2024/12/16

Peça do mês de dezembro/2024

 

(Imagem de um termoscópio duplo de Looser retirada do Museu Virtual da Educação)


Termoscópio duplo de Looser


Instrumento utilizado em contexto das práticas pedagógicas de Física para a realização de experiências sobre as leis da calorimetria (dilatação dos corpos, condução do calor, calor produzido por compressão, etc.). O termoscópio duplo de Looser é constituído por uma base retangular em madeira, de onde se eleva uma placa em madeira de forma recortada, no centro da qual está uma dupla escala graduada de 0 a 30 cm, sobre fundo branco. Esta dupla escala permitia a observação da subida ou descida do líquido contido nas colunas. Entre as duas réguas da escala, descem dois tubos de vidro que, no topo, têm um pequeno depósito com rolha perfurada e atravessada por outro tubo mais estreito. Esses tubos (manómetros) eram cheios de líquido colorido. Ao chegar à base, os tubos curvam ligeiramente, subindo até um pouco abaixo do topo dos tubos centrais. Estes tubos laterais, a meia altura, formam um pequeno depósito acima do qual existem aberturas em forma de bico. Ambos são abertos no topo, podendo ser fechados através de acessórios, também em vidro. Os tubos estão presos à placa de madeira através de anilhas.

A peça está inventariada com o número ME/402047/101 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária Latino Coelho.


 MJS



2024/12/12

Instalações para o ensino (1968 a 1972) - Ministério das Obras Públicas - Liceus: Liceu Nacional de Cascais, São João do Estoril

 

- Liceu Nacional de Cascais, S. João do Estoril -

O Ministério das Obras Públicas concluiu 42 edifícios, no período decorrente de 1968 a 1972, destinados a estabelecimentos dos cursos preparatório, secundário e médio. A título de divulgação, neste post, daremos a conhecer - o Liceu Nacional de Cascais, S. João do Estoril, Cascais.


(No topo pode observar-se o átrio de entrada. Em baixo, a imagem da fachada da escola)

 

 

(No topo, a imagem de um laboratório. Em baixo, uma imagem de outro laboratório com instrumentos mais modernos e a ficha técnica com a identificação da escola, a dimensão da área coberta, a dimensão da superfície de pavimentos, o custo total das instalações, a data de conclusão da obra, a população escolar e a discriminação das dependências)

 

 

Ministério das Obras Públicas (1973). Novas Instalações para o ensino construídas entre

1968 e 1972. Lisboa: Direcção-Geral das Construções Escolares.

 

 

P. M. 

 

2024/12/09

Educadores Portugueses dos séculos XIX e XX: Bento de Jesus Caraça (1901 – 1948)

 

(Imagem do autor retirada da internet)
 

Bento de Jesus Caraça nasceu a 18 de abril de 1901 em Vila Viçosa, filho de João António Caraça e de Domingas Espadinha, trabalhadores rurais. Aprendeu a ler e a escrever com um dos trabalhadores, tendo a concluído a instrução primária em 1911. Frequentou o curso liceal no Liceu de Santarém e terminou –o no Liceu de Pedro Nunes em Lisboa em 1918.

Em 1923 licenciou-se no Instituto Superior do Comércio e em 1924 foi nomeado Primeiro Assistente. Em 1927 ascendeu a professor extraordinário e em 1929 a professor catedrático de Matemáticas Superiores.

Apoiou a Universidade Popular Portuguesa desde a sua fundação, em 1919, e integrou o seu Conselho Administrativo. Em 1936 fundou o Núcleo de Matemática, Física e Química com outros doutorados nesta área. Em 1938, juntamente com Mira Fernandes e Beirão da Veiga, fundou o Centro de Estudos de Matemáticas Aplicadas à Economia, do qual foi presidente até 1946.

Em 1940 foi criada a Gazeta da Matemática em colaboração com António Aniceto Monteiro, Hugo Batista Ribeiro, José da Silva Paulo e Manuel Zaluar Nunes. No ano seguinte, surgiu a Biblioteca Cosmos dedicada à divulgação de livros científicos e culturais. Foi aqui que publicou a obra Conceitos Fundamentais de Matemática, que alterou a abordagem da história da Matemática.

Após a implantação do Estado Novo, Bento de Jesus Caraça envolveu-se em várias atividades políticas antifascistas. Foi membro do Movimento de Unidade Nacional Antifascista- MUNAF, criado em 1943 e presidente do Movimento de Unidade Democrática- MUD, criado em 1945.

Entre 1943 e 1944 foi presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática juntamente com Aureliano de Mira Fernandes. Em 1946 foi preso pela PIDE e afastado do ensino.

Bento de Jesus Caraça denunciou alguns problemas do sistema de ensino da matemática como a extensão dos programas e das matérias lecionadas. Lutou pelo acesso de todos à cultura e à educação. Um dos seus escritos mais marcantes foi a conferência de 1933, A cultura integral do indivíduo, onde refletiu sobre cultura, sabedoria, liberdade e civilização.

 


Fonte principal: Dicionário de educadores portugueses / dir. António Nóvoa. - Porto : ASA, 2003.


