2020/12/17
Peça do mês de dezembro/2020
2020/12/14
Método de Ensino Yinnetka ( Parte II)
Wolsey Washburne, com base nos ideais de Escola Nova de Faria de Vasconcelos, do pragmatismo social de John Dewey e do Plano Dalton de Helen Parkhurst[1],
entre outros, fundamenta a psicologia
motivacional dos alunos através de atividades coletivas/individuais, com o propósito de dinamizar o aluno com atitudes, atividades e sentimentos.
No Plano Winnetka as atividades em grupos são escolhidas, simultaneamente, por alunos e educadores. Os alunos aprendem ao seu próprio ritmo, sem que sejam submetidos a pressões coletivas, ainda assim, são responsabilizados pelas suas próprias atividades letivas.
Esse sistema educacional não estava totalmente sistematizado, tratava-se de um “laboratório” de pesquisas científicas e de experimentação prática que se modificava continuamente consoante as observações efetuadas. Primeiramente, ensinam-se técnicas de leitura, escrita e cálculo, seguidamente, sedimentavam-se noções de geografia, história, civismo e higiene. Os conhecimentos essenciais preconizados pelo referido Plano Winnetka, seriam, pois, os utilizados pela maioria dos adultos na sua vida civil, social e privada. Estes ideais difundiram-se por toda a América Latina e Itália (Cf. Pinheiro e Valente, 2016:91):
“Em 1919, [Washburne] assume o posto de superintendente das escolas de Winnetka, onde desenvolveu experiências que resultaram na criação do sistema pedagógico de Winnetka. Em 1943, deixou seu cargo como superintendente para auxiliar o exército americano a reabrir as escolas ocupadas na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. Durante o tempo que permaneceu na Itália (1943-1949) Washburne teve um importante papel na reorganização do sistema público italiano. Ao retornar aos Estados Unidos foi diretor na formação de professores do Brooklyn College. Em 1961, passou a lecionar na Michigan State University até seu falecimento em 19686.” (Pinheiro e Valente, 2016:91)
Segundo Rebelo (2019), Carleton Washburne em 1942 realizou uma série de viagem de estudos pela América do Sul durante as quais percorreu Colômbia, Equador, Chile, Paraguai e Brasil. Por ocasião destas viagens, Washburne ocupava a presidência da Progressive Education Association. Durante a missão, intermediou a criação de seções da New Education Fellowship nos países que visitou na qualidade de membro correspondente daquela associação, cuja sede internacional ficava em Londres.
O método de ensino Winnetka, como verificamos anteriormente, inclui um
programa mínimo, formado por matérias instrumentais e sociais, adaptado ao
amadurecimento e capacidade dos alunos − não há atividades diárias, nem
recitações de lições.
“Washburne and the Winnetka staff believed that spelling was
perhaps the easiest subject in the curriculum to individualize because they
knew specifically what words they wanted to teach the children and because the
means of testing was so simple, direct and diagnostic. Advocating
scientifically selected and graded spelling lists, Washburne outlined eight
‘essential elements' of the technique.” (Meuer, 1988:137)
Como verificamos, a equipa Winnetka acreditava que a ortografia fosse a matéria mais fácil de assimilar pelos alunos, devido ao fato de haver uma lista de vocabulário selecionada e classificada (Cf. Meuer, 1988:137).
O educador, por um lado, era considerado guia
em sala de aula e, por outro, o método utilizado permitia que os alunos estudem
sozinhos e controlem o seu próprio desenvolvimento intelectual. Como se procedia?
Simples: utilizavam-se fichas e materiais didáticos autocorretivos para que os
alunos, sem necessidade de ajuda, pudessem corrigir o seus trabalhos e testes
práticos. Segundo Beck (2016), os cinco princípios básicos deste método de
ensino são os seguintes:
1. Fornecer conhecimentos e
habilidades ao aluno;
2. Dar o direito ao aluno de
viver sua vida plena e felizmente;
3. Desenvolver imaginação e
expressar originalidade;
4. Desenvolver hábitos e atividades em colaboração com a vida social;
5. Incentivar no aluno o espírito de solidariedade e o interesse pelo bem-estar comum.
As investigações científicas do pedagogo Washburne tinham por objetivo uma individualização do ensino. Um dos primeiros programas a ser reelaborado foi o de aritmética, por considerar esta disciplina como uma habilidade completamente individual, nas quais uns apresentavam maiores facilidades e outros não.
