2023/02/16

Peça do mês de fevereiro/2023

 


Baroscópio

 

Baroscópio composto por um suporte metálico e um travessão de balança donde estão suspensos um balão de vidro e um contrapeso que o equilibra no ar. O balão de vidro é oco, possui um gancho de suspensão e 6 cm de diâmetro.

Está inventariado com o número ME/404652/249 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária de Pedro Nunes.


MJS

2023/02/13

Educação e Monarquia: D. Sancho II (1202 - 1248)


D. Sancho II (1202 – 1248), o Capelo, era o filho mais velho de D. Afonso II e de D. Urraca de Castela. O seu reinado atravessou uma profunda crise económica devido a más colheitas, subida de preços, forme, pilhagens e saques. Este período conturbado levou à intervenção do Papa que colocou no trono o irmão do rei, Afonso, conde de Bolonha. Atendendo a estas circunstâncias as preocupações com a educação foram colocadas em segundo plano.

Sancho II subiu ao trono em 1223 com 13 anos e o governo do reino esteve inicialmente nas mãos da nobreza mais próxima da coroa que tentou reatar as boas relações com a Santa Sé e resolver os conflitos com as infantas irmãs do seu pai.

(Imagem de D. Sancho II retirada da Internet)

Foram feitas conquistas territoriais nas áreas do Algarve e Alentejo, sobretudo a cargo das Ordens Militares, como a de Santiago, que se tornam cada vez mais poderosas com as doações régias.

Ao nível da administração interna, Sancho II concedeu inúmeros forais, mas mostrou-se algo indeciso e descuidado: os nobres tornaram-se poderosos e causadores de distúrbios, aproveitados pela Igreja para se imiscuir na vida pública. Os conflitos entre a nobreza e o clero vão ser uma constante durante este reinado e o rei mostrou-se incapaz para os resolver.

O casamento de rei com D. Mécia Lopes em 1240, também contribuiu para a desconfiança da Igreja, uma vez que eram ainda primos afastados. Não resultaram filhos desta união.

O clero fazia queixas constantes à Santa Sé, alimentadas pelo Príncipe D. Afonso, irmão do rei. Estas questões atingiram o ponto de rutura com a excomunhão de D. Sancho II e com a sua deposição. O regente passou a ser o seu irmão D. Afonso que chega a Lisboa em 1245/46. Houve vários conflitos entre os dois e os respetivos apoiantes, mas D. Afonso vence.

Após a morte de D. Sancho II em 1248, D. Afonso declara-se rei de Portugal.


MJS

 

2023/02/09

Educação e Monarquia: D. Afonso II (1185 - 1223)

D. Afonso II (1185 – 1223), “o Gordo”, foi o quarto filho de D. Sancho II e de D. Dulce. O seu reinado foi dedicado sobretudo à centralização do poder real e ao povoamento e organização do território.

(Imagem de D. Afonso II retirada da Internet)

A sua política abandonou o conflito bélico para dotar o país de um novo conceito de unidade. Em 1211 convocou Cortes pela primeira vez, em Coimbra, com representantes do clero e da nobreza. Nestas Cortes foi criado o primeiro conjunto de leis gerais do país numa tentativa de mitigar os abusos dos mais privilegiados, garantir o direito da propriedade e regular a justiça.

Entre 1216 e 1221 foram realizadas Inquirições, ou seja, “inquéritos” realizados por funcionários régios no sentido de apurar a situação jurídica das propriedades pertencentes ao clero e à nobreza. Também as Confirmações datam deste período e validavam as doações e privilégios concedidos anteriormente. Esta política gerou grande oposição e desagrado entre as ordens diretamente atingidas, nomeadamente as irmãs do rei que detinham inúmeras propriedades.

Afonso II teve uma relação conflituosa com o Papa, acabando mesmo por ser excomungado. O reconhecimento da independência de Portugal tinha obrigado Afonso Henriques a conceder inúmeros privilégios à Igreja, que se tornaram um peso enorme para a coroa. Assim, o Afonso II procurou retirar algumas destas prerrogativas e aplicar as receitas clericais. Só após a sua morte este conflito foi resolvido.

