2023/04/20

Educação e Monarquia: D. João III (1502 - 1557)

 

D. João III "o Piedoso" (1502 - 1557) era filho de D. Manuel de D. Maria de Castela. Casou com D. Catarina de Áustria em 1527. A sua educação esteve a cargo de humanistas, físicos e cosmógrafos.

Ao nível da política interna continuou, à semelhança dos seus predecessores, a política de centralização do poder real. Convocou Cortes em 1525, 1535 e 1544 e promoveu a reestruturar a administração e a justiça.

Quando subiu ao trono, Portugal encontrava-se no apogeu da expansão, mas enfrentava enormes problemas, nomeadamente financeiros o que obrigou ao recurso a empréstimos e ao agravamento do défice. Tal facto deveu-se à extensão e dispersão do império ultramarino português que tinha enormes custos.


(Imagem de D. João III retirada da Internet)

No Norte de África, D. João III decidiu abandonar as praças de Safim, Azamor, Alcácer Ceguer e Arzila. Avançou com a exploração e povoamento do Brasil através do sistema de capitanias. Mais tarde nomeou Tomé de Sousa governador geral desta colónia para que a administração estivesse mais centralizada.

As explorações no oriente prosseguem e chega-se à China e ao Japão. No entanto, a situação na Índia estava bastante inquietante com avanços, recuos e a pressão constante dos turcos.

Ao nível interno vivem-se momentos difíceis com fome e epidemias.

As relações externas caracterizaram-se por uma intensa atividade diplomática com Espanha através de alianças e casamentos. No que respeita ao conflito entre Espanha e França, Portugal teve uma política de neutralidade. As relações comerciais com Inglaterra, Flandres e países do Báltico são mantidas. O entendimento com a Santa Sé teve um reforço de destaque, com a introdução da Inquisição em Portugal.

O final do reinado de D. João III foi marcado por uma crise dinástica. O príncipe D. João seria o herdeiro do trono, mas faleceu antes da sua esposa, D. Joana, filha de Carlos V dar à luz. D. João morre em 1554 e o seu herdeiro é o neto, D. Sebastião que tinha apenas 3 anos.

No plano cultural é notório o apoio à cultura humanista e aos intelectuais como Gil Vicente, Garcia de Resende, Sá de Miranda, Bernardim Ribeiro, Luís de Camões, Pedro Nunes ou Garcia de Resende. Dever-se-á destacar o trabalho de João de Barros, cuja preocupação pelo ensino básico o levou a criar a Cartilha de Aprendizagem.

A universidade é transferida para Coimbra e são fundados vários colégios que alargam a rede de ensino em Portugal, através da ação dos Jesuítas. A missionação também fará parte deste processo, salientando-se São Francisco Xavier no Oriente e o Padre Manuel da Nóbrega no Brasil.

Ao nível das Artes, o ensino nas oficinas de arquitetura começou a ter alguma metodologia, facilitada pelo uso de tratados impressos. A arquitetura exigiu uma normalização, mais cedo que outras áreas uma vez que implicava uma maior responsabilidade social. Podemos referir a presença em Portugal de Andrea Contucci, artista italiano que difundiu novas técnicas, entre 1485 e 1495.

A pintura, apesar da tendência para se manter o ensino particular individual, começou a ser ministrada nas oficinas dos mestres. Estes recebiam um aluno, transmitindo-lhe todas as técnicas, bem como a leitura e a escrita. Em troca, o aluno executava algumas obras no atelier. Sabe-se que em Lisboa existia a oficina de Jorge Afonso que funcionou como uma escola.


MJS

2023/04/18

Colóquio "Nos 50 anos da Reforma de Veiga Simão: As Políticas Educativas entre Mudanças e Continuidades"

(Imagem do cartaz alusivo ao Colóquio Nos 50 anos da Reforma de Veiga Simão)


Nos próximos dias 10 e 11 de julho na Universidade Lusófona em Lisboa, vai realizar-se o Colóquio "Nos 50 anos da Reforma de Veiga Simão: As Políticas Educativas entre Mudanças e Continuidades".

