(Logotipo do Agrupamento de Escolas Frei Heitor Pinto. Retirado do site do Agrupamento)
O Liceu Municipal da Covilhã foi
criado por publicação do Decreto-Lei n.º 23.685, de 21 de março de 1934, que
contém apenas dois artigos do seguinte teor: “artigo 1.º - é criado na cidade
da Covilhã um Liceu Municipal, de frequência mista, que deverá funcionar a
partir do ano letivo de 1934/1935 e será regido pelas disposições do Estatuto
do Ensino Secundário, aprovado pelo Decreto com força de lei n.º 20.741, de 18
de dezembro de 1931, e dos decretos com força de lei nºs. 21660 e 21706 e
respetivamente de 3 de junho e de 17 de setembro 1932 artigo 2.º - é revogado o
Decreto n.º 20.930, de 20 de fevereiro de 1932”.
A Comissão Administrativa da Câmara
Municipal da Covilhã apresentou ao Governo a proposta para construção de um
edifício expressamente destinado a liceu, independente da Escola Industrial
Campos Mello, para poder começar a funcionar em outubro de 1934.
“A Covilhã, já grande por sua indústria, acaba de se
mostrar grande em espírito; já não é lícito aos governos deste país negarem-lhe
o que ela [Covilhã] mais precisa e a que tem direitos incontestáveis: o seu caminho-de-ferro
e um Liceu de Instrução Secundária Especial” Goulão (2003).
Segundo Borges (2009), estava dado o
primeiro passo para a satisfação dos covilhanenses a nível escolar. Havia
porém, muitas contrariedades quanto à escolha do patrono do liceu, uma vez que
o carisma intelectual e de patriotismo de Frei Heitor Pinto se coadunava
perfeitamente com o título desejado. A Comissão Municipal, presidida pelo Dr.
Almeida Garrett, atendendo ao decreto n.º 21.706, tem a faculdade de prestar
homenagem a uma personalidade local que se tenha distinguido pelos seus
serviços à Pátria e ao Município”. A 7 de agosto de 1934, no Decreto-Lei n.º 24.312,
é atribuída a designação de liceu Heitor Pinto àquela escola; sendo que no
primeiro ano matricularam-se 182 alunos, de ambos os sexos, sob a lecionação de
seis professores, incluindo o Reitor. O edifício do Liceu Heitor Pinto
funcionou na Rua dos Combatentes da Grande Guerra até ao ano de 1968, passando
depois a funcionar na Avenida Salazar (hoje 25 de Abril), em novos edifícios
com diversos pavilhões construídos de raiz.
No dia 21 de março de 1970 o Liceu Nacional da Covilhã foi
inaugurado por Sua Exª. O Presidente da República Almirante Américo Deus
Rodrigues Thomaz:
(Folheto relativo à inauguração do Liceu Nacional da Covilhã)
O Liceu Nacional da Covilhã, para uma capacidade de 1000
alunos, é a 41.ª unidade deste tipo construída pelo Ministério das Obras
Públicas no prosseguimento da política de proporcionar instalações próprias a
todos os estabelecimentos de ensino.
O terreno escolhido para este empreendimento, vincadamente acidentado –
aliás, característica conhecida da cidade da Covilhã – ocupa uma área de 33.000
m2 e situa-se numa zona de futura expansão urbana.
(Planta do Liceu Nacional da Covilhã)
A expressão topográfica que se esboçou muito fugazmente, impôs a elaboração de um projecto especial, com desenvolvimento ao longo das curvas de nível, procurando-se, ao mesmo tempo, integrá-lo nos novos moldes de orientação pedagógica.
Assim, os espaços destinados propriamente ao ensino
agruparam-se em cinco núcleos devidamente articulados, dos quais quatro têm
três pavimentos e os restantes quatro, com a seguinte distribuição:
- 25 Salas de aulas normais;
- 2 Salas de desenho;
- 1 Sala de trabalhos
manuais;
- 1 Sala de lavores;
- 1 Anfiteatro de física;
- 1 Anfiteatro de
ciências naturais;
- 1 Laboratório de física;
- 1 Laboratório de
química;
- 1 Laboratório de ciências
naturais;
- 1 Museu;
- 1 Ginásio com funções polivalentes
para alunos;
- 1 Ginásio para alunas.
