2012/06/12

Peça do mês de Junho



Sineta

Sineta utilizada para chamar os alunos para as aulas, datada de 1935 e colocada no átrio da escola A peça pertence à Escola Secundária Dr. Júlio Martins, Braga, com o número de inventário ME/400531/109.

Em 1889 foi criada, em Chaves uma Escola Industrial, que absorveu a anterior Escola de Desenho Industrial. Orientada para o apoio à área industrial, o curriculum escolar contava com Aritmética e Geometria elementar, Português, Língua Francesa e Desenho industrial. Em 1891, devido à reorganização do ensino industrial e comercial por João Franco, a escola foi extinta. Em 1919, volta a ser criada uma Escola Industrial e Aula Comercial pela mão do ministro Júlio Martins, embora sem um edifício construído de raiz. Os cursos ministrados eram os de Serralharia Mecânica e de Carpintaria Civil. Em 1922 foi introduzido o curso de Trabalhos Femininos. Posteriormente, a escola passou a designar-se Escola Industrial e Comercial de Júlio Martins, funcionando nas antigas instalações da Escola de Desenho Industrial, onde permaneceu até 1961. Com a reforma do ensino em 1948 foram introduzidos mais cursos na Escola que passou a designar-se de Escola Industrial e Comercial de Chaves. Em 1978, a instituição volta a mudar de nome, adotando como patrono o Dr. Júlio Martins.

O sino, ou sineta, é um instrumento metálico, geralmente com formato de campânula, que contém uma peça metálica no seu interior denominada badalo. É utilizado para produzir sons mais ou menos fortes quando o badalo bate na campânula. Pode igualmente produzir som através de um martelo exterior.

Este objeto encontra-se mais associado à cultura católica, comandando a vivência diária das populações. Colocados nas igrejas anunciavam acontecimentos, como festas, atos religiosos, acidentes, entre outros. Neste caso, trata-se de uma sineta escolar, cuja função era igualmente marcar o tempo – a entrada e a saída das aulas.

 

 

Bibliografia e informação adicional:

http://www.geira.pt/museus/tema1/index.asp?id=15

 

 

Para consultar a história da Escola Secundária Dr. Júlio Martins, Braga:

http://esb3-drjuliomartins.org/inicio.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_Secund%C3%A1ria_Dr._J%C3%BAlio_Martins

 

 

MJS


2012/05/29

Programas escolares dos anos 90



Os currículos escolares estão em constante evolução, quer ao nível formal, quer ao nível do conteúdo, devido às mudanças políticas e sociais da sociedade. Diremos, a reelaboração sucessiva dos curricula deve-se, grosso modo, às reformas da educação e à consequente adequabilidade da escola à sociedade.

 

“Deste modo, entendemos o desenho curricular como um conceito mais global que origina os programas de diferentes disciplinas. Essa construção decorre dos movimentos de adaptação da Escola à realidade cultural, social, política e histórica. Esse efeito de reajustamento é fundamental porque explica uma parte significativa das dinâmicas de renovação curricular.” (Custódio, 2010:236)

 

Como afirma Custódio (2010:236), o desenho curricular é, por assim dizer, o grande responsável da conceção dos programas de diferentes disciplinas, sendo que a escola está em contante adaptação à sua realidade sociocultural e histórica – a escola de hoje é bem diferente da de outrora! 

 

“Cuidar para que haja uma melhor utilização dos recursos e programas disponíveis para a educação resultará em um maior rendimento, e poderá ainda atrair novos recursos. A urgente tarefa de satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem poderá vir a exigir unia realocação dos recursos entre setores. […] Agora, mais do que nunca, a educação deve ser considerada uma dimensão fundamental de todo projeto social, cultural e econômico.” (UNESCO, 1999)

 

A UNESCO (1999), a este respeito, declara que a utilização adequada de recursos – programas escolares – resultará em rendimento escolar e, sobretudo, no redimensionamento de novos projetos socioculturais. O conceito de currículo, assim entendido, como um conjunto de experiências intencionais de aprendizagem vs. ensino resulta, certamente, de uma panóplia de intensões e propósitos explícitos que, a seu modo, interferem no quotidiano da vida escolar.

