2020/11/19

Peça do mês de novembro/2020



Variómetro/ Barómetro de Hefner-Alteneck
O Variómetro de Hefner-Alteneck era utilizado para determinar a variação da pressão atmosférica com a altitude. Consta de uma garrafa de vidro de 1 litro, envolta em feltro para garantir o seu isolamento térmico, com rolha de borracha atravessada por um tubo de vidro estreito e dobrado. O tubo forma uma parte horizontal que leva uma gota de petróleo para servir de índice. A sua posição pode ser lida numa escala graduada posterior.
Friedrich Heinrich Philipp Franz von Hefner-Alteneck (1845-1904)  foi um engenheiro eletrotécnico alemão, que desenvolveu vários instrumentos científicos, nomeadamente a Lâmpada de Hefner. Colaborou com Werner von Siemens e foi eleito membro da Academia Real das Ciências da Suécia em 1896.
A peça está inventariada com o número ME/404652/196 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária de Pedro Nunes.
MJS

2020/11/16

Património imaterial de Portugal: Artesanato de Estremoz


(Imagem de artesanato de Estremoz que representa 3 figuras masculinas sentadas a uma mesa. Retirada da internet)

As figuras de barro, mais conhecidas como “bonecos” de Estremoz fazem parte de uma arte com mais de três séculos de tradição. Foram identificadas mais de 100 figuras diferentes, relacionadas com a temática do quotidiano rural e urbano.

A primeira menção a estas figuras data do inicio do século XVIII. Em 1770 há referência a mulheres que produziam figuras de barro. A sua origem é, possivelmente, de natureza espiritual, ou seja, o povo gostava de ter em sua casa alguns santinhos e na impossibilidade de os comprar, começaram a elaborar estas figuras.

Partindo deste pressuposto, começaram a surgir presépios, onde se inclui a Sagrada Família, os Reis Magos e as figuras características do povo como o pastor, a mulher das galinhas e outros.

(Imagem de artesanato de Estremoz que representa um presépio. Retirada da internet)


No início do século XX, o fabrico destas peças quase desapareceu com a morte de Gertrudes Rosa Marques. Através da fundação da Escola de Artes e Ofícios de Estremoz em 1924 por José Maria Sé Lemos, retomou-se a produção com a barrista Ana das Peles. Depois seguiu-se Mariano da Conceição, oleiro da família Alfacinha, que deu novo fôlego a esta arte. Seguiu-se Sabrina Santos, sua irmã e posteriormente Liberdade da Conceição, sua esposa.

Surge assim uma nova geração de bonequeiros, como é o caso de António Lino de Sousa, José Moreira e Mário Lagartinho e muitos outros.

(Imagem de artesanato de Estremoz que representa 3 figuras femininas. Retirada da internet)


A sua produção é relativamente simples, utilizando três tipos de processos como a bola, a placa e o rolo. Depois de moldada a figura, fica a secar vários dias, sendo depois cozida a 800º. Seguidamente, a pintura feita com óxidos de terra misturados com cola. Após a secagem da tinta é aplicado um verniz para proteção da mesma. As cores são sempre fortes e garridas, conferindo à peça um aspeto alegre.

Em 2017 esta arte foi considerada Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

Para mais informações aceda à página da Câmara Municipal de Estremoz .


MJS


2020/11/12

Património Imaterial de Portugal

 

(Imagem com alguns elementos representativos do património imaterial de Portugal. Retirada da internet)


O património imaterial é uma das categorias do património cultural, onde se concentram tradições e expressões culturais de um grupo de pessoas, devendo ser preservadas para posteridade. Aqui se incluem elementos tão dispersos como lendas, música, dança, costumes, celebrações, saberes e práticas tradicionais.

De acordo com o estabelecido na Lei 107/2001 de 8 de setembro entende-se património imaterial “como todos os bens que, sendo testemunhos com valor de civilização ou de cultura portadores de interesse cultural relevante, devem ser objeto de especial proteção e valorização.” Inclui bens de caráter histórico, arqueológico, paleontológico, arquitetónico, linguístico, documental, artístico, etnográfico, científico, social, industrial ou técnico e ainda “bens imateriais que constituam parcelas estruturantes da identidade e da memória coletiva do povo português”.