Além
dos espaços referidos, consideram-se ainda outros para atividades afins do
ensino, incluindo os problemas da vida social dos alunos, de puro convívio, em
exibições teatrais, musicais, orfeónicas, cinematográficas, jogos, etc. Existem
ainda espaços com atribuições complementares da atividade escolar do liceu,
tais como a cantina com cozinha, refeitório e respectivos anexos, sala de estar
das alunas, etc.
(Folheto com imagens dos vários espaços do Liceu Nacional da Covilhã)
A
legenda que acompanha as plantas dos diferentes pisos do edifício esclarece e
completa as finalidades e objectivos:
(Planta dos diversos pisos do Liceu Nacional da Covilhã)
O custo global do empreendimento foi de 19.051.208$00. O
Ministério da Educação Nacional fica assim a dispor de mais uma unidade liceal projectada de acordo com
os atuais conceitos pedagógicos, unidade esta que irá proporcionar, sem sombra
de dúvida, um melhor e mais completo campo para o ensino.
Atualmente,
a escola deu nome ao agrupamento do qual faz parte: Agrupamento de Escolas
Frei Heitor Pinto, a forma jurídica do agrupamento está
registada na conservatória do registo comercial é EE. A principal atividade que
a empresa desenvolve está relacionada com Ensinos básico (3.º Ciclo) e
secundário geral.
O Agrupamento de Escolas Frei Heitor Pinto foi criado em
2013, em resultado da agregação da Escola Secundária Frei Heitor Pinto e dos
agrupamentos de escolas de Tortosendo e de Entre Ribeiras - Paúl. É
constituído por seis jardins de infância, 10 escolas básicas e pela Escola
Secundária Frei Heitor Pinto (escola-sede). Os estabelecimentos de educação e
ensino estão implantados numa vasta área rural, suburbana e urbana a oeste e
sul da cidade de Covilhã, dispersos por 10 freguesias do concelho, numa área de
influência que abrange mais de 50% deste território:
CONSTITUIÇÃO DO AGRUPAMENTO
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JARDINS
DE INFÂNCIA E ESCOLAS
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EPE
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1.º CEB
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2.º CEB
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3.º CEB
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SEC
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Escola
Secundária Frei Heitor Pinto, Covilhã
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Escola Básica de Tortosendo, Covilhã
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Escola Básica n.º 2 de Paúl, Covilhã
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Escola Básica de Barroca Grande, Covilhã
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Escola Básica de Cortes, Covilhã
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Escola Básica de Dominguizo, Covilhã
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Escola Básica de Largo da Feira, Tortosendo, Covilhã
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Escola Básica de Montes Hermínios, Tortosendo, Covilhã
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Escola Básica de Peso, Covilhã
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Escola Básica de Unhais da Serra, Covilhã
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Escola Básica n.º 1 de Paúl, Covilhã
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Jardim de Infância de Coutada, Covilhã
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Jardim de Infância de Peso, Covilhã
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Jardim de Infância de São Jorge da Beira, Covilhã
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Jardim de Infância de Vales do Rio, Covilhã
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Jardim de Infância Os Loureiros, Tortosendo, Covilhã
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Jardim de Infância Ovo Mágico, Tortosendo, Covilhã
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Fonte: Inspecção-Geral da Educação e Ciência (2016)
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P.M.
BIBLIOGRAFIA:
AGRUPAMENTO DE ESCOLAS FREI HEITOR PINTO
(2019). História da escola sede [em
linha]. Consulta: 12 de abr. 2019. Disponível: http://www.aefhp.pt/
ARROIO, António José (1914). Relatório
sobre a situação da Escola Industrial Campos Melo, Ministério da Instrução
Pública. Lisboa: Imprensa nacional.
BORGES, António
Garcia (2009). História da Freguesia de São Pedro da Covilhã.
Covilhã: Edição da Junta de Freguesia de São Pedro, 2009.
INSPECÇÃO-GERAL DA
EDUCAÇÃO E CIÊNCIA (2016). Avaliação externa das escolas: relatório,
Agrupamento de Escolas Frei Heitor Pinto, Covilhã [em linha]. Consulta: 12
de abr. 2019. Disponível: http://www.ige.min-edu.pt/upload/AEE_2016_Centro/AEE_2016_AE_Frei_Heitor_Pinto_Covilha_R.pdf
NÓVOA, António (2003). Liceu Heitor Pinto, Covilhã. In: Liceus
de Portugal. Lisboa: Asa.
SILVA, José Aires da (1970). História da
Covilhã: 1870-1970, centenário da cidade. Lisboa: [s.n.].