Não se conhecem medidas educativas específicas de vulto no seu reinado, tendo contribuído com algumas doações para o Mosteiro de Alcobaça, onde está sepultado.


MJS

2023/02/06

Educação e Monarquia: D. Sancho I (1154 - 1211)

D. Sancho I (1154 – 1211), "o Povoador", foi o quinto filho de D. Afonso Henriques e D. Mafalda de Saboia e segundo rei de Portugal. O seu governo teve como principal objetivo a consolidação e povoamento dos vários territórios do país.

Iniciou-se na vida militar aos 12 anos, chefiando uma expedição a Cidade Rodrigo que fracassou. Foi armado cavaleiro aos 15 anos em 1170 e passou, desde essa época a coordenar a estratégia de conquista.

Ainda durante a vida de Afonso Henriques, D. Sancho partilhou o governo com a sua irmã, D. Teresa que se ocupava fundamentalmente das questões administrativas, enquanto o futuro monarca se dedicava às atividades bélicas.


(Imagem de D. Sancho I retirada da Internet)

A organização política, administrativa e económica do reino caracterizaram o seu reinado, quer através da criação de manufaturas, quer através do fortalecimento do comércio e da concessão de cartas de foral. Os concelhos que se localizavam nas fronteiras receberam vários privilégios especiais. Diversos colonos estrangeiros fixaram-se no reino, bem como ordens religiosas.

Em 1189, Sancho I atacou o Algarve, tomando o castelo de Alvor e Silves. No entanto, em 1190, m novo ataque muçulmano recuperou estas cidades e ainda Alcácer, Palmela e Almada.

D. Sancho envolveu-se em querelas com Castela e viu as relações com a Santa Sé a deterioram-se pela recusa do pagamento anual de dois marcos-ouro. Incompatibilizou-se igualmente com o bispo do Porto e com o bispo de Coimbra.

No que respeita à educação, Sancho I tinha grande apreço pela arte e pela literatura, tendo escrito vários poemas. Durante o seu reinado alguns alunos frequentaram universidades estrangeiras, nomeadamente a Universidade de Bolonha que se destacava pelo ensino de Direito. Em 1192 concedeu uma quantia ao mosteiro de Santa Cruz para que os monges pudessem estudar em França.


MJS


2023/02/02

Educação e Monarquia: D. Afonso Henriques (1109?/1111? - 1185)


Educação é entendida como um processo contínuo que procura o desenvolvimento intelectual, físico ou moral de um indivíduo, com incidência no período da infância ou juventude. Pode igualmente entender-se como um conjunto de princípios ou valores que procuram a inserção do individuo em sociedade.

Este processo requer aquisição de conhecimentos que são transmitidos por alguém, ou seja, o ato de ensinar: a transmissão de conhecimentos e competências.

A educação é fundamental para a difusão do conhecimento e de aptidões essenciais para a formação do ser humano. Atualmente trata-se de um direito fundamental que tem por objetivo desenvolver a capacidade intelectual da população, bem como a sua formação nas diversas áreas: escolar, social, etc.

O ensino em Portugal seguiu desde cedo as tendências europeias, com algumas exceções. O presente conjunto de artigos pretende dar a conhecer o processo educativo ao longo dos vários reinados, iniciando-se com D. Afonso Henriques e terminando com D. Manuel II. Alguns destes reinados não denotam alterações em relação a períodos anteriores ou simplesmente não existem dados suficientes para se estabelecer uma linha educativa concreta.

Afonso Henriques (1109/1111 ? – 1185), “o Conquistador”, foi o primeiro rei de Portugal, reconhecido através da Bula Manifestis Probatum em 1179. Filho de D. Henrique, Conde de Portucale e de D. Teresa de Leão, Afonso Henriques tomou desde cedo a posição política de defesa da independência do Condado Portucalense, após a morte do seu pai.

