2013/03/13

Peça do mês de março




Imagem parietal de pesos e medidas

Quadro parietal utilizado para estudo dos pesos e medidas. Na zona superior tem desenhado um metro. No canto superior esquerdo apresenta uma tabela com os números divididos em triliões, biliões, milhões e unidades. Do lado direito existe um quadro com equivalências de medidas e por todo o quadro são apresentadas e identificadas imagens de metros, marcos itinerários, medidas para sólidos, pesos, balanças, termómetros, e outro tipo de instrumentos utilizados para medições. É da autoria de Manuel Pinto de Sousa. Está inventariado com o número ME/IASE/RNRE/21 e pertence ao espólio museológico do Instituto de Apoio Socioeducativo/Rede Nacional de Residências para Estudantes.
A Rede Nacional de Residências para Estudantes do ensino não superior foi criada em 1988, destinando-se a assegurar a igualdade de acesso ao ensino, criando iguais oportunidades para todos os estudantes. Esta rede dependia do presidente do IASE (Instituto de Apoio Socioeducativo). No que respeita às infra estruturas, as residências deveriam ter uma zona de dormir e sanitários, uma zona de serviços e uma zona sócio educativa, onde se incluem salas para refeições e convívio, sala de jogos, salas de estudo, bibliotecas e oficinas. Desta forma, o espólio museológico proveniente desta instituição inclui fundamentalmente placas indicativas, desenhos e material utilizado para decoração das salas.
A imagem parietal de pesos e medidas apresenta aos estudantes, através de imagens muito pormenorizadas, alguns instrumentos utilizados para medir diferentes grandezas. É o caso da cadeia de agrimensor, do metro articulado ou das fitas métricas. È apresentado um paquímetro, uma medidora e uma medidora automática de gasolina. Para medir o peso, o quadro mostra imagens de diferentes tipos de balanças (de Roberval, de precisão, romana, decimal, doméstica e automática) e de pesos (base hexagonal ou circular, caixa de pesos). São igualmente ilustradas as diferentes formas de medir sólidos e líquidos, bem como outro tipo de medidas díspares que podem ser aferidas pelo transferidor, báscula, barómetro, relógio, estere ou termómetro.

Bibliografia e informação adicional:

Rede Nacional de Residências para Estudantes/ Instituto de Apoio Sócio-Educativo, Lisboa, IASE, 1988



MJS

2013/03/06

Palácio das Laranjeiras


(Imagem do Palácio das Laranjeiras)


O Palácio Farrobo, mais conhecido por Palácio das Laranjeiras, foi mandado construir pelo Padre Bartolomeu Quintela, tio do 1º Barão. Contudo, foi o 2º Conde de Quintela, 1º Conde de Farrobo, quem promoveu no palácio os melhoramentos e embelezamentos que tanto deram que falar na Lisboa da época, na primeira metade do séc. XIX.

MEE


(Desdobrável com fotos interiores e exteriores, bem como informações acerca da história do Palácio das Laranjeiras)


(Desdobrável com fotos interiores e exteriores, bem como informações acerca da história do Palácio das Laranjeiras)










2013/02/20

O Ensino Técnico-Profissional - Documentação





(Imagem com várias capas de livros do ensino técnico profissional)


Em Portugal, o ensino técnico-profissional constitui um dos ramos do ensino secundário, sendo o outro ramo o ensino liceal. Esta modalidade de ensino foi extinta em 1975 e fundido no ensino liceal, dando origem, por sua vez, ao ensino secundário unificado.

 “O ensino técnico-profissional (abreviadamente designado ETP) foi criado em Outubro de 1983 como uma experiência pedagógica. Criaram-se 42 turmas, em 42 escolas do país e dois tipos de cursos: técnico-profissionais (TP) de três anos de duração, conferindo um diploma técnico e com acesso “direto” ao ensino superior e cursos Profissionais (P) de um ano de duração seguido de seis meses de estágio complementar, em empresa. O acesso ao ensino superior também é legalmente garantido aos alunos pós-laboral. No ano letivo seguinte, 1984/85, o número de turmas passou para 200 em 106 escolas secundárias. Em 1985/86 elevou-se o número de turmas para 435 e o número de escolas para 135” (Azevedo, 1988:105).


