2020/12/14

Método de Ensino Yinnetka ( Parte II)

 


Wolsey Washburne, com base nos ideais de Escola Nova de Faria de Vasconcelos, do pragmatismo social de John Dewey e do Plano Dalton de Helen Parkhurst[1], entre outros, fundamenta a psicologia motivacional dos alunos através de atividades coletivas/individuais, com o propósito de dinamizar o aluno com atitudes, atividades e sentimentos.

No Plano Winnetka as atividades em grupos são escolhidas, simultaneamente, por  alunos e educadores. Os alunos aprendem ao seu próprio ritmo, sem que sejam submetidos a pressões  coletivas, ainda assim, são responsabilizados pelas suas próprias atividades letivas.

Esse sistema educacional não estava totalmente sistematizado, tratava-se de um “laboratório” de pesquisas científicas e de experimentação prática que se modificava continuamente consoante as observações efetuadas. Primeiramente, ensinam-se técnicas de leitura, escrita e cálculo, seguidamente, sedimentavam-se noções de geografia, história, civismo e higiene. Os conhecimentos essenciais preconizados pelo referido Plano Winnetka, seriam, pois, os utilizados pela maioria dos adultos na sua vida civil, social e privada. Estes ideais difundiram-se por toda a América Latina e Itália (Cf. Pinheiro e Valente, 2016:91):


 “Em 1919, [Washburne] assume o posto de superintendente das escolas de Winnetka, onde desenvolveu experiências que resultaram na criação do sistema pedagógico de Winnetka. Em 1943, deixou seu cargo como superintendente para auxiliar o exército americano a reabrir as escolas ocupadas na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. Durante o tempo que permaneceu na Itália (1943-1949) Washburne teve um importante papel na reorganização do sistema público italiano. Ao retornar aos Estados Unidos foi diretor na formação de professores do Brooklyn College. Em 1961, passou a lecionar na Michigan State University até seu falecimento em 19686.” (Pinheiro e Valente, 2016:91)


Segundo Rebelo (2019), Carleton Washburne em 1942 realizou uma série de viagem de estudos pela América do Sul durante as quais percorreu Colômbia, Equador, Chile, Paraguai e Brasil. Por ocasião destas viagens, Washburne ocupava a presidência da Progressive Education Association. Durante a missão, intermediou a criação de seções da New Education Fellowship nos países que visitou na qualidade de membro correspondente daquela associação, cuja sede internacional ficava em Londres. 

(Imagem de uma sala de aula ministrando o método de ensino Winnetka. Retirado da internet)

O método de ensino Winnetka, como verificamos anteriormente, inclui um programa mínimo, formado por matérias instrumentais e sociais, adaptado ao amadurecimento e capacidade dos alunos − não há atividades diárias, nem recitações de lições.

 

“Washburne and the Winnetka staff believed that spelling was perhaps the easiest subject in the curriculum to individualize because they knew specifically what words they wanted to teach the children and because the means of testing was so simple, direct and diagnostic. Advocating scientifically selected and graded spelling lists, Washburne outlined eight ‘essential elements' of the technique.” (Meuer, 1988:137)

 

Como verificamos, a equipa Winnetka acreditava que a ortografia fosse a matéria mais fácil de assimilar pelos alunos, devido ao fato de haver uma lista de vocabulário selecionada e classificada (Cf. Meuer, 1988:137).

O educador, por um lado, era considerado guia em sala de aula e, por outro, o método utilizado permitia que os alunos estudem sozinhos e controlem o seu próprio desenvolvimento intelectual. Como se procedia? Simples: utilizavam-se fichas e materiais didáticos autocorretivos para que os alunos, sem necessidade de ajuda, pudessem corrigir o seus trabalhos e testes práticos. Segundo Beck (2016), os cinco princípios básicos deste método de ensino são os seguintes:

1. Fornecer conhecimentos e habilidades ao aluno;

2. Dar o direito ao aluno de viver sua vida plena e felizmente;

3. Desenvolver imaginação e expressar originalidade;

4. Desenvolver hábitos e  atividades em colaboração com a vida social;

5. Incentivar no aluno o espírito de solidariedade e o interesse pelo bem-estar comum.

As investigações científicas do pedagogo Washburne tinham por objetivo uma individualização do ensino. Um dos primeiros programas a ser reelaborado foi o de aritmética, por considerar esta disciplina como uma habilidade completamente individual, nas quais uns apresentavam maiores facilidades e outros não.

(Imagem de uma escola com método de ensino Winnetka. Retirado da internet)
 

“Les principales critiques pédagogiques faites à la méthode Winnetka, mais aussi aux fichiers autocorrectifs de la pédagogie Freinet se situent au niveau du modèle d'appren-tissage soupçonné sous-jacent à ces techniques pédagogiques. C'est le béhaviorisme et son conditionnement répondant-opérant, c'est à dire l'impré-gnation par des procédés d'imitation et d'automatisation, qui est visé. Ce compor-tementalisme (c'est la critique la plus fréquente) fait de l'élève un apprenant passif: ses acquis antérieurs ne sont pas mis à profit pour l'acquisition des faits nouveaux présentés; l'élève subit les empreintes qui lui viennent de l'extérieur. Il n'y aurait donc pas de ‘construction des connaissances’”. (Schlemminger, 1994)

 

Segundo Schlemminger (1994) , na Revue Trace, as principais críticas pedagógicas feitas ao método Winnetka  residem na aprendizagem baseava no Modelo Behaviorista, e, consecutivamente, no condicionamento estímulo-resposta. Como sabemos, o processo de imitação e automação é a apenas uma meta. Esta interatividade ou falta dela, torna o aluno um aprendiz passivo: o aluno sofre impressões exteriores, portanto, não haveria construção de conhecimento novos e estruturais.

