2023/07/06

Educação e Monarquia: D. João V (1689 – 1750)

 

D. João V (1689-1750), “o Magnânimo”, era filho de D. Pedro II e de D. Maria Sofia de Neuburgo. Casou em 1708 com D. Maria Ana de Áustria.

Este foi o monarca absoluto por excelência em Portugal, não tendo reunido Cortes durante todo o seu reinado. O principal ministro foi o Cardeal da Mota.


(Imagem de D. João V retirada da Internet)

Numa época de conflitos europeus, D. João manteve uma política de neutralidade, empenhando-se na defesa dos interesses portugueses ao nível do comércio ultramarino. Neste sentido assinou o Tratado de Utreque em 1714 com França e Espanha para que a suserania de Portugal sobre o Brasil fosse reconhecida.

A chegada do ouro do Brasil marcou todo este reinado e permitiu um enorme investimento cultural, técnico, científico e educativo.

Tendo em conta a política de opulência, D. João V mandou edificar inúmeros edifícios, procurando transformar Lisboa numa capital europeia de prestigio. Podem referir-se alguns projetos como a Igreja do Menino Deus, edificada em 1711 e a reconstrução da zona do Terreiro do Paço. O grande edifício da época foi sem dúvida o Palácio de Mafra e o Mosteiro, o maior monumento do barroco português – o Barroco Joanino. As obras iniciaram-se em 1717 sob a orientação de João Frederico Ludovice.


(Imagem do Convento de Mafra retirada da Internet)

Com a construção do Convento de Mafra houve necessidade de recorrer a escultores estrangeiros. A. Giusti, escultor italiano começou a dirigir a Escola de Escultura de Mafra em 1753. O Convento também funcionou como Casa de Risco, orientada por João Frederico Ludovice. A Casa do Risco de Lisboa, deverá ter-se tornado insuficiente para a procura.

Houve, assim, uma renovação das artes devido à vinda de pintores e técnicos desenhadores que ensinaram os operários nas construções. Estas alterações verificaram-se não só ao nível arquitetónico, mas também ao nível das artes decorativas, pintura, escultura, ourivesaria, mobiliário, azulejaria e talha dourada.

A importância dada por D. João V à cultura levou-o a construir a chamada Biblioteca Joanina (1717 – 1728) da Universidade de Coimbra e a Torre da Universidade, concluída em 1733. Como forma de promover o estudo e a investigação aumentou a verba da Universidade para a compra de livros.


(Imagem da Biblioteca Joanina retirada da Internet)

Entre 1730 e 1740 construiu-se o Aqueduto das Águas Livres que prendia trazer água até à capital. O arquiteto responsável foi Manuel da Maia. Também o Miradouro de São Pedro de Alcântara foi edificado neste período.  


(Imagem do Aqueduto das Águas Livres retirada da Internet)

O projeto mais extravagante foi a Capela de São João Batista, projetada por Nicola Salvi e Luigo Vanvitelli. Foi construída em Roma e posteriormente transportada para Lisboa para ser montada na Igreja de São Roque.

A produção literária foi uma das formas de afirmar Portugal como grande nação, abordando temas como a história, a geografia ou a língua portuguesa. Com este objetivo foi fundada a Real Academia Portuguesa de História em 1722. A obra de maior relevo da Academia foi a História Genealógica da Casa Real Portuguesa da autoria de António Caetano de Sousa. Destacaram-se autores como Jacob de Castro Sarmento, António Ribeiro Sanches, Francisco Xavier de Oliveira.

A música foi outra das áreas de investimento deste reinado.com a fundação de um seminário de música em 1713. D. João V introduziu a ópera italiana em Portugal, cerca de 1730 e mandou construir um teatro de ópera no Palácio de Belém em 1739.

As ciências foram igualmente privilegiadas pelo monarca, sobretudo a medicina, com traduções de obras estrangeiras. Em 1731 foi fundada uma escola de cirurgia no Hospital Real de Todos os Santos, em Lisboa e em 1746, foram aprovados os estatutos de uma academia cirúrgica no Porto. As outras ciências não tiveram desenvolvimentos particularmente notórios devido ao papel da Inquisição.