 

Tendo em linha de conta a realidade sociocultural escolar e, em consonância com os objetivos da UNESCO, o Artigo 9.º (Centros de Recursos), Diário da República, 1.ª Série, N.º 202 de 1 de setembro de 1990, declara que:

 

“Ao abrigo do n.º 3 do artigo 41.º da Lei de Bases do Sistema Educativo, e sem prejuízo do cumprimento de um plano de apetrechamento das escolas progressivamente integradas na experiência, é instituída em concreto uma rede de recursos, que permita simultaneamente reforçar aquele apetrechamento, racionalizando a utilização dos respectivos recursos.” (D.R., 1.ª Série, 1999)

 

A Lei de Bases do Sistema Educativo[1], n.º 46/86, aprovada a 14 de outubro, define princípios fundamentais de organização e funcionamento do sistema educativo, incluindo, a partilha integrada de recursos e pedagogias. Os curricula, em si mesmo, trespassam qualquer tipo de investigações neutras, antes, traduzem-se em tradições seletivas, desencadeando, por este motivo, motivações políticas e sociais ao nível da história da educação. Protótipo destas perspetivas são, efetivamente, os programas escolares da década de noventa.[2]

 

Na esmagadora maioria, os problemas do ensino público da referida década pautam-se por um complexo conjunto sociocultural estreitamente ligado às preocupações estratégicas dos países membros da Comunidade Europeia. O Ministério da Educação, Direcção-Geral da Educação e Cultura (2007), no relatório Estrutura dos sistemas de ensino, formação profissional e ensino para adultos na Europa, delineia propósitos políticos sobre as referidas conjeturas educacionais:


A Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE), Lei n.º 46/86, de 14 de Outubro, ao estabelecer os objetivos e organização do ensino secundário, define-o como um ciclo único de ensino pós-obrigatório, com a duração de três anos, organizado segundo formas diferenciadas, orientadas quer para o prosseguimento de estudos, quer para a vida ativa, devendo ser assegurada a permeabilidade entre estas duas vias.

 

- A LBSE estabelece ainda os objetivos, as condições de acesso e modelos da organização da formação profissional, enquanto modalidade especial da educação escolar. Com o intuito de diversificar e aumentar a oferta de formação profissional, através de uma rede de escolas de iniciativa local, utilizando recursos públicos e privados, foram criadas, em 1989, as escolas profissionais (Decreto-Lei n.º 26/89, de 21 de Janeiro).

 

- O regime de criação, organização e funcionamento destas escolas foi objeto de alteração em 1998 (Decreto-Lei n.º 4/1998, de 8 de Janeiro), visando a consolidação das respetivas potencialidades no domínio do ensino profissional de nível secundário.

 

- A Portaria n.º 989/1999, de 3 de Novembro, alterada pelas Portarias n.º 698/2001 e n.º 392/2002, de 12 de Abril, estabelece o regime que regulamenta a criação, organização e funcionamento dos Cursos de Especialização Tecnológica (CET), cursos de formação pós-secundária, não superior. O Decreto-Lei n.º 88/2006, de 23 de Maio, revoga esta legislação e estabelece novas regras para a organização e funcionamento destes cursos.

 

Partindo deste pressuposto, os novos modelos de organização curricular dos anos noventa são, por assim dizer, frutíferos em publicações e na consolidação de programas formais para todos os cursos que reaparecem no ensino secundário, tanto nos práticos como nos mais teóricos. Formalmente, a importância deste material pedagógico poderá ser confirmada pela reedição consecutiva de alguns documentos (alguns programas são reeditados catorze ou mais vezes).

