2021/08/09

Bibliotecas da Direção-Geral do Património Cultural

(Imagem da sala de leitura de uma biblioteca com a referência às Bibliotecas Património Cultural no canto superior esquerdo. Retirada do site da Direção-Geral do Património Cultural)


A
Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) faz a gestão do património cultural português, em várias as áreas: património imóvel, móvel, imaterial; gestão do património edificado, museus e monumentos; obras de conservação; coordenação da Rede Portuguesa de Museus, entre outros.

A sua intervenção faz-se sentir em três pontos fundamentais: 

• O conhecimento, o inventário, a salvaguarda, a conservação, a valorização, a divulgação do património cultural arquitetónico, arqueológico, móvel e imaterial, e a execução da política museológica nacional.

• A gestão dos mais importantes museus nacionais portugueses e dos monumentos classificados Património Mundial pela UNESCO.

• A articulação permanente com outras entidades, públicas e privadas, nacionais e internacionais, nos domínios normativo e da fiscalização, da investigação científica, da ação educativa e formativa e da administração do território.

No que respeita à área de biblioteconomia, a DGPC tem a seu cargo vários serviços de documentação de grande riqueza e diversidade: são 25 bibliotecas e centros de documentação, a maioria dos quais com acesso público, com mais de 300.000 registos bibliográficos. Estes acervos documentais organizam-se em coleções e/ou tipo de espaço patrimonial em que se encontram inseridos. 

Foi, assim, criada em 2014 uma Rede de Bibliotecas que tem como objetivo a criação de um catálogo coletivo de bibliotecas.

As bibliotecas que destacaremos são:

• Biblioteca da Ajuda

• Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra

• Biblioteca de Arqueologia

• Biblioteca de Conservação e Museus

• Biblioteca de Património

• Biblioteca da Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves

• Biblioteca do Convento de Cristo

• Biblioteca do Mosteiro da Batalha

• Biblioteca do Mosteiro de Alcobaça

• Biblioteca do Mosteiro dos Jerónimos

• Biblioteca do Museu Monográfico de Conimbriga

• Biblioteca do Museu Nacional da Música

• Biblioteca do Museu Nacional de Arqueologia

• Biblioteca do Museu Nacional de Arte Antiga

• Biblioteca do Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado

• Biblioteca do Museu Nacional de Etnologia

• Biblioteca do Museu Nacional do Azulejo

• Biblioteca do Museu Nacional do Teatro e da Dança

• Biblioteca do Museu Nacional do Traje

• Biblioteca do Museu Nacional dos Coches

• Biblioteca do Museu Nacional Grão Vasco

• Biblioteca do Museu Nacional Machado de Castro

• Biblioteca do Museu Nacional Soares dos Reis

• Biblioteca do Palácio Nacional da Ajuda

• Biblioteca do SIPA - Forte de Sacavém


MJS

 

2021/08/05

Vila Viçosa, Vila Ducal Renascentista

 

(Imagem da fachada do Paço Ducal de Vila Viçosa. Retirada da internet)

Vila Viçosa, Vila Ducal Renascentista apresentou a sua candidatura a Património Mundial da UNESCO.

Localizada no Alentejo Central, distrito de Évora, Vila Viçosa é uma vila portuguesa, sede do município que se divide em quatro freguesias: Elvas, Alandroal, Redondo e Borba.

A importância desta localidade reside no fato dos Duques de Bragança aqui terem mantido as suas propriedades e o Paço Ducal até à Proclamação da República.

Foi ocupada por romanos e árabes até à reconquista levada a cabo por D. Afonso II em 1217. D. Afonso III em 1270 concede um foral e o nome da região muda de Vale Viçoso para Vila Viçosa. No século XIV D. Dinis constrói o Castelo de Vila Viçosa.

Durante a crise de 1383-85, o comendador -mor da Ordem de Avis, traiu Portugal tomando o partido de Castela e tomou a Vila, o que fez com que a população fugisse para Borba. Depois da Batalha de Aljubarrota, a vila foi libertada.

Em 1461, a localidade passou a fazer parte do Ducado de Bragança. Em 1502 inicia-se a construção do Paço Ducal que se tornou a sua sede. D. Manuel I Concede o foral à região em 1512.