A necessidade de uma instrução popular generalizada e gratuita começou a tomar forma durante o reinado de D. João V, apoiado pelas ideias de Martinho de Mendonça (1693 – 1743) e de Luís António Verney (1713-1792) através do Verdadeiro Método de Estudar.

Martinho de Mendonça foi um pedagogo cuja preocupação se centrava no processo de aprendizagem que deveria ocorrer em espaços que motivassem a criança, fomentando a sua curiosidade natural. Os livros utilizados deviam ter imagens que captassem a atenção dos alunos. A leitura foi igualmente objeto de estudo e o pedagogo sugeriu a utilização de jogos e atividades lúdicas para auxiliar neste processo. O perfil do professor poderia condicionar a aprendizagem e, desta forma, Martinho de Mendonça mostrou-se contra os mestres autoritários e despóticos.

Por seu lado, Verney afirmou que as crianças só teriam condições para a aprendizagem a partir dos 7 anos. Apesar destas teorias, a prática demonstrava o contrário: educação rígida, severa e autoritária.

No que respeita aos Mestres-Escola, a sua diversidade era notória até meados do século XVIII, uma vez que exerciam estas funções cumulativamente com outras atividades profissionais. Mesmo quando se dedicavam em exclusivo a esta profissão, a sua remuneração era variável e indeterminada. Todas as suas ações eram controladas e supervisionadas pela Igreja.

A vinda de estrangeirados para Portugal e a divulgação das novas ideias iluministas diminuiu a esfera de influência da Igreja. A instrução passou a estar cada vez mais sob a alçada estatal, estabelecendo-se um plano de rede escolar, consoante a densidade populacional. Criaram-se 479 escolas primárias que subiu para 526 em 1773. Mais tarde seria lançado um imposto sobre o consumo, o “subsídio literário”, que financiava estas escolas.


MJS


2023/07/03

Exposição virtual: "Arquitetura: Época Pré-Clássica e Clássica"

 

Nesta exposição, os quadros parietais fornecem uma visão geral e pormenorizada da arquitetura grega, romana e egípcia, destinados à visualização em contexto das aulas de História da Arte.

A produção artística grega caracterizou-se por uma unidade ideológica e morfológica que privilegiou duas vertentes: a dimensão humana e o racionalismo. Os primeiros templos foram construídos cerca do século VII a. C., assumindo uma forma estrutural estandardizada: o trílito – dois pilares de apoio encimados por um elemento horizontal. Desenvolveram-se três sistemas formais – a ordem dórica (mais simples), a ordem jónica (capitel com duas volutas) e a ordem coríntia (mais ornamentada). Orientada para a construção de templos, a arquitetura grega foi bastante inovadora no que respeita à construção de teatros. O caráter público das construções gregas determinou as suas principais caraterísticas: a simetria, a harmonia, a monumentalidade, o equilíbrio e o rigor das formas, bem como a valorização da perspetiva e da proporcionalidade.

A arquitetura romana foi essencialmente prática, pragmática e realista, tendo absorvido a maior parte das características gregas. Uma vez que a cultura romana se orientava para a cidade e para os edifícios públicos e privados, podemos distinguir a construção de templos, termas, teatros e anfiteatros, bem como de aquedutos, banhos públicos, pontes, mercados, estradas, etc. Partindo do sistema de trílito grego, os romanos acrescentaram o arco, a abóbada e a cúpula que conferiram uma monumentalidade às construções.

A arte egípcia caracterizou-se pela unidade estética e continuidade estilística que se definiram desde os primórdios. O seu objetivo era a glorificação do faraó e do poder religioso. A arquitetura que chegou até nós tem uma natureza essencialmente religiosa: templos e túmulos. Inicialmente muito simples, os túmulos evoluíram para o seu formato icónico de pirâmide, abandonado durante o período dos Impérios Médio e Novo. Durante este período, a arquitetura orientou-se para a construção de templos, com uma larga avenida de acesso ladeada por esfinges, que conduzia à entrada do templo, onde se erguiam obeliscos. Os templos estavam divididos em três partes: o pátio (zona pública), a sala hipostila e o santuário.