 

Na Secretaria-Geral do Ministério da Educação e Ciência, atualmente, estão a ser desenvolvidos esforços para garantir a disseminação de todas as fontes de informação respeitante aos programas escolares. Sendo que os programas da década de noventa, devido à sua grande disparidade de conteúdos, estão a ser, biblioteconomicamente, objeto de atenção especial.

 


Bibliografia:

 

 

Custódio, Pedro Balaus (2010). O novo Programa de Português para o 1º Ciclo do Ensino Básico: Orientações e Perspectivas [on-line]: Actas do I EIELP, 9 março 2010

<http://www.exedrajournal.com/docs/02/22-PEDROBALAUS.pdf> [Consulta: 15 janeiro 2012]

 

 

Diário da República, 1.ª Série, N.º 202 de 1 de setembro de 1990

<http://www.dre.pt/pdf1s/1990/09/20200/35503554.pdf> [Consulta: 15 janeiro 2012]

 

 

Ministério da Educação, Direcção-Geral da Educação e Cultura (2007). Estrutura dos sistemas de ensino, formação profissional e ensino para adultos na Europa [on-line]: Comissão Europeia, Eurydice

<http://eacea.ec.europa.eu/education/eurydice/documents/eurybase/structures/041_PT_PT.pdf> [Consulta: 15 janeiro 2012]

 

 

UNESCO (1990). Declaração mundial sobre educação para todos: satisfação das necessidades básicas de aprendizagem Jomtien, 1990 [on-line]. ED/90/CONF/205/1

<http://unesdoc.unesco.org/images/0008/000862/086291por.pdf> [Consulta: 15 janeiro 2012]

 

 

 

P.M.

 



[1] A Lei de Bases do Sistema Educativo foi aprovada pela Lei n.º 46/86, de 14 de Outubro, e alterada pelas Leis n.º 115/97, de 19 de Setembro, 49/2005, de 30 de Agosto, e 85/2009, de 27 de Agosto. As alterações introduzidas pela Lei n.º 115/97, de 19 de Setembro, visaram especialmente os seguintes aspetos: (i) O regime de acesso ao ensino superior, transferindo para as instituições de ensino superior a competência para, no quadro de um conjunto de princípios que fixou, definir o processo de avaliação da capacidade para a frequência, bem como o de seleção e seriação dos candidatos. (ii) O sistema de graus, atribuindo às instituições de ensino superior politécnico a capacidade para a atribuição direta do grau de licenciado. (iii) O sistema de formação de professores: (a) atribuindo às instituições de ensino superior politécnico a competência para a formação de professores do 3.º ciclo do ensino básico, em condições a definir; (b) Elevando o nível de formação dos educadores de infância e dos professores do 1.º ciclo do ensino básico do bacharelato para a licenciatura.

[2] O Programa Educação Para Todos nasceu em 1990, na sequência de uma Conferência Mundial realizada na Tailândia, tendo como objectivos proporcionar educação básica a todas as crianças e reduzir drasticamente o analfabetismo entre os adultos até ao final da década. O Fórum Mundial da Educação que decorreu em Dacar, no Senegal, em 2000, reafirmou o empenhamento na Educação Para Todos e determinou que até 2015 todas as crianças deveriam ter acesso a educação básica gratuita e de boa qualidade.


2012/05/22

Instrumentos de escrita no Museu Virtual da Educação

A invenção da escrita pode ser considerada uma das descobertas mais marcantes da humanidade. O ato de escrever exige suporte e instrumentos próprios para que possa ser realizado. Como tal, por instrumento de escrita entende-se qualquer objeto ou utensílio utilizado para o desenho de signos gráficos sobre um determinado suporte.