O património imaterial foi reconhecido em 2003 como uma categoria interna do património cultural da humanidade, com o apoio e reconhecimento da UNESCO. Assim sendo, esta organização considera vários tipos de património, cujo valor pode ser histórico, arqueológico, ambiental ou natural. Existem todos os anos vários tipos de candidaturas a este estatuto.

De acordo com a Comissão Nacional da UNESCO, o património imaterial em Portugal inclui:

    - Falcoaria (partilhado com a Bélgica, República Checa, França, Coreia, Mongólia, Marrocos, Qatar, Arábia Saudita, Espanha, Síria, Emirados Árabes Unidos, Áustria e Hungria);

    - Dieta Mediterrânica (partilhado com Itália, Grécia, Chipre, Croácia, Espanha e Marrocos);

    - Fado;

    - Cante Alentejano;

    - Artesanato de Estremoz;

    - Arte Chocalheira;

    - Olaria Negra de Bisalhães;

    - Carnaval de Podence.


O património cultural português faz parte do património mundial classificado pela UNESCO desde 1983. Apresentamos uma listagem dos vários tipos de bens materiais e imateriais que a integram:


1983

Centro histórico de Angra do Heroísmo (Açores), Mosteiro da Batalha, Mosteiro dos Jerónimos/Torre de Belém (Lisboa) e Convento de Cristo (Tomar)

1986

Centro histórico de Évora

1989

Mosteiro de Alcobaça

 1995

Paisagem cultural de Sintra

 1996

Centro histórico do Porto

 1998

Sítios Pré-históricos de Arte Rupestre do Vale do Rio Côa

1999

Floresta Laurissilva da Madeira

 2001

Centro histórico de Guimarães e Alto Douro Vinhateiro

2004

Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, nos Açores

 2011

Fado

 2012

Fortificação de Elvas

 2013

Universidade de Coimbra

Dieta mediterrânica

 2014

Cante Alentejano

 2015

Processo de fabrico de chocalhos em Portugal considerado Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente.

2016

Processo de fabrico do barro preto de Bisalhães, em Vila Real  inscrito na lista do Património Cultural Imaterial que necessita de salvaguarda urgente da UNESCO.

Falcoaria

2017

Produção dos "Bonecos de Estremoz"

2019

Carnaval de Podence


MJS

2020/11/09

Agrupamento de Escolas D. Filipa de Lencastre, Lisboa

(Imagem da escola-sede do Agrupamento de Escolas D. Filipa de Lencastre. Retirada da Internet)

O Agrupamento de Escolas D. Filipa de Lencastre, formado em 2007, está localizado no concelho de Lisboa, freguesia do Areeiro, tendo, desde então, sofrido ligeiras alterações à respetiva designação e constituição.


“O Agrupamento é […] reconhecido pela Junta de Freguesia do Areeiro e pela Câmara Municipal de Lisboa como um parceiro disponível e empenhado, demonstrado no seu envolvimento, nomeadamente no programa da natação e da vela e nos projetos da Luz e da Cor, do Charco e da Horta Pedagógica, bem como na Feira das Ciências, entre outros” (Agrupamento de Escolas D. Filipa de Lencastre, 2016:5).


O referido agrupamento celebrou contrato de autonomia com o Ministério da Educação e Ciência em outubro de 2013, que ainda se encontra em vigor. Este agrupamento integra os seguintes estabelecimentos de educação:  

    1. Escola Básica e Secundária D. Filipa de Lencastre (escola sede);

    2. Escola Básica de São João de Deus;

    3. Jardim de Infância António José de Almeida.

 

 

    1. Escola Secundária 2,3 D. Filipa de Lencastre

 

(Imagem da escola-sede do Agrupamento de Escolas D. Filipa de Lencastre. Retirada da Internet)

A Escola Secundária D. Filipa de Lencastre, anteriormente denominada Liceu D. Filipa de Lencastre, é uma escola de ensino secundário pública localizada no Arco do Cego em Lisboa.

