2013/09/10

Peça do mês de Setembro




Carroça

Carro de tração animal usado como meio de transporte. A carroça é movida por tração animal, e serve para deslocar carga ou pessoas de um local para outro. Está inventariado com o número ME/404342/8 e pertence ao espólio museológico da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Grândola.
Esta Escola faz parte da APEPA, Associação Portuguesa de Escolas Profissionais Agrícolas, criada em 01 de Julho de 1994. A Associação representa cerca de vinte Escolas Profissionais que oferecem, entre outras, formação agrícola. Existem 14 escolas públicas e 6 privadas, em que a maioria possui explorações agrícolas.
A APEPA engloba-se na EUROPEA Internacional, uma associação para o ensino agrícola internacional onde estão representadas todas as Associações Nacionais de Ensino Agrícola dos estados membros da União Europeia.
Neste tipo de escolas do Ensino Secundário o seu principal objetivo é a formação de técnicos intermédios, com habilitação equivalente ao 12º ano de escolaridade e com uma habilitação profissional de Nível III EU. Estão obviamente inseridas num contexto rural, prestando apoio ao sector primário. A oferta formativa inclui a agricultura, as agroindústrias, a floresta, o turismo, o artesanato, a cinegética ou a construção civil tradicional.
Esta peça faz parte de um conjunto de instrumentos agrícolas recolhidos pela Escola para integrar o seu núcleo museológico, contribuindo desta forma para a salvaguarda e requalificação do património rural. O alargamento da noção de património reflete-se na recolha de peças e de espólio ligado ao mundo rural e agrícola. Neste caso, a Escola dispõe de bens culturais móveis que incluem os objetos de produção, como ferramentas, utensílios e alfaias agrícolas que permitem uma preservação da memória do seu espaço cultural e respetiva valorização.


Bibliografia e informação adicional:





Para consultar a história da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Grândola:





MJS

2013/08/28

Os Bibliotecários na Primeira República - I - Missão e atribuições





(Imagem a preto e branco de uma criança sentada numa pilha de jornais)



A Primeira República Portuguesa (1910-26) constituiu uma tentativa persistente de estabelecer e manter uma democracia parlamentar. Ainda assim, muitos entendidos, tal como Wheeler (1978:865), consideram que a República foi prejudicada pela frequente violência pública, pela instabilidade política e, sobretudo, pela falta de continuidade administrativa.

 Atendendo às vicissitudes político-sociais de então, o Decreto n.º 3.370, de 15 de setembro de 1917, estabelece que a categoria do primeiro bibliotecário seja inerente ao professor de qualquer das cadeiras do curso superior de biblioteca-arquivo. Assim sendo, o estatuto profissional de bibliotecário é reconhecido e equiparado ao de professor.

 

“Na verdade, durante o período cronológico correspondente à Primeira República, vamos assistir a um incremento notável das bibliotecas e dos arquivos, que é, por um lado, reflexo de novas orientações político-ideológicas e, por outro, fruto da ação de algumas personalidades como Júlio Dantas, António Ferrão e Raul Proença, que assumem responsabilidades importantes, do ponto de vista político, de gestão e de coordenação técnica.” (Ribeiro, 2008:22)

 

Como verificamos, não só o estatuto de bibliotecário ganha folego social, mas as bibliotecas também são incrementadas de uma forma notória, fruto de ideologias progressistas da época.

 Segundo o Regulamento sobre o provimento e promoção do pessoal das bibliotecas e arquivos nacionais, nomeadamente o Decreto nº 3.076 [1], qualquer tipo de regulamentação bibliotecária executa-se em nome do interesse do Estado e, acima de tudo, para assegurar a existência de técnicos devidamente credenciados: “pessoal devidamente habilitado e que tenha prestado provas da sua competência.” O Art. n. 1, do Decreto supracitado, afirma que:

 

“O quadro da Secretaria Geral das Bibliotecas e Arquivos Nacionais compõe-se de: 1 director, 1 chefe de secção de contabilidade, 1 chefe de secção de expediente, 2 escriturários, 1 contínuo e 1 servente.” (D.G. n. 54, 1917)

 

Verifica-se, deste modo, que os serviços biblioteconómicos apresentam características multidisciplinares, onde, por conseguinte, a contabilidade (i.e., seleção e aquisições) e o expediente (i.e., catalogação e difusão de informação) são tarefas bem definidas.

