2022/10/17

Bibliomania - Colecionando Livros e Manuscritos (Parte II)

 

«Não há coleção tola ou ridícula quando feita com arte, gosto e conhecimento»

                                                                                    Rubens Borba de Moraes

 

«De facto, ainda hoje, depois de me tornar livreiro, me parecem bizarras as pessoas que nos compram livros como quem nos dá uma palmada encorajadora nas costas, a dar alento para continuarmos nesta nobre luta.»

                                                                                            Carlos Maria Bobone

 

 

      (Imagem de lombadas de livros pertencentes à Secretaria-Geral da Educação e Ciência)
                                                                        ©DSDA

 

O primeiro autor citado em epígrafe – Rubens Borba de Moraes (1899 - 1986) – foi um bibliotecário, bibliófilo, bibliógrafo, historiador e pesquisador brasileiro que desempenhou um papel importantíssimo no universo da bibliografia brasiliana. Tendo-se formado em Letras na Europa (Genebra), dedicou a sua vida aos livros e à biblioteconomia. Organizou algumas coleções de livros mas foi, também, ele próprio, um colecionador de livros que angariou enorme prestígio. Rubens era uma pessoa objetiva, prática e direta, que aproveitava todas as situações com que se deparasse para realizar pesquisas ligadas ao seu interesse bibliográfico. Qualquer oportunidade que aparecesse levava-o a correr bibliotecas na expectativa de encontrar novas descobertas de livros escritos sobre o Brasil. Seguia exaustivamente a pista dos livros que lhe interessavam, o que muitas vezes o levava a viajar por múltiplos países. Borba de Moraes dedicou-se especialmente a colecionar os autores brasileiros do período colonial.

Tendo compilado e analisado criticamente as mais importantes obras já escritas no Brasil, o exemplo de Borba de Moraes é ideal para introduzir a ideia que um colecionador de livros e manuscritos pode abordar a sua tarefa sob diferentes pontos de vista. Há colecionadores, por exemplo, que concentram toda a sua atenção e recursos sobre uma época específica, outros sobre uma determinada figura ou acontecimento histórico, outros ainda sobre uma atividade que sobre eles exerce um forte fascínio ou com a qual têm uma particular afinidade. O colecionar sobre uma determinada figura ou tema científico, por exemplo, permite desbravar e conhecer os meandros da investigação e do conhecimento humano. De qualquer modo, colecionando de um modo mais alargado, mais estreito e aprofundado, ou de forma mais seletiva, o segredo recai sempre em fazer escolhas e colecionar com verdadeiro gosto íntimo e pessoal. Uma coleção, seja ela feita de livros ou de outros objetos, reflete, no limite, o mais íntimo do seu possuidor. Resulta num testemunho e memória familiar que perdura. Mais do que revelar o gosto do colecionador em inventariar, catalogar e descrever as peças que o fascinam, revela, acima de tudo, o modo como olhou para os objetos e a importância que atribuiu ao situá-los no contexto da História; nomeadamente, da sua história particular, inscrevendo-os, assim, num trajeto de continuidade, de curso de vida, do qual também fez parte.

 

      (Imagem de lombadas de livros pertencentes à Secretaria-Geral da Educação e Ciência)
                                                                        ©DSDA
                                                                                            

Não há mal nenhum em colecionar pensando em termos de investimento e retorno financeiro – muitos colecionadores prosperaram e aumentaram a sua grande coleção graças e isso, comprando e vendendo –, de um modo geral, livros raros e manuscritos valorizam apreciavelmente com o passar do tempo, às vezes algo lentamente, mas valorizam com certeza e segurança, ao contrário de outros bens transacionados no vasto mercado da arte e do colecionismo, ultrapassando e não sendo afetados por determinado tipo de consequências e flutuações. Neste contexto, os leiloeiros especialistas, os livreiros antiquários e os colecionadores empedernidos, desempenham um papel específico e determinante no desenrolar das vendas e aquisições e na composição e evolução do mercado. Se é verdade que o mundo dos livros e dos livreiros está repleto de histórias que parecem emanadas dos próprios livros, também não será menos verdade que muitas das ideias feitas, caprichos e obstinações emanam dos desmandos do colecionismo.

