2025/03/27

Educadores Portugueses dos séculos XIX e XX: Domitila Carvalho (1871 – 1966)

 

(Imagem de Domitila Carvalho retirada da internet)
 

Domitila Hormizinda Miranda de Carvalho nasceu a 7 de maio de 1871 em Santa Maria da Feira, filha de Manuel Rodrigues de Carvalho, professor primário e de Margarida Miranda de Carvalho.

Os seus estudos foram feitos na cidade de Castelo Branco, embora tenha frequentado os Liceus de Bragança e de Leiria. Concluído o ensino liceal em 1891, tornou-se a primeira mulher a frequentar a Universidade de Coimbra, através da autorização de João Arroio, Ministro da Instrução Pública. Até ao ano de 1904 concluiu os cursos de Medicina, Matemática e Física.

A função docente foi aquela a que mais se dedicou, embora tivesse exercido as funções de médica na Assistência Nacional aos Tuberculosos e no seu consultório em Lisboa. Entre 1906 e 1912 foi reitora do Liceu Maria Pia, futuro Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho, onde lecionou Português, Matemática e Higiene. Em 1908 fundou, juntamente com outros educadores, a Liga de Educação Nacional.

As suas ideias eram católicas, conservadoras e opostas ao feminismo e ao direito de voto das mulheres, identificando-se com os ideais do Estado Novo. Em 1934 foi uma das deputadas escolhidas pela União Nacional para a Assembleia.

Defendeu a educação e a instrução, promovendo a introdução de aulas de higiene geral e puericultura nos liceus e escolas secundárias femininas. Como católica, apoiou a existência de um crucifixo nas salas de aula e, em 1936, o livro único para o ensino primário. Nesta data foi nomeada vogal da direção da Obra das Mães pela Educação Nacional (OMEN).

Ao longo da sua vida proferiu várias conferências sobre temas diversos. Fez parte do Conselho Superior de Instrução Pública e foi sócia da Academia das Ciências e dos Médicos Católicos Portugueses.

 

Fonte principal: Dicionário de educadores portugueses / dir. António Nóvoa. - Porto : ASA, 2003.


MJS

2025/03/24

Muitos Anos de Escolas – Volume I – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário até 1941 – Capítulo III - O Ensino Primário Oficial


 

(Imagem de um quadro que representa o Marquês de Pombal. Retirada da internet)


III – O Ensino Primário Oficial

    1. As Medidas do Marquês de Pombal

    2. D. Maria I e as Escolas

    3. As Escolas dos Corpos Militares – As Primeiras Escolas Normais

    4. A Legislação Liberalista

 

No terceiro capítulo, as autoras apontam algumas das medidas tomadas pelo Marquês de Pombal para revitalizar o ensino. Em 1759 todas as escolas jesuítas foram extintas e o seu método de ensino foi proibido em Portugal. Para precaver os efeitos nocivos deste vazio, estabeleceu-se um novo regime de estudos e uma Diretoria-Geral na dependência do Estado, prevendo um ensino público e gratuito. Estabeleceu-se o currículo dos estudos menores: leitura, escrita, aritmética, educação religiosa e cívica, gramática latina, língua grega, retórica e filosofia.

Com a subida ao trono de D. Maria I deu-se o afastamento do Marquês de Pombal e seguiu-se uma nova linha orientadora das questões educativas: redução do vencimento dos professores, eliminação de subsídios e aposentação de alguns mestres mais idosos. O ensino público ficou novamente entregue às ordens monásticas. A monarca foi igualmente responsável pelo surgimento da Casa Pia de Lisboa em 1780 destinada a recolher e educar crianças em situações difíceis e em 1781 pela fundação da Escola Régia de Desenho.

Com as invasões francesas seguiu-se um período de grande turbulência e desorganização interna. Em 1815 foram criadas as Escolas dos Corpos de Linha, para membros do exército, que também beneficiaram a população civil.

A implantação do liberalismo em 1820 tornou livre o ensino e a abertura de escolas primárias, tendo sido criadas 59 novas escolas e aumentada a remuneração dos professores. No entanto, após a morte de D. João VI, a situação do ensino tornou-se bastante precária e até meados do século XIX as condições dos edifícios escolares não foram objeto de decisões oficiais.

 

 

Fonte: BEJA, Filomena, et al. Muitos Anos de Escolas – Volume I – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário até 1941. Lisboa, Ministério da Educação – Direção-Geral da Administração Escolar, 1990.


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