“A escrita faz de tal modo parte da nossa civilização que poderia servir de definição dela própria. A história da humanidade se divide em duas imensas eras: antes e a partir da escrita. [...] Vivemos os séculos da civilização da escrita. Todas as nossas sociedades baseiam-se sobre o escrito. A lei escrita substitui a lei oral, o contrato escrito substituiu a convenção verbal, a religião escrita se seguiu à tradição lendária. E, sobretudo não existe história que não se funde sobre textos” (Higounet, 2003).

 

Ainda assim, não nos cabe fazer uma análise da evolução dos materiais e dos suportes de escrita, mas sim uma breve descrição dos objetos deste tipo, utilizados em contexto escolar e presentes no Museu Virtual da Educação. O manuseamento de objetos de escrita por parte dos alunos é fundamental para a aquisição de competências ao nível da língua e da grafia.

A pena foi o instrumento de escrita por excelência, perdurando até aos nossos dias e estando ainda, simbolicamente, ligada à literatura. No entanto, os avanços tecnológicos que se fizeram sentir desde o século XVIII transformaram amplamente não só a aprendizagem da escrita, como também a generalização das canetas metálicas, dos aparos, do giz ou das lousas que tiveram um impacto enorme no ensino.


(Imagens de dois apara lápis)

 

Lápis de carvão e apara-lápis


Não existem exemplares dos chamados lápis de carvão no Museu Virtual, uma vez que se trata de um material de rápido desgaste. No entanto não poderíamos deixar de o mencionar pela importância que teve ao nível do ensino e da educação.

Uma das primeiras referências a este instrumento foi feita por Konrad von Gesner (1516-1565) que descreve um invólucro de madeira no qual era inserida a grafite. O fabrico industrial dos lápis teve início em 1760 através da fábrica fundada por Kaspar Faber, passando a designar-se, a partir de 1898 “Faber-Castel”. Em Portugal podemos apontar a fundação da Fábrica “Viarco” em 1936.

Face a outros instrumentos, o lápis apresentava a vantagem de poder ser afiado e facilmente apagado devido à invenção, posterior, do apara-lápis e da borracha.

Também não existem exemplares de borrachas no Museu Virtual, e o seu uso só foi divulgado a partir da segunda metade do século XIX, com a descoberta do processo de vulcanização desta matéria.

A produção de “afia-lápis” ou “apara-lápis” desenvolveu-se cerca de 1880, com a produção em massa de lápis. Elaborados em diferentes tipos de materiais e com diversos formatos, os afia lápis tornaram-se indispensáveis no processo de escrita.

As posteriores inovações na produção de lápis dizem respeito à melhoria da sua forma externa e acabamento.


(Imagens de canetas de aparo, com e sem estojo)

 

Caneta

As canetas de aparo, à semelhança do lápis, substituíram o uso da pena. No entanto, tinham de ser mergulhadas num recipiente com tinta, o tinteiro, que também passou a ter grande destaque no plano dos instrumentos de escrita.

A caneta de madeira com aparo metálico foi amplamente usada no meio escolar até a década de 1950, aquando da introdução da caneta esferográfica. O aparo condicionava a letra e a forma de escrita.


(Imagens de aparos para canetas)

A constante necessidade de mergulhar a caneta em tinta fez com que se levassem a cabo várias tentativas para juntar um depósito de tinta à caneta – a caneta de tinta permanente. Em 1884, Lewis Edson Waterman produziu pela primeira vez que caneta deste tipo, embora só viessem a ser comercializadas em maior escala no século XX.


(Imagens de tinteiros)

 

Tinteiro

O tinteiro tornou-se uma peça imprescindível com a difusão da caneta. Elaborado em diferentes materiais e com diferentes formatos, transformou-se num objeto eminentemente prático ou de distinção. O Museu Virtual da Educação dispõe de vários modelos elaborados em metal, vidro ou cerâmica pintada, de utilização ligada ao funcionamento das atividades letivas ou meramente decorativos.