 Dezasseis anos mais tarde, com a mudança da conjetura política, o cenário cultural muda radicalmente: o Decreto n. 22.116, aprovado a 13 de janeiro de 1933, declara no Art. 1 que a biblioteca tem os seguintes objetivos: “a propaganda da leitura, a vulgarização do conhecimento e a expansão da cultura científica, literária e profissional.”

Como verificamos, a terminologia — propaganda, vulgarização e expansão — alude a roturas política e culturais. Estes conceitos do Estado Novo não são propriamente biblioteconómicos, ainda assim, remete para a forma como a promoção da leitura e disseminação de informação estavam controladas. O próprio vocabulário usado é, per si, testemunho vivo desta repressão.

 Insistindo ainda no ideal de bibliotecário da Primeira República - recoletores documentais [2] existe a consciencialização de que muitas coleções biblioteconómicas, provenientes de congregações religiosas até à data da proclamação da República, estavam “dispersas” por todo o país. Atendendo a este presumível problema, o Decreto n. 3.410, de 28 de setembro de 1917, vem impor metodologias e técnicas de organização biblioteconómicas:

 

“Convindo, sem demora, organizar, classificar, catalogar e instalar convenientemente estas coleções [provenientes das extintas ordens religiosas], para instrução geral do povo e estudo de eruditos e futuros historiadores, evitando-se assim a perda e dispersão de milhares de documentos importantes, de facto lamentável já ocorrido em 1759, por ocasião da expulsão dos jesuítas, e em 1834, quando foram extintas as ordens religiosas.” (Decreto n. 3.410, 1917)

 

Tendo em conta a citação supramencionada verifica-se que, neste contexto específico, o papel dos bibliotecários é essencialmente (i) a seleção documental (organizar e classificar); (ii) o tratamento técnico (catalogar e instalar) e, por último, (iii) a disseminação seletiva (cliente e preservar).



(Imagem onde se explicita a função dos bibliotecários: seleção documental; tratamento técnico; disseminação seletiva)


Atendendo ao Decreto n. 3.410 (1917) verificamos que, ao nível biblioteconómico, existiam três grandes áreas, sendo a primeira a seleção. Neste contexto, parte-se da pré-existência documental, sobretudo dos acervos provenientes de organizações religiosas extintas. O desafio biblioteconómico é, neste caso, a organização segundo a proveniência e conteúdo (problema que atualmente persiste devido à grande dispersão de coleções e reintegração de bibliotecas em fundos vários).

A segunda etapa é, por assim dizer, reservada ao tratamento técnico – a catalogação e a instalação (i.e., gestão e organização de coleções) foi uma das preocupações dos bibliotecários desta época. Este elo da cadeia documental foi, como bem sabemos, o corpus de desenvolvimento de coleções.

Ressalta-se, com alguma surpresa, a importância dada à disseminação seletiva da informação, onde o cliente e a sua estrutura cognitiva são equacionados na cadeia documental: “para instrução geral do povo e estudo de eruditos e futuros historiadores, evitando-se assim a perda e dispersão de milhares de documentos importantes […].” As técnicas documentais, sobretudo a gestão de coleções, deverão ter um fim último – a instrução do povo (i.e., seleção seletiva de informação) e a preservação de acervos.

Em suma, o dinamismo que caracterizou o sector bibliotecário, nesta época, foi acima de tudo protagonizado pela Biblioteca Nacional, na fase em que Jaime Cortesão exerceu o cargo de diretor e em que a chefia dos Serviços Técnicos esteve entregue a Raul Proença. Permitiu delinear e, em alguns casos, pôr em prática, projetos de grande envergadura, cuja conceção, do ponto de vista técnico, estava perfeitamente em consonância com os desenvolvimentos internacionais.