Carlos Maria Bobone (n. 1993), da mais nova e recente geração de livreiros alfarrabistas portugueses, ele próprio descendente e herdeiro pessoal da nobre profissão, refere na narrativa em que se empenhou após anos de prática e contacto direto com o mundo dos livreiros e das livrarias – “A Religião dos Livros”:

«[…] no fim do século XIX e princípios do século XX assistiu-se a uma espécie de época dourada para o comércio do livro. Conseguiam-se produzir livros a um preço acessível, a leitura tornou-se realmente um dos entreténs da burguesia, pelo que a sua grande exploração enquanto objeto de lazer se dá nesta altura. Enquanto as bibliotecas setecentistas são constituídas maioritariamente por livros técnicos ou religiosos, nas bibliotecas do fim do século XIX vê-se claramente a transformação do livro em papel para toda a obra. É natural, então, que o comércio também acompanhe a variação. Fascículos, edições populares, edições ilustradas, clubes do livro, edições monumentais, catálogos, quase todas as técnicas que vemos hoje no mercado livreiro tiveram os seus primórdios por esta altura. […]»

O livreiro de livros raros ou antigos tem de conhecer e dominar uma série de pormenores que o livreiro de livros usados pode dispensar. Por exemplo, é absolutamente necessário conhecer os vários tipos de encadernação e ornamentação de pastas, guardas e lombadas, verificar a existência de capas de brochura, marcas de posse e/ou dedicatórias, estado geral dos folios e demais marcas impercetíveis que contribuam para a valorização ou desvalorização do livro. O mercado do livro raro, lidando com peças de coleção, tem de estar atento a determinadas características e detalhes que muitas vezes não saltam à vista, e que, consequentemente, podem desvalorizar ou, pelo contrário, tornar o exemplar “único”, extremamente disputado e valorizado entre os seus pares.

JMG

Bibliografia:


ANTUNES, Cristina (2017). Rubens Borba de Moraes: anotações de um bibliófilo. São Paulo: Publicações BBM.

AZEVEDO, Pedro de (2021). Vida com Livros – Livros com Vida, vol. I. Lisboa: ed. do autor.

BOBONE, Carlos Maria (2022). A religião dos livros. Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos.

FEBVRE, Lucien e MARTIN, Henri-Jean (2000). O Aparecimento do Livro. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

MANGUEL, Alberto (2018). Embalando a Minha Biblioteca. Lisboa: Tinta-da-China.

MARTINS, José Vitorino de Pina (2007). Histórias de Livros para a História do Livro. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

PINHEIRO, Ana Virgínia (1989). Que é livro raro?: uma metodologia para o estabelecimento de critérios de raridade bibliográfica. Rio de Janeiro: Presença.

RUIZ, Pilar (2004). A bibliofilia, uma paixão… dicionário breve. Amadora: Ediclube - Edição e Promoção do Livro, Lda.

2022/10/13

Exposição Virtual: "Dia Mundial da Visão no Museu Virtual da Educação"

O Dia Mundial da Visão foi criado pela Organização Mundial de Saúde para prevenir os perigos e incentivar a proteção da visão, como é o caso da cegueira ou deficiência visual. Trata-se de um dia marcado por rastreios visuais gratuitos, conferências, caminhadas e angariações de fundos. Os dados de que dispomos alertam para o facto de existirem cerca de 285 milhões de pessoas que sofrem de deficiência visual, sendo que 90% destas se localizam em países em desenvolvimento. Existem cerca de 40 milhões de invisuais e, a cada 5 segundos, há uma pessoa que perde a visão. Sabemos, no entanto, que 80% da deficiência visual pode ser prevenida e tratada.

A Agência Nacional para a Prevenção da Cegueira (AIPC) é um grupo do qual fazem parte mais de 140 organizações mundiais com o objetivo de eliminar as causas da cegueira e da deficiência visual. De acordo com o Relatório Mundial sobre a Visão (2021) prevê-se um aumento global das necessidades de atendimento oftalmológico. No entanto, o encargo com as doenças oculares é bastante maior em países em vias de desenvolvimento, com um rendimento baixo e também junto da população mais carenciada. O objetivo deste relatório é despertar a consciencialização do impacto das doenças oculares e a necessidade de criar estratégias eficazes para as combater.

