2010/12/15

"Os alambiques"

Encontra-se disponível para visualização no Inventário online do Património Museológico da Educação, a exposição "Os Alambiques", constituída por um conjunto destes objetos pertencentes ao espólio museológico da: 

Escola Básica e Secundária Anselmo de Andrade
Escola Básica e Secundária de Carcavelos
Escola Secundária Artística António Arroio
Escola Secundária Campos Melo
Escola Secundária Carlos Amarante
Escola Secundária com 3º Ciclo de Pombal
Escola Secundária de Bocage
Escola Secundária de Fonseca Benevides
Escola Secundária de Gil Vicente
Escola Secundária de Sá da Bandeira
Escola Secundária Domingos Sequeira
Escola Secundária Emídio Navarro
Escola Secundária Josefa de Óbidos
Escola Secundária Padre António Vieira
Escola Secundária Rainha D. Leonor

Cartazes de Prevenção de acidentes de trabalho

Encontra-se disponível para visualização no Inventário online do Património Museológico da Educação, a exposição "Cartazes de Prevenção de acidentes de trabalho" do Inventário Museológico da Educação", constituída por um conjunto de cartazes pertencentes ao espólio das Escola Secundária Jacome Ratton e Escola Secundária de Emídio Navarro.

2010/12/07

"Balanças - Instrumentos de medida"

Encontra-se disponível para visualização no Inventário online do Património Museológico da Educação, a exposição "Balanças - Instrumentos de medida", constituída por um conjunto de balanças pertencentes ao espólio museológicos das escolas: 

Escola Secundária Campos Melo
Escola Secundária Carlos Amarante
Escola Secundária com 3.º ciclo de Anadia   
Escola Secundária com 3º Ciclo Clara de Resende
Escola Secundária D. Dinis
Escola Secundária D. Sancho II
Escola Secundária da Amora           
Escola Secundária de Bocage
Escola Secundária de Francisco Rodrigues Lobo
Escola Secundária de Gil Vicente
Escola Secundária de Lousada
Escola Secundária de Passos Manuel                           
Escola Secundária de Pedro Nunes
Escola Secundária do Monte da Caparica
Escola Secundária Padre António Vieira
Escola Secundária Rainha D. Amélia
Escola Secundária Sebastião da Gama           

"Os têxteis na colecção "online" do Inventário Museológico da Educação"

Encontra-se disponível para visualização no Inventário online do Património Museológico da Educação, a exposição "Os têxteis na colecção "online" do Inventário Museológico da Educação", constituída por um conjunto de peças, realizados por professores e alunos.

MACROESTRUTURA FUNCIONAL - ME: CONCLUSÃO


Em Março de 2010 foi postada neste Blog uma notícia sobre a adesão da Secretaria-Geral ao projeto Governo Eletrónico e Interoperabilidade e o desenvolvimento do processo de trabalho decorrente do mesmo em coordenação conjunta com o GEPE e a colaboração de uma rede de interlocutores de todos os serviços do ME.

Ao levantamento efetuado por técnicos desta Secretaria-Geral e pela Bsafe, dos documentos produzidos, bem como dos respetivos circuitos documentais, seguiu-se o processo de produção das diversas classes e subclasses da Macroestrutura Funcional com particular relevo para a classe 500. "Ensino e Formação".

Este processo foi sendo acompanhado pela Direcção-Geral de Arquivos, organismo de tutela dos arquivos a nível nacional, com reuniões de trabalho conjunto para discussão das propostas apresentadas e respetiva validação.

Foram também consolidadas as Séries documentais para as diversas classes e subclasses referentes às funções de suporte e às funções de conteúdo da Educação.

No dia 19 de Outubro realizou-se a última reunião na DGARQ a fim de acertar alguns detalhes, tendo o projeto sido dado como finalizado, por aquela Direcção-Geral, em 19 de Novembro.