(Imagem de D. Afonso Henriques retirada da Internet)

Numa tentativa de se afastar da influência da nobreza mais ligada a Castela, o monarca deslocou a corte para Coimbra, financiando a fundação do Mosteiro de Santa Cruz. Nesta instituição recrutou vários intelectuais que considerou fundamentais para o seu governo como São Teotónio ou João Peculiar, Arcebispo de Braga.

Foi um estadista notável, com uma política de expansão territorial muito marcada. Rodeou-se de intelectuais, reconhecendo a importância da educação para o fortalecimento da nacionalidade e do governo do reino.

No que respeita à evolução do ensino em Portugal, pouco se sabe até ao século XI, havendo apenas referências à Sé de Braga e a um colégio/seminário junto da Sé de Coimbra. No início do século XII, existiam duas escolas, uma junto da Sé do Porto e outra no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Eram escolas episcopais, organizadas pela Igreja e que estavam orientadas para a formação do clero. O ensino aqui ministrado alargou-se progressivamente a estudantes que não pretendiam seguir a vida eclesiástica.

Na época medieval, mais concretamente durante a primeira dinastia, a instrução era apenas ministrada aos que pretendiam seguir uma carreira eclesiástica. Apesar de instrumentos que facilitaram a difusão do saber, como o pergaminho por exemplo, a população mantinha-se analfabeta.

Nas escolas monásticas, lecionava-se em latim a Gramática, Retórica, Dialética (trivium), Aritmética, Música, Geometria e Astronomia (quadrivium), que preparavam a aprendizagem da Teologia.

O currículo das escolas episcopais era distinto visto que se inicialmente se procedia à aprendizagem da leitura e da escrita, a partir do Saltério e posteriormente se efetuava a aprendizagem da Gramática e de algumas noções elementares de Lógica, Retórica, Música e Aritmética. Apesar da existência de um ensino relativamente organizado em Portugal, o atraso em relação a outros países foi sempre bastante acentuado, situação atestada quer pela constante saída de estudantes, com o intuito de frequentar universidades estrangeiras, nomeadamente as de Salamanca, Paris, Montpellier, Pádua e Bolonha, quer ainda pela entrada de sacerdotes, com o intuito de impulsionarem as escolas portuguesas.


MJS

2023/01/30

Exposição Virtual : "Álbuns de fotografias no Museu Virtual da Educação"

Um álbum de fotografias é uma coleção de fotografias, tradicionalmente um caderno ou livro com páginas em branco. Uma fotografia é considerada um documento, logo, os álbuns são em si mesmos um arquivo.

O interesse pela fotografia iniciou-se na Europa na segunda metade do século XIX. A união entre a fotografia e o álbum documenta, cataloga e organiza o mundo. Progressivamente, os álbuns tornam-se espaços de construção temáticos: aniversários, casamentos, festas, escolas, retratos, etc. Sendo um espaço em branco, o álbum é dotado de total liberdade criativa, onde se contam narrativas pessoais ou históricas em imagens. São associados a memórias de acontecimentos, com uma forte componente emocional, ou seja, são fragmentos da vida pessoal/institucional de cada um ou de uma instituição.

Para além de serem uma fonte de recordação pessoal, constituem preciosos documentos históricos que nos permitem reconstituir momentos do passado e complementar informações. Os álbuns fotográficos que se encontram nas escolas secundárias recolhem informações vitais para o estudo da educação em Portugal. As capas são cuidadas, identificadas e algumas em tecido bordado. O seu conteúdo relaciona-se com atividades escolares como atuações de alunos em peças escolares, exposições, atividades artísticas ou desportivas, viagens de estudo, almoços ou convívios. Temos igualmente fotografias dos edifícios e espaços escolares: instalações, salas de aula, oficinas, vistas panorâmicas, etc. Muitas vezes observam-se junto das fotos alguns recortes de jornal ou mesmo alguns desenhos. 