Na verdade, os sistemas de saúde enfrentam enormes desafios ao tentar responder às necessidades oftalmológicas crescentes da população. Para que esta situação possa ser ultrapassada com sucesso, o Relatório recomenda 5 ações importantes: integrar o atendimento de oftalmologia nos planos de saúde; atendimento oftalmológico integrado e centrado nas pessoas; implementação de alta qualidade e pesquisa em sistemas de saúde; monitorização de tendências para avaliar a situação; e aumentar o envolvimento dos cidadãos nesta questão.

Nesta exposição foram selecionados objetos relacionados com a visão, como o modelo de globo ocular ou imagens parietais referentes à visão, mas também alguns cartazes de sensibilização relativamente à proteção da visão em contexto de trabalho.


Globo ocular

ME/342129/16

Escola Secundária Marquesa de Alorna

Modelo pedagógico desmontável do globo ocular utilizado nas aulas de Ciências Naturais. Trata-se de um modelo de plástico em suporte circular, com corte horizontal que permite ver a constituição do interior do olho humano.


Imagem parietal do corpo humano/Globo ocular

ME/346779/235

Escola Secundária com 3.ºCiclo Clara de Resende

Quadro parietal representando o olho humano, em cinco ilustrações coloridas, sobre fundo branco. As ilustrações, muito pormenorizadas, representam o globo ocular em corte longitudinal, as vias óticas, a pupila, íris e o corte do saco lacrimal e um plano da retina. Não possui legendas.


Imagem parietal de perigo e segurança

ME/400270/836

Escola Secundária de Jácome Ratton

Quadro parietal com a descrição das medidas de segurança que devem ser tomadas e dos vários riscos associados ao trabalho nas oficinas. Trata-se de uma campanha publicitária do Ministério do Trabalho, que pretende chamar alertar para os acidentes de trabalho através de frases ou imagens que despertem a atenção do público. Neste caso, sob um fundo branco temos, em primeiro plano, uma imagem de um olho estilizado. Por baixo encontra-se a frase “Protege os teus olhos". Ao lado surge uma silhueta a cinzento e negro de um homem envergando uma bengala de invisual. Foi desenhado na Escola de Artes Decorativas António Arroio, em Lisboa.


Óculos

ME/400890/12

Escola Secundária António Inácio da Cruz

Dispositivo usado à frente dos olhos, para corrigir problemas de visão. Trata-se de uns óculos com estojo próprio e lunetas.


Imagem parietal do corpo humano/Globo ocular

ME/401470/95

Escola Secundária com 3.º Ciclo Dr. Joaquim de Carvalho

Representação do olho humano.


Imagem parietal de perigo e segurança

ME/401626/68

Escola Secundária de Emídio Navarro

Quadro parietal com a descrição das medidas de segurança que devem ser tomadas e dos vários riscos associados ao trabalho nas oficinas. Trata-se de uma campanha publicitária do Ministério do Trabalho, que pretende alertar para os acidentes de trabalho através de frases ou imagens que despertem a atenção do público. Neste caso, sob um fundo negro, aparece uma frase, em letras maiúsculas a laranja e branco, que pretende chamar a atenção para o uso de óculos de proteção. No fundo do cartaz estão desenhados dois olhos a preto e branco.


MJS


2022/10/10

Peça do mês de outubro

 


Detetor de Branly

Detetor ou coesor de Branly, isolado sobre uma base de madeira, composto por um dispositivo tubular de vidro, em cujo interior se encontra limalha de ferro, e por um conjunto de vários elétrodos ligados a uma antena e à terra. A ocorrência de uma descarga elétrica oscilatória através de limalha provoca a passagem de corrente no circuito. A bateria fornece mais corrente e o interruptor eletromagnético é acionado, emitindo um som audível. O martelo do mecanismo de campainha bate no coesor de Branly, fazendo com que a limalha se disperse e haja interrupção da corrente. É o primeiro detetor de oscilações eletromagnéticas, de sensibilidade suficiente para possibilitar a construção dos primeiros recetores de rádio de aplicação prática.

A peça está inventariada com o número ME/400427/106 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária de Santa Maria Maior.


MJS

2022/10/06

Invenções que mudaram o mundo: o microscópio

 

Microscópio

ME/404445/97

Escola Secundária Alexandre Herculano

Aparelho utilizado em contexto das práticas pedagógicas nas aulas de Biologia, para visualizar estruturas de tamanho extremamente reduzido, como por exemplo as células. Este modelo é um microscópio ótico monocular que funciona com um conjunto de lentes (ocular e objetiva) que ampliam a imagem trespassada por um feixe de luz. Está munido de uma objetiva e tem uma base sobre a qual se encontra um espelho, para captar os raios de luz natural ou artificial e assim iluminar as preparações.