Assim, o compromisso assumido no início do ano foi cumprido, encontrando-se consubstanciado no Plano de Classificação Macro, disponível para apresentação superior a todos os organismos e serviços centrais, regionais e tutelados do Ministério da Educação.

2010/11/05

7.ª edição do "Encontro de Utilizadores de Aplicações de Gestão do Património"


A Secretaria-Geral do Ministério da Educação vai participar na 7.ª edição do "Encontro de Utilizadores de Aplicações de Gestão do Património", organizada pela empresa Sistemas do Futuro em colaboração com o Museu de Portimão. 

O objetivo deste evento é o de reunir profissionais dos diferentes sectores do património cultural que, através da apresentação de casos práticos, partilham os seus conhecimentos e experiências.

No evento, a Secretaria-Geral do Ministério da Educação apresentará uma comunicação integrada no tema "Coleções online"  com a qual pretende partilhar a sua experiência bem como, divulgar e promover a sua colecção em linha do Património Museológico.

2010/10/27

Sistema Métrico Decimal na Educação

"Medir uma quantidade é procurar quantas vezes ella contém outra quantidade conhecida do mesmo género. Esta quantidade conhecida chama-se unidade." (Dias, 1875:5)

A coleção monográfica da Biblioteca Histórica da Educação da Secretaria-geral do Ministério da Educação integra um singular exemplar dedicado à problemática do ensino da metrologia. 

Esse exemplar intitulado Arithmetica elementar e systemas métricos de autoria de António da Silva Dias (Cota: ERS 11), proveniente do Museu Pedagógico Municipal de Lisboa, merece destaque devido à sua raridade epistemológica e sistematização de conceitos.


2010/09/17

Miguel Ventura Terra e a arquitectura liceal do início do século

 
(Imagem do arquiteto Miguel Ventura Terra)


Em 2011 decorrerá um século sobre a inauguração do edifício da Escola Secundária de Pedro Nunes. Um centenário que vale a pena assinalar.


O projeto original, da autoria de Ventura Terra, foi concebido para albergar o 'Liceu Central da 3ª zona de Lisboa', conhecido à época por 'Liceu da Lapa', uma vez que funcionava, desde 1906, num prédio alugado para o efeito na Rua do Sacramento à Lapa.


Miguel Ventura Terra (1866-1919) concluía arquitetura em 1886, na Escola de Belas Artes do Porto, mas instala-se, de seguida, em Paris, onde completa a sua formação. Regressado a Portugal, em 1896, irá conseguir imprimir, na Lisboa ainda refém de um ecletismo oitocentista, várias marcas de um outro entendimento do objeto arquitetónico, assente em princípios de funcionalidade e de racionalidade. Exemplos disso são a intervenção na Câmara dos Deputados, na sequência do incêndio Palácio de São Bento em 1895, ou projetos emblemáticos como o Teatro Politeama e a Sinagoga de Lisboa (1905).


Mas a sua contribuição para a renovação da imagem da capital tem um ponto forte nos edifícios destinados a liceus: Camões (1907) e Pedro Nunes (1909) inaugurado já pela República em 1911, a que se deve acrescentar o projeto inicial para o Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho (1913) que viria a ser inaugurado já depois da sua morte, em 1933/34.


Depois do Liceu Camões, Ventura Terra desenvolve, no projeto do Pedro Nunes, um programa arquitetónico que espelha a mesma valorização dos princípios higienistas dominantes na época, patentes na preocupação com aspetos como a iluminação, o arejamento, a circulação, e na especial importância conferida às instalações destinadas à educação física.


