2013/04/03

Ensino da Música I




(Capa da obra Música na Escola Primária)



A educação integral do indivíduo só alcança a sua plenitude através de vivências expressivo-comunicativas. Assim sendo, a criação e aquisição de saberes estéticos e consequente leitura do mundo são, por assim dizer, a reconstrução do nosso mundo e do mundo do outro. A prática de atividades expressivas contribuem declaradamente para a estruturação do pensamento e expressão da personalidade, construindo uma harmonia no próprio desenvolvimento pessoal e social.

Ainda assim, pouco se sabe acerca do ensino da música antes do século XI, como afirma Carvalho (1985:16), sendo poucas as notícias que nos chegaram sobre a existência de escolas antes do final do século XI, mas é razoável acreditarmos que tenham existido bastantes, tendo em linha de conta o número de mosteiros existentes. Como sabemos, o ensino da música em Portugal, tal como aconteceu no resto da Europa, começou a dar os primeiros passos em escolas episcopais e monásticas que funcionavam junto de igrejas. O grande objetivo era a formação do clero. Como tal, desde a fundação do reino até ao século XVIII, o ensino da música não saia dos claustros das igrejas.

O ensino da música, enquanto prática pedagógica, enquadrava-se quase sempre no Quadrivium (i.e. aritmética, música, geometria e astronomia). Assim entendido, a música não era per si uma disciplina autónoma – era, sim, uma procura de harmonizar o aluno e integrá-lo na vida religiosa.

A partir do século XV assistimos à escolarização da classe nobre – as práticas do precetorado incutem graus de exigência no ensino e na aprendizagem: o precetorado envolve, em si mesmo, um conjunto de inter-relações entre o ensino-aprendizagem e aluno-mestre:

“[…] o preceptorado representa uma situação de ensino-aprendizagem individualizado, que reúne único professor e apenas um aluno. […]. O preceptorado não é necessariamente uma pessoa, uma atividade ou uma postura. Na nossa conceção, o preceptorado é a interação de ambientes, materiais, ideias e pontos de vista que podem ser compartilhadas entre um professor e um aluno.” (Neto e Santana, 2001)

O precetorado, assim entendido, é um ensino e aprendizagem dialógico e dialogante no sentido em que envolve não só a transposição didática de conteúdos mas compreende as várias perspectivas e intenções do ensino e sua consequente aprendizagem – cada aluno é uno e único.[1]

Neste contexto, a música enquanto área de estudo destinava-se às classes mais privilegiadas – este ensino seria, por assim dizer, um ato recreativo e cultural para nobres e clero.

Durante o século XVI surgem em várias igrejas, nomeadamente nas Sés, as primeiras organizações visando o ensino sistemático da música em Portugal. Este início tão tardio deve-se fundamentalmente a questões de ordem económica uma vez que a prática da música polifónica exigia despesas que até aqui só a capela real e a capela dos infantes estavam em condições de suportar. Assim nasceram diversas escolas de música, entre as quais as das Sés de Évora, de Elvas, de Portalegre, de Braga e do Porto. Destas, a mais importante ao longo do século XVI foi a Escola de Música da Sé de Évora, da qual foram seus mestres de capela e/ou mestres de clausura, Mateus de Aranda, Manuel Mendes, Filipe de Magalhães e Diogo Dias Melgás.

Como é sabido, a época das luzes e consequente diminuição da influência da Igreja no domínio do ensino impulsiona o Estado a recriar novos ideais educativos e a novos métodos de estudar. Desta feita, o ano de 1834 é marcante no sentido em que o ensino ganha uma dimensão laicista:

“O ano de 1834 irá marcar uma nova época, ao nível do ensino da música, com a extinção do Seminário da Patriarcal, em Lisboa, indo este facto marcar o início da laicização deste ensino. Por outro lado, e durante os primeiros anos do século XIX, o cargo de Lente de Música na Universidade de Coimbra foi sucessivamente ocupado por José Maurício (de 1802 a 1815), Francisco de Paula Azevedo (de 1815 a 1837) e António Florêncio Sarmento (em 1838). Em Lisboa o ensino da música encontrava-se mais diversificado, continuando a ser ministrada na Sé, mesmo após a extinção do Seminário da Patriarcal, uma aula de música dirigida por mestres como Luís Gonzaga França (em 1831), Gomes Pincetti (de 1810 a 1840), João Jordani (de 1830 a 1860), Domingos Benavente (de 1840 a 1876) ou Francisco Baptista Machado (de 1863 a 1877).” (Iria, 2011:12)


Em 1835, é criado em Lisboa um Conservatório de Música que substitui o Seminário da Patriarcal.[2] Esta escola possuía características inovadoras, visando ações caritativas assim como pretendia ministrar uma formação laica a ambos os sexos. Apesar de um plano inicial bastante ambicioso, que visava a criação de um Conservatório de Música com dezoito professores para dezasseis disciplinas, este acaba por ser reduzido, por razões económicas, para seis disciplinas, cada uma ministrada por um professor.


