2023/07/24

Educação e Monarquia: D. Maria I (1734 – 1816)

 

D. Maria I (1734 – 1816), “a Piedosa”, era filha primogénita de D. José I e de D. Mariana Vitória de Áustria. Casou com o seu tio, D. Pedro III, príncipe consorte, em 1760 e subiu ao trono em 1777.

Ao nível do comércio externo, D. Maria retomou o comércio da rota do cabo, uma vez que Inglaterra e França se encontravam envolvidas nos processos revolucionários. Liberalizou a economia e extinguiu as Companhias do Grão-Pará e Maranhão e de Pernambuco e Paraíba.

Ao nível interno, o Marquês de Pombal foi afastado do governo e os presos políticos foram libertados. Concedeu asilo a vários nobres franceses que fugiram do Terror da Revolução Francesa.

D. Maria fundou várias instituições culturais e de assistência pública: a Academia Real das Ciências de Lisboa e a Academia Real de Marinha (1779), a Casa Pia de Lisboa (1780) e a Real Biblioteca Pública da Corte (1796). A Casa Pia foi verdadeiramente inovadora, uma vez que se destinava à educação de crianças órfãs ou financeiramente muito desfavorecidas. Fez igualmente intervenções em vários edifícios, nomeadamente no palácio de Queluz.


(Imagem de D. Maria I retirada da Internet)

A par destas instituições, D. Maria mandou edificar a Basílica da Estrela e o Teatro de S. Carlos em Lisboa. No Porto, construiu o Hospital de Santo António e o Teatro de São João.

A partir de 1792, D. Maria foi considerada mentalmente instável e foi o seu filho que se encarregou dos assuntos de Estado. Em 1799 foi D. João que assumiu o cargo de regente. Em 1807, em virtude das invasões francesas, D. Maria embarcou para o Brasil, juntamente com a família real, onde viria a falecer.

No que respeita às políticas educativas, depois da morte de D. José I muitas escolas primárias foram encerradas e outras entregues a religiosos. O governo tendeu a valorizar o ensino da formação profissional qualificada. Devido a este desinteresse pela instrução elementar, a Junta das Escolas pediu, em 1801, a criação de 200 escolas. Foram abertas apenas 21. A abertura de escolas particulares foi dificultada pelo governo.

Relativamente ao ensino artístico, em 1779 os estudos da Real Escola Náutica do Porto foram ampliados e em 1780 criou-se a Aula de Desenho e Debuxo. Em 1803 foi incorporada na Academia Real de Marinha e Comércio, com diretores como Vieira Portuense e Domingos Sequeira. Nos reinados seguintes, em 1836 com D. Maria II passou para a Academia de Belas Artes e em 1881, com D. Luís deu origem à atual Escola de Belas Artes.

Em 1780 surgiu a aula de Desenho na Casa Pia. Neste ano, Volkmar Machado fundou a Academia do Nu no Palácio de Gregório de Barros e Vasconcelos. Com a morte do proprietário, passaram para o Palácio de Pina Manique, com professores como Machado de Castro e Pedro Alexandrino.

Em 1781 J. Carneiro da Silva, incentivou a criação da Aula Régia de Desenho, com Desenho Histórico ou de Figura e Desenho de Arquitetura Civil, a cargo de José da Costa e Silva. Tratava-se de um ensino publico. Aqui os alunos aprendiam aritmética e geometria elementar. Posteriormente passavam a copiar desenhos de arquitetos e estudavam noções de perspetiva. Domingos Sequeira estudou aqui.

Em 1802 a Gravura Artística reabriu com F. Bartolozzi e separou-se da Imprensa Régia em 1805. No reinado de D. João VI em 1823 passará para a Intendência das Obras Públicas. Ainda em 1802 tentou renovar-se o ensino da pintura na escola que se destinava às obras do Palácio da Ajuda.

Apesar da intervenção do estado, a ação dos mestres foi muito importante. Durante o século XVIII, André Gonçalves teve vários alunos.


