais manuelinos.

O Mosteiro de Alcobaça estava murado, mas foi-se desmoronando ao longo do tempo. Entre o muro e o mosteiro existiam jardins e ainda um lago e um obelisco, provavelmente datados do século XVIII. As áreas reservadas à agricultura situavam-se na zona norte. O cemitério dos monges localizava-se no lado sul do transepto da igreja.

Deve-se ainda referir o sistema hidráulico utilizado pelo mosteiro. O rio Alcoa foi desviado em algumas zonas para criar um sistema de abastecimento de água.

 

 

MJS

2021/02/08

Livro Único : Axiologias do Estado Novo

 

(Imagem de uma página censurada de uma obra. Podem observar-se dois prisioneiros e por baixo a frase: "- Ainda bem que temos de cá estar mais cinco anos! Aquilo lá de fora está muito mau!")

O Estado Novo[1] decidiu, inicialmente, utilizar manuais escolares adotados durante a República. Após alguma controvérsia, optou pelo livro único cuja utilização permitia uniformizar conteúdos e práticas pedagógicas.  Efetivamente, a 1.ª República (1910-1926) definiu contextos ideológicos dis­tintos dos períodos que antecederam e precederam o Estado Novo, este, em si mesmo, reflete a ideologia do regime, suprimindo-se determi­nados períodos da história de Portugal e enaltecendo outros (cf. Sole, 2017).

O Estado Novo, a seu modo, reconstrói uma representação da sociedade tendo em vista a exaltação do passado nacionalista para a construção do homem novo. Assim, o livro único surge como forma de expurgar os manuais que não se enquadravam nos valores e ideologia dominantes, e como instrumento de inculcação ideológica, corporizando o sistema ideológico oficial: conservador, nacionalista e rural.


“Os livros únicos assumem esse propósito antropologizante, aspirando à moldagem dos alunos através de conteúdos centrados numa axiologia hierarquizadora tendo em vista a harmonia social. Ao haver uma cultura escolar de ‘ritualização, gestualidade, socialização’ e formação vertida do manual, como aconteceu durante o Estado Novo, existe uma propensão para a homogeneização, contextualização e meta-projeção do que nele se veiculava.” (Pires, et al. 2009:10)

 

Em 1933 a escolha de livros e compêndios, dentro dos adotados superior­mente, é confiada individualmente aos professores e não pode ser objeto de resoluções coletivas tomadas em reuniões prévias convocadas para o efeito as quais estão proibidas –  Circular nº 22, de 15 de outubro de 1933. 

Os manuais escolares apresentam-se como um meio eficaz de inculcar a ideologia nascente, tornando-se, por tal motivo, imprescindível o controle do seu conteúdo por parte dos organismos oficiais que surgem com os decretos: n.º 20741 de 11 de janeiro de 1932; n.º 23982 de 8 de junho de 1934; n.º 24610 de 24 de outubro de 1934; n.º 25447 de 1 de junho de 1935 e a Portaria 8210 de 28 de agosto de 1935. 

Foi a 24 de novembro de 1936, decretado que a cada classe escolar corresponderá um único livro, compreendendo as matérias de todas as disciplinas (Decreto Lei nº 27/279, artigo 2.º).  Efetivamente, no artigo 15.º, do mesmo decreto, foi decretada a imediata caducidade de aprovação oficial de todos os livros do ensino primário – em 1937 foi aberto um concurso público destinado à produção dos textos para o livro único –  exaltado nacionalismo e espírito cristão.

 A Direção de Serviços de Documentação e de Arquivo, da Secretaria-geral da Educação e Ciência[2], possui um acervo significativo de alguns “Livros de Concurso” candidatos à posição de livros únicos e afins, nestes são visíveis observações, críticas e rasuras do Regime. Os referidos livros, aos que chamamos de concurso, são, na sua esmagadora maioria, livros já publicados, mas, por razões de censura e agilização pedagógica, são submetidos a novos concursos com anotações, rasuras e colagem.

