2024/11/21

Instalações para o ensino (1968 a 1972) - Ministério das Obras Públicas - Liceus: Liceu Nacional de Garcia de Orta, Porto

 

- Liceu Nacional de Garcia de Orta -

O Ministério das Obras Públicas concluiu 42 edifícios, no período decorrente de 1968 a 1972, destinados a estabelecimentos dos cursos preparatório, secundário e médio. A título de divulgação, neste post, daremos a conhecer - o Liceu Nacional de Garcia de Orta, Porto.


(Na imagem pode observar-se a fachada da escola)

 

 

(No topo, a imagem de uma sala de exposições. Em baixo, a ficha técnica com a identificação da escola, a dimensão da área coberta, a dimensão da superfície de pavimentos, o custo total das instalações, a data de conclusão da obra, a população escolar e a discriminação das dependências)

 

 

Ministério das Obras Públicas (1973). Novas Instalações para o ensino construídas entre

1968 e 1972. Lisboa: Direcção-Geral das Construções Escolares.

 

 

P. M. 


2024/11/18

As Bibliotecas e a História - A Biblioteca de Pérgamo - A grande rival de Alexandria (Parte II)

 

A Biblioteca de Pérgamo.
Fonte: https://www.worldhistory.org/

 

«Antes da invenção da imprensa, cada livro era único. Para que existisse um novo exemplar, alguém devia reproduzi-lo letra a letra, palavra por palavra, num exercício paciente e esgotante. Havia poucas cópias da maioria das obras e a possibilidade de que um determinado texto se extinguisse totalmente era uma ameaça muito real. Na Antiguidade, em qualquer momento, o último exemplar de um livro podia estar a desaparecer numa prateleira, devorado pelas térmitas ou destruído pela humidade. E, enquanto a água ou as mandíbulas do inseto atuavam, uma voz era silenciada para sempre».

                                                                    (Irene Vallejo, p. 74, 2020)

 

Segundo narra Plínio, o Velho, em inícios do século II a.C., Alexandria não queria ser superada por outra biblioteca, uma vez que as bibliotecas eram, não só, reflexo de cultura, mas, também, de poder. Assim, terá proibido a venda de papiro para a biblioteca de Pérgamo, para que esta não mais pudesse copiar ou produzir nenhum novo livro. O rei Eumenes II, como resposta, terá ordenado que fosse encontrado um novo material que pudesse ser utilizado na confeção dos manuscritos, o que levou a uma exponencial produção de pergaminho, feito a partir da pele de ovelha ou de cabra. O próprio vocábulo “pergaminho” parece derivar do topónimo “Pérgamo”. Este material revelou-se mais resistente, durável, podia ser utilizado de ambos os lados e ser rasurável. A descoberta foi tão importante que a própria Alexandria passou a adotar o pergaminho, em lugar do frágil papiro. Contudo, há que notar que o pergaminho já vinha sendo usado noutros lugares, como a Anatólia, antes de Pérgamo. Certo é que o uso do pergaminho, em lugar do papiro, veio também facilitar a disseminação do conhecimento por toda a Europa e Ásia, para além de ampliar a importância da biblioteca de Pérgamo no Mundo Antigo.

Segundo a investigadora e escritora Irene Vallejo:

«A medida (o contra-ataque de Ptolomeu a Eumenes), poderia ter sido demolidora, mas – para frustração do vingativo rei – o embargo impulsionou um grande avanço que, para além do mais, imortalizaria o nome do inimigo. Em Pérgamo reagiram aperfeiçoando a antiga técnica oriental de escrever sobre couro, uma prática cujo uso tinha sido secundário e local até então. Em memória da cidade que o universalizou, o produto melhorado chamou-se “pergaminho”. Cerca de quatro séculos mais tarde, essa descoberta mudaria a fisionomia e o futuro dos livros».

 (Irene Vallejo, p. 77, 2020)


Ruínas de Pérgamo, na atualidade.
Fonte: https://www.archetravel.com 

A cidade de Pérgamo haveria de cair nas mãos dos romanos no ano de 133 a.C., sendo a biblioteca negligenciada. Mais tarde, no ano de 1300, a cidade de Pérgamo é conquistada pelo Império Otomano. A biblioteca manteve a sua existência até à era cristã, embora não tenha sido muito mencionada por historiadores, dando a entender que a sua coleção não era mais significativa. Muito mais tarde, nas décadas de 1860 e 1870, do século XIX, surge a curiosidade e o interesse em descobrir e reconstituir a história da grandeza de Pérgamo e da sua magnífica e lendária biblioteca, por parte dos governos alemão e otomano. Em 2014, o local onde se encontram ainda muitas das ruínas, foi declarado património mundial, pela UNESCO.


 JMG

 

REFERÊNCIAS E SUGESTÕES DE LEITURA:

(BIBLIOGRAFIA, WEBGRAFIA e ILUSTRAÇÕES)

 

BARBIER, Frédéric (2018). De Alexandria às bibliotecas virtuais. São Paulo: EDUSP.

BATTLES, Matthew (2003). A conturbada história das bibliotecas. São Paulo: Planeta do Brasil.

CASSON, Lionel (2001). Libraries in the ancient world. New Haven and London: Yale University Press.

CURIOSIDADES EDAD ANTIGUA (2022). GUADALUPO, Irene. La biblioteca de Pérgamo. [em linha]. [Consult. 16.09.2024]. Disponível: https://labibliotecadepergamo.com/historia/edad-antigua/la-biblioteca-de-pergamo/

OIKONOMOPOULOU, Katerina; WOOLF, Greg (2013). Ancient libraries. St. Andrews: Cambridge University Press.

VALLEJO, Irene (2020). O infinito num junco. Lisboa: Bertrand Editora.

WIKIPEDIA (2024). Pergamon altar. [em linha]. [Consult. 17.09.2024]. Disponível: https://en.wikipedia.org/wiki/Pergamon_Altar

WORLD HISTORY ENCYCLOPEDIA (2022). MARK, Joshua J.. Library of Pergamon. [em linha]. [Consult. 18.09.2024]. Disponível: https://www.worldhistory.org/Library_of_Pergamon/