MJS



2023/07/20

Educação e Monarquia: D. José I (1714-1777)


D. José I (1714-1777), “o Reformador”, era o terceiro filho de D. João V e de D. Maria Ana de Áustria. Subiu ao trono em 1750 e teve um reinado marcado pela crise económica que resultou da concorrência estrangeira pelo domínio das colónias e pela diminuição das remessas do ouro do Brasil.

Ao nível externo, seguiu a política do seu pai, mantendo-se neutro em relação aos conflitos europeus. O absolutismo continuou reforçado com este monarca que decretou algumas medidas radicais contra a nobreza e o clero: expulsão dos Jesuítas e execução de alguns nobres acusados de conspiração, como os Távora.


(Imagem de D. José I retirada da Internet)

O seu homem de confiança foi o primeiro ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal. A sua politica teve em conta a reorganização legislativa, económica e social do país.

O acontecimento que marcou todo o seu reinado foi o terramoto de 1755, seguido de um maremoto e de vários incêndios que devastaram a cidade de Lisboa. Graças à rápida ação do Marquês de Pombal, em menos de um ano a baixa da cidade foi totalmente reconstruída. Optou-se por um traçado ortogonal, com ruas direitas, amplas e edifícios semelhantes entre si, usando o método antissísmico conhecido por “gaiola”. Os novos edifícios já tinham saneamento básico. Neste projeto participaram os engenheiros Eugénio dos Santos, Manuel da Maia e Carlos Mardel.

Na sequência deste evento, o Marquês de Pombal aumentou consideravelmente os seus poderes e a sua esfera de influência. Para tal contribuiu o atentado contra o rei em setembro de 1758, na sequência do qual, vários membros da nobreza foram condenados à morte. Em 1759, foram expulsos os Jesuítas.

Apesar deste tipo de política ditatorial, foi nesta época que se aboliu a escravatura em Portugal continental e em que terminou a distinção entre cristãos-velhos e cristãos-novos.

A partir de 1774, D. José foi considerado inapto para governar e a regência foi assumida pela rainha D. Mariana Vitória.

Ao nível educativo, foram várias as medidas tomadas, no sentido de desenvolver a instrução em Portugal. Em 1172 o Marquês de Pombal efetuou uma reforma na universidade: toda a estrutura foi revista, criando-se 6 faculdades, Teologia, Direito Canónico, Direito Civil, Medicina, Matemática e Filosofia. Os programas foram atualizados e recrutaram-se novos professores nacionais e estrangeiros. A orientação desta reforma baseou-se nas ideias iluministas: crítica ao aristotelismo formalista e verbalista e uso do método experimental.

Tentou acompanhar a ciência da época com a criação de um Laboratório Químico, um Jardim Botânico, um Gabinete de Física e um Observatório Astronómico. Pela primeira vez existiam compêndios escolhidos que forneciam aos estudantes as bases das matérias lecionadas.

No que respeita ao ensino das artes, após o terramoto de 1755 foi criada a Casa do Risco de Lisboa, que veio substituir a Aula do Paço da Ribeira. O seu primeiro chefe foi Eugénio dos Santos.

Em 1762, foi criada a Real Escola Náutica no Porto. Em 1763 surgem as Aulas de Desenho na Real Fábrica de Sedas; em 1766 na Fábrica de Estuques; e em 1767 na Fábricas das Caixas.

Igualmente em 1766 abriram-se cursos de Desenho e Arquitetura Civil no Colégio Real dos Nobres e em 1772, na Universidade de Coimbra. Em 1768, com a fundação da Imprensa Régia, começou a funcionar a Aula Oficial de Gravura Artística que funcionou até 1787.

Em meados do século XVIII foi criada uma escola de barristas associada ao Convento de Alcobaça, no âmbito do ensino conventual. O ensino oficial da escultura decaiu devido a questões económicas e à diminuição de encomendas.

