2021/05/10

Obras arquitetónicas de Álvaro Siza Vieira

(Imagem do Pavilhão de Portugal, da autoria de Álvaro Siza Vieira, durante a EXPO 98. Retirada da internet)

Existem vários monumentos, complexos históricos e zonas naturais, entre outros, que pela sua importância e características únicas, são candidatos à Lista Indicativa de Portugal ao Património Mundial. Aguardando a sua aprovação pela UNESCO, selecionámos aqueles que mais se destacam. Entre os candidatos encontra-se o conjunto de obras arquitetónicas de Álvaro Siza Vieira

Álvaro Joaquim de Melo Siza Vieira (n. 1933, Matosinhos) é um dos maiores arquitetos portugueses e um dos mais premiados de sempre. Estudou na Escola Superior de Belas Artes do Porto, entre 1949 e 1955, onde também deu aulas de 1966 a 1969 e a partir de 1976.

As suas grandes influências são Adolf Loos, Frank Lloyd Wright e Alvar Aalto. Conjugando as influências modernistas com a tradição construtiva portuguesa, desenvolveu um estilo muito próprio, de grande relevo no panorama modernista português. O Arquiteto Fernando Távora constituiu igualmente uma fonte de inspiração para Siza Vieira.

(Imagem da Casa de Chá da Boa Nova, da autoria de Álvaro Siza Vieira. Retirada da internet)

As suas obras podem ser vistas em Portugal e por todo o mundo. Em Portugal destacam-se a Casa de Chá da Boa Nova, as Piscinas de Marés, O Museu de Arte Contemporânea de Serralves, a Fundação Nadir Afonso, a Igreja de Marco de Canaveses. A Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, a Escola Superior de Educação de Setúbal, instalações da Expo 98 em parceria com Souto de Moura, Estação do metro Baixa-Chiado, Requalificação do Vidago Palace Hotel em Chaves, o Atelier-Museu Júlio Pomar em Lisboa, os Terraços do Carmo, Lisboa.

O seu estilo caracteriza-se por uma harmonia entre a natureza e o design, preservando o ambiente existente. Fora de Portugal podem referir-se o edifício Bonjour Tristesse (Berlim, 1980-84), a Fundação Iberê Carmargo (Porto Alegre, Brasil, 1998), recuperação da Zona 5 de Schilderwik (Haia, 1985-1989), blocos de Ceramique Terrein (Maastricht, 1995), centro meteorológico da Villa Olimpica (Barcelona, 1992).

 MJS

 

2021/05/06

Património Material de Portugal: Real Edifício de Mafra

(Imagem aérea do Real Edifício de Mafra. Retirada da internet)

O Real Edifício de Mafra – Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Cerco, Tapada - faz parte do património mundial classificado pela UNESCO desde 2019.

O Convento de Mafra ou também chamado, Palácio Nacional de Mafra, situa-se no concelho de Mafra, a cerca de 25 quilómetros de Lisboa. As obras da sua construção iniciaram-se em 1717, por ordem de D. João V devido ao cumprimento de uma promessa para ter descendência de D. Maria Ana de Áustria.

Os arquitetos responsáveis foram João Frederico Ludovice e Custódio Vieira. A título de curiosidade, o complexo ocupa cerca 1200 hectares, tem 1200 divisões, mais de 4700 portas e janelas, 156 escadarias e 29 pátios e saguões.

O Palácio e a Basílica são monumentos representativos não só pela sua beleza e dimensão, mas também pelo facto de constituírem um símbolo da afirmação da monarquia portuguesa e do absolutismo. Portugal afirma-se na Europa, junto das grandes casas reais e da Santa Sé e restabelece a grandeza ultramarina após a restauração. O ouro proveniente do Brasil permitiu levar a cabo uma construção desta magnitude.

(Imagem do interior do Real Edifício de Mafra. Retirada da internet)

A Basílica altera as características da arte portuguesa, adaptando o barroco europeu a um estilo único, o barroco joanino. Foi consagrada à Virgem Maria e a Santo António em 1730. Contém um dos maiores conjuntos de estatuária italiana, produzidas em Roma e Florença. Em meados do século XVIII, Alessandro Giusti esculpiu os novos retábulos da Basílica. Este artista fundou a Escola de Escultura, futura Real Academia de Belas Artes.

O convento de Mafra destinava-se aos frades capuchos da Ordem de São Francisco e foi projetado por João Frederico Ludovice. Em 1730 ingressaram nesta instituição cerca de 328 frades. Com posterior extinção de muitas ordens religiosas, em 1820 viviam aqui apenas 40 frades até à sua saída definitiva em 1833.