Na linha das conceções pedagógicas dominantes, é dada particular atenção às instalações dedicadas ao ensino das ciências e geografia, organizadas em torno dos laboratórios e respetivos anfiteatros, traduzindo a valorização de um ensino apoiado na observação e na experimentação. O programa arquitetónico obedece ainda ao propósito de manter os alunos dentro do espaço escolar, contemplando para tal espaços destinados a refeitório e salas de estudo.
O mais interessante, neste conjunto de preocupações e no desenho que as concretiza, é o contraste absoluto que terão provocado nas vivências escolares à época, se pensarmos que muitas escolas estavam instaladas em edifícios provisórios, sem quaisquer condições para as funções letivas, muito menos espaços complementares – de refeições, de estudo, de recreio, etc. – sem os quais não é possível a criação de um sentido global de escola.

 

2010/09/10

Desmontagem estética das metáforas e da colação da obra intitulada: A vida das flores


A análise constante do presente artigo baseia-se na obra, em dois volumes, intitulada A vida das flores

O objeto de estudo restringe-se à colação e às ilustrações. Integra-se esta obra na corrente literária da época – o parnasianismo: Exalta-se a natureza e, por sua vez, a mulher reaparece como mimesis das flores. 

São descritos alguns pormenores referentes ao autor, coautor, ilustrador e tradutor da referida monografia. Estes exemplares pertencem à coleção da biblioteca da antiga Escola Rodrigues Sampaio de Lisboa. Esta coleção faz parte da Biblioteca Histórica da Educação (Secretaria-Geral do Ministério da Educação).

2010/09/09

ESPÓLIO DA ESCOLA SECUNDÁRIA DAVID MOURÃO-FERREIRA


A Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo (DRELVT) doou à Secretaria-Geral do Ministério da Educação o espólio da Escola Secundária David Mourão-Ferreira.

A importância deste espólio decorre do facto desta escola, inicialmente designada Escola Secundária da Encarnação, ter tido na sua origem as Escolas Secundárias Dona Maria I e Veiga Beirão, extintas em 1997, e que haviam sido escolas comerciais.

De salientar que a então Escola Comercial Dona Maria I, cuja designação data de 1948, sucedeu à Escola Comercial Rodrigues Sampaio. Esta última foi criada pela Câmara Municipal de Lisboa como Escola Primária Superior Rodrigues Sampaio em 1883, alguns meses após a inauguração do Museu Pedagógico Municipal de Lisboa. As duas instituições funcionavam no mesmo edifício e foram organizadas e dirigidas por Francisco Adolfo Coelho (1847-1919).

A Biblioteca da Escola Rodrigues Sampaio, que inclui uma parte substancial dos livros e periódicos da biblioteca do Museu Pedagógico Municipal de Lisboa, foi doada, em 1997, à Secretaria-Geral do M.E. podendo ser pesquisada no SIBME-Sistema Integrado de Bibliotecas do Ministério da Educação e consultada na Biblioteca da Secretaria-Geral.

O espólio agora doado inclui as bibliotecas escolares, bem como documentação de arquivo e peças museológicas, de que se destacam os arquivos de correspondência iniciais da Escola Rodrigues Sampaio, em fase de tratamento.

2010/09/01

Almada Negreiros - o ilustrador

 

Resumo:

A análise seguinte baseia-se na ilustração da capa do livro Leituras para o ensino técnico. São apresentadas, grosso modo, as grandes influências de Almada – pitagóricas e helenísticas. Através destes conceitos procede-se à hermenêutica da capa do referido manual escolar. Os exemplares analisados pertencem à coleção da Biblioteca Histórica da Educação (Secretaria-Geral do Ministério da Educação).

 

 

O pintor, escritor, poeta, ensaísta, dramaturgo e romancista, oriundo da Ilha de São Tomé – José Sobral de Almada Negreiros (1893-1970) - também foi ilustrador insigne de manuais escolares. Ainda pouco divulgado, Almada foi um ilustrador de material didático, durante o Estado Novo, impregnando a este material traços modernistas, como se pode verificar pela fotografia anterior.

Almada foi um pintor-pensador, na medida em que a arte de elaborar e recriar formas trespassa os seus impulsos estéticos, em prol de uma “tabuada geométrica”. Dito de outro modo, a essência da criatividade de Almada reside no número. São vários os estudiosos que se referem à criatividade de Almada como uma geometria sagrada repleta de significados poéticos.