Com o início da Dinastia de Bragança, em 1640, Vila Viçosa perde a sua importância tornando-se uma residência de férias. Em 1646, D. João VI ofereceu a coroa de Portugal a Nossa Senhora da Conceição que se tornou Padroeira de Portugal. Aqui se encontra o Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição.

A partir da implantação da República, deu-se a decadência da Vila. Só na década de 1930, com a exploração dos mármores de Estremoz e a abertura do Paço Ducal ao turismo, Vila Viçosa iniciou um período de desenvolvimento.

(Imagem do interior do Paço Ducal de Vila Viçosa. Retirada da internet)

O património cultural de Vila Viçosa é de extrema importância, podendo apontar-se vários exemplos: a Praça principal, o Paço Ducal, o Palácio Matos Azambuja ou Casa dos Arcos, o Castelo, o Chafariz d'El-Rei, o Convento da Esperança, o Convento das Chagas de Cristo, o Convento de Santa Cruz, a Igreja e Convento dos Agostinhos, o Convento dos Capuchos, o Cruzeiro da Serpente ou da Lapa, as Ermidas de São Bento, São João Batista, São Luís e São Jerónimo, a Estátua Equestre do Duque de Bragança, a Igreja de São João Evangelista, o Santuário de Nossa Senhora da Conceição, entre muitos outros.

O foco é, no entanto, o Paço Ducal, situado no Terreiro do Paço desta Vila. É uma das obras primas da arquitetura da Idade Moderna, tendo sido Nicolau de Frias o arquiteto responsável, iniciando o projeto e Pero Vaz Pereira que concluiu a obra.

D. Fernando (1403 – 1461) tornou Vila Viçosa a sede do Ducado de Bragança. Foi, no entanto, com D. Jaime, o 4º Duque de Bragança, que se iniciou a construção de um novo palácio – O Paço Ducal. Em 1501 iniciaram-se as obras, entretanto interrompidas com a expedição a Azamor. Datam desta época o claustro, a zona da Capela e as salas da Armaria.

D. Teodósio, o 5º Duque, aproveitou o facto da sua irmã se ter casado com o infante D. Duarte para ampliar o Palácio devido às festas do matrimónio que aí ocorreu em 1537. Foi erguida a fachada revestida a mármore. Foram sendo feitos inúmeros melhoramentos até 1640.

Com a subida ao trono de D. João VI, o palácio tornou-se uma residência de férias. D. João V alterou a capela, a cozinha e o pavilhão dos quartos novos. D. Maria I acrescentou as Salas de Jantar e dos Vidros. D. Carlos e D. Amélia fizeram igualmente inúmeras obras, passando aqui várias temporadas.

Após a implantação da República, o Paço continuou na posse da Casa de Bragança, uma vez que se tratava de um bem familiar. Em 1933 D. Manuel II entregou o Palácio à Fundação da Casa de Bragança que o transformou num Museu. Inclui inúmeras obras de arte, pintura, mobiliário, escultura, etc. Deve-se destacar a obra artística do rei D. Carlos e a Biblioteca.

 

MJS

2021/08/02

A Rota de Magalhães: a primeira viagem à volta do mundo

 

(Pintura do navegador Fernão de Magalhães. Retirada da internet)

A Rota de Magalhães, a primeira viagem à volta do mundo, encontra-se nas listas indicativas para a candidatura de Bens a Património Mundial.

Fernão de Magalhães (c. de 1480- 1521) é um dos mais importantes navegadores portugueses da época dos Descobrimentos. O seu grande feito foi a preparação e realização da primeira viagem de circum-navegação do globo terrestre. De acordo com vários historiadores, a viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães é um símbolo da globalização.

Nascido em Trás os Montes, Fernão de Magalhães esteve cerca de 8 anos no Oriente, depois de se alistar na armada de D. Francisco de Almeida em 1505.

Regressou a Lisboa em 1513 e voltou a partir na expedição a Azamor. Foi acusado pela corte de D. Manuel I de não ter cumprido bem as suas funções, pelo que se afastou de Portugal, sem ter tido o apoio do rei para o seu projeto de volta ao mundo.

Continuou a planear a sua expedição e apresentou-se em Sevilha em 1517. Carlos V aprovou o projeto e financiou-o, pois, o seu objetivo era atingir as Molucas através de mares não navegados pelos portugueses, resolvendo uma antiga rivalidade pela posse da localidade.