As instituições que usaram o Método Winnetka não o consideraram um produto acabado, antes, um laboratório de experiências educacionais, onde se testam novos métodos e mensuram resultados.


P.M.

 

BIBLIOGRAFIA:

 

BECK, C. (2016). “Método de Ensino Winnetka” [em linha]: Andragogia Brasil: especialistas em educação de adultos [Consult. 30 de outubro ded 2020]. Disponível: https://andragogiabrasil.com.br/metodo-de-ensino-winnetka

 

BENNETT, Edward H. (1921). Plan of Winnetka: The Report of the Winnetka Plan Commission Accompanied by the Report and Recommendations of Mr. Edward H. Bennett [em linha]. Winnetka: Plan Commission and Winnetka Village Council, 1921 [Consult. 30 de outubro de 2020]. Disponível: http://www.winnetkahistory.org/wp-content/uploads/2014/06/Plan-of-Winnetka-1921-resized.pdf

 

DUARTE, Madalena Luzia (2010). À descoberta da Escola Nova de faria de Vasconcelos [em linha]. Aveiro: Universidade de Aveiro, Departamento de Educação. [Consult. 29 de outubro de 2020]. Disponível: https://ria.ua.pt/bitstream/10773/3608/1/4561.pdf


DUARTE, Madalena Luzia; MEIRELES-COELHO, Carlos (2011). “Escola nova de Faria de Vasconcelos: uma utopia no séc. XX para a educação no séc. XXI”. Reis, C. S.; Neves, F. S. (Coord.). Livro de Atas do XI Congresso da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação, Instituto Politécnico da Guarda, 30 de junho a 2 de julho de 2011. Vol. 4, 314, p. 247-252. Guarda: Instituto Politécnico da Guarda. ISBN: 978-972-8681-35-7.


MEUER, William G. (1988). Carleton W. Washburne: His Administrative and Curricular Contributions in the Winnetka Public Schools, 1919 Through 1943 [em linha]. Chicago: Loyola University Chicago [Consult. 29 de outubro de 2020]. Disponível: https://ecommons.luc.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=3572&context=luc_diss

 

PINHEIRO, Nara Vilma Lima; VALENTE, Wagner Rodrigues (2016).  Carleton Washburne e as pesquisas sobre a aritmética nos primeiros anos escolares” [em linha]: Revista Pesquisa Qualitativa. São Paulo (SP), Vol. 4, n.º 4 (abr. 2016), p. 88-10.


REBELO, Rafaela Silva (2019). “Carleton Washburne e o Departamento de Estado dos EUA: a educação latino-americana em meio à política de boa vizinhança” [em linha]: I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina. 6 a 10 de maio de 2019 – FFLCH/USP, São Paulo. [Consult. 30 de outubro de 2020]. Disponível:

https://www.researchgate.net/publication/333824843_Carleton_Washburne_e_o_Departamento_de_Estado_dos_EUA_a_educacao_latino-americana_em_meio_a_politica_de_boa_vizinhanca

 

SCHLEMMINGER, Gérald (1994). Du rejet à l'adaptation et à l'intégration d'un concept du travail individualisé [em linha]: Extrait de la Revue Tracer, n.° 3 (Tracer-Département de langues - Bât. 336 - Université de Paris-Sud XI - 91 405 ORSAY) [Consult. 29 de outubro de 2020]. Disponível : https://www.icem-pedagogie-freinet.org/book/export/html/15843

 

THE WINNETKA PUBLIC SCHOOL (S.D.). A brief history of the Winnetka Public Schools [em linha]. Winnetk: WPS [Consult. 28 de outubro de 2020]. Disponível: https://www.winnetka36.org/domain/84

 



[1] O Plano Dalton é um conceito educacional criado por Helen Parkhurst, inspirado pelos movimentos sociais do Século XX. Alguns intelectuais, tais como Maria Montessori e John Dewey influenciaram Parkhurst. A essência do referido Plano reside no equilíbrio entre o talento de uma criança e as necessidades da comunidade de modo a adaptar o programa de cada aluno às suas necessidades, interesses e habilidades; para promover independência e confiabilidade e para aprimorar as habilidades sociais do aluno e o senso de responsabilidade para com os outros.

 

2020/12/10

O Método de Ensino Winnetka (Parte I)

(Imagem de Carleton Washburne. Retirada da internet)

A educação, hodiernamente, vai ganhando paulatinamente um cariz holístico, ou seja, o ato de aprendizagem tende a ganha um cunho construtivista, baseado na premissa de que todas as pessoas encontram a sua identidade e o significado dos saberes através de ligações com a comunidade, o mundo natural e os valores humanos. A partir desta perspetiva, a educação é considerada um sistema vivo e em constante progresso e evolução. 

Os princípios holísticos de interdependência, diversidade e totalidade são a base deste novo paradigma educacional, cujo objetivo é a formação integral do ser humano. O paradigma holístico não pode ser relacionado com as crenças religiosas ou dogmas. A educação holística reconhece o mundo como uma complexa rede de relações entre as diferentes partes de um todo abrangente. Da mesma forma, não são considera tão importante a aprendizagem de teorias e de modelos quando se pretende o verdadeiro desenvolvimento de mentes científicas, capazes de fazer um uso inteligente e criativo de recursos tecnológicos atuais.