“[…] Almada Negreiros interessou-se também pelo tema no âmbito da sua demanda da chave do Conhecimento (tendo sido, aliás, no contexto dessa busca que aprofundou o estudo sobre a cultura da Antiga Grécia e sobre a Aritmética, baseando-se no princípio do Número perfeito – o theleon de Pitágoras […]” (Mourão, 2010:24)

Como afirma Mourão (2010:24), a inquietude de Almada impele-o na procura da sageza no berço da cultura europeia, encontrando-a nos pensadores helenos. O pré-socrático Pitágoras é, então, uma espécie de theleon ou guerra de opostos que inspira Almada na incessante busca da perfeição.

Nesta perspetiva, as influências de Almada recaem sobre as doutrinas pitagóricas. Esta corrente interessava-se, sobretudo, pelo estudo das propriedades dos números (αριθμός)1, pois estes eram sinónimo de harmonia. Os números pares e os números impares, nesta corrente filosófica, expressam correlações através de permanentes processos de mutação. A essência do pitagorismo fundamenta-se no principio de que o número é o principio fundamental das coisas, ou seja, o número é o elo de ligação entre elementos naturais e/ou metafísicos.

Esta filosofia foi profundamente assimilada por Almada Negreiros e, por sua vez, posta em prática nas suas obras de arte, nomeadamente da monografia Leitura para o ensino técnico datada de 1948.

O símbolo gráfico da Escola pitagórica é o pentagrama (̟εντάγραμμος). Esta figura nada mais é do que uma estrela composta por cinco retas e cinco pontas. Por conseguinte, o pentagrama é obtido através de linhas diagonais traçadas num pentágono regular, por sua vez, pela interseção dos segmentos desta diagonal, é obtido um novo pentágono regular, proporcional à figura original.

Se examinarmos a capa da referida monografia verificamos que esta apresenta uma profunda inspiração neopitagórica. Almada transforma o misticismo do pentagrama num conjunto de linhas retas que preenchem toda a capa. Há, por assim dizer, um jogo de losangos que formam grupos de perpendiculares pares e ímpares, contrastadas pela cor. Ou seja, as referidas perpendiculares, formam uma única figura geométrica e, simultaneamente, isolam cada figura per si. Há, por assim dizer, uma geometria poética traçada com régua e transferidor.

A obsessão pelo número em Almada torna-o pioneiro em Portugal no abstracionismo. Esta filosofia pitagórica assimilada por Almada é uma metáfora geométrica. A este respeito, recordamos a tapeçaria de 1958 intitulada O Número 2 que podemos contemplar no Tribunal de Contas. Não menos metafórica é a obra deste mesmo autor intitulada O contador 3 datado de 1947 que ainda é o e.x libris do mesmo tribunal.

O Contador representa uma balança sustentada por números. Este conjunto de símbolos ocultava uma sabedoria a ser revelada, uma espécie de misticismo e enigma repleto de categorias morais (“o que é” vs “o que pode ser mais”). O número sustenta a balança, ou seja, existem rasgos poéticos modernistas sustentados por axiomas (números) que proíbem a fraude e a ambição (ninguém passa por cima da balança).

Perante o exposto, somos levados a crer que a estética de Almada reside no sentido enigmático das “coisas ouvidas” (Aκούωµατα) 4, ou seja, na educação sucessiva dos sentidos de uma forma eclética: a sageza estende-se a todos os domínios. A akousmata era, por um lado, a forma de libertação do espírito e, por outro, a educação dos sentidos para reeducar a perceção.

