2025/06/23

Muitos Anos de Escolas – Volume II – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário – Anos 40 – Anos 70 – Capítulo I – O Plano dos Centenários (Parte I)

 

I – O Plano dos Centenários

        1     As Comemorações

        2     Uma Nova Rede Escolar

 

Em 1938, as disposições governamentais denotaram uma prioridade clara na educação política do povo e só depois na instrução das crianças. Era necessário estabelecer uma rede de escolas, mas de malha pouco densa evitando gastos supérfluos, na construção de edifícios e na colocação de professores.


(Imagem do Pavilhão do Recreio Infantil do Jardim do Campo Pequeno, 1949)


No que respeitava à escolaridade dos adultos, o governo previa que o analfabetismo fosse suprido através da emigração, do serviço militar e de outras condicionantes legais.


(Imagem do Recreio Infantil do Campo Pequeno, 1949)



Como tal, embora a educação do povo não fosse a prioridade, era necessário construir edifícios escolares que tivessem impacto social e político. Em 1940 o governo anuncia a execução de um plano geral da rede escolar que viria a ser denominado como as “Escolas dos Centenários”, no seguimento da celebração da fundação de Portugal e da Restauração (1140 – 1940).


(Imagem do Parque Infantil do Jardim de S. Pedro de Alcântara, 1932)


Foram várias as iniciativas que melhoraram ou criaram vários jardins-infantis em diversas cidades. Data de 1931 a legalização da Associação Nacional de Parques Infantis, seguindo-se a criação do primeiro parque no Jardim de S. Pedro de Alcântara em 1932 e o do Campo Grande em 1934.


(Imagem do original manuscrito do Plano dos Centenários, 1939)


Quanto à definição da Rede Escolar, o processo foi mais demorado até à publicação da Rede de Escolas do ensino primário elementar e dos postos escolares. Aqui se encontravam mapas de estimativas de despesas, distribuição de verbas e o número de escolas e salas de aula a construir por concelho.

 

 

Fonte: BEJA, Filomena, et al. Muitos Anos de Escolas – Volume II – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário – Anos 40 – Anos 70. Lisboa, Ministério da Educação – Departamento de Gestão de Recursos Educativos, 1996.


MJS


2025/06/19

Educadores Portugueses dos séculos XIX e XX: Jaime Carvalhão Duarte (1897 – 1972)

 

(Imagem do autor retirada da internet)

Jaime Carvalhão Duarte nasceu em Tinalhas, Castelo Branco, a 9 de junho de 1897. Frequentou o ensino primário nesta localidade e ingressou na Escola Normal de Castelo Branco onde concluiu o magistério primário em 1915.

O exercício da docência fez com que tivesse lecionado em várias escolas até ter sido colocado em Vila Moreira, Alcanena, entre 1919 e 1927.

Entre 1927 e 1931 foi professor na escola primária do Instituto do Professorado Primário em Lisboa. Durante 1928 e 1935 acumulou este cargo com o de professor de ginástica pedagógica no Refúgio da Tutoria Central da Infância, de onde foi afastado por motivos políticos.

Carvalhão Duarte foi inspirado pelas teorias da Escola Nova e do ensino ativo. Teve uma importante atividade ao nível do sindicalismo na direção da União do Professorado, ilegalizada em 1930. Neste ano entrou para o jornal República e tornou-se seu diretor entre 1941 e 1972, fomentando a oposição ao regime e acompanhando as atividades do MUD.

No que respeita ao seu pensamento pedagógico, o educador privilegiou os seguintes temas:

- a existência de uma escola pública, assente no principio de igualdade e gratuidade;

- a coeducação;

- a instituição da escolaridade obrigatória;

- a utilização de meios de ação educativa inspirados pelas teorias da Escola Nova;

- a democratização do acesso à escola e novos princípios básicos de estruturação curricular;

- a formação de professores.

 

 

Fonte principal: Dicionário de educadores portugueses / dir. António Nóvoa. - Porto : ASA, 2003.

 

 

2025/06/16

Peça do mês de junho/2025

 



Imagem parietal de espécie animal/Estrela-do-mar

 

Quadro parietal com a representação da anatomia de uma estrela-do-mar para ilustração das matérias de zoologia e biologia. O quadro encontra-se dividido em duas partes: a parte superior ocupa cerca de um terço do espaço total e é preenchida por uma ilustração de duas estrelas-do-mar no seu habitat natural; a parte inferior ocupa os restantes dois terços do espaço e apresenta uma ilustração sobre fundo preto com cortes do corpo de uma estrela-do-mar no qual é possível ver alguns dos seus órgãos.