A visão republicana para este sector de atividade, enquadrado no amplo campo da instrução pública foi, sem dúvida, muito fecunda em estudos, produção de textos e promulgação de leis com vista à afirmação de uma área considerada estratégica para o regime político em vigor. Contudo, a falta de meios financeiros e humanos obstou a que muitas das ideias e projetos republicanos tivessem uma concretização efetiva (Cf. Ribeiro, 2008:225).

 

 

Bibliografia:


BOLETIM OFICIAL DO MINISTÉRIO DE INSTRUÇÃO PÚBLICA (1935). Coimbra: Imprensa da Universidade.


MARQUES, A.H. de Oliveira (1997). História da 1ª República Portuguesa:  as estruturas de base. Lisboa: Estampa.


PORTUGAL. Leis, decretos, etc. – Decreto n.º 3.410 [de 15 de Setembro de 1917]. Diário do Governo. 1ª Série. Lisboa. 168/17, pp. 944-945.


RIBEIRO, Fernanda (2008). “A Inspecção das Bibliotecas e Arquivos e a ideologia do Estado Novo”. in: Estados autoritários e totalitários e suas representações: propaganda, ideologia, historiografia e memória. Coimbra: Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra - CEIS20 [etc.], 2008, p. 223-237.


WHEELER, Douglas L. (1978). “A Primeira República Portuguesa e a história”. In: Análise Social; Vol. XIV (56), (1978), p. 865-872.




P. M. 







[1] Diário do Governo, nº 54, 1º serie, de 6 de abril 1917

[2] O bibliotecário da Primeira Republica, segundo entendemos, era um aglomerador de informação. A instabilidade política fez destes profissionais recolectores e guardiães documentais. A difusão de informação não foi o light motif das suas tarefas, ainda, na atualidade, existem bibliotecas que não estão informatizadas e devidamente uniformizadas.


Os Bibliotecários na Primeira República - II - Arquivo das Congregações





(Imagem a preto e branco de uma criança sentada numa pilha de jornais)





Atendendo à dispersão documental existente com extinção das ordens religiosas e à instabilidade político-social, durante a Primeira República, é criado o Arquivo das Congregações[1], Em 1917, a 28 de Setembro, pelo Decreto n.º 3.410, o referido Arquivo estava subordinado ao Ministério da Instrução Pública, por intermédio da Inspecção das Bibliotecas Eruditas e Arquivos.[2]

 

A criação do Arquivo das Congregações é justificada pela necessidade urgente da gestão de coleções e preservação do património documental nacional. Este Arquivo surge com uma missão operativa bem determinada e não um mero depósito de documentação acumulada.

Do Arquivo das Congregações religiosas farão parte documentos provenientes das seguintes congregações religiosas:

1.       Jesuítas

2.       Doroteias

3.       Franciscanos

4.       Franciscanas (Trinas, Missionarias de Maria)

5.       Dominicanos

6.       Dominicanas, (1ª e 3ª ordem)

7.       Irmãs de Caridade

8.       Padres do Espírito Santo,

9.       Irmãs de S. José de Cluny

10.   Salesianos

11.   Salésias

12.   Beneditinos

13.   Hospitaleiros de S. João de Deus

14.   Padres Redentoristas

15.   Missionários Filhos do Sagrado Coração de Maria

16.   Ursulinas

17.   Carmelitas

18.   Irmãs do Bom Pastor

19.   Irmãzinhas do Pobres

20.   Irmãs do Sagrado Coração de Maria, (Sacré Coeur)

21.   Congregação de Santa Teresa de Jesus

22.   Oblatas do Menino Jesus

23.   Irmãs da Imaculada Conceição

24.   Congregação de Jesus

25.   Maria

26.   Freiras Servitas

 

 

Esta lista exaustiva foi retirada do Boletim Oficial do Ministério de Instrução Pública; Ano 2, nº 20/22 (1917), também mencionado no Diário do Governo, nº 168 de 28 setembro de 1917.