 

O microscópio é um aparelho que permite ampliar imagens de objetos muito pequenos devido às lentes com alta resolução. Atualmente podem dividir-se, essencialmente, em duas categorias: o microscópio ótico, que funciona através de um conjunto de lentes que aumentam a imagem através de um feixe de luz; e o microscópio eletrónico que amplia a imagem através de feixes de eletrões.

O fabrico das primeiras lentes óticas é atribuído a Salvino d’Amato em 1285 através da técnica do polimento. Em 1590 Zacharias Janssen teve a ideia de combinar lentes para aumentar o tamanho dos objetos, construindo o primeiro microscópio com uma capacidade de 30 vezes de ampliação.

Em 1625 Galileu começou igualmente a trabalhar com lentes, inspirado pelo trabalho de Janssen. Em 1665 Robert Hooke publicou Micrographia onde descreveu as observações realizadas com o seu microscópio, utilizando pela primeira vez o termo célula.

No século XVII, Antoine Van Leeuwenhoek desenvolveu o microscópio simples capaz de uma ampliação de 200 vezes. Fez a primeira observação das bactérias, embriões de plantas, glóbulos vermelhos, etc.

No século XVIII, o microscópio transformou-se num objeto artístico. Passou a fazer parte do processo de ensino, apesar das imagens obtidas serem de má qualidade devido às imperfeições das lentes.

Em 1730, Charles Hall inventou as lentes acromáticas, ou seja, sem cor. Percebeu que a utilização de uma segunda lente permitia realinhar as cores distorcidas pela primeira lente.

Durante o século XIX aperfeiçoou-se o fabrico das lentes e surgiram os primeiros microscópios binoculares, ou seja, com duas oculares. Também se verificaram grandes avanços na preparação do material biológico para observação.

Microscópio

ME/403556/6

Escola Básica e Secundária de Carcavelos

Aparelho utilizado em contexto das práticas pedagógicas nas aulas de Biologia, para visualizar estruturas de tamanho extremamente reduzido, como por exemplo as células. Este modelo tem o pé em forma de U. O braço de metal tem no seu extremo o sistema de lentes e está munido de parafuso micrométrico. Em frente da objetiva há um suporte, a platina, onde se coloca o objeto a observar, que tem um orifício no centro, para deixar passar a luz. O sistema de iluminação é constituído por um espelho redondo.


Em meados do século XIX surgem vários ateliers especializados no fabrico deste instrumento, como o de Camille-Sábastien Nachet em Paris (1835) ou o de Karl Zeiss na Alemanha (1846). Em 1830 Joseph Lister colocou as lentes a uma distância precisa, fornecendo um elevado grau de nitidez. Como tal, foi possível observar seres microscópicos desconhecidos até então levando ao estabelecimento das bases da teoria celular por Schleiden e Schwann em 1935.

Louis de Broglie, em 1924 descobriu que um feixe de eletrões se comportava da mesma forma que um feixe de luz, mas com um comprimento de onda bastante menor. Esta é a base de microscopia eletrónica desenvolvida por Hans Bush em 1926. Em 1932 Ernst Ruska e Max Knoll construíram o primeiro aparelho eletrónico. Após a Segunda Guerra Mundial, a microscopia desenvolveu-se rapidamente e transformou o conhecimento do mundo.


MJS


2022/10/03

Agrupamento de Escolas de Portela e Moscavide

 

(Logotipo do Agrupamento de Escolas de Portela e Moscavide - AEPM retirado da internet)

O Agrupamento de Escolas de Portela e Moscavide (AEPM) é composto por cinco estabelecimentos de ensino pertencentes à união de freguesias de Moscavide Portela do concelho de Loures.

 

Segundo as Disposições gerais e caracterização do agrupamento do Agrupamento de Escolas de Portela e Moscavide (2020:1), este iniciou a sua atividade no ano letivo 2003/2004. Era composto por 4 escolas:  a escola-sede, Escola EB 2,3 Gaspar Correia, a Escola Básica do 1.º Ciclo e J.I. da Portela, a Escola Básica do 1.º Ciclo de Moscavide e a Escola Básica EB 1 Dr. Catela Gomes.