O Palácio Real foi iniciado em 1717 junto ao convento e projetado igualmente por João Frederico Ludovice, inspirado pelos edifícios barrocos europeus. Trabalho juntamente com o seu filho, João Pedro Ludovice. No entanto, nos últimos reinados da dinastia de Bragança, o palácio deixou de funcionar como residência permanente, abrindo ao público para visita em 1904.

As principais divisões do Palácio são:

    - a Sala de Diana, assim designada devido à pintura que representa a deusa da caça, Diana, no teto, da autoria de Cirilo Volkmar Machado, encomendada pelo futuro D. João VI;

    - a Sala do Trono, onde decorriam as audiências régias. As paredes têm frescos da autoria de Domingos Sequeira, onde estão representadas as oito virtudes reais;

    - o Torreão Norte, onde se encontravam os aposentos do rei;

     - o Oratório Norte;

   - a Galeria Principal, um dos maiores corredores palacianos da europa com 232 metros, ligando o Torreão Norte ao Torreão Sul;

    - a Sala das Descobertas, assim chamada devido à pintura no teto, da autoria de Cirilo Volkmar Machado, onde estão representados os principais episódios de conquistas ultramarinas;

    - a Sala dos Destinos que tem no teto a pintura intitulada “Templo do Destino”, também da autoria de Cirilo Volkmar Machado ,onde se encontram os reis de Portugal;

    - a Sala da Guarda era a antiga entrada do Palácio onde se encontrava a Guarda Real. Tem no teto a pintura de Cirilo Volkmar Machado, “O Precipício de Faetonte”;

    - a Sala da Bênção que se encontra aberta para a Basílica e de onde a família real assistia a cerimónias religiosas;

    - a Sala dos camaristas, onde ficavam alojados todos os colaboradores da família real;

    - o Torreão Sul eram os aposentos da rainha;

    - o Oratório Sul que constituía a capela dos aposentos da rainha;

    - a Sala de D. Pedro V, Sala vermelha ou Sala de espera era o local onde os convidados aguardavam antes de serem recebidos pela família Real;

   - a Sala de Música, Sala de receção ou Sala amarela era um espaço de receção de convidados;

    - a Sala de jogos, onde se encontram vários jogos praticados entre os séculos XVIII e XIX, como o bilhar ou pião;

    - a Sala de caça, assim denominada pela decoração alusiva à caça e aos troféus;

    - a Sala de jantar, onde se realizavam banquetes;

    - o Salão dos frades;

    - as Celas;

   - a Biblioteca, um dos mais importantes locais do complexo, pela sua dimensão, beleza e riqueza bibliográfica. Em 1711 iniciou-se a construção das estantes e a partir de 1792 tiveram lugar acabamentos e a transferência de livros. Esta zona encontra-se junto aos aposentos dos infantes. A organização segue a que foi elaborada por Frei João de Santana em 1809.

(Imagem da Biblioteca do Real Edifício de Mafra. Retirada da internet)

Entre o espólio do Palácio encontram-se coleções muito relevantes na área da cerâmica, escultura, ourivesaria, metais, mobiliário, pintura, têxteis e ainda os famosos carrilhões.

A Basílica possui seis órgãos, únicos no mundo, da autoria de António Machado Cerveira e Peres Fontanes datando de 1792-1807. Existem dois carrilhões, elaborados em Antuérpia e em Liège com 92 sinos. São os maiores do século XVIII existentes do mundo. A par destes existe o maior conjunto de sistemas de relógios e cilindros de melodia automática.


MJS


 

2021/05/03

Exposição Virtual: "As Crianças em Imagens Parietais"


As imagens parietais foram utilizadas pelo ensino ao longo do século XIX e XX como recurso técnico-didático. Neste caso específico, trata-se de imagens parietais destinadas à aprendizagem de línguas estrangeiras, remetendo para o método de ensino através das imagens. Os alunos deveriam aumentar o seu conhecimento de vocabulário através da observação de imagens que lhes eram familiares.

Os quadros escolhidos apresentam cenas em que surgem crianças, o que permite uma identificação dos alunos, em cenários familiares e quotidianos que lhes permite a compreensão de palavras chave para a aprendizagem da língua.

Provavelmente datados da década de 50 do século XX, tendo em conta o vestuário e os elementos que constituem as imagens, estes quadros apresentam situações comuns do quotidiano: a sala de jantar, com a presença de toda a família a efetuar uma refeição; o quarto de dormir, onde as crianças se vestem e onde se observam alguns brinquedos.

Por outro lado, temos o espaço escolar, destacando-se várias mensagens que são transmitidas: os alunos arrumam a sala de aula depois de trabalhos manuais e brincadeiras ou a importância de cuidar da natureza.