“Les principales critiques pédagogiques faites à la méthode
Winnetka, mais aussi aux fichiers autocorrectifs de la pédagogie Freinet se
situent au niveau du modèle d'appren-tissage soupçonné sous-jacent à ces
techniques pédagogiques. C'est le béhaviorisme et son conditionnement
répondant-opérant, c'est à dire l'impré-gnation par des procédés d'imitation et
d'automatisation, qui est visé. Ce compor-tementalisme (c'est la critique la
plus fréquente) fait de l'élève un apprenant passif: ses acquis antérieurs ne
sont pas mis à profit pour l'acquisition des faits nouveaux présentés; l'élève
subit les empreintes qui lui viennent de l'extérieur. Il n'y aurait donc pas de
‘construction des connaissances’”. (Schlemminger, 1994)
Segundo Schlemminger (1994) , na Revue Trace, as principais
críticas pedagógicas feitas ao método Winnetka
residem na aprendizagem baseava no Modelo Behaviorista, e,
consecutivamente, no condicionamento estímulo-resposta. Como sabemos, o processo
de imitação e automação é a apenas uma meta. Esta interatividade ou falta dela,
torna o aluno um aprendiz passivo: o aluno sofre impressões exteriores,
portanto, não haveria construção de conhecimento novos e estruturais.
As instituições que usaram o Método Winnetka não o consideraram um
produto acabado, antes, um laboratório
de experiências educacionais, onde se testam novos métodos e mensuram
resultados.
P.M.
BIBLIOGRAFIA:
BECK, C. (2016). “Método de Ensino Winnetka” [em linha]: Andragogia Brasil: especialistas em educação de adultos [Consult.
30 de outubro ded 2020]. Disponível: https://andragogiabrasil.com.br/metodo-de-ensino-winnetka
BENNETT, Edward H. (1921). Plan
of Winnetka: The Report of the Winnetka
Plan Commission Accompanied by the Report and Recommendations of Mr. Edward H.
Bennett [em linha]. Winnetka: Plan Commission and Winnetka Village
Council, 1921 [Consult. 30 de outubro de 2020]. Disponível:
http://www.winnetkahistory.org/wp-content/uploads/2014/06/Plan-of-Winnetka-1921-resized.pdf
DUARTE,
Madalena Luzia (2010). À descoberta da
Escola Nova de faria de Vasconcelos [em linha]. Aveiro: Universidade de
Aveiro, Departamento de Educação. [Consult. 29 de outubro de 2020]. Disponível:
https://ria.ua.pt/bitstream/10773/3608/1/4561.pdf
DUARTE, Madalena Luzia; MEIRELES-COELHO, Carlos (2011). “Escola nova de Faria de Vasconcelos: uma
utopia no séc. XX para a educação no séc. XXI”. Reis, C. S.;
Neves, F. S. (Coord.). Livro de Atas do XI Congresso da Sociedade Portuguesa
de Ciências da Educação, Instituto
Politécnico da Guarda, 30 de junho a 2 de julho de 2011. Vol. 4, 314, p.
247-252. Guarda: Instituto Politécnico da Guarda. ISBN: 978-972-8681-35-7.
MEUER,
William G. (1988). Carleton W. Washburne:
His Administrative and Curricular Contributions in the Winnetka Public Schools,
1919 Through 1943 [em linha]. Chicago: Loyola University Chicago [Consult.
29 de outubro de 2020]. Disponível:
https://ecommons.luc.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=3572&context=luc_diss
PINHEIRO, Nara Vilma Lima; VALENTE, Wagner Rodrigues (2016). “Carleton Washburne e as pesquisas sobre a aritmética nos primeiros anos escolares” [em linha]: Revista Pesquisa Qualitativa. São Paulo (SP), Vol. 4, n.º 4 (abr. 2016), p. 88-10.
REBELO, Rafaela Silva (2019). “Carleton Washburne e o Departamento de Estado dos EUA: a educação
latino-americana em meio à política de boa vizinhança” [em linha]: I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina.
6 a 10 de maio de 2019 – FFLCH/USP, São Paulo. [Consult. 30 de outubro de
2020]. Disponível:
SCHLEMMINGER, Gérald (1994). “Du rejet à l'adaptation et à l'intégration d'un
concept du travail individualisé” [em linha]: Extrait de la Revue Tracer, n.° 3 (Tracer-Département de langues - Bât. 336 - Université de
Paris-Sud XI - 91 405 ORSAY) [Consult. 29 de outubro de 2020].
Disponível : https://www.icem-pedagogie-freinet.org/book/export/html/15843
THE WINNETKA
PUBLIC SCHOOL (S.D.). A brief history of the Winnetka Public Schools [em linha]. Winnetk: WPS [Consult. 28 de outubro de 2020]. Disponível:
https://www.winnetka36.org/domain/84
[1]
O Plano Dalton é um conceito educacional criado por Helen Parkhurst, inspirado
pelos movimentos sociais do Século XX. Alguns intelectuais, tais como Maria
Montessori e John Dewey influenciaram Parkhurst. A essência do referido Plano
reside no equilíbrio entre o talento de uma criança e as necessidades da
comunidade de modo a adaptar o programa de cada aluno às suas necessidades,
interesses e habilidades; para promover independência e confiabilidade e para
aprimorar as habilidades sociais do aluno e o senso de responsabilidade para
com os outros.