 

A partir do ano letivo de 2010/2011 o Agrupamento passou a integrar a Escola Secundária da Portela, que passou a escola – sede, e continuou a designar-se por Agrupamento de Escolas de Portela e Moscavide. O agrupamento está inserido no concelho de Loures e tem como área de competência a união a partir de 2013 de duas freguesias de meios bastante diversos: a freguesia da Portela e a freguesia de Moscavide.

 

“O Agrupamento oferece a todos os seus alunos um conjunto variado de Atividades de Enriquecimento Curricular que visam concretizar os objetivos definidos no Projeto Educativo.” (AEPM, 2020:8).

 

O AEPM apresenta uma diversidade de projetos/clubes/atividades a desenvolver com os alunos, desde o pré-escolar ao ensino secundário, que envolvem os diferentes grupos disciplinares e serviços da escola em articulação com as entidades da comunidade. (AEPM, 2020:14).


(Imagem de um corredor de acesso aos pavilhões do Agrupamento de Escolas de Portela e Moscavide - AEPM retirado da internet)


 

A Escola Secundária da Portela fica situada na Avenida das Escolas e é vulgarmente conhecida por “Escola Arco-Íris” devido à coloração dos seus sete pavilhões, cada um deles pintado por cada uma das cores do arco-íris.

 

As primeiras aulas ocorreram no ano letivo 1988-1989, mais concretamente no dia 11 de outubro de 1988, no único pavilhão então construído com a cor amarela e designado por Pavilhão A. Aí funcionavam não só as salas de aula, mas também a Comissão Instaladora, os Serviços Administrativos, o bar, a papelaria e outros serviços de apoio.

Nesse primeiro ano apenas funcionou o 7.º ano com cento e noventa e seis alunos distribuídos por oito turmas no turno da manhã e com noventa e dois alunos em quatro turmas no turno da tarde. Estes alunos eram provenientes sobretudo das freguesias da Portela e Moscavide e também alguns da Apelação, Unhos e Camarate.

 

Os outros pavilhões foram sucessivamente construídos e entregues para acolher um número crescente de alunos que afluíam à escola. Os alunos eram sobretudo provenientes da Portela. Os dois últimos pavilhões, reconstruídos em 1992, destinaram-se à instalação dos laboratórios de ciências, física e química.

 

A Escola Básica 2/3 Gaspar Correia iniciou a sua atividade como Escola Preparatória no ano letivo 1973/74, sendo a data da sua criação 5 de outubro de 1973.

 

A escola tem uma identidade própria, que tem ao longo dos anos, deixado marcas, que a distinguem e lhe dão um rosto próprio. Tem tradição de se abrir à comunidade e de dar a conhecer os seus projetos e a sua dinâmica. O projeto com mais impacto é o Projeto Acampamento, que já vai em mais de 30 edições e que tem sempre granjeado o apoio incondicional da Câmara Municipal de Loures.

 

As preocupações da escola não se limitam única e exclusivamente à simples transmissão de conhecimentos, mas pretendem levar os alunos a respeitar os valores sociais e cívicos, em que assenta a sociedade onde vivemos, com o objetivo de os tornar cidadãos autónomos, livres e responsáveis.

 

A escola tem como patrono Gaspar Correia, cronista do Séc. XVI e autor da obra “Lendas da Índia”. Esta figura viveu grande parte da sua vida na Índia, onde foi secretário de Afonso de Albuquerque. Este patrono tem sido fonte de inspiração para diversas atividades já dinamizadas, como as Reconstituições Históricas e a participação em atividades culturais, ligadas à época dos Descobrimentos. O painel patente na entrada da escola dá conta desta personalidade da nossa história.

 

A Escola EB1/JI da Portela iniciou a sua atividade como Escola Primária da Portela de Sacavém, no ano letivo 1982/83. Inicialmente, apenas com um edifício, é no ano letivo de 1997/98, que é inaugurado o segundo edifício, melhorando e alargando a sua oferta à comunidade, com a abertura da primeira sala de Jardim de Infância.

 

A escola tem uma identidade própria que, ao longo dos anos, tem deixado marcas na sua comunidade e a distingue pelo serviço prestado ao longo dos anos. Tradicionalmente aberta à comunidade e abraçando diversos projetos, tem uma dinâmica muito própria e com muito impacto na comunidade em que se insere.