 

“Apesar de (muito provavelmente) os escritores terem feito esse esforço, os resultados não foram positivos e, por esse mesmo motivo, foi decreta­do em 1940 que ‘a elaboração dos textos e a sua ilustração colorida são confinadas a uma comissão de técnicos, escolhidos de entre os de reco­nhecido mérito pedagógico, literário e artístico. Essa mesma comissão uniu forças e trabalhou, tendo publicado no ano de 1941, o primeiro livro único destinado à primeira classe do Ensino Primário Elementar.’” (Basto, 2015:43)

 

Em 1940 foi nomeada uma comissão especial para escrever e ilustrar os novos manuais de leitura que tiveram como principal fonte de inspiração os livros escolares italianos. Surgem, assim, livros da série escolar da 1ª à 4ª classe. Os seus conteúdos assentavam na ideia da harmonia social, veiculando um sentimento de amor à pátria que tinha como referência o Chefe de Estado e o Presidente da República.

 

 “Naturalmente que os métodos mais divulgados no Estado Novo suportam a organização da informação nos livros, de forma enciclopédica e deliberadamente ideológica e consubstanciam essa mesma informação nos testes, nos exercícios e nos exames; isto é, este modelo está naturalmente configurado e estruturado para transmitir a informação […].” (Simão, 2014)

 

O esforço do Estado Novo, grosso modo, para preservar a identidade de instrução nacional, perspetivava uma escolarização elementar, onde, por conseguinte, o manual escolar, petrificado em livro único, representa uma verdadeira pedagogia e tendência conteudista.

 

P.M. 

 


BIBLIOGRAFIA:

 

BASTO, Joana (2015). A representação de género em manuais escolares do ensino primário do estado novo [em linha]. Mestrado em design de comunicação, apresentado à Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos [Consult. 14 de janeiro 2021]. Disponível: https://comum.rcaap.pt/handle/10400.26/9352

 

CARVALHO, Rómulo (1986). História do Ensino em Portugal. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

 

NETO, Aida Celeste Caetano (2015).  Os manuais do ensino primário elementar e a inculcação dos valores do Estado Novo [em linha]. Mestrado em ensino do português como língua segunda e estrangeira [Consult. 14 de janeiro de 2021]. Disponível: https://run.unl.pt/bitstream/10362/15980/1/Os%20Manuais%20do%20Ensino%20Prim%C3%A1rio%20Elementar%20e%20a%20Inculca%C3%A7%C3%A3o%20dos%20Valores%20do%20Estado%20Novo.pdf


PIRES, Cristina Maria Mesquita Gomes, [et al.] (2009). A iconografia nos manuais escolares do Estado Novo. Bragança: Instituto Politécnico de Bragança.


SECRETARIA-GERAL DA EDUCAÇÂO E CIÊNCIA (2021). Organograma [em linha]. Lisboa: SGEC [Consult. 14 de janeiro de 2021]. Disponível: https://www.sec-geral.mec.pt/pt-pt/organograma

 

SIMÃO, Francisco (2014). “Educação e ensino: notas sobre manuais escolares
um instrumento ideológico ao serviço do Estado Novo” [em linha]:
PROFFORMA,  Nº 13, Junho 2014 [consult. 14 de janeiro de 2021]. Disponível: http://cefopna.edu.pt/revista/revista_13/es_01_13_fs.htm

 

SOLE, Maria Glória (2017). “A história nos manuais escolares do ensino primário em Portugal: representações sociais e a construção de identidade(s)” [em linha]: Historia y Memoria de la Educación; 6 (2017): 89-127 [Consult. 14 de janeiro de 2021]. Disponível: http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/47748/1/17128-37024-1-PB.pdf

 

 



[1] Em 1933 entra em vigor a Constituição que faz nascer o Estado Novo, substituindo a de 1911 que, na prática, não era aplicada desde o golpe militar de 1926. O documento subalternizava o Parlamento, limitando também as liberdades individuais. A nova Constituição, desenhada pelos militares e por Oliveira Salazar, entrou em vigor em 11 de abril de 1933, após plebiscito realizado em 19 de março do mesmo ano. O regime vai perdurar até 1974, período durante o qual as liberdades individuais e coletivas são limitadas. Durante quase 50 anos Portugal vai conhecer Presidentes da República militares, apesar do poder estar na mão de Oliveira Salazar.