P. M.


Bibliografia:


CARVALHO, Rómulo de (1986). História do ensino em Portugal, desde a nacionalidade até ao fim do regime de Salazar-Caetano. Lisboa Fundação Calouste Gulbenkian.

IRIA, Alexei Valerievich Kozlov (2011). O ensino da música em Portugal – desde 25 de Abril de 1974 [online]: Dissertação apresentada à Universidade de Aveiro para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Mestre em Música.
[Consulta: 2 abr. 2013].


NETO, Borges Hermínio; SANTANA, José Rogério (2001). “Fundamentos Epistemológicos da Teoria de Fedathi no Ensino de Matemática” [on-line]: Anais do XV EPENN - Encontro de pesquisa educacional do nordeste: educação, desenvolvimento humano e cidadania; Vol. Único (junho 2001), p. 59-71
[Consulta: 2 abr. 2013].


VALLE, Adna Almeida del; COSTA, Niobe Marques da (1971). Música na escola primária. Rio de Janeiro: Liv. José Olympo.

VASCONCELOS, António Ângelo (2006). Ensino básico: 1.º ciclo do ensino básico: orientações programáticas. Lisboa: Ministério da Educação.

QUEIROZ, Luis Ricardo Silva; MARINHO, Vanildo Mousinho. “Práticas para o ensino da música nas escolas de educação básica.” [ONLINE]: Música na educação básica. Porto Alegre; Vol.  1, N. 1 (out. 2009).
\http://www.abemeducacaomusical.org.br/Masters/revista_musica_na_escola/5_praticas_para_o_ensino.pdf> [Consulta: 2 abril 2013].



[1] O preceptorado envolve não só a transposição didática dos conteúdos, mas compreende o contrato didático explícito e implícito, e o processo de ensino consiste no desenvolvimento planejado do preceptorado, de modo, que as faculdades cognitivas do aluno sejam mobilizadas para que este possa aprender o que se deseja ensinar. Em outras palavras, o trabalho do professor nesta conceção não ocorre durante uma aula, mas antes. Uma aula deve ser a ocasião em que o professor investigador observa, questiona e intervém junto ao aluno. Portanto, preceptorado e ensino são definições básicas na Teoria de Fedathi. (cf. Neto e Santana, 2001).

[2] A Escola de Música do Conservatório Nacional é uma das escolas que compõem o Conservatório Nacional. A criação de um Conservatório para o ensino da música em Lisboa é fortemente devida ao compositor português João Domingos Bomtempo (1775-1842), que era igualmente um pedagogo de reconhecido mérito. Quando regressou a Portugal (1834), Bomtempo pôs em prática a reforma do ensino musical em Portugal, com base nos contactos que foi fazendo no estrangeiro e com a observação das respetivas reformas de ensino musical, tanto em França como na Inglaterra. O projeto inicial surgido aquando da criação de um Conservatório de Música seguia o modelo da escola de música parisiense. Foi em Junho de 1834 e era proposto um plano ambicioso com 18 professores e 16 disciplinas, a saber: Rudimentos; Declamação; Solfejo e Acompanhamento de Órgão e Pianoforte; Pianoforte; Canto (canto lírico); Violino; Violeta; Violoncelo; Contrabaixo; Oboé; Clarinete; Flauta; Fagote; Trompa; Língua italiana; Língua latina. Este projeto não foi concretizado, e um ano mais tarde foi criado (decreto de 5 de Maio de 1835), o Conservatório de Música como anexo à Casa Pia, sob direção do próprio João Domingos Bomtempo.


2013/03/20

Teatro Thália



(Imagem da fachada do Teatro Thália)



O Teatro Thália, depois de 150 anos em ruinas, foi mandado recuperar pelo Ministério da Ciência e Ensino Superior, em 2010, e encontra-se agora renovado. Erigido em 1820, pelo Conde Farrobo, desempenhou um papel de destaque na vida cultural da época.