 

Segundo pensamos, esta listagem, poucas ou nenhumas congregações religiosas deixam a salvo. Assim, devido à exaustividade de documentos daí provenientes impunha-se uma gestão de informação eficiente para o Arquivo das Congregações. A solução encontrada, grosso modo, foi a organização segundo as três grandes tipologias das ciências da informação: a museologia, arquivística e biblioteconomia.

 

No que diz respeito à gestão documental, a classificação formal dos documentos provenientes das ordens religiosas é subdividida em sete descritores: teologia, mística, história, biografia, pedagogia didática e homeografia:

 

1.      Obras teológicas (tratados de teologia moral, escritura sacra, etc.);

2.      Obras místicas (livros de devoção, sermonários);

3.      Obras históricas (história de cada congregação, Institutum);

4.      Obras biográficas (vida de fundadores, iniciadores, patriarcas das ordens, congregacionistas, ilustres);

5.      Obras pedagógicas (tratados de pedagogia, etc.);

6.      Obras didáticas (compêndios, livros, de estudo, etc.);

7.      Hemerografia (jornais, revistas publicadas pelas congregações, folhetos de propaganda religiosa e política, etc.).

 

As sete classes provenientes da classificação usada são, por assim dizer, testemunho de preocupações culturais e espirituais das então extintas congregações – a biblioteca é o testemunho vivo e espiritual de uma época e sociedade, acreditamos.

 

Neste contexto, assalto republicano aos documentos religiosos, fica-nos bem patente que o perfil dos Seminários de então, ou das Bibliotecas, é de cariz teológico e pedagógico.

 

Não alheios a esta realidade biblioteconómica, Bernardino Machado, Alexandre Braga e Artur R. de Almeida Ribeiro, prologam no referido Decreto, para fomentar — a criação do arquivo das congregações, destinado a recolher, organizar e inventariar o espólio documental das congregações religiosas existentes em Portugal à data da proclamação da República. Ainda assim, frisa-se que todos os documentos podem ser consultados de forma livre ou mesmo requisitar os documentos existentes no Arquivo, sempre que se julgar conveniente para fins jurídicos ou administrativos.

 

 

Bibliografia:

 

 

 

MARQUES, A.H. de Oliveira (1997). História da 1ª República Portuguesa:  as estruturas de base. Lisboa: Estampa.

 

 

MINISTÉRIO DA INSTRUÇÃO PÚBLICA (1917). “Biblioteca e arquivos nacionais”. in: Boletim oficial do Ministério de Instrução Pública; A.2, n. 20/22 (1917), pp. [619]-622.

 

 

PORTUGAL. Leis, decretos, etc. – Decreto n.º 3.410 [de 15 de Setembro de 1917]. Diário do Governo. 1ª Série. Lisboa. 168/17, pp. 944-945.

 

 

RIBEIRO, Fernanda (2008). “A Inspecção das Bibliotecas e Arquivos e a ideologia do Estado Novo”. in: Estados autoritários e totalitários e suas representações: propaganda, ideologia, historiografia e memória. Coimbra: Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra - CEIS20 [etc.], 2008, pp. 223-237.

 

 

WHEELER, Douglas L. (1978). “A Primeira República Portuguesa e a história”. In: Análise Social; Vol. 14 (56), (1978), pp. 865-872.

 

 

P.M.