(Capa da obra O Escritório Comercial)
Fonte: ENS. TEC. 19

Joaquim Azevedo, no estudo supracitado, descreve-nos a evolução quantitativa do ensino técnico-profissional. Em dois anos assistimos a um aumento de 182,7% de turmas do ensino técnico-profissional, ou seja, de 42 turmas passa-se para 435.

 A sublinhar que este aumento foi nos anos oitenta do século XX, mas, como é do foro do nosso conhecimento, as medidas legislativas mais importantes, em Portugal, relativas à criação e regulamentação do ensino industrial tiveram lugar na década de 1880, por iniciativa de dignatários, tais como António Augusto de Aguiar [1], Emídio Navarro [2], Eduardo José Coelho [3] e sucessivos ministros das Obras Públicas, Comércio e Indústria:

 “Sobre a história do ensino secundário em Portugal, recordamos que este se confundiu, durante décadas, com o ensino liceal, que evoluiu separadamente para o ensino técnico, remontando à ‘aula do comércio’, criada pelo Marquês de Pombal, em 1759 […]. Contudo, só em meados do século XIX é que o ensino técnico e profissional assumiu importância e significado com Fontes Pereira de melo (1852) e, mais tarde, com Emídio Navarro (1886, a que se deve a mais importante reforma no século passado […].” (Arrotela, 2008:311).

  

São, assim, criadas, em todo o país, escolas industriais, algumas tendo obtido destaque pelos conteúdos programáticos e pedagógicos dos seus currículos, pela componente prática do seu ensino e pela excelência e relevo dos seus professores, muitos deles contratados por concursos internacionais. Por exemplo, Augusto de Aguiar é o criador das escolas industriais e de desenho industrial, pelo Decreto de 3 de janeiro de 1884, e do respetivo Regulamento, datado de 6 de maio do mesmo ano.

O ensino técnico teve um grande incremento, durante o Estado Novo, sobretudo a partir da publicação do Decreto n.º 37 029 de 25 de agosto de 1947 que estabelece o Estatuto do Ensino Técnico Industrial e Comercial.



*              *

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O índice de títulos seguidamente apresentado, indica 131 títulos monográficos sobre o ensino técnico, ordenados por título e com a respetiva cota. A pertinência e atualidade dessa documentação estão circunscritas à história da educação, com uma dispersão de valores que vão desde a década de 1940 até à de 1980. Os conteúdos são vários, tantos quantos as necessidades curriculares da época: anuários, bibliografias, topografia, pedagogia, mineralogia, etc. Todos os documentos estão em livre acesso na Biblioteca Histórica do Ministério da Educação e Ciência.








Bibliografia

 

ARROTELA, Jorge de Carvalho (2008). Educação e desenvolvimento: fundamentos e conceitos. [on-line]. Aveiro: Universidade de Aveiro.

[Consulta: 10 fev. 2013].

 

 

AZEVEDO, Joaquim (1988). “Dificuldades de implementação social do ensino técnico em Portugal”. [on-line]. La sociologie et les nouveaux défis de la modernisation; (1988), p. 105-118.

[Consulta: 10 fev. 2013].

 

 

BUENO, Maria Sylvia Simões (2002). “Ensino técnico-profissional no Brasil e em Portugal na perspectiva de integração regional” [on-line]: Revista Brasileira Est. Pedagogia; Vol. 83, N.º 203/204/205 (jan/dez. 2002), p. 44/50.

[Consulta: 10 fev. 2013].

 

 

GOULÃO, Maria José (1989). “O Ensino artístico em Portugal: subsídios para a história da Escola Superior de Belas Artes do Porto”. Mundo da Arte; Nº 3 (1989), p. 21- 37.

 

 

HEROLD, Bernardo J., CARNEIRO, Ana (ca 2003). Antonio Augusto de Aguiar, 1838 – 1887 [on-line].