Estas perspetivas atuais têm, efetivamente, raízes nas investigações pedagógicas do século dezanove. Desde há muito que os pedagogos se aperceberam dos inconvenientes de ensinar fatos isolados, o método de ensino Winnetka[1], levada a cabo por Carleton Wolsey Washburne[2], tenta solucionar a descontextualização de conteúdos e, acima de tudo, a desigualdade do conhecimento dos alunos. Com este critério, Washburne acreditava que as turmas deveriam ser organizadas de acordo com os interesses e as capacidades de cada aluno.

 

(Imagem desenhada de uma tipologia de escola com o método Winnetka)

                                    Fonte: Bennette (1921)

“The upper-grade school is to be a very complete plant designed for a thousand children, with a large assembly hall, gymnasium, manual training and domestic science equipment, ample playfields and school gardens. As the location for this school the Board of Education has purchased the 12 acres o verlook ing the Skokie at the corner of Oak and Glendale streets. Immediately to the north is a smal! wooded park and on the west is the 4O-acre Skokie Playfield, with its ball grounds and golf course.” (Bennett, 1921:25)


Como verificamos, Bennett (1921) no Plan of Winnetka: the report of the Winnetka Plan Commission Accompanied projeta escolas de forma a estas integrarem estruturas complexa, tais como: salões de festas, ginásios, equipamentos de trabalhos manuais e de ciências, jardins escolares e campos de futebol e de golfe. Enfim, uma panóplia de equipamentos multifacetados que, a seu modo, veio facilitar a implementação do Método de Ensino Winnetka.

O reconhecido pedagogo português, Faria de Vasconcelos[3], cujo espólio monográfico e arquivístico se encontra na Divisão de Serviços de Documentação e Arquivo da Secretaria-Geral da Educação e Ciência, foi um impulsionador para este tipo de movimento de renovação do ensino, impulsionando o desenvolvimento da autonomia moral do educando. Na prática, deveria existir um modelo escolar no qual se confiaria aos alunos a disciplina e o seu respetivo funcionamento.

 

Segundo Duarte (2010:52), Faria de Vasconcelos, através  da metodologia que implementou na sua Escola Nova[4], criou as bases para o processo individualizado no ensino seguido por Washburne no Sistema Winnetka em 1914, em Chicago e por Parkhurst que, em 1922, planificou e aplicou o denominado Plano Dal-ton que consistia num contrato de aprendizagem, entre a criança e a escola, em que cada criança escolhe o seu próprio ritmo de aprendizagem (de ensino individualizado) e, para isso, conta com a ajuda do professor que lhe propõe o programa adequado com as matérias divididas em unidades progressivamente escalonadas (cf. Meireles-Coelho, 2010: 128).

 

“A escola de Bierges, considerada modelo de Escola Nova em 1912-1914, passou-se de uma pedagogia baseada em conteúdos (como transmitir a matéria) para uma pedagogia baseada em métodos (como aprender) e no desenvolvimento de competências em que a educação intelectual era promovida a par com a educação moral e física, seguindo o caminho precursor de muitos dos princípios inerentes ao pensamento pedagógico de Spencer. Valorizava os trabalhos manuais, a cultura física (dimensão higiénica) e a formação prática experimental, a par da educação intelectual e científica em que a teoria seguia sempre a prática (e não o contrário) […].” (Duarte, 2010:55).

 

Partido destes substratos intelectuais descrito por Duarte (2010:55), uma das primeiras preocupações de Washburne foi reabilitar o programa oficial das escolas públicas americanas, o qual, na sua conceção, deveria passar por modificações para atender às exigências da sociedade e as diferenças individuais, para uma educação personalizada.

Um outo influenciador, não menos importante, dos ideais de Washburne foi John Dewey (1859-1952), este filósofo foi  representante da corrente pragmática e marcado pelo instrumentalismo filosófico, isto é, pelo o desejo de romper com uma filosofia clássica ligada às classes dominantes, para torná-la um instrumento que permitiria os homens se adaptarem melhor ao mundo moderno. A sua filosofia política também visa o desenvolvimento da individualidade, isto é, a autorrealização por meio da democracia, concebida não como uma forma de governo, mas como uma participação de indivíduos na ação coletiva. Finalmente, sua pedagogia, intimamente ligada ao seu ideal democrático, visa dar aos estudantes os meios e o caráter necessário para participar ativamente da vida pública e social.