Em 1772, com a Carta de Lei de 6 de novembro, o Marquês de Pombal tentou organizar um Sistema Nacional de Ensino, tornando o ensino primário da alçada do Estado. Apesar de tudo, a medida não abrangia toda a população, uma vez que os mais desfavorecidos (assalariados, agricultores ou artesãos) limitavam-se a frequentar as escolas paroquiais.

Embora limitada, esta reforma exigiu uma uniformização na formação e nas competências dos mestres, bem como a criação de um maior número de escolas. O governo criou 479 vagas para mestres, mas a morte do rei inviabilizou o projeto. Nas escolas elementares pombalinas ensinava-se o catecismo, a leitura, a escrita, a aritmética e a gramática, bem como regras de civilidade. A Real Mesa Censória inspecionava e selecionava os professores oficiais e particulares.

O ensino elementar destinava-se a alunos do género masculino, uma vez que as mulheres estavam remetidas às tarefas caseiras. Mesmo ao nível de professores, só em 1790 surgiram as primeiras três Mestras.

  MJS

2023/07/17

Peça do mês de julho/2023

 


Indicador de nível


Instrumento utilizado no âmbito das práticas pedagógicas de Física. Consiste num recipiente com êmbolo interior que se liga a uma vareta graduada, que sobe à medida que os líquidos são introduzidos pela torneira lateral.

Está inventariado com o número ME/400117/26 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária D. Pedro V.

 

MJS

2023/07/13

Recursos Bibliográficos usados na Elaboração do Analítico Liceu José Falcão, Coimbra de António Simões Rodrigues (Parte II)


(Imagem da fachada do Liceu José Falcão, Coimbra retirada da internet)


O dinamismo de uma escola vê-se, a priori, pelas suas publicações culturais, pois, estas espelham o dinamismo académico de uma geração e cultura política:

 

    - O gaiato: revista literária e recreativa dos estudantes. Coimbra: Liceu Central de Coimbra, 1897.

 

    - O cábula: periódico dos estudantes do liceu. Coimbra: Liceu Central de Coimbra, 1899.

 

    - O clarim: quinzenário dos estudantes do liceu e da universidade. Coimbra: Liceu Central de Coimbra, 1902.

 

    - A aurora: semanário literário e noticioso dos estudantes do liceu. Coimbra: Liceu Central de Coimbra, 1904.

 

    - A careta: jornal semanal infantil dos estudantes do liceu. Coimbra: Liceu Central de Coimbra, 1907. (n.º único).

 

    - O gorro: semanário ilustrado dos alunos do liceu. Coimbra: Liceu Central de Coimbra, 1909.

 

    - O elo: semanário dos estuantes do liceu. Coimbra: Liceu Central de Coimbra, 1909-1910.

 

    - O académico: jornal / dirigido por Fernandes Martins. Coimbra: Liceu Central de Coimbra, 1911.

 

    - O alvorecer: semanário académico dos alunos do liceu. Coimbra: Liceu Central de Coimbra, 1914.

 

    - O fantomas: jornal dos alunos da 5.ª classe do Liceu de Coimbra. Coimbra: Liceu Central de Coimbra, 1914.

 

    - O cábula: periódico manuscrito dos estudantes do liceu. Coimbra: Liceu Central de Coimbra, 1921.

 

    - O bicho: jornal do Liceu de Coimbra / dir. António Pedro da Costa. Coimbra: Liceu Central de Coimbra, 1926. (saíram 4 n.º).

 

    - O brado académico. Coimbra: Liceu Nacional de Júlio Henrique, 1930

 

    - Ensaio: quinzenário da academia liceal / dir. Políbio Gomes dos Santos. Coimbra: Liceu Nacional de Júlio Henrique, 1932.

 

    - Alvorada: jornal cultural dos estudantes do José Falcão. Coimbra: Liceu Nacional de Júlio Henrique / dir. Fernando Namora, 1935.