A escola foi batizada em honra de D. Filipa de Lencastre, rainha consorte de Portugal, por casamento com o Rei D. João I.  Sendo inicialmente um liceu feminino, a escola passou a ser de frequência mista em 1974.

O Liceu de Dona Filipa de Lencastre foi criado pelo Decreto nº 15971, de 21 de setembro de 1928, tornando-se o quarto liceu feminino do país e o segundo da capital (o outro era o Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho). O seu primeiro diretor foi Mário da Costa Cabral, docente do Liceu Camões, uma decisão muito polémica.

As primeiras instalações localizavam-se num palacete localizado na Rua do Quelhas, n.º 36. Deu-se início ao ano escolar em 29 de outubro de 1928, com uma frequência de nove turmas do curso geral liceal.

A escola foi construída a partir de um projeto de Jorge Segurado, resultante da participação deste arquiteto num concurso público lançado pelo então Ministério da Instrução Pública, dirigido por Duarte Pacheco.

O edifício procura adequar a modernidade ao tradicional, representado pelo bairro social do Arco do Cego, aproveitando o pavilhão construído anos antes, em 1929, com base num projeto de Carlos Ramos, que procura uma expressão volumétrica futurística.

Após a construção do pavilhão, este projeto foi abandonado, sendo continuado posteriormente, com base no trabalho de Jorge Segurado, que procura não fugir à simetria, aproveitando o ginásio e colocando-o no eixo da entrada. O edifício apresenta, assim, uma forma quadrada com pátio interior.

De acordo com um projeto que existe em exposição na Escola, inicialmente o desenho era para ser uma escola primária dividida ao meio, sendo a parte direita reservada ao sexo feminino e a outra ao sexo masculino. De notar a disposição das salas, todas elas orientadas a Sul, de modo a aproveitar a luz solar.

Entrou em funcionamento no ano letivo de 1938-1939, como liceu feminino. De 1938 a 1974 as alunas eram identificadas pela cor do emblema do Liceu. No ano letivo de 1974-1975 passou a misto. No ano de 2010 foi constituída a Associação de Antigos Alunos.

O antigo Liceu D. Filipa de Lencastre está classificado desde 2012 como Monumento de Interesse Público.

 


2. Jardim de Infância António José de Almeida

 

(Imagem de mãos de crianças pintadas de várias cores. Retirada da Internet)

Situado em Lisboa, na Avenida António José de Almeida[1], n.º 24, o Jardim de Infância António José de Almeida desenvolve as suas atividades letivas, diariamente, entre as 9h00 e as 15h30. Fora desse horário, têm lugar as Atividades de Animação e Apoio à Família, que são desenvolvidas em parceria com o Agrupamento de Escolas D. Filipa de Lencastre, a Câmara Municipal de Lisboa e a Junta de Freguesia do Areeiro, por delegação de competências da Câmara Municipal de Lisboa:

 

“visa contribuir para o bem-estar das crianças na escola, dando-lhes estabilidade, apostando na qualidade dos professores e monitores que com elas trabalham. E aposta também na diversificação das atividades, pois entende que esta permite alargar as experiências das crianças e desenvolver os seus talentos” (Jardim de Infância António José de Almeida, 2017).

 

 

    3. Escola Básica de S. João de Deus

 

(Imagem da Escola Básica de S. João de Deus do Agrupamento de Escolas D. Filipa de Lencastre. Retirada da Internet)

As atividades letivas da Escola Básica de S. João de Deus[2] decorrem diariamente entre as 08.30h e as 15.15h, consoante os anos. As Atividades de Enriquecimento Curricular da EB1 São João de Deus são desenvolvidas em parceria com o Agrupamento de Escolas Dona Filipa de Lencastre e a Câmara Municipal de Lisboa.

Existem 3 atividades anuais: música, educação física e inglês (com exceção dos 3º e 4º anos), todas com 1 hora semanal. Os outros dois dias são ocupados com atividades semestrais: esgrima, xadrez, robótica, teatro, Filosofia e clube das emoções.