Teremos que considerar que o Mestre Almada, como ilustrador, inscreve nas capas de alguns manuais escolares um Modernismo esculpido com matéria-prima que se perde in illo tempore. Na capa do manual escolar acima referenciada, verificamos que a abstração geométrica, aparentemente simplista, encerra em si um conjunto de conceitos que escapam aos olhares mais desatentos segundo entendemos, estamos ainda perante uma tela com grande influência do Ponto de Bauhüte. 5

“[O Ponto de Bauhüte] um ponto que e4stá no círculo. E que se põe no quadrado e no triângulo. Conheces o ponto? Tudo vai bem. Não conheces? Tudo está perdido.” (Reis, 2007: 34)

Mais uma vez, o segredo da estética de Almada encontra-se nas “coisas ouvidas”, o Ponto de Bauhüte era um dos segredos – sinais lapidares e siglas – que no período bizantino eram constituídos por letras de nomes reunidas em monograma e, no período gótico, esses mesmos sinais eram traçados geometricamente desprovidos desses carateres alfabéticos. Assim, Ponto de Bauhüte é, seguramente, o segredo geométrico dos mestres construtores do gótico, só acessíveis a eles mesmos.

Almada era conhecedor destes enigmas, testemunho deste facto é o painel Começa (1968/1969) 6, gravado em pedra no átrio de entrada do edifício da Fundação Calouste Gulbenkian e que foi uma das últimas obras do autor. O painel consiste na sobreposição de alguns traçados geométricos resultando numa construção geométrica intrincada, onde linhas retas e linhas curvas se cruzam através de traçados que entrelaçam o pentágono e o hexágono inscritos no círculo.

“O painel Começar é uma impressionante obra de arte abstrata, que o tempo e a localização tornaram um clássico. Além de revelar o interesse do autor pelas questões da geometria secreta dos artistas antigos, é paradigmático de um espírito sedento de verdade e beleza, qualidades intemporais.” (Reis, 2007:35)

Na verdade, o painel em questão é um enigma secreto de técnicas e símbolo da arte abstrata portuguesa (Reis, 2007:35). Os críticos são unânimes em considerarem o painel Começar de 1968/69 como o protótipo da técnica do Ponto de Bauhüte. Não obstante, a capa do manual escolar Leituras para o ensino técnico, apesar do depósito legal ser de 1956 e a assinatura de Almada na capa de 1948, apresenta influências neopitagóricas e, segundo pensamos, apresenta também notórios rasgos técnicos do Ponto de Bauhüte.




Se nos detivermos na figura seguinte (Figura 1), verificamos que este esboço de Almada é bem exemplificativo dos seus conhecimentos do Ponto de Bauhüte. Ou seja, verificamos que existe um ponto interior ao círculo que determina o quadro e o triângulo equilátero inscrito – estes são os traços de Almada.




A capa de Leituras para o ensino técnico, a seu modo, respeita os traços originais de tal técnica. Entre as letras E/A e T/U, encontra-se o ponto central da capa (um ponto que está no círculo). A partir deste ponto é desenhado um grande losango que engloba as letras E/T/U/A, por sua vez, dentro deste último brotam quatro losangos similares representados pelas letras E, T, U, A. Como verificamos, a capa estudada segue, de certo modo o esquema de Almada do do Ponto de Bauhüte.

A partir do ponto inicial, nascem conjuntos de figuras geométricas que se prolongam ad infinitum – esta ideia transparece quando olhamos a capa como um todo, na medida em que os traços incompletos (traços pretos) recomeçam novas figuras. A incompletude geométrica idealizada por Almada não é sinónimo de imperfeição, antes, amplia a perspetiva de horizonte, dando-lhe um “prolongamento” matemático onde as figuras geométricas se cruzam na imaginação.

Em Almada, o número tem um sentido transcendental – figura do mundo das ideias e não um mero objeto de cálculo. Desta forma, o número é um jogo estético para a recriação do mundo de uma forma abstrata e representativa de harmonia – o número é ser em todas as categorias, no verdadeiro sentido aristotélico.