 

 

RODRIGUES, Lúcia Lima, et al. (2010). A” intervenção do Estado no ensino comercial: o caso da Aula do Comércio, 1759 (I)” [on-line]: Contabilidade; TOC 118 (Jan. 2010), p. 39-48

[Consulta: 10 fev. 2013].

 

 

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­__________   (2003). “A Aula do Comércio: Primeiro estabelecimento de ensino técnico profissional oficialmente criado no Mundo?” [on-line]: Contabilidade; Nº 34 (Jan. 2003), p. 46-54.

http://www2.egi.ua.pt/xxiiaphes/Resumos/c%20Gomes%20&%20Lima.PDF [Consulta: 10 jan. 2013].

 

 

SANTOS, Isabel Cristina de Almeida (2008). Formação e emprego: representações de alunos e professores de uma Escola Profissional de Viseu sobre a relação Escola/Emprego – um estudo de caso [on-line]. Dissertação apresentada à Universidade Portucalense Infante D. Henrique para obtenção do Grau de Mestre em Administração e Planificação da Educação, Porto 2008.

[Consulta: 10 fev. 2013].

 

SANTOS, José Monteiro dos (ca 1950). O escritório comercial. Lisboa: Edição Escola Comercial Ferreira Borges.

 

 

VASCONCELOS, Emília Albertina Sá Pereira de (2010). Sofia de Sousa e o retrato.  Dissertação de Mestrado da História de Arte Portuguesa. Porto: Faculdade de letras da Universidade do Porto.

 

  

P.M. Lisboa, 20 de fevereiro de 2013

 


[1] “António Augusto de Aguiar nasceu em 1838, em Lisboa, e estudou ciências naturais na Escola Politécnica de Lisboa. Em 1861, ocupou o lugar de lente substituto, e, em 1865, o de lente-proprietário de química mineral, nesta mesma escola. Aguiar era 16 anos mais novo do que o seu colega Agostinho Vicente de Lourenço, mas quase contemporâneo no ingresso nos quadros da Escola Politécnica. Como não dispunha de meios financeiros, não teve oportunidade, contrariamente a Lourenço, de adquirir, formação no estrangeiro. Em 1864, foi também nomeado lente de química aplicada no Instituto Industrial de Lisboa, uma escola profissional onde eram ensinados assuntos técnicos, sendo conferidos graus de diferentes níveis, os quais não eram, todavia, equivalentes aos das universidades ou da Escola Politécnica. […] Em 1887, pouco antes de falecer, participa na reunião do Bureau International des Poids et Mesures, em Sèvres, na qualidade de delegado do governo português. Para melhor se compreender a intensa actividade política de Aguiar refira-se que, em 1862, aderiu à Maçonaria, e, em 1886, atingiu a posição de Grão-Mestre.  (Herold e Ana, ca 2003).
[2] Emídio Júlio Navarro (Viseu, 19 de Abril de 184416 de Agosto de 1905).Advogado, Conselheiro de Estado, Ministro das Obras Públicas (1886-1889), Jornalista e Escritor, Emídio Júlio Navarro nasceu em Viseu a 19 de Abril de 1844 e faleceu no Luso a 6 de Agosto de 1905.Foi deputado em várias legislaturas e eleito pela primeira vez por Avis, em 1879 e 1880, por Arouca em 1882 e 1884 e por Coimbra em 1887 e 1890.Como ministro das Obras Públicas produziu fecunda atividade desenvolvendo a viação: ampliou de forma notável o ensino técnico comercial, industrial e agrícola, mandou rasgar grande número das mais importantes estradas de Portugal, ampliou os serviços florestais, criando, protegendo, erigindo e consolidando tudo o que podia ser útil e indispensável ao urgente desenvolvimento do património nacional.
[3] Nasceu em Vilela do Tâmega, Chaves, em 1853. Formou-se em Direito, pela Universidade de Coimbra em 1861. Entrou na carreira da magistratura. Foi advogado em Chaves e governador civil de Bragança. Deputado em várias legislaturas pelo Partido Progressista. Ministro das Obras Públicas pela primeira vez em 23 de Fevereiro de 1889, em Outubro de 1904 e em Maio de 1905, desta vez abraçando a pasta do Reino. Após a proclamação da República afastou-se da política. Morreu em Lisboa a 5 de Abril de 1913.