O ato de escrever com pena implicava a incessante necessidade de a mergulhar num tinteiro – a este respeito, muito sublinham que esta rotina tornava a escrita irregular e morosa. O papel era um artigo precioso que devia ser usado com sabedoria e parcimónia para propósitos bem definidos.

 

A dificuldade com o reabastecimento de tinta começou a ser solucionada em fins do século XIX com o aperfeiçoamento das canetas-tinteiro, que tinham algum tipo de reservatório de tinta para garantir maior autonomia a quem escrevia. O problema nesse caso era o preço elevado que fazia delas, ao menos inicialmente, objetos de uso profissional e não uma ferramenta com a qual qualquer pessoa podia escrever. Os jovens escolares, por exemplo, continuaram, décadas afora, a escrever com a velha pena de metal, provocando, nas salas de aula, as frequentes, desastrosas e desastradas consequências que invariavelmente resultavam dos tinteiros entornados sobre as carteiras.


(Imagens de tinteiros)

 

Há ainda a acrescentar que o crescimento dos índices de alfabetização em grande parte do mundo ao longo da primeira metade do século XX provocou uma nova demanda por instrumentos de escrita que fossem, simultaneamente, baratos e confiáveis, demanda essa que só viria a ser plenamente satisfeita com a popularização das canetas esferográficas, um invento dos anos quarenta que se popularizou ao longo dos anos cinquenta.

 

Fato curioso a respeito das esferográficas e que vale a pena recordar é que o início de sua comercialização resultou em um fenômeno muito parecido, ao ocorrido recentemente em relação aos tablets, com filas de compradores ansiosos e todas as unidades postas à venda rapidamente esgotada.



(Imagens de mata-borrão)


 Mata-borrão

O mata-borrão era um instrumento utilizado em conjugação com o papel mata-borrão e destinava-se a absorver a tinta em excesso deixada pelas canetas de aparo ou penas ou para remover um borrão de tinta.

Geralmente em formato de peça oscilante, o mata-borrão fez parte do material escolar utilizado até aos anos 70.

O papel mata-borrão é um tipo de papel muito absorvente. É usado para absorver o excesso de substâncias líquidas, tal como tinta ou óleo da superfície do papel de escrita ou outros objetos.

Atualmente existe uma espécie de papel mata-borrão feito exclusivamente para fins de conservação. Quimicamente purificado, livre de lenhina, ácido e tamponado com carbonato de cálcio (pH 8,5). A este respeito veja-se os Procedimentos básicos para a conservação de documentos com suporte em pergaminho da Direção Geral de Arquivos (DGARQ).

 

 

Bibliografia:

 

FARIA, Maria Isabel ; PERICÂO, Maria da Graça (1988). Dicionário do livro: terminologia relativa ao suporte, ao texto, à edição e encadernação, ao tratamento técnico. Lisboa : Guimarães Editores.

 

 

DOMINGOS, Sónia (s.d.). Procedimentos básicos para a conservação de documentos com suporte em pergaminho [on-line]: Lisboa: [Direção-Geral de Arquivos], Divisão de Preservação, Conservaão [sic.] e Restauro

<http://dgarq.gov.pt/files/2008/10/norma_pergaminho.pdf>  [Consulta: Maio de 2012]

 

 

GOMES, Eduardo de Castro (2008). A escrita na História da humanidade [on-line].

<http://dialogica.ufam.edu.br/PDF/no3/Eduardo_Aspectos_da_escrita_na_Historia_da_humanidade.pdf> [Consulta: Maio de 2012]

 

 

HIGOUNET, Charles (2003). História concisa da escrita. 10.ª edição. São Paulo: Parábola Editorial.

 

 

PAIVA, Vera Lúcia Meneses de Oliveira (ca 2008) História do material didático [on-line].