Imagem parietal de arquitetura/Clássica

ME/400180/9

Escola Secundária Eng. Acácio Calazans Duarte

Imagem parietal de arquitetura clássica utilizada como apoio visual para as matérias de História e História da Arte. Podemos observar no lado esquerdo, uma cariátide; ao centro o Erecthéion, com o Pórtico das Cariátides e a Lanterna de Lísicrates. No lado direito encontra-se parte de um anfiteatro e, numa escala maior, parte de um templo dórico, vendo-se o envasamento, as colunas e parte do entablamento. Na parte inferior é visível um capitel coríntio e pormenor de decoração geometrizante.


Imagem parietal de arquitetura/Clássica

ME/401018/483

Escola Secundária de Bocage

Quadro parietal representativo da arte romana clássica. No quadro estão representados os seguintes elementos: do lado esquerdo a silhueta de uma ponte aqueduto, parte de uma basílica e um templo com pórtico e colunas jónicas. Ao centro vemos a Coluna de Trajano e no lado direito o Arco de Constantino, o Coliseu e a estátua de César Augusto. Na zona inferior esquerda observa-se um capitel compósito e parte de um friso decorativo com elementos vegetalistas.


Imagem parietal de arquitetura/Clássica

ME/402436/698

Escola Secundária de Passos Manuel

Quadro com cercadura fina dourada e cinzenta com fundo bege claro. Compõe-se de 14 pequenos quadros/imagens de tamanhos variados que documentam os vários espaços da casa grega, cortes das ordens gregas: dórica, jónica e coríntia, excertos de pinturas murais, perspetivas aéreas. As cores dominantes são o vermelho e o bege.


Imagem parietal de arquitetura/Clássica

ME/402436/699

Escola Secundária de Passos Manuel

Quadro parietal com cercadura estreita castanha com fundo bege claro. Apresenta várias imagens de plantas da casa romana, pinturas murais, mosaicos e capitéis. As cores predominantes são os vermelhos, castanhos, verdes e azúis.


Imagem parietal de arquitetura/Clássica

ME/402436/704

Escola Secundária de Passos Manuel

Quadro parietal com cercadura fina cinzenta e branca com fundo bege claro. O espaço está dividido em 9 quadros de dimensões variadas com os vários tipos de plantas e desenhos. As cores predominantes são o rosa, o cinzento, o verde-escuro e verde-claro e o castanho.


Imagem parietal de arquitetura/Egípcia

ME/401018/481

Escola Secundária de Bocage

Quadro parietal representativo da arte egípcia. No quadro está representado um obelisco com inscrições hieroglíficas, a fachada de um templo (pilone) à frente do qual se perfilam dois grupos de pequenas esfinges, duas colunas, uma de capitel lotiforme e outra de capitel palmiforme. Ao fundo, no cimo vislumbram-se as pirâmides. Na parte inferior esquerda aparece o busto da rainha Nefertiti, um padrão decorativo com elementos geométricos e o perfil de uma cadeira.


MJS



2023/06/30

Dos Livros e das Bibliotecas

 1 de Julho – Dia Mundial das Bibliotecas


(Imagem de José Luís Borges, junto de uma prateleira com livros. Do lado esquerdo pode ler-se: "Siempre imaginé el paraíso como una especie de biblioteca". Imagem retirada da internet)

«Todas as grandes bibliotecas começaram com um primeiro livro.»

«As bibliotecas são a ténue linha vermelha entre a civilização e a barbárie.»

«Uma das maiores e mais valiosas aprendizagens do homem, foi ter aprendido a ler.»

«Um bom livro é como um bom amigo que te ajuda a ver a vida sob outros pontos de vista.»

«Ler bons livros é como conversar com as melhores mentes do passado.»

«Pode-se cantar, falar, rir, chorar, gritar em silêncio… a isso se chama ler.»

«Ler, talvez não te faça mais inteligente, contudo, fará de ti menos ignorante.»

«Um leitor vive mil vidas antes de morrer; aquele que não lê, apenas vive uma.»

«Ler livros é o melhor passatempo que a humanidade inventou.»

«Uma criança que lê tornar-se-á um adulto que reflete.»

«Viver sem ler seria como viver sem viver.»

Faça da leitura um exercício diário!

 

Celebra-se a 1 de julho o Dia Mundial das Bibliotecas, efeméride que visa enaltecer a importância da leitura na educação e formação das pessoas.

 

A leitura desempenha um papel preponderante na promoção do desenvolvimento cultural, científico, político e, consequentemente, económico e social dos povos e das pessoas.