 

    - O estudante. [jornal dactilografado] / de alunos do D. João III] ; dir. Ilídio Gomes. [Coimbra: Liceu Nacional D. João III, ca. 194-].

 

    - D. Bibas. [Jornal dactilografado]. Coimbra: Liceu Normal de José Falcão, 1942.

 

    - A mensagem: jornal do Liceu Nacional D. João III. Coimbra: Liceu Normal de José Falcão, 1945. (Edição Comemorativa do centenário do nascimento de Eça de Queirós).

 

    - Revista de finalistas do Liceu D. João III. Coimbra: Liceu Normal de José Falcão, as. 1952/53 e 1953/54.

 

    - O pátio: jornal do Centro de Cultura do Estudante do Liceu Normal D. João III. Coimbra: Liceu Normal de José Falcão, 1964.

 

 

 

Bibliografia usada na elaboração do artigo:

 

ABREU, José Maria (1864). Legislação Académica de 1855 até 1864 e suplemento à mesma legislação desde 1772 até 1863. Coimbra: Imprensa da Universidade.

 

ANUÁRIO DO LICEU DE COIMBRA. Coimbra: Liceu Nacional de Coimbra, as. letivos 1870/71 - 1979/80; 1900/1912/13.

 

CATÁLOGO DA BIBLIOTECA DO LICEU NORMAL D. JOÃO III: SÉCULOS XV A XVII. Coimbra [s.n.], 1969.

 

COIMBRA. AQUIVO HISTÓRICO DA ESCOLA SECUNDÁRIA JOSÉ FALCÃO. Livros de Actas da Assembleia de Delegados da Associação Escolar do Liceu de Coimbra, 1936.

 

COIMBRA. AQUIVO HISTÓRICO DA ESCOLA SECUNDÁRIA JOSÉ FALCÃO. Livro de Actas da Congregação do Liceu de Coimbra, as. 1840-1858; 1858-1876; 1876-1901; 1901-1912; 1912-1916; 1916-1926; 1926-1924.

 

COIMBRA. AQUIVO HISTÓRICO DA ESCOLA SECUNDÁRIA JOSÉ FALCÃO. Livro de Actas do Conselho de Metodólogos do Liceu de Coimbra, [s.d.].

 

GOMES, J. F. (1984). Estudos de história pedagógica. Coimbra: Livraria Almedina

 

GOMES, J. F. (1980). Estudos para a história do século XIX. Coimbra: Livraria Almedina.

 

GOMES, J. F. (1977). Dez estudos pedagógicos. Coimbra: Livraria Almedina.

 

MATOSO, José (1993). “História de Portugal”. in: O Liberalismo, vol. 5 (1993).

 

RELAÇÃO E ÍNDICES ALFABÉTICO DOS ESTUDANTES MATRICULADOS NA UNIVERSIDADE DE COIMBRA, DE 1820 a 1870. Coimbra Imprensa da Universidade ; Liceu de Coimbra, vol. 13 (1820-1870).

 

RODRIGUES, Manuel Augusto (1990). A universidade de Coimbra e os seus reitores: para uma história da instituição. Coimbra: Arquivo da Universidade.

 

VASCONCELOS, António de (1938). Escritos vários. Coimbra: Coimbra Editora.


P. M. 

 


 

 

David, Artur (2003). Liceu Nuno Álvares (Castelo Branco). In: Liceus de Portugal: histórias, arquivos, memórias. Lisboa: Edições Asa, pp. 233-241.

 

2023/07/10

Resumo do Artigo Liceu José Falcão, Coimbra de António Simões Rodrigues (Parte I)



(Imagem da fachada do Liceu José Falcão, Coimbra retirada da internet)


António Simões Rodrigues na sua investigação, Liceu José Falcão (Coimbra) apresenta a data de criação do Liceu: 1836 (Decreto-lei de 17 de novembro) e o inicio de funcionamento do Liceu, no ano letivo de 1836/37.

 

Designações:

    - Nome de origem: Liceu de Coimbra.

    - A partir de 1839:  Liceu Nacional de Coimbra.