Estas atividades decorrem diariamente, são de frequência gratuita e de inscrição facultativa (Portaria nº 644-A/2015, Artigo 8º). Procura-se, assim, estimular a criatividade das crianças, sem impor horários nem atividades fixas.

 A Associação de Pais e Encarregados de Educação da EB1 São João de Deus é uma instituição sem fins lucrativos dirigida exclusivamente por pais e encarregados de educação em regime integral de voluntariado.

 

P.M.

 

BIBLIOGRAFIA:

 

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS D. FILIPA DE LENCASTRE (2016).  Avaliação externa das escolas, relatório [em linha]. Lisboa: AEFL [Consult. 21 de outubro de 2020]. Disponível: https://www.igec.mec.pt/upload/PUBLICACOES/AEE/LISBOA/LISBOA_Lisboa_AEE_D_Filipa_Lencastre_2016_2017_R.pdf

 

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS D. FILIPA DE LENCASTRE (2016).  EB 1 São João de Deus [em linha]. Lisboa: AEDFL [Consult. 21 de outubro de 2020]. Disponível: http://www.aedfl.pt/eb-1-sao-joao-de-deus/

 

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS D. FILIPA DE LENCASTRE (2016). E.S 2,3 D. Filipa de Lencastre [em linha]. Lisboa: AEDFL [Consult. 21 de outubro de 2020]. Disponível: http://www.aedfl.pt/es-23-d-filipa-de-lencastre/

 

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS D. FILIPA DE LENCASTRE (2016). Jardim de Infância António José de Almeida [em linha]. Lisboa: AEDFL [Consult. 21 de outubro de 2020]. Disponível: http://www.aedfl.pt/jardim-infancia/

 

ASSOCIAÇÃO DE JARDINS-ESCOLAS JOÃO DE DEUS (s.d.) João de Deus [em linha: Lisboa: Associação de Jardins-Escolas João de Deus [Consult. 21 de outubro de 2020]. Disponível: http://www.joaodeus.com/associacao/biografias.asp?id=1

 

ASSOCIAÇÃO DE PAIS E ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO DA EB1 SÃO JOÃO DE DEUS (s.d.). A associação [em linha]. Lisboa: Associação de Pais e Encarregados de Educação da EB1 São João de Deus [Consult. 21 de outubro de 2020]. Disponível: http://www.apeesjd.pt/apee/

 

JARDIM DE INFÂNCIA ANTÓNIO JOSÉ DE ALMEIDA (2017). Regulamento das Atividades de Animação e Apoio à Família (AAAF) [em linha]. Lisboa: AAAF [Consult. 21 de outubro de 2020]. Disponível: http://www.apeesjd.pt/wp-content/uploads/2017/09/RegulamentoAAAF20172018.pdf

 

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA PORTUGUESA (s.d.). António José de Almeida [em linha]. Lisboa: PRP [Consult. 21 de outubro de 2020]. Disponível: http://www.presidencia.pt/?idc=13&idi=32

 


[1] Um dos mais populares dirigentes do Partido Republicano, desde muito novo manifestou ideias republicanas. Era ainda aluno de Medicina em Coimbra quando publicou no jornal académico Ultimatum um artigo que ficou famoso, intitulado «Bragança, o último», que foi considerado insultuoso para o rei D. Carlos. Foi candidato do Partido Republicano em 1905 e 1906, sendo eleito deputado nas segundas eleições realizadas neste ano, em agosto. Em 1906, em plena Câmara dos Deputados, equilibrando-se em cima duma das carteiras, pede aos soldados, chamados a expulsar os deputados republicanos do Parlamento, a proclamação imediata da república. No ano seguinte adere à Maçonaria. Ministro do Interior do Governo Provisório, foi depois várias vezes ministro e deputado, tendo fundado em fevereiro de 1912 o partido Evolucionista, que dirigirá, partido republicano moderado organizado em torno do diário República, que tinha criado em janeiro de 1911, e que também dirigia, opondo-se ao Partido Democrático de Afonso Costa, mas com o qual se aliou no governo da União Sagrada, em março de 1916, ministério de que foi presidente. Em 6 de Agosto de 1919 foi eleito presidente da República e exerceu o cargo até 5 de outubro de 1923, sendo o único presidente que até 1926 ocupou o cargo até ao fim do mandato.

