2014/05/21

Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa


(Capa do Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa)
  


O Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, fundado em 1916, foi uma das primeiras tentativas de reabilitação do ensino devotado a problemas educativos e sociais de menores deficientes em Portugal.

A publicação resultante do Instituto, o Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, procurou promover a investigação na área em questão. A própria organização do Boletim obedecia a regras científicas, dividido, formalmente, em duas partes estruturais:

A.      Artigos de reflexão – análises empíricas e observações diretas de pacientes do Instituto;
B.      Análises científicas – recensões bibliográficas de publicações nacionais e estrangeiras sobre deficiência de menores.


Como verificamos, há uma metodologia científica nesta publicação: por um lado, fazem-se análises científicas; por outro, escrevem-se artigos de reflexão sobre tal. Para além deste fato, sublinha-se a preocupação de disseminar a informação (Cf. Nóvoa, 1993:142):

“Este Boletim, órgão do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia, será uma espécie de meio de propaganda, entre nós, da assistência aos anormais e, além disso, uma forma de publicar e facilmente darmos conta dos ensinamentos da nossa experiência e permutamo-lo com os de outros quem no país ou fora do país, se interessem por estes capitais e monumentosos assentos” (Nóvoa, 1993:142).


Se recuarmos à década vinte, verificamos, sem surpresa, que a ausência de uniformidade nos termos utilizados pelos psicólogos e a diferença de critérios adotados por cada autor, constrói uma gigantesca panóplia de divisões e subdivisões dentro do estado anormal da criança, complexidade explicada, também, se atendermos à vastidão do assunto tratado e, aos primeiros passos da psicologia como disciplina autónoma. Como sabemos, (Ribeiro, 2010:222), António Aurélio da Costa Ferreira, César da Silva, Fernando Palyart Pinto Ferreira e Vítor Fontes foram, entre outros, os grandes precursores do ensino especial em Portugal:

“António Aurélio da Costa Ferreira, César da Silva, Fernando Palyart Pinto Ferreira, Lucília Carmina Lopes de Santa Clara, esposa de Palyart Pinto Ferreira, Vítor Fontes, são facilmente reconhecíveis como os precursores do ensino especial em Portugal, médicos e professores que criaram e fizeram prosperar as instituições que representaram. Podem não ser os actores principais neste cenário, mas são, sem dúvida, os cicerones desta viagem. É nas suas palavras que se encontra a presença das crianças anormais, testemunhos capazes de construir um imaginário em torno desta vivência. São, no seu conjunto, responsáveis pela vinda destes actores para o palco educativo” (Ribeiro, 2010:222).


Na ficha catalográfica do Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa confirma-se o conteúdo da citação anterior, ou seja, os autor-pessoa física responsáveis principais, para além de escritores, são António Aurélio da Costa Ferreira e Fernando Palyart Pinto Ferreira, vejamos:



Ferreira, António Aurélio da Costa, 1879-1922 , dir.
Ferreira, Fernando Palyart Pinto, 1880-1946 , ed. lit.
Portugal. Casa Pia de Lisboa. Instituto Médico-Pedagógico , ed. com.

Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa
/ dir. A. Aurélio da Costa Ferreira   ; dir. pedag. Fernando Palyart Pinto Ferreira

Jan. 1921) - Jun./Set. 1922)
Lisboa : Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, 1921-1922

22 cm

Trimestral
       
 Inst. António Aurélio da Costa Ferreira IAACF PP 8 (Rev)
                A. 1, n. 2 (Set.) - n. 3 (Dez. 1921)
                A. 2, n. 4 (Mar.) - n. 5/6 (Jun./Set. 1922)





Fig. 1 – Ficha catalográfica BIMPCPL



Das exigências descritas na publicação periódica Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, na figura anterior (Fig.1), provenientes do Instituto António Aurélio da Costa Ferreira, verificamos que, em termos absolutos, António Aurélio da Costa Ferreira detém a maior percentagem de artigos descritos nos números da Revista analisados e que se encontram na posse da Biblioteca Histórica da Educação, ou seja, cerca de 45%. Segue-se Fernando Palyart Pinto Ferreira e Vitor Fontes, que detêm 20%. Vejamos a Tabela 1 (quantificação de artigos):