Continua: Método de Ensino Winnetka, Parte II

                                                   

 PM

 

BIBLIOGRAFIA:

 

BECK, C. (2016). “Método de Ensino Winnetka” [em linha]: Andragogia Brasil: especialistas em educação de adultos [Consult. 30 de outubro ded 2020]. Disponível: https://andragogiabrasil.com.br/metodo-de-ensino-winnetka

 

BENNETT, Edward H. (1921). Plan of Winnetka: The Report of the Winnetka Plan Commission Accompanied by the Report and Recommendations of Mr. Edward H. Bennett [em linha]. Winnetka: Plan Commission and Winnetka Village Council, 1921 [Consult. 30 de outubro de 2020]. Disponível: http://www.winnetkahistory.org/wp-content/uploads/2014/06/Plan-of-Winnetka-1921-resized.pdf

 

DUARTE, Madalena Luzia (2010). À descoberta da Escola Nova de faria de Vasconcelos [em linha]. Aveiro: Universidade de Aveiro, Departamento de Educação. [Consult. 29 de outubro de 2020]. Disponível: https://ria.ua.pt/bitstream/10773/3608/1/4561.pdf

 

DUARTE, Madalena Luzia; MEIRELES-COELHO, Carlos (2011). “Escola nova de Faria de Vasconcelos: uma utopia no séc. XX para a educação no séc. XXI”. Reis, C. S.; Neves, F. S. (Coord.). Livro de Atas do XI Congresso da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação, Instituto Politécnico da Guarda, 30 de junho a 2 de julho de 2011. Vol. 4, 314, p. 247-252. Guarda: Instituto Politécnico da Guarda. ISBN: 978-972-8681-35-7.

 

MEUER, William G. (1988). Carleton W. Washburne: His Administrative and Curricular Contributions in the Winnetka Public Schools, 1919 Through 1943 [em linha]. Chicago: Loyola University Chicago [Consult. 29 de outubro de 2020]. Disponível: https://ecommons.luc.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=3572&context=luc_diss

 

PINHEIRO, Nara Vilma Lima; VALENTE, Wagner Rodrigues (2016).  Carleton Washburne e as pesquisas sobre a aritmética nos primeiros anos escolares” [em linha]: Revista Pesquisa Qualitativa. São Paulo (SP), Vol. 4, n.º 4 (abr. 2016), p. 88-105


REBELO, Rafaela Silva (2019). “Carleton Washburne e o Departamento de Estado dos EUA: a educação latino-americana em meio à política de boa vizinhança” [em linha]: I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina. 6 a 10 de maio de 2019 – FFLCH/USP, São Paulo. [Consult. 30 de outubro de 2020]. Disponível: https://www.researchgate.net/publication/333824843_Carleton_Washburne_e_o_Departamento_de_Estado_dos_EUA_a_educacao_latino-americana_em_meio_a_politica_de_boa_vizinhanca

 

SCHLEMMINGER, Gérald (1994). Du rejet à l'adaptation et à l'intégration d'un concept du travail individualisé [em linha]: Extrait de la Revue Tracer, n.° 3 (Tracer-Département de langues - Bât. 336 - Université de Paris-Sud XI - 91 405 ORSAY) [Consult. 29 de outubro de 2020]. Disponível : https://www.icem-pedagogie-freinet.org/book/export/html/15843

 

THE WINNETKA PUBLIC SCHOOL (S.D.). A brief history of the Winnetka Public Schools [em linha]. Winnetk: WPS [Consult. 28 de outubro de 2020]. Disponível: https://www.winnetka36.org/domain/84

 

 



[1] Winnetka é uma povoação próxima de Chicago (EUA), onde, em 1915, se iniciou uma experiência de ensino influenciada pelas ideias de John Dewey. Carleton Washburne foi o criador do sistema de ensino Winnetka, e como a maioria dos inovadores da educação, partiu de sua própria experiência educativa mais do que de teorias.

[2] Carleton Wolsey Washburne (1889-1968) foi um educador americano sobejamente conhecido pelos arrojados programas escolares, tais como o Plano Winnetka. Washburne frequentou a Escola de Chicago, gerida por John Dewey e Francis Parker, antes de se formar na Universidade de Stanford (1912) e concluir o seu doutorado em educação na University of California (1918). Depois de lecionar na Escola da Califórnia (1912-14) com o estatuto de Chefe no Science Department at San Francisco State Teachers College (1914–19), Washburne voltou a Illinois como superintendente em Winnetka, onde promoveu a educação infantil, criado escolas de ensino médio. Permanece em Winnetka até 1943 como presidente da Winnetka Summer School for Teachers e, a partir de 1932, do Winnetka Graduate Teachers College. Mais tarde, foi presidente da Progressive Education Association (1939-43) e da New Education Fellowship (1949-56). Durante e após a Segunda Guerra Mundial, Washburne desempenhou um papel importante na reorganização do sistema de escolas públicas da Itália (1943-1949). Para além deste cargo, também dirigiu a Graduate Division and the Teacher-Education Program at Brooklyn College, Nova York (1949-1960). Concluiu a sua carreira como um distinto professor de educação na Michigan State University em East Lansing (1961–67).

[3] António de Sena Faria de Vasconcelos Azevedo ou simplesmente Faria de Vasconcelos ou A. Faria de Vasconcelos (1880-1939), bacharel em leis formado pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, no dia em que recebeu esse diploma (12-06-1901) entregou-o ao pai e partiu para Paris e depois para a Bélgica, tendo feito o doutoramento em Ciências Sociais na Universidade Nova de Bruxelas. Tornou-se professor universitário e um prestigiado pedagogo associado ao movimento Escola Nova.

[4] A Escola Nova, também chamada de Escola Ativa ou Escola Progressiva, foi um movimento de renovação do ensino, que surgiu no fim do século XIX e ganhou força na primeira metade do século XX.  O fim mais importante da Escola Ativa era o impulso espiritual da criança e o desenvolvimento da autonomia moral do educando. Ferrière debatia-se contra a moral feita de fórmulas e defendia a liberdade reflexiva, em que o indivíduo já senhor do ambiente guia a sua vontade de forma a servir-lhe a inteligência. A autonomia dos alunos tem, na sua obra, o ponto fulcral. Para ele, o ideal da escola seria o de libertar o aluno da tutela do adulto para o colocar sob a tutela da própria consciência moral.

