2012/11/28

Calvet de Magalhães (1913 - 1974) - O "designer" de capas de material escolar



(Foto de Calvet de Magalhães. Retirada da internet)





Magalhães, M.M. Calvet de, 1913-1974

 

Magalhães, M. Calvet de

Magalhães, Calvet de

Magalhães, C. de

Magalhães, M. M. de S. Calvet de

Magalhães, Manuel Maria de Sousa Calvet de

Magalhães, Manuel Calvet de

 

  

Manuel Maria de Sousa CALVET DE MAGALHÃES nasceu em Lisboa, a 8 de março de 1913. Depois de ter concluído o curso liceal no Liceu Passos Manuel, frequentou o Curso de Pintura Histórica na Escola de Belas-Artes de Lisboa e o Curso de Cenografia na Secção de Teatro do Conservatório Nacional de Lisboa.

Foi professor e metodólogo da disciplina de Desenho no ensino técnico, artista plástico, jornalista e publicista. Notabilizou-se, sim, como pintor e recebeu o Prémio Nacional de Arte Luís Lupi e o Prémio Amadeu Sousa Cardoso.

Nos anos quarenta, faz a rotura com a carreira artística e dedica-se inteiramente à docência, sendo que, aos 23 anos já a lecionava a disciplina de desenho na Escola Industrial Marquês de Pombal.

Em meados da década de quarenta iniciou um estágio para professor do 5.º grupo no Ensino Técnico, na Escola Jácome Ratton, em Tomar. Ficou aprovado com uma tese invulgar – Metodologia do bordado (nesta investigação são descritos detalhes etnográficas e gostos por rendas e bordados portugueses).

Desde 1950, Calvet, para além de várias funções, foi inspetor do Ensino Técnico e membro de diversas comissões, entre as quais, destacamos a administração de Escolas técnicas - boletim de acção educativa.


 

“Na sua opinião, a presença do Desenho na escola técnica preparatória, e a montante daquele ‘princípio geral’, encontra legitimidade enquanto parte e contributo para a formação de uma cultura geral e, subsidiariamente, pelo seu caracter utilitário.” (Nóvoa, 2003:847)

 

Ainda assim, fora da sala de aula, o seu nome era associado à ilustração de obras infantis, a partir de 1953 – visando a educação através da arte, desde tenra idade. Quando acedeu ao cargo de diretor da Escola Técnica Elementar Francisco de Arruda, em 1956, a sua cumplicidade arte/criança ganha um folgo quase místico – assim, emana a obra: O Natal visto pelas crianças (1964-1968) – (cota: JBM 423).

O desenho gráfico foi, quiçá, um dos subterfúgios de realização de Calvet, se assim o entendermos. Verificamos que Calvet de Magalhães é um dos artistas, com maior relevo, na ilustração de material pedagógico. Destacamos, assim, algumas tipologias ilustradas pelo nosso artista e que se encontram disponíveis na Biblioteca Histórica do Ministério da Educação e Ciência: 

Capas de manuais escolares, como por exemplo:

– Nau Catrineta (cota: FG 122-1)

– Volta ao mundo (cota: FG 123)

–Elementos de contabilidade (cota: ESDMF 2537-1)                                                 

 

Capas de publicações periódicas, como por exemplo:

­­– Escolas técnicas: boletim de acção educativa (cota: BMEP PP 70)

 

Capas de coleções educativas de época, como por exemplo:

– Aprenda a desenhar (Cota: ED. AD. 128)

– A criança e o teatro (Cota: ED. AD. 102)

– Bordados e rendas de Portugal (Cota: ED. AD. 132)

 


Material pedagógico diverso, como por exemplo:

– A escola e o teatro (cota: BMEP 1349)

– A lima (cota: ESDMF 2882)

– Francês fundamental, […] (cota: ESDMF 3595)

            – Índice de cursos (cota: ESDMF 2869)

 

A partir de meados dos anos sessenta os seus interesses faziam eco em publicações várias, tais como:

 

-  Seiva: boletim de pedagogia, didáctica e cultura dos Serviços de Educação de Moçambique (cota: BMEP PP 146)

