2025/08/25

Muitos Anos de Escolas – Volume II – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário – Anos 40 – Anos 70 – Capítulo III – Açores e Madeira (Parte I)

 

(Imagem da lista os projetos aprovados para os Açores em 1945, da autoria do Arquiteto Luís de Mello)


 

III – Açores e Madeira

    As Escolas dos Açores

 

Aquando do anúncio do Plano dos Centenários em 1941, a situação no Arquipélago dos Açores era bastante sensível devido às dificuldades de acessibilidade e ao desenrolar da Segunda Guerra Mundial.


(Imagens desenhadas de projetos Tipo Açores, com 1 sala, sexo feminino e 2 salas, 2 sexos)


Atendendo às especificidades das ilhas, era impossível cumprir os requisitos que se exigiam no continente. Em 1944 o governo decidiu adotar o tipo Extremadura, com alguns ajustes ao nível das plantas e das fachadas. Foi criado o projeto Tipo Açores, aprovados em 1945, pela mão do Arquiteto Luiz de Mello.


(Imagens desenhadas de projetos Tipo Açores, com 3 salas,  2 sexos e 4 salas, sexo masculino)


Será de salientar que nas ilhas não existiam empresas de construção civil nem eram fabricados certos materiais como cal e tijolos. Houve igualmente necessidade de adaptar os edifícios ao clima mais chuvoso, ao vento e à diminuição da luminosidade.

 

 

Fonte: BEJA, Filomena, et al. Muitos Anos de Escolas – Volume II – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário – Anos 40 – Anos 70. Lisboa, Ministério da Educação – Departamento de Gestão de Recursos Educativos, 1996.


MJS


2025/08/21

Educadores Portugueses dos séculos XIX e XX: João de Andrade Corvo (1824 – 1890)

 

(Desenho do autor retirado da internet)

 

João de Andrade Corvo nasceu em Torres Novas a 30 de janeiro de 1824, no seio de uma família abastada, partidária de D. Miguel durante as guerras liberais.

Em 1934 a família mudou-se para Lisboa e em 1839, Andrade Corvo frequentou a Escola Politécnica. A sua educação ficou a cargo do tio, o general Nuno Augusto de Brito Taborda. Em 1844 tornou-se lente substituto da cadeira de Botânica. Frequentou igualmente a Escola do Exército, onde concluiu Engenharia militar.

Dedicou-se à escrita e à divulgação da sua visão do desenvolvimento material de Portugal, que só poderia ocorrer através da ação de especialistas técnico-pedagógicos e da reforma da administração pública e da liberalização da economia.

Após a criação do Instituto Agrícola em 1853, tornou-se professor de Economia Rural e posteriormente, diretor do Jardim Botânico. Em 1859 integrou o Conselho Superior de Instrução Pública, defendendo a mecanização e o ensino agrícola como a base da dinamização da agricultura portuguesa.

Em 1865 foi eleito deputado pelo Partido Regenerador e, em 1866, tornou-se Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria. Durante este período fundou o Crédito Agrícola e promoveu a construção do caminho-de-ferro na região do Minho e Alto Douro.

No que respeitava à instrução primária, Andrade Corvo reconheceu a necessidade de uma distribuição mais alargada da escolaridade a ambos os sexos e a todas as classes sociais. Para tal, era preciso um aumento da qualidade e quantidade de escolas por todo país. Propôs, como tal, criar uma escola normal por cada distrito, apostar na formação pedagógica de professores, realizar inspeções escolares e organizar os currículos escolares.

Regressou à Câmara dos Deputados em 1869 e em 1871 foi eleito Par do Reino e Ministro dos Negócios Estrangeiros. Para Andrade Corvo, Portugal tinha um peso político bastante inferior a outras nações europeias e era imprescindível estabelecer acordos e alianças políticas e comerciais com outros países.

Em 1875 foi Ministro da Marinha e do Ultramar e implementou a Comissão Central Permanente de Geografia, tendo em vista o desenvolvimento das colónias portuguesas. Em 1879, com a queda do governo regenerador, foi afastado dos cargos políticos.

