
(Planta da Escola Industrial e Comercial de Santarém)
A Escola Secundária Dr. Ginestal Machado1 é uma escola portuguesa, do ensino secundário, sediada em Santarém. Atualmente é parte integrante, e sede, do Agrupamento de Escolas
Dr. Ginestal Machado, cujo agrupamento pressupõe a direção de quatro escolas
– desde o ensino primário,
ao ensino secundário.
Criada
pelo Decreto n.º 40725, de 8 de agosto de 1956, com a denominação de Escola Industrial e Comercial
de Santarém, a escola nasce no quadro
do desenvolvimento da rede do ensino técnico
e profissional em Portugal (no final dos anos 50, do século
XX), promovida pelo Ministro da Educação Nacional, Prof. Leite Pinto, procurando dar resposta
às necessidades de formação profissional do país.
“Fundada em 1956, a Escola
Industrial e Comercial
de Santarém funcionou até 1979, ano em que, com o aparecimento do Ensino Unificado, foi posto fim às escolas
do Ensino Técnico. Ao fim de 23 anos, terminava
assim uma modalidade de ensino que, em Santarém e em todo o país, havia provocado mudanças significativas no panorama da educação escolar de jovens que, com uma formação teórico-prática de apreciável qualidade e actualidade, estavam preparados
para o mercado de trabalho” (Notícias
do
Ribatejo, 2016).
Já em 1935 a Associação Comercial de Santarém
tinha procurado, junto do Ministro da Instrução Pública, embora sem sucesso, alcançar a criação de uma escola profissional
na cidade. Devido ao desenvolvimento demográfico verificado nos últimos anos em
Santarém, tornou-se urgente a construção de um novo edifício escolar que substituísse
as precárias instalações da Escola Industrial e Comercial.
Para isso, feita uma prospeção de terrenos,
escolheu-se o Planalto do Fau para a implementação da nova escola, quer pela localização
cêntrica, quer pelo arejamento de toda a zona.
Dedicou-se a Câmara Municipal de Santarém a urbanizar,
com larga visão, todo o local, envolvendo a escola com espaços verdes. Em 1967,
a Junta das Construções para o ensino Técnico e Secundário, iniciou a adaptação
do 1.º Estudo Normalizado aos condicionamentos específicos do local e do programa
apresentado.
Decidida a adjudicação, deu-se início aos trabalhos de
construção dos corpos de maior envergadura, tais como o núcleo de Aulas, o Ginásio e as Oficinas. Decorridos dois anos de esforço conjunto
da sociedade empreiteira e dos Serviços da Junta das Construções para o Ensino Técnico e Secundário, a Escola passou a receber 1200 rapazes
e raparigas, valorização só possível pela existência deste núcleo imobiliário.
(Zona interior da Escola Industrial e Comercial de Santarém)
Analisando a escola, em si mesmo, nota-se que esta procura
envolver os jovens num misto conforto intelectual e físico. Para isso, além de campos de jogos, de amplos espaços destinados à convivência entre alunos,
tais como – refeitórios, espaços para atividades
circum-escolares, recreios cobertos,
salas de estar para mais intimidade de convivência – encontram-se espalhadas funcionalmente pelos Corpos de Salas de Aula, Ginásio
e Oficinas, as diversas
zonas destinadas aos vários tipos
de ensino e de cursos,
tais como:
- §
Formação de serralheiros;
- § Formação feminina;
- §
Formação geral de comércio;
- § Formação de montador eletricista;
- § Formação de carpinteiro-mercenário;
- § Aperfeiçoamento de serralheiro;
- § Aperfeiçoamento de comércio.
(Sala de aula da Escola Industrial e Comercial de Santarém)
As dependências destinadas a cada um dos tipos de formação determinam
um conjunto de espaços
amplos que subdividem o todo escolar
nos diversos departamentos e cursos. A escola
possui as seguintes dependências:
- §
16 Salas de aulas normal;
- § 3 Salas de ciências geográfico-naturais;
- § 7 Salas de desenho;
- § 1 Anfiteatro de tecnologia;
- § 2 Anfiteatros pra aulas de física e de química;
- § 1 Anfiteatro de geografia;
- § 1 Sala de contabilidade;
- § 1 Escritório comercial;
- § 1 Sala de dactilografia,
- §
1 Sala de caligrafia;
- § 1 Laboratório de física;
- § 1 Laboratório de química;
- § 1 Sala-oficina para formação feminina;
- § 2 Salas para trabalhos
manuais;
- §
1 Sala para canto coral;
- § 1 Oficina de eletricidade;
- § 2 Oficinas de serralharia;
- § 1 Oficina de carpintaria-marcenaria;
- § 2 Ginásios e seus anexos (vestiários e balneários).
A Escola Industrial e Comercial foi o 70.º edifício
destinado ao ensino técnico profissional construído pelo Ministério das Obras Públicas e o 111.º
edifício escolar entregue
ao Ministério da Educação Nacional.