<http://www.veramenezes.com/historia.pdf > [Consulta: Maio de 2012]

 

 

PORTAL SÃO FRANCISCO (2012). História do lápis [on-line]. Brasil: Colégio de São francisco

<http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/historia-do-lapis/> [Consulta: Maio de 2012]

 

 

PINHO, Fábio Assis (2006). Aspectos éticos em representação do conhecimento: em busca do diálogo entre Antonio García Gutiérrez, Michèle Hudon e Clare Beghtol [on-line]: Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Ciência da Informação.

<http://www.enancib.ppgci.ufba.br/premio/UNESP_Pinho.pdf > [Consulta: Maio de 2012]


 

MJS



2012/05/15

Peça do mês de Maio



Formação geológica


Modelo geológico que servia para estudo e observação nas aulas de Geografia e Geologia. Trata-se de um modelo de corte transversal do solo que representa formações geológicas, mais concretamente a estrutura de enrugamento. A peça pertence à Escola Secundária de Silves, com o número de inventário ME/400531/109.

A Escola Secundária de Silves foi inaugurada 1920 com a designação de Escola Elementar de Comércio e Indústria “João de Deus”, funcionando com duas secções: a secção de artes e ofícios (carpintaria, serralharia, marcenaria e trabalhos femininos) e a secção comercial (língua pátria, francês, inglês, aritmética, escrituração, contabilidade, teoria do comércio, direito comercial, entre outras). O seu primeiro diretor foi José Emílio de Mendonça Vila Lobos (1892 – 1972). O aumento significativo do número de alunos exigiu instalações de maiores dimensões e no ano letivo de 1930-31 a escola foi transferida para a Rua João de Deus com a designação de Escola Industrial e Comercial “João de Deus”. Em 1951, a instituição passou a denominar-se Escola Industrial e Comercial de Silves. As instalações definitivas foram inauguradas em 1959, no Largo da República. Em 1979 a escola passou a ter a designação pela qual é hoje conhecida, Escola Secundária de Silves.

Os modelos geológicos, utilizados para estudo da geomorfologia ou geodinâmica, permitem a visualização da superfície da crosta terrestre no que respeita ao relevo, e a análise das forças (endógenas ou exógenas), responsáveis pelas formas resultantes. No modelo apresentado, é possível visualizar as várias camadas estratigráficas. Existem outros que apresentam a dinâmica terrestre de forma mais realista.

De facto, a dinâmica terrestre resulta da interação de agentes de geodinâmica interna e externa, estudados por diversas ciências como a meteorologia, a hidrologia, a oceanografia, a geomorfologia ou a fisiografia. As manifestações visíveis do dinamismo terrestre são a atividade sísmica, a formação da crosta oceânica, montanhas ou vulcões.

 

 

Bibliografia e informação adicional:

http://www.infopedia.pt/$historia-geologica-da-terra

http://e-geo.ineti.pt/bds/lexico_geologico/default.aspx?letra=F

http://domingos.home.sapo.pt/form_mont_1.html

 

 

Para consultar a história da Escola Secundária de Silves:

http://www.essilves.pt/joomla/

 

 

MJS


2012/04/30

Diário de Sebastião da Gama - Escola Veiga Beirão, em Lisboa


(Retrato de Sebastião da Gama)


Em 11 de janeiro de 1949, Sebastião da Gama[1] tinha 24 anos e iniciava o seu estágio de professor na Escola Comercial de Veiga Beirão, em Lisboa. Este dia data a primeira página do seu “Diário” – foi há 63 anos e reza assim:


 

(Imagem de um excerto do Diário de Sebastião da Gama de 11 de janeiro de 1949. Do lado esquerdo encontra-se o original e do lado direito a transcrição)
 

 

  

                                                                                                                 

O Diário de Sebastião da Gama foi escrito em 1949, mas, publicado postumamente em 1958. Esta obra nasce do registo do estágio profissional de Sebastião da Gama, tutorado pelo metodólogo Virgílio Couto[2], na Escola Comercial de Veiga Beirão, em Lisboa. Ou como afirma Sebastião da Gama, no seu Diário (1958:171) da Veiga Beirão.