2020/12/10
O Método de Ensino Winnetka (Parte I)
Os princípios holísticos de interdependência, diversidade e totalidade são a base deste novo paradigma educacional, cujo objetivo é a formação integral do ser humano. O paradigma holístico não pode ser relacionado com as crenças religiosas ou dogmas. A educação holística reconhece o mundo como uma complexa rede de relações entre as diferentes partes de um todo abrangente. Da mesma forma, não são considera tão importante a aprendizagem de teorias e de modelos quando se pretende o verdadeiro desenvolvimento de mentes científicas, capazes de fazer um uso inteligente e criativo de recursos tecnológicos atuais.
Estas
perspetivas atuais têm, efetivamente, raízes nas investigações pedagógicas do século
dezanove. Desde há muito que os pedagogos se aperceberam dos inconvenientes de
ensinar fatos isolados, o método de ensino Winnetka[1],
levada a cabo por Carleton Wolsey Washburne[2], tenta solucionar a descontextualização de
conteúdos e, acima de tudo, a desigualdade do conhecimento dos alunos. Com este
critério, Washburne acreditava que as turmas deveriam ser organizadas de acordo
com os interesses e as capacidades de cada aluno.
Fonte: Bennette (1921)
“The upper-grade school is to be a very complete plant designed for a thousand children, with a large assembly hall, gymnasium, manual training and domestic science equipment, ample playfields and school gardens. As the location for this school the Board of Education has purchased the 12 acres o verlook ing the Skokie at the corner of Oak and Glendale streets. Immediately to the north is a smal! wooded park and on the west is the 4O-acre Skokie Playfield, with its ball grounds and golf course.” (Bennett, 1921:25)
Como verificamos, Bennett (1921) no Plan of Winnetka: the report of the Winnetka Plan Commission Accompanied projeta escolas de forma a estas integrarem estruturas complexa, tais como: salões de festas, ginásios, equipamentos de trabalhos manuais e de ciências, jardins escolares e campos de futebol e de golfe. Enfim, uma panóplia de equipamentos multifacetados que, a seu modo, veio facilitar a implementação do Método de Ensino Winnetka.
O reconhecido
pedagogo português, Faria de Vasconcelos[3],
cujo espólio monográfico e arquivístico se encontra na Divisão de Serviços de
Documentação e Arquivo da Secretaria-Geral da Educação e Ciência, foi um
impulsionador para este tipo de movimento de renovação do ensino, impulsionando
o desenvolvimento da autonomia moral do educando. Na prática, deveria existir
um modelo escolar no qual se confiaria aos alunos a disciplina e o seu
respetivo funcionamento.
Segundo
Duarte (2010:52), Faria de Vasconcelos, através da metodologia que implementou na sua Escola
Nova[4],
criou as bases para o processo individualizado no ensino seguido por Washburne
no Sistema Winnetka em 1914, em Chicago e por Parkhurst que, em 1922,
planificou e aplicou o denominado Plano Dal-ton que consistia num contrato de
aprendizagem, entre a criança e a escola, em que cada criança escolhe o seu
próprio ritmo de aprendizagem (de ensino individualizado) e, para isso, conta
com a ajuda do professor que lhe propõe o programa adequado com as matérias
divididas em unidades progressivamente escalonadas (cf. Meireles-Coelho, 2010:
128).
“A escola de Bierges,
considerada modelo de Escola Nova em 1912-1914, passou-se de uma pedagogia
baseada em conteúdos (como transmitir a matéria) para uma pedagogia baseada em
métodos (como aprender) e no desenvolvimento de competências em que a educação
intelectual era promovida a par com a educação moral e física, seguindo o
caminho precursor de muitos dos princípios inerentes ao pensamento pedagógico
de Spencer. Valorizava os trabalhos manuais, a cultura física (dimensão
higiénica) e a formação prática experimental, a par da educação intelectual e
científica em que a teoria seguia sempre a prática (e não o contrário) […].” (Duarte,
2010:55).
Partido destes substratos intelectuais descrito por Duarte (2010:55), uma das primeiras preocupações de Washburne foi reabilitar o programa oficial das escolas públicas americanas, o qual, na sua conceção, deveria passar por modificações para atender às exigências da sociedade e as diferenças individuais, para uma educação personalizada.
Um outo influenciador, não menos importante, dos ideais de Washburne foi John Dewey (1859-1952), este filósofo foi representante da corrente pragmática e marcado pelo instrumentalismo filosófico, isto é, pelo o desejo de romper com uma filosofia clássica ligada às classes dominantes, para torná-la um instrumento que permitiria os homens se adaptarem melhor ao mundo moderno. A sua filosofia política também visa o desenvolvimento da individualidade, isto é, a autorrealização por meio da democracia, concebida não como uma forma de governo, mas como uma participação de indivíduos na ação coletiva. Finalmente, sua pedagogia, intimamente ligada ao seu ideal democrático, visa dar aos estudantes os meios e o caráter necessário para participar ativamente da vida pública e social.
Continua: Método de Ensino Winnetka, Parte II
BIBLIOGRAFIA:
BECK, C. (2016). “Método de Ensino Winnetka” [em linha]: Andragogia Brasil: especialistas em educação de adultos [Consult.