 

2020/12/07

Património imaterial de Portugal: Caretos de Podence

(Imagem do traje tradicional dos Caretos de Podence. Retirada da internet)


O Carnaval da aldeia de Podence, no concelho de Macedo de Cavaleiros em Trás-os-Montes, é uma das ancestrais celebrações portuguesas, tendo sido considerado património cultural imaterial da humanidade pela UNESCO em 2019.

Inseridos nesta tradição estão os Caretos de Podence, imagens misteriosas e diabólicas que percorrem as ruas durante os festejos de Carnaval, brincando com os transeuntes. Trata-se de grupos de rapazes envergando trajes de franjas coloridas, chocalhos à cintura e máscaras de lata ou couro com nariz pontiagudo. Na cabeça utilizam um capuz de onde sai uma longa cauda. As crianças seguem esta tradição e são designados por facanitos.

(Imagem da celebração do Carnaval dos Caretos de Podence. Retirada da internet)


As origens deste ritual são incertas: alguns situam-na no período romano, outros ao Neolítico. São tradições ligadas à entrada na primavera e à necessidade de boas colheitas. Os fatos que envergam, com toda a sua cor, espelham esse regresso à vida e à cor. O Careto é, assim, a figura do “diabo à solta”, com os seus excessos de euforia após os longos meses de inverno e tudo lhe é permitido, exceto a entrada na Igreja.

A tradição esteve em risco de se perder durante os anos 60, devido à partida dos homens para a guerra e à emigração. Nos anos oitenta, com o regresso dos emigrantes e a criação da Associação dos Caretos de Podence, esta tradição revitalizou-se.

O Carnaval de Podence também conhecido por Entrudo Chocalheiro tem dois momentos fundamentais: os casamentos a fingir no Domingo Gordo e o desfile e Queima do Entrudo na terça-feira de Carnaval.

Os casamentos a fingir, ou Pregão Casamenteiro, é uma tradição em que vários populares se deslocam para os pontos mais elevados da aldeia e anunciam os “casamentos” dos solteiros da terra. Munidos de um funil de grandes dimensões, os populares fazem um noivado fictício entre solteiros cujas personalidades são absolutamente opostas. No dia seguinte ao anúncio o suposto noivo vai visitar a noiva e tomar com ela o pequeno almoço. 

(Imagem do traje tradicional dos Caretos de Podence. Retirada da internet)


A queima do entrudo encerra as festividades: durante este momento é queimada uma figura semelhante ao diabo que representa o ano que terminou e que se purifica.

Para divulgar esta tradição, foi criada em 2004 a Casa do Careto, onde se encontram pinturas de Graça Morais, Balbina Mendes e outros artistas, fotografias, fatos, chocalhos, máscaras e todos os objetos ligados a esta celebração.


MJS

2020/12/03

Património imaterial de Portugal: Cante Alentejano

(Cartaz de divulgação onde está escrito "O Cante Alentejano. Matriz de um Povo" com uma imagem de um grupo de cantores alentejanos. Retirado da internet)

O cante alentejano é um estilo musical típico da zona do Alentejo, em Portugal. Não sendo a única forma de expressão musical desta área, destacou-se pela sonoridade única, tornando património cultural imaterial da humanidade em 2014.

Trata-se de um canto coral, executado sem instrumentos musicais, com um repertório que remete para a poesia tradicional, focando temas como a vida rural, o amor, a natureza, a maternidade ou a religião. Os grupos de cante podem ser constituídos até 30 elementos, onde cada grupo desempenha um papel: o “ponto”, que inicia a melodia; o “alto”, que replica esta melodia, mas uma terceira ou décima acima; e por último, todo o grupo coral. Estas características determinam a natureza repetitiva do cante e o seu andamento lento.

(Imagem de um grupo de Cante Alentejano. Retirado da internet)

Para além do aspeto musical, o cante tem papel de relevo nas reuniões socias e permite uma interligação entre gerações, criando um sentimento de identidade, de pertença e de coesão social.

A sua origem é indeterminada, mas poderá encontrar-se nos cantos gregorianos ou na cultura árabe, existindo igualmente alguns elementos pré-cristãos. Inicialmente, era uma manifestação espontânea, cantada por homens e mulheres, associada ao duro trabalho no campo, marcando o movimento e o ritmo da ceifa ou da apanha da azeitona.

(Imagem de um grupo de Cante Alentejano. Retirado da internet)

Com a industrialização agrícola crescente e a alteração dos ritmos de trabalho, o cante alentejano passou a ser cantado em tabernas, frequentadas maioritariamente por homens. Pensa-se que, por esta razão, os grupos de cante sejam masculinos.

O primeiro grupo surgiu em 1926, com os trabalhadores das Minas de São Domingos em Serpa. Esta iniciativa foi seguida por outros grupos que deram continuidade à tradição até aos dias de hoje.