MEE


(Folheto do Teatro Thália com fotos do restauro, planta e texto sobre a requalificação arquitetónica)

(Folheto do Teatro Thália com a sua história, descrição e fotos do interior e exterior)



2013/03/13

Peça do mês de março




Imagem parietal de pesos e medidas

Quadro parietal utilizado para estudo dos pesos e medidas. Na zona superior tem desenhado um metro. No canto superior esquerdo apresenta uma tabela com os números divididos em triliões, biliões, milhões e unidades. Do lado direito existe um quadro com equivalências de medidas e por todo o quadro são apresentadas e identificadas imagens de metros, marcos itinerários, medidas para sólidos, pesos, balanças, termómetros, e outro tipo de instrumentos utilizados para medições. É da autoria de Manuel Pinto de Sousa. Está inventariado com o número ME/IASE/RNRE/21 e pertence ao espólio museológico do Instituto de Apoio Socioeducativo/Rede Nacional de Residências para Estudantes.
A Rede Nacional de Residências para Estudantes do ensino não superior foi criada em 1988, destinando-se a assegurar a igualdade de acesso ao ensino, criando iguais oportunidades para todos os estudantes. Esta rede dependia do presidente do IASE (Instituto de Apoio Socioeducativo). No que respeita às infra estruturas, as residências deveriam ter uma zona de dormir e sanitários, uma zona de serviços e uma zona sócio educativa, onde se incluem salas para refeições e convívio, sala de jogos, salas de estudo, bibliotecas e oficinas. Desta forma, o espólio museológico proveniente desta instituição inclui fundamentalmente placas indicativas, desenhos e material utilizado para decoração das salas.
A imagem parietal de pesos e medidas apresenta aos estudantes, através de imagens muito pormenorizadas, alguns instrumentos utilizados para medir diferentes grandezas. É o caso da cadeia de agrimensor, do metro articulado ou das fitas métricas. È apresentado um paquímetro, uma medidora e uma medidora automática de gasolina. Para medir o peso, o quadro mostra imagens de diferentes tipos de balanças (de Roberval, de precisão, romana, decimal, doméstica e automática) e de pesos (base hexagonal ou circular, caixa de pesos). São igualmente ilustradas as diferentes formas de medir sólidos e líquidos, bem como outro tipo de medidas díspares que podem ser aferidas pelo transferidor, báscula, barómetro, relógio, estere ou termómetro.

Bibliografia e informação adicional:

Rede Nacional de Residências para Estudantes/ Instituto de Apoio Sócio-Educativo, Lisboa, IASE, 1988



MJS

2013/03/06

Palácio das Laranjeiras


(Imagem do Palácio das Laranjeiras)


O Palácio Farrobo, mais conhecido por Palácio das Laranjeiras, foi mandado construir pelo Padre Bartolomeu Quintela, tio do 1º Barão. Contudo, foi o 2º Conde de Quintela, 1º Conde de Farrobo, quem promoveu no palácio os melhoramentos e embelezamentos que tanto deram que falar na Lisboa da época, na primeira metade do séc. XIX.

MEE


(Desdobrável com fotos interiores e exteriores, bem como informações acerca da história do Palácio das Laranjeiras)


(Desdobrável com fotos interiores e exteriores, bem como informações acerca da história do Palácio das Laranjeiras)










2013/02/20

O Ensino Técnico-Profissional - Documentação





(Imagem com várias capas de livros do ensino técnico profissional)


Em Portugal, o ensino técnico-profissional constitui um dos ramos do ensino secundário, sendo o outro ramo o ensino liceal. Esta modalidade de ensino foi extinta em 1975 e fundido no ensino liceal, dando origem, por sua vez, ao ensino secundário unificado.

 “O ensino técnico-profissional (abreviadamente designado ETP) foi criado em Outubro de 1983 como uma experiência pedagógica. Criaram-se 42 turmas, em 42 escolas do país e dois tipos de cursos: técnico-profissionais (TP) de três anos de duração, conferindo um diploma técnico e com acesso “direto” ao ensino superior e cursos Profissionais (P) de um ano de duração seguido de seis meses de estágio complementar, em empresa. O acesso ao ensino superior também é legalmente garantido aos alunos pós-laboral. No ano letivo seguinte, 1984/85, o número de turmas passou para 200 em 106 escolas secundárias. Em 1985/86 elevou-se o número de turmas para 435 e o número de escolas para 135” (Azevedo, 1988:105).