Em 1881 iniciou a carreira diplomática, tendo desempenhado um papel de relevo na Conferência de Berlim (1884-1885) e no delinear do chamado “Mapa Cor-de-Rosa”.

 

Fonte principal: Dicionário de educadores portugueses / dir. António Nóvoa. - Porto : ASA, 2003.

 

 MJS


2025/08/18

Muitos Anos de Escolas – Volume II – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário – Anos 40 – Anos 70 – Capítulo II – Os Edifícios dos Centenários (Parte V)

 

II – Os Edifícios dos Centenários

    3. A Realização das “Fases” do Plano dos Centenários

    4. Alterações aos Projetos

 

Durante o ano de 1944 viveu-se um período de grande carestia e racionamento de bens essenciais, tanto nas casas particulares como nas cantinas das escolas. Apesar disso, o estado mostrava algum dinamismo com construções efetuadas em diferentes áreas, desde os aeroportos até aos estádios. Desta forma, foi anunciada a execução da primeira fase do Planos dos Centenários a 13 de maio de 1944, com 561 edifícios escolares e 12 500 salas de aula previstas.


(Imagem/Tabela onde constam os totais nacionais previstos no Plano dos Centenários divididos por distritos entre as várias zonas - Norte, Centro, Lisboa, Sul, Madeira e Açores)



Até meados da década de 60 houve 5 fases do Plano dos Centenários, sempre com atrasos. Era bastante difícil encontrar terrenos disponíveis que cumprissem os requisitos básicos indicados:

- orientação entre Nascente e Sul;

- área não inferior a 2000 m2;

- planos e geologicamente compatíveis com a construção;

- pontos de água ou fácil acesso aos mesmos.

Como tal, as escolas foram sendo construídas em locais afastados das povoações e muitas sem água potável, implicando uma deslocação de vários quilómetros para as crianças.

Ao longo das diversas fases deste Plano foram sendo feitos ajustes e alterações nas técnicas de construção e aos projetos iniciais dos edifícios. Conforme as escolas foram sendo concluídas perceberam-se algumas deficiências no seu funcionamento e a falta de normalização de alguns componentes. Os cortes orçamentais levaram a alterações à traça inicial das Escolas dos Centenários.

Como exemplo, apresenta-se o Alçado principal do Tipo Beira Litoral –Cantaria, salas, como foi apresentado pelo Arquiteto Joaquim Areal e como foi aplicado.


(No topo da imagem encontra-se o desenho do edifício simplificado pelo arquiteto e em baixo, a sua aplicação prática por parte da DGCE) 


 

Fonte: BEJA, Filomena, et al. Muitos Anos de Escolas – Volume II – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário – Anos 40 – Anos 70. Lisboa, Ministério da Educação – Departamento de Gestão de Recursos Educativos, 1996.


MJS


2025/08/14

Peça do mês de agosto/2025

 




Abre-cartas

 

Estojo com abre-cartas de marfim, com cabo metálico decorado com flores e motivos vegetalistas. Encontra-se no interior de um estojo de cartão, forrado a cetim. 

Está inventariado com o número ME/400890/15 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária António Inácio da Cruz.


MJS


2025/08/11

Notas avulsas sobre a coleção de Alvarás do Ensino Particular à guarda da SGEC

  

A coleção de Alvarás sobre o licenciamento de estabelecimentos de Ensino Particular, constitui uma série documental do fundo da Inspeção Geral do Ensino Particular, integrada no grupo de fundos dos Arquivos da Administração Central, da Direção de Serviços de Documentação e de Arquivo da Secretaria Geral do Ministério da Educação e Ciência. Esta série documental, desdobra-se em três subséries, designadas Alvarás dos livros “A”, “AE” e “E”. É constituída por 36 unidades de instalação e tem um âmbito cronológico de 1934 a 1980.


