2023/05/08

Resumo do Artigo Liceu Emídio Garcia, Bragança de Maria Isabel Alves Baptista (Parte 1)

(Imagem da fachada do Liceu Emídio Garcia, Bragança, retirada da internet)

Isabel Baptista, em Liceus de Portugal, apresenta algumas datas históricas referentes ao Liceu Emídio Garcia (Bragança), nomeadamente as da sua criação e início de funcionamento: 1836 (Decreto-lei de 17 de novembro); 1844 (Decreto-lei de 20 de setembro); 1853 (Portaria de 19 de maio). O início de funcionamento foi no ano letivo de 1853/54.

 

No que diz respeito às suas designações, o liceu de Bragança não teve mudanças significativas, a saber:


        - Nome de origem: Liceu Nacional de Bragança;

        - A partir de 1911: Liceu Central de Emídio Garcia;

        - A partir de 1828: Liceu Nacional de Bragança.

 

Na sua origem o referido liceu era de frequência masculina, só a partir do final do séc. XIX é que passa a ser misto. No que diz respeito às seções, temos a considerar em 1968 o desdobramento (8 turmas) para a o Edifício da Junta Distrital; em 1971 no Liceu de Mirandela e em 1974 assinala-se as seções liceal de Mogadouro e a seção Liceal de Mirandela do Douro.

 

A sua localização foi, primeiramente, em instalações provisórias, a partir de 1853 ocupa a ala nascente do Convento de S. Bento (conjuntamente com o Governo Civil, Tribunal, Alfândega, etc.), mais tarde, em 1867 o liceu passa a instalar-se no Antigo Hospital Militar. A partir de 1911 para além de continuar no Antigo Hospital Militar (chamado o Liceu de Baixo), ocupa também o Antigo Colégio dos Jesuítas (chamado o Liceu de Cima). A partir de 1927 fica apenas circunscrito ao Antigo Colégio dos Jesuítas e, posteriormente, em 1968 no Alto da Boavista.

 

Reitores do Liceu:

 

    - Eusébio Dias Poças Falcão -  1845-1849

    - Caetano Pinto de Oliveira Soares - 1849-1855;

    - Miguel Carlos de Novais e Sá - 1855-1861;

    - Albino Augusto Garcia de Lima - 1861-1868;

    - Cónego José Maria Lopo - 1868;

    - Augusto Garcia de Lima - 1868-1869;

    - José Manuel Pereira Lopes - 1869-1875;

    - João António Pires Vilar - 1975-1878;

    - Pe. José António Franco - 1878-1879;

    - João António Pires Vilar - 1878-1881;

    - Leopoldo Augusto Ramires 1881;

    - João Henrique Pinheiro - 1881-1886;

    - João António Pires Vilar - 1886-1896;

    - António Alberto Charula Pessenha - 1896-1897;

    - Pe. Francismo Manuel de Morais - 1897-1898;

    - António José da Rocha - 1898-1899;

    - João António Pires Vilar - 1899;

    - António Augusto Gonçalves - 1900;

    - José Marcelino de Sá Vargas - 1900-19004;

    - António Olímpio Cagigal - 1904-1906;

    - Abílio Augusto Madureira Beça - 1906;

    - Adrião Martins Amado - 1906-1910;

    - Francisco Manuel Vaz - 1910;

    - José Joaquim Pinto - 1910;

    - Adrião Martins Amado - 1910-1928;

    - António Augusto Pires Quintela - 1928-1945;

    - Eurico Pires de Morais Carrapatoso - 1945-1955;

    - Mário Abílio Costa - 1955-1959;

    - Manuel Lopes Silva - 1959-1962;

    - Domingo dos santos Rijo - 1962-1967;

    - Francisco Alvares Pires - 1967-1969;

    - Justino de Carvalho de Vasconcelos - 1970-1972;

    - Acácio Augusto Pereira da Cruz - 1972-1974.