[2] João de Deus Ramos Nogueira nasceu a 8 de março de 1830 em São Bartolomeu de Messines. Foi batizado a 16 de março do mesmo ano pelo pároco Joaquim Raimundo Marques. Tinha 19 anos quando saiu do seminário e se matriculou em Direito na Universidade de Coimbra onde frequentou o 1.º ano. A 13 de Julho de 1859 terminou o curso e decidiu permanecer em Coimbra, colaborando com os jornais: Estreia Litteraria, Atheneu, Preludios Litterarios, Academico, Instituto, Phosphoro e Tira-Teimas e traduzindo obras do francês para o português. As suas poesias ganharam fama entre o meio académico. Em 1862 publicou Pachá Janina, obra contra o Reitor da Universidade de Coimbra e partiu para o Alentejo onde colaborou na redação dos jornais O Bejense (de Beja) e A Folha do Sul (de Évora). João de Deus mudou-se para Lisboa onde prestou juramento e tomou assento nas Cortes a 18 de maio de 1868. Sem filiação partidária e sem integrar nenhuma comissão, nunca usou a palavra, limitando-se a estar presente. Na capital frequentou assiduamente as tertúlias do Café Martinho situado no Rossio. Viveu num pequeno quarto alugado na Rua dos Correeiros, n.º 221, 5.º andar, onde recebia muitos amigos. Em 1870 recebeu um convite do senhor Rovere da Casa Rolland para criar um método de leitura adaptado à língua portuguesa e inicia desde logo esse seu novo projeto a que chamará mais tarde Cartilha Maternal ou Arte de Leitura. A 2 de Agosto de 1888 foi nomeado vitaliciamente Comissário Geral do Método de Leitura Cartilha Maternal. No dia do seu 65º aniversário, a 8 de março de 1895, foi agraciado pelo rei D. Carlos com a condecoração Grã-Cruz de Santiago. O rei tomou a iniciativa de ir pessoalmente a sua casa entregá-la. Morreu no seu quarto, às 22 horas, vítima de miocardite crónica, a 11 de janeiro de 1896. A 1 de Dezembro de 1966 o seu corpo foi trasladado para o Panteão Nacional.

 

2020/11/05

Revista "A Águia" e a Renascença Portuguesa

(Imagem da capa da revista A Águia. Órgão da Renascença Portuguesa)


A revista A Águia foi uma revista de âmbito literário, artístico, científico, filosófico e de crítica social publicada na cidade do porto entre 1910 e 1932. A revista começou por ser bimensal e depois mensal, o órgão por excelência do movimento da Renascença Portuguesa. Teve 250 edições repartidas por 5 séries.

   
(Imagem de vários colaboradores da revista A Águia)

A publicação foi iniciada em dezembro de 1910, com a designação de quinzenal ilustrada de literatura e crítica. Jaime Cortesão foi o orientador d’ A Águia nesta primeira fase. O seu diretor e proprietária era Álvaro Pinto. A missão d’A Águia era reunir intelectuais dispersos, publicar inéditos e contribuir para uma política de renascimento cultural da identidade portuguesa.

Em 1912 foi adquirida pela Renascença Portuguesa, tornando-se o seu órgão oficial. O seu diretor foi Tércio de Miranda. A chamada Renascença Portuguesa foi um movimento cultural com um ideal nacionalista, ligado ao neogarretismo e a uma corrente do sebastianismo. O neogarrettismo foi um movimento que recuperou os ideias defendidos por Almeida Garret (1799-1854), sobretudo a salvaguarda e promoção do património cultural português.

Após a implantação da república, os intelectuais tentaram contribuir positivamente para a construção de uma nova sociedade. A Primeira República deparou-se com problemas em vários setores da vida portuguesa

Entre 1912 e 1932 foram diretores da revista Teixeira de Pascoaes, António Carneiro, Leonardo Coimbra, Teixeira Rego, Hernâni Cidade, Adolfo Casais Monteiro, Sant’Anna Dionísio, Aarão de Lacerda e Delfim Santos.