 Para mais informações consulte o Centro Interpretativo do Cante Alentejano


MJS

 

2020/11/30

Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves, Lisboa

 

(Imagem da fachada do Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves, Lisboa. Retirada da internet)

O Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves, situado na zona centro-oriental e antiga da cidade de Lisboa, foi constituído por decisão ministerial, e integra alunos oriundos das freguesias da Penha de França, de Arroios e de São Vicente. O Agrupamento é formado pelos seguintes estabelecimentos de ensino:

    1. Escola Básica de 2,3 de Nuno Gonçalves (escola sede);

    2. Jardim de Infância da Pena;

    3. Escola Básica Nº 1 de Lisboa;

    4. Escola Básica Sampaio Garrido;

    5. Escola Básica Natália Correia;

    6. Escola Básica Arquiteto Victor Palla;

    7. Escola Secundária Dona Luísa de Gusmão.

Com uma oferta educativa que contempla o pré-escolar, o 1º, 2º e 3º ciclos do ensino básico, o ensino secundário e a educação e formação de adultos. Segundo o Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves (s.d.) a sua intervenção pedagógica tem melhorado a qualidade e a eficácia das aprendizagens dos alunos, promovido a igualdade, o respeito pelo outro e a cidadania ativa, incentivando a criatividade, o espírito empreendedor e a aprendizagem ao longo da vida.


 1.  Escola Básica de 2,3 de Nuno Gonçalves (escola sede)

 

(Imagem da fachada da Escola Básica 2/3 de Nuno Gonçalves, Lisboa. Retirada da internet)

A Escola de Nuno Gonçalves começou por ser uma escola técnica elementar prevista para servir a população dos bairros do Alto do Pina, Penha de França e Vale Escuro. O Ministério da Educação denominou esta escola Nuno Gonçalves e pô-la a funcionar para deslocar a população escolar que ocupava as antigas instalações do antigo Liceu Gil Vicente, nos paços de S. Vicente, que se obrigou a restituir ao Patriarcado em 1951.

No seu início, a escola tinha 30 turmas (cerca de 1000 alunos), e destinava-se a frequência masculina. Dotada já de um quadro próprio de pessoal, a Escola Elementar Nuno Gonçalves matricula os seus primeiros alunos no ano letivo de 1952/53.

Com a reforma de Veiga Simão, em 1968, passou a Escola do Ciclo Preparatório, onde eram lecionados o 1º e o 2º ano do ciclo preparatório. No ano letivo de 1990/91, abriu as portas ao 3º ciclo, recebendo algumas turmas do 7º ano. A partir de 1993/94 tornou-se uma Escola Básica do 2º e 3º ciclos, lecionando sempre a partir daí turmas dos dois ciclos. Ao longo destes cinquenta anos, muitos milhares de alunos frequentaram esta escola. No ano letivo 2004/2005 passou a ser a Escola sede do Agrupamento


 2. Jardim de Infância da Pena


(Imagem da fachada do Jardim de Infância da Pena, Lisboa. Retirada da internet)


Junta de Freguesia de Arroios, no âmbito da reorganização administrativa de Lisboa, adquiriu competências na área da educação nomeadamente na conservação e reparação de estabelecimentos de educação do 1º ciclo, pré-escolar, creches e jardins de infância públicos, assim como na gestão de recursos específicos para estes estabelecimentos.

No domínio do ensino público, a Junta de Freguesia de Arroios tutela diretamente dois agrupamentos escolares e uma escola secundária não agrupada, o Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves, o Agrupamento de Escolas Luís de Camões e a Escola Secundária de Camões. No jardim de Infância da Pena, pertencente ao Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves, há crianças de todo o mundo, vindas de quatro continentes:

 

“Neste ano lectivo, há 85 crianças, com idades entre os quatro e os seis anos, divididas entre as salas Laranja, Azul, Verde e Vermelha. Cerca de três quartos têm ascendência portuguesa, enquanto as restantes (várias das quais já nasceram no país), têm pais vindos de quatro continentes: Bulgária, Bélgica, Roménia, Espanha, Brasil, Estado Unidos da América, Guiné-Bissau, Senegal, Angola, São Tomé, Nepal, Índia, Bangladesh, China e Paquistão são alguns dos seus locais de origem.”  (Boaventura, 2014)

 

    3.  Escola Básica Nº1 de Lisboa

 

(Imagem da fachada Escola Básica N.º1, Lisboa. Retirada da internet)

Tal como o Jardim de Infância da Pena, a Escola Básica Nº 1 de Lisboa, situada no Largo da Escola Municipal, apresenta um público multicultural, proveniente de vários países. A confirmar tal fato, basta recordar que recebeu, na semana de 26 de fevereiro a 2 de março de 2018, vários professores dos países envolvidos no projeto Erasmus+ -Young European- A Conscious and Safe Citizen of the World.

Este é um programa de intercâmbio europeu, no qual os professores conhecem o trabalho desenvolvido nas diferentes escolas, sobre a temática da segurança e multiculturalismo.

 

    4. Escola Básica Sampaio Garrido


(Imagem da fachada Escola Básica Sampaio Garrido, Lisboa. Retirada da internet)

A Escola Básica Sampaio Garrido[1], situada na Praça Novas Nações, em lisboa, funciona com o 1.º ciclo e, também, com alunos de Jardim de Infância.

As salas, da referida escola básica, estão distribuídas por dois andares e a escola tem agora cinco espaços ao ar livre que serão usados como recreio: o recreio do labirinto, o recreio do brinquedo, o Pátio de Cima, o Campo de Jogos e a Horta. Existe também uma biblioteca escolar e um refeitório (as refeições são confecionadas na escola) que fica paredes meias com o ginásio (estas paredes meias são amovíveis, tornando possível transformar o espaço numa grande sala para realização de atividades/convívio).

