2025/08/14

Peça do mês de agosto/2025

 




Abre-cartas

 

Estojo com abre-cartas de marfim, com cabo metálico decorado com flores e motivos vegetalistas. Encontra-se no interior de um estojo de cartão, forrado a cetim. 

Está inventariado com o número ME/400890/15 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária António Inácio da Cruz.


MJS


2025/08/11

Notas avulsas sobre a coleção de Alvarás do Ensino Particular à guarda da SGEC

  

A coleção de Alvarás sobre o licenciamento de estabelecimentos de Ensino Particular, constitui uma série documental do fundo da Inspeção Geral do Ensino Particular, integrada no grupo de fundos dos Arquivos da Administração Central, da Direção de Serviços de Documentação e de Arquivo da Secretaria Geral do Ministério da Educação e Ciência. Esta série documental, desdobra-se em três subséries, designadas Alvarás dos livros “A”, “AE” e “E”. É constituída por 36 unidades de instalação e tem um âmbito cronológico de 1934 a 1980.


(Imagem do Processo 1788 relativo à Diocese de Portalegre e Castelo Branco)
 

O primeiro Estatuto do Ensino Particular, remonta a janeiro de 1931, embora a Inspeção Geral do Ensino Particular fosse criada pelo Decreto-lei nº 23 447, de 5 de janeiro de 1934. Em termos gerais, eram competências da Inspeção Geral, através de inspetores e médicos escolares, a fiscalização e regulamentação das atividades relativas à componente educativa, pedagógica e da gestão escolar dos estabelecimentos privados sob a tutela do Ministério da Educação Nacional. Os processos iniciam-se sempre com um requerimento dirigido ao Ministro da Educação Nacional, onde o proponente/ proponentes, explanam o intuito da criação de um estabelecimento de ensino – cuja tipologia pedagógica pode ser uma Sala de Estudos, Colégio, Externato, Instituto, Centro escolar, Academia, entre outras naturezas -, indicando o nome do proprietário, da designação oficial proposta para o estabelecimento e do nome indicado para o cargo do diretor escolar. O requerimento inicial deve ser instruído de uma memória descritiva do estabelecimento, acompanhada de uma relação do material escolar e pedagógico – detalhando os instrumentos para os laboratórios de Física e Química e materiais pedagógicos para as aulas de Ciências Naturais, Matemática e Geografia -, acompanhado de peças desenhadas em Ozalid (alçados, perfis, cortes e plantas na escala de 1:100 e eventualmente planta topográfica nas escalas de 1:500 ou 1:1000). Após a compilação documental, o processo era remetido para o Gabinete de Estudos e Planeamento da Acção Educativa, que após análise, o remetia para a Inspeção Superior do Ensino Particular. À Inspeção competia uma vistoria técnica, devidamente fundamentada, sobre o deferimento ou indeferimento da pretensão inicial. Não raras vezes, a Inspeção propõe melhoramentos e condicionantes para o efetivo funcionamento do estabelecimento. Os processos analisados, maioritariamente da década de `60, cessam a sua atividade na década de `70, por distintas e diversas razões. Muitos estabelecimentos particulares encontravam-se ligados à Igreja, quase sempre sobre a tutela indireta das respetivas dioceses distritais. O caso do antigo Colégio Diocesano de Proença-a-Nova (Alvará 1788), criado em outubro de 1961, que esteve sempre sobre a égide da diocese de Castelo Branco e Portalegre mereceu-nos um particular interesse, espelhando as convulsões de um período marcante na História recente. Na sequência da revolução de 1974 e particularmente, no período do apelidado Verão Quente de 1975, o antigo colégio daria lugar à Escola Secundária de Proença-a-Nova (vidé Portaria nº 724/75, de 5 de dezembro) e à correspondente Escola Preparatória (Portaria nº 791/75, de 31 de dezembro). (1) O estudo e análise deste Alvará (dos 8 volumes que constituem este processo, apenas os dois últimos se encontram na nossa posse, o que é só per si um indicador curioso), permite conhecer melhor e inferir muito de um período particularmente conturbado da nossa História Contemporânea, fazendo jus à máxima que os Arquivos, quaisquer Arquivos, não podem ser só entendidos como testemunhos custodiais ou patrimoniais de um coletivo, mas constituem simultaneamente fontes primárias para a escrita ou reescrita  da nossa História comum. Ao arquivista importa organizar, tratar e disponibilizar informação, enquanto que aos estudiosos das Ciências Sociais e da História, importa o estudo, a análise, a reflexão e a interpretação a partir das distintas fontes históricas.