 

 


 

Segundo Silva (2010:1), o Diário é um interessantíssimo testemunho da experiência vivida deste poeta português enquanto estagiário da disciplina de português. Mediante a leitura da obra, torna-se evidente que, durante o estágio, Sebastião da Gama optou por organizar todos os conteúdos segundo a forma com que habitualmente se constroem e estruturam os diários íntimos e pessoais, de modo a tornar esta compilação num dos seus espaços e tempos de reflexão acerca da prática pedagógica:

 

“Este texto iniciador do Diário apresenta-se como uma declaração de intenções, como um programa próprio, como um perfil do que deve ser o professor, como deveria ser ele, Sebastião da Gama, enquanto professor, haja em vista o cruzamento das intenções do professor orientador do estágio e da visão que o novo professor perfilhava quanto à sua função – ‘vão ser as aulas de Português o que eu gosto que elas sejam’" (Ribeiro, 2010).

 

A mensagem central do Diário reside na criatividade do ato de ensinar: a referida obra é fruto de um relato das volatilidades da língua portuguesa, onde, por conseguinte, os ensinamentos ganham valor pedagógico.

 

“Através da leitura do Diário é possível identificar quatro aspetos que são essenciais para a caracterizar uma maneira própria de ser professor. Em primeiro lugar, o respeito pelo saber dos alunos […]. Em segundo lugar, um esforço permanente de relação e de negociação […]. Depois, o respeito pelas diferenças […]. Finalmente, a tentativa de transformar a aula num espaço e num tempo de camaradagem […].” (Nóvoa, 2003:614)

 

Como verificamos, Nóvoa (2003:614) apresenta, no Dicionário de educadores portugueses, uma visão humanista de Sebastião da Gama, sobretudo de respeito e de inter-relações humanas e espaciais. Entendemos, porém, que não poderemos resumir a ética pedagógica de Sebastião da Gama a esta dualidade, assim, destacamos logo na primeira página, acima transcrita, alguns conceitos e pedagogias, a saber:

 

                    I.            aprender descontraído (como quem brinca ou como quem se lembra de alguma coisa…);

                  II.            respeito pelo Outro (aceitar os rapazes como rapazes: deixa-los ser…);

                    III.            aprender de boa-fé (…até o barulho é uma coisa agradável, quando feito de boa-fé);

                IV.            aprender vs. felicidade (o que eu quero principalmente é que vivam felizes).

 

A primeira página do Diário de Sebastião da Gama é o alicerce e começo da sua pedagogia. Efetivamente, são aqui traçados os grandes pilares da sua didática, a qual, assenta em vetores humanos e epistemológicos, tais como: a respeitabilidade, a boa-fé e a felicidade.

 

Atendendo a este “epilogus pedagógico”, diremos, então, que a didática de Sebastião da Gama assenta em princípios judaico-cristãos – o respeito do outro como a si mesmo e o caminho da fé no reencontro da felicidade –, introduz, como verificamos, na sua pedagogia uma vitória sobre o individualismo metodológico.

 

“Em 1944, com vinte anos de idade, viveu um momento de grande e fundamental importância para a sua vida. Converte-se à fé crista, numa adesão total e plena de amor a Cristo e à Eucaristia, comungando pela primeira vez ca Capela de S. Luís dos Franceses, em Lisboa, na Festa do Espírito Santo.” (Santos, p. 16)

 

 

Assim sendo, o Diário do jovem professor é, atualmente, considerado um poema em prosa que, a seu modo, contém um acervo. Denotamos, assim, logo na primeira página e, ao longo de todo o seu Diário, que a fé cristã reestruturou toda a sua vida, inclusive a sua pedagogia.