    - A partir de 1895: Liceu Central de Coimbra.

    - A partir de 1928: Liceu Nacional de Júlio Henrique (continua a existir o Liceu José falcão).

    - A partir de 1931: Liceu Normal de José Falcão / Liceu Normal de Júlio Henriques.

    - A partir de 1936: Liceu Normal de D. João III (fusão dos anteriores).

    - A partir de 1974: Liceu Normal de José Falcão.

 

Na sua origem o liceu apresenta uma frequência exclusiva masculina, mas a partir do final do século XIX passa a ser misto. Ainda assim, entre os anos letivos de 1934/136 nenhuma aluna manifestou interesse na sua frequência.

O arquiteto responsável pelo edifício foi Carlos Ramos. O edifício construído para o liceu foi inaugurado do dia 16 de outubro de 1936. Foi projetado para 480 alunos, sofrendo obras de ampliação e beneficiação em 1938 e 1968. A sua localização foi, primeiramente, em instalações provisórias, a partir de 1836 o referido liceu ocupa as instalações do Colégio das Artes, em 1860 no Hospital da Conceição e a partir de 1870 no Edifício de S. Bento e, finalmente, em 1936, no Edifício localizado na Av. D. Afonso Henriques.

 

Reitores do liceu:

    - José Manuel de Lemos - 1840-1841;

    - Sebastião Correia de Sá e Mendes - 1841-1848;

    - João Machado Abreu (Vice-reitor da Universidade) - 1848-1850;

    - José Machado de Abreu - 1850-1853;

    - Sem reitor - 1853-1854;

    - Basílio Alberto de Sousa Pinto - 1859-1863;

    - Vicente Ferrer de Neto Paiva - 1863-1864;

    - José Ernesto de Carvalho rego (Vice-reitor da Universidade) - 1864-1866;

    - António Luís de Seabra - 1866-1868;

    - Júlio Máximo de Oliveira Pimental - 1869-1880;

    - Luís da Costa Almeida - 1880-1883;

    - Raimundo da Silva Mota - 1883-1894;

    - António Gonçalves Guimarães - 1895-1898;

    - António Garcia de Vasconcelos - 1898-1900;

    - Manuel de Azevedo de Araújo Gomes - 1900-1901;

    - Manuel Joaquim Teixeira - 1902-1903;

    - Luís Santos Viegas - 1903-1905;

    - António de Vasconcelos - 1905-1906;

    - Luís Santos Veiga - 1906-1908;

    - Luís António Trincão - 1908-1909;

    - António Tomé - 1909-1912;

    - Sílvia Pélico Lopes Ferreira Neto - 1912-1916;

    - João Gualberto Barros e Cunha - 1916-1918;

    - Alberto Álvaro Dias Pereira - 1918-1926;

    - José Custódio de Morais - 1926-1930;

    - Aníbal de Amaral Cabral - 1930-1934;

    - Alberto Sá de Oliveira - 1934-1936;

    - José Maria Correia Cardoso - 1929-1930;

    - José Sousa Vieira - 1930-1931;

    - Alberto Cardoso Pires Figueiredo - 1931-1933;

    - Alberto Sá de Oliveira - 1933-1934;

    - Aníbal do Amaral Cabral - 1934-1936;

    - Alberto Sá de Oliveira - 1936-1942;

    - Pedro Marques Gomes - 1942-1943;

    - Feliciano Ramos - 1943-1946;

    - Mário dos Santos Guerra - 1946-1969;

    - Manuel Dias Vieira - 1969-1974.

 

O Estudo de António Simões Rodrigues[1] lista o conjunto de reitores que fizeram parte da escola até 1974, por sua vez, a Divisão de Serviços da Documentação e de Arquivo da Secretaria-Geral da Educação e Ciência apresenta-nos um fundo arquivístico de alguns desses mesmos reitores; cuja organização das séries documentais inventariadas segue a estrutura adotada pela Portaria de Gestão de Documentos n.º 1310/2005, de 21 de dezembro:

 

Âmbito Cronológico:

 

Cotas:

1930-[s.m.]-[s.d.] / 1931-[s.m.]-[s.d.]