(Pátio interior da Escola Industrial e Comercial de Santarém)
A
Escola Industrial e Comercial foi inaugurada em 28 de setembro
de 1969, com
a presença do Presidente
da República Contra-Almirante Américo
Deus Rodrigues Thomaz e os Ministro das Obras Públicas Engenheiro Rui Alves da Silva Sanches
e o Ministro da Educação Nacional
Doutor José Hermano Saraiva.
(Folheto ilustrativo da inauguração da Escola Industrial e Comercial de Santarém)
As obras de construção civil foram iniciadas em 23 de maio de 1967, tendo ficado concluídas em 23 de junho de 1969. O custo total da obra foi de 21800 contos,
cabendo aos edifícios 17.00 contos
e 4.800 contos ao seu equipamento.
A área do terreno é de 16.000 m2, sendo a superfície coberta de 5080 m2 e de pavimento 12.450 m2. A empreitada de construção dos edifícios
foi entregue à EDIFER-Construção Pires Coelho
e Fernandes, S.A.R.L.
Atualmente, a escola industrial passou a Agrupamento de Escolas Dr. Ginestal Machado
e situa-se na cidade de Santarém. Criado
em 2010, resulta da agregação do Agrupamento de Escolas de Mem Ramires
com a Escola Secundária que dá o nome à nova unidade orgânica. É constituído pelos jardins de infância
da Feira (em instalações provisórias desde 1997) e Sacapeito;
Escola Básica
do Pereiro (1.º ciclo e
educação pré-escolar); Escola Básica dos
Leões (1.ºciclo); Escola Básica Mem Ramires (2.º e 3.º ciclos)
e Escola Secundária Dr. Ginestal
Machado (sede)
que oferece o 3.º ciclo e o ensino secundário.
O agrupamento conta
também com uma unidade
de ensino estruturado (UEE) e duas unidades de apoio especializado à educação de alunos com multideficiência
(UAM). Refira-se que a Escola Secundária não foi alvo de avaliação no 1.º ciclo de avaliação
externa e que o Agrupamento de Escolas de Mem Ramires foi avaliado, na fase piloto, no ano letivo de 2005-2006.
Segundo a Inspeção-Geral da Educação
e Ciência (2014) o agrupamento conta com 187 docentes,
dos quais 88,8% pertencem
aos quadros e apenas 12,8% lecionam há menos de 10 anos. A estes,
acresce 76 trabalhadores não docentes, dos quais 59,2% têm 10, ou mais, anos de serviço.
P. M.
BIBLIOGRAFIA:
CARVALHO, Rómulo de (1996). História
do Ensino em Portugal. Desde a Fundação da Nacionalidade até ao fim do Regime de Salazar-Caetano. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2.ª edição.
DIAS, Luís Pereira (1998). As outras Escolas. O Ensino
Particular das Primeiras Letras entre 1859 e 1881. Lisboa:
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação.
ESCOLA SECUNDÁRIA JERÓNIMO EMILIANO
DE EMILIANO (2018). Um pouco de
história… [em linha]. Angra do Heroísmo: Governo dos Açores. [Consult. 16 de abr 2019]. Disponível: http://esjea.edu.azores.gov.pt/um-pouco-de-historia
INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO
E
CIÊNCIA
(2014).
Avaliação externa
das escolas,
Relatório, Agrupamento de Escolas
Dr. Ginestal Machado
[em linha]. [Consult. 16 de abr. 2019]. Disponível: https://www.igec.mec.pt/upload/AEE_2014_Sul/AEE_2014_AE- DrGinestalMachado_R.pdf
NOTÍCIAS DO RIBATEJO (2016). Encontro
anual dos antigos
alunos, em 27 fev. 2016, comemoração dos 60 anos da fundação da escola [Escola Industrial e Comercial
de Santarém, 1956-2016]. [em linha].
Santarém: Notícias do
Ribatejo. [Consult. 16 de abr. de 2019]. Disponível: https://noticiasdoribatejo.blogs.sapo.pt/encontro-anual-dos-antigos-alunos- em-27-3784513
NÓVOA, António, 2003 (dir.) – Dicionário de Educadores Portugueses. Porto: Asa.
SILVA, Carlos Manique da (2002).
Escolas belas ou espaços
sãos? Uma análise histórica sobre a arquitectura escolar portuguesa (1860-1920). Lisboa:
IIE.
TENGARRINHA, José
Manuel (dir.) (2002). História do Governo
Civil de Lisboa. Lisboa: Governo Civil.
_______________________________________
1António Ginestal Machado (Almeida,3 de maio de 1874
— Santarém, 28 de junho de 1940) foi um advogado,
professor liceal e político
português. Entre outras funções, foi deputado,
ministro da Instrução Pública e
Presidente do Ministério (primeiro-ministro) durante a Primeira República Portuguesa. Republicano moderado, iniciou
a sua actividade política como companheiro de Álvaro
de Castro, sendo em 1909 eleito presidente da Junta Distrital de Santarém. Após a implantação da República Portuguesa passou a liderar
o movimento republicano no distrito de Santarém, presidindo à comissão
republicana que assumiu
o poder a 6 de outubro de 1910 naquela
cidade.