 

Para celebrar o Dia Mundial das Bibliotecas comece a ler um livro, os benefícios são muitos; segundo a ciência: alarga o vocabulário, desperta a inteligência, previne doenças, reduz o stress. Ler é um hábito que pode e deve ser cultivado!

 

Fonte: World Wide Web.

Compilação e edição: JMG


2023/06/29

Recursos Bibliográficos usados na elaboração do Analítico Liceu Sá de Miranda, Braga (Parte 2)

 

(Imagem da fachada do Liceu Nacional Sá de Miranda, Braga, retirada da internet)

Publicações do Liceu:


    - Jornal Académico. Braga:  Liceu Nacional de Braga, 1877-1878

    - Homenagem do Luso-Independência. Braga: Liceu Nacional de Braga,1884. (n.º único).

    - A Academia de Braga às damas bracarenses. Braga: Liceu Nacional de Braga, 1885. (n.º único).

    - A escola. Braga: Liceu Nacional de Braga, 1885.

(em benefício da Sociedade Filantropa da Academia Bracarense por ocasião da sua quermesse, n.º único).

    - Homenagem da Academia Bracarense aos Heróis de 1640. Braga: Liceu Nacional de Braga, as. 1890 ; 1892 ; 1894 ; 1895 ; 1903 ; 1905; 1932.

    - A pátria. Braga:  Liceu Nacional de Braga, 1892-1894

    - A alma nova. Braga: Liceu Nacional de Braga, 1893

    - O canto do académico, Braga: Liceu Nacional de Braga, 1893

    - O gigante. Braga: Liceu Nacional / Central de Braga, 1897

    - Alma Pátria. Braga: Liceu Nacional / Central de Braga, 1897. (n.º único).

    - Gratidão. Braga: Liceu Nacional / Central de Braga, 1900. (n.º único).

    - O lusíada. Braga: Liceu Nacional / Central de Braga, 1914-1916

    - A carapuça, Braga: Liceu Nacional / Central de Braga, 1916

    - ABA - Academia de Bracara Augusta, Liceu Nacional de Braga, 1968-1974

    - Dois pontos. Liceu Nacional de Braga, 1972-1974

    - Comemoração do 1.º de Dezembro. Braga: Liceu Nacional de Braga, (s.d.). (n.º único).

 

 

Bibliografia utilizada:

 

 

ARQUIVO DA CÂMARA MUNICIPAL. Livros de Actas das Sessões da Câmara Municipal de Braga. Braga: Arquivo da Câmara Municipal, (s. d.).

 

AZEVEDO, Rodrigo (1993). “Os alunos do Liceu de Braga durante a 1.ª República”. In: Bracara Augusta, vol. 44, pp. 197-245.

 

AZEVEDO, Rodrigo (1999). “Experiências de exploração dos arquivos escolares - o caso do arquivo da Escola Secundária Sá de Miranda.” In: Para a História do ensino liceal em Portugal (actas dos Colóquios do I Centenário da Reforma Jaime Moniz, 1894-1895), pp. 79-103.

 

AZEVEDO, Rodrigo (1999).  “Os Liceu de Braga e a Reforma Jaime Moniz”. In: Bracara Augusta, vol. 44, pp. 105-129.

 

CONSELHO SUPERIOR DE INSTRUÇÃO PÚBLICA. Relatório do Comissário Reitor ao Conselho Superior de Instrucção Pública. Lisboa: Arquivo nacional Torre do Tombo (deposit.), 1895.

 

O CONSTITUINTE, n.º 179 (15 abr. 1882).

 

ESCOLA SECUNDÁRIA DE SÁ DE MIRANDA. Livros do Copiador de Correspondência Expedita. Braga: Arquivo da escola Secundária de Sá de Miranda, [s. d.).

 

ESCOLA SECUNDÁRIA DE SÁ DE MIRANDA. Livro de Actas das Sessões do Conselho Escolar do Liceu. Braga: Arquivo da Escola Secundária de Sá de Miranda, (s. d.).

 

LICEU NACIONAL DE BRAGA. Liceu Nacional de Braga, 1836/1986. Braga: Escola Secundária Sá de Miranda, (s. d.).