(Imagem do Processo 1788 relativo à Diocese de Portalegre e Castelo Branco)
 

O primeiro Estatuto do Ensino Particular, remonta a janeiro de 1931, embora a Inspeção Geral do Ensino Particular fosse criada pelo Decreto-lei nº 23 447, de 5 de janeiro de 1934. Em termos gerais, eram competências da Inspeção Geral, através de inspetores e médicos escolares, a fiscalização e regulamentação das atividades relativas à componente educativa, pedagógica e da gestão escolar dos estabelecimentos privados sob a tutela do Ministério da Educação Nacional. Os processos iniciam-se sempre com um requerimento dirigido ao Ministro da Educação Nacional, onde o proponente/ proponentes, explanam o intuito da criação de um estabelecimento de ensino – cuja tipologia pedagógica pode ser uma Sala de Estudos, Colégio, Externato, Instituto, Centro escolar, Academia, entre outras naturezas -, indicando o nome do proprietário, da designação oficial proposta para o estabelecimento e do nome indicado para o cargo do diretor escolar. O requerimento inicial deve ser instruído de uma memória descritiva do estabelecimento, acompanhada de uma relação do material escolar e pedagógico – detalhando os instrumentos para os laboratórios de Física e Química e materiais pedagógicos para as aulas de Ciências Naturais, Matemática e Geografia -, acompanhado de peças desenhadas em Ozalid (alçados, perfis, cortes e plantas na escala de 1:100 e eventualmente planta topográfica nas escalas de 1:500 ou 1:1000). Após a compilação documental, o processo era remetido para o Gabinete de Estudos e Planeamento da Acção Educativa, que após análise, o remetia para a Inspeção Superior do Ensino Particular. À Inspeção competia uma vistoria técnica, devidamente fundamentada, sobre o deferimento ou indeferimento da pretensão inicial. Não raras vezes, a Inspeção propõe melhoramentos e condicionantes para o efetivo funcionamento do estabelecimento. Os processos analisados, maioritariamente da década de `60, cessam a sua atividade na década de `70, por distintas e diversas razões. Muitos estabelecimentos particulares encontravam-se ligados à Igreja, quase sempre sobre a tutela indireta das respetivas dioceses distritais. O caso do antigo Colégio Diocesano de Proença-a-Nova (Alvará 1788), criado em outubro de 1961, que esteve sempre sobre a égide da diocese de Castelo Branco e Portalegre mereceu-nos um particular interesse, espelhando as convulsões de um período marcante na História recente. Na sequência da revolução de 1974 e particularmente, no período do apelidado Verão Quente de 1975, o antigo colégio daria lugar à Escola Secundária de Proença-a-Nova (vidé Portaria nº 724/75, de 5 de dezembro) e à correspondente Escola Preparatória (Portaria nº 791/75, de 31 de dezembro). (1) O estudo e análise deste Alvará (dos 8 volumes que constituem este processo, apenas os dois últimos se encontram na nossa posse, o que é só per si um indicador curioso), permite conhecer melhor e inferir muito de um período particularmente conturbado da nossa História Contemporânea, fazendo jus à máxima que os Arquivos, quaisquer Arquivos, não podem ser só entendidos como testemunhos custodiais ou patrimoniais de um coletivo, mas constituem simultaneamente fontes primárias para a escrita ou reescrita  da nossa História comum. Ao arquivista importa organizar, tratar e disponibilizar informação, enquanto que aos estudiosos das Ciências Sociais e da História, importa o estudo, a análise, a reflexão e a interpretação a partir das distintas fontes históricas.


A.M.

2025/08/07

Muitos Anos de Escolas – Volume II – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário – Anos 40 – Anos 70 – Capítulo II – Os Edifícios dos Centenários (Parte IV)

 

II – Os Edifícios dos Centenários

    2. Os Novos Projetos

 

Os projetos da Direção dos Edifícios Nacionais do Sul estiveram a cargo do Arquiteto Alberto Braga de Sousa e dividiram-se da seguinte forma:

(Imagem dos Projetos Aprovados em 1944 do Arquiteto Alberto Braga de Sousa)


(Imagem das peças desenhadas dos edifícios de 1 sala Tipo Algarve e Tipo Alentejo)


(Imagem das peças desenhadas dos edifícios de 3 salas Tipo Algarve e Tipo Alentejo)


Fonte: BEJA, Filomena, et al. Muitos Anos de Escolas – Volume II – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário – Anos 40 – Anos 70. Lisboa, Ministério da Educação – Departamento de Gestão de Recursos Educativos, 1996.