30 de outubro ded 2020]. Disponível: https://andragogiabrasil.com.br/metodo-de-ensino-winnetka
BENNETT, Edward H. (1921). Plan
of Winnetka: The Report of the Winnetka
Plan Commission Accompanied by the Report and Recommendations of Mr. Edward H.
Bennett [em linha]. Winnetka: Plan Commission and Winnetka Village
Council, 1921 [Consult. 30 de outubro de 2020]. Disponível:
http://www.winnetkahistory.org/wp-content/uploads/2014/06/Plan-of-Winnetka-1921-resized.pdf
DUARTE,
Madalena Luzia (2010). À descoberta da
Escola Nova de faria de Vasconcelos [em linha]. Aveiro: Universidade de
Aveiro, Departamento de Educação. [Consult. 29 de outubro de 2020]. Disponível:
https://ria.ua.pt/bitstream/10773/3608/1/4561.pdf
DUARTE, Madalena Luzia; MEIRELES-COELHO, Carlos (2011). “Escola nova de Faria de Vasconcelos: uma
utopia no séc. XX para a educação no séc. XXI”. Reis, C. S.;
Neves, F. S. (Coord.). Livro de Atas do XI Congresso da Sociedade Portuguesa
de Ciências da Educação, Instituto
Politécnico da Guarda, 30 de junho a 2 de julho de 2011. Vol. 4, 314, p.
247-252. Guarda: Instituto Politécnico da Guarda. ISBN: 978-972-8681-35-7.
MEUER,
William G. (1988). Carleton W. Washburne:
His Administrative and Curricular Contributions in the Winnetka Public Schools,
1919 Through 1943 [em linha]. Chicago: Loyola University Chicago [Consult.
29 de outubro de 2020]. Disponível:
https://ecommons.luc.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=3572&context=luc_diss
PINHEIRO, Nara Vilma Lima; VALENTE, Wagner Rodrigues (2016). “Carleton Washburne e as pesquisas sobre a aritmética nos primeiros anos escolares” [em linha]: Revista Pesquisa Qualitativa. São Paulo (SP), Vol. 4, n.º 4 (abr. 2016), p. 88-105
REBELO, Rafaela Silva (2019). “Carleton Washburne e o Departamento de Estado dos EUA: a educação latino-americana em meio à política de boa vizinhança” [em linha]: I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina. 6 a 10 de maio de 2019 – FFLCH/USP, São Paulo. [Consult. 30 de outubro de 2020]. Disponível: https://www.researchgate.net/publication/333824843_Carleton_Washburne_e_o_Departamento_de_Estado_dos_EUA_a_educacao_latino-americana_em_meio_a_politica_de_boa_vizinhanca
SCHLEMMINGER, Gérald (1994). “Du rejet à l'adaptation et à l'intégration d'un
concept du travail individualisé” [em linha]: Extrait de la Revue Tracer, n.° 3 (Tracer-Département de langues - Bât. 336 - Université de
Paris-Sud XI - 91 405 ORSAY) [Consult. 29 de outubro de 2020]. Disponível :
https://www.icem-pedagogie-freinet.org/book/export/html/15843
THE WINNETKA
PUBLIC SCHOOL (S.D.). A brief history of the Winnetka Public Schools [em linha]. Winnetk: WPS [Consult. 28 de outubro de 2020]. Disponível:
https://www.winnetka36.org/domain/84
[1] Winnetka é uma
povoação próxima de Chicago (EUA), onde, em 1915, se iniciou uma experiência de
ensino influenciada pelas ideias de John Dewey. Carleton Washburne foi o criador do sistema de
ensino Winnetka, e como a maioria dos inovadores da educação, partiu de sua
própria experiência educativa mais do que de teorias.
[2] Carleton Wolsey Washburne (1889-1968) foi um educador americano sobejamente conhecido pelos arrojados programas escolares, tais como o Plano Winnetka. Washburne frequentou a Escola de Chicago, gerida por John Dewey e Francis Parker, antes de se formar na Universidade de Stanford (1912) e concluir o seu doutorado em educação na University of California (1918). Depois de lecionar na Escola da Califórnia (1912-14) com o estatuto de Chefe no Science Department at San Francisco State Teachers College (1914–19), Washburne voltou a Illinois como superintendente em Winnetka, onde promoveu a educação infantil, criado escolas de ensino médio. Permanece em Winnetka até 1943 como presidente da Winnetka Summer School for Teachers e, a partir de 1932, do Winnetka Graduate Teachers College. Mais tarde, foi presidente da Progressive Education Association (1939-43) e da New Education Fellowship (1949-56). Durante e após a Segunda Guerra Mundial, Washburne desempenhou um papel importante na reorganização do sistema de escolas públicas da Itália (1943-1949). Para além deste cargo, também dirigiu a Graduate Division and the Teacher-Education Program at Brooklyn College, Nova York (1949-1960). Concluiu a sua carreira como um distinto professor de educação na Michigan State University em East Lansing (1961–67).