 

A investigação de Maria Isabel Alves Baptista[1] refere-se exaustivamente aos reitores que fizeram parte da escola até 1974, por sua vez, a Divisão de Serviços da Documentação e de Arquivo da Secretaria-Geral da Educação e Ciência apresenta-nos um fundo arquivístico de alguns desses mesmos reitores; cuja organização das séries documentais inventariadas segue a estrutura adotada pela Portaria de Gestão de Documentos n.º 1310/2005, de 21 de dezembro:

 

Âmbito Cronológico:

 

Cotas:

PT/MESG/AAC/IEL/002/0002/00008

1935-[s.m.]-[s.d.] / 1936-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0002/00008B

---

PT/MESG/AAC/IEL/002/0002/00008A

---

PT/MESG/AAC/IEL/002/0054/00495

1957-[s.m.]-[s.d.] / 1958-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0058/00533

1959-[s.m.]-[s.d.] / 1960-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0065/00611

1946-[s.m.]-[s.d.] / 1947-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0064/0592A

1932-[s.m.]-[s.d.] / 1933-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0049/00409

1954-[s.m.]-[s.d.] / 1955-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0064/00592

1933-[s.m.]-[s.d.] / 1934-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0018/00116

1940-[s.m.]-[s.d.] / 1941-[s.m.]-[s.d.]

 

 

Associações do Liceu de Bragança:

    - Academia do Liceu de Bragança (s. d.). (associação de estudantes com caracter informal);

    - Solidárias da Mocidade Portuguesa (s. d.);

    - Grupo Beneficente (fundado pelo Reitor Manuel Pereira) - 1926/27.


P. M. 

 


 

Baptista, Maria Isabel Alves (2003). Liceu Emídio Garcia (Braga). In: Liceus de Portugal: histórias, arquivos, memórias. Lisboa: Edições Asa, pp. 142-1951

 

 



[1] Professora coordenadora na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Bragança, exercendo funções do Departamento de Supervisão da Prática Pedagógica de Educadores de Infância e Professores do Ensino Básico - 1.º Ciclo.

 

2023/05/04

Exposição virtual: " A Lâmpada no Museu Virtual da Educação"

 A lâmpada é um objeto de vidro, com um formato alongado ou de bolbo que produz luz artificial, por combustão, eletricamente ou por descarga. Ou seja, é um dispositivo que transforma energia elétrica em energia luminosa.

A iluminação que tem por base a corrente elétrica divide-se em 3 tipos de dispositivos: lâmpada de incandescência, lâmpada de descarga e lâmpada de arco. A lâmpada de incandescência consiste numa ampola de vidro hermética, no interior da qual se encontra um filamento e que se encontra cheia de um gás inerte que se torna incandescente por ação da corrente elétrica. Atualmente já caíram em desuso na Europa.

Na lâmpada de descarga, também designada por fluorescente, existem elétrodos e a energia luminosa obtém-se a partir de uma descarga elétrica num gás. A lâmpada de arco funciona através de uma corrente elétrica que percorre o intervalo entre dois elétrodos de carbono, mantidos com uma diferença de potencial elevada.

Atualmente o tipo de lâmpadas mais utilizadas são as LED (Light Emitting Diodes), com maior durabilidade e menor consumo de eletricidade. Não emitem calor e preservam o ambiente.

Nesta exposição são apresentados alguns modelos de lâmpadas com utilização diferente da produção de luz. É o caso da Lâmpada de Davy, criada para ser utilizada nas minas de carvão, apesar da presença de metano ou de outros gases inflamáveis, ou da lâmpada de arco voltaico. São instrumentos utilizados nas práticas pedagógicas de Física. As máquinas para testar lâmpadas também constam, utilizadas para experiências na área da Eletricidade, bem como a ligação de lâmpadas em série e em paralelo. 

A lâmpada é um objeto de vidro, com um formato alongado ou de bolbo que produz luz artificial, por combustão, eletricamente ou por descarga. Ou seja, é um dispositivo que transforma energia elétrica em energia luminosa.

A iluminação que tem por base a corrente elétrica divide-se em 3 tipos de dispositivos: lâmpada de incandescência, lâmpada de descarga e lâmpada de arco. A lâmpada de incandescência consiste numa ampola de vidro hermética, no interior da qual se encontra um filamento e que se encontra cheia de um gás inerte que se torna incandescente por ação da corrente elétrica. Atualmente já caíram em desuso na Europa.