-  Boletim CODEPA, Centro de Orientação e Documentação de Ensino Particular (cota: BMEP PP 125, EMA PP 19)

-  Boletim da Mocidade Portuguesa (cota: BMEP PP 362, ESDMF PP89)

-  Escolas técnicas: boletim de acção educativa (cota: BMEP PP 70, EFB PP 1, ESDMF PP 31, EMA PP 4)

-  Escola portuguesa: boletim do ensino primário oficial (cota: BMEP PP 87)

 

Nesta mesma década, Calvet de Magalhães presenciou as reformas da educação levadas a cabo por Galvão Teles. Tal proximidade valeu-lhe a nomeação para a direção do Centro de Estudos de Pedagogia Audiovisual, do Instituto de Alta Cultura, em 1964 e, ainda, vogal do Conselho Pedagógico do IMAVE (depois ITE), em 1965.

Nesta conjetura educacional, Calvet difunde, massivamente, o desenho e a imagens no seio da comunidade escolar, em todos os quadrantes de ensino. Em 1956 é nomeado diretor da Escola Elementar Francisco de Arruda, cargo que ocupou até ao seu falecimento.

São apresentadas algumas ilustrações, de capas desenhadas por Calvet de Magalhães, quer de manuais escolares, quer de outro tipo de material pedagógico. Não obstante, não fomos exaustivos devido à não disponibilidade dos documentos em questão.








Bibliografia:

 

FIALHO JÚNIOR, Alberto (1964). Francês fundamental, métodos áudio-visuais, laboratórios de línguas e estágios de actualização de conhecimentos. Lisboa: Boletim Escolas Técnicas da Direcção-Geral do Ensino Técnico Profissional. (cota: ESDMF 3595).

 

GOMES, Aldónio (1961). A escola e o teatro. Lisboa: [s.n.]. (cota: BMEP 1349).

 

HENRIQUES, Aurélio Afonso Pinheiro; MAGALHÃES, M. M. Calvet de (1953). Elementos de contabilidade. Lisboa: Didáctica. (cota: ESDMF 2537-1).                                                

 

MAGALHÃES, M. M. Calvet de (1956). Aprenda a desenhar. Lisboa: Campanha Nacional de Educação de Adultos. (cota: ED. AD. 128).

 

__________ ;  (1956). Bordados e rendas de Portugal. Lisboa: Campanha Nacional de Educação de Adultos. (cota: ED. AD. 132).

 

______­____ (1060). Educação pela arte. Lisboa: Oficinas Gráficas de Bertrand. (cota: BMEP 1188).

 

__________ ; GOMES, Aldónio (1964). A criança e o teatro. Lisboa: Direcção-Geral do Ensino Primário. (cota: ED. AD. 102).

 

 

MATOSO, António G.; BOLÉO, José de Oliveira (1956). Volta ao mundo: compêndio de ciências geográfico-naturais, ciclo preparatório. Lisboa: Sá da Costa. (cota: FG 123).

 

__________ ; MATIAS, António Marques (1947). Nau catrineta: livro de leitura. Lisboa: Sá da Costa. (cota: FG 122-1).

 

NÓVOA, António (2003). Dicionário de educadores portuguese. Porto: ASA. (cota: HIST. ED. 226).

 

SOUSA, Ana Isabel Tudela Lima Gonçalves de (2007). A Formação dos professores de artes visuais em Portugal [em linha]: Mestrado em educação artística [apresent.] à Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes.

<http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/640/1/22344_ULFBA_TES259.pdf>

[Consulta: novembro 2012].

 

 

PM

 


2012/11/14

Peça do mês de Novembro




Pintura/ Retrato

Pintura a óleo pertencente ao espólio da Escola Secundária David Mourão-Ferreira, com o número de inventário ME/ESDMF/324.

A Escola Secundária David Mourão-Ferreira foi criada em 1997 e extinta em 2003. A importância do seu espólio decorre do facto desta escola ter tido na sua origem as Escolas Dona Maria I e Veiga Beirão, extintas em 1997, e que haviam sido escolas comerciais.