Está inventariado com o número ME/401250/1944 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária D. Dinis.


MJS

 

2025/06/12

Muitos Anos de Escolas – Volume II – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário – Anos 40 – Anos 70 - Apresentação

 

Da autoria de Filomena Beja, Júlia Serra, Estella Machás e Isabel Saldanha, a obra Muitos Anos de Escolas – Volume II – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário – Anos 40 – Anos 70, tem como propósito contribuir para um conhecimento mais amplo dos projetos-tipo escolares construídos dos anos 40 aos anos 70. Abarca não apenas o contexto arquitetónico, mas também as ocorrências políticas, sociais e conceções de ensino.

Os artigos que se seguirão dão a conhecer um pouco desta obra, seguindo a lógica interna da subdivisão por capítulos (p. 7):

 

(Imagem do Índice da obra)

 

Fonte: BEJA, Filomena, et al. Muitos Anos de Escolas – Volume II – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário – Anos 40 – Anos 70. Lisboa, Ministério da Educação – Departamento de Gestão de Recursos Educativos, 1996.


MJS

2025/06/09

Educadores Portugueses dos séculos XIX e XX: Irene Lisboa (1892 – 1958)


(Fotografia da autora retirada da internet)


Irene do Céu Vieira Lisboa nasceu a 25 de dezembro de 1892 em Arruda dos Vinhos, filha de Luís Emílio Vieira Lisboa, advogado e de Maria Catarina, uma jovem camponesa. Aos 3 anos foi abandonada pela mãe e passou a viver com a companheira do seu pai e também sua madrinha, dividindo o seu tempo entre Lisboa e a quinta da Arruda dos Vinhos.

Foi educada no Convento do Sacramento onde estudou durante quatro anos, seguindo-se o Colégio Inglês, onde entrou com 10 anos como aluna interna. Depois de um confronto com o pai e a sua nova companheira, Irene mudou-se definitivamente para Lisboa e ingressou no Liceu Maria Pia aos 15 anos. Apercebendo-se que a quinta da Arruda estava a ser delapidada, pretendeu tomar a direção da casa, mas acabou por ser deserdada. Sem qualquer fonte de rendimento, trabalhou como governanta em casas particulares e foi viver para Belas com o seu padrinho.

Este contexto familiar tumultuoso foi bastante importante no desenvolvimento da autora: a ausência de vínculos afetivos e familiares na construção da sua identidade, bem como o facto de nunca ter sido reconhecida como filha legitima do seu pai em muito contribuíram para a sua dedicação à pedagogia infantil.

Em 1911 iniciou a frequência da Escola Normal Primária de Lisboa e em 1913 começou a escrever para o jornal estudantil Educação Feminina. Em 1914 concluiu o curso e lecionou em várias escolas como professora primária. Tornou-se efetiva na Escola do Beato, onde contatou com uma população pobre e carenciada. Este facto fez com que se centrasse nos problemas socioeconómicos e na forma como estes podiam influenciar a instrução e a aprendizagem, bem como na maneira de encarar a função do professor.

Com a abertura de duas classes infantis na Escola da Tapada da Ajuda, e devido à falta de professores especializados, a educadora preparou-se para lecionar a crianças desta idade. Neste sentido, inscreveu-se no primeiro curso de especialização em ensino infantil na Escola Normal de Lisboa que concluiu em 1923.

A sua experiência profissional permitiu-lhe compreender a importância da articulação da teoria e da prática em sala de aula. Para enfatizar este tema publicou o artigo “Escola atraente” na Revista Escolar em 1926.

No que respeita à sua produção textual, surgiram dois tipos de escrita: a literatura para crianças e os textos pedagógicos, fruto do desempenho das suas funções. Em 1929 publicou O livro da 2.ª para eu ler, com ilustrações de Ilda Moreira. Também neste ano iniciou a sua colaboração com a Seara Nova. Durante a década de 20 foram inúmeras as publicações para os mais novos.

Entre 1929 e 1934 foi bolseira do Instituto Nacional da Educação o que lhe permitiu prosseguir estudos em Genebra, Bruxelas e Paris. Frequentou o Instituto Jean-Jacques Rousseau, onde contatou com figuras como Jean Piaget ou Édouard Claparède.