Autores



Artigos

%
Decroly, Ovide, 1871-1932
1
5
Ferreira, António Aurélio da Costa, 1879-1922
9
45
Ferreira, Fernando Palyart Pinto, 1880-1946
4
20
Fontes, Vítor, 1893-1979
4
20
Santos, Carlos Ary dos, 1879-1955
2
10
Santos, Sebastião da Costa, 1881-1939
1
5



TOTAL:
20
100

Tabela 1 – Quantificação de artigos




Apresenta-se uma listagem, índice de Autores / Títulos, ordenado alfabeticamente, do Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa. Nota-se que este estudo refere-se apenas ao Ano. 1, Nº 2 (Set.) até ao Nº 3 (Dez. 1921), ainda, ao Ano 2, N.º 4 (Mar.) até ao Nº 5/6 (Jun./Set. 1922):







Algumas palavras sobre o Dr. Aurélio da Costa Ferreira
Algumas palavras sobre o Dr. Aurélio da Costa Ferreira : [a morte do Dr. António Aurélio da Costa Ferreira, foi principalmente sentida no nosso meio clínico e pedagógico...]
          IN  Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa . Lisboa : Instituto Médico-
                 Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, A. 2, n.  5/6 (Jun.-Set. 1922) , p. 1-3 : il.,  fotograf.


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Decroly, Ovide, 1871-1932
Plano de selecção e distribuição de crianças anormais por instituições de assistência de diversas categotias
          IN  Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa . Lisboa : Instituto Médico-
                 Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, A. 1, n. 3 (Dez. 1921) , p. 3 : il.


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Ferreira, António Aurélio da Costa, 1879-1922
Instituto de reeducação e institutos de educação
          IN  Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa . Lisboa : Instituto Médico-
                 Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, A. 1, n. 2 (Set. 1921) , p. 10-11


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Ferreira, António Aurélio da Costa, 1879-1922
Anormais de escola e escola e anormais
          IN  Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa . Lisboa : Instituto Médico-
                 Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, A. 1, n. 3 (Dez. 1921) , p. 1-2


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Ferreira, António Aurélio da Costa, 1879-1922
Psicologia e psicoterápia dos mutilados
          IN  Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa . Lisboa : Instituto Médico-
                 Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, A. 1, n. 2 (Set. 1921) , p. 1-2


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Ferreira, António Aurélio da Costa, 1879-1922
Profissões dos mutilados de guerra portugueses
          IN  Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa . Lisboa : Instituto Médico-
                 Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, A. 1, n. 2 (Set. 1921) , p. 11


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Ferreira, António Aurélio da Costa, 1879-1922
Ocupoterápia dos atardados
          IN  Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa . Lisboa : Instituto Médico-
                 Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, A. 2, n.  4 (Mar. 1922) , p. 1-4


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Ferreira, António Aurélio da Costa, 1879-1922
Base para uma organização de serviços de assistência a menores física e mentalmente anormais
          IN  Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa . Lisboa : Instituto Médico-
                 Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, A. 1, n. 3 (Dez. 1921) , p. 4-5


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Ferreira, António Aurélio da Costa, 1879-1922
Libros e revistas
          IN  Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa . Lisboa : Instituto Médico-
                 Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, A. 1, n. 3 (Dez. 1921) , p. 12-13


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Ferreira, António Aurélio da Costa, 1879-1922
Ferreira, Fernando Palyart Pinto, 1880-1946 , co-autor
A nossa galeria : nota médica : nota pedagógica
          IN  Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa . Lisboa : Instituto Médico-
                 Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, A. 2, n.  4 (Mar. 1922) , p. 3-10 : il.


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Ferreira, António Aurélio da Costa, 1879-1922
Ferreira, Fernando Palyart Pinto, 1880-1946 , co-autor
Revistas
          IN  Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa . Lisboa : Instituto Médico-
                 Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, A. 2, n.  4 (Mar. 1922) , p. 13-14


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Ferreira, Fernando Palyart Pinto, 1880-1946
A nossa galeria : grupo de alunos no banho de sol
          IN  Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa . Lisboa : Instituto Médico-
                 Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, A. 1, n. 3 (Dez. 1921) , p. 11 : il.