De salientar que a então Escola Comercial Dona Maria I, cuja designação data de 1948, sucedeu à Escola Comercial Rodrigues Sampaio. Esta última foi criada pela Câmara Municipal de Lisboa como Escola Primária Superior Rodrigues Sampaio em 1883, alguns meses após a inauguração do Museu Pedagógico Municipal de Lisboa. As duas instituições funcionavam no mesmo edifício e foram organizadas e dirigidas por Francisco Adolfo Coelho (1847-1919).

Assim, o espólio que nos chegou engloba diferentes objetos com diferentes proveniências. Neste caso, destacamos uma pintura a óleo, representando D. Maria I, rainha de Portugal e patrona da Escola com o seu nome. A pintura está montada em moldura de madeira dourada e representa a monarca sentada, lendo um livro. Não tem assinatura ou data, mas deverá, com grande probabilidade pertencer à Escola Secundária D. Maria I.

 

Bibliografia e informação adicional:

 

http://aps-ruasdelisboacomhistria.blogspot.pt/2008/01/largo-dr-antnio-de-sousa-de-macedo-ll.html

 

http://dre.pt/pdf1sdip/1948/08/19800/08440911.pdf

MJS


2012/11/07

O Ábaco No Museu Virtual da Educação


(Imagem de um ábaco)
Fonte: Museu Virtual da Educação


O ábaco é um instrumento de cálculo aritmético. A sua estrutura é relativamente simples e consiste, geralmente, numa estrutura ou moldura de madeira com cordas ou arames paralelos, dispostos transversalmente. Esta moldura encontra-se na maior parte dos casos, subdividida em duas plataformas. Aqui se encontram os elementos que permitem fazer a contagem, constituídos por pequenas fichas, bolas ou contas que deslizam. Cada um dos arames ou cordas corresponde a uma posição digital, ou seja, unidades, dezenas, centenas, etc.



(Imagem explicativa dos elementos que constituem o ábaco)
Fonte: Fernandes (2004)


A sua origem não é clara mas pensa-se que o sistema se terá desenvolvido paralela e independentemente em vários locais do mundo.

Este instrumento constitui uma extensão da “contagem pelos dedos”, empregando o sistema decimal, uma vez que se atribui a cada haste um múltiplo de dez.


(Imagem explicativa da utilização do ábaco)
Fonte: Fernandes (2004)


O ábaco deve ser colocado horizontalmente numa superfície de apoio, com todas as contas na mesma direção, sendo as contas movidas através da utilização do dedo. Permite realizar as diversas operações, a soma, a subtração, a multiplicação e a divisão, bem como problemas aritméticos relacionados com frações e raízes.

O ábaco continua a ser utilizado até aos nossos dias, não só ligado à área comercial, mas também como material de apoio didático nas instituições escolares.


(Imagem de um ábaco)
Fonte: Museu Virtual da Educação



Este instrumento tem algumas vantagens, sobretudo para crianças e adultos portadores de deficiência visual, sendo uma ferramenta indispensável de trabalho para realização de operações aritméticas. Facilita igualmente a tarefa de memorização das tabelas de multiplicação, a comum tabuada, bem como a aprendizagem de outros sistemas de numeração. A sua versatilidade fez com que este instrumento antigo perdurasse até hoje.

 

 

Bibliografia: 

 

Dicionário da Língua Portuguesa (1999). Porto: Porto Editora (8ª edição revista e atualizada).

 

FERNANDES, Luis (2004). Introdution. [em linha]. in: Abacus: the art of calculating with beads.

<http://www.ee.ryerson.ca/~elf/abacus/portugues/index.html> [Consulta: 7 de outubro 2012]

 

LINHAES, Albino (2012). Ábaco [em linha]. In: Matemática.com (2012).

<http://matematica.com.sapo.pt/abaco.htm > [Consulta: 7 de outubro 2012]

 

Museu Virtual da Informática (2012). Século A.C. [em linha].