Em 1933, já em Portugal, foi nomeada Inspetora-orientadora do ensino primário e infantil. Em 1935, durante uma palestra em Coimbra, Irene Lisboa defendeu alguns dos seus conceitos chave para o ensino: o professor devia ser autónomo e o responsável pela mudança de paradigmas. Por outro lado, a inovação deveria assentar quer na experiência de ensino, quer no estudo teórico. Durante este ano começou a dar aulas de Pedagogia e Didática Especial na Escola do Magistério Primário em Lisboa.

Devido às suas posições, que contestavam o controlo ideológico do estado em relação aos docentes, a educadora foi afastada dos seus cargos passando a desempenhar funções burocráticas no Instituto de Alta Cultura. Em 1937 as classes infantis foram extintas e Irene Lisboa foi forçada a aceitar um lugar na Escola do Magistério Primário em Braga. Não aceitou a situação e pediu a aposentação.

A partir de então, dedicou-se à escrita: literatura infantil, poesia, textos de pedagogia, contos, crónicas e novelas. As suas críticas à forma de organização do ensino e o apelo à liberdade e criatividade do pessoal docente fez com que muitas vezes publicasse sob pseudónimos como João Falco, Manuel Soares ou Maria Moira.

 

Fonte principal: Dicionário de educadores portugueses / dir. António Nóvoa. - Porto : ASA, 2003.

 

MJS


2025/06/05

Exposição Virtual: "Os Açores em Postais"

 

O arquipélago dos Açores é constituído por 9 ilha, divididas em 3 grupos: Grupo Ocidental (Corvo e Flores), Grupo Central (Faial, Graciosa, Pico, São Jorge e Terceira) e Grupo Oriental (Santa Maria e São Miguel), situados na zona nordeste do Oceano Atlântico sobre a Dorsal Média Atlântica.

Pensa-se que algumas ilhas já eram conhecidas desde o século XIV, mas oficialmente foi em 1431 que Gonçalo Velho chegou à Ilha de Santa Maria, prosseguindo o reconhecimento das outras ilhas. Cerca de 1432 Santa Maria começou a ser povoada por iniciativa do Infante D. Henrique. O sistema adotado foi o das capitanias. Em 1450, Diogo de Teive descobre as Flores e o Corvo. Dada a sua importância estratégica houve necessidade de construir zonas fortificadas por todo o arquipélago.

O clima dos Açores é temperado e ameno, com elevados níveis de humidade. As primeiras atividades económicas foram a produção de cereais e a criação de gado, seguidas pela produção de plantas tintureiras. No século XVII e XVIII apostou-se no cultivo do linho, das laranjas, do milho e da batata e deu-se inicio à emblemática atividade de caça de cetáceos.

No que respeita ao relevo, apresenta-se bastante acidentado, situando-se o ponto mais elevado na Ilha do Pico (2352 m de altitude). As Açores são ilhas de origem vulcânica, com expressão visível no Vale das Furnas na Ilha de S. Miguel e no Vulcão dos Capelinhos na Ilha do Faial. As condições climatéricas, bem como o isolamento e o relevo propiciaram o aparecimento de ecossistemas diversos.

Nesta exposição apresentam-se alguns postais de zonas turísticas do arquipélago, nomeadamente o traje tradicional e uma vista da freguesia da Capela na Ilha do Faial, o Parque Terra Nostra da Ilha de S. Miguel, uma das ruas principais e uma vista aérea de Angra do Heroísmo da Ilha Terceira, bem como uma imagem do da Ilha do Pico.


Postal

ME/ESDJC/193

Escola Secundária D. João de Castro

Postal a preto e branco de mulheres com capote, traje regional da Ilha do Faial (Açores), tendo em segundo plano a Ilha do Pico. No verso, é identificado o local tendo ainda o carimbo da "Escola Secundária D. João de Castro". Integra um conjunto de materiais audiovisuais da antiga Escola D. João de Castro, utilizados no contexto das atividades pedagógicas, nomeadamente nas disciplinas de História/Geografia.



Postal

ME/ESDJC/199

Escola Secundária D. João de Castro

Postal a preto e branco de um trecho do Parque Terra Nostra, na Ilha de S. Miguel (Açores). No rodapé do postal é identificado o local, a letras pretas sobre fundo branco, e a casa produtora, "Foto Toste", casa adquirida pelo fotógrafo Gilberto Nóbrega (1919-2003) na década de 1950. No verso tem o carimbo da "Escola Secundária D. João de Castro". Integra um conjunto de materiais audiovisuais da antiga Escola D. João de Castro, utilizados no contexto das atividades pedagógicas, nomeadamente nas disciplinas de História/Geografia.