 

PT/MESG/AAC/IEL/002/0069/00704

 

 

 P. M.

 

Rodrigues, António Simões (2003). Liceu José Falcão (Coimbra). In: Liceus de Portugal: histórias, arquivos, memórias. Lisboa: Edições Asa, pp. 222- 232

 



[1] Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde é professor e investigador do Instituto de História Económica e Social.

 

2023/07/06

Educação e Monarquia: D. João V (1689 – 1750)

 

D. João V (1689-1750), “o Magnânimo”, era filho de D. Pedro II e de D. Maria Sofia de Neuburgo. Casou em 1708 com D. Maria Ana de Áustria.

Este foi o monarca absoluto por excelência em Portugal, não tendo reunido Cortes durante todo o seu reinado. O principal ministro foi o Cardeal da Mota.


(Imagem de D. João V retirada da Internet)

Numa época de conflitos europeus, D. João manteve uma política de neutralidade, empenhando-se na defesa dos interesses portugueses ao nível do comércio ultramarino. Neste sentido assinou o Tratado de Utreque em 1714 com França e Espanha para que a suserania de Portugal sobre o Brasil fosse reconhecida.

A chegada do ouro do Brasil marcou todo este reinado e permitiu um enorme investimento cultural, técnico, científico e educativo.

Tendo em conta a política de opulência, D. João V mandou edificar inúmeros edifícios, procurando transformar Lisboa numa capital europeia de prestigio. Podem referir-se alguns projetos como a Igreja do Menino Deus, edificada em 1711 e a reconstrução da zona do Terreiro do Paço. O grande edifício da época foi sem dúvida o Palácio de Mafra e o Mosteiro, o maior monumento do barroco português – o Barroco Joanino. As obras iniciaram-se em 1717 sob a orientação de João Frederico Ludovice.


(Imagem do Convento de Mafra retirada da Internet)

Com a construção do Convento de Mafra houve necessidade de recorrer a escultores estrangeiros. A. Giusti, escultor italiano começou a dirigir a Escola de Escultura de Mafra em 1753. O Convento também funcionou como Casa de Risco, orientada por João Frederico Ludovice. A Casa do Risco de Lisboa, deverá ter-se tornado insuficiente para a procura.

Houve, assim, uma renovação das artes devido à vinda de pintores e técnicos desenhadores que ensinaram os operários nas construções. Estas alterações verificaram-se não só ao nível arquitetónico, mas também ao nível das artes decorativas, pintura, escultura, ourivesaria, mobiliário, azulejaria e talha dourada.

A importância dada por D. João V à cultura levou-o a construir a chamada Biblioteca Joanina (1717 – 1728) da Universidade de Coimbra e a Torre da Universidade, concluída em 1733. Como forma de promover o estudo e a investigação aumentou a verba da Universidade para a compra de livros.


(Imagem da Biblioteca Joanina retirada da Internet)

Entre 1730 e 1740 construiu-se o Aqueduto das Águas Livres que prendia trazer água até à capital. O arquiteto responsável foi Manuel da Maia. Também o Miradouro de São Pedro de Alcântara foi edificado neste período.  


(Imagem do Aqueduto das Águas Livres retirada da Internet)

O projeto mais extravagante foi a Capela de São João Batista, projetada por Nicola Salvi e Luigo Vanvitelli. Foi construída em Roma e posteriormente transportada para Lisboa para ser montada na Igreja de São Roque.

A produção literária foi uma das formas de afirmar Portugal como grande nação, abordando temas como a história, a geografia ou a língua portuguesa. Com este objetivo foi fundada a Real Academia Portuguesa de História em 1722. A obra de maior relevo da Academia foi a História Genealógica da Casa Real Portuguesa da autoria de António Caetano de Sousa. Destacaram-se autores como Jacob de Castro Sarmento, António Ribeiro Sanches, Francisco Xavier de Oliveira.