<http://piano.dsi.uminho.pt/museuv/ac_abaco.html> [Consulta: 7 de outubro 2012]

 

 

MJS


2012/10/17

Peça do mês de Outubro






Lanterna mágica

Aparelho utilizado em contexto das práticas pedagógicas de diferentes disciplinas para a projeção de imagens. Trata-se de uma lanterna mágica e pertence à Escola Secundária Alexandre Herculano, Porto, com o número de inventário ME/404445/95.

A necessidade de mais estabelecimentos de ensino, no início do século XX, levou à criação do Liceu Central da 1ª zona, com instalações deficientes e inadequadas. A 26 de Setembro de 1908 este Liceu passou a designar-se de Liceu Central Alexandre Herculano, com instalações provisórias na Rua de Santo Ildefonso. O atual edifício da escola foi construído entre as Ruas do Bonfim e do Heroísmo, com início das obras em 1916, de acordo com um projeto do arquiteto Marques da Silva. Concluído em 1921, o edifício incluía 28 salas de aula, laboratórios, gabinetes e salas de Física e Química, Ciências, Geografia, Desenho e Música, biblioteca, anfiteatro para espetáculos, cinco pátios de recreio, um pátio de desporto, três ginásios, piscina, cozinha e refeitórios, sanitários, gabinetes médicos, sala de professores, gabinete do médico escolar e três “habitações” para o reitor, para o chefe de secretaria e para o tarefeiro (cf. Relatório anual do Liceu de 1934/35). No início da década de sessenta, foram acrescentadas oito salas de aulas devido ao aumento da população escolar e uma capela. Desde a sua criação até 1933 a frequência é mista; entre 1933 e 1953/54 voltou a ser mista para os cursos complementares, o que se entendeu, em 1975 ao curso geral.

A Lanterna Mágica é um aparelho utilizado para projeção de imagens sobre vidro, pintadas em cores translúcidas. É constituída por uma caixa metálica (câmara escura) com uma pequena chaminé no topo, por onde sai o fumo produzido pela fonte luminosa, vela ou lamparina, introduzida no interior. Para além disso possui um refletor, um condensador e uma objetiva com lente convergente, que permite amplificar a imagem projetada num alvo branco, e um suporte onde são colocadas as lâminas de vidro pintadas.

Este foi o primeiro aparelho concebido para projeções coletivas, cuja criação se atribui ao astrónomo holandês Christiaan Huygens, em 1659. Posteriormente, a sua utilização por parte do dinamarquês Thomas Walgenstein visou a realização de espetáculos, enquanto o padre jesuíta alemão Athanasius Kircher aproveitou as potencialidades pedagógicas do instrumento.

A partir de 1700, a lanterna mágica passou a ser utilizada com frequência nos gabinetes de ótica e em contexto das práticas pedagógicas.

No final do Séc. XVIII, este aparelho permitiu a realização de um novo espetáculo denominado Fantasmagoria, inventado por Étienne-Gaspard Robert, físico belga, que aperfeiçoou a lanterna. Começou a ser produzida em grande escala a partir do século XIX, sendo utilizada em contexto familiar. As placas de vidro necessárias às projeções tornam-se, verdadeiras obras-primas.

Não se sabe quando foi introduzida a lanterna mágica em Portugal, embora exista um registo de um espetáculo público a 22 de abril de 1800, em Lisboa.

A possibilidade de projeção para uma grande audiência tornou este instrumento uma mais-valia ao nível do contexto pedagógico, permitindo a todos os alunos a visualização coletiva de diferentes matérias.

 

Bibliografia e informação adicional:

 

http://www.cinemateca.pt/CinematecaSite/media/Documentos/Microsoft-Word---CupidosSite.pdf

http://www.ernestoleibovich.com.br/lanternamagica.htm

http://www.spedromar.net/disciplinas/cinema/cinema-ficha03.pdf

 

Para consultar a história da Escola Secundária Alexandre Herculano, Porto:

http://www.esaherculano.com/

 

MJS


2012/10/10

Álbum Educativo P.E.A. (Publicações Europa-América)


(Imagem de várias capas do Álbum Educativo)


O Álbum Educativo P.E.A. (Publicações Europa-América) é um copyright de Livret éducatif volumetrix, a coleção francesa divulgou durante mais de duas décadas (1960 a 1975), na comunidade escolar, assuntos e imagens educativas. Em frança, os temas e as áreas publicados nestes livrets são muito diversificados, destacam-se a história natural; as ciências naturais; os estudos de anatomia; a história geral; a história da França; a história da civilização; a geografia e diversos assuntos avulso (atingem 58 volumes).