[3] António de Sena Faria de Vasconcelos Azevedo ou
simplesmente Faria de Vasconcelos
ou A. Faria de Vasconcelos
(1880-1939), bacharel em leis formado pela Faculdade de Direito da Universidade
de Coimbra, no dia em que recebeu esse diploma (12-06-1901) entregou-o ao pai e
partiu para Paris e depois para a Bélgica, tendo feito o doutoramento em
Ciências Sociais na Universidade Nova de Bruxelas. Tornou-se professor
universitário e um prestigiado pedagogo associado ao movimento Escola Nova.
[4] A Escola Nova,
também chamada de Escola Ativa
ou Escola Progressiva, foi um
movimento de renovação do ensino, que surgiu no fim do século XIX e ganhou
força na primeira metade do século XX. O fim mais importante da Escola
Ativa era o impulso espiritual da criança e o desenvolvimento da autonomia
moral do educando. Ferrière debatia-se contra a moral feita de fórmulas e
defendia a liberdade reflexiva, em que o indivíduo já senhor do ambiente guia a
sua vontade de forma a servir-lhe a inteligência. A autonomia dos alunos tem,
na sua obra, o ponto fulcral. Para ele, o ideal da escola seria o de libertar o
aluno da tutela do adulto para o colocar sob a tutela da própria consciência
moral.
2020/12/07
Património imaterial de Portugal: Caretos de Podence
O Carnaval da
aldeia de Podence, no concelho de Macedo de Cavaleiros em Trás-os-Montes, é uma
das ancestrais celebrações portuguesas, tendo sido considerado património
cultural imaterial da humanidade pela UNESCO em 2019.
Inseridos nesta tradição estão
os Caretos de Podence, imagens misteriosas e diabólicas que percorrem as ruas
durante os festejos de Carnaval, brincando com os transeuntes. Trata-se de
grupos de rapazes envergando trajes de franjas coloridas, chocalhos à cintura e
máscaras de lata ou couro com nariz pontiagudo. Na cabeça utilizam um capuz de
onde sai uma longa cauda. As crianças seguem esta tradição e são designados por
facanitos.
(Imagem da celebração do Carnaval dos Caretos de Podence. Retirada da internet)
As origens deste ritual são
incertas: alguns situam-na no período romano, outros ao Neolítico. São
tradições ligadas à entrada na primavera e à necessidade de boas colheitas. Os
fatos que envergam, com toda a sua cor, espelham esse regresso à vida e à cor.
O Careto é, assim, a figura do “diabo à solta”, com os seus excessos de euforia
após os longos meses de inverno e tudo lhe é permitido, exceto a entrada na
Igreja.
A tradição esteve em risco de
se perder durante os anos 60, devido à partida dos homens para a guerra e à
emigração. Nos anos oitenta, com o regresso dos emigrantes e a criação da
Associação dos Caretos de Podence, esta tradição revitalizou-se.
O Carnaval de Podence também
conhecido por Entrudo Chocalheiro tem dois momentos fundamentais: os casamentos
a fingir no Domingo Gordo e o desfile e Queima do Entrudo na terça-feira de
Carnaval.
Os casamentos a fingir, ou Pregão Casamenteiro, é uma tradição em que vários populares se deslocam para os pontos mais elevados da aldeia e anunciam os “casamentos” dos solteiros da terra. Munidos de um funil de grandes dimensões, os populares fazem um noivado fictício entre solteiros cujas personalidades são absolutamente opostas. No dia seguinte ao anúncio o suposto noivo vai visitar a noiva e tomar com ela o pequeno almoço.
(Imagem do traje tradicional dos Caretos de Podence. Retirada da internet)
A queima do entrudo encerra as
festividades: durante este momento é queimada uma figura semelhante ao diabo
que representa o ano que terminou e que se purifica.
Para divulgar esta tradição, foi criada em 2004 a Casa do Careto, onde se encontram pinturas de Graça Morais, Balbina Mendes e outros artistas, fotografias, fatos, chocalhos, máscaras e todos os objetos ligados a esta celebração.
MJS
2020/12/03
Património imaterial de Portugal: Cante Alentejano
O cante alentejano é um estilo
musical típico da zona do Alentejo, em Portugal. Não sendo a única forma de
expressão musical desta área, destacou-se pela sonoridade única, tornando
património cultural imaterial da humanidade em 2014.
Trata-se de um canto coral, executado sem instrumentos musicais, com um repertório que remete para a poesia tradicional, focando temas como a vida rural, o amor, a natureza, a maternidade ou a religião. Os grupos de cante podem ser constituídos até 30 elementos, onde cada grupo desempenha um papel: o “ponto”, que inicia a melodia; o “alto”, que replica esta melodia, mas uma terceira ou décima acima; e por último, todo o grupo coral. Estas características determinam a natureza repetitiva do cante e o seu andamento lento.