A.M.

2025/08/07

Muitos Anos de Escolas – Volume II – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário – Anos 40 – Anos 70 – Capítulo II – Os Edifícios dos Centenários (Parte IV)

 

II – Os Edifícios dos Centenários

    2. Os Novos Projetos

 

Os projetos da Direção dos Edifícios Nacionais do Sul estiveram a cargo do Arquiteto Alberto Braga de Sousa e dividiram-se da seguinte forma:

(Imagem dos Projetos Aprovados em 1944 do Arquiteto Alberto Braga de Sousa)


(Imagem das peças desenhadas dos edifícios de 1 sala Tipo Algarve e Tipo Alentejo)


(Imagem das peças desenhadas dos edifícios de 3 salas Tipo Algarve e Tipo Alentejo)


Fonte: BEJA, Filomena, et al. Muitos Anos de Escolas – Volume II – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário – Anos 40 – Anos 70. Lisboa, Ministério da Educação – Departamento de Gestão de Recursos Educativos, 1996.


MJS


2025/08/04

Educadores Portugueses dos séculos XIX e XX: João de Deus (1830 – 1896)

 

(Imagem do autor retirada da internet)


 

João de Deus Nogueira Ramos nasceu a 8 de março de 1830 em S. Bartolomeu de Messines, filho de José Pedro Ramos, comerciante, e de D. Isabel Gertrudes Martins. Fez os seus estudos iniciais na terra onde nasceu e ingressou posteriormente no Seminário de Coimbra.

Em 1850 abandonou o seminário e inscreveu-se no curso de Direito da Universidade de Coimbra, que viria a concluir em 1959. Durante este período de vida académica dedicou-se à escrita, tendo publicado alguns versos que lhe conferiram notoriedade no mundo das letras. Viveu sempre com grandes dificuldades financeiras e contou com o apoio dos amigos.

Em 1859 começou a exercer advocacia e continuou a publicar poesia. Em 1862 tornou-se redator do periódico O Bejense, tendo passado a residir em Beja. Até 1864 viveu aqui, colaborando com vários jornais da zona sul do país. Em 1864 regressou a S. Bartolomeu de Messines, mantendo a colaboração com a imprensa do Alentejo e Algarve.

A partir de 1868 decidiu-se a viver em Lisboa onde levou uma vida boémia, fazendo traduções e colaborando em algumas obras. Em maio de 1868 foi eleito para o parlamento como candidato independente pelo círculo de Silves, embora a sua passagem pela vida política tenha sido pouco interventiva.

Ainda em 1868 casou-se com Guilhermina das Mercês Battaglia, o que lhe proporcionou alguma estabilidade. Deste casamento nasceram quatro filhos, entre os quais João de Deus Ramos que continuou a obra do pai. Nesta fase, iniciou a publicação da sua obra poética e dramática através da coletânea Flores do campo e Ramo de Flores (1869).

Em 1876, após a morte de Feliciano de Castilho e do insucesso que envolveu o seu Método, João de Deus envolveu-se em campanhas de alfabetização. Foi neste âmbito que redigiu a Cartilha Maternal, o novo método de ensino da leitura. Em 1878, esta obra tornou-se o método nacional de aprendizagem. O educador foi publicando vários escritos de carácter pedagógico, ao longo dos anos, para complementar o seu método. Longe de ser aceite por todos, esta obra foi motivo de grande polémica no panorama educativo português com vozes a favor e contra.