Outro aspeto interessante é a representação de uma ala pediátrica de um hospital, onde se encontram várias crianças acompanhadas pelas mães, aproveitando para brincar. É uma imagem bastante positiva transmitindo uma sensação de conforto.

A importância deste método é indiscutivelmente positiva em todo o processo cognitivo que acompanha a aprendizagem de uma nova língua, aproveitando os momentos do dia a dia.

 



ME/402436/24

Escola Secundária de Passos Manuel

O quadro, da autoria do desenhador Henri Mercier, apresenta duas faces. Numa das imagens surge um quarto de dormir com duas camas um menino dorme numa delas (à esquerda do quadro) e a outra está vazia, mas desmanchada (à direita do quadro). Num primeiro plano, um rapaz veste-se ao lado de uma menina que brinca com uma boneca. Numa mesa, do lado esquerdo deste menino, estão dois livros, um lápis, uma carteira e um lenço. Na parede do fundo está um roupeiro com uma porta aberta e vê-se roupa de casa: toalhas e lençóis. Existe uma estante de livros e um candeeiro na parede atrás da cama vazia, a outra cama tem uma mesinha de cabeceira com candeeiro e na parede atrás da cama duas pequenas bandeiras. Na segunda imagem encontra-se uma família janta numa sala comum. A sala de jantar está em primeiro plano e a sala de estar está ao fundo tendo uma lareira apagada. O pai e dois filhos, um rapaz e uma rapariga estão sentados à mesa e a mãe, de avental, aproxima-se, do lado esquerdo da mesa e com o auxílio de um pano de loiça segura uma travessa com carne assada. As crianças estão a comer a sopa e o pai corta pão. Sobre a mesa, além da loiça própria de um jantar, encontra-se uma terrina de sopa, uma tábua de queijos, uma fruteira e garrafas de vinho branco, de vinho tinto e de água. Do lado esquerdo da mesa existe um armário de portas de correr com loiça e objetos decorativos por cima. Junto a este armário existe uma grande janela com um aquecedor por baixo. Do lado direito tem um armário com um rádio. Na parte da sala de estar existe sofás, um armário, uma televisão e uma mesinha.


ME/402436/44

Escola Secundária de Passos Manuel

O quadro representa a limpeza e a arrumação de uma sala de aula, talvez de trabalhos manuais. A professora dá a ordem para a limpeza e arrumação, escrevendo-a no quadro no quadro preto. Todas as crianças realizam tarefas: limpam o chão, arrumam tesouras, jogos e outro material didático. A sala tem uma grande parede envidraçada que lhe confere uma grande luminosidade.


ME/402436/62

Escola Secundária de Passos Manuel

O quadro exibe o interior de uma enfermaria hospitalar infantil, com crianças doentes, enfermeiras e mães. Todo o ambiente é luminoso e descontraído, transmitindo uma sensação de conforto. Observam-se quatro camas, ocupadas por crianças que brincam, junto a janelas amplas.


ME/402436/71

Escola Secundária de Passos Manuel

O quadro, da autoria de Cicely Steed, "Fazer e brincar com marionetas" mostra uma sala onde crianças constroem marionetas e respetivos cenários. Algumas crianças experimentam as marionetas já feitas.


ME/402436/73

Escola Secundária de Passos Manuel

O quadro, "Um Painel da Natureza", representa o interior de uma sala de Ciências Naturais. Num primeiro plano, uma aluna e um aluno mudam a água a várias plantas, colocadas em frascos de vidro. Cada flor ou planta está identificada com o respetivo nome, escrito num retângulo de papel. Num segundo plano, na parede ao lado de uma grande janela que dá para o recreio onde brincam várias crianças, está colocado um cartaz com a indicação dos nomes dos alunos responsáveis pela manutenção dos materiais: "Please, look after the Nature Table this week Gwen and Bob".


ME/ESMC/182

Escola Secundária Machado de Castro

Quadro parietal, da autoria da ilustradora Elizabeth Skilton, utilizado nas aulas de línguas para introdução e alargamento de vocabulário. Mostra em primeiro plano uma sala de jantar que comunica, através um cortinado aberto para uma sala de estar, situada no canto superior direito do quadro. Trata-se de um ambiente familiar onde adultos e crianças desenvolvem diferentes tarefas.


MJS

2021/04/29

Património Material de Portugal: Santuário do Bom Jesus do Monte, Braga

(Imagem da escadaria do Santuário do Bom Jesus do Monte em Braga. Retirada da internet)


O Santuário do Bom Jesus do Monte, Braga, faz parte do património mundial classificado pela UNESCO desde 2019.