Para além
do aspeto musical, o cante tem papel de relevo nas reuniões socias e permite
uma interligação entre gerações, criando um sentimento de identidade, de
pertença e de coesão social.
A sua origem é indeterminada, mas poderá encontrar-se nos cantos gregorianos ou na cultura árabe, existindo igualmente alguns elementos pré-cristãos. Inicialmente, era uma manifestação espontânea, cantada por homens e mulheres, associada ao duro trabalho no campo, marcando o movimento e o ritmo da ceifa ou da apanha da azeitona.
Com a industrialização
agrícola crescente e a alteração dos ritmos de trabalho, o cante alentejano
passou a ser cantado em tabernas, frequentadas maioritariamente por homens.
Pensa-se que, por esta razão, os grupos de cante sejam masculinos.
O primeiro grupo surgiu em
1926, com os trabalhadores das Minas de São Domingos em Serpa. Esta iniciativa
foi seguida por outros grupos que deram continuidade à tradição até aos dias de
hoje.
2020/11/30
Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves, Lisboa
O
Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves, situado na zona centro-oriental e antiga
da cidade de Lisboa, foi constituído por decisão ministerial, e integra alunos
oriundos das freguesias da Penha de França, de Arroios e de São Vicente. O
Agrupamento é formado pelos seguintes estabelecimentos de ensino:
1. Escola Básica de 2,3 de Nuno Gonçalves (escola sede);
2. Jardim de Infância da Pena;
3. Escola Básica Nº 1 de Lisboa;
4. Escola
Básica Sampaio Garrido;
5. Escola Básica Natália Correia;
6. Escola Básica Arquiteto Victor Palla;
7. Escola Secundária Dona Luísa de Gusmão.
Com uma oferta educativa que contempla o pré-escolar, o 1º, 2º e 3º ciclos do ensino básico, o ensino secundário e a educação e formação de adultos. Segundo o Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves (s.d.) a sua intervenção pedagógica tem melhorado a qualidade e a eficácia das aprendizagens dos alunos, promovido a igualdade, o respeito pelo outro e a cidadania ativa, incentivando a criatividade, o espírito empreendedor e a aprendizagem ao longo da vida.
1. Escola Básica de 2,3 de Nuno Gonçalves (escola sede)
A Escola de Nuno Gonçalves começou por ser uma escola técnica elementar prevista para servir a população dos bairros do Alto do Pina, Penha de França e Vale Escuro. O Ministério da Educação denominou esta escola Nuno Gonçalves e pô-la a funcionar para deslocar a população escolar que ocupava as antigas instalações do antigo Liceu Gil Vicente, nos paços de S. Vicente, que se obrigou a restituir ao Patriarcado em 1951.
No seu início, a escola tinha 30 turmas (cerca de 1000 alunos), e destinava-se a frequência masculina. Dotada já de um quadro próprio de pessoal, a Escola Elementar Nuno Gonçalves matricula os seus primeiros alunos no ano letivo de 1952/53.
Com a reforma de Veiga Simão, em 1968, passou a Escola do Ciclo Preparatório, onde eram lecionados o 1º e o 2º ano do ciclo preparatório. No ano letivo de 1990/91, abriu as portas ao 3º ciclo, recebendo algumas turmas do 7º ano. A partir de 1993/94 tornou-se uma Escola Básica do 2º e 3º ciclos, lecionando sempre a partir daí turmas dos dois ciclos. Ao longo destes cinquenta anos, muitos milhares de alunos frequentaram esta escola. No ano letivo 2004/2005 passou a ser a Escola sede do Agrupamento
2. Jardim de Infância da Pena
No
domínio do ensino público, a Junta de Freguesia de Arroios tutela diretamente
dois agrupamentos escolares e uma escola secundária não agrupada, o Agrupamento
de Escolas Nuno Gonçalves, o Agrupamento de Escolas Luís de Camões e a Escola
Secundária de Camões. No jardim de Infância da Pena, pertencente ao Agrupamento de Escolas Nuno
Gonçalves, há crianças de todo o mundo, vindas de quatro continentes:
“Neste ano lectivo, há 85 crianças, com idades entre os quatro e
os seis anos, divididas entre as salas Laranja, Azul, Verde e Vermelha. Cerca
de três quartos têm ascendência portuguesa, enquanto as restantes (várias das quais
já nasceram no país), têm pais vindos de quatro continentes: Bulgária, Bélgica,
Roménia, Espanha, Brasil, Estado Unidos da América, Guiné-Bissau, Senegal,
Angola, São Tomé, Nepal, Índia, Bangladesh, China e Paquistão são alguns dos
seus locais de origem.” (Boaventura, 2014)
3. Escola Básica Nº1 de Lisboa
Tal como o Jardim de Infância da Pena, a Escola Básica Nº 1 de Lisboa, situada no Largo da Escola Municipal, apresenta um público multicultural, proveniente de vários países. A confirmar tal fato, basta recordar que recebeu, na semana de 26 de fevereiro a 2 de março de 2018, vários professores dos países envolvidos no projeto Erasmus+ -Young European- A Conscious and Safe Citizen of the World.