Não podemos olvidar-nos de que Almada, para além de ilustrador era também ensaísta com conhecimentos de filosofia antiga. Esta procurava a beleza e, simultaneamente, as essências do conhecimento (ideias). O aglomerado de letras, aparentemente dispersas nos losangos (sendo o título da capa diferente do título de rosto) são um puzzle que responde às exigências “espirituais” dos epicuristas. Para além de um jogo de letras é possível denotar, com alguma facilidade, a máxima: A LEI É TUA – imperativo tão caro à filosofia helenística (as verdadeiras leis estão inscritas no coração).

Se na década da Geração de Orpheu 7, Almada era considerado como um caricaturista-humorista, foi na sua estadia em Madrid, entre 1927-32, que começou a amadurecer os seus traços e a incorporar alguns traços cubistas nos seus trabalhos. A influência de Picasso em Almada levou a uma osmose entre o cubismo e o neoclassicismo.

Nos finais dos anos 40, Almada vai mais longe nos seus impulsos estéticos, rompe com qualquer tipo de academismo e adota uma lógica de descendência cubista sempre fiel à linearidade e à precisão Matemática. Não obstante, Almada não é um cubista por excelência, ainda que seja notória a influência de Picasso na obra de Almada, este emancipa-se e enreda-se na teia do Futurismo.


P. M. 

 

Bibliografia:

 

COELHO, João Furtado (1994). Os princípios de Começar. Revista Colóquio/Artes, n.º 100, p. 8-23.

FREITAS, Lima de (1977). Almada e o Número. Lisboa: Editora Arcádia.

GONÇALVES, Rui Mário (2005). Almada Negreiros. Lisboa: Editorial Caminho.

MOURÃO, Cátia (ca 2010). Erros e Psique: um vitral gnóstico de Almada Negreiros [on-line]. Assembleia da República, Divisão de Edições.

http://www.arteseleiloes.com/uploads/docs/Eros_e_Psique_Catia_Mourao.pdf

[Consulta: agosto de 2010]

REIS, Luís (2007). Começar por Almada Negreiros ou Ode à Geometria [on-line]. Educação e Matemática, n.º 92 (Mar. Abr., 2007)

http://www.apm.pt/matearte/revista/CPANOG-LR-EM-MarAbr-p32-35.pdf

[Consulta: agosto de 2010]

SOUSA, Vasco Frederico Pires (ca 2000). Almada Neopitagórico [on-line]. Esta página foi elaborada no âmbito da cadeira do 4.º ano da licenciatura em Ensino da Matemática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Seminário Temático.

http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/seminario/almada/neopitagor.htm

[Consulta: agosto de 2010]



_____________________________________

1 Etimologicamente, αριθμός (arithmós) é a palavra grega para número, adições, subtrações multiplicações, etc.

2 Almada Negreiros. O Número. Tribunal de Contas de Lisboa, 1958. (1024 x 644 cm).

3 Almada Negreiros. O Contador: Ex-libris do Tribunal de Contas, 1947. (300 x 399 cm).

4 Em grego antigo κούωµατα (Akousmata) significa etimologicamente “coisas ouvidas. A filosofia pitagórica entendia a Akousmata uma forma de educação dos sentidos por meio da audição.

5 Entre os séculos VIII e XI, as grandes abadias beneditinas agruparam à sua volta escolas de arquitetos dirigidas por monges dessa mesma ordem. Esses agrupamentos (artesãos, pedreiros, eclesiásticos) conservavam os documentos textuais da estética arquitetónica da Grécia Antiga e de Alexandria, que chegaram até nós e inspiraram profundamente a filosofia pitagórica do número. Com esta informação secreta, as cruzadas, mantendo intima ligação com a Igreja, organizaram sociedades semissecretas laicas e criaram a Bauhütte esta associação era, de certo modo, um prolongamento dos antigos colégios de construtores anteriores à queda do Império Romano do Ocidente.