A ação reformadora do Ministro Veiga Simão insere-se no período final do Estado Novo, sendo uma última tentativa de uma “renovação na continuidade” de um regime agora liderado por Marcelo Caetano com uma a guerra colonial sem sentido e sem fim à vista. Inquestionavelmente, a reforma Veiga Simão representou um período que colocou a educação no centro dos debates sobre o desenvolvimento e modernização do País. Mas permitiu também, pelos seus limites e contradições, tornar bem visível para a sociedade portuguesa o completo esgotamento da forma política organizativa do Estado Novo.

É neste contexto que o Centro de Estudos Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento (CeiED) da Universidade Lusófona, e a Associação de História da Educação de Portugal (Histedup) organizam o Colóquio Nos 50 Anos da Reforma Veiga Simão: a política educativa entre mudanças e continuidades. Os tópicos em debate serão, entre outros possíveis, os seguintes:

- O contexto político, económico e social da reforma: o marcelismo;

- O legado educacional: da reforma Camoesas (1923) à reforma Veiga Simão (1973);

- Os princípios e as linhas gerais dos documentos apresentados por Veiga Simão;

- A educação pré-escolar e a educação básico na reforma Veiga Simão;

- A reformulação do ensino secundário;

- A criação de novas universidades e as linhas gerais de reforma do ensino superior;

- A formação de professores na reforma Veiga Simão;

- A educação de adultos e as formas de educação não formal;

- A discussão pública dos projetos de reforma: contributos e limites;

- Os debates na Câmara Corporativa e na Assembleia Nacional;

- As implicações e debates nas então colónias portuguesas;

- O Congresso da Oposição Democrática e a críticas a Veiga Simão;

- Da reforma Veiga Simão (1973) à Lei de Bases do Sistema Educativo (1986).


Para mais informações consulte :

http://ie.ulusofona.pt

http://www.ceied.ulusofona.pt/en/

www.antonioteodoro.ulusofona.pt


MJS

2023/04/17

Peça do mês de abril/2023


Diploma

 

Diploma de participação na Exposição de Ex-libris. O diploma apresenta uma decoração envolvente, no topo e laterais, de tipo floral com influência "Arte-Nova". No centro, em cima, um rosto feminino alado com elmo grego, representará Minerva (a sabedoria). À esquerda está o escudo nacional na esfera armilar, seguida de uma faixa a toda a largura com o título e data de atribuição do diploma. No texto seguinte é nomeada a biblioteca do liceu, com a data e a assinatura da comissão organizadora. Ao centro em baixo, está impressa a marca dos documentos da Imprensa Nacional da época.

Está inventariado com o número ME/401857/32 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária de Gil Vicente.

 

 MJS 

2023/04/13

Exposição Virtual "Imanes no Museu Virtual da Educação"

 

Um íman é um tipo de material que cria à sua volta um campo magnético. Um campo magnético é criado por ação de correntes elétricas que variam em intensidade e direção.

São essencialmente de dois tipos: ímanes naturais, que são constituídos pelo mineral designado por magnetite; ou artificiais, constituídos por materiais ferromagnéticos como o ferro, o níquel ou o cobalto. Estes últimos podem ser magnetizados através da corrente elétrica. Existem ainda ímanes permanentes, em aço magnetizado, que perdem as suas propriedades quando aquecidos e os ímanes temporais que são temporariamente magnetizados por ondas eletromagnéticas.

Existem alguns ímanes que são chamados de corretores e que se destinam a neutralizar o campo magnético terrestre. Utilizam-se em instrumentos de medida que necessitam nesta neutralização de efeitos perturbadores.

Os ímanes têm dois polos magnéticos, norte e sul, que os levam a orientar-se na direção sul-norte. No centro do íman estabelece-se uma linha em que as forças de atração são iguais e se anulam. O campo magnético de um íman é manifestado através da atração do ferro e de materiais que o contenham.

Uma das características dos ímanes é a inseparabilidade dos polos, ou seja, quando se divide um íman em partes menores, estas terão sempre um polo norte e um polo sul.

Existe uma interação entre ímanes, o que faz com que reajam de forma diferente: dois polos magnéticos diferentes, quando aproximados, serão atraídos; dois polos magnéticos iguais, despertarão uma repulsa entre os dois. Isto acontece devido à existência do campo magnético.

A sua forma é variável, podendo apresentar-se como uma barra, uma ferradura ou um círculo. O conjunto de ímanes apresentados nesta exposição, destinam-se a experiências no âmbito da Física.