2013/02/13

Peça do mês de fevereiro



Píxide

Píxide em prata martelada escurecida, constituída por base circular troncocónica elevando-se até ao nó em marfim, com a forma de anel de perfil angular, encimado por pequeno aro cilíndrico, liso, a que se segue a copa esférica com fino rebordo e com encaixe para a tampa. A tampa circular, de um único registo, é constituída por bordo liso e superfície superior ligeiramente elevada, sobrepujada por botão de preensão constituído por duas peças ovoides, dispostas paralelamente e unidas ao centro, tendo cada uma delas, a inscrição "X" e "P" sobrepostos (iniciais da palavra "Cristós"). Está inventariada com o número ME/400348/66 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho.
Esta escola foi criada em 1885 e as suas instalações situavam-se em Alfama, no Largo do Contador-Mor, tendo a designação de Escola D. Maria Pia. Era uma instituição direcionada para o ensino feminino tendo, no seu início, cerca de 45 alunas inscritas. Os primeiros quatro cursos ministrados foram lavores, tipografia, telegrafia e escrituração comercial. Em 1906, a escola passa a Liceu, sendo transferida, em 1911, para o Palácio Valadares no Largo do Carmo. Em 1917 passou a denominar-se Liceu Central de Almeida Garrett. As instalações continuavam a ser exíguas para a quantidade de alunas inscritas e em 1933-34 o Liceu Feminino de Maria Amália Vaz de Carvalho, é transferido para a Rua Rodrigo da Fonseca, onde se mantém até hoje. Em 1975-76, após o 25 de Abril, foram admitidas as primeiras turmas com elementos de ambos os sexos e a designação da instituição mudou para a que atualmente conhecemos.
A Píxide ou cibório vem do grego e significa “caixa”. Segundo o Secretariado Nacional de Liturgia “é mais ou menos sinónimo de patena, o vaso sagrado coberto com uma tampa, para conservar o Sagrada Reserva (Pão eucarístico). Também se chama “píxide” (ou teca) à caixinha mais pequena, com tampa, que se utiliza para levar a comunhão aos doentes”.
A píxide faz parte das chamadas “alfaias litúrgicas", ou seja, dos objetos usados no exercício da liturgia como, por exemplo, os vasos litúrgicos e os paramentos dos ministros. Nesta categoria também se considera a arte sacra, uma vez que se refere ao culto e ao uso sagrado. Este e outros objetos fazem parte de um espólio museológico significativo, utilizado no âmbito da disciplina de Religião e Moral.

Bibliografia e informação adicional:


Para consultar a história da Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho:




2013/02/06

O Astrolábio no Museu Virtual da Educação


(Imagem de astrolábio)

O astrolábio é um instrumento naval, utilizado em contexto das práticas pedagógicas nas aulas de Física, para demonstrações. De forma muito simples, a sua função era medir a altura e a posição dos astros acima da linha do horizonte.

Este instrumento é o resultado prático da aplicação de várias teorias desenvolvidas na antiga Grécia, tendo-nos chegado através da influência árabe.


(Imagem de astrolábio)


Existem vários tipos de astrolábios, como por exemplo, o astrolábio planisférico ou plano, um instrumento sofisticado de construção extremamente complexa. Permitia medir a altura das estrelas, calcular as horas através da posição do Sol, e prever a posição dos astros para determinado dia do ano e para determinada hora.

Apesar da grande variedade de modelos, é constituído essencialmente por uma peça de formato redondo, onde é colocada uma outra, também circular, onde se encontra a projeção da esfera celeste no plano equatorial. Em cima desta move-se uma “aranha”, que indica a posição das principais estrelas.


(Imagem de astrolábio)


Este instrumento era delicado, de difícil manuseamento e exigia grande complexidade de cálculos para ser utilizado. Desta forma, os navegadores portugueses construíram um tipo de astrolábio mais simples e que se vulgarizou na navegação: é o chamado astrolábio náutico.