A maioria dos números teve a orientação de Teixeira de Pascoes, teorizador do saudosismo metafísico, tendo optado pela publicação de material inédito em Portugal. Numa segunda fase, Leonardo Coimbra foi o grande mentor.

(Desenho da autoria de António Carneiro, representando um homem de perfil. Retirado da internet)

A influência da revista na sociedade portuguesa foi enorme, agrupando autores com diversas tendências literárias como Raul Proença e António Sérgio. Juntamente com Jaime Cortesão, Raul Brandão e Augusto Casimiro, irão estar presentes nas publicações e fundação da Seara Nova.

A característica mais marcante da revista foi o uso frequente de aliterações, onomatopeias e as maiúsculas. Aqui se incluem nomes como Augusto de Santa-Rita, Ronald de Carvalho, Bento de Oliveira Cardoso e Castro, Mário Beirão, António Correia de Oliveira, Afonso Lopes Vieira, Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro.

Os dois princípios fundamentais d’ A Águia eram: a vida é um movimento em constante transformação, com dinamismo e ausência de preconceitos; os intelectuais teriam a missão de criticar o preconceito e transformar o pensamento.

Apesar do sucesso obtido pela revista e pelo movimento, houve desde o início algumas dissidências internas, que resultaram noutros movimentos e publicações. Em 1932 A Águia cessou as suas publicações, já estando com uma atividade editorial muito reduzida desde 1920.

A Biblioteca da Secretaria-Geral da Educação e Ciência dispõe de um exemplar desta revista, ao qual poderá aceder através do SIBME.


MJS e EE

2020/11/02

Alguns dos melhores museus ... em Viseu


“A atribuição do epíteto de Cidade-Jardim a Viseu não é de agora. Entre os anos 20 e 30 do século XX, diversos executivos municipais promoveram melhoramentos a nível dos espaços públicos da cidade. As autênticas manchas florestais constituídas pelo Parque do Fontelo e pela Cava de Viriato conjugavam-se com os diversos jardins (alguns de criação recente) e com o crescente número de árvores rodeando as novas artérias urbanas. Os guias turísticos dos anos 40 do século XX e os relatos dos viajantes que demandavam a cidade por essa altura já faziam eco dessa fama de cidade-jardim.
A consagração institucional desse epíteto está documentada desde 1935, através da promoção turística desenvolvida pela Comissão de Iniciativa e Turismo de Viseu, uma das dezenas de entidades similares criados pelo regime republicano, em 1921, para o desenvolvimento do turismo a nível local”.

O museu apresenta a história de Viseu, valorizando o seu património e as suas gentes. O núcleo expositivo foi inaugurado em 2018 e em 2019 surgiu a Imagioteca: centro de recursos dedicado à preservação, digitalização e divulgação arquivística. Possui igualmente património fílmico e imagético da cidade. Se desejar, pode fazer uma visita virtual.

Criado em 1916, este museu localiza-se numa das dependências da Sé catedral de Viseu. No seu espólio destacam-se as pinturas de retábulo, provenientes da catedral e de outras igrejas da região da autoria de Grão Vasco (1475 – 1542) e de contemporâneos. Possui ainda objetos ligados à prática da liturgia, do período românico até ao barroco, bem como pintura portuguesa dos séculos XIX e XX, faianças, porcelanas, mobiliário e têxteis.

Francisco de Almeida Moreira (1873 – 1939) foi um dos maiores precursores da arte e cultura de Viseu. Com bastante gosto pelo desenho, conheceu algumas das figurais centrais do panorama cultural português como António Ramalho e Columbano Bordalo Pinheiro. Fundou o Museu Grão Vasco e aquando da sua morte, deixa à cidade a sua casa e a sua coleção. A casa abriu ao público em 1965 e aqui se encontram pinturas de Silva Porto, Marques de Oliveira, José Malhoa, Columbano e António Ramalho. A coleção de faianças portuguesas merece destaque.