Íman

ME/400610/42

Escola Secundária de José Afonso

Íman em forma de U, utilizado no Laboratório de Física para diversos fins. Um íman é um objeto feito de um material ferromagnético que é capaz de gerar um campo magnético à sua volta. Esse magnetismo é causado pelo spin dos eletrões que se encontram no interior da matéria.

 

Íman

ME/401250/377

Escola Secundária D. Dinis

Íman utilizado no Laboratório de Física para diversos fins. Um íman é um objeto feito de um material ferromagnético que é capaz de gerar um campo magnético à sua volta. Esse magnetismo é causado pelo spin dos eletrões que se encontram no interior da matéria.


Íman

ME/401109/574

Escola Secundária de Camões

Conjunto de dois imanes compridos e uma barra, utilizados no Laboratório de Física para diversos fins. Um íman é um objeto feito de um material ferromagnético que é capaz de gerar um campo magnético à sua volta. Esse magnetismo é causado pelo spin dos eletrões que se encontram no interior da matéria.


Íman

ME/805548/408

Escola Secundária João de Deus

Íman em forma de U fechado, com 5 lâminas, utilizado no Laboratório de Física para diversos fins. Um íman é um objeto feito de um material ferromagnético que é capaz de gerar um campo magnético à sua volta. Esse magnetismo é causado pelo spin dos eletrões que se encontram no interior da matéria.


Íman

ME/805548/409

Escola Secundária João de Deus

Íman em forma de U fechado, com 20 lâminas, utilizado no Laboratório de Física para diversos fins. Um íman é um objeto feito de um material ferromagnético que é capaz de gerar um campo magnético à sua volta. Esse magnetismo é causado pelo spin dos eletrões que se encontram no interior da matéria.


Íman

ME/ESAD/187

Escola Secundária Afonso Domingues

Instrumento utilizado nas aulas de Física para as práticas pedagógicas. Trata-se de um conjunto de dois ímanes, um verde e um vermelho, que se encontram num suporte de base circular, em material não condutor. Um íman é um objeto feito de um material ferromagnético que é capaz de gerar um campo magnético à sua volta. Através deste instrumento é possível efetuar demonstrações de eletromagnetismo.


MJS

2023/04/10

Educação e Monarquia: D Manuel I (1469 - 1521)

D. Manuel I, "o Venturoso" (1469 – 1521) era filho do infante D. Fernando e de D. Brites, cunhado do anterior monarca. Casou com D. Isabel de Castela (1497), D. Maria de Castela (1500), mãe do futuro D. João III e com D. Leonor (1518).

Subiu ao trono em 1495 e continuou a política de centralização do poder real, mas de forma menos violenta que o seu antecessor. Realizaram-se Cortes em Montemor-o-Novo no início do seu reinado, onde se ordenaram Confirmações de doações e reformas dos tribunais superiores. Foram reunidas Cortes mais três vezes, em 1498, 1499 e 1502.

Em 1496, D. Manuel obrigou todos os judeus e mouros a serem batizados sob pena de serem forçados a deixar o país, vendo os seus bens confiscados ou arriscar uma pena de morte. Criou-se forma a distinção entre cristãos-velhos e cristãos-novos.

Entre 1512 e 1531 foram publicadas as Ordenações Manuelinas com o objetivo de substituírem as Ordenações Afonsinas, entretanto desatualizadas. Foram feitas reformas nos forais, na sisa e nos direitos alfandegários.


(Imagem de D. Manuel I retirada da Internet)

A política ultramarina segue a linha traçada por D. João II. D. Manuel deu continuidade à viagem à Índia preparada pelo seu antecessor: a armada chefiada por vasco da Gama saiu de Lisboa em 1497 e chegou à Índia em 1498. Em 1500, Pedro Álvares Cabral faz a descoberta oficial do Brasil.

Todos os anos era enviada uma armada à Índia com o objetivo de consolidar o domínio português. Em 1505 D. Francisco de Almeida foi nomeado o primeiro Vice-Rei, controlando o monopólio da navegação e do comércio naquela região. Seguiu-se Afonso de Albuquerque que conquistou Goa.

Foram feitas variadas viagens a destinos diversos como Timor, Gronelândia e Labrador. No Norte de África conquistou-se Safim e Azamor.

No que respeita à política externa, D. Manuel optou por uma postura de neutralidade e diplomacia.