MJS


2024/12/05

Instalações para o ensino (1968 a 1972) - Ministério das Obras Públicas - Liceus: Liceu Nacional de Bragança

 

- Liceu Nacional de Bragança -

O Ministério das Obras Públicas concluiu 42 edifícios, no período decorrente de 1968 a 1972, destinados a estabelecimentos dos cursos preparatório, secundário e médio. A título de divulgação, neste post, daremos a conhecer - o Liceu Nacional de Bragança.


(No topo pode observar-se a fachada da escola. Em baixo, uma vista dos pavilhões.)

  

 

(No topo, a imagem de um laboratório. Em baixo, uma imagem de um pavilhão e a ficha técnica com a identificação da escola, a dimensão da área coberta, a dimensão da superfície de pavimentos, o custo total das instalações, a data de conclusão da obra, a população escolar e a discriminação das dependências)

 

 

Ministério das Obras Públicas (1973). Novas Instalações para o ensino construídas entre

1968 e 1972. Lisboa: Direcção-Geral das Construções Escolares.

 

 

P. M. 

 

2024/12/02

Educadores Portugueses dos séculos XIX e XX: Faria de Vasconcelos (1880 – 1939)

 


(Imagem do autor retirada da internet)

 

António de Sena Faria de Vasconcelos Cabral Azevedo nasceu em Castelo Branco a 2 de março de 1880, filho de Luís Cândido de Faria e Vasconcelos, licenciado em direito e delegado do Procurador Régio e de Maria Rita de Sena Belo de Vasconcelos.

Foi aluno do Colégio do Espírito Santo de Braga até 1895 e posteriormente licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra em 1901 com a tese O Materialismo Histórico e a Reforma Religiosa do Século XVI.

Em 1902 publicou a obra O Ensino Ético-Social das Multidões, em que sustentou a teoria de que as sociedades modernas se encontravam debilitadas, sendo necessária uma nova educação moral e científica, através da educação.

Desde cedo se interessou pela vertente pedagógica e educativa como forma de transformação social. Nesse sentido, frequentou a Universidade Nova de Bruxelas onde obteve o grau de Doutor em Ciências Sociais em 1904 com a tese Esquisse d’une Théorie de la Sensibilité Sociale. Entre 1904 e 1914 foi regente de Psicologia e Pedagogia no Instituto de Altos Estudos.

Faria de Vasconcelos aderiu ao movimento da Escola Nova, cujo núcleo mais ativo se situava no Instituto Jean-Jacques Rousseau. Em 1912, o educador fundou a Escola de Bierges em Bruxelas, cuja experiência foi relatada na obra Une École Nouvelle en Belgique publicada em 1915. Nesta escola cumpriram-se 28,5 dos 30 princípios da escola nova, de acordo com o Bureau International des Écoles Nouvelles.

Devido à eclosão da Primeira Guerra Mundial, o pedagogo mudou-se para Genève em 1914 onde exerceu funções docentes no Instituto jean-Jacques Rousseau. Mais tarde, realizou um trabalho de destaque em Cuba (1915-1917) e na Bolívia (1917-1920) que se estendeu a toda a América Latina através da obra Didactica de la Escuela Nueva.

Em 1921 regressou a Portugal e passou a exercer o cargo de professor de Pedagogia na Escola Normal Superior. Foi cofundador do Grupo Seara Nova, tendo participado ativamente na revista Seara Nova, na Educação Popular e n’ A Batalha.

Tornou-se Assistente da Faculdade de Letras de Lisboa em 1922 e publicou alguns artigos sob o título Bases para a Solução dos Problemas da Educação Nacional que estruturaram a reforma da educação de João Camoesas.

Empenhou-se na organização da Universidade Popular Portuguesa, fundada em 1919 por Ferreira de Macedo. Em 1924 publicou a obra Lições de Psicologia Geral e em 1925 fundou o Instituto de Orientação Profissional em Lisboa.

Em 1931 envolveu-se na organização do Instituto Dr. Navarro de Paiva em articulação com o Instituto de Reeducação Mental e Pedagógica. O Instituto destinava-se a jovens do sexo masculino entre os 9 aos 16 anos que seriam úteis à sociedade através de uma reeducação e da prática de um ofício adequado.

Seria interessante relembrar o artigo publicado neste blogue sobre Faria de Vasconcelos e o seu respetivo espólio bibliográfico e arquivístico, em 2011.

 


Fonte principal: Dicionário de educadores portugueses / dir. António Nóvoa. - Porto : ASA, 2003.


MJS


2024/11/28

Instalações para o ensino (1968 a 1972) - Ministério das Obras Públicas - Liceus: Liceu Nacional da Amadora, Oeiras

 

- Liceu Nacional da Amadora -

O Ministério das Obras Públicas concluiu 42 edifícios, no período decorrente de 1968 a 1972, destinados a estabelecimentos dos cursos preparatório, secundário e médio. A título de divulgação, neste post, daremos a conhecer - o Liceu Nacional da Amadora, Oeiras.