(Imagem de uma das páginas da Cartilha, retirada da internet)


A novidade da Cartilha era a ausência da apresentação do alfabeto completo no início do processo de aprendizagem; a diferente seriação das letras; a apresentação gráfica das sílabas que evitava o desmembramento das palavras; o uso da silabação em vez da soletração; a eliminação de sílabas mortas; e a nova nomenclatura das letras. A par da Cartilha, concebida para uso individual e doméstico, existiam quadros parietais para serem utilizados em contexto da sala de aula. Pouco antes da sua morte, por iniciativa de Joaquim Pedro de Oliveira Martins, os quadros da Cartilha foram retirados das escolas.

Em 1882 foi fundada a Associação de Escolas Móveis, com o intuito de ensinar a ler e escrever através da cartilha em todas as povoações de Portugal, numa tentativa de atenuar o analfabetismo. Atualmente é designada Associação de Jardins-Escolas João de Deus, instituição particular de solidariedade social.

 

 

Fonte principal: Dicionário de educadores portugueses / dir. António Nóvoa. - Porto : ASA, 2003.

 

 MJS


2025/07/31

Muitos Anos de Escolas – Volume II – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário – Anos 40 – Anos 70 – Capítulo II – Os Edifícios dos Centenários (Parte III)

  

II – Os Edifícios dos Centenários

    2. Os Novos Projetos

 

Os projetos da Direção dos Edifícios Nacionais de Lisboa estiveram a cargo do Arquiteto Eduardo Moreira dos Santos e dividiram-se da seguinte forma:

 

(Imagem dos Projetos Aprovados em 1944 do Arquiteto Eduardo Moreira dos Santos)


(Imagem das peças desenhadas dos edifícios de 1 sala Tipo Estremadura, Tipo Ribatejo e Tipo Alto Alentejo)

(Imagem das peças desenhadas dos edifícios de 2 salas, 2 sexos, Tipo Estremadura, Tipo Ribatejo e Tipo Alto Alentejo)



Fonte: BEJA, Filomena, et al. Muitos Anos de Escolas – Volume II – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário – Anos 40 – Anos 70. Lisboa, Ministério da Educação – Departamento de Gestão de Recursos Educativos, 1996.


MJS


2025/07/28

Educadores Portugueses dos séculos XIX e XX: João de Barros (1881 – 1960)

 

(Imagem do autor retirada da internet)


 

João de Barros nasceu a 4 de fevereiro de 1881 na Figueira da Foz, filho de Afonso Ernesto de Barros e de D. Mariana da Costa Guia de Barros, uma família burguesa que recebeu um título nobiliárquico.

Concluiu os seus estudos na cidade natal e em 1896 ingressou na Escola Politécnica de Lisboa. Em 1898 inscreveu-se na Faculdade de Direito de Coimbra e em 1904 recebeu a Carta de Bacharel.

Em 1905 foi colocado como professor de Inglês e Francês no Liceu Central de Coimbra. Em 1906 foi transferido para o Liceu do Carmo em Lisboa e no mesmo ano, para o Liceu Alexandre Herculano no Porto.

Em 1907 obteve uma bolsa de estudos e deslocou-se a vários países da Europa com o objetivo de estudar novos métodos de pedagogia e de tomar contato com a Educação Nova. Como resultado desta viagem, publicou em 1908 a obra A Escola e o Futuro.

Em 1909 participou no 2.º Congresso Pedagógico com a tese “João de Deus, o único educador nacional”, em que defendeu a vantagem da Cartilha Maternal na renovação do ensino. Neste ano proferiu várias conferências em Bruxelas sobre literatura portuguesa.

Em 1910, com a implantação da República, foi nomeado para Diretor-Geral da Instrução Pública do Ministério do Interior. Demitiu-se em 1911 devido a um desentendimento com o Ministro do Interior, tendo por base as alterações feitas à sua proposta de reforma do ensino, embora continuasse a desempenhar funções na Direção-Geral da Instrução Primária. Neste ano publicou a obra A Nacionalização do Ensino.