Postal

ME/ESDJC/188

Escola Secundária D. João de Castro

Postal a preto e branco da Rua da República em Angra - Ilha Terceira (Açores), vendo-se as fachadas do edifício do lado esquerdo e o início da escadaria da Sé Catedral, do lado direito, provavelmente nos anos 40/50 do século XX. No verso, é identificado o local, tendo ainda o carimbo da "Escola Secundária D. João de Castro". Integra um conjunto de materiais audiovisuais da antiga Escola D. João de Castro, utilizados no contexto das atividades pedagógicas, nomeadamente nas disciplinas de História/Geografia.




Postal

ME/ESDJC/177

Escola Secundária D. João de Castro

Postal a preto e branco com vista aérea da cidade de Angra - Ilha Terceira (Açores). Em baixo, é identificada a denominação do postal e autoria da fotografia ("Foto-Lilaz", de Arnaldo Bettencourt, criada na década de 1940), a letras azuis sobre fundo branco. No verso, encontra-se o carimbo da "Escola Secundária D. João de Castro". Integra um conjunto de materiais audiovisuais da antiga Escola D. João de Castro, utilizados no contexto das atividades pedagógicas, nomeadamente nas disciplinas de História/Geografia.



Postal

ME/ESDJC/150

Escola Secundária D. João de Castro

Vista aérea da Ilha do Pico (Açores). No canto inferior direito existe a marca do fotógrafo Jovial, da casa Foto Jovial, situada na cidade da Horta e criada na década de 1940. No verso encontra-se o carimbo da "Escola Secundária D. João de Castro". Fotografia a preto e branco que integra um conjunto de materiais audiovisuais da antiga Escola D. João de Castro, utilizados no contexto das atividades pedagógicas, nomeadamente nas disciplinas de História/Geografia.



Postal

ME/ESDJC/141

Escola Secundária D. João de Castro

Fotografia a preto e branco de uma estrada na freguesia da Capela - ilha do Faial (Açores), onde é possível visualizar um autocarro. No canto inferior direito é identificado o fotógrafo Jovial, da casa Foto Jovial, situada na cidade da Horta e criada na década de 1940. No verso existe o carimbo da "Escola Secundária D. João de Castro". Integra um conjunto de materiais audiovisuais da antiga Escola D. João de Castro, utilizados no contexto das atividades pedagógicas, nomeadamente nas disciplinas de História/Geografia. Cor: Monocromática; Polaridade: Positivo; Tipo: Opaca; Orientação: Horizontal.


 MJS



2025/06/02

Educadores Portugueses dos séculos XIX e XX: Francisco José Cardoso Júnior (1884 - 1969)

 

(Fotografia do autor retirada da internet)


Francisco José Cardoso Júnior nasceu a 14 de junho de 1884 em Vila Nova de Gaia, filho de Francisco José Cardoso, fundador d’ A Federação Escolar. Concluiu a 4.ª classe em Tabuaço e frequentou a Escola Industrial Brotero e o Instituto Industrial do Porto. Em 1908 obteve o diploma na Escola Normal do Porto.

Iniciou a sua vida profissional como professor primário em diversas instituições: Escola Central, Reformatório de Caxias e Escola Industrial do Infante D. Henrique, da qual se tornou diretor até à década de 1930.

Durante o período da primeira república assumiu diversos cargos públicos no Conselho Superior de Instrução Pública, na comissão de reforma do ensino primário e normal, entre outros. A partir de 1909 deu continuidade ao trabalho do seu pai n’ A Federação Escolar.

Participou em várias iniciativas associativas no plano sindical e cultural. Fez conferências e publicou diversos artigos em periódicos como o Boletim da Legislação Escolar, Educação Nova, Educação Portuguesa ou a Escola Nova.

A sua obra pode ser dividida em várias categorias, composta maioritariamente por transcrições de discursos e coletâneas de artigos. A partir de 1913 fez várias reflexões sobre o ensino artístico e os trabalhos manuais, que permitiam a atividade criativa e a educação estética dos alunos.

Posteriormente, dedicou-se aos métodos de ensino, sobretudo no que respeitava à leitura. Era um apoiante do método de aprendizagem global. Seguiram-se artigos sobre educadores e pedagogos de renome, com especial destaque para José Augusto Coelho e Pestalozzi Cardoso Júnior. Publicou ainda outros artigos educativos sobre o ensino infantil e outro tipo de temáticas relacionadas com a educação, não esquecendo a autoria de diversos manuais escolares.

 

Fonte principal: Dicionário de educadores portugueses / dir. António Nóvoa. - Porto : ASA, 2003.


MJS