Idealizado por Galopim de carvalho, geólogo, é um museu único, situado no Monte de Santa Luzia, local de extração de quartzo pela “Companhia Portuguesa de Fornos Elétricos). É um centro interativo que pretende a preservação do património natural, bem como a investigação e estudo na área da mineralogia.

Este museu, um dos mais antigos de Portugal, constituído em 1942, possui um acervo com peças únicas da vivência da catedral. Aqui há mais de 900 anos de história, sendo o objeto mais antigo datado do século XI. Divide-se em quatro núcleos: sala do coro, sala capitular, sala dos paramentos e sala do tesouro. Destacam-se, por exemplo, cofres medievais de Limoges ou a custódia de ouro de D. Miguel da Silva.

Situa-se na aldeia de Várzea de Calde, onde é recriado o quotidiano agrícola desta região, incluindo áreas como os currais, o lagar, a adega e a cozinha. O tear está presente, uma vez que as raparigas aprendiam desde cedo a fiar. Assim, o objetivo deste museu é preservar a tradição do linho e da lavoura tradicional, património desta região. Está patente todo o processo de produção do linho, desde a plantação até à confeção de artigos.



MJS

2020/10/29

Exposição virtual: "Animais taxidermizados no Museu Virtual da Educação"

A taxidermia é uma forma de conservação de animais vertebrados com o intuito de criar coleções científicas ou conservar espécimes ameaçados de extinção. O processo envolve conhecimentos de várias áreas para além da biologia: é caso da química, da anatomia, da ecologia, das artes plásticas, entre outras. As técnicas utilizadas são várias e incluem a preparação de esqueleto e da pele; a montagem, reconstituindo as características físicas do animal; e, por vezes, o seu habitat.

Atualmente, a taxidermia constitui um instrumento auxiliar do ensino, fazendo parte não só de acervos museológicos, mas também de acervos didáticos. Desta forma, os alunos podem observar e manusear vários espécimes de difícil acesso, o que facilita a aprendizagem de conteúdos programáticos. Estudar, conhecer, explorar e comparar anatomicamente diferentes animais era uma componente letiva de caráter muito prático, cujos materiais disponíveis ocupam uma percentagem considerável do espólio museológico de cada instituição.

As coleções existentes resultam, em geral, de animais recolhidos no seu meio ambiente e preparados para que resistam aos anos. Para além dos animais em si, podem também fazer parte desta tipologia alguns resquícios das atividades dos animais, como é o caso de ninhos, ovos ou pegadas. Esta exposição engloba vários tipos de pássaros, mamíferos e peixes, demonstrando a variedade de espécimes existentes nas escolas portuguesas. Por serem mais facilmente perecíveis, são coleções que devem ser preservadas, uma vez que são uma peça central na aprendizagem, estabelecendo uma ponte entre o mundo natural e o seu estudo e conhecimento. Para saber mais, aceda ao Museu Virtual da Educação.


Faisão

ME/341526/203

ME/Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos Francisco de Arruda

Espécime taxidermizado que servia para o estudo e observação nas aulas de Ciências Naturais. Este exemplar encontra-se colocado sobre uma base de madeira rectangular, numa posição de alerta, com a cabeça levantada. O faisão é uma ave galiforme de corpo robusto, pernas e asas curtas. Todas as espécies de faisão apresentam forte dimorfismo sexual, sendo o macho maior e mais colorido que a fêmea, com longas penas posteriores, que se assemelham a uma cauda. A sua alimentação é constituída por fruta, raízes, insectos, folhas e verduras. Classificação científica: Reino: Animal; Filo: Chordata; Classe: Aves; Ordem: Galliformes; Família: Phasianidae.