Localiza-se na freguesia de Tenões, na cidade de Braga, fazendo parte de um conjunto arquitetónico-paisagístico. Pensa-se que no início do século XIV terá sido colocada uma cruz no monte Espinho e em 1373 refere-se uma ermida neste mesmo local.

Em 1494 foi erigida uma outra ermida por ordem de D. Jorge da Costa, Arcebispo de Braga. Em 1552 o Deão da Sé de Braga mandou construir a terceira ermida, que coincidiu com um aumento da devoção dos locais.

(Imagem de uma ermida no Santuário do Bom Jesus do Monte em Braga. Retirada da internet)

Em 1692 foi constituída a Confraria do Bom Jesus do Monte, um movimento de devotos de todas as classes sociais para promoverem a devoção à Santa Cruz do Monte. Foi, assim, edificada uma Capela, rodeada de casas para abrigo dos peregrinos, onde se podem observar alguns episódios da Paixão de Cristo e da sua Ressurreição.

A partir de 1722, D. Rodrigo de Moura Teles iniciou o projeto de construção de uma basílica que se tornaria o atual Santuário. D. Gaspar de Bragança prosseguiu as obras de 1784 a 1811, dirigidas pelo arquiteto Carlos Amarante. A planta tem a forma de cruz latina e a fachada é constituída por duas torres com frontão triangular.

(Imagem aérea do Santuário do Bom Jesus do Monte em Braga. Retirada da internet)

No que respeita aos escadórios, estão divididos em 3 lanços num desnível de 116 metros. O primeiro é o escadório do Pórtico, onde se encontram as primeiras capelas construídas em 1723. Aqui se encontram o Escadório dos Cinco Sentidos, com cinco lances de escadas com fontes alegóricas aos cinco sentidos. Depois, o Escadório das Três Virtudes, datado de 1837, com 3 fontes ilustrativas das Virtudes teologais: a fé, a esperança e a caridade. A seguir à Fonte da Caridade, após 581 degraus, encontra-se o Terreiro de Moisés, a que se segue o Adro e a Igreja do Bom Jesus.

A Confraria do Bom Jesus levou a cabo a construção de um elevador, inaugurado a 25 de março de 1882, o primeiro a ser instalado na Península Ibérica, utilizando o sistema de contrapeso de água. Toda esta área é circundada por parques, jardins e lagos artificiais.

 

 MJS

2021/04/26

Património Material de Portugal: Universidade de Coimbra


(Imagem da fachada da Universidade de Coimbra. Retirada da internet)


A Universidade de Coimbra – Alta e Sofia - faz parte do património mundial classificado pela UNESCO desde 2013.

Trata-se de um conjunto histórico-cultural que inclui quatro freguesias de Coimbra, São Bartolomeu, Sé Nova, Sé Velha e Santa Cruz. A Universidade é uma das mais antigas do mundo e continua em funcionamento, tendo sido criada em 1290 pelo rei D. Dinis. Houve um período de alternância da localização da instituição entre Lisboa e Coimbra, tendo-se fixado definitivamente nesta última em 1537 por ordem de D. João III.

Tornou-se, assim um polo de afluxo estudantil, em a Rua Sofia desempenhou um importante papel como expoente urbanístico de crescimento urbano universitário.

O núcleo mais antigo é o Paço Real de Coimbra, no Paço das Escolas, que demonstra claramente a ligação entre a universidade e a monarquia. Aqui se destacam: a Porta Férrea (1633 – 1634); a Escadaria de Minerva (1724); a Torre da Universidade (1728 – 1733); o Edifício dos Gerais (1698 – 1702); a Via Latina (1773 – 1777); a Capela de São Miguel; o Colégio de São Pedro (1545); a Biblioteca Joanina (1717 – 1725); e recentemente o Auditório da Faculdade de Direito, terminado em 2001.

(Imagem da Biblioteca da Universidade de Coimbra. Retirada da internet)

A Biblioteca Joanina estava reservada aos estudantes universitários, atualmente sendo considerada uma das mais importantes do mundo não só pela riqueza arquitetónica, mas também pelo fundo bibliográfico que remonta ao século XVI.

Na zona Alta podem-se destacar outros edifícios como o Real Colégio das Artes, cuja construção teve início em 1568; o Colégio de São Bento, setecentista, do qual faz parte o Jardim Botânico; o Colégio de São Jerónimo; o Colégio de Jesus, atual Museu de História Natural; a Casa dos Melos; o Colégio de Santa Rita; o Colégio da Santa Trindade; o Laboratório Químico.