[1] Em 1910, por Decreto de 8 de Outubro, foram extintas a Companhia de Jesus e as demais companhias, congregações religiosas, conventos, colégios, associações, missões ou outras casas de religiosos passando os seus bens, móveis e imóveis, para a posse do Estado. Em 1917, a 28 de Setembro, pelo Decreto n.º 3.410, da Secretaria Geral do Ministério da Instrução Pública, foi criado o Arquivo das Congregações nos termos das alíneas 13 e 14 do artigo 6.º do Decreto de 24 de Dezembro de 1901, e do n.º 8 do artigo 27.º do Decreto, com força de Lei, de 18 de Março de 1911, com a preocupação de evitar perda e dispersão de documentos. Ficou subordinado ao Ministério da Instrução Pública através da Inspecção das Bibliotecas Eruditas e Arquivos, tendo por missão recolher, organizar e inventariar a documentação das Congregações religiosas existentes em Portugal à data da proclamação da República. Em 1918, pela lei de 8 de Maio o Arquivo da Congregações foi anexado ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo.
[2] A Inspecção-Geral das Bibliotecas e Arquivos Públicos, incumbida “da direcção e administração, ou da fiscalisação superior, dos archivos e das bibliotecas pertencentes ao estado e às corporações e instituições sujeitas á superintendência do estado ou por elle subsidiadas” foi criada ainda durante a vigência do regime monárquico, pelo Decreto de 29 de Dezembro de 1887. Este diploma regulava, do ponto de vista estatal e político, aquilo a que hoje poderíamos chamar os serviços públicos de informação/documentação e estabelecia as bases de um sistema que se manteve, nos seus fundamentos e nas suas linhas gerais, praticamente inalterado até algum tempo depois do 25 de Abril de 1974, mais concretamente até meados dos anos oitenta, altura em que as bibliotecas e os arquivos deixaram, definitivamente, de estar dependentes do Ministério da Educação para passarem a ser tutelados pela Secretaria de Estado da Cultura.


2013/08/14

Peça do mês de agosto




Capacete

Capacete militar que integra o património escolar, proveniente de uma doação. Trata-se de um capacete envolvido com tecido verde com uma aplicação decorativa metálica em forma de águia com as iniciais FR e a inscrição em alemão: KOENIG NIT GOTT FUR ("Com Deus pelo Rei e pela Pátria". No cimo tem um pequeno pináculo cónico, metálico. Revestimento interior a couro. Está inventariado com o número ME/402916/163 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária de Tomaz Pelayo.
A Escola Tomaz Pelayo foi criada a 18 de Junho de 1954 em instalações provisórias. Abriu as suas portas com o funcionamento do ciclo preparatório, tendo já no ano seguinte o curso geral de comércio. Em 1957 iniciou-se a construção das novas instalações na Quinta da Devesa, concluídas em 1959, onde surgiu então a Escola Industrial e Comercial. Em 1963 a escola recebeu o Congresso Internacional de Etnografia e Folclore. A partir de 1975/76 passou a funcionar nestas instalações o ensino secundário unificado e em 1979 a escola passou a ser designada como Escola Secundária n.º 1. Em 1986 adota como patrono Tomaz Pelayo, um dos seus mais ilustres professores.

Bibliografia e informação adicional:

www.estp.edu.pt/



MJS


2013/07/31

Os Hemisférios de Magdeburgo no Museu Virtual da Educação


(Imagem dos hemisférios de Magdeburgo)



Os hemisférios de Magdeburgo consistem em duas abóbadas metálicas ocas que justapostas formam uma esfera. O interior da esfera comunica com o exterior através de uma torneira que pode ser ligada a uma máquina pneumática permitindo a extração do ar. Após esta operação, fecha-se a torneira criando vácuo. A esfera pode ser suspensa através de uma argola no hemisfério superior, colocando-se vários pesos na zona inferior. Desta forma pode conhecer-se o valor exercido pela atmosfera. A invenção deste instrumento deve-se a Otto von Guerick (1602 – 1686), físico alemão que se notabilizou pelos estudos sobre o vácuo, a eletrostática ou a propagação do som. A ele é também atribuída a criação da máquina pneumática.



Guericke nasceu em Magdeburgo, na Alemanha e estudou na Universidade de Leipzig, que abandonou em virtude da Guerra dos 30 Anos, tendo prosseguido para as Universidades de Jena e Leiden. Em 1632 regressou a Magdeburgo, onde se dedicou à reconstrução da cidade após o grande incêndio de 1631. Em 1646 tornou-se Burgomestre da cidade, posição que manteve durante cerca de trinta anos. Como tal, teve uma vida política extremamente preenchida, a par do estudo e dedicação à ciência.