Ao nível cultural foi uma época de grande desenvolvimento, integrando-se no contexto europeu do Renascimento. As descobertas portuguesas e a nova visão do mundo, em muito contribuíram para o questionamento e do desafio artístico, científico e filosófico. Foi um período de grande renovação e criação artística, bem como de desenvolvimento científico, com a vinda de vários mestres para Portugal. Surgiu o estilo manuelino, inspirado nas viagens de além-mar e destacam-se vários nomes de grande relevo.

Ao nível artístico, a escultura não se desenvolveu como uma arte independente em virtude do contexto político e religioso. A pintura manteve-se no ensino particular e individual, sem a existência de escolas para o efeito.

No contexto educativo, até 1513, a Universidade dispersou a sua atenção nos estudos de Teologia, Direito Canónico, Direito Civil e Medicina. No entanto, com os Descobrimentos, D. Manuel criou novos planos de estudo, nomeadamente a Cátedra de Astrologia. A Matemática foi nunca teve uma grande implementação nos Estudos Gerais. Foram concedidas várias bolsas de estudo.

A partir do século XVI iniciou-se uma nova fase no ensino em Portugal com o surgimento de instituições vocacionadas para crianças e jovens, divididos por idade, grupo e espaço. Pela primeira vez começaram a surgir preocupações pedagógicas relativamente ao sucesso na aprendizagem.

A educação da criança torna-se extremamente relevante, na medida em que é encarada como uma tábua rasa, ou seja, apta para receber todo o tipo de conhecimentos. Como tal, a idade em que começa este processo deve ser o mais precoce possível para que comecem a interiorizar a disciplina e as regras.


MJS

2023/04/06

Recursos Bibliográficos usados na Elaboração do Analítico Liceu Diogo de Gouveia, Beja de Manuel Henrique Figueira (Parte 2)


(Imagem da fachada do Liceu Diogo de Gouveia, Beja retirada da internet)


Manuel Henrique Figueira no seu analítico Liceu Diogo de Gouveia (Beja), em Liceus de Portugal, descreve, sucintamente, 11 publicações periódicas publicadas pelo referido liceu, desde a sua criação até aos anos 60. Estas publicações tinham uma existência efémera e apenas serviam para moldar condutas e delinear conteúdos temáticos.


Publicações escolares:


    - Alma académica. Beja: Liceu Diogo de Gouveia, 1937

    - A Arcádia. Beja: Liceu Nacional de Fialho de Almeida, 1923

    - Capa e batina. Beja: Liceu Nacional Central de Fialho de Almeida, 1927

    - Capas negras. Beja: Liceu Nacional de Diogo Gouveia, 1938

    - Eco dos estudantes. Beja: Liceu Nacional de Diogo Gouveia, 1946

    - Minerva. Beja: Liceu Nacional Central de Fialho de Almeida, 1926

    - O Mocho. Beja: Liceu Nacional Central de Fialho de Almeida, 1920

    - Mocidade. Beja: Liceu Nacional de Fialho de Almeida, 1935

    - Novos. Beja: Liceu Nacional de Fialho de Almeida, 1934

    - Novos e velhos. Beja: Liceu Nacional de Beja, 1960-1966

    - Tentativa. Beja: Liceu Nacional de Diogo Gouveia, 1946-1960

 


Bibliografia utilizada na elaboração do analítico:

 

ARQUIVO DA E. S. DIOGO GOUVEIA. “Cadernos com o resultado dos exames”. In: Arquivo da E.S. Diogo Gouveia (Beja), 1953.

 

ARQUIVO DA E. S. DIOGO GOUVEIA.Livro de receita e da despesa do Liceu”. In: Beja: Arquivo da E.S. Diogo Gouveia (Beja), 1853.

 

ARQUIVO DA E. S. DIOGO GOUVEIA. “Livro de actas”. In: Arquivo da E. S. Diogo Gouveia (Beja), 1855.

 

ARQUIVO DA E. S. DIOGO GOUVEIA. “Livro de matriculas”. In: Arquivo da E. S. Diogo Gouveia (Beja), 1852.

 

ARQUIVO DA E.S. DIOGO GOUVEIA. “Livro de exames”. In: Arquivo da E. S. Diogo Gouveia (Beja), 1852.

 

ASSOCIAÇÃO DOS ANTIGOS ALUNOS DO LICEU DE BEJA. Estatutos.  Beja: Associação dos Antigos Alunos do Liceu de Beja, 1971.