Fernão de Magalhães reuniu cinco naus: Trinidad – 32 homens liderados por Fernão de Magalhães; San António – 57 homens liderados por Juan de Cartagena; Concepción – 44 homens liderados por Gaspar de Quesada; Victoria – 45 homens liderados por Luis de Mendonza; e Santiago – 31 homens liderados por João Serrão). Partiu em setembro de 1519 e viria a morrer em 1521 durante a viagem, vítima de uma emboscada.


(Mapa com a rota da viagem de circum-navegação. Retirada da internet)

Quanto ao percurso da viagem, foi o seguinte:

- Setembro de 1519 - Partida de Sevilha;

- Escala nas Canárias;

- Dezembro de 1519 – Avistamento da Costa da América do Sul;

- Março de 1520 – Porto de S. Julião, onde ocorre um motim. A nau Santiago naufragou e a nau San António desertou regressando a Espanha;

- Dificuldades de passagem do estreito;

- Novembro de 1520 – Fernão de Magalhães encontra a saída do estreito e inicia a travessia do Pacífico, onde permanecerá durante 4 meses. Passaram fome, sede e sofreram de escorbuto;

- Março de 1521 – Chegam às Filipinas, ancorando em Cebu e realizando algum comércio;

- 7 de abril de 1521 – Morte de Fernão de Magalhães numa emboscada, Sebastião del Cano assume o comando e volta a Espanha. Queimam a nau Concepción.

- 18 de maio de 1522 – A nau Vitória dobra o cabo da Boa Esperança

- 6 de setembro de 1522 – Aportam em Espanha.

A viagem de Fernão de Magalhães revolucionou o mundo: pela primeira vez atravessaram-se todos os oceanos e conheceram-se todos os continentes (à exceção da Austrália) ficando ligados.

Há uma consciência do mundo na sua totalidade, abrindo-se o Oceano Pacífico. A humanidade compreende que não existem apenas cálculos teóricos, mas sim a prática, que demonstra como é o mundo verdadeiramente.

Magalhães fecha o ciclo dos Descobrimentos, iniciado pelo Infante D. Henrique, e torna o mundo totalmente descoberto. Com o final dos Descobrimentos começa a era da globalização.

 

MJS

 

2021/07/29

Caminhos Portugueses de Peregrinação a Santiago de Compostela

(Imagem da fachada da Catedral de Santiago de Compostela. Retirada da internet)

O Caminho Português de Peregrinação a Santiago de Compostela está em avaliação fazendo parte das listas indicativas para a candidatura de Bens a Património Mundial em Portugal.

Neste momento, a Associação Espaço Jacobeus (AEJ) está a trabalhar junto da UNESCO para conseguir esta classificação já em 2021. Neste sentido, têm sido melhorados os trajetos, uma vez que não existe uma autoridade reconhecida oficialmente como responsável. Foi declarado o primeiro Itinerário Cultural Europeu em 1987, sendo que as áreas espanhola e francesa deste Caminho já são património mundial, o que ocorreu respetivamente em 1993 e 1998.

Apesar de ter caído no esquecimento, nos anos 80 o Caminho ganhou novo fôlego, não apenas como itinerário religiosa, mas também como itinerário cultural e espiritual. Os percursos espalham-se por toda a Europa e juntam-se no caminho espanhol.

Os Caminhos de Santiago são percursos efetuados por peregrinos até Santiago de Compostela. Existem registos desde o século IX para ver as relíquias do apóstolo e a Catedral em que se encontram. A origem do culto a Santiago é desconhecida, mas pensa-se que deriva de uma peregrinação pagã.

(Imagem de um pequeno poste indicativo do Caminho de Santiago com uma concha amarela. Retirada da internet)

De acordo com as tradições locais foi em Iria Flávia, a 20 km a sudoeste de Compostela que Santiago pregou pela primeira vez durante a evangelização da Península Ibérica, cerca de 34 d. C. O apóstolo foi decapitado na Judeia e posteriormente transportado para a Galiza por Teodoro e Atanásio, que depositaram os seus restos mortais no monte Libredón, onde atualmente se ergue a Catedral.

No século VIII foi encontrado este sepulcro, o que coincide com a invasão da Península Ibérica pelos Árabes. Não é de estranhar que Santiago se tenha ligado a todo o processo de reconquista cristã. Outras tradições apontam a Basílica Saint-Sernin, como o local para onde teria sido levado o corpo do Santo por Carlos Magno.