 

 

(Imagem da fachada do Agrupamento de Escolas de Portela e Moscavide - AEPM retirado da internet)


A Escola EB1/JI Quinta da Alegria tem 2 grupos de educação pré-escolar e 7 turmas do 1.º ciclo e, por sua vez, a Escola EB1 Dr. Catela Gomes tem 10 turmas do 1.º ciclo.


Segundo Nuno Reis (Reis, 2019:2), o diretor da escola, o AEPM, desempenha um papel ativo e relevância na comunidade, assume-se como “espaço de cultura” da União de Freguesias de Moscavide e Portela, promovendo eventos de natureza cultural, tais como concertos, exposições, teatro, cinema, debates, eventos desportivos, entre outros -  criando hábitos de vivencias culturais aos alunos pais/encarregados de educação, professores, assistentes operacionais e à população da freguesia.

 

 P.M. 

 

 

BIBLIOGRAFIA:

 

 

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE PORTELA E MOSCAVIDE (2020). Documento orientador: organização do ano letivo 2020/2022 [em linha]. Portela: AEPM [consult. 16 de maio de 2022]. Disponível: Doc_Orientador_Ano_letivo2021_22.pdf(agepm.pt)

 

 

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE PORTELA E MOSCAVIDE (2020a). Regulamento Interno 2020/2024  [em linha]. Portela: AEPM [consult. 16 de maio de 2022]. Disponível: Regulamentos (agepm.pt)

 

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE PORTELA E MOSCAVIDE (s.d.). Escola EB 2,3 Gaspar Correia  [em linha]. Portela: AEPM [consult. 16 de maio de 2022]. Disponível: http://agepm.pt/cms/agrupamento/escolas/escola-eb-2-3-gaspar-correia

 

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE PORTELA E MOSCAVIDE (s.d.). Escola EB1/JI da Portela  [em linha]. Portela: AEPM [consult. 16 de maio de 2022]. Disponível: http://agepm.pt/cms/agrupamento/escolas/escola-eb1-ji-da-portela

 

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE PORTELA E MOSCAVIDE (s.d.). Escola Secundária Arco-Íris (Portela) [em linha]. Portela: AEPM [consult. 16 de maio de 2022]. Disponível: http://agepm.pt/cms/agrupamento/escolas/escola-secundaria-arco-iris-portela-2

 

REIS, Filipe Santos (2019). Carta de missão do diretor 2019/2023: todos juntos conseguimos! [em linha]. Portela: Agrupamento de Escolas de Portela e Moscavide [Consult. 16 de maio de 2022]. Disponível: Carta_de_Missao_do_Diretor_2019-2023.pdf (agepm.pt)


2022/09/29

Invenções que mudaram o mundo: a máquina a vapor

 

Máquina a vapor

ME/401109/589

Escola Secundária de Camões

Modelo de motor a vapor utilizado como material de apoio didático no âmbito da Física. Trata-se de um modelo didático tridimensional de um motor a vapor, mostrando, em corte, os principais componentes internos. O modelo era utilizado para demonstração do modo de funcionamento de máquinas a vapor.


A máquina a vapor é um tipo de máquina térmica que se baseia no fornecimento de energia através do calor, ou seja, da pressão do vapor que é produzida. Desta forma, a expansão do vapor na turbina leva a uma diminuição da temperatura e energia internas. Assim, a energia interna transforma-se em energia mecânica através da força que exerce no êmbolo.

A primeira máquina baseada neste principio foi criada no século I por Heron de Alexandria. Apelidada de eolípila, funcionava como uma caldeira de água que possuía uma esfera que girava quando aquecida.

Em 1698 Thomas Savery criou um motor para bombear a água que se acumulava no interior das minas de carvão. Em 1712 Thomas Newcomen aperfeiçoou esta máquina. O motor era acionado através do vapor da condensação introduzido no cilindro. Criava-se uma espécie de vácuo e a pressão atmosférica empurrava o pistão para dentro do cilindro. O motor de Newcomen foi utilizado em muitos países da Europa.


Máquina a vapor

ME/404445/119

Escola Secundária Alexandre Herculano

Instrumento utilizado em contexto das práticas pedagógicas de Física. Trata-se um modelo de máquina a vapor, um aparelho que produz movimento à custa de vapor a pressão elevada. A abertura e fecho da válvula de escape era feita através de um complexo sistema de engrenagens e veios de transmissão, comandados por um eixo que se movia solidariamente com o êmbolo. Para isso, desenvolveram-se diversos mecanismos de válvulas, instalados numa caixa de distribuição que permitia que o vapor escapasse alternadamente de cada um dos sectores definidos pelo êmbolo no interior do cilindro.