[2] À Direção de Serviços de Documentação e de Arquivo compete sinteticamente: (i) preservar, valorizar e promover o património histórico da educação e da ciência nas componentes arquivística, bibliográfica e museológica; (ii) desenvolver o modelo de organização e gestão dos arquivos correntes e intermédios e assegurar o atendimento e o apoio especializado aos utilizadores da biblioteca, museu e arquivo.

 

2021/02/04

Exposição virtual: "Os mapas da Segunda Guerra Mundial"

A Segunda Guerra mundial foi um conflito militar que envolveu a maior parte das nações mundiais, entre 1939 e 1945, divididas em duas alianças militares opostas, os Aliados e o Eixo. Este foi o acontecimento mais mortífero da humanidade, contando com cerca de 50 a 70 milhões de morte, mobilizando mais de 100 milhões de militares. Dois eventos marcaram negativamente esta situação: o Holocausto e a utilização de armas nucleares pela primeira vez.

A invasão da Polónia pela Alemanha Nazi, a 1 de setembro de 1939, é considerado o acontecimento inicial que desencadeou todo o conflito. A este seguiram-se as declarações de guerra à Alemanha por parte de França e pelo Império Britânico. A maior parte dos países acabaram por se envolver na guerra como resposta a determinados acontecimentos, como por exemplo a invasão da União Soviética ou os ataques japoneses a Pearl Harbour nos Estados Unidos.

Após o término da guerra, com a vitória dos Aliados após o sucesso do Desembarque na Normandia, todo o alinhamento político, económico e social foi alterado. A criação da Organização das Nações Unidas foi então criada para manter a paz, evitar conflitos e reconstruir a Europa dizimada pela guerra. Geram-se duas superpotências mundiais, União Soviética e Estados Unidos, e a Guerra Fria instala-se até cerca de 1991. A descolonização em África e na Ásia foi outra das consequências do final da guerra.

O Museu da Educação possui vários mapas alusivos a esta época que nos reportam a situação política do mundo antes do início da Segunda Guerra Mundial, nomeadamente as colónias das várias potências mundiais, bem como a Europa e o mundo no início e durante a guerra. A situação no Pacífico também é representada nestes mapas, bem como as alterações sofridas no continente africano.


Mapa do mundo antes da Segunda Guerra Mundial
Título: Background of World War II
ME/401663/30
Escola Secundária Eça de Queirós

O mapa servia para ilustrar as matérias de História, da Denoyer-Geppert World History Series. Mapa multicolor onde se apresenta, a diferentes cores, as várias possessões dos diferentes Estados, a nível mundial, antes da II Guerra Mundial. A legenda encontra-se ao centro, em baixo.


Mapa da Europa no século XX
Título: Europe at the outbreak of World War
ME/400117/368
Escola Secundária D. Pedro V


Mapa que ilustra a Europa no início da II Guerra Mundial, salientando a cor rosa a anexações de Hitler e Mussolini até 1 de Setembro de 1939. Legenda no canto superior esquerdo.

Mapa de África no século XX
Título: África 1924 - 1966
ME/340881/28
Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos D. Martinho Vaz de Castelo Branco

Mapa histórico que servia como material de apoio às disciplinas de História e Geografia. Encontra-se dividido verticalmente em duas imagens. A imagem da esquerda apresenta o continente africano no ano de 1924, dividido com a indicação das possessões coloniais dos vários países europeus, a diferentes cores. A imagem da direita apresenta igualmente o continente africano, no ano de 1966 vendo-se, a diferentes cores, as nações independentes que se formaram depois da II Guerra Mundial.