 

LICEU NACIONAL / CENTRAL DE BRAGA. Anuário do liceu de 1924/25. Braga: Liceu Nacional / Central de Braga, (s. d.).

 

LICEU NACIONAL DE BRAGA. “Relatório do reitor, ano lectivo de 1845/1846”.  in: Livro n.º 1 de copiador de Correspondência Expedita, (s. d.).

 

LICEU DE SÁ DE MIRANDA. Relatório do reitor de 1932/33 do Liceu de Sá de Miranda. Lisboa: Arquivo Histórico do Ministério da Educação (deposit.), (s. d.).

 

LICEU NACIONAL DE SÁ DE MIRANDA. Relatório do Liceu Nacional de Sá de Miranda referente ao ano escolar de 1938/39. Lisboa: Arquivo Histórico do Ministério da Educação (deposit.), (s. d.).

 

MOTA, António Augusto Riley (1945). “Liceus de ontem e liceus de hoje”. In: Liceus de Portugal, Boletim da Acção Educativa do Ensino Liceal, n.º 47 (nov. 1945), pp. 75-82.

 

PARDAL, José Manuel (1992). “Os piolhos-galinhas”. In: Associação Académica da Universidade do Minho, 1992.

 

O PROGRESSISTA, n.º 236 (22 mar. 1985).

 

O PROGRESSISTA, n.º 346 (5 de maio 1986).

 

 P. M. 

 

 

Azevedo, Rodrigo (2003). Liceu Sá de Miranda (Braga). In: Liceus de Portugal: histórias, arquivos, memórias. Lisboa: Edições Asa, pp. 138-141.

 

 

 

2023/06/26

Resumo do Artigo Liceu Sá de Miranda, Braga de Rodrigo Azevedo (Parte 1)

 

(Imagem da fachada do Liceu Nacional Sá de Miranda, Braga, retirada da internet)

Rodrigo Azevedo em Liceus de Portugal destaca dois Decretos-Lei que estão na base da criação do Liceu Sá de Miranda: 1836 (decreto-Lei de 17 de novembro) e 1844 (Decreto-lei de 20 de setembro). O início de funcionamento do liceu foi no ano letivo de 1845/46.

 

 Este liceu, como todos os liceus nacionais, sofreu várias designações:

    - Nome de origem:  Liceu Nacional de Braga;

    - A partir de 1896: Liceu Nacional / Central de Braga,

    - A partir de 1936: Liceu Nacional de Sá de Miranda;

    - A partir de 1947: Liceu Nacional de Braga.

 

Na sua origem, esta escola tem uma frequência exclusivamente masculina, ainda assim, temos de considerar a frequência de 6 alunas - uma em 1894, outra em 1896 e 1899 e três em 1901. A sua localização, a partir de 1845, instala-se no Convento dos Congregados do Oratório e em 1921 no edifício do Colégio do Espírito Santo (principais remodelações a partir de 1929).

 

O Liceu contou com as seguintes associações:

    - Associação de estudantes (desde 1872);

    - Associação de ex-alunos (s. d.);

    - Caixa Escolar (1912-1943).

 

Reitores do liceu: 


    - António Maria Pinheiro - 1845-1870;

    - Luís Costa Pereira - 1870-1876;

    - Domingos Moreira Guimarães - 1876-1881;

    - Francisco José Vieira de Brito - 1881-1885;

    - José Alves de Moura - 1886-1890;

    - Francisco José Vieira de Brito - 1890-1892;

    - Júlio Celestino da Silva - 1892-1895;

    - António José da Silva Correia Simões - 1895-1897;

    - Gonçalo José Fernandes Vaz - 1897-1900;

    - António José da Silva Correia Simões - 1900-1904;

    - José Alves de Moura - 1904-1906;

    - José Martins Barreto Júnior - 1906-1912;

    - Alfredo Machado - 1912-1913;

    - António Luís Machado Guimarães - 1913-1914

    - Alfredo Machado - 1914;

    - António Ferreira Botelho - 1914-1916;

    - José Martins Barreto Júnior - 1917-1918;

    - António Ferreira Botelho - 1918-1919;

    - Raúl Correia Barbosa - 1918-1919;

    - José Martins Barreto Júnior - 1920;

    - António Ferreira Botelho - 1920-1926;

    - José Martins Barreto Júnior - 1926-1927;

    - Alfredo Tenório de Figueiredo - 1927;

    - José Martins Barreto Júnior - 1927-1928;

    - Francisco Eusébio Fernandes Prieto - 1928-1947;

    - Francisco Miranda de Andrade (Vice-reitor) - 1947-1948;

    - Feliciano Ferreira Ramos - 1958-1966;

    - Armando Amaral Soares (Vice-reitor) - 1967;

    - Joaquim Loureiro de Amorim (Vice-reitor) - 1968-1974.