 

     5. Escola Básica Natália Correia

 

(Imagem da fachada Escola Básica Natália Correia, Lisboa. Retirada da internet)

Situada em Lisboa, na Rua dos Sapadores, a Escola Básica Natália Correia[2], sofreu algumas obras de remodelação no em 2007 (CM, 23 de novembro de 2007).

O mural que agora adorna uma das paredes exteriores da Escola Básica Natália Correia, efetuado ao abrigo do Orçamento Participativo, foi o projeto que reuniu mais votos residentes da freguesia. Na fachada reconhecem-se os heróis de algumas histórias infantis como o Capuchinho vermelho, Cinderela, Branca de neve, A bela adormecida, Alice no país das maravilhas, A menina do mar ou O principezinho. Este projeto foi proposto pela referida escola e executado por Isa Silva.

 

    6. Escola Básica Arquitecto Victor Palla

 

(Imagem da fachada Escola Básica Arquiteto Victor Palla, Lisboa. Retirada da internet)


 A Escola Básica Arquitecto Victor Palla[3], situada em Lisboa, na Rua Francisco Pedro Curado. No século XII, esta zona já se chamava Vale Escuro, mas só começou a fazer parte da cidade de Lisboa a partir de meados do século XX. Os terrenos foram sendo ocupados por bairros clandestinos de barracas e pelo cultivo desordenado de hortas.

Por volta de 1950, o Vale Escuro foi urbanizado e foi construída a nossa escola, com projeto dos arquitetos Bento de Almeida e Victor Palla, de 1954.

Quando foi construída, a escola estava dividida em duas, (masculino e feminino) com salas de aula, recreios e refeitórios separados. Tinha 16 salas de aula para 40 alunos cada e um painel decorativo à entrada, desenhado pelo pintor Júlio Pomar.

 

    7. Escola Secundária Dona Luísa de Gusmão

 
(Imagem da fachada Escola Secundária Dona Luísa de Gusmão, Lisboa. Retirada da internet)


A Escola Secundária D. Luísa de Gusmão é uma escola pública com ensino secundário e 3.º Ciclo localizada na freguesia da Penha de França, cidade de Lisboa. Foi fundada no tempo do Estado Novo para cobrir a crescente população da zona oriental de Lisboa, mas apenas permitia a frequência de raparigas. Depois do 25 de Abril de 1974, a escola passou a permitir a frequência de ambos os sexos.

“A Escola Secundária D. Luísa de Gusmão, situada em Lisboa (freguesia dos Anjos), foi inaugurada em 1958. Inicialmente funcionou como Escola Industrial Feminina, passou a Escola Industrial/Comercial em 1970 e a Secundária em 1975, em consequência das reformas educativas que tiveram lugar nessas datas.” (Direção de Serviços de Documentação e de Arquivo, 2020:65).

Apesar da cidade de Lisboa e esta zona em particular estarem a perder população, esta escola continua a ser uma das mais importantes e conhecidas da Capital e tem sido local de passagem de centenas de alunos. A percentagem de alunos naturais de outros países é cerca de 24%, com predomínio para os oriundos do Brasil, China e países africanos.

A Escola Secundária D. Luísa de Gusmão ostenta um conjunto de painéis  de Querubim Lapa,[4] realizados em 2005, de grande beleza e harmonia. A gramática decorativa utilizada, o cromatismo geométrico, onde predomina o branco, amarelo, azul e o verde. Estes jogos abstracionistas, de linhas coloridas, sobrepõem-se de modo a eludir movimentos quadriculares.

 

P. M. 

 

 

BIBLIOGRAFIA:

 

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS NUNO GONCALVES (s.d.). Apresentação do agrupamento [em linha]. Lisboa AENG [Consult. 23 de outubro de 2020]. Disponível: http://aenunogoncalves.net/

 

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS NUNO GONCALVES (s.d.a). Relatório de consecução dos objetivos do projeto educativo de agrupamento [em linha]. Lisboa: AENG [Consult. 27 de outubro de 2020]. Disponível: http://aenunogoncalves.com/upload/Relatorio_autoavaliacao_AENG_13.09.2019.pdf

 

ASSOCIAÇÃO DE PAIS E ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO DA EB1 SAMPAIO GARRIDO (s.d.). Escola e agrupamento [em linha]. Lisboa: APEE Sampaio Garrido [Consult. 27 de outubro de 2020]. Disponível: http://apee.sampaiogarrido.com/category/news-escola/

 

BOAVENTURA, Inês (2014). Neste jardim de infância em Lisboa há crianças de todo o mundo, mas a única cor que as distingue é a da sala em que estudam [em linha]: Público, 19 de outubro de 2014. [Consult. 26 de outubro de 2020]. Disponível: https://www.publico.pt/2014/10/19/local/noticia/neste-jardim-de-infancia-em-lisboa-ha-criancas-de-todo-o-mundo-mas-a-unica-cor-que-as-distingue-e-a-da-sala-em-que-estudam-1673278

 

CORREIO DA MANHÃ (23 de novembro de 2007). Escola Natália Correia reabre [em linha]. Lisboa: CM [Consult. 27 de outubro de 2020]. Disponível: https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/escola-natalia-correia-reabre

 

E.B.1 ARQUITECTO VICTOR PALLA (s.d.). Victor Palla 1922-2006 [Mensagem de blog]. Lisboa: EB1 Arquiteto Victor Palla [Conslt. 27 de outubro de 2020. Disponível: http://ebarquitectovictorpalla.blogspot.com/p/historia.html