A música foi outra das áreas de investimento deste reinado.com a fundação de um seminário de música em 1713. D. João V introduziu a ópera italiana em Portugal, cerca de 1730 e mandou construir um teatro de ópera no Palácio de Belém em 1739.

As ciências foram igualmente privilegiadas pelo monarca, sobretudo a medicina, com traduções de obras estrangeiras. Em 1731 foi fundada uma escola de cirurgia no Hospital Real de Todos os Santos, em Lisboa e em 1746, foram aprovados os estatutos de uma academia cirúrgica no Porto. As outras ciências não tiveram desenvolvimentos particularmente notórios devido ao papel da Inquisição.

A necessidade de uma instrução popular generalizada e gratuita começou a tomar forma durante o reinado de D. João V, apoiado pelas ideias de Martinho de Mendonça (1693 – 1743) e de Luís António Verney (1713-1792) através do Verdadeiro Método de Estudar.

Martinho de Mendonça foi um pedagogo cuja preocupação se centrava no processo de aprendizagem que deveria ocorrer em espaços que motivassem a criança, fomentando a sua curiosidade natural. Os livros utilizados deviam ter imagens que captassem a atenção dos alunos. A leitura foi igualmente objeto de estudo e o pedagogo sugeriu a utilização de jogos e atividades lúdicas para auxiliar neste processo. O perfil do professor poderia condicionar a aprendizagem e, desta forma, Martinho de Mendonça mostrou-se contra os mestres autoritários e despóticos.

Por seu lado, Verney afirmou que as crianças só teriam condições para a aprendizagem a partir dos 7 anos. Apesar destas teorias, a prática demonstrava o contrário: educação rígida, severa e autoritária.

No que respeita aos Mestres-Escola, a sua diversidade era notória até meados do século XVIII, uma vez que exerciam estas funções cumulativamente com outras atividades profissionais. Mesmo quando se dedicavam em exclusivo a esta profissão, a sua remuneração era variável e indeterminada. Todas as suas ações eram controladas e supervisionadas pela Igreja.

A vinda de estrangeirados para Portugal e a divulgação das novas ideias iluministas diminuiu a esfera de influência da Igreja. A instrução passou a estar cada vez mais sob a alçada estatal, estabelecendo-se um plano de rede escolar, consoante a densidade populacional. Criaram-se 479 escolas primárias que subiu para 526 em 1773. Mais tarde seria lançado um imposto sobre o consumo, o “subsídio literário”, que financiava estas escolas.


MJS


2023/07/03

Exposição virtual: "Arquitetura: Época Pré-Clássica e Clássica"

 

Nesta exposição, os quadros parietais fornecem uma visão geral e pormenorizada da arquitetura grega, romana e egípcia, destinados à visualização em contexto das aulas de História da Arte.

A produção artística grega caracterizou-se por uma unidade ideológica e morfológica que privilegiou duas vertentes: a dimensão humana e o racionalismo. Os primeiros templos foram construídos cerca do século VII a. C., assumindo uma forma estrutural estandardizada: o trílito – dois pilares de apoio encimados por um elemento horizontal. Desenvolveram-se três sistemas formais – a ordem dórica (mais simples), a ordem jónica (capitel com duas volutas) e a ordem coríntia (mais ornamentada). Orientada para a construção de templos, a arquitetura grega foi bastante inovadora no que respeita à construção de teatros. O caráter público das construções gregas determinou as suas principais caraterísticas: a simetria, a harmonia, a monumentalidade, o equilíbrio e o rigor das formas, bem como a valorização da perspetiva e da proporcionalidade.