O primeiro peregrino a Santiago é, segundo a tradição, o rei Afonso II das Astúrias (c. 791-842), onde mandou construir uma igreja e se estabeleceu uma comunidade religiosa.

No decorrer dos anos, este tornou-se num dos locais de peregrinação mais visitados da Europa. Carlos Magno incentivou esta peregrinação como forma de defender as suas fronteiras do avanço árabe. Afonso III fez igualmente este caminho, ordenando a edificação de uma nova basílica.

Durante o século X desenvolve-se o Caminho Francês. O Papa Calisto II, no século XII, incentivou as peregrinações regulares a Compostela. Cerca de 1140 surge o primeiro “guia” para o local, o Codex Calistinus, atribuído ao monge Aimery Picaud, da Ordem de Cluny, onde se descrevem quatro rotas.

Após o século XIV, os peregrinos afastam-se para outros locais não só pelo processo de reconquista que exigia uma atenção redobrada dos monarcas na zona sul da Península, mas também pelo Grande Cisma do Ocidente em 1378.

Os peregrinos usam vários símbolos como é o caso de uma vieira (concha), cuja origem se atribui a algumas versões lendárias que teriam ocorrido aquando do transporte do corpo de Santiago. Apesar disso, a vieira é uma metáfora: os sulcos da concha juntam-se num ponto, o que representa as várias rotas utilizadas que confluem no sepulcro. Da mesma forma que as conchas são arrastadas pelo mar até à costa, assim Deus guia o peregrino até Compostela. A vieira é também um utensílio bastante prático pois permitia aos peregrinos beber água e comer.

O bordão é outro acessório que auxilia o peregrino na sua caminhada. Tradicionalmente tem um gancho para ser levado ao ombro com vários objetos pendurados.

Na Península Ibérica, a Via Láctea é muitas vezes designada como “Caminho de Santiago” pois teoricamente indicava o caminho para esta região durante a noite.

Os peregrinos tinham consigo uma credencial, algo semelhante a um passaporte, com 14 páginas. Devia ser carimbada duas vezes por dia em igrejas ou albergues, o que comprovava a passagem do peregrino pelas zonas em questão. Muitas vezes levavam consigo uma carta de recomendação do pároco local, funcionando como um salvo-conduto. Atualmente ainda existe este tipo de documento que deve ser solicitado pelo peregrino, facilitando o processo de alojamento.

(Mapa parcial de Portugal e Espanha onde estão marcadas as rotas para Santiago de Compostela. Retirado da internet)

Quanto aos caminhos, estão atualmente assinalados por setas amarelas no chão ou em muros, postes, árvores ou mesmo em marcos de granito. Destacam-se os seguintes:

- O Caminho Francês que entra em Espanha através de Roncesvalles, no sopé dos Pirenéus. A este liga-se o Caminho Aragonês com saída em Somport;

- O Caminho da Prata, com saída em Sevilha, passando por Chaves. É o caminho mais longo;

- O Caminho Primitivo com saída em Oviedo;

- O Caminho do Norte, que sai de Irúm e passa por San Sebastian;

- O Caminho Português que inclui várias alternativas: a partir de Lisboa, passa por Alhandra, Azambuja, Santarém, Golegã, Tomar, Alvaiázere, Rabaçal, Coimbra, Mealhada, Águeda, Albergaria-a-Velha, Oliveira de Azeméis, Grijó, Porto. A partir do Porto, passa Vairão, Rates, Barcelos, Ponte de Lima, Rubiães, Valença, Tui, Redondela, Pontevedra, Caldas de Reis, Padrón, Santiago de Compostela. Os caminhos portugueses juntam-se, na sua maior parte, em Valença do Minho;

- O Caminho Inglês que parte de Ferrol ou da Corunha.

 

MJS

2021/07/26

Montado, Paisagem Cultural

O Montado, paisagem cultural, encontra-se na lista indicativa para a candidatura de Bens a Património Mundial em Portugal.