Mapa do Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial
Título: World War II in the Pacific
ME/400117/366
Escola Secundária D. Pedro V

Mapa que ilustra a Guerra no Pacífico, utilizado como material de apoio nas aulas de História/Geografia. Guerra do Pacífico é o nome com que ficou historicamente conhecido o conflito armado entre o Japão, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a China e seus aliados durante a Segunda Guerra Mundial - e a precedente invasão e ocupação japonesa da China, ocorrido no Oceano Pacífico e suas ilhas e no Sudeste Asiático. No mapa é possível visualizar as rotas da invasão japonesa e a linha dos Aliados. Legenda no canto superior direito.


Mapa da Europa e do Norte de África no Século XX
Título: World War II in Europe and Nothern Africa
ME/805548/311
Escola Secundária João de Deus

Mapa utilizado em contexto das práticas pedagógicas para ilustrar matérias de História. Trata-se de um mapa que ilustra a Europa e Norte de África durante a II Guerra Mundial, apresentando as rotas dos Aliados e da Potência dos Eixos bem como os territórios de cada fação, os países neutrais e os ocupados por nações hostis.  Apresenta a legenda no canto superior esquerdo e, no canto superior direito, a partilha da Polónia em 1939.


Mapa do mundo no Século XX
Título: O Mundo durante a Segunda Guerra Mundial
ME/401250/36
Escola Secundária D. Dinis

Mapa multicolor que servia para ilustrar as matérias de História, assinalando diferentes países do mundo e a sua posição face à 2ª Guerra Mundial. Apresenta igualmente as zonas e rotas de ataque. Por baixo da legenda, existe uma barra cronológica relativa às presidenciais portuguesas durante o século XX até à década de oitenta.


MJS

2021/02/03

As crianças em confinamento: "Artistas Digitais" ou "Cineastas Digitais"

Na sequência do encerramento de todas as escolas, jardins de infância, ATLs e outros espaços similares, as crianças e jovens encontram-se neste momento em isolamento social. Um dos grandes desafios dos pais é a ocupação dos filhos. O CCEMS, em parceria coma Direção-Geral da Educação, propõe a participação nos concursos “Artistas Digitais” (Pré-Escolar, 1.º e 2.º Ciclo) ou “Cineastas Digitais”  (3.ºCiclo e Secundário), consoante o nível de ensino.


(Logotipo da iniciativa "Artistas Digitais". Retirado da internet)

A edição dos "Artistas Digitais" deste ano letivo do concurso propõe o tema "Promoção da saúde alimentar e exercício físico” para todas as categorias do concurso, tendo como objetivos melhorar o estado de saúde global dos jovens, inverter a tendência crescente de perfis de doença associadas a uma deficiente nutrição e promover a saúde dos jovens, especificamente em matéria de alimentação saudável e atividade física.

Os desenhos poderão ser feitos em qualquer programa/ aplicação para desenho digital, como, por exemplo, o Paint, no computador, ou o PicsArt Color Pintar, no tablet, e os desenhos poderão ser submetidos pelos pais/encarregados de educação/responsável, no site do concurso.

(Cartaz da edição de "Cineastas Digitais". Retirado da internet)

A edição dos "Cineastas Digitais" tem este ano, como tema geral, os “Direitos Humanos”. As abordagens temáticas e técnicas deverão ser diferenciadas em função das três categorias de vídeos previstas no regulamento, a saber:

·       “Nano Vídeos” (duração inferior a 30 segundos e com requisitos técnicos elementares), cujo tema é “Direitos Humanos”;

·       “Vídeo Curtas” (duração entre os 30 segundos e 3 minutos), cujo tema é livre;

·       “Vídeo Narrativas” (duração entre os 3 e os 6 minutos, com uma estrutura que permita perceber uma história), cujo tema é “Direitos Humanos”.

A supervisão dos vídeos e a sua submissão no site do concurso fica a cargo de um professor, depois de efetuado o registo.

Os alunos poderão produzir vídeos sozinhos ou em grupo. Caso optem por trabalhar em grupo, dado o período de isolamento social em que nos encontramos, sugerimos que realizem as gravações individualmente e depois recorram a meios de comunicação à distância para organizarem e debaterem a necessária montagem.