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Ferreira, Fernando Palyart Pinto, 1880-1946
A educação das criança fisicamente anormais
          IN  Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa . Lisboa : Instituto Médico-
                 Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, A. 1, n. 2 (Set. 1921) , p. 9-10


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Fontes, Vítor, 1893-1979
Noticia sobre os estudos do Dr. Aurélio da Costa Ferreira ácerca da gaguez
          IN  Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa . Lisboa : Instituto Médico-
                 Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, A. 2, n.  5/6 (Jun.-Set. 1922) , p. 3-12


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Fontes, Vítor, 1893-1979
A nossa galeria
          IN  Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa . Lisboa : Instituto Médico-
                 Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, A. 1, n. 2 (Set. 1921) , p. 7-8 : Il.


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Fontes, Vítor, 1893-1979
Profissões de antes e depois das entrada para o Instituto [de Arroios]
          IN  Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa . Lisboa : Instituto Médico-
                 Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, A. 1, n. 2 (Set. 1921) , p. 11-13


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Fontes, Vítor, 1893-1979
Sobre dois boletins psico-pedagógicos empregados na secção de orientação profissional do
                 Instituto de Arroios
          IN  Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa . Lisboa : Instituto Médico-
                 Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, A. 1, n. 2 (Set. 1921) , p. 3-6




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Santos, Carlos Ary dos, 1879-1955
A educação e a utilização dos surdos-mudos nalgumas das industrias Transmontanas : [trabalho apresentado ao 1.º congresso Transmontano]
          IN  Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa . Lisboa : Instituto Médico-
                 Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, A. 2, n.  5/6 (Jun.-Set. 1922) , p. 13-20


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Santos, Carlos Ary dos, 1879-1955
Disposições gerais para a criação de escolas para o ensino de surdos-mudos
          IN  Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa . Lisboa : Instituto Médico-
                 Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, A. 1, n. 3 (Dez. 1921) , p. 7-10


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Santos, Sebastião da Costa, 1881-1939
Assistência aos cegos
          IN  Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa . Lisboa : Instituto Médico-
                 Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, A. 2, n.  4 (Mar. 1922) , p. 11-12


  



BIBLIOGRAFIA:



ALGUMAS PALAVRAS SOBRE O DR. AURÉLIO DA COSTA FERREIRA. (1922). Boletim do Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa; A. 2, N.  5/6 (Jun.-Set. 1922), p. 1-3


FERREIRA, António Aurélio da Costa (1922). História natural da criança: duas lições [on-line]: Lisboa: Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa.
http://www.sg.min- [Consul. 7 março 2014].


FERREIRA, António Aurélio da Costa (1920). Algumas lições de psicologia e pedologia. [on-line]: Lisboa: Lumen.
[Consul. 7 março 2014].

 
NÓVOA, António (dir.) (1993). A imprensa de educação e ensino: repertório analítico (século XIX-XX). Lisboa: Instituto de Inovação Educacional. (Memórias da educação).


RIBEIRO, Cláudia Pinto (2010). “Viver na diferença… a Casa Pia de Lisboa como espaço de inclusão”. in: Revista da Faculdade de Letras; Vol. 11, 3.ª Série, (2010), p. 219-236.


VERÍSSIMO, Nelson (2004). “António Aurélio da Costa Ferreira: um grande educador madeirense” [on-line]: Passos na Calçada; (Jan. 2004)
[Consul. 7 março 2014].