(Imagem dos hemisférios de Magdeburgo)

Cerca de 1650 inventou uma máquina pneumática que consistia num pistão e num cilindro de ar que se ligavam a outros aparelhos, retirando o ar do seu interior. Utilizando esta bomba de vácuo realizou a famosa experiência dos hemisférios de Magdeburgo, que teve lugar 1654 na cidade com o mesmo nome. 



(Imagem dos hemisférios de Magdeburgo)


Esta experiência pretendia a separação de dois hemisférios ocos em cobre, com cerca de 51 cm de diâmetro, unidos por um anel de couro, do interior dos quais se havia extraído o ar com a bomba de von Guerick. Cada um dos hemisférios estava ligado a vários cabos que foram puxados em sentidos opostos por vários grupos de homens. Os hemisférios continuaram unidos e só se separaram utilizando dois grupos de oito cavalos. A experiência permitiu demonstrar a força da atmosfera sobre os corpos, a existência do vácuo e da pressão atmosférica. Guerick concluiu que os hemisférios não se separam, pois, a pressão atmosférica é superior à pressão do ar no seu interior. Através da entrada de ar equilibra-se a pressão e pode facilmente separar-se os hemisférios. Para além da importância imediata desta experiência, assiste-se ao terminar das teorias que sucederam a Aristóteles e que pretendiam afirmar que a natureza tinha o chamado “horror ao vazio”, preenchendo-o imediatamente. Em 1672 publicou a sua obra mais importante “Ottonis de Guericke Experimenta Nova (ut vocantur) Magdeburgica de Vacuo Spatio”, na qual descreve as suas experiências com o vácuo e os estudos de eletrostática.



Bibliografia:  
Museu da Ciência (2013) [em linha].
[Consulta: 2 de Julho de 2013]


Museu da Física da Escola Secundária Alexandre Herculano (2013) [em linha].
[Consulta: 2 de Julho de 2013]


Departamento de Física da Universidade de Coimbra (2013) [em linha].
[Consulta: 2 de Julho de 2013]


Wikipédia
[Consulta: 2 de Julho de 2013]


MJS

2013/07/17

Peça do mês de julho




Torre de Para-raios

Modelo de para-raios que consiste num modelo em miniatura, em madeira pintada, representando uma torre. É constituído por uma haste de cobre instalada no topo da torre, ligada por um condutor a uma esfera metálica que funciona como chapa de terra. Adquirida em 1934, foi utilizada como material didático nas aulas de Física. Está inventariado com o número ME/401092/114 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária Campos Melo.
A Escola Secundária Campos Melo foi criada por Decreto-Lei em 1884 como Escola Industrial. José Maria da Silva Campos Melo (1840 – 1890) cedeu uma casa particular para a instalação da escola, tendo adquirido igualmente o mobiliário. Em 1885 a Câmara Municipal cedeu terrenos para a escola e em 1912 passou para as atuais instalações. Em 1918 a escola deixa de ser industrial e passa a Escola de Artes e Ofícios, embora por pressão dos locais tenha voltado à antiga designação em 1921. Em 1948 este estabelecimento passa a Escola Industrial e Comercial, alargando o leque de cursos ministrados. Em 1969 passou a designar-se Escola Técnica Campo Melo e após o 25 de Abril adotou o nome atual.
O para-raios é um dispositivo constituído por uma haste metálica colocada no topo dos edifícios, utilizado para a sua proteção, uma vez que atrai descargas elétricas, desviando-as para o subsolo. Os para-raios, como é o caso deste modelo, são geralmente constituídos por captor (interceta as descargas atmosférica), condutor de descida (conduz a corrente de descarga desde os captores até aos elétrodos de terra), elétrodo de terra (corpo condutor em contacto íntimo com o solo efetuando a ligação elétrica com a terra).