Os alunos poderão recorrer a programas de gravação e edição e vídeo gratuitos (mesmo que as gravações fiquem com marca d'água) ou à câmara de vídeo dos telemóveis. Se optarem, os vídeos podem ser realizados recorrendo a animações ou à técnica do "Stop motion".

2021/02/01

Património Material de Portugal: Centro Histórico de Évora


(Imagem do Templo de Diana em Évora. Retirada da internet)

O Centro Histórico de Évora faz parte do património mundial classificado pela UNESCO desde 1986.

Évora é a capital de distrito que tem o seu nome, na região do Alentejo. O seu vastíssimo património histórico e a presença da Universidade fizeram da cidade um importante centro de cultura e de investigação.

Apesar de toda a atividade cultural, a cidade integra-se numa estrutura económica eminentemente rural e artesanal. O artesanato também faz parte da riqueza da Évora, destacando-se as peças em vime ou salgueiro, a pintura dos tradicionais móveis alentejanos, o trabalho da cortiça e do barro, a par da madeira e dos metais.

Ao nível patrimonial, tendo em conta a classificação da UNESCO, trata-se de um perímetro urbano delimitado pelas muralhas quinhentistas da cidade. Évora é habitada desde épocas remotas, tendo inúmeros vestígios pré-históricos: antas, menires e cromeleques e a Gruta do Escoural.

O desenvolvimento urbano desta área iniciou-se no período romano, com os limites da chamada “cerca velha”, onde se encontravam o templo romano e a Sé. A importância económica que adquiriu está patente na sua nomeação feita por Júlio César em 59 a. C.: Liberalitas Júlia. O Tempo de Diana é uma das mais emblemáticas construções da época, provavelmente construído no século III d. C., em estilo coríntio. Durante a Idade Média serviu de açougue público e foi restaurado no século XIX.

Após a queda do Império Romano, a cidade foi dominada pelos Visigodos (séculos V a VII) que ergueram vários templos cristãos. De 711 a 1165 Évora é dominada pelos Árabes, sendo conquistada por Geraldo Sem Pavor em 1165. A “cerca velha” foi o limite da urbanização desde a época romana até ao final da ocupação árabe.

Évora tornou-se a sede da Ordem Militar de S. Bento de Calatrava (Avis) e foi a única a resistir à investida almorávida que reconquistou todas as praças da zona do Alentejo.

Durante o período medieval foi construída uma segunda muralha devido à expansão e desenvolvimento urbano, aproveitando as estradas romanas de acesso à cidade. A estrutura seguia o tradicional modelo de pequenas ruas irregulares e tinha dez portas: Alconchel, Raimundo, Rossio, Mesquita, Mendo Estevens Machede, Traição Moinho de Vento, Avis (a única que permanece completa), Lagoa e um postigo em Penedos.

(Imagem da fachada da Sé de Évora. Retirada da internet)

A construção da Sé de Évora iniciou-se em 1186 e constitui um dos mais relevantes exemplos da arquitetura românico-gótica em Portugal. O edifício tem três naves, ladeadas por um claustro, datado do século XIII. A sua capela-mor foi reformulada no século XVIII por Ludovice, ao estilo barroco.

Esta cidade adquiriu enorme importância durante a primeira dinastia, tenso sido sede da Corte. Durante o reinado de D. Afonso IV recebeu a relíquia do Santo Lenho, em memória de quem foi construída a Igreja de São Vicente.

O apoio da cidade à dinastia de Avis, fez com que se tornasse uma importante região, chegando mesmo a ser capital política e cultural, onde se realizaram Cortes 23 vezes. Aqui se tomaram importantes decisões relativamente às conquistas e navegações. A consolidação do poder régio de D. João II está igualmente ligada à cidade.

O apogeu de Évora ocorre no século XVI, com os reinados de D. Manuel I, D. João III e Cardeal D. Henrique. Nesta época construíram-se diversas igrejas, o Paço de D. Manuel I, o Aqueduto da Prata, o Convento da Graça, a Misericórdia de Santo Antão, a Capela de Valverde e a Universidade. Várias figuras de destaque do panorama cultural trabalharam aqui: André de Resende, Garcia de Resende ou Manuel Severim de Faria.