(Na imagem podem observar-se os vários pavilhões que constituem a escola)

 

 

(No topo, a imagem de um laboratório de química. Em baixo, a ficha técnica com a identificação da escola, a dimensão da área coberta, a dimensão da superfície de pavimentos, o custo total das instalações, a data de conclusão da obra, a população escolar e a discriminação das dependências)

 

 

Ministério das Obras Públicas (1973). Novas Instalações para o ensino construídas entre

1968 e 1972. Lisboa: Direcção-Geral das Construções Escolares.

 

 

P. M. 

 

2024/11/25

Educadores Portugueses dos séculos XIX e XX: António Sérgio (1883 – 1969)

  

(Imagem do autor retirada da internet)

António Sérgio de Sousa nasceu em Damão, na Índia, a 3 de setembro de 1883, filho do vice-almirante António Sérgio de Sousa (1842 – 1906) e neto do vice-almirante e Governador-Geral da Índia, com o mesmo nome. Não frequentou a escola durante a infância, dividida entre a Índia e África, devido ao facto do seu pai ter sido Governador do Congo Português.

Em 1893 chegou a Lisboa, frequentando o Colégio Militar, a Escola Politécnica e mais tarde a Escola Naval. Chegou à posição de segundo-tenente da Marinha de Guerra quando foi proclamada a República. Abandonou a carreira militar, uma vez que era afeto à monarquia.

Entre 1901 e 1903, influenciado pela obra de Antero de Quental, redigiu as Notas sobre os Sonetos e as Tendências Gerais da Filosofia, editadas em 1909.

Casou com Luísa Epifâneo da Silva e em 1912 concorreu para lente de Filosofia na Universidade de Lisboa. Entre 1914 e 1916 frequentou o Instituto Jean-Jacques Rousseau, um dos grandes centros da Escola Nova.

Entre 1918-19 lançou a revista Pela Grei em que participaram vários especialistas. Em 1920 integrou a direção da Seara Nova e em 1923 assumiu a pasta da Educação no governo de Álvaro de Castro. Neste âmbito tinha como objetivo criar uma Junta de Ampliação de Estudos para apoio a bolseiros no estrangeiro e financiamento de institutos e escolas. Este projeto só se veio a concretizar em 1929 com a Junta de Educação Nacional.

Entre 1926 e 1933 viveu em Paris, exilado, após a queda da primeira República. Regressou ao país nessa data tornando-se ativista do movimento cooperativista e do socialismo democrático.

Fez parte do Movimento de Unidade Democrática, juntamente com um enorme grupo de intelectuais. Mais tarde apoiou a candidatura de Humberto Delgado. Foi preso em 1958, após a derrota de Delgado e em 1959 abandonou a vida de intervenção e a escrita.

O seu pensamento pedagógico, orientado por pensadores como John Dewey, Guglielmo Ferrero, Ramsay MacDonald ou Georg Kerschensteiner, pautou-se pelas seguintes ideias:

- Criação de novos processos de educação na infância, nomeadamente através do método Montessori;

- Ligação entre a instrução popular e as atividades económicas da região;

- Interpretação da história de Portugal sobre uma perspetiva económica e social;

- Instituição de bolsas de estudo no estrangeiro para estudantes portugueses;

- Recusa do ensino apoiado unicamente na mnemónica;

- Utilização dos métodos da democracia política na formação dos estudantes;

- Desenvolvimento de um ensino de continuação;

- Promoção da divisa “Trabalho e Autonomia”.

Vários foram os desenvolvimentos estratégicos desta linha de pensamento, que se concretizaram em várias conclusões:

- Crítica à importância dada à aprendizagem do alfabeto, uma vez que ler deve ser um instrumento de trabalho;

- Crítica aos conteúdos académicos, sendo que as ciências (matemática, física ou biologia) e a história deveriam ser simples pretextos ou instrumentos;

- Necessidade de reforma da instrução e da construção de mais escolas;

- Necessidade de preparação e formação de professores no estrangeiro, sob a orientação da Escola Nova;

- Descentralização do ensino que devia ser gerido por uma Conselho de Instrução Pública eleito por professores;

- Difusão de novos métodos de ensino;

-Consciencialização de que a inovação pedagógica é um processo que se encontra em constante movimento.

 

A sua posição relativamente à história de Portugal, com a publicação em 1941 do primeiro tomo da História de Portugal, Introdução Geográfica, voltou-se para as causas da decadência do país, inspirado por Antero de Quental. Para António Sérgio essas causas eram a importância da aristocracia militar que não permitiu o desenvolvimento de uma burguesia forte; o ensino para as armas e não para o trabalho criador; a corrupção gerada pelo sistema de conquistas; os descobrimentos encarados como um prolongamento da reconquista cristã e a presença da Inquisição.

Na sua vasta bibliografia merecem destaque os Ensaios (1920-1958) onde analisou questões literárias, refletindo o seu humanismo, a intervenção cívica e a pedagogia. Nos Diálogos de Doutrina Política (1933), o autor expressou a sua contestação ao ideário e ao pensamento de Salazar.

 

 

Fonte principal: Dicionário de educadores portugueses / dir. António Nóvoa. - Porto : ASA, 2003.


MJS