Na lâmpada de descarga, também designada por fluorescente, existem elétrodos e a energia luminosa obtém-se a partir de uma descarga elétrica num gás. A lâmpada de arco funciona através de uma corrente elétrica que percorre o intervalo entre dois elétrodos de carbono, mantidos com uma diferença de potencial elevada.

Atualmente o tipo de lâmpadas mais utilizadas são as LED (Light Emitting Diodes), com maior durabilidade e menor consumo de eletricidade. Não emitem calor e preservam o ambiente.

Nesta exposição são apresentados alguns modelos de lâmpadas com utilização diferente da produção de luz. É o caso da Lâmpada de Davy, criada para ser utilizada nas minas de carvão, apesar da presença de metano ou de outros gases inflamáveis, ou da lâmpada de arco voltaico. São instrumentos utilizados nas práticas pedagógicas de Física. As máquinas para testar lâmpadas também constam, utilizadas para experiências na área da Eletricidade, bem como a ligação de lâmpadas em série e em paralelo.


Lâmpada monocromática

ME/152481/98

Escola Básica e Secundária de Canelas

Projetor que consiste numa lâmpada montada em caixa cilíndrica de metal com tubo que permite regular a altura e direção.


Lâmpada de Davy

ME/400117/24

Escola Secundária D. Pedro V

Lâmpada de Davy utilizada no Laboratório de Física para fins pedagógicos. A Lâmpada de Davy é uma lâmpada de segurança que contém uma vela no seu interior, ficando a dever-se a sua invenção a Sir Humphry Davy em 1815. Foi criada para ser utilizada nas minas de carvão, permitindo que fossem exploradas áreas a grande profundidade apesar da presença de metano ou de outros gases inflamáveis. Para explodir, o gás deve ser aquecido até à sua temperatura de ignição, pelo que se esse aquecimento for evitado, não é possível dar-se a combustão. Davy conseguiu evitar esse aquecimento ao rodear a chama da lâmpada de gaze metálica, o que permitiu espalhar o calor por uma vasta área de modo a que a temperatura da rede seja sempre inferior à temperatura do gás.


Lâmpada de arco voltaico

ME/400348/124

Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho

Lâmpada de arco, ou arco voltaico, assente em base de madeira, com dispositivo para descarga elétrica entre dois carvões, sobre espelho côncavo. O dispositivo que permite a descarga é constituído por dois contactos em latão, cada um dos quais ligados, pela parte inferior da base, a um dos dois tubos cilíndricos, também em latão, colocados paralela e verticalmente sobre a base. No tubo mais pequeno apresenta-se inserido um dos cilindros de carvão terminando em ponta. O mais alto contém um tubo mais fino, que, com um sistema de mola permite fazer subir ao descer uma haste horizontal a ele ligada por um parafuso e onde se insere o carvão superior. Podendo deslocar-se na haste maior, existe, ainda, um espelho côncavo, refletor.


Aparelho para testar lâmpadas

ME/400956/25

Escola Secundária Augusto Gomes

Instrumento utilizado em contexto das práticas pedagógicas nas aulas de Física. Trata-se de um suporte de lâmpadas constituído por uma base da qual se ergue um pino metálico, onde está inserida uma placa redonda com três cores, vários bornes para ligação de condutores elétricos e três lâmpadas. É utilizado para experiências na área da Eletricidade.


Aparelho com ligação de lâmpadas em série e em paralelo

ME/400956/27

Escola Secundária Augusto Gomes

Dispositivo de lâmpadas em série e em paralelo, instrumento utilizado no Laboratório de Física. Base retangular que suporta um painel vertical que suporta as lâmpadas.


Aparelho para testar lâmpadas

ME/402436/1424

Escola Secundária de Passos Manuel

Instrumento científico, utilizado nas aulas de Física. É constituído por uma caixa de metal com originais aplicações, aberta na parte da frente. Nesta zona encontram-se quatro lâmpadas avermelhadas e dois botões com interruptor, para testar o seu funcionamento.