 

Em Portugal as grandes áreas temáticas foram reduzidas a três: história, ciências e geografia, num total de 21 volumes. O formato português é igual ao francês – retangular, 11,5 x 15,5 cm (a marca, o nome, o formato e a apresentação deste álbum estão registados)[1]. Ainda assim, este seriado, segundo pensamos, só a parece editado pela Europa-América nos finais dos anos setenta. Tal como em França, o Álbum Educativo P.E.A. é redigido sob a direção de Loius Cretin (direitos reservados para a língua portuguesa, por Publicações Europa-América).[2]

 

Em Portugal os Livret éducatif volumetrix chegam-nos tripartidos em (i) História das civilizações (7 vol.), (ii) Ciências naturais (12 vol.) e (iii) Geografia (2 vol.):

 

 História das civilizações (vol. 1 – 7)


1 - Pré-história
2 - Pré-história, mitologia, hebreus
3 - Antiguidade, monumentos
4 - Egipto, mesopotâmia
5 - Creta, Fenícia, Grécia, Pérsia
6 - Etrúria, Roma, Cartago
7 - O cristianismo

A Biblioteca da Secretaria-Geral do Ministério da Educação e Ciência não dispõe dos primeiros 7 números destes álbuns educativos. No entanto, todo a secção Ciências naturais está completa e com exemplares duplicados.

 

 Ciências naturais (vol. 8 -19)

8 - Estudos de anatomia
9 - Ossos, músculos, e sangue
10 - Respiração, digestão, e sentidos
11 - Os insectos
12 - Micróbios, protozoários
13 - Borboletas e insectos
14 - Répteis, batráquios, crocodilos
15 - Galináceos, pernaltas, palmípedes
16 - O bicho-da-seda
17 - Botânica: plantas e raízes
18 - Mineralogia: pedras, rochas, minerais
19 - Matérias-primas

(Quatro imagens de uma criança desde o útero materno até ao nascimento)

(Quatro imagens de vários tipos de insetos, na zona superior e quatro imagens de aves, na zona inferior)



Geografia (vol. 20 e 21)

 

20 - A terra 1 
21 - A terra 2

 

A seção de Geografia, números 20 e 21, distingue-se pela sua capa verde (a seção ciências naturais apresenta capa vermelha). A geografia limita-se à descrição de Terra 1 (os seus movimentos, o seu relevo, as águas marinhas, os climas) e Terra 2 (solos, movimentos, do solo, águas correntes, glaciares, costas).


(Quatro imagens de vários ambientes terrestres)



 

P. M.

  


[1] Dados textuais retirados da página de rosto do vol. 8 (Estudos de anatomia)

[2] Ibidem





2012/09/19

Peça do mês de Setembro




Esfera armilar


Esfera armilar utilizada com fins pedagógicos nas aulas de Geografia. O presente modelo apresenta o equador (no qual se inscrevem os vários meses do ano e os doze signos do zodíaco), um meridiano e a elíptica. No centro encontra-se um espaço destinado a um pequeno modelo de globo terrestre, em torno do qual giram planetas.

A peça pertence à Escola Secundária Nuno Álvares, Castelo Branco, com o número de inventário ME/402321/437

O Liceu de Castelo Branco foi criado em 1836, para colmatar a falha de uma instituição de ensino nesta zona do país, tendo começado a funcionar com algumas dificuldades devido à falta de professores. Em 1844 eram lecionadas apenas 6 disciplinas, orientadas para áreas ligadas à agricultura. Em 1858, a instituição estava sediada no largo da Sé, passando para o Pátio Episcopal em 1911 e para a atual localização em 1946.