 

ASSOCIAÇÃO DOS ANTIGOS ALUNOS DO LICEU DE BEJA. Novos e velhos. Beja: Jornal Comemorativo da II Festa de Confraternização dos Antigos Alunos do Liceu de Beja, 1960.

 

ASSOCIAÇÃO DOS ANTIGOS ALUNOS DO LICEU DE BEJA. Novos e velhos. Beja: Jornal comemorativo da III festa de confraternização dos Antigos Alunos do Liceu de Beja, 1966.

 

BOLETIM DA DIRECÇÃO-GERAL DA INSTRUCÇÃO PÚBLICA.  “Estatística do ensino secundário (1895-1903)”. In: Boletim da Direcção-Geral da Instrucção Pública, Supl. ao fasc.7-9 (1904).

 

GARRIDO, Manuel de Melo (1960). “Uma sugestão.” in: Novos e velhos (Jornal comemorativo da 2 festa de confraternização dos Antigos Alunos do Liceu de Beja), p. 9 (1960).

 

INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA. Estatísticas da educação. Lisboa: INE, as. 1904-1964.

 

LABOR : revista trimestral de educação e ensino e extensão cultural. Aveiro: Liceu Vasco da Gama, n.º 75 (out. 1936).

 

LICEU NACIONAL DE BEJA. Anuário do Liceu Nacional de Beja. Beja: LNB, as. 1908/1909 - 1914/15.

 

LICEU NACIONAL DE BEJA. Relatório do Liceu Nacional de Beja. Beja: LNB, as. 937/38-1938/39 ; 1941/42-1942/43 ; 1946/47 ; 1959/60.

 

LICEU NACIONAL DE FIALHO DE ALMEIDA. Relatório do Liceu Nacional de Fialho de Almeida. Beja: LNFA, as. 1896/97-1897/98; 1935/36.

 

MESTRE, Joaquim Figueira (1991). Olhares sobre a cidade. Beja: Edições da Câmara Municipal de Beja.

 

NEVES, Alberto Vaz de Almeida (1949). “Subsídio para a história do Liceu de Beja”. In. Relatório dos serviços do Liceu Nacional de Beja, a. 1949/1950, pp. 192-304.

 

NÓVOA, António ; BARROSO, João (1999). “Ensino liceal”. In: Dicionário de história de Portugal. Lisboa: Livraria Figueirinhas, vol. 7, pp. 632-634.

 

PEREIRA, Nuno Teotónio (1996) “Arquitectura”. In: Dicionário de história do Estado Novo, vol. 1, pp. 61-64.

 

RAPOSO, Sebastião José (1945). “O liceu de Diogo de Gouveia” in: Liceu de Portugal, n. 41, pp. 392-398.

 

SARAIVA, António José ; LOPES, Óscar (1955). História de literatura portuguesa. Porto: Porto Editora.

 

[S. n.] (1938). “Liceu Nacional de Jacinto de Matos, ex-Liceu Nacional Fialho de Almeida”. In: Revista Oficial do Sindicato Nacional de Arquitectos, n.º 1 (1983), pp. 5-11.


P. M.

 

 

FIGUEIRA, Manuel Henrique (2003). Liceu Diogo de Gouveia (Beja). In: Liceus de Portugal: histórias, arquivos, memórias. Lisboa: Edições Asa, pp. 114-117.

 

2023/04/03

Resumo do Artigo Liceu Diogo de Gouveia, Beja de Manuel Henrique Figueira (Parte 1)


(Imagem da fachada do Liceu Diogo de Gouveia, Beja retirada da internet)


Manuel Henrique de Figueiredo, em Liceus de Portugal, menciona várias datas referentes ao antigo Liceu Diogo de Gouveia (Beja), nomeadamente as da sua criação e início de funcionamento: 1836 (Decreto-lei de 17 de novembro); 1844 (Decreto-lei de 20 de setembro). O inicio de funcionamento foi no ano letivo de 1852-1853.


Designações desta entidade escolar:

    - Nome de origem: Liceu Nacional de Beja;

    - A partir de 1915: Liceu Nacional de Fialho de Almeida;

    - A partir de 1919: Liceu Nacional Central de Fialho de Almeida;

    - A partir de 1924: Liceu Nacional de Fialho de Almeida;

    - A partir de 1925: Liceu Nacional Central de Fialho de Almeida;

    - A partir de 1928: Liceu Nacional de Fialho de Almeida;

    - A partir de 1937: Liceu Nacional de Diogo Gouveia;

    - A partir de 1947: Liceu Nacional de Beja.