Para ser utilizado no mar era mais sólido que o astrolábio plano e mantinha-se mais facilmente na posição vertical, mesmo em situações adversas.


(Imagem de astrolábio)


O seu formato pode variar, mas a base da construção é um aro graduado, com um eixo no centro que se encontra seguro por uma armação em cruz. Neste eixo roda uma mira, designada por medeclina. Permitia medir a altura dos astros, como a Estrela Polar ou o Sol ao meio-dia, e assim determinar a latitude.

 

Bibliografia:  


Museu da Ciência (2013) [em linha].

http://museudaciencia.inwebonline.net/default.aspx

[Consulta: 4 de Fevereiro de 2013]

 

Instituto Camões (2013) [em linha].

http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/e7.html

[Consulta: 4 de Fevereiro de 2013]

 

Universidade de Coimbra – Departamento de Matemática (2013) [em linha].

http://www.mat.uc.pt/~helios/Mestre/Guia/G01astro.htm

[Consulta: 4 de Fevereiro de 2013]

 

  

MJS



2013/01/30

O Ensino Técnico-Profissional - Origens



(Imagem de várias capas de livros do ensino técnico-profissional)


O ensino técnico corresponde a um nível de ensino médio realizado, normalmente, em escolas secundárias ou instituições educacionais que conferem diplomas profissionais. Lato sensu, este nível de ensino vocacional está orientado para a rápida integração do aluno no mercado de trabalho, com caraterísticas específicas que podem variar conforme o país e/ou sistema educativo.

Uma das primeiras reformas educativas, em Portugal, remonta à administração Marquês de Pombal (1750-1777), encontrando-se aí, grosso modo, as origens do ensino técnico-profissional, com a criação da Aula do Comércio em 1759. Três anos após, em 1762 no Porto, foi criada a Aula Náutica e, posteriormente, em 1779[1], a Aula de Debuxo e Desenho. Mais tarde, em Lisboa, em 1781 foi cria-se a Aula Régia de Desenho e Figura.

Através do Alvará de 19 de maio de 1759 é criada, em Lisboa, a Aula de Comércio pela Junta de Comércio.[2] Nasce, assim, em Portugal a primeira escola de comércio, que foi a primeira escola técnica criada no nosso país - a importância desta escola é inegável, na medida em que foi o primeiro estabelecimento de ensino técnico profissional oficialmente criado na Europa ou mesmo no mundo:

“A afirmação é que esta escola foi o primeiro estabelecimento de ensino oficial a ser criado no mundo especializado no ensino de disciplinas comerciais, incluindo a contabilidade por partidas dobradas. A afirmação é considerada como uma verdade aceite por muitas pessoas. Tem sido proferida em discursos sobre o ensino comercial em Portugal e sobre a legitimação da profissão contabilística, tanto em Portugal como fora de Portugal (por exemplo, em organismos externos, como a Union Européenne des Experts Comptables, Économiques et Financiers [UEC].” (Rodrigues, et al. 2010:40)

Para além desta afirmação de pioneirismo da modalidade do ensino técnico-profissional em Portugal (Rodrigues, et al. 2010:40) em relação á Europa, os documentos existentes sobre a Aula do Comércio poderão ajudar-nos a concluir que esta escola constitui uma revolução no ensino técnico-profissional na segunda metade do século XVIII. De fato, o ensino estava ligado às ordens religiosas e à universidade e passa a ser, agora, o governo Marquês de Pombal o responsável por um ensino vocacionado para as necessidades práticas – nesta escola eram lecionadas disciplinas que ainda hoje são básicas em qualquer curso de contabilidade, como bem nota Rodrigues, et al. (2003:534).



(Desenho a preto e branco representando uma torre, junto ao mar, com vários barcos - Aula Náutica)




Por isso mesmo, a Aula do Comércio teve uma existência de 85 anos que, por Decreto de 20 de setembro de 1854, esta aula foi anexada ao Liceu de Lisboa, com o nome de Escola de Comércio ou secção Comercial (não sobrevivendo ás reformas liberais de Mouzinho da Silveira).