A esfera armilar foi utilizada no ensino de matérias relacionais com a Astronomia, reproduzindo, em pequena escala, a esfera celeste e o movimento dos astros. É, geralmente, constituída por um cruzamento de anéis, ou armilas, concêntricos e perpendiculares, que se articulam na zona dos polos. Contem em si a representação do equador, do plano da órbita da Terra ou eclíptica, dos meridianos e dos paralelos. Na maior parte destes modelos surge igualmente um anel graduado onde se encontram as constelações do zodíaco. Em alguns casos, a esfera armilar pode conter no seu interior um pequeno, planetário, ou seja, uma representação da terra, do sol e da lua.

Este instrumento foi amplamente utilizado por navegadores, permitindo elaborar uma estimativa da posição dos astros.

Para além do especto educativo, a esfera armilar foi associada ao poder político na época manuelina, simbolizando a expansão marítima portuguesa. Atualmente faz parte da bandeira portuguesa, segundo Decreto de 19-6-1911, da Assembleia Nacional Constituinte: “A Bandeira Nacional é bipartida verticalmente em duas cores fundamentaes, verde escuro e escarlate, ficando o verde do lado da tralha. Ao centro, e sobreposto à união das duas côres, terá o escudo das Armas Nacionaes, orlado de branco e assentando sobre a esfera armilar manuelina, em amarello e avivada de negro.”


MJS

 

Bibliografia e informação adicional:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Esfera_armilar

http://geoleituras.blogspot.com/2012/01/esfera-armilar-simbolo-da-geografia.html

http://www.portugalprotocolo.com/PROTOCOLO_SIMB_NAC.php

http://www.mat.uc.pt/~helios/Mestre/H32spher.htm

 

Para consultar a história da Escola Secundária Nuno Álvares:






2012/09/12

Mecanização da escrita: a máquina de escrever no Museu Virtual da Educação



A máquina de escrever ou máquina datilográfica é um instrumento mecânico, com teclas que, quando premidas, causam a impressão de caracteres num documento, em geral, o papel. O método através do qual uma máquina de escrever deixa a impressão no papel é variável, de acordo com o tipo de máquina. Habitualmente é causado pelo impacto de um elemento metálico, com um alto-relevo do caracter a imprimir, numa fita com tinta que, em contacto com o papel, é depositada na sua superfície. No Museu Virtual da Educação existem cerca de 170 registos de máquinas de escrever, o que demonstra a sua importância na vida escolar.

A história deste instrumento não é clara, embora se possa referir um sistema de escrita criado por Henry Mill, em 1714 ou por Pellegrine Turri, em 1808. O registo das patentes e o aperfeiçoamento da máquina de escrever foram realizados a partir de 1810: a máquina Typograph de William Austin Burth, a de Progrin e a de Giuseppe Ravisa com teclado fixo e fita com tinta. O padre brasileiro Francisco João Azevedo, criou uma máquina designada Mecanógrafo, apresentada numa exposição industrial no Rio de Janeiro, e vencedora de uma medalha de ouro.


Em 1864 Peter Mitterhofer foi o inventor de um instrumento verdadeiramente funcional, construído em metal e madeira. Em 1867, na Dinamarca foi criada uma máquina, designada Maillin-Hansen Writing Ball.


A comercialização da máquina de escrever de teclado em 1866 deve-se à criação do tipógrafo Christopher Latham Sholes (1819-1890), editor em Wisconsin, nos E.U.A., em parceria com Carlos Glidden. Esta patente foi vendida à companhia de Philo Remington, a Remington Small Arms Company, tendo sido inicialmente posta no mercado em 1874 com o nome de máquina Sholes-Gliden, posteriormente alterada para “Remington”. Tinha grandes dimensões e um teclado apenas com maiúsculas. As inovações ao longo dos anos aperfeiçoaram o modelo, nomeadamente com a introdução de minúsculas ou letras do alfabeto alemão. No entanto, estas máquinas não permitiam a leitura do texto à medida que o operador ia escrevendo, o que só aconteceu mais tarde.


Entre 1884 e 1897 surgiram no mercado outros fabricantes como é o caso de Hammond e da Underwood respetivamente. As máquinas apresentam um teclado com letras e sinais, fazendo-se a impressão através de uma fita com tinta. A disposição das letras no teclado foi alvo de uma normalização, consoante a sua frequência na respetiva língua. Assim surgiram os teclados AZERT, HCEZAR, utilizado em Portugal, e o QWERTY.