Em 1912 fez a primeira viagem ao Brasil, iniciando uma aproximação a este país. Em 1913 iniciou-se o movimento “Renascença Portuguesa”, que contou com a sua participação nos periódicos Vida Portuguesa e A Águia. Ainda durante este ano foi eleito sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e deputado pelo Círculo de Lamego, bem como Diretor-Geral da Instrução.

Em 1914 tornou-se secretário-geral interino do Ministério de Instrução Pública e publicou A República e a Escola e A Educação Moral na Escola Primária. Em 1915 ascendeu a Diretor-Geral do Ensino Primário. Em 1916 publicou Educação Republicana e Educação e Democracia.

Em 1919 passou a Diretor-Geral do Ensino Primário e Normal e Secretário-Geral do Ministério de Instrução Pública. Em 1920 e 1922 realizou a segunda viagem ao Brasil, onde proferiu várias conferências. Em 1924 fez uma viagem de estudo à Grécia e foi convidado para Ministro dos Negócios Estrangeiros. Abandonou o cargo em 1925 e passou a ser Diretor-Geral do Ensino Secundário.

Entre 1928 e 1942 retomou o lugar de professor no Liceu Passos Manuel em Lisboa. Em 1945 aderiu ao Movimento da Unidade Democrática, apoiando a candidatura de Norton de Matos (1949), de Quintão Meireles (1951) e de Humberto Delgado (1958).

Durante os seus últimos anos de vida dedicou-se à adaptação de clássicos da literatura para os mais jovens, entre os quais se destacam Os Lusíadas em prosa de Luís de Camões (1930), Viriato Trágico de Brás Garcia de Mascarenhas (1940), a Odisseia e a Ilídia de Homero, bem como a Eneida de Virgílio (1947) e ainda as Viagens de Gulliver de Jonathan Swift (1957).

O seu pensamento pedagógico orientou-se para uma educação global, ou seja, a mente sã em corpo são. A leitura e a escrita, ministradas através das escolas móveis ou fixas, eram responsáveis por promover a dignidade ao cidadão. As sociedades modernas só poderiam evoluir mediante a instrução de todos.

Esta ideia foi por ele associada ao ideal republicano, que seria responsável por formar um homem-novo, orientado por uma instrução que defendia os valores da República. Assim se compreende a introdução de uma moral laica, acima da religião, que veicula a tolerância, a liberdade e a crença no poder do homem.

João de Barros também apelou a uma “cultura de sensibilidade” que se apoiava na educação artística, permitindo ao aluno desenvolver-se harmoniosamente.

 


Fonte principal: Dicionário de educadores portugueses / dir. António Nóvoa. - Porto : ASA, 2003.

 

MJS


2025/07/24

Muitos Anos de Escolas – Volume II – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário – Anos 40 – Anos 70 – Capítulo II – Os Edifícios dos Centenários (Parte II)

 

II – Os Edifícios dos Centenários

    2. Os Novos Projetos

 

Os projetos da Direção dos Edifícios Nacionais do Centro, a cargo do Arquiteto Joaquim Areal, dividiram-se da seguinte forma:

(Imagem dos Projetos Aprovados em 1944 do Arquiteto Joaquim Areal)


(Imagem das peças desenhadas dos edifícios de 1 sala Tipo - Beira Litoral- Tijolo, Beira Litoral - Cantaria, Beira Alta - Xisto e Beira Alta - Granito)

(Imagem das peças desenhadas dos edifícios de 3 salas Tipo - Beira Litoral- Tijolo, Beira Litoral - Cantaria, Beira Alta - Xisto e Beira Alta - Granito)



Fonte: BEJA, Filomena, et al. Muitos Anos de Escolas – Volume II – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário – Anos 40 – Anos 70. Lisboa, Ministério da Educação – Departamento de Gestão de Recursos Educativos, 1996.


MJS