A Aula de Náutica, criada através do diploma de 30 de julho de 1762, era dirigida pela Junta Administrativa da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro e ministrava uma instrução meramente prática — ensino técnico —, completada com ensinamentos a bordo das embarcações mercantis que faziam carreira para os domínios ultramarinos. A referida Aula marcou o início do ensino público na cidade do Porto e funcionou nas instalações do Real Colégio de Nossa Senhora da Graça dos Meninos Órfãos da cidade do Porto,[3] teve como primeiro professor António Rodrigues dos Santos, nomeado em 12 de Maio de 1764.

Se a Aula de Náutica visava sobretudo práticas de pilotagem, eis que surge a necessidade de desenhar máquinas e instrumentos de locomoção e navegação, assim mesmo, surge a Aula de Debuxo e Desenho que também funcionou no referido Colégio até 1802, ano em que foi transferida para o Hospício dos Religiosos de Santo António[4].

(Desenho a preto e branco representando o mar, com vários barcos - Aula Náutica)



A Aula de Debuxo e Desenho foi a primeira manifestação do ensino artístico na cidade do Porto, precursora de instituições como a Academia Portuense de Belas-Artes, a Escola Superior de Belas Artes do Porto e as atuais faculdades de Arquitectura e de Belas Artes da Universidade do Porto.

Em Lisboa, a 23 de agosto de 1781, surge a Aula Régia de Desenho e Figura[5] por iniciativa da Real Mesa Censória. Também aqui o ensino tinha um carácter muito elementar, bastando para ser-se admitido saber ler e escrever e conhecer simples operações de cálculo. O curso possuía apenas dois professores: um de desenho de história, ou de figuras e outro de desenho de arquitetura civil.

“No essencial, baseava-se na cópia de desenhos, gessos e outras gravuras. A sua inspiração era básica, pois, apenas era exigido aos alunos que viriam frequentar que soubessem ler, escrever e fossem capazes de realizar as quatro operações.” (Vasconcelos, 2010:7)”

Como verificamos, as raízes do ensino profissional mergulham em épocas distantes, encontram-se, como verificamos, ligadas às corporações de artes e ofícios ou mesmo a algumas congregações religiosas. Acima descrevemos e ilustramos três exemplos, não obstante, muitos outros poderiam ser apresentados, sobretudo, referentes ao ensino comercial e industrial. Em síntese:

(Desenho a preto e branco representando a fachada de um edifício onde circulam vários alunos - Aula de desenho de Figura e Arquitetura)


“Aula Régia de Desenho de Figura e de Arquitetura, criada na capital em 1781 é inspirada no projeto portuense, na qual se ministrava um ensino elementar, baseado na cópia de desenhos e relevos, e para cuja frequência se exigia apenas que o candidato soubesse ler, escrever e executar as quatro operações aritméticas. O processo de criação da Aula de Debuxo, intimamente ligado aos interesses dos homens de negócios do Porto e considerado ‘de particular felicidade, e adiantamento das fábricas mui industriosas que nella se erigem’, pressupunha um ensino artístico baseado no desenho e orientado para as suas aplicações práticas, no âmbito das manufaturas que dele dependiam. Tanto a Aula de Debuxo como a de Náutica eram mantidas à custa da cidade, uma vez que os ordenados dos lentes, substitutos e empregados eram satisfeitos pela décima dos acionistas da Companhia das Vinhas do Alto Douro, sendo já notável a indiferença dos poderes constituídos, face à proverbial clarividência e energia da burguesia portuense.” (Goulão, 1989:22)



Bibliografia


AZEVEDO, Joaquim (1988). “Dificuldades de implementação social do ensino técnico em Portugal”. [on-line]. La sociologie et les nouveaux défis de la modernisation; (1988), p. 105-118.
[Consulta: 10 jan. 2013].