O montado é um ecossistema com características únicas, característico da zona do Alentejo, em Portugal. Trata-se de um conjunto de florestas de azinheiras, carvalhos, sobreiros ou castanheiros que subsistem apenas na zona do Mediterrâneo, Argélia e Marrocos. Portugal é o país com a maior extensão de sobreiros ao nível mundial, sendo o principal exportador. Pensa-se que o nome montado deriva da expressão medieval montar, ou seja utilizar os montes comuns para pastos, madeira e caça.

O sobreiro distribui-se pelo território continental, com exceção das zonas de elevada altitude, concentrando-se no Ribatejo e Alentejo, bem como o castanheiro. O sobreiro é uma das espécies mais resistentes ao fogo, devido à sua casca de cortiça, constituindo 21% da área florestal. Trata-se de uma árvore frondosa e de grandes dimensões, podendo atingir os 25 metros de altura, vivendo cerca de 300 anos. As florestas de sobreiros são denominadas “Montados de Sobro”, resultando da ação ordeira e organizada do homem.

Desta forma, a cortiça é matéria prima primordial extraída desta espécie, o que torna Portugal o maior exportador. A extração da cortiça é feita manualmente e requer bastantes cuidados para que não seja infligido qualquer dano na árvore e só pode ser feita de 9 em 9 anos. 

Os montados são extremamente importantes para a manutenção do ecossistema, conservando o solo, melhorando a qualidade da água e produzindo oxigénio. Incluem uma biodiversidade considerável com mais de 120 espécies, incluindo o lince ibérico.

Desta forma, o Montado é uma paisagem icónica e um marco de tradições e costumes. Tem capacidade para sustentar outras atividades económicas como a criação de animais, produção de leite, apicultura, criação de cogumelos, bem como atividades de caráter turístico.

 

MJS


2021/07/22

Exposição Virtual: "Mobiliário Escolar no Museu Virtual da Educação"

O mobiliário constitui uma importante fonte para o conhecimento das práticas escolares, uma vez que influencia significativamente o desenvolvimento dos alunos em vários aspetos. Em Portugal, este passou a ser um tema de discussão a partir da década de 30/40, quando foram desenhados alguns modelos de carteiras adaptadas à estrutura das crianças. 

A coleção de mobiliário escolar disponibilizada no Museu Virtual da Educação compreende várias peças utilizadas em contexto escolar. É o caso da carteira, um móvel de assento e de escrita, com um ou dois lugares. O tampo é geralmente inclinado, rebatível ou não, e o assento é fixo. Inicialmente construídas em madeira, as carteiras passaram a integrar elementos metálicos para minimizar os problemas dos xilófagos. Por baixo do tampo, existe por vezes, uma prateleira para colocação de material escolar. O quadro negro era, na maior parte das vezes constituído por uma armação em madeira que sustentava a placa de ardosia sobre a qual se escrevia com giz. Na base da ardósia existe um rebordo em forma de calha a todo o comprimento para colocação dos pedaços de giz e do apagador. 

Outro tipo de elementos também deve ser referido, como é o caso dos bancos corridos, colocados nos corredores ou cantinas, mesas, bancos e secretárias. Parte integrante da vida escolar, o quadro de honra destinava-se a distinguir os alunos que se destacavam ao nível da sua progressão académica. 

Para além destes, existe todo o tipo de mobiliário de apoio à prática letiva como os armários, as estantes, as vitrinas, as bancadas de laboratório ou os relógios. A partir dos finais da década de 60 do século XX deixam de se utilizar carteiras de tampo inclinado e a clássica secretaria do professor. As áreas de trabalho tornam-se mais amplas e o mobiliário obedece a aspetos ergonómicos, funcionais, técnicos, estéticos e económicos, permitindo mais flexibilidade e adaptabilidade nas salas de aula.

Conjunto de banco e carteira

ME/400439/829

Escola Secundária Sebastião e Silva

Carteira escolar de um lugar, constituída por banco e mesa contíguos, em madeira, montados em estrutura de ferro pintada de preto, sobre calha de madeira. O assento tem encosto de uma travessa; a mesa, destinada à escrita, apresenta tampo inclinado, rebatível, com calha para colocação de material riscador; sob o tampo encontra-se uma prateleira destinada à colocação de material escolar.


Quadro

ME/404445/138

Escola Secundária Alexandre Herculano

Antigo quadro rebatível utilizado nas aulas de diversas disciplinas. É constituído por uma armação em madeira que sustenta a placa de ardosia sobre a qual se escrevia com giz. A armação tem uma estrutura basculante que permite ajustar a melhor posição do quadro. Na base da ardósia a armação em madeira tem um rebordo em forma de calha a todo o comprimento para colocação dos pedaços de giz e do apagador.