(Imagem dos claustros da Universidade de Coimbra. Retirada da internet)

Na área de Sofia devem referir-se o Colégio de Santo Agostinho; o Colégio de São Tomás de Aquino; o Colégio de Nossa Senhora do Carmo; o Colégio São Pedro dos Terceiros ou o Colégio do Espírito-Santo.

Existem várias tradições ligadas à Universidade e diversas festividades que lhe conferem um espírito universitário de grande destaque. As características de expansão cultural, científica e de divulgação de grandes ideias e investigações estão inerentes às das grandes universidades mundiais. Em Coimbra existe um acervo museológico na área da ciência e do património museológico.

 

MJS

2021/04/22

Património Material de Portugal: Elvas, cidade fronteiriça e de guarnição

(Imagem de uma fortificação em Elvas. Retirada da internet)

A cidade fronteiriça e de guarnição de Elvas e as suas fortificações fazem parte do património mundial classificado pela UNESCO desde 2012.

Elvas localiza-se na região do Alto Alentejo, junto à fronteira com Espanha. Ao logo da História de Portugal desempenhou um papel de relevância pois é um dos principais eixos de entrada no país por via terrestre.

O sistema fortificado é constituído por:

    - Castelo de Elvas;

    - Praça-forte;

    - Muralhas;

    - Aqueduto da Amoreira;

    - Forte de Nossa Senhora da Graça;

    - Forte de Santa Luzia;

    - Forte de São Mamede;

    - Forte de São Pedro;

    - Forte de São Domingos.

Elvas foi ocupada pelos muçulmanos no século VIII e envolvida em muralhas, ampliadas no século XIII, o que dificultou a reconquista cristã. Elvas só será conquistada ente 1229-1230. Devido à desertificação do local, D. Afonso II levou a cabo uma política de revitalização, concedendo uma carta de feira em 1262.

(Imagem aérea de uma fortificação em Elvas. Retirada da internet)

O castelo, datado do reinado de D. Sancho II, foi construído na zona mais elevada, delimitada por duas linhas de muralhas árabes. É rodeado de uma terceira cerca urbana da segunda metade do século XV (muralha fernandina). Durante os séculos XII e XIV procedeu-se à reconstrução do castelo devido aos danos causados pelas guerras com Espanha.

No reinado de D. Dinis introduziram-se algumas alterações, bem como nos reinados de D. João II e D. Manuel optando-se pelo sistema abaluartado.

A 400 metros localiza-se o Forte de Santa Luzia, com traçado abaluartado. A norte da cidade encontra-se o Forte da Graça, da segunda metade do século XVIII. Três pequenos fortins de 1811 completam o complexo: Forte de São Mamede, Forte de São Pedro e Forte da Piedade.

Durante o século XVIII, com o envolvimento de Portugal na Guerra dos Sete Anos (1756-1762), reconheceu-se a necessidade de construir uma fortificação no Monte da Graça. Este projeto esteve inicialmente a cargo do Conde de Lippe e incluía um recinto com quatro baluartes pentagonais e após 1764 passou para Valleré.

(Imagem aérea de uma cidade fortificada em Elvas. Retirada da internet)

Já no século XIX, com as invasões francesas, Portugal assistiu à ocupação das fortificações e da cidade de Elvas. Por ordens do Marechal Wellesley (1769 – 1852) construíram-se quatro pequenos fortes sobre elevações de terreno. São os chamados fortins, datados de 1811: Fortim de São Mamede, Fortim de São Pedro, Fortim da Piedade e Fortim de São Francisco. Seguem as características das Linhas de Defesa de Lisboa. Apesar disso, em 1875, são abandonados e o Fortim de S. Francisco será demolido em 1920.

O perímetro fortificado de Elvas ocupa cerca de 10 quilómetros, tornando-a a cidade portuguesa com o maior conjunto de fortificações abaluartadas. A sua elevação a património mundial pretendeu valorizar a arquitetura eminentemente militar que testemunha a situação especial de uma zona fronteiriça. 


MJS

2021/04/19

Peça do mês de abril

 


Amonite

Amonite utilizada no ensino das matérias de Geologia. Este animal vivia dentro de uma concha enrolada em espiral, de natureza carbonatada, semelhante à dos Nautilus atuais. Os septos dividiam internamente, a concha, em câmaras. Eram animais marinhos, carnívoros e com dimensões muito variáveis, podendo atingir 2 metros de diâmetro. As amonites são excelentes fósseis de idade. Processo de fossilização - moldagem - molde interno. Classificação científica: Reino - Animalia, Filo - Mollusca, Classe - Cephalopoda, Ordem - Ammonitida.

Está inventariado com o número ME/401018/440 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária de Bocage.