P. M.

2014/05/14

Peça do mês de maio



Cinematógrafo
Aparelho que permite dar a sensação de movimento às imagens. Compõe-se de uma lanterna de projeção diante da qual se adapta um mecanismo que faz desfilar, em frente à objetiva, uma fita de celuloide onde se encontram as fotografias sucessivas, captadas num intervalo de tempo. Esse filme é guiado por uma espécie de engrenagem e um obturador veda automaticamente a objetiva na transmissão de duas fotografias sucessivas. Integra uma valiosa coleção de material audiovisual da Escola. Está inventariado com o número ME/400208/16 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária de Francisco Rodrigues Lobo.
O cinematógrafo é considerado uma invenção dos irmãos Lumière, a partir do aperfeiçoamento do aparelho concebido por Thomas Edison. Combinando as funções de uma máquina de filmar e de projeção, o cinematógrafo foi um marco na história do cinema. Regista vários instantâneos fixos, os fotogramas, criando a ilusão de movimento e reproduz esse movimento projetando as imagens sobre uma tela.
A primeira apresentação pública do cinematógrafo realizou-se no sudeste da França, em 1895. No final desse ano, os irmãos Lumière organizaram em Paris, no Grand Café, a exibição comercial do invento. O cinematógrafo não foi alvo de comercialização por parte dos seus criadores e as réplicas surgiram um pouco por toda a Europa e Estados Unidos da América.
Os irmãos Lumière produziram muitos documentários, tendo formando para o efeito várias equipas de operadores que percorreram o mundo. Georges Méliès pretendia rentabilizar o cinematógrafo realizando sessões públicas no Théatre Robert Houdin, em Paris. Apesar disso, os Lumière recusaram a oferta. Méliès adquiriu assim um aparelho semelhante em Londres criado por Robert William Paul, um industrial que, para além da filmagem dos documentários iniciou aquilo que mais tarde seria designado por “cinema de ficção”.




MJS

2014/05/07

6ª Seminário BAD 2014 - Bibliotecas Digitais




(Imagem alusiva ao ciclo de seminários 2014 onde observa um orador perante uma audiência)



A BAD irá realizar no próximo dia 12 de Maio o seminário "Bibliotecas Digitais", que pretende divulgar as coleções digitais, o seu conceito, desenvolvimento, planeamento e organização. Saiba mais aqui.


2014/04/22

Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa


(Imagem de uma criança numa sala de aula)



“E perder um defeito, ou uma deficiência, ou uma negação, sempre é perder.”

(Fernando Pessoa)



Segundo Pires e Condado (2012:103), em Portugal, nunca foi feita uma verdadeira história de educação especial, não obstante, poderemos determinar marcos importantes de tal modalidade de educação:

- Em 1871 foi criada a primeira Casa de Detenção e Correção para menores delinquentes do sexo masculino até aos 18 anos e para menores de 21 anos considerados desobedientes e incorrigíveis;

- Em 1888, surgiu, em Lisboa, o Asilo-Escola António Feliciano de Castilho e em 1900 foi fundado o Instituto de Cegos Branco Rodrigues, primeiro em Lisboa, e, três anos mais tarde, no Porto;

- Em 1890, foi fundado o Instituto de surdos de Benfica, onde, usando a metodologia introduzida por Jacob Rodrigues Pereira, adotando o sistema de ensino ajustado às necessidades de alunos surdos, débeis mentais e com deficiência da fala;

- Em 1912 foi instituída a Colónia Agrícola de S. Bernardino, em Peniche, e, em 1915, fundou-se o Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa;

- Em 1913, o Pedagogo António Aurélio da Costa Ferreira incentivou a educação de surdos. Em 1914, surgiu o primeiro Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, de cariz asilar e com preocupações psiquiátricas, que, alguns anos mais tarde, dará origem ao Instituto António Aurélio da Costa Ferreira, cujos objetivos se orientam declaradamente para a formação de pessoal docente para a educação de deficientes.


“António Aurélio da Costa Ferreira, provedor da Santa Casa da Misericórdia, Director da ‘Casa Pia de Lisboa’ durante muitos anos, fundou duas instituições para «anormais», nomeadamente a ‘Colónia Agrícola de S. Bernardino’ (1912) em Peniche e o ‘Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa’ (1915), em Santa Isabel, que mais tarde passou a denominar-se ‘Instituto António Aurélio da Costa Ferreira’ (designado à frente por IAACF), em sua homenagem. È a partir do IAACF que se vai organizar e estruturar a Educação Especial em Portugal” (Mesquita, 2001:33).

Atendendo à investigação histórica de Mesquita (2001:33) apresentada à Universidade de Salamanca e, ainda, aos estudos pedagógicos de Ribeiro (2011:249), estamos aptos a afirmar que no verão de 1912, a Direção da Casa Pia de Lisboa instalou no extinto convento de S. Bernardino, em Atouguia da Baleia, concelho de Peniche, uma Colónia Agrícola para acolher todos aqueles que, devido às suas condições de dependências sociais, constituíssem um estorvo a Belém.