Ave-do-paraíso

ME/402436/1600

Escola Secundária de Passos Manuel

Espécime taxidermizado que servia para o estudo das aves nas aulas de Ciências Naturais. Este exemplar encontra-se colocado sobre uma base de madeira redonda, da qual se eleva um poleiro, onde a ave está assente. A ave-do-paraíso tem como característica mais marcante a plumagem exuberante dos machos da maioria das espécies, utilizada como ornamento nos rituais de acasalamento. O grupo é típico da Australásia e está presente nas regiões tropicais do Norte da Austrália, Nova Guiné, Indonésia e Ilhas Molucas. As aves-do-paraíso habitam principalmente zonas de floresta tropical. São aves de pequeno a médio porte, medindo entre 15 a 120 cm de comprimento, incluindo a cauda. O grupo é notório por dimorfismo sexual extremo. O bico é curto e forte e adaptado a uma alimentação omnívora, baseada em frutos, folhas e animais como anfíbios, insetos e outros invertebrados. Devido à sua plumagem, bastante cobiçada, é uma ave em vias de extinção. Classificação Científica - Reino: Animalia; Filo: Chordata; Classe: Aves; Ordem: Passeriformes; Família: Corvidae; Subfamília: Corvinae.


Cação

ME/400117/47

Escola Secundária D. Pedro V

Cação taxidermizado utilizado para estudo e observação nas aulas de Ciências Naturais. Este exemplar está montado numa base de madeira e a sua posição emita o aspeto natural quando se encontra no mar. Classificação científica - Reino: Animalia; Filo: Chordata; Classe: Chondrichthyes; Subclasse:Elasmobranchii; Ordem:Hexanchiformes; Subordem: Selachimorpha; Família:Hexanchidae; Género: Notorynchus; Espécie: N. cepedianus.


Peixe-boi

ME/402436/1520

Escola Secundária de Passos Manuel

Espécime utilizado para o estudo de matérias das ciências naturais. O exemplar encontra-se taxidermizado, assente em dois pinos de metal, sobre uma placa de madeira. Classificação científica: Reino: Animalia; Filo: Chordata; Classe: Actinopterygii; Ordem: Tetraodontiformes; Família: Ostraciidae; Género: Acanthostracion; Espécie: A. quadricornis.. Acanthostracion quadricornis é o nome científico do peixe também designado vulgarmente como baiacu-chifrudo, baiacu-de-chifre, chifrudo, taoca, peixe-boi e peixe-vaca. Originário de águas temperadas e tropicais do Atlântico, disseminou-se nas regiões costeiras do Massachusetts, das Bermudas, do Golfo do México e do Brasil. Alguns dos seus nomes vulgares compreendem-se devido à existência de um par de espinhos sobre os olhos e outro na parte anterior da região ventral.


Tatu

ME/402436/1511

Escola Secundária de Passos Manuel

Espécime utilizado para o estudo de matérias das ciências naturais. Encontra-se taxidermizado, sobre uma placa de madeira. Classificação científica: Reino: Animalia; Filo: Chordata; Classe: Mammalia; Infraclasse: Placentalia; Superordem: Xenarthra; Ordem: Cingulata. O tatu é um mamífero da ordem Xenarthra, família Dasypodidae, caracterizado pela armadura que cobre o corpo. Originários do continente Americano, os tatus estão presentes em habitats muito diversos.


Chimpanzé

ME/402709/2

Escola Secundária Rodrigues de Freitas

Chimpanzé (Pan troglodytes) taxidermizado com o objetivo de evidenciar as características da morfologia externa do animal nas aulas de Ciências Naturais. Os chimpanzés têm dimensões relativamente pequenas, em relação ao orangotango, e mantêm-se trepadores ágeis durante toda a vida. Têm um regime alimentar variado incluindo frutos, insetos, ovos de pássaro e outros alimentos. Alimentam-se e dormem nas árvores, construindo os ninhos com galhos flexíveis e frondosos. As mãos e os pés são adaptados à vida arborícola, sendo as mãos hábeis capazes de manipulação versátil. São inteligentes e com o cérebro desenvolvido. Investigações sobre o seu comportamento revelaram que podem aprender a realizar certas tarefas utilizando um raciocínio lógico. Este exemplar provém da África Central ou Ocidental e trata-se de um espécime vulnerável à extinção. Destaca-se o corpo revestido de pelos castanho-escuros a preto. Os braços mais compridos do que as pernas favorecem o balançar de ramo em ramo entre as árvores. Polegar e dedo grande do pé oponível aos outros dedos, conferindo grande habilidade de manipulação. Expressão facial capaz de traduzir sentimentos. 


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