MJS



2023/05/01

Educação e Monarquia: D. Filipe II (1578 - 1621)

D. Filipe II (1578-1621), “o Pio”, era filho de Filipe I de Portugal e de D. Ana de Áustria. Em 1598 subiu ao trono e em 1599 casou com Margarida de Áustria. Desde cedo foi influenciado pelo do Duque de Lerma, D. Cristóvão de Moura, seu ministro. O Duque foi elevado a Marquês de Castelo Rodrigo e a Vice-Rei de Portugal.

A administração do Duque foi tendente ao desenvolvimento da marinha e à abertura dos portos ao comércio inglês e holandês. Apesar de ser um reinado marcado pela estabilidade, houve um reforço do poder com a redução da autonomia concedida a Portugal.


(Imagem de Filipe II retirada da Internet)

O aumento de impostos em 1611, a nomeação de cada vez mais funcionários espanhóis para a administração portuguesa, o apoio à nobreza, os ataques constantes às colónias, bem como a saída de cristãos-novos do país, geraram uma grande insatisfação. A situação económica e financeira em Espanha estava numa fase bastante difícil e os conflitos armados em que o país se envolveu agravaram este contexto.

Ao nível administrativo devem destacar-se as Ordenações Filipinas, uma compilação de leis iniciada por Filipe I, mas que entraram em vigor a partir de 1603. Este código foi validado por D. João IV após a independência.

No que respeita à educação as informações de que dispomos não trazem qualquer alteração de vulto.


MJS

 


2023/04/27

Educação e Monarquia: D. Filipe I (1527 - 1598)

 

D. Filipe I (1527-1598), “o Prudente”, era o filho do imperador Carlos V e de D. Isabel de Portugal. Em 1543 casou com D. Maria, filha de D. João III, que faleceu ao dar à luz. Foi nomeado rei de Portugal nas Cortes de Tomar em 1581, onde jurou manter os privilégios e liberdades em Portugal. Esteve dois anos a residir no país e posteriormente regressou a Madrid deixando no governo o sobrinho, o cardeal Alberto da Áustria.


(Imagem de Filipe I retirada da Internet)

O governo de Filipe I deixou Portugal numa situação de relativa autonomia. No entanto, o país foi bastante afetado pelas políticas de conflito entre Espanha e Inglaterra. Os nossos portos nas colónias e os nossos navios foram várias vezes atacados.

Filipe I fez uma renovação na administração pública e incentivou os estudos artísticos. Criou a Aula de Risco do Paço da Ribeira em 1594, embora não fosse um ensino totalmente público. Os alunos só podiam ser admitidos quando já tivessem alguma prática, o que implicava o ensino particular, em casa. O primeiro mestre de arquitetura foi Filipe Terzio e posteriormente Nicolau de Frias. Durante o século XVII o ensino da arquitetura esteve entregue a três famílias: os Frias, os Tinocos e os Turrianos.


MJS

 

 

2023/04/24

Educação e Monarquia: D. Sebastião (1554 - 1578) e a Crise Dinástica

 

D. Sebastião I, “o Desejado” (1554 – 1578), era filho do príncipe D. João e de D. Joana de Áustria e neto de D. João III. Quando o seu avô morreu, e sendo ele ainda menor, a regência ficou entregue à sua avó, D. Catarina. A sua mãe, D. Joana, voltou para Castela de acordo com o contrato nupcial com o príncipe.


(Imagem de D. Sebastião retirada da Internet)

Durante o período da regência, foi dada continuidade à política de D. João III, com o abandono das praças no Norte de África. D. Catarina foi acusada de ser favorável às influências da corte espanhola. Nas Cortes de Lisboa de 1562 abandona a regência que passa para o Cardeal D. Henrique, tio de D. Sebastião. D. Catarina continua como tutora do monarca que recebeu uma educação cuidada.

Em virtude da sua tenra idade, D. Sebastião era um monarca bastante influenciável. Após a defesa da praça de Mazagão, o rei pretende continuar as campanhas no Norte de África. Ao fazer 14 anos, em 1568, fica responsável pelo governo e reorganiza o exército.

A grande questão que preocupa o país é o facto de D. Sebastião não ter casado, nem ter deixado qualquer sucessor. Antes de se lançar em empreendimentos militares de risco, a Corte alerta-o para este problema. A situação é ignorada pelo monarca que deixa a regência a D. Henrique e parte numa viagem pelo Norte de África em 1572. Aproveitando os conflitos na zona do Magrebe, D. Sebastião apoia uma das fações e tenta recuperar as praças que tinham sido perdidas.