   

Na Secretaria-Geral do Ministério da Educação e Ciência, contamos com alguns dos seus preciosos escritos, tais como: Diário; Cabo da Boa esperança; Pelo sonho é que vamos; Campo aberto; Serra-mãe: Poemas; Itinerário paralelo e O Segredo é amar.

 

 

 P.M.

 

 

 

 

Bibliografia:

 

 

GAMA, Sebastião da (1958). Diário. Lisboa: Ed. Ática.

 

 

NÓVOA, António (dir.) (2003). Dicionário de educadores portugueses. Lisboa: Ed. Asa.

 

Ribeiro, João Reis (2010). Sebastião da Gama: 60 anos sobre o Diário [on-line]: Jornal O sul.

<http://jornalosul.hostzi.com/index.php?option=com_content&view=category&layout=blog&id=59&Itemid=65> [Consulta: 30 de abril de 2012]

 

 

SANTOS, Alexandre Francisco Ferreira dos (2007). Sebastião da Gama: milagre de vida em busca do eterno: uma leitura de sua obra [on-line]. Dissertação de Mestrado

<http://repositorioaberto.uab.pt/bitstream/10400.2/610/2/2Dissertacao_SGama_texto.pdf> [Consulta: 30 de abril de 2012]

 

 

SILVA, Steven Marta da (2010). A importância das estratégias argumentativas para o ensino da filosofia: uma reflexão sobre a relação estabelecida entre estagiário, alunos e professora orientadora [on-line]. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa

<http://run.unl.pt/handle/10362/5261> [Consulta: 30 de abril de 2012]

 



[1] Sebastião Artur Cardoso da Gama nasceu a 10 de Abril de 1924, em Vila Nogueira de Azeitão. Nesta mesma vila fez a escola primária e prosseguiu os estudos liceais no Liceu Nacional de Setúbal e no Liceu Pedro Nunes em Lisboa. Aos catorze anos foi-lhe diagnosticada uma tuberculose óssea pelo que, por razões terapêuticas, passou a viver no Portinho da Arrábida e prosseguiu o currículo liceal no regime de estudo individual. Em 1942, matricula-se na Faculdade de Letras de Lisboa onde, em 11 de Julho de 1947, se licencia em Filologia Românica com a classificação de 17 valores, defendendo a tese sobre o tema “A Poesia Social do Século XIX”. Foi ainda enquanto estudante, em 1945, que editou o seu primeiro livro de poemas: Serra-Mãe. Terminado o curso em 1947, nesse mesmo ano é colocado como professor provisório na Escola Comercial e Industrial de João Vaz, em Setúbal. Também, em 1947, edita o seu 2º livro de poemas: Cabo da Boa Esperança. Permanecerá em Setúbal, como professor provisório, até Janeiro de 1949. É precisamente em 11 de Janeiro de 1949 que, inicia o estágio pedagógico na Escola Comercial de Veiga Beirão, em Lisboa. Por sugestão do seu metodólogo, inicia a escrita do Diário que, valendo-lhe como trabalho de estágio. É hoje considerado obra de leitura obrigatória para todos os professores. No ano lectivo de 1950/51 inicia as suas funções como professor efectivo da Escola Comercial e Industrial de Estremoz. É neste ano que publica o seu terceiro livro de poemas: Campo Aberto. Vítima de doença que o perseguia desde os catorze anos morre na madrugada do dia 7 de Fevereiro de 1952, no Hospital de S. Luís, em Lisboa.

 

[2] Virgílio Couto professor metodólogo, responsável pelo acompanhamento do estágio de Português de Sebastião da Gama na Escola Veiga Beirão. Nesta altura era também subdiretor da escola (cf. Diário do Governo, de 3 de Novembro de 1948). Foi autor de numerosas publicações de carácter didático, designadamente: Leituras (1948), Olhai Que Ledos Vão...: a história de Portugal contada na prosa e nos versos dos escritores portugueses (1958) e Mar Alto (1961). Alguns dos seus títulos foram adotados como manuais escolares.