 

O analítico de Rodrigo de Azevedo elenca apresenta uma listagem de todos os reitores que fizeram parte da escola até 1974, por sua vez, a Divisão de Serviços da Documentação e de Arquivo da Secretaria-Geral da Educação e Ciência apresenta-nos um fundo arquivístico de alguns desses mesmos reitores; cuja organização das séries documentais inventariadas segue a estrutura adotada pela Portaria de Gestão de Documentos n.º 1310/2005, de 21 de dezembro.

 

Esta documentação é, em si mesmo, um repertório de extrema importância para a avaliação pedagógica e inventariação de modos de ensino. Notamos que, grosso modo, esta documentação cujo cota e âmbito cronológicos apesentamos no quadro seguinte, são estruturas essenciais para reconstruir a história da escola e das politicas educativas adotadas:

 

 

Âmbito cronológico:

Cota:

 

 

1937-[s.m.]-[s.d.] / 1938-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0003/00016

1958-[s.m.]-[s.d.] / 1959-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0056/00505

1949-[s.m.]-[s.d.] / 1950-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0035/00250

1947-[s.m.]-[s.d.] / 1948-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0030/00188

1936-[s.m.]-[s.d.] / 1937-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0063/00566

1950-[s.m.]-[s.d.] / 1951-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0037/00280

1933-[s.m.]-[s.d.] / 1934-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0064/00580

1951-[s.m.]-[s.d.] / 1952-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0039/00309

 

 

Os relatórios de reitor, grosso modo, são uma apreciação das condições pedagógicas das instalações e do material de ensino; emissão de pareceres didáticos; estudo do rendimento do ensino em cada liceu e sua correlação com os professores; elaboração de estatísticas; classificação do serviço dos professores; realização de inquéritos e sindicâncias; instrução de processos movidos a professores, etc.

 

P. M. 

 

 

Azevedo, Rodrigo (2003). Liceu Sá de Miranda (Braga). In: Liceus de Portugal: histórias, arquivos, memórias. Lisboa: Edições Asa, pp. 118-137.

 

 

2023/06/22

Exposição virtual: "Azulejaria dos séculos XVII e XVIII na Escola Artística António Arroio"

 

O azulejo é uma peça de cerâmica, de forma geralmente quadrada (15 x 15 cm), com uma das faces vidrada e brilhante. Trata-se de um ex-libris da cultura portuguesa, seja monocromático ou policromático, seja liso ou em relevo. Foi utilizado no revestimento de superfícies interiores ou exteriores ou apenas como elemento decorativo isolado. Deriva da palavra árabe “azzellj”, pequena pedra polida.

O azulejo foi usado com maior consistência a partir do reinado de D. Manuel I. Ganhou características únicas devido à diversidade de povos e influências do Império Ultramarino Português e seguiu caminhos artísticos diferenciados.

Durante o século XVI desenvolveu-se a técnica da majólica, importada de Itália. Outra inovação foi o uso dos “enxaquetados”, que se dispõem de forma axadrezada, criando uma interessante dinâmica visual. Por sua vez, o azulejo padrão, apostou na repetição de formas geométricas em grandes superfícies.

No século XVII a produção de azulejos diminuiu, mas regressam no período da Restauração influenciados pelas tendências indianas, persas e chinesas, sobretudo ao nível da cor dominante que é o azul. Tornam-se mias ornamentados e diversificados. Surge assim o chamado “azulejo de tapete” com representações fantásticas e religiosas. A nobreza investiu na construção de palácios revestidos de azulejos com cenas policromáticas.

O barroco trouxe o exuberante para a estética do azulejo que sofrem alterações na volumetria e nos temas. O Rococó traz de volta a policromia com o amarelo, o verde o violeta e o azul cobalto. Após o terramoto de 1755, o azulejo padrão volta a ser produzido em massa devido à necessidade urgente de reconstrução da capital.