A universidade foi criada em 1551, estando a cargo dos jesuítas. O seu edifício contou com a participação de importantes figuras como Afonso Álvares, Manuel Pires e Diogo de Torralva.

Na Praça do Giraldo encontra-se a Igreja de Santo Antão, um exemplar da arquitetura maneirista da autoria de Manuel Pires. Também o Convento e Igreja da Graça constitui um importante monumento ao estilo do renascimento e maneirismo.

A arquitetura civil também teve um enorme desenvolvimento, podendo apontar-se como exemplo o Solar dos Condes de Basto ou a Casa Cordovil.

(Imagem da Praça do Giraldo em Évora. Retirada da internet)

O Aqueduto da Prata, da responsabilidade de Francisco de Arruda foi iniciado no reinado de D. João III e constituiu um elemento marcante no urbanismo citadino.

No período das Guerras da Restauração foram acrescentados baluartes às muralhas e a forma da cidade adquire uma seção romboidal. Aqui se destaca a Praça do Giraldo. No entanto, a dinastia de Bragança não fez investimentos de vulto na cidade que perdeu o seu destaque ao nível político e cultural.

D. Miguel, viria a instalar em Évora a sua capital, durante os conflitos liberais e absolutistas, mas só no final do século XIX é que se volta a “reabilitar” Évora como cidade-museu.


MJS

2021/01/28

Património Material de Portugal: Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém

(Imagem da fachada do Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa. Retirada da internet)


O Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém foram declarados património mundial pela UNESCO em 1983. A importância dos dois monumentos deve-se, não só ao facto de serem peças de arquitetura com inegável valor histórico e artístico, mas também por serem parte integrante da cultura e identidades portuguesas e um símbolo da tolerância e diálogo com outras culturas.

O Mosteiro dos Jerónimos, cuja designação correta é Mosteiro de Santa Maria de Belém é um monumento erigido em Belém, Lisboa, no século XVI, pertencente, à época, à Ordem de S. Francisco.

A sua construção foi iniciada por D. Manuel I e tornou-se um dos epítetos da arte manuelina por excelência. A zona onde foi implantado desenvolveu-se devido ao comércio marítimo e à produção naval. Todo o processo dos Descobrimentos veio a tornar esta área um porto privilegiado, sobretudo a partir da construção da Ermida de Santa Maria de Belém, a mando do Infante D. Henrique em 1452. Instalaram-se serviços da canalização de água, casas e desbravamento de terrenos para a agricultura.

Posteriormente, cerca de 1501, D. Manuel I transformou esta pequena ermida num convento, contribuindo para tal o aumento de verbas proporcionado pelo comércio com o Oriente. O monumento seria um importante elemento de propaganda régia e glorificação de um reinado de exceção.

Utilizando o calcário da zona envolvente, a construção do Convento levou centenas de anos e esteve a cargo de vários mestres. Foi dada a sua utilização à Ordem de São Jerónimo que aqui permaneceu até à época da extinção das ordens religiosas.

Durante o reinado de D. Manuel houve duas fases de construção. Diogo de Boitaca foi responsável pela primeira, sendo da sua autoria o traçado do mosteiro e da igreja. A partir de 1517 e até 1530, João de Castilho coordenou a empreitada, sendo ele o autor da porta axial, porta sul, sala do Capítulo, sacristia, claustro, refeitório e capelas do coro. A sua presença alterou grandemente o estilo decorativo, passando-se do gótico para o classicismo renascentista.

(Imagem dos claustros do Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa. Retirada da internet)

O claustro é a primeira construção do género em Portugal, com dois andares e planta quadrada, considerado uma obra prima da arquitetura mundial. Nele se pode ver a influência de Diogo de Boitaca, que o projetou, de João de Castilho que o alterou e Diogo de Torralva que marcou a sua conclusão. Aqui se misturam uma profusão de estilos e géneros, com símbolos religiosos, régios e elementos naturalistas.