Banco

ME/152171/85

Escola Secundária Infante D. Henrique

Banco corrido, de espaldar, com três lugares. Assenta sobre oito pernas de secção quadrangular, travejadas. Possui dois braços em cada extremo e duas traves a meio da zona do espaldar. Foi executado na década de 30/40 pelos alunos e mestres da escola.


Secretária

ME/403556/233

Escola Básica e Secundária de Carcavelos

Secretária constituída por tampo fixo retangular, assente sobre duas caixas laterais constituídas por três gavetas sobrepostas, com espelhos de fechadura metálicos e puxadores paralelepipédicos maciços, em madeira, situados por baixo dos espelhos. Ao centro, sob o tampo, tem uma gaveta, mais larga. Entre os dois corpos laterais existe um espaço destinado à cadeira. Cada conjunto de gavetas está assente em quatro pés retangulares.


Vitrine

ME/401109/357

Escola Secundária de Camões

Armário/vitrina com quatro módulos. Trata-se de uma vitrina para exposição de peças, em que cada um dos quatro módulos é constituído por duas partes sobrepostas e portas de vidro com moldura simples de madeira. No interior contem prateleiras também em vidro. O módulo inferior é avançado, possuindo na zona superior um compartimento com porta inclinada e, na zona inferior, uma gaveta.


Cadeira

ME/152171/84

Escola Secundária Infante D. Henrique

Cadeira, que faz parte de um conjunto de 3, executadas na década de 30/40 pelos alunos e mestres da escola. A cadeira tem costas fixas, braços e assento de madeira sem estofo. A cadeira roda sobre um eixo fixo num pé de galo e não apresenta decoração ou acabamento específico.


MJS


2021/07/19

Mértola


(Imagem  da cidade de Mértola. Retirada da internet)

Mértola encontra-se na lista indicativa para a candidatura de Bens a Património Mundial em Portugal. Trata-se de um município do distrito de Beja, sendo o sexto mais extenso de Portugal com 1.292.87 Km2 de área.

É banhada pelo rio Guadiana e caracteriza-se geologicamente por zonas de peneplanície e pelo vale do Guadiana. O seu clima é temperado mediterrânico, com verões quentes e invernos amenos.

Habitada desde o neolítico, Mértola conserva edifícios romanos de grande monumentalidade. Mírtilis Júlia foi a sua designação durante este período, mudando depois para Martulá com as invasões muçulmanas. Nesta fase tornou-se o porto fluvial mais ocidental do Mediterrâneo, com um castelo, tendo sido a capital de um emirado independente, a Taifa de Mértola.

Com D. Sancho II, Mértola foi reconquistada sob o comando de Paio Peres Correia em 1238 e assistiu a um período de grande desenvolvimento.

Só muito mais tarde, no final do século XIX, é que o município recupera a prosperidade e o crescimento demográfico através da descoberta do filão mineiro em S. Domingos. Com o encerramento da mina em 1965 houve uma crise social e económica, fazendo com que inúmeros habitantes se mudassem para Lisboa ou para o exterior do país.

Entre os monumentos mais importantes podem-se destacar alguns como o castelo de Mértola, a Igreja Matriz, o Convento de São Francisco, o Museu Municipal e todo o centro histórico.

(Imagem  da cidade de Mértola e do seu castelo. Retirada da internet)

O atual castelo, resulta do inicialmente construído durante a ocupação muçulmana e foi alvo de várias alterações, nomeadamente o acrescento da Torre de Menagem edificada em 1292 por D. João Fernandes. Aqui se encontra um importante núcleo museológico e pode-se desfrutar de uma vista sobre toda a vila.

A Igreja Matriz ou Igreja de Nossa Senhora da Anunciação, foi uma mesquita, convertida durante o século XIII. Conserva a estrutura da construção anterior, incluindo quatro portas de arco em ferradura e o mihrab, que indica a direção de Meca.

O Convento foi edificado no século XVII por iniciativa de Diogo Nunes de Figueira Negreiros. Atualmente é um importante polo cultural, com jardins, exposições, um museu da água e uma reserva ornitológica.

 

MJS