Este é um programa de intercâmbio europeu, no qual os professores conhecem
o trabalho desenvolvido nas diferentes escolas, sobre a temática da segurança e
multiculturalismo.
4. Escola Básica Sampaio Garrido
A Escola Básica Sampaio Garrido[1], situada na Praça Novas Nações, em lisboa, funciona com o 1.º ciclo e, também, com alunos de Jardim de Infância.
As salas, da
referida escola básica, estão distribuídas por dois andares e a escola tem
agora cinco espaços ao ar livre que serão usados como recreio: o recreio do
labirinto, o recreio do brinquedo, o Pátio de Cima, o Campo de Jogos e a Horta.
Existe também uma biblioteca escolar e um refeitório (as refeições são confecionadas
na escola) que fica paredes meias com o ginásio (estas paredes meias são
amovíveis, tornando possível transformar o espaço numa grande sala para
realização de atividades/convívio).
Situada em Lisboa, na Rua dos Sapadores, a Escola Básica Natália Correia[2], sofreu algumas obras de remodelação no em 2007 (CM, 23 de novembro de 2007).
O mural que agora
adorna uma das paredes exteriores da Escola Básica Natália Correia, efetuado ao
abrigo do Orçamento Participativo, foi o projeto que reuniu mais votos
residentes da freguesia. Na fachada reconhecem-se os heróis de algumas
histórias infantis como o Capuchinho
vermelho, Cinderela, Branca de neve,
A bela adormecida, Alice no país das maravilhas, A menina do mar ou O principezinho. Este projeto foi proposto pela referida escola e
executado por Isa Silva.
6. Escola Básica Arquitecto Victor Palla
Por volta de 1950, o Vale Escuro foi urbanizado e foi construída
a nossa escola, com projeto dos arquitetos Bento de Almeida e Victor Palla, de
1954.
Quando foi construída, a escola estava dividida em duas,
(masculino e feminino) com salas de aula, recreios e refeitórios separados.
Tinha 16 salas de aula para 40 alunos cada e um painel decorativo à entrada,
desenhado pelo pintor Júlio Pomar.
7. Escola Secundária Dona Luísa de Gusmão
(Imagem da fachada Escola Secundária Dona Luísa de Gusmão, Lisboa. Retirada da internet)
A Escola Secundária D. Luísa de Gusmão é uma escola pública com ensino secundário e 3.º Ciclo localizada na freguesia da Penha de França, cidade de Lisboa. Foi fundada no tempo do Estado Novo para cobrir a crescente população da zona oriental de Lisboa, mas apenas permitia a frequência de raparigas. Depois do 25 de Abril de 1974, a escola passou a permitir a frequência de ambos os sexos.
“A Escola Secundária D. Luísa de Gusmão, situada em Lisboa (freguesia dos Anjos), foi inaugurada em 1958. Inicialmente funcionou como Escola Industrial Feminina, passou a Escola Industrial/Comercial em 1970 e a Secundária em 1975, em consequência das reformas educativas que tiveram lugar nessas datas.” (Direção de Serviços de Documentação e de Arquivo, 2020:65).
Apesar da cidade de Lisboa e esta zona em particular estarem a perder população, esta escola continua a ser uma das mais importantes e conhecidas da Capital e tem sido local de passagem de centenas de alunos. A percentagem de alunos naturais de outros países é cerca de 24%, com predomínio para os oriundos do Brasil, China e países africanos.
A Escola
Secundária D. Luísa de Gusmão ostenta um conjunto de painéis de Querubim Lapa,[4] realizados
em 2005, de grande beleza e harmonia. A gramática decorativa utilizada,
o cromatismo geométrico, onde predomina o branco, amarelo, azul e o verde. Estes
jogos abstracionistas, de linhas coloridas, sobrepõem-se de modo a eludir
movimentos quadriculares.
P. M.
BIBLIOGRAFIA:
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outubro de 2020]. Disponível: http://aenunogoncalves.net/
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DE ESCOLAS NUNO GONCALVES (s.d.a). Relatório de consecução dos objetivos do projeto
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todo o mundo, mas a única cor que as distingue é a da sala em que estudam [em linha]: Público, 19 de outubro de 2014.