Desta forma, o rei prepara o exército e lança-se à conquista de África. Acaba por ser derrotado em Alcácer Quibir, onde o rei morre, bem como grande parte dos jovens militares. Está lançado o problema da sucessão do trono português.

O cardeal D. Henrique, “o Casto”, sucede a D. Sebastião e sobe ao trono em 1578. A sua preocupação era a resolução do problema dinástica. D. Henrique era filho de D. Manuel e de D. Maria de Castela e foi educado para seguir a carreira eclesiástica. Em 1540 tornou-se arcebispo de Évora, transformando a cidade num importante polo cultural. Em 1574 foi o responsável pela fundação da Universidade de Évora.


(Imagem do Cardeal D. Henrique retirada da Internet)

Durante a sua regência, focou-se na organização administrativa e económica do reino. Após a subida ao trono de D. Sebastião, continuou a apoia-lo na governação. O seu afastamento deveu-se à diferença de opiniões face às campanhas militares africanas, relativamente às quais D. Henrique era completamente contra.

O cardeal acabou por falecer em 1580 sem ter resolvido o problema da sucessão, nomeando uma regência de cinco governadores.

Um dos candidatos ao trono foi D. António, Prior do Crato, que chegou a ser eleito rei em 19 de junho de 1580 pelo povo. Era filho natural do infante D. Luís I e neto de D. Manuel I. Professou na Ordem de Malta e foi-lhe atribuído o priorado do Crato, embora levasse uma vida mundana. Em 1568 foi nomeado governador de Tânger, tendo participado na Batalha de Alcácer Quibir.

O seu adversário era Filipe II de Espanha. D. António esperava o apoio de Inglaterra e França, mas tal não aconteceu e foi derrotado na Batalha de Alcântara. Portugal perde a independência.

No que respeita ao esforço educativo, não existem informações relevantes, uma vez que se tratou de um período conturbado da história nacional. Há uma referência ao nível do ensino das artes, em 1572, com a existência de dois oficiais, um pintor a óleo e um pintor a têmpera, que avaliavam o trabalho dos artistas. O exame era pintar uma imagem que lhes fosse contada. Só depois de aprovado é que o pintor podia exercer.


MJS

 

2023/04/20

Educação e Monarquia: D. João III (1502 - 1557)

 

D. João III "o Piedoso" (1502 - 1557) era filho de D. Manuel de D. Maria de Castela. Casou com D. Catarina de Áustria em 1527. A sua educação esteve a cargo de humanistas, físicos e cosmógrafos.

Ao nível da política interna continuou, à semelhança dos seus predecessores, a política de centralização do poder real. Convocou Cortes em 1525, 1535 e 1544 e promoveu a reestruturar a administração e a justiça.

Quando subiu ao trono, Portugal encontrava-se no apogeu da expansão, mas enfrentava enormes problemas, nomeadamente financeiros o que obrigou ao recurso a empréstimos e ao agravamento do défice. Tal facto deveu-se à extensão e dispersão do império ultramarino português que tinha enormes custos.


(Imagem de D. João III retirada da Internet)

No Norte de África, D. João III decidiu abandonar as praças de Safim, Azamor, Alcácer Ceguer e Arzila. Avançou com a exploração e povoamento do Brasil através do sistema de capitanias. Mais tarde nomeou Tomé de Sousa governador geral desta colónia para que a administração estivesse mais centralizada.

As explorações no oriente prosseguem e chega-se à China e ao Japão. No entanto, a situação na Índia estava bastante inquietante com avanços, recuos e a pressão constante dos turcos.

Ao nível interno vivem-se momentos difíceis com fome e epidemias.

As relações externas caracterizaram-se por uma intensa atividade diplomática com Espanha através de alianças e casamentos. No que respeita ao conflito entre Espanha e França, Portugal teve uma política de neutralidade. As relações comerciais com Inglaterra, Flandres e países do Báltico são mantidas. O entendimento com a Santa Sé teve um reforço de destaque, com a introdução da Inquisição em Portugal.