Mais tarde, Diogo de Torralva assume este cargo até 1551. Jerónimo de Ruão irá concluir o edifício, tendo trabalhado no projeto de 1563 a 1601 marcando uma viragem para o estilo manuelino.

A planta original incluía a igreja, o claustro e várias dependências anexas, havendo inúmeros acrescentos e alterações posteriores.

No século XX foram feitas várias obras de restauro e de conclusão de algumas áreas, nomeadamente a inclusão de vitrais da autoria de Abel Manta.

No âmbito da Exposição do Mundo Português, em 1940, o Estado Novo efetuou várias alterações e restauros.

A Torre de Belém, cuja designação correta é Torre de S. Vicente é uma fortificação que se situa nas imediações do Mosteiro dos Jerónimos. Inicialmente cercada por água, a Torre foi envolvida progressivamente pela praia. É igualmente uma das grandes construções de D. Manuel I, iniciada em 1514, conjugando a tradicional torre de menagem com o baluarte, ou seja, fazendo a transição entre a arquitetura medieval e o renascimento. Esta Torre pertence a um plano defensivo iniciado por D. João II, que inclui um conjunto de várias torres na linha da costa do Tejo, como a Torre de São Sebastião da Caparica (1481) e a Torre de Santo António de Cascais (1488).

(Imagem da Torre de Belém em Lisboa. Retirada da internet)

O arquiteto Francisco de arruda foi o responsável pelo inicio da obra em 1514 e pelo traçado do monumento, que se caracteriza pela profusão de elementos manuelinos, com aplicações ornamentais icónicas e influências islâmicas. Na decoração exterior observamos brasões de armas de Portugal e cruzes da Ordem de Cristo, a par das cordas e elementos marítimos. Ao nível da estrutura, é composta por dois elementos, a torre e o baluarte, com guaritas cilíndricas que terminam em forma de cúpulas. A torre está dividida em cinco andares: Sala do Governador, Sala dos Reis, Sala de Audiências, Capela e Terraço da torre.

Diogo Boitaca, também encarregue da construção dos Mosteiro dos Jerónimos, continuou esta empreitada que se concluiu em 1520. O primeiro alcaide da Torre foi Gaspar de Paiva.

A sua função defensiva foi perdendo importância, sobretudo a partir do domínio filipino, quando se tornou uma masmorra para prisioneiros políticos.

(Imagem da Torre de Belém em Lisboa. Retirada da internet)

Após o terramoto de 1755, a Torre foi utilizada para controlar os navios que chegavam ao Tejo, numa tentativa de evitar o saque da cidade.

Durante o reinado de D. Maria I a Torre assumiu um papel defensivo de grande importância, sobretudo aquando das Invasões Francesas.

Com D. Miguel I, este espaço voltou a ser utilizado como masmorra para oponentes políticos, a par do uso como controlo alfandegário.

D. Maria II procedeu a várias reformas na Torre de Belém que também passou a apoiar as comunicações através da instalação de um telégrafo (1810) e de um farol (1965).

A Torre de Belém é, assim, um dos mais emblemáticos monumentos de Portugal, refletindo a identidade portuguesa, o espirito das descobertas e a paixão pelo mar.


MJS

 

2021/01/25

Património Mundial de Portugal: Mosteiro da Batalha

 

(Imagem dos claustros do Mosteiro da Batalha. Retirada da internet)

O Mosteiro da Batalha ou Mosteiro de Santa Maria Maior foi elevado a património mundial da humanidade pela UNESCO em 1983. Os critérios que presidiram a esta decisão foram o reconhecimento de génio criativo, a tecnologia e a técnica artística e de engenharia.

A iniciativa da construção deste mosteiro deve-se a D. João I, sendo o núcleo inicial a Quinta do Pinhal, cerca de 1385. Este monarca decidiu fundar aqui o seu panteão, bem como D. Duarte, tendo sido a Igreja doada à Ordem Dominicana em 1388. Os vários reis portugueses continuaram a engrandecer esta obra até D. João III.