Durante o século XIX foram criadas várias máquinas adequadas às necessidades: portáteis, comerciais, de grande comprimento, entre outras. Durante este período distinguiram-se as marcas Olivetti e Smith-Corona.



Em 1902 outra inovação foi posta em prática pela empresa Blickensderfer: a máquina de escrever elétrica que permitiu uma maior velocidade na escrita com menor esforço por parte do operador.

Em 1961 a IBM introduziu na máquina um sistema de esfera rotativa, que a tornou muito mais versátil. Em Portugal existiu uma fábrica máquinas de escrever, MESSA, de prestígio internacional, embora não tenha tido continuidade.

Na década de sessenta do séc. XX, o aspeto exterior do instrumento começou a ganhar importância, introduzindo-se outro tipo de materiais como o plástico. Apesar disso, a área da informática avançava a passos largos, o que se traduziu no abandono da máquina de escrever.

Da análise dos fabricantes de máquinas de escrever existentes no Museu Virtual podemos concluir que a marca mais usada no contexto escolar era a portuguesa MESSA (cerca de 25 registos identificados de um total de 170), seguida da Royal Typewriter Company (24 registos) e da Remington (23 registos). A Imperial Typewriter também consta das mais utilizadas (16 registos), bem como a Optima (12 registos), a Underwood e a Everest (10 registos). Os modelos são variados e permitem acompanhar a evolução tecnológica do aparelho: as máquinas mais antigas em metal e as mais recentes em plástico, portáteis e elétricas

Com máquinas de escrever mais desenvolvidas, sofisticadas e ao alcance de todos, este instrumento tornou-se imprescindível nos negócios, abrindo oportunidades às mulheres no mercado de trabalho. O panorama sociocultural alterou-se com a criação de novas profissões e de novos cursos, como é o caso da datilografia.

 


Ao nível do ensino, podemos referir a existência de materiais de apoio utilizados em contexto das práticas pedagógicas, como é o caso de imagens parietais relativas a posturas a adotar ou de teclados, bem como os manuais escolares de Datilografia, disponíveis no Museu Virtual da Educação.

A expansão da área comercial e dos serviços foi acompanhada pela máquina de escrever que permitia uma maior rapidez e uniformidade da escrita.

 



Tomando como exemplo empresas em que ordens ou instruções eram divulgadas de forma manuscrita, o que por vezes poderia gerar erros de leitura e interpretação, a máquina de escrever teve um enorme impacto, revolucionando todo o tecido empresarial.



Mas não foi só a vertente económico empresarial afetada por este instrumento. A vertente literária refletiu, por sua vez, uma nova maneira de escrever, tornando-se este instrumento um verdadeiro objeto simbólico para o escritor. A máquina de escrever vem uniformizar todos os tipos de letra manuscrita.

Atualmente a máquina de escrever tornou-se uma verdadeira peça de museu. Em abril de 2011 encerrou a Godrej & Boyce (Bombaim), a última empresa fabricante de máquinas de escrever, por falta de procura.

 

Bibliografia online

http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1quina_de_escrever [Consulta a 3 de Agosto de 2012]

http://netopedia.tripod.com/diversos/hismaq.htm [Consulta a 3 de Agosto de 2012]

http://www.calendario.cnt.br/MAQUINAESCREVER.htm [Consulta a 3 de Agosto de 2012]

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/historia-da-maquina-de-escrever/historia-da-maquina-de-escrever1.php [Consulta a 3 de Agosto de 2012]

http://www.maquinasantigasdeescrever.com.br/historia.html [Consulta a 3 de Agosto de 2012]

http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-83122010000100012&lng=en&nrm=iso&tlng=pt [Consulta a 3 de Agosto de 2012]

http://www.isel.pt/pInst/Servicos/ServDocPublicacoes/docs/Museologia/repositorio_acervo_museologico_isel_2.pdf [Consulta a 3 de Agosto de 2012]

 

MJS