O final do reinado de D. João III foi marcado por uma crise dinástica. O príncipe D. João seria o herdeiro do trono, mas faleceu antes da sua esposa, D. Joana, filha de Carlos V dar à luz. D. João morre em 1554 e o seu herdeiro é o neto, D. Sebastião que tinha apenas 3 anos.

No plano cultural é notório o apoio à cultura humanista e aos intelectuais como Gil Vicente, Garcia de Resende, Sá de Miranda, Bernardim Ribeiro, Luís de Camões, Pedro Nunes ou Garcia de Resende. Dever-se-á destacar o trabalho de João de Barros, cuja preocupação pelo ensino básico o levou a criar a Cartilha de Aprendizagem.

A universidade é transferida para Coimbra e são fundados vários colégios que alargam a rede de ensino em Portugal, através da ação dos Jesuítas. A missionação também fará parte deste processo, salientando-se São Francisco Xavier no Oriente e o Padre Manuel da Nóbrega no Brasil.

Ao nível das Artes, o ensino nas oficinas de arquitetura começou a ter alguma metodologia, facilitada pelo uso de tratados impressos. A arquitetura exigiu uma normalização, mais cedo que outras áreas uma vez que implicava uma maior responsabilidade social. Podemos referir a presença em Portugal de Andrea Contucci, artista italiano que difundiu novas técnicas, entre 1485 e 1495.

A pintura, apesar da tendência para se manter o ensino particular individual, começou a ser ministrada nas oficinas dos mestres. Estes recebiam um aluno, transmitindo-lhe todas as técnicas, bem como a leitura e a escrita. Em troca, o aluno executava algumas obras no atelier. Sabe-se que em Lisboa existia a oficina de Jorge Afonso que funcionou como uma escola.


MJS

2023/04/18

Colóquio "Nos 50 anos da Reforma de Veiga Simão: As Políticas Educativas entre Mudanças e Continuidades"

(Imagem do cartaz alusivo ao Colóquio Nos 50 anos da Reforma de Veiga Simão)


Nos próximos dias 10 e 11 de julho na Universidade Lusófona em Lisboa, vai realizar-se o Colóquio "Nos 50 anos da Reforma de Veiga Simão: As Políticas Educativas entre Mudanças e Continuidades".

A ação reformadora do Ministro Veiga Simão insere-se no período final do Estado Novo, sendo uma última tentativa de uma “renovação na continuidade” de um regime agora liderado por Marcelo Caetano com uma a guerra colonial sem sentido e sem fim à vista. Inquestionavelmente, a reforma Veiga Simão representou um período que colocou a educação no centro dos debates sobre o desenvolvimento e modernização do País. Mas permitiu também, pelos seus limites e contradições, tornar bem visível para a sociedade portuguesa o completo esgotamento da forma política organizativa do Estado Novo.

É neste contexto que o Centro de Estudos Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento (CeiED) da Universidade Lusófona, e a Associação de História da Educação de Portugal (Histedup) organizam o Colóquio Nos 50 Anos da Reforma Veiga Simão: a política educativa entre mudanças e continuidades. Os tópicos em debate serão, entre outros possíveis, os seguintes:

- O contexto político, económico e social da reforma: o marcelismo;

- O legado educacional: da reforma Camoesas (1923) à reforma Veiga Simão (1973);

- Os princípios e as linhas gerais dos documentos apresentados por Veiga Simão;

- A educação pré-escolar e a educação básico na reforma Veiga Simão;

- A reformulação do ensino secundário;

- A criação de novas universidades e as linhas gerais de reforma do ensino superior;

- A formação de professores na reforma Veiga Simão;

- A educação de adultos e as formas de educação não formal;

- A discussão pública dos projetos de reforma: contributos e limites;

- Os debates na Câmara Corporativa e na Assembleia Nacional;

- As implicações e debates nas então colónias portuguesas;

- O Congresso da Oposição Democrática e a críticas a Veiga Simão;

- Da reforma Veiga Simão (1973) à Lei de Bases do Sistema Educativo (1986).


Para mais informações consulte :

http://ie.ulusofona.pt

http://www.ceied.ulusofona.pt/en/

www.antonioteodoro.ulusofona.pt


MJS