Na sua origem o liceu teve uma frequência masculina, só em 1880 teve as primeiras alunas a frequentá-lo. A partir do final do sec. XIX o liceu teve, definitivamente, frequência mista.

A sua localização foi, primeiramente, em instalações provisórias, a partir de 1852 foi instalado em casa particular e em algumas salas do Antigo Paço Episcopal (conhecido por Edifício do Colégio). Mais tarde, em 1863, passa a ocupar o andar superior e o quintal de um Palacete no Terreiro de S. Tiago. Em 1870 foi, outra vez, instalado num Palacete na Rua do Esquível (conhecido por Casa da Porta de Ferro). A partir de 1905 ocupa um prédio arrendado na Praça D. Manuel (atual Praça da Republica), finalmente, em 1937 foi realojado num edifício implantado no Campo das Freiras.

 

Reitores do Liceu:

    - José Pedro Carvalho e Sousa - 1852-1863;

    - Francisco Luís de Castro Soares da Cunha Rego - 1863-1864;

    - José Ferreira Lima - 1864-1888;

    - Francisco Xavier de Meneses (Reitor-interino) - 1888;

    - Joaquim Augusto de Sousa Macedo - 1888-1896;

    - Francisco Inácio de Mira - 1896-1897;

    - José Virgolino Caeiro - 1897-1899;

    - Joaquim Augusto de Sousa Macedo (Reitor-interino) - 1899;

    - Henrique José Pereira - 1899-1900;

    - Diogo Francisco Pereira de Castro e Brito - 1900-1901;

    - João de Sousa Tavares - 1901-1903;

    - João de Penha Salema Coutinho - 1903-1905;

    - José Vicente Madeira (Reitor-interino) - 1905;

    - Henrique José Pereira - 1899-1900;

    - Diogo Francisco Pereira de Castro e Brito - 1900-1901;

    - João de Sousa Tavares - 1901-1903;

    - João de Penha Salema Coutinho - 1903-1905;

    - José Vicente Madeira (Reitor-interino) - 1905;

    - Henrique José Pereira - 1905-1906;

    - Manuel Tomaz Soeiro da Silveira - 1906-1908;

    - José Vicente Madeira - 1908-1910;

    - José Joaquim Nunes - 1910-1911;

    - Manuel Tomás Soeiro da Silveira - 1911;

    - Raul Lupi Nogueira - 1911-1912;

    - Manuel Tomás Soeiro da Silveira - 1912;

    - José Joaquim Ferreira - 1912;

    - Domingos António Vaz Madeira - 1912-1913;

    - Manuel Tomás Soeiro da Silveira - 1913-1914;

    - Domingos António Vaz Madeira - 1914-1916;

    - João Manuel Ribeiro Queiroz - 1916-1917;

    - Sebastião José Raposo - 1917-1919;

    - Manuel Tomás Soeiro da Silveira (Reitor-interino) -  1919;

    - Diogo Rosa Machado (Reitor-interino) - 1919;

    - Francisco Romano Newton de Macedo (Reitor) - 1919;

    - Manuel Tomás Soeiro da Silveira - 1912;

    - José Joaquim ferreira - 1912;

    - Domingos António Vaz Madeira - 1912-1913;

    - Manuel Tomás Soeiro da Silveira - 1913-1914;

    - Domingos António Vaz Silveira - 1914-1916;

    - João Manuel Ribeiro Queiróz - 1916-1917;

    - Sebastião José raposo - 1917-1919;

    - Manuel Tomás Soeiro da Silveira (Reitor-interino) - 1919;

    - Diogo Rosa Machado - 1919;

    - Francisco Romano Newton de Macedo (Reitor) - 1919;

    - Manuel Tomás Soeiro da Silveira - 1919-1924;

    - José Maria Mendes Gameiro - 1924-1926;

    - Eduardo Hermano Pereira Ferraz - 1926-1938;

    - Sebastião José Raposo - 1938-1946;

    - Alberto Vaz de Almeida Neves - 1946-1957;

    - José Joaquim Galante de Carvalho - 1957-1961;

    - Manuel Caldeira de Sousa -  1961-1970;

    - José Barros Ferreira - 1970-1972;

    - Manuel de Brito Camacho Duarte Colaço - 1972-1974.