Esta descrição, com rasgos neorrealistas, poderá chocar-nos, ainda assim, não podemos olvidar que, em Portugal, antes de 1912 nada havia sido feito a nível pedagógico para educação de deficientes – a descrição e análise de experiências vividas e analisadas restringiam-se a crianças deficientes que estivessem em idade de começar aprendizagens profissionais.

Havia a necessidade imperiosa de reinstalar os deficientes em locais diferentes da Casa de Belém. Aqui nada aprendiam, seria então necessário proporcionar-lhes uma instrução e educação especiais, racionalizadas a partir das suas necessidades e que potenciassem uma futura inserção na sociedade, desta vez como cidadãos úteis a si e aos outros. Nasceu o Instituto Médico-Pedagógico que, em meados de 1915, já se encontrava a funcionar na Travessa das Terras de Sant’ana, a Santa Isabel, em Lisboa:

“Timidamente, o Instituto Médico-Pedagógico deu-se a conhecer, sem a pompa de outras inaugurações que tiveram direito ao estalejar de foguetes. Viviam-se tempos difíceis. Contudo, a necessidade de encaixar as crianças atardadas em classes de pares, aliada à insistência do Director da Casa Pia, tornou possível a realização deste projecto e, por consequência, a fundação do primeiro instituto médico-pedagógico em Portugal.

O itinerário desta viagem percorre caminhos sinuosos, por vezes, difíceis de palmilhar. Se dos claustros de S. Bernardino ecoaram as vozes dos ‘anormais do género irrequieto’ que habitavam as suas instalações, muito graças aos escritos do professor-regente, do anexo de Santa Isabel murmura o silêncio de quem não partilha com o investigador o quotidiano das classes especiais do Instituto. Torna-se difícil perseguir as passadas de Costa Ferreira na criação deste instituto, até porque o seu critério na selecção dos documentos inseridos nos anuários da Casa Pia, fonte inalienável e de valor incalculável, não se demonstrou tão desvelado comparativamente com os seus restantes projectos. Deste modo, e aceitando com resignação o silêncio das fontes, vagueámos pelas pistas sugeridas e tentámos acompanhar a criação e o funcionamento deste instituto, durante os primeiros anos de existência” (Ribeiro, 2009:198).

Timidamente em tempos difíceis foram encaixadas “crianças atardadas em classes de pares” e, assim, se fundou o primeiro Instituto Médico-Pedagógico em Portugal. Mais: estas crianças, as que os Claustros de S. Bernardino albergavam, a partir de agora, eram “anormais do género inquieto”, ainda assim, este frenesim neorrealista foi controlado pela sageza psicopedagógica de António Aurélio da Costa Ferreira – preenche, assim, lacunas na educação de anormais através de processos intuitivos.

O Decreto-Lei nº 335/85 de 20 de agosto de 1985 reconhece as contribuições da Casa Pia de Lisboa para a cultura portuguesa, desde 1780 até aos nossos dias, mas, acima de tudo, pelos muitos e muitos milhares de cidadãos que nestes dois séculos formou para a vida sua maior glória justo é reconhecer nela, como um dia lhe chamou Latino Coelho, a “universidade plebeia”.

Fundada em 3 de Julho de 1780 por Diogo Inácio de Pina Manique, no prosseguimento das notáveis reformas anos antes lançadas pelo Marquês de Pombal, começou por dar resposta a algumas das muitas e legítimas preocupações com a ordem pública e saneamento social, transformando-se, a breve trecho, numa modelar escola para os filhos da população mais desamparada do País.

“Costa Ferreira criou o Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, que tão relevantes contributos deu à causa da investigação científica no campo da psicopedagogia; instituiu os testes de inteligência de Alfredo Binet; estabeleceu cursos pedagógicos e fomentou o enriquecimento técnico e formativo do pessoal docente da instituição, fazendo dela um dos grandes suportes na reforma da educação levada a efeito pelo Governo da I República; criou o ensino especial para os deficientes físicos e para os alunos menos dotados; criou o salário estímulo para os educandos e empurrou-os para a prática desportiva, de que a Casa Pia seria um grande alfobre e origem da fundação de alguns dos maiores clubes desportivos portugueses.