Bibliografia e informação adicional:




Para consultar a história da Escola Secundária Campos Melo




MJS

2013/07/03

O Disco de Newton no Museu Virtual da Educação


(Imagem de um Disco de Newton)

O disco de Newton é um instrumento utilizado para o estudo e a demonstração da composição das cores nas aulas de Física. É geralmente constituído por um disco colorido, com cores opostas e iguais, ordenadas duas a duas em secções de cores primárias e secundárias. Quando este disco é girado velozmente e recebe uma iluminação intensa, adquire uma cor branca uniforme. A designação deste instrumento deve-se ao facto de Isaac Newton ter descoberto que a luz branca do Sol é composta pelas cores do arco-íris. Ao entrar em movimento, cada cor do disco de Newton sobrepõe-se na retina, dando a sensação de mistura.


(Imagem de um Disco de Newton)


Sir Isaac Newton (1643 – 1727) foi um importante físico e matemático inglês. Frequentou The King’s School em Grantham entre os doze e os dezassete anos e posteriormente o Trinity College em Cambridge. Tornou-se professor de matemática em Cambridge (1669) e entrou para a Royal Society em 1672, onde exerceu o cargo de presidente a partir de 1703. Entre 1687 e 1690, foi membro do parlamento britânico. Os anos de 1670 - 72 foram dedicados a estudos relacionados com a ótica e a natureza da luz. Newton demonstrou que a luz branca é formada por uma banda de cores (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta) que podiam separar-se por meio de um prisma. Em 1704, Isaac Newton escreveu uma obra sobre ótica, Opticks, onde desenvolveu as suas teorias anteriores, abordou a natureza corpuscular da luz, bem como os fenómenos da refração, reflexão e dispersão da luz.

Uma das mais populares histórias relacionadas com este cientista é a da chamada “maçã de Newton”: quando este se encontrava num jardim, sentado por baixo de uma macieira, uma maçã caiu-lhe na cabeça e o seu impacto fez com que ficasse consciente da força da gravidade. A sua famosa obra publicada em 1687, Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, enunciou três leis fundamentais: 1. todo o corpo continua em estado de repouso ou de movimento, uniforme numa linha reta, a menos que seja forçado a alterar este movimento devido a forças externas; 2. a mudança de movimento é proporcional à força motora exercida; 3. para toda a ação há sempre uma reação oposta. Newton foi considerado o cientista que causou maior impacto na história da ciência.


(Imagem de um Disco de Newton)


No que respeita às matérias de ótica, ficou demonstrado por Newton que a luz que observamos é uma radiação eletromagnética, constituída por faixas de cor vermelha, laranja, amarela, verde, azul, índigo e violeta, percetíveis pelo olho humano. A luz branca é composta de várias cores e em 1666, este cientista decompôs a luz solar através da utilização de um prisma triangular atravessado por um feixe de luz, tendo como resultado as sete cores anteriormente referidas. É o chamado espectro visível, ou componentes pelo fenómeno de refração ou dispersão da luz. Seguindo este raciocínio, Newton concluiu que a luz do Sol, quando atravessa gotas de água, dá origem ao fenómeno do arco-íris. Para conseguir provar a reação inversa, isto é, recompor a luz branca através da soma de todas as cores, Newton criou este aparelho, atualmente designado por Disco de Newton.

 

Bibliografia:

Isaac Newton Institute for Mathematical Sciences (2013) [em linha].

http://www.newton.ac.uk/newtlife.html

[Consulta: 11 de junho de 2013]

 

Física Net (2013) [em linha].

http://www.fisica.net/cor/disco.htm

[Consulta: 11 de junho de 2013]

 

Museu da Física da Escola Secundária Alexandre Herculano (2013) [em linha].

http://mfisica.nonio.uminho.pt/patrimonio/alfa/pat_alf_b.html

[Consulta: 11 de junho de 2013]

 

 

MJS