MJS


2025/08/04

Educadores Portugueses dos séculos XIX e XX: João de Deus (1830 – 1896)

 

(Imagem do autor retirada da internet)


 

João de Deus Nogueira Ramos nasceu a 8 de março de 1830 em S. Bartolomeu de Messines, filho de José Pedro Ramos, comerciante, e de D. Isabel Gertrudes Martins. Fez os seus estudos iniciais na terra onde nasceu e ingressou posteriormente no Seminário de Coimbra.

Em 1850 abandonou o seminário e inscreveu-se no curso de Direito da Universidade de Coimbra, que viria a concluir em 1959. Durante este período de vida académica dedicou-se à escrita, tendo publicado alguns versos que lhe conferiram notoriedade no mundo das letras. Viveu sempre com grandes dificuldades financeiras e contou com o apoio dos amigos.

Em 1859 começou a exercer advocacia e continuou a publicar poesia. Em 1862 tornou-se redator do periódico O Bejense, tendo passado a residir em Beja. Até 1864 viveu aqui, colaborando com vários jornais da zona sul do país. Em 1864 regressou a S. Bartolomeu de Messines, mantendo a colaboração com a imprensa do Alentejo e Algarve.

A partir de 1868 decidiu-se a viver em Lisboa onde levou uma vida boémia, fazendo traduções e colaborando em algumas obras. Em maio de 1868 foi eleito para o parlamento como candidato independente pelo círculo de Silves, embora a sua passagem pela vida política tenha sido pouco interventiva.

Ainda em 1868 casou-se com Guilhermina das Mercês Battaglia, o que lhe proporcionou alguma estabilidade. Deste casamento nasceram quatro filhos, entre os quais João de Deus Ramos que continuou a obra do pai. Nesta fase, iniciou a publicação da sua obra poética e dramática através da coletânea Flores do campo e Ramo de Flores (1869).

Em 1876, após a morte de Feliciano de Castilho e do insucesso que envolveu o seu Método, João de Deus envolveu-se em campanhas de alfabetização. Foi neste âmbito que redigiu a Cartilha Maternal, o novo método de ensino da leitura. Em 1878, esta obra tornou-se o método nacional de aprendizagem. O educador foi publicando vários escritos de carácter pedagógico, ao longo dos anos, para complementar o seu método. Longe de ser aceite por todos, esta obra foi motivo de grande polémica no panorama educativo português com vozes a favor e contra.


(Imagem de uma das páginas da Cartilha, retirada da internet)


A novidade da Cartilha era a ausência da apresentação do alfabeto completo no início do processo de aprendizagem; a diferente seriação das letras; a apresentação gráfica das sílabas que evitava o desmembramento das palavras; o uso da silabação em vez da soletração; a eliminação de sílabas mortas; e a nova nomenclatura das letras. A par da Cartilha, concebida para uso individual e doméstico, existiam quadros parietais para serem utilizados em contexto da sala de aula. Pouco antes da sua morte, por iniciativa de Joaquim Pedro de Oliveira Martins, os quadros da Cartilha foram retirados das escolas.

Em 1882 foi fundada a Associação de Escolas Móveis, com o intuito de ensinar a ler e escrever através da cartilha em todas as povoações de Portugal, numa tentativa de atenuar o analfabetismo. Atualmente é designada Associação de Jardins-Escolas João de Deus, instituição particular de solidariedade social.

 

 

Fonte principal: Dicionário de educadores portugueses / dir. António Nóvoa. - Porto : ASA, 2003.

 

 MJS