(Capa da obra O Escritório Comercial)
Fonte: ENS. TEC. 19

Joaquim Azevedo, no estudo supracitado, descreve-nos a evolução quantitativa do ensino técnico-profissional. Em dois anos assistimos a um aumento de 182,7% de turmas do ensino técnico-profissional, ou seja, de 42 turmas passa-se para 435.

 A sublinhar que este aumento foi nos anos oitenta do século XX, mas, como é do foro do nosso conhecimento, as medidas legislativas mais importantes, em Portugal, relativas à criação e regulamentação do ensino industrial tiveram lugar na década de 1880, por iniciativa de dignatários, tais como António Augusto de Aguiar [1], Emídio Navarro [2], Eduardo José Coelho [3] e sucessivos ministros das Obras Públicas, Comércio e Indústria:

 “Sobre a história do ensino secundário em Portugal, recordamos que este se confundiu, durante décadas, com o ensino liceal, que evoluiu separadamente para o ensino técnico, remontando à ‘aula do comércio’, criada pelo Marquês de Pombal, em 1759 […]. Contudo, só em meados do século XIX é que o ensino técnico e profissional assumiu importância e significado com Fontes Pereira de melo (1852) e, mais tarde, com Emídio Navarro (1886, a que se deve a mais importante reforma no século passado […].” (Arrotela, 2008:311).

  

São, assim, criadas, em todo o país, escolas industriais, algumas tendo obtido destaque pelos conteúdos programáticos e pedagógicos dos seus currículos, pela componente prática do seu ensino e pela excelência e relevo dos seus professores, muitos deles contratados por concursos internacionais. Por exemplo, Augusto de Aguiar é o criador das escolas industriais e de desenho industrial, pelo Decreto de 3 de janeiro de 1884, e do respetivo Regulamento, datado de 6 de maio do mesmo ano.

O ensino técnico teve um grande incremento, durante o Estado Novo, sobretudo a partir da publicação do Decreto n.º 37 029 de 25 de agosto de 1947 que estabelece o Estatuto do Ensino Técnico Industrial e Comercial.



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O índice de títulos seguidamente apresentado, indica 131 títulos monográficos sobre o ensino técnico, ordenados por título e com a respetiva cota. A pertinência e atualidade dessa documentação estão circunscritas à história da educação, com uma dispersão de valores que vão desde a década de 1940 até à de 1980. Os conteúdos são vários, tantos quantos as necessidades curriculares da época: anuários, bibliografias, topografia, pedagogia, mineralogia, etc. Todos os documentos estão em livre acesso na Biblioteca Histórica do Ministério da Educação e Ciência.








Bibliografia

 

ARROTELA, Jorge de Carvalho (2008). Educação e desenvolvimento: fundamentos e conceitos. [on-line]. Aveiro: Universidade de Aveiro.

[Consulta: 10 fev. 2013].

 

 

AZEVEDO, Joaquim (1988). “Dificuldades de implementação social do ensino técnico em Portugal”. [on-line]. La sociologie et les nouveaux défis de la modernisation; (1988), p. 105-118.

[Consulta: 10 fev. 2013].

 

 

BUENO, Maria Sylvia Simões (2002). “Ensino técnico-profissional no Brasil e em Portugal na perspectiva de integração regional” [on-line]: Revista Brasileira Est. Pedagogia; Vol. 83, N.º 203/204/205 (jan/dez. 2002), p. 44/50.

[Consulta: 10 fev. 2013].

 

 

GOULÃO, Maria José (1989). “O Ensino artístico em Portugal: subsídios para a história da Escola Superior de Belas Artes do Porto”. Mundo da Arte; Nº 3 (1989), p. 21- 37.

 

 

HEROLD, Bernardo J., CARNEIRO, Ana (ca 2003). Antonio Augusto de Aguiar, 1838 – 1887 [on-line].

 

 

RODRIGUES, Lúcia Lima, et al. (2010). A” intervenção do Estado no ensino comercial: o caso da Aula do Comércio, 1759 (I)” [on-line]: Contabilidade; TOC 118 (Jan. 2010), p. 39-48

[Consulta: 10 fev. 2013].