BUENO, Maria Sylvia Simões (2002). “Ensino técnico-profissional no Brasil e em Portugal na perspectiva de integração regional” [on-line]: Revista Brasileira Est. Pedagogia; Vol. 83, N.º 203/204/205 (jan/dez. 2002), p. 44/50.
[Consulta: 10 jan. 2013].


GOULÃO, Maria José (1989). “O Ensino artístico em Portugal: subsídios para a história da Escola Superior de Belas Artes do Porto”. Mundo da Arte; Nº 3 (1989), p. 21- 37.


RODRIGUES, Lúcia Lima, et al. (2010). “A intervenção do Estado no ensino comercial: o caso da Aula do Comércio, 1759 (I)” [on-line]: Contabilidade; TOC 118 (Jan. 2010), p. 39-48
[Consulta: 10 jan. 2013].


_____________ (2003). “A Aula do Comércio: Primeiro estabelecimento de ensino técnico profissional oficialmente criado no Mundo?” [on-line]: Contabilidade; Nº 34 (Jan. 2003), p. 46-54.
http://www2.egi.ua.pt/xxiiaphes/Resumos/c%20Gomes%20&%20Lima.PDF [Consulta: 10 jan. 2013].


SANTOS, Isabel Cristina de Almeida (2008). Formação e emprego: representações de alunos e professores de uma Escola Profissional de Viseu sobre a relação Escola/Emprego – um estudo de caso [on-line]. Dissertação apresentada à Universidade Portucalense Infante D. Henrique para obtenção do Grau de Mestre em Administração e Planificação da Educação, Porto 2008.
[Consulta: 10 jan. 2013].


VASCONCELOS, Emília Albertina Sá Pereira de (2010). Sofia de Sousa e o retrato [on-line]: Dissertação de Mestrado da História de Arte Portuguesa. Porto: Faculdade de letras da Universidade do Porto.


P.M., 30 de janeiro de 2013




[1] Instituída pelo decreto-lei de 27 de novembro de 1779.

[2] O principal impulsionador da Aula do Comércio foi Sebastião de Carvalho e Melo, o primeiro-ministro de Portugal na época (mais conhecido pelo título por ele adquirido em 1769 - Marquês de Pombal). Em Londres, o Marquês de Pombal tinha ficado impressionado com as políticas mercantilistas que observou enquanto enviado especial do Rei D. João V na corte inglesa do Rei George II, durante o período 1738-1743. Durante esse período ficou claro para o Marquês de Pombal que para imitar o sucesso do mercantilismo britânico, para desenvolver o comércio e a atividade económica em Portugal, e para melhorar e expandir a classe dos mercadores, seria necessário criar a Aula de Comércio. A Aula de Comércio foi criada como parte de uma ampla agenda de reformas educacionais que foram implementadas na segunda metade do século XVIII pelo Marquês de Pombal com o objetivo de melhorar o estado geral da educação em Portugal. (Cf. Rodrigues, et al. 2003:51)

[3] Real Colégio de Nossa Senhora da Graça dos Meninos Órfãos da cidade do Porto também é conhecido, simplesmente, por Simplesmente Colégio dos meninos Órfãos. Esta denominação ficou a dever-se à existência de uma ermida nas proximidades do Colégio da invocação de Nossa Senhora da Graça, assim como aos objetivos assistenciais da instituição, fundada por Alvará Régio de D. João IV, datado de 30 de janeiro de 1650.

[4] Instalações da atual Biblioteca Pública Municipal do Porto, fundada em 1833 por ordem de D. Pedro IV, a Biblioteca ocupam as instalações do antigo Hospício dos Religiosos de Santo Antônio (Convento de Santo António da Cidade), edifício do século XVIII, hoje classificado como imóvel de interesse público – em 1842, tornando-se estabelecimento municipal em 1876. O seu acervo inicial reunia fundos bibliográficos provenientes de bibliotecas de ordens religiosas e de particulares.

[5] Também conhecida por Aula Régia de Desenho de Figura e de Arquitetura; Aula Régia de Desenho de Figura e de Arquitetura CivilCriação da Aula Régia do Desenho de Figura e Arquitectura Civil, etc.