O Mosteiro deve-se à promessa feita pelo, então Mestre de Avis, durante a Batalha de Aljubarrota, caso saísse vencedor. Esta construção é um símbolo da consagração da D. João I e da nova dinastia, legitimando-se através da vontade divina.

O primeiro arquiteto foi Afonso Domingues que concebeu o complexo, com a igreja, sacristia, claustro, casa do capítulo, dormitório, cozinha e refeitório. Sucedeu-lhe Huguet, em 1482, de origem catalã, estando à frente do projeto durante 36 anos. Planificou duas capelas: a Capela do Fundador, panteão de D. João I e a as Capelas Imperfeitas, para D. Duarte. Ao longo do século XV vários terrenos foram acrescentados ao núcleo inicial.

O pórtico de entrada do Mosteiro, da autoria de Huguet é uma obra única na arte portuguesa, com uma complexa iconografia: estão representados os apóstolos, virgens e mártires, papas e bispos célebres pelas suas virtudes. O tímpano apresenta a figura de Deus, ladeado por S. João, S. Marcos, S. Lucas e S. Mateus.

Também da criatividade de Huguet, nasceu a Capela do Fundador que não estava prevista no plano inicial. É a primeira vez que surge em Portugal em espaço destinado propositadamente a um panteão familiar. A arca tumular apresenta esculpidos D. João e D. Filipa de Lencastre, de mão dada. Na zona sul estão os túmulos dos filhos do rei, D Henrique, Infante D. João e a esposa D. Isabel e ainda o Infante Santo, D. Fernando.

(Imagem dos túmulos de D. João I e de D. Filipa de Lencastre no Mosteiro da Batalha. Retirada da internet)

D. Carlos mandou construir arcas funerárias para D. Afonso V, D. João II e o seu filho D. Afonso, que morreu precocemente

Fernão de Évora dirigiu as obras do claustro de D. Afonso V, um dos primeiros edifícios de dois andares em Portugal.

A igreja de Santa Maria da Vitória caracteriza-se pela sua majestade e grandeza, organizada em três naves que conduzem ao altar-mor. Encontram-se ainda cinco capelas poligonais. A capela-mor, uma inovação na arquitetura portuguesa deve-se a Fernão de Évora que dirigiu as obras do claustro de D. Afonso V, um dos primeiros edifícios de dois andares em Portugal.

Mateus Fernandes interveio na construção das Capelas Imperfeitas, entre 1490 e 1555, sendo responsável pelo portal de entrada, caracterizado pela imponência e pelo estilo manuelino.

Deste conjunto fez parte um claustro construído por D. João III que foi demolido no século XIX.

Quanto aos vitrais, pensa-se que terão sido iniciados em meados do século XV. Um dos executantes desta obra foi Luís Alemão que incutiu características dos vitrais do sul da Alemanha, certamente de onde o autor era originário. Incluem imagens de profetas, patriarcas anjos e santos, ou cenas da vida de Cristo.

No século XVI, mestre João foi encarregue dos vitrais mostrando preocupações realistas de influência flamenga. Nos finais do século, D. Manuel encomendou vários conjuntos de vitrais concebidos por vários artistas, destacando-se Francisco Henriques. Apesar de algum cuidado, a sua degradação foi notória ao longo dos anos até ao restauro iniciado em 1840 por Mouzinho de Albuquerque.

(Imagem da fachada do Mosteiro da Batalha. Retirada da internet)


O mosteiro influenciou a formação da própria vila da Batalha. Extinto em 1834, alguns edifícios passaram para a posse do Estado, mas a quinta foi vendida a José Maria Crespo, tendo sido desarticulada do espaço conventual.

Em 1840, D. Fernando deu inicio às obras de restauro do edifício, que perdeu a sua função clerical. Com o rei D. Carlos I a função da Batalha passou a ser memorial. Em 1921 o monumento passou a acolher o espaço do túmulo do Soldado Desconhecido, em honra dos combatentes da I Guerra Mundial.

O Estado Novo recupera o Mosteiro da Batalha como um símbolo nacional.

 

MJS