 

 

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­__________   (2003). “A Aula do Comércio: Primeiro estabelecimento de ensino técnico profissional oficialmente criado no Mundo?” [on-line]: Contabilidade; Nº 34 (Jan. 2003), p. 46-54.

http://www2.egi.ua.pt/xxiiaphes/Resumos/c%20Gomes%20&%20Lima.PDF [Consulta: 10 jan. 2013].

 

 

SANTOS, Isabel Cristina de Almeida (2008). Formação e emprego: representações de alunos e professores de uma Escola Profissional de Viseu sobre a relação Escola/Emprego – um estudo de caso [on-line]. Dissertação apresentada à Universidade Portucalense Infante D. Henrique para obtenção do Grau de Mestre em Administração e Planificação da Educação, Porto 2008.

[Consulta: 10 fev. 2013].

 

SANTOS, José Monteiro dos (ca 1950). O escritório comercial. Lisboa: Edição Escola Comercial Ferreira Borges.

 

 

VASCONCELOS, Emília Albertina Sá Pereira de (2010). Sofia de Sousa e o retrato.  Dissertação de Mestrado da História de Arte Portuguesa. Porto: Faculdade de letras da Universidade do Porto.

 

  

P.M. Lisboa, 20 de fevereiro de 2013

 


[1] “António Augusto de Aguiar nasceu em 1838, em Lisboa, e estudou ciências naturais na Escola Politécnica de Lisboa. Em 1861, ocupou o lugar de lente substituto, e, em 1865, o de lente-proprietário de química mineral, nesta mesma escola. Aguiar era 16 anos mais novo do que o seu colega Agostinho Vicente de Lourenço, mas quase contemporâneo no ingresso nos quadros da Escola Politécnica. Como não dispunha de meios financeiros, não teve oportunidade, contrariamente a Lourenço, de adquirir, formação no estrangeiro. Em 1864, foi também nomeado lente de química aplicada no Instituto Industrial de Lisboa, uma escola profissional onde eram ensinados assuntos técnicos, sendo conferidos graus de diferentes níveis, os quais não eram, todavia, equivalentes aos das universidades ou da Escola Politécnica. […] Em 1887, pouco antes de falecer, participa na reunião do Bureau International des Poids et Mesures, em Sèvres, na qualidade de delegado do governo português. Para melhor se compreender a intensa actividade política de Aguiar refira-se que, em 1862, aderiu à Maçonaria, e, em 1886, atingiu a posição de Grão-Mestre.  (Herold e Ana, ca 2003).
[2] Emídio Júlio Navarro (Viseu, 19 de Abril de 184416 de Agosto de 1905).Advogado, Conselheiro de Estado, Ministro das Obras Públicas (1886-1889), Jornalista e Escritor, Emídio Júlio Navarro nasceu em Viseu a 19 de Abril de 1844 e faleceu no Luso a 6 de Agosto de 1905.Foi deputado em várias legislaturas e eleito pela primeira vez por Avis, em 1879 e 1880, por Arouca em 1882 e 1884 e por Coimbra em 1887 e 1890.Como ministro das Obras Públicas produziu fecunda atividade desenvolvendo a viação: ampliou de forma notável o ensino técnico comercial, industrial e agrícola, mandou rasgar grande número das mais importantes estradas de Portugal, ampliou os serviços florestais, criando, protegendo, erigindo e consolidando tudo o que podia ser útil e indispensável ao urgente desenvolvimento do património nacional.
[3] Nasceu em Vilela do Tâmega, Chaves, em 1853. Formou-se em Direito, pela Universidade de Coimbra em 1861. Entrou na carreira da magistratura. Foi advogado em Chaves e governador civil de Bragança. Deputado em várias legislaturas pelo Partido Progressista. Ministro das Obras Públicas pela primeira vez em 23 de Fevereiro de 1889, em Outubro de 1904 e em Maio de 1905, desta vez abraçando a pasta do Reino. Após a proclamação da República afastou-se da política. Morreu em Lisboa a 5 de Abril de 1913.