6 Almada Negreiros. Começar. 1968/69, (261 x 278) Fundação Calouste Gulbenkian.

7 Na revista trimestral de literatura Orpheu (apenas 2 números publicados nos primeiros dois trimestres de 1915) revelam-se várias tendências que vão desde o Simbolismo, Decadentismo até ao Futurismo. Entre alguns vultos da cultura portuguesa destacamos os seguintes: Álvaro de Campos/ Fernando Pessoa publica a Ode Triunfal (1915) e a Ode Marítima; Sá Carneiro, A Manicure (1915); Almada Negreiros, O Manifesto Anti-Dantas (1916) e Ultimatum Futurista às Gerações Portuguezas do século XX. O grupo, entretanto, continuou a publicar noutras revistas e, em 1917, surgiu a revista Portugal Futurista, onde foram reproduzidos quadros de Santa Rita Pintor e Sousa Cardoso, juntamente com poemas futuristas de Sá Carneiro (póstumos) e Pessoa, sobretudo sob o seu heterónimo de Álvaro de Campos.

2010/07/27

Projecto "Bibliotecas, Arquivos e Museus da Educação (BAME)"

O projeto "Bibliotecas, Arquivos e Museus da Educação (BAME)" da Secretaria-Geral do Ministério da Educação foi aceite na Rede Comum de Conhecimento (RCC).

Este projeto foi selecionado para destaque na Home Page da (RCC).

A Rede Comum de Conhecimento é uma plataforma colaborativa de apoio à partilha de iniciativas de modernização, inovação e simplificação administrativas da Administração Pública.

 

2010/07/14

Peça do Mês de Julho

Património Museológico da Educação

Peça do Mês

Encontra-se disponível para visualização a Peça do Mês de Julho, composta por um conjunto de catorze bonecos realizados por alunas, no contexto das práticas pedagógicas nas aulas de Lavores do Curso de Formação Feminina. Estas figuras, uma feminina e outra masculina, encontram-se vestidas com os trajes tradicionais de várias zonas do País.

Este conjunto de peças faz parte do espólio museológico da Escola Secundária Rainha Santa Isabel.

2010/06/23

Nova Exposição Virtual

Património Cultural da Educação
Projecto BAME

Exposições Virtuais

Encontra-se disponível para visualização no Inventário online do Património Museológico da Educação, a exposição "Lisboa, quem a Conhece" – Profissões Antigas de Lisboa, constituída por um conjunto de peças, em azulejo e em cerâmica de terracota, realizadas por alunos do 6.º ano da Escola Básica 2.3 Pedro de Santarém.

Peça do Mês de Junho

Património Museológico da Educação
Peça do Mês
Encontra-se disponível para visualização a Peça do Mês de Junho sobre um conjunto de imagens parietais destinadas a serem utilizadas nas aulas de línguas, neste caso da língua Inglesa, permitindo introduzir e acrescentar novos vocabulários.
Este conjunto de peças faz parte do espólio museológico da Escola Secundária José Saramago em Mafra.

2010/06/02

Peça do mês de Maio

Inventário Museológico da Educação
Peça do mês
Encontra-se disponível para visualização a Peça do Mês de Maio sobre quadros didácticos de insectos.

2010/05/18

Peça do Mês

Inventário Museológico da Educação

Encontra-se para visualização a Peça do Mês de Abril. 

18 de Maio dia Internacional dos Museus - Exposição Virtual

O Ministério da Educação associa-se às comemorações do Dia Internacional dos Museus, dia 18 de Maio, apresentando a Exposição virtual sobre o espólio museológico de Instrumentos Científicos produzidos pela empresa alemã E. Leybold's Nachfolger.