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E.B.1 ARQUITECTO VICTOR PALLA (s.d.). Victor Palla 1922-2006 [Mensagem de blog]. Lisboa: EB1 Arquiteto
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DIREÇÃO DE SERVIÇOS DE DOCUMENTAÇÃO E
DE ARQUIVO (2020). História das Escolas inseridas no Projeto
Bibliotecas, Arquivos e Museus da Educação (2008 – 2011) [em linha]. Lisboa: Secretaria-Geral da
Educação e Ciência [Consult. 27 de outubro de 2020]. Disponível: https://www.sec-geral.mec.pt/sites/default/files/00._historia_das_escolas_compacto.pdf
PINCHA, João Pedro (2020). Painel de Querubim Lapa em escola de Lisboa pode ruir “mais dia, menos dia” [em Linha]. Lisboa: Público, 14 de abril de 2020 [Consult. 27 de outubro de 2020]. Disponível: https://www.publico.pt/2020/04/14/local/noticia/painel-querubim-lapa-escola-lisboa-ruir-dia-menos-dia-1912129
[1] Carlos de Almeida Fonseca Sampaio Garrido
(1883-1960) foi embaixador de Portugal em Budapeste em 1944, recebeu, a título
póstumo, a medalha de “Justo entre as Nações” pela sua ação de proteção e
salvamento de judeus húngaros. Licenciado em ciências económicas e financeira
iniciou a sua carreira diplomática com adido de legação, em 24 de dezembro de
1901; em Serviço na Direção Geral dos Negócios Comerciais e Consulares. Em 27
de Julho de 1939 é enviado extraordinário e ministro plenipotenciário em
Budapeste.
[2] Natália
Correia nasceu nos Açores em 1923 e aos 11 anos desloca-se para Lisboa. Foi
jornalista no Rádio Clube Português e colaborou no jornal Sol. Ativista
política: apoiou a candidatura de Humberto Delgado; assumiu publicamente
divergências com o Estado Novo e foi condenada a prisão com pena suspensa em
1966, pela «Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica». Deputada após o
25 de Abril, fez programas de televisão destacando-se o “Mátria” que
apresentava o lado matriarcal da sociedade portuguesa. Fundou o bar “Botequim”, onde
cantou durante muitos anos, transformando-o no ponto de reunião da elite
intelectual e política nas décadas de 1970 e 80. Organizou várias
antologias de poesia portuguesa como “Cantares dos Trovadores
Galego-Portugueses” ou “Antologia da Poesia do Período Barroco”. Natália
Correia foi uma versejadora de êxito, uma mulher carismática com uma vida
social intensa, não fez concessões à mediania e notabilizou-se por uma vasta
obra intelectual.
[3] Victor
Palla, arquiteto e fotógrafo, com obras de
referência em ambas as áreas, foi também pintor, ceramista, designer gráfico,
tradutor, editor, galerista e animador de muitos projetos. Faleceu a 28 de
abril com 84 anos, em Lisboa, onde nascera em 1922. Aqui estudou arquitetura,
antes de se transferir para o Porto, para se licenciar em 1948, sendo diretor
da Galeria Portugália e um dos dinamizadores das Exposições Independentes, ao
lado de Fernando Lanhas. De regresso a Lisboa, participou nas Exposições Gerais
de Artes Plásticas, em diversas disciplinas e em quase todas as edições entre
1947 e 1955. No início da década de 50 foi um dos modernizadores da arquitetura
portuguesa, seguindo os princípios funcionalistas do Estilo Internacional com
particular radicalidade plástica, sob influência brasileira. À intervenção teórica
e de divulgação em revistas (algumas sob a sua direção) juntaram-se obras como
a escola do Vale Escuro, de 1953, projetada com Joaquim Bento de Almeida. Com
atelier conjunto durante 25 anos, a dupla de arquitetos teve ação relevante na
renovação dos espaços comerciais de Lisboa, em paralelo com Keil de Amaral e
Conceição Silva. Em especial, ficaram a dever-se-lhes os novos cafés e
snack-bares Terminus, Tique-Taque, Suprema, o antigo Pique-Nique, no Rossio, e
o Galeto, já em 1966. O seu talento multifacetado manifestou-se no dinamismo
espacial e material dos volumes arquitetónicos, conjugado com o design inovador
do mobiliário e da iluminação, adequados aos novos consumos da «vida moderna».
[4]Querubim Lapa de Almeida
(1925-2016) foi um artista plástico e professor, pintor, desenhador e gravador,
autor de trabalhos de tapeçaria, Querubim Lapa é reconhecido sobretudo como um
dos mais importantes ceramistas portugueses, com soluções plástica e
tecnicamente inovadoras, destacando-se os seus inúmeros painéis para espaços
públicos (assinalem-se, por exemplo, os painéis que criou para a Reitoria da
Universidade de Lisboa, 1961, para a Avenida 24 de Julho, Lisboa, 1994, ou para
a Estação Bela Vista, do Metropolitano de Lisboa, 1998). Da António Arroio, seguiu para a ESBAL para estudar
escultura (concluiria também o curso de Pintura, mas só muito mais tarde, em
1978). Lá deu continuidade à sua formação e ao seu ativismo político. Depois de
uma passagem breve pelas Belas Artes do Porto, mais liberais do que as de
Lisboa, sempre sob intenso escrutínio da polícia do Estado Novo, Querubim Lapa
regressou à capital para aceitar um lugar de professor na “sua” escola. Dirigiu
ateliers de cerâmica na António Arroio durante 45 anos, marcando gerações de
alunos com a sua dedicação e o seu fascínio pela arte e pelos materiais.



