Como verificamos anteriormente, Henrique de Figueiredo apresenta-nos uma listagem dos reitores que fizeram parte da escola até 1974, por sua vez, a Divisão de Serviços da Documentação e de Arquivo da Secretaria-Geral da Educação e Ciência apresenta-nos um fundo arquivístico de alguns desses mesmos reitores; cuja organização das séries documentais inventariadas segue a estrutura adotada pela Portaria de Gestão de Documentos n.º 1310/2005, de 21 de dezembro.

Esta documentação[1] é, em si mesmo, um repertório de extrema importância para a avaliação pedagógica e inventariação de modos de ensino. Notamos que, grosso modo, esta documentação cujo cota e âmbito cronológicos apesentamos no quadro seguinte, são estruturas essenciais para reconstruir a história da escola e das politicas educativas adotadas:

 

Âmbito Cronológico:

 

Cota:

1937-[s.m.]-[s.d.] / 1938-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0003/00013

1938-[s.m.]-[s.d.] / 1939-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0009/00061

1956-[s.m.]-[s.d.] / 1957-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0053/00467

1950-[s.m.]-[s.d.] / 1951-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0037/00279

1948-[s.m.]-[s.d.] / 1949-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0033/00220

1949-[s.m.]-[s.d.] / 1950-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0035/00249

1958-[s.m.]-[s.d.] / 1959-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0056/00512

1951-[s.m.]-[s.d.] / 1952-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0039/00308

1957-[s.m.]-[s.d.] / 1958-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0055/00502

1944-[s.m.]-[s.d.] / 1945-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0023/00146

1959-[s.m.]-[s.d.] / 1960-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0059/00545

1954-[s.m.]-[s.d.] / 1955-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0049/00408

1946-[s.m.]-[s.d.] / 1947-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0028/00177

1955-[s.m.]-[s.d.] / 1956-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0052/00453

1953-[s.m.]-[s.d.] / 1954-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0045/00373

1941-[s.m.]-[s.d.] / 1942-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0014/00092

1936-[s.m.]-[s.d.] / 1937-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0063/00567

1942-[s.m.]-[s.d.] / 1943-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0014/00084

1952-[s.m.]-[s.d.] / 1953-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0044/00369

1947-[s.m.]-[s.d.] / 1948-[s.m.]-[s.d.]

PT/MESG/AAC/IEL/002/0030/00187

 

 

 

 

O edifício construído de raiz para o Liceu foi inaugurado a 20 de junho de 1936, projetado para 385 alunos (11 turmas), projetado pelo arquiteto Cristiano Silva. O edifício sofreu obras de ampliação e beneficiação em 1948, 1958 e nos anos 70. O novo edifício foi, certamente, uma afirmação publica da imagem educacional de Beja. No inicio do século XX, há, pois, uma grande viragem na história do Liceu, os anos trinta são, efetivamente, a consolidação plena do Liceu, afirma Henrique Figueira (2003: 199 ss.).

 

Destacam-se algumas associações ligadas ao Liceu, tais como:

    - Associação Académica de Beja (criada no inicio do século);

    - Associação dos alunos do Liceu Fialho de Almeida (existia em 1953-1936);

    - Associação Escolar (1937/38 - 1941/42 data em que foi incorporada na M.P);

    - Tuna Académica (criada no fim do século XIX, há referências frequentes à sua existência na década de 1910);

    - Orfeão (encontra-se referências à sua existência entre 1937 e 1951);

    - Associação dos Antigos Alunos do Liceu de Beja (1960, estatutos publicados em 1971).


P. M. 

 

FIGUEIRA, Manuel Henrique (2003). Liceu Diogo de Gouveia (Beja). In: Liceus de Portugal: histórias, arquivos, memórias. Lisboa: Edições Asa, pp. 96-113.

 


[1] Os relatórios de reitor, grosso modo, são uma apreciação das condições pedagógicas das instalações e do material de ensino; emissão de pareceres didáticos; estudo do rendimento do ensino em cada liceu e sua correlação com os professores; elaboração de estatísticas; classificação do serviço dos professores; realização de inquéritos e sindicâncias; instrução de processos movidos a professores, etc.