2013/02/13

Peça do mês de fevereiro



Píxide

Píxide em prata martelada escurecida, constituída por base circular troncocónica elevando-se até ao nó em marfim, com a forma de anel de perfil angular, encimado por pequeno aro cilíndrico, liso, a que se segue a copa esférica com fino rebordo e com encaixe para a tampa. A tampa circular, de um único registo, é constituída por bordo liso e superfície superior ligeiramente elevada, sobrepujada por botão de preensão constituído por duas peças ovoides, dispostas paralelamente e unidas ao centro, tendo cada uma delas, a inscrição "X" e "P" sobrepostos (iniciais da palavra "Cristós"). Está inventariada com o número ME/400348/66 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho.
Esta escola foi criada em 1885 e as suas instalações situavam-se em Alfama, no Largo do Contador-Mor, tendo a designação de Escola D. Maria Pia. Era uma instituição direcionada para o ensino feminino tendo, no seu início, cerca de 45 alunas inscritas. Os primeiros quatro cursos ministrados foram lavores, tipografia, telegrafia e escrituração comercial. Em 1906, a escola passa a Liceu, sendo transferida, em 1911, para o Palácio Valadares no Largo do Carmo. Em 1917 passou a denominar-se Liceu Central de Almeida Garrett. As instalações continuavam a ser exíguas para a quantidade de alunas inscritas e em 1933-34 o Liceu Feminino de Maria Amália Vaz de Carvalho, é transferido para a Rua Rodrigo da Fonseca, onde se mantém até hoje. Em 1975-76, após o 25 de Abril, foram admitidas as primeiras turmas com elementos de ambos os sexos e a designação da instituição mudou para a que atualmente conhecemos.
A Píxide ou cibório vem do grego e significa “caixa”. Segundo o Secretariado Nacional de Liturgia “é mais ou menos sinónimo de patena, o vaso sagrado coberto com uma tampa, para conservar o Sagrada Reserva (Pão eucarístico). Também se chama “píxide” (ou teca) à caixinha mais pequena, com tampa, que se utiliza para levar a comunhão aos doentes”.
A píxide faz parte das chamadas “alfaias litúrgicas", ou seja, dos objetos usados no exercício da liturgia como, por exemplo, os vasos litúrgicos e os paramentos dos ministros. Nesta categoria também se considera a arte sacra, uma vez que se refere ao culto e ao uso sagrado. Este e outros objetos fazem parte de um espólio museológico significativo, utilizado no âmbito da disciplina de Religião e Moral.

Bibliografia e informação adicional:


Para consultar a história da Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho:




2013/02/06

O Astrolábio no Museu Virtual da Educação


(Imagem de astrolábio)

O astrolábio é um instrumento naval, utilizado em contexto das práticas pedagógicas nas aulas de Física, para demonstrações. De forma muito simples, a sua função era medir a altura e a posição dos astros acima da linha do horizonte.

Este instrumento é o resultado prático da aplicação de várias teorias desenvolvidas na antiga Grécia, tendo-nos chegado através da influência árabe.


(Imagem de astrolábio)


Existem vários tipos de astrolábios, como por exemplo, o astrolábio planisférico ou plano, um instrumento sofisticado de construção extremamente complexa. Permitia medir a altura das estrelas, calcular as horas através da posição do Sol, e prever a posição dos astros para determinado dia do ano e para determinada hora.

Apesar da grande variedade de modelos, é constituído essencialmente por uma peça de formato redondo, onde é colocada uma outra, também circular, onde se encontra a projeção da esfera celeste no plano equatorial. Em cima desta move-se uma “aranha”, que indica a posição das principais estrelas.


(Imagem de astrolábio)


Este instrumento era delicado, de difícil manuseamento e exigia grande complexidade de cálculos para ser utilizado. Desta forma, os navegadores portugueses construíram um tipo de astrolábio mais simples e que se vulgarizou na navegação: é o chamado astrolábio náutico.

Para ser utilizado no mar era mais sólido que o astrolábio plano e mantinha-se mais facilmente na posição vertical, mesmo em situações adversas.


(Imagem de astrolábio)


O seu formato pode variar, mas a base da construção é um aro graduado, com um eixo no centro que se encontra seguro por uma armação em cruz. Neste eixo roda uma mira, designada por medeclina. Permitia medir a altura dos astros, como a Estrela Polar ou o Sol ao meio-dia, e assim determinar a latitude.

 

Bibliografia:  


Museu da Ciência (2013) [em linha].

http://museudaciencia.inwebonline.net/default.aspx

[Consulta: 4 de Fevereiro de 2013]

 

Instituto Camões (2013) [em linha].

http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/e7.html

[Consulta: 4 de Fevereiro de 2013]

 

Universidade de Coimbra – Departamento de Matemática (2013) [em linha].

http://www.mat.uc.pt/~helios/Mestre/Guia/G01astro.htm

[Consulta: 4 de Fevereiro de 2013]

 

  

MJS