A arquitetura romana foi essencialmente prática, pragmática e realista, tendo absorvido a maior parte das características gregas. Uma vez que a cultura romana se orientava para a cidade e para os edifícios públicos e privados, podemos distinguir a construção de templos, termas, teatros e anfiteatros, bem como de aquedutos, banhos públicos, pontes, mercados, estradas, etc. Partindo do sistema de trílito grego, os romanos acrescentaram o arco, a abóbada e a cúpula que conferiram uma monumentalidade às construções.

A arte egípcia caracterizou-se pela unidade estética e continuidade estilística que se definiram desde os primórdios. O seu objetivo era a glorificação do faraó e do poder religioso. A arquitetura que chegou até nós tem uma natureza essencialmente religiosa: templos e túmulos. Inicialmente muito simples, os túmulos evoluíram para o seu formato icónico de pirâmide, abandonado durante o período dos Impérios Médio e Novo. Durante este período, a arquitetura orientou-se para a construção de templos, com uma larga avenida de acesso ladeada por esfinges, que conduzia à entrada do templo, onde se erguiam obeliscos. Os templos estavam divididos em três partes: o pátio (zona pública), a sala hipostila e o santuário.


Imagem parietal de arquitetura/Clássica

ME/400180/9

Escola Secundária Eng. Acácio Calazans Duarte

Imagem parietal de arquitetura clássica utilizada como apoio visual para as matérias de História e História da Arte. Podemos observar no lado esquerdo, uma cariátide; ao centro o Erecthéion, com o Pórtico das Cariátides e a Lanterna de Lísicrates. No lado direito encontra-se parte de um anfiteatro e, numa escala maior, parte de um templo dórico, vendo-se o envasamento, as colunas e parte do entablamento. Na parte inferior é visível um capitel coríntio e pormenor de decoração geometrizante.


Imagem parietal de arquitetura/Clássica

ME/401018/483

Escola Secundária de Bocage

Quadro parietal representativo da arte romana clássica. No quadro estão representados os seguintes elementos: do lado esquerdo a silhueta de uma ponte aqueduto, parte de uma basílica e um templo com pórtico e colunas jónicas. Ao centro vemos a Coluna de Trajano e no lado direito o Arco de Constantino, o Coliseu e a estátua de César Augusto. Na zona inferior esquerda observa-se um capitel compósito e parte de um friso decorativo com elementos vegetalistas.


Imagem parietal de arquitetura/Clássica

ME/402436/698

Escola Secundária de Passos Manuel

Quadro com cercadura fina dourada e cinzenta com fundo bege claro. Compõe-se de 14 pequenos quadros/imagens de tamanhos variados que documentam os vários espaços da casa grega, cortes das ordens gregas: dórica, jónica e coríntia, excertos de pinturas murais, perspetivas aéreas. As cores dominantes são o vermelho e o bege.


Imagem parietal de arquitetura/Clássica

ME/402436/699

Escola Secundária de Passos Manuel

Quadro parietal com cercadura estreita castanha com fundo bege claro. Apresenta várias imagens de plantas da casa romana, pinturas murais, mosaicos e capitéis. As cores predominantes são os vermelhos, castanhos, verdes e azúis.


Imagem parietal de arquitetura/Clássica

ME/402436/704

Escola Secundária de Passos Manuel

Quadro parietal com cercadura fina cinzenta e branca com fundo bege claro. O espaço está dividido em 9 quadros de dimensões variadas com os vários tipos de plantas e desenhos. As cores predominantes são o rosa, o cinzento, o verde-escuro e verde-claro e o castanho.


Imagem parietal de arquitetura/Egípcia

ME/401018/481

Escola Secundária de Bocage

Quadro parietal representativo da arte egípcia. No quadro está representado um obelisco com inscrições hieroglíficas, a fachada de um templo (pilone) à frente do qual se perfilam dois grupos de pequenas esfinges, duas colunas, uma de capitel lotiforme e outra de capitel palmiforme. Ao fundo, no cimo vislumbram-se as pirâmides. Na parte inferior esquerda aparece o busto da rainha Nefertiti, um padrão decorativo com elementos geométricos e o perfil de uma cadeira.


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