Em 1777, James Watt aproveitou o modelo de Newcomen e melhorou-o, acrescentando um segundo cilindro. Tinha várias vantagens, nomeadamente a existência de uma câmara de vácuo separada. A máquina a vapor foi utilizada para múltiplas funções, desde a extração de água nas minas, até ao fabrico de tecidos.

Foi assim que se iniciou a Era da Revolução Industrial. Através da introdução máquina a vapor a produção aumentou muito, gerando grandes lucros e investimentos em novas fábricas. O mundo e a forma de vida de milhões de pessoas mudaram para sempre: era a época da velocidade, do lucro, do capitalismo, da tecnologia e do desenvolvimento das cidades.

Ao mesmo tempo que era aplicada à indústria, a máquina a vapor revolucionou o mundo dos transportes, ou seja, o comboio a vapor. Foi Richard Trevithick, em 1804, o responsável pela combinação da máquina de Watt com os transportes a carvão existentes.

No final do século XIX, Charles Algernon Parsons criou a turbina a vapor que já não necessitava de mecanismos de transmissão, apresentando um melhor rendimento. Apesar da utilização extensa, a máquina a vapor caiu rapidamente em desuso, substituída pelas máquinas de combustão interna. O uso do carvão e a grande perda de energia, tornou este tipo de máquina menos utilizada.


MJS

 

2022/09/26

Invenções que mudaram o mundo: a internet

 

(Imagem ilustrativa da evolução da internet e de vários motores de busca retirada da internet)

A internet é uma rede mundial de comunicação feita através de computadores, permitindo o acesso a uma quantidade enorme de informação e a troca de mensagens entre utilizadores. Internet significa “entre redes” e designa o protocolo de comunicação TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol) desenvolvido por um instituto governamental norte americano, o ARPA (Advanced Research Project Agency).

A internet ou net é uma rede virtual que permite que um computador de uma dada rede possa comunicar com outro computador de outra rede com características diferentes. Cada computador tem associado um endereço IP que o distingue de qualquer outro. É importante distinguir o termo Internet, uma rede de computadores conectados e World Wide Web, um dos serviços que funciona dentro da net.

A origem da internet remonta aos anos 60, após o lançamento do primeiro satélite artificial, o Sputnik 1, pela URSS. Como resposta, os Estados Unidos criaram a DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency) que pretendia estabelecer uma forma de comunicação sem falhas através de redes de computadores. Não se trata propriamente da criação da internet, mas sim do desenvolvimento de novas tecnologias que permitiram um enorme avanço nesta área.

Em 1962, Paul Baran criou um sistema de computadores ligados a uma rede descentralizada, imune a ataques exteriores. Em 1965 Lawrence G. Roberts e Thomas Merril conseguiram ligar dois computadores em locais diferentes através de uma linha telefónica. Foi criada a WAN (Wide Area Network). Em 1966 Roberts integrou a DARPA e desenvolveu a ARPANET que permitiu ligar quatro universidades americanas.


(Imagem da história da internet de 1957 a 2006 retirada da internet)

O Network Working Group, liderado por S. Crocker, estabeleceu um protocolo de controlo, o NPC (Network Control Protocol), que tornou possível criar aplicações nos computadores ligados à Arpanet. Desta forma, em 1972, Ray Tomlinson criou o software básico do email que mudaria para sempre a comunicação. Em 1974 o protocolo NPC tornou-se insuficiente e foi criada uma nova versão, o TCP/IC que facilitava a comunicação em rede.

Em 1985 a internet consolida-se como a principal rede de comunicação global. Em 1989 Tim Berners-Lee desenvolveu a World Wide Web, ou seja, um sistema de distribuição de documentos de hipertexto (http) acessíveis através de um navegador web.

A partir dos anos 90, a internet alargou-se a todo o mundo, tendo um impacto enorme na cultura e na economia mundiais. Em 1997, foi lançado o Google, que oferecia se tornou navegador bastante prático e eficaz. Posteriormente as redes sociais criaram uma nova forma de socialização e comunicação.


MJS