Após as invasões francesas e as guerras liberais, o azulejo retomou em força com uma identidade cosmopolita e urbana. Existem dois núcleos de produção principais no país: em Lisboa, a Fábrica Viúva Lamego e no Porto, a Fábrica de Cerâmica das Devesas.

A introdução da Art Nouveau na viragem para o século XX diversificou a produção deste material. Com a ditadura vários nomes se destacaram como Maria Keil, Júlio Resende, Júlio Pomar, Sá Nogueira, Abel Manta ou Eduardo Nery.

Nesta exposição destacam-se alguns fragmentos de azulejos dos séculos XVII e XVIII que se encontram na Escola Artística António Arroio e que continuam a servir de inspiração para novos e atuais trabalhos.


Azulejo

ME/404172/261

Escola Secundária Artística António Arroio

Azulejo de origem portuguesa datado do século XVII. Trata-se de um conjunto de dois azulejos, fragmentos de um painel, onde se encontra representada, parcialmente, uma figura masculina. Está pintado em tons de azul sobre fundo branco. O revestimento é vidrado.


Azulejo

ME/404172/249

Escola Secundária Artística António Arroio

Azulejo de origem portuguesa datado do século XVII. Trata-se de um fragmento de um painel de azulejos, mais concretamente de um friso em azul, sobre fundo branco. O revestimento é vidrado.


Azulejo

ME/404172/247

Escola Secundária Artística António Arroio

Azulejo de origem portuguesa, datado do século XVIII. Trata-se de um fragmento de um painel de azulejos pintado a azul, branco e amarelo. O revestimento é vidrado.

 

Azulejo

ME/404172/244

Escola Secundária Artística António Arroio

Azulejo de origem portuguesa, datado do século XVIII. Trata-se de um fragmento de um painel de azulejos pintado a azul, branco e rosa. O revestimento é vidrado.


Azulejo

ME/404172/242

Escola Secundária Artística António Arroio

Azulejo de origem portuguesa, datado do século XVIII. Trata-se de um fragmento de um painel de azulejos com motivos florais pintados a azul e branco, sobre um fundo amarelo. O revestimento é vidrado.


Azulejo

ME/404172/243

Escola Secundária Artística António Arroio

Azulejo de origem portuguesa, provavelmente dos séculos XVII ou XVIII. Trata-se de um fragmento de um painel de azulejos, mais concretamente de um friso em azul, sobre fundo branco. O revestimento é vidrado.


MJS




2023/06/19

Educação e Monarquia: D. Pedro II (1648 - 1706)


D. Pedro II (1648-1706), “o Pacífico”, era o filho de D. João IV e de D. Luísa de Gusmão, irmão do anterior monarca, D. Afonso VI. Chegou ao poder através de um golpe palaciano.

Nas Cortes de 1668 foi nomeado regente do reino e, após a anulação do casamento de D. Afonso VI, casou com a cunhada, D. Maria Francisca. Neste ano foi assinada a paz com Espanha no Tratado de Lisboa.

D. Pedro só subiu ao trono em 1683, após a morte do irmão, ano em que faleceu a sua esposa. D. Pedro voltou a casar em 1687 com D. Maria Sofia de Neuburgo.

Ao nível interno foi um reinado marcado pelo incremento da economia interna, destacando-se a ação do Conde da Ericeira que impulsionou a indústria portuguesa.


(Imagem de D. Pedro II retirada da Internet)

Externamente, houve um envolvimento na Guerra da Sucessão Espanhola. As relações comerciais com Inglaterra também se reativaram através da assinatura do Tratado de Methuen.

Em 1674 convocou a Junta dos Três Estados pedindo apoio financeiro para a defesa da nação, sobretudo os territórios das colónias, onde os os navios enfrentavam graves perigos.

D. Pedro II, devido à chegada do ouro do Brasil, levou a cabo várias obras por todo o país. Ao nível do ensino artístico, em 1689, publicou o Regimento dos Mestres Architetos dos Paços Reais, um documento orientador do ensino da arquitetura civil. Os mestres deviam ter até 4 aprendizes e dar lições diárias.


MJS