Aurélio da Costa Ferreira orientou a formação dos alunos da Casa Pia de Lisboa segundo dois grandes parâmetros: educação interna e educação externa” (Decreto-Lei nº 335/85 de 20 de agosto de 1985).


Em Portugal, como anteriormente verificamos, são destacados dois precursores em Pedopsiquiatria. Referimo-nos ao Dr. António Aurélio da Costa Ferreira (1874-1922), licenciado em Medicina e em Filosofia, antropólogo e professor, introdutor do estudo científico das crianças deficientes e do seu ensino, no Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa. Podemos igualmente referenciar o Prof. Vítor Fontes (1895-1974), médico psiquiatra, professor de Anatomia da Faculdade de Medicina de Lisboa, pedagogo, que terá continuado e desenvolvido a obra do primeiro, interessando-se especialmente pelas “anomalias craneanas dos deficientes mentais”.

“Na mesma linha de orientação, mas dotado de envergadura científica muitíssimo superior, situa-se António Aurélio da Costa Ferreira. À sua acção como responsável pelo Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, que foi notável, deverão adicionar-se os estudos técnicos realizados no âmbito da psicologia experimental e os cursos que ministrou na Escola Normal de Benfica, cujo teor concreto se adivinha através das orientações gerais que preconizava. Como outros pedagogistas do seu tempo, António Aurélio da Costa Ferreira também enfileirou na campanha antijesuítica no sector da educação. […]. Costa Ferreira preconizava, pelo contrário, o desenvolvimento de todas as capacidades do educando, de acordo com as ideias de Kant e de Pestalozzi, de tal sorte que a escola se não limitasse a proporcionar a adaptação do jovem ao meio social mas, pelo contrário, contribuísse para a sua intervenção activa na vida” (Fernandes, 1979:35-38)

Como bem verificou Coordenação Nacional para a Saúde Mental e a Administração Central do Sistema de Saúde (2006:10), o Instituto Médico-Pedagógico transformou-se, em 1936, no Instituto António Aurélio da Costa Ferreira (IAACF).

Como vimos verificando, no início da década de quarenta, a Educação Especial recebeu novo impulso com a reestruturação do Instituto Costa Ferreira como Dispensário de Higiene Mental Infantil (1942) e com a publicação do primeiro número da revista “A Criança Portuguesa” (1942-1963), por Vítor Fontes, que criou também, em 1946, as “classes especiais de anormais”.


P.M.




BIBLIOGRAFIA:


COORDENAÇÃO NACIONAL PARA A SAÚDE MENTAL; ADMINISTRAÇÃO CENTRAL DO SISTEMA DE SAÚDE (2006).  Rede de referenciação hospitalar de psiquiatria da infância
e da adolescência (documento técnico de suporte) [on-line]. 2006.
[Consul. 7 março 2014].


FERREIRA, António Aurélio da Costa (1922). História natural da criança: duas lições [on-line]: Lisboa: Instituto Médico-Pedagógico da Casa Pia de Lisboa.
http://www.sg.min- [Consul. 7 março 2014].


FERREIRA, António Aurélio da Costa (1920). Algumas lições de psicologia e pedologia. [on-line]: Lisboa: Lumen.
[Consul. 7 março 2014].


FERNANDES, Rogério (1979). A pedagogia portuguesa Contemporânea. Lisboa: Of. Gráfica da Liv. Bertrand, 1979. (Biblioteca Breve; 37).


MESQUITA, Maria Helena Ferreira de Pedro (2001).  Educação especial em Portugal no último quarto do século XX [on-line]. Tese de doutoramento [apresentada] à Universidad de Salamanca Facultad de Educación Departamento de Teoría e Historia de la Educación
[Consul. 7 março 2014].


PIRES, Filipa Isabel E. Q. Pinto; CONDADO, Ricardo Jorge B.A. (2012). “Formação inicial de professores de educação física face à inclusão de alunos com necessidades”  [on-line]: Revista Wanceulen EF Digital; Nº 9 (fev. 2012), p. 101-119
[Consul. 7 março 2014].