Álbum de fotografias

ME/402280/50

Escola Secundária de Montemor-o-Novo

Álbum de fotografias com capa bordada, a ponto cruz, por aluna do antigo Curso de Formação Feminina. Contém, entre outras, fotografias da década de 60/70, relativas à antiga Escola Industrial e Comercial de Montemor-o-Novo, nomeadamente às instalações, salas de aula, oficinas, peças de teatro, atuações de alunos, exposições.


Álbum de fotografias

ME/402436/2383

Escola Secundária de Passos Manuel

Álbum de fotografias com inscrição na capa: "Liceu de Passos Manuel - Album de fotografias - Lisboa 1922". É constituído por uma capa de cartão com letras a dourado e folhas de papel com 41 fotografias de diferentes tamanhos. A temática diz respeito à escola e às atividades desenvolvidas: uma vista panorâmica do exterior da instituição, salas de aula, exposições, ginásio e atividades desportivas.


Álbum de fotografias

ME/402618/3

Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro

Álbum de fotografias com capa bordada por uma antiga aluna da escola. Contém, entre outras, fotografias de bordados e de peças de cerâmica. Um papel manuscrito no interior do álbum dá as seguintes indicações: "Álbum com: 1- Bordados; 2 - Peças de vestuário; 3 - Peças de adorno em pano e em barro; 4 - Bandeira da Banda Comércio e Indústria - 1947; 5 - Peças de cerâmica na continuação do estilo bordaliano; 6 - Álbuns; 7 - Encadernações (livros com trabalhos dos alunos); 8 - Fotos com as entidades oficiais que fizeram a inauguração da exposição retratada neste álbum, destacando-se Dr. Leonel Sotto Mayor - Director da Escola, Dr. Aníbal Correia."


Álbum de fotografias

ME/ESDMF/189

Escola Secundária David Mourão Ferreira/SGEC

Conjunto de fotografias das instalações da Escola Comercial Veiga Beirão no "Palácio Marquez de Tancos", com perspetivas, alçados, interiores da escola, no período compreendido entre 1919 e 1932.


Álbum de fotografias

ME/ESDMF/123

Escola Secundária David Mourão Ferreira/SGEC

Álbum de fotografias da Escola Comercial D. Maria I, relativo à tarde cultural realizada no Teatro Nacional D. Maria I, a 6 de junho de 1954. Inclui recortes de jornal e desenhos dos figurinos, bem como fotografias do evento.


Álbum de fotografias

ME/346779/68

Escola Secundária com 3º Ciclo Clara de Resende

Álbum com diversas fotografias dos momentos assinaláveis da escola: festas, teatros, demonstrações de educação física, visitas de estudo, almoços de convívio, etc. Nas últimas páginas encontram-se algumas folhas soltas de um herbário. 


MJS

2023/01/26

Invenções portuguesas que mudaram o mundo (Parte IV)

 

(Imagem explicativa do Sistema de Identificação de Cores para daltónicos retirada da internet)

O Coloradd – Sistema de identificação para daltónicos

O Coloradd é um sistema de identificação de cores para daltónicos criado por Miguel Neiva, designer gráfico da Universidade do Minho. Existem cerca de 350 milhões de pessoas em todo o mendo com este problema.

O código é como um “alfabeto de cores”, baseando-se em cores primárias (magenta, amarelo e ciano) e nas cores que se formam a partir destas. A cada cor corresponde um símbolo que se pode aplicar diariamente. É usado em várias áreas: embalagens de comprimidos, pulseiras de hospitais, lápis de cor, mapas, semáforos, etc.

 

(Imagem da caixa do medicamento Zebinix retirada da internet)

O medicamento Zebinix (epilepsia)

Este medicamento para a epilepsia, comercializado desde 2010, foi criado pela farmacêutica portuguesa BIAL – Portela & Ca. Os estudos para o medicamento levaram 14 anos e custaram cerca de 300 milhões de euros.


MJS