18 de Maio -Dia Internacional dos Museus

Museus e escolas – harmonia social

O Projeto B.A.M.E. (Bibliotecas, Arquivos e Museus da Educação) na sua vertente museológica, tem como objetivo promover o estudo, a conservação e a divulgação do património artístico, histórico, científico e tecnológico no domínio da Educação. Isto seguindo as linhas orientadoras de um museu: a preservação física das peças; a conservação de testemunhos e a divulgação do espólio didático ou de carácter histórico das escolas secundárias de Portugal.

Para os profissionais dos museus, o Dia Internacional dos Museus é uma ocasião única para estar em contacto com o seu público. As instituições museológicas, assim como as define o ICOM (International  Council of Museums), estão ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento e, como tal, têm um papel fundamental a desempenhar na sociedade.

O objetivo do Dia Internacional dos Museus (comemorado a 18 de Maio) é reunir os espaços museológicos em torno do lema «os museus são um meio importante de intercâmbio cultural, do enriquecimento das culturas, do conhecimento mútuo, da cooperação e da paz entre os povos».

«Museus para a harmonia social» foi o tema proposto este ano pelo ICOM. Uma vez que o Projecto B.A.M.E. está ligado às escolas - pólo dinamizador no seio da sociedade-, faz sentido reflectir sobre o papel da harmonia social em contexto escolar, através dos seus acervos. A harmonia deve ser entendida no sentido em que nos remete para o diálogo, a tolerância, a coabitação e o desenvolvimento baseado no pluralismo, na diferença, na competência e na criatividade. O trabalho desenvolvido pelo Projecto B.A.M.E., na vertente museológica, centra-se no inventário e na valorização das colecções. Isto porque se procura conhecer e investigar o vasto património escolar, para que uma colecção representativa da história da educação em Portugal possa ser partilhada com a comunidade. A única forma de enaltecer e abrir o espólio escolar à sociedade e aos seus contributos é conhecer a fundo as coleções que as escolas têm à sua guarda.

Para além da valorização do espólio museológico junto das escolas, o projeto B.A.M.E. utiliza como plataforma de divulgação o Museu Virtual.  Este pode ser entendido como uma unidade pré-museológica permanente, gratuita e aberta ao público, tutelada pelo Ministério da Educação, que tem por missão a valorização dos testemunhos, quer do material de apoio didático, quer do espólio representativo da história das instituições escolares públicas.

O Museu Virtual, através dos milhares de peças inventariadas, assume o carácter transdisciplinar presente nas coleções inventariadas e proporciona aos visitantes uma memória viva da história do ensino em Portugal. Pela diversidade do património de interesse histórico, artístico, documental, etnográfico e antropológico relacionado com o ensino em Portugal, o conhecimento deste vasto acervo torna-se fundamental para uma caracterização fundamentada de uma realidade social. A harmonia social que as escolas e as suas coleções refletem procura compreender a realidade comum, mas mantendo a singularidade de cada estabelecimento.  Este é também o papel cultural e social dos museus, promotores ativos da harmonia social e do intercâmbio de conhecimentos, virtudes partilhadas com as escolas.

2010/05/10

A colecção de instrumentos científicos e a sua relação com o catálogo de "Equipamentos de Física" da empresa produtora "E. Leybold's Nachfolger

BAME nas escolas

Inventário do Património Museológico da Educação

Encontra-se disponível para leitura o artigo sobre a Colecção de instrumentos científicos e a sua relação com o catálogo de "Equipamentos de Física" da empresa produtora "E. Leybold's Nachfolger".

Brevemente irá estar disponível, no Inventário online do Património Museológico da Educação, uma exposição sobre Instrumentos Científicos das Escolas Secundárias.

"25 Escolas renovadas"


BAME nas Escolas
Exposição

"25 Escolas renovadas"



A exposição "25 Escolas renovadas" organizada pela Parque Escolar, EPE, pode ser visitada no novo pavilhão desportivo da Escola Básica e Secundária de Passos Manuel, na Travessa do Convento de Jesus, Lisboa, aos sábados e domingos, das 10 às 17 horas, até ao dia 30 de Maio.