  
Portugal. Decreto-Lei nº 335/85 de 20 de agosto de 1985. Diário da República; 190/85, 1.ª Série.


RIBEIRO, Cláudia Pinto (2009). Os outros: a Casa Pia de Lisboa como espaço de inclusão da diferença. [Porto: s.n.]. (Tese de doutoramento em história apresentada Universidade do Porto, Faculdade de Letras).


RIBEIRO, Cláudia Pinto (2011). “Por terras de frança: viagem pedagógica de um Professor Casapiano” [on-line]: Cultura, Espaço & Memória; N.º 1 (mar. 2011), p. 249-261
[Consul. 7 março 2014].


SILVA, Maria Odete Emygdio da (2009). “Da exclusão à inclusão: concepções e práticas” [on-line]: Revista Lusófona de Educação; Nº 13 (2009).
[Consul. 7 março 2014].


VERÍSSIMO, Nelson (2004). “António Aurélio da Costa Ferreira: um grande educador madeirense” [on-line]: Passos na Calçada; (Jan. 2004)
[Consul. 7 março 2014].




2014/04/16

Peça do mês de abril






Capela


A maqueta é uma representação, geralmente tridimensional e em escala reduzida, de grandes estruturas arquitetónicas. Resultado do trabalho dos alunos em contexto das práticas pedagógicas de serralharia, as maquetas apresentadas representam capelas de algumas freguesias portuguesas, destacando-se pela mestria e beleza do trabalho executado. Pertencem ao espólio museológico da Escola Secundária Jácome Ratton.



A maqueta inventariada com o número ME/400270/665, realizada em metal sobre madeira, representa a capela existente na povoação de Santa Marta, freguesia de Santa Maria dos Olivais. Esta apresenta um corpo central, com cobertura de duas águas e fachada com alpendre, com três águas, sustentado por duas colunas de fuste redondo sobre murete, protegendo o portal. Lateralmente dispõe-se pequenos corpos, com a cobertura de uma água, apresentando, situado à direita, uma pequena sineira em arco de volta perfeita no plano do alçado tardoz.



A
 maqueta inventariada com o número ME/400270/66, também foi realizada em metal sobre madeira e representa a capela de Nossa Senhora da Conceição, freguesia de São João Baptista. Esta apresenta coberturas diferenciadas em telhados de duas águas nas naves, transepto rematado ao centro por cúpula, e no fecho tem um pináculo e capela-mor por terraço, em que a um canto, um cupulim coroa a escada de acesso. Cúpula e terraço são rematados por uma platibanda vazada. Na fachada principal, ao centro, um portal retangular encimado por um óculo semicircular, ladeado por duas janelas de igual perfil, fechando no vértice formado pela cobertura, por cruz latina. Todas as janelas têm vãos retangulares, distribuindo-se simetricamente pelas fachadas laterais. Na fachada direita, por baixo de uma das janelas, encontra-se outra porta retangular.


A maqueta inventariada com o número ME/400270/667, em metal sobre madeira, representa a capela de Nossa Senhora da Piedade, freguesia de São João Baptista. Apresenta um desenvolvimento longitudinal com disposição dos volumes na horizontal. O corpo central tem uma cobertura de duas águas, rodeado por galilé segundo três lados, com cobertura de uma água e com campanário do lado direito. As restantes coberturas diferenciam se em telhados de duas, quatro e uma águas, tendo sobre a capela-mor um coruchéu em forma de pirâmide hexagonal. O alçado principal é rematado por cruz no vértice, rasgado por óculo e portal ogival ladeado por duas janelas retangulares. O galilé assenta em colunas de fuste redondo sobre murete, circundada pelo exterior por banco corrido. O alçado direito é rasgado por portal em arco com telhado de uma água. O alpendre protege o portal retangular. Sobre o lado direito uma pequena sineira em arco de volta perfeita. Fixo à base de madeira, na frente, próximo do canto direito, uma coroa circular de metal tendo, segundo o diâmetro, um elemento longitudinal terminado numa extremidade por uma seta e na extremidade oposta pela letra S.



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