 

DIREÇÃO DE SERVIÇOS DE DOCUMENTAÇÃO E DE ARQUIVO (2020). História das Escolas inseridas no Projeto Bibliotecas, Arquivos e Museus da Educação (2008 – 2011) [em linha]. Lisboa: Secretaria-Geral da Educação e Ciência [Consult. 27 de outubro de 2020]. Disponível: https://www.sec-geral.mec.pt/sites/default/files/00._historia_das_escolas_compacto.pdf

 

PINCHA, João Pedro (2020). Painel de Querubim Lapa em escola de Lisboa pode ruir “mais dia, menos dia” [em Linha]. Lisboa: Público, 14 de abril de 2020 [Consult. 27 de outubro de 2020]. Disponível: https://www.publico.pt/2020/04/14/local/noticia/painel-querubim-lapa-escola-lisboa-ruir-dia-menos-dia-1912129 



[1] Carlos de Almeida Fonseca Sampaio Garrido (1883-1960) foi embaixador de Portugal em Budapeste em 1944, recebeu, a título póstumo, a medalha de “Justo entre as Nações” pela sua ação de proteção e salvamento de judeus húngaros. Licenciado em ciências económicas e financeira iniciou a sua carreira diplomática com adido de legação, em 24 de dezembro de 1901; em Serviço na Direção Geral dos Negócios Comerciais e Consulares. Em 27 de Julho de 1939 é enviado extraordinário e ministro plenipotenciário em Budapeste.

[2] Natália Correia nasceu nos Açores em 1923 e aos 11 anos desloca-se para Lisboa. Foi jornalista no Rádio Clube Português e colaborou no jornal Sol. Ativista política: apoiou a candidatura de Humberto Delgado; assumiu publicamente divergências com o Estado Novo e foi condenada a prisão com pena suspensa em 1966, pela «Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica». Deputada após o 25 de Abril, fez programas de televisão destacando-se o “Mátria” que apresentava o lado matriarcal da sociedade portuguesa. Fundou o bar “Botequim”, onde cantou durante muitos anos, transformando-o no ponto de reunião da elite intelectual e política nas décadas de 1970 e 80. Organizou várias antologias de poesia portuguesa como “Cantares dos Trovadores Galego-Portugueses” ou “Antologia da Poesia do Período Barroco”. Natália Correia foi uma versejadora de êxito, uma mulher carismática com uma vida social intensa, não fez concessões à mediania e notabilizou-se por uma vasta obra intelectual.

[3] Victor Palla, arquiteto e fotógrafo, com obras de referência em ambas as áreas, foi também pintor, ceramista, designer gráfico, tradutor, editor, galerista e animador de muitos projetos. Faleceu a 28 de abril com 84 anos, em Lisboa, onde nascera em 1922. Aqui estudou arquitetura, antes de se transferir para o Porto, para se licenciar em 1948, sendo diretor da Galeria Portugália e um dos dinamizadores das Exposições Independentes, ao lado de Fernando Lanhas. De regresso a Lisboa, participou nas Exposições Gerais de Artes Plásticas, em diversas disciplinas e em quase todas as edições entre 1947 e 1955. No início da década de 50 foi um dos modernizadores da arquitetura portuguesa, seguindo os princípios funcionalistas do Estilo Internacional com particular radicalidade plástica, sob influência brasileira. À intervenção teórica e de divulgação em revistas (algumas sob a sua direção) juntaram-se obras como a escola do Vale Escuro, de 1953, projetada com Joaquim Bento de Almeida. Com atelier conjunto durante 25 anos, a dupla de arquitetos teve ação relevante na renovação dos espaços comerciais de Lisboa, em paralelo com Keil de Amaral e Conceição Silva. Em especial, ficaram a dever-se-lhes os novos cafés e snack-bares Terminus, Tique-Taque, Suprema, o antigo Pique-Nique, no Rossio, e o Galeto, já em 1966. O seu talento multifacetado manifestou-se no dinamismo espacial e material dos volumes arquitetónicos, conjugado com o design inovador do mobiliário e da iluminação, adequados aos novos consumos da «vida moderna».

[4]Querubim Lapa de Almeida (1925-2016) foi um artista plástico e professor, pintor, desenhador e gravador, autor de trabalhos de tapeçaria, Querubim Lapa é reconhecido sobretudo como um dos mais importantes ceramistas portugueses, com soluções plástica e tecnicamente inovadoras, destacando-se os seus inúmeros painéis para espaços públicos (assinalem-se, por exemplo, os painéis que criou para a Reitoria da Universidade de Lisboa, 1961, para a Avenida 24 de Julho, Lisboa, 1994, ou para a Estação Bela Vista, do Metropolitano de Lisboa, 1998). Da António Arroio, seguiu para a ESBAL para estudar escultura (concluiria também o curso de Pintura, mas só muito mais tarde, em 1978). Lá deu continuidade à sua formação e ao seu ativismo político. Depois de uma passagem breve pelas Belas Artes do Porto, mais liberais do que as de Lisboa, sempre sob intenso escrutínio da polícia do Estado Novo, Querubim Lapa regressou à capital para aceitar um lugar de professor na “sua” escola. Dirigiu ateliers de cerâmica na António Arroio durante 45 anos, marcando gerações de alunos com a sua dedicação e o seu fascínio pela arte e pelos materiais.