Domitila
Hormizinda Miranda de Carvalho nasceu a 7 de maio de 1871 em Santa Maria da
Feira, filha de Manuel Rodrigues de Carvalho, professor primário e de Margarida
Miranda de Carvalho.
Os
seus estudos foram feitos na cidade de Castelo Branco, embora tenha frequentado
os Liceus de Bragança e de Leiria. Concluído o ensino liceal em 1891, tornou-se
a primeira mulher a frequentar a Universidade de Coimbra, através da
autorização de João Arroio, Ministro da Instrução Pública. Até ao ano de 1904
concluiu os cursos de Medicina, Matemática e Física.
A
função docente foi aquela a que mais se dedicou, embora tivesse exercido as
funções de médica na Assistência Nacional aos Tuberculosos e no seu consultório
em Lisboa. Entre 1906 e 1912 foi reitora do Liceu Maria Pia, futuro Liceu Maria
Amália Vaz de Carvalho, onde lecionou Português, Matemática e Higiene. Em 1908
fundou, juntamente com outros educadores, a Liga de Educação Nacional.
As
suas ideias eram católicas, conservadoras e opostas ao feminismo e ao direito
de voto das mulheres, identificando-se com os ideais do Estado Novo. Em 1934
foi uma das deputadas escolhidas pela União Nacional para a Assembleia.
Defendeu
a educação e a instrução, promovendo a introdução de aulas de higiene geral e
puericultura nos liceus e escolas secundárias femininas. Como católica, apoiou
a existência de um crucifixo nas salas de aula e, em 1936, o livro único para o
ensino primário. Nesta data foi nomeada vogal da direção da Obra das Mães pela
Educação Nacional (OMEN).
Ao
longo da sua vida proferiu várias conferências sobre temas diversos. Fez parte
do Conselho Superior de Instrução Pública e foi sócia da Academia das Ciências
e dos Médicos Católicos Portugueses.
Fonte
principal: Dicionário de educadores portugueses / dir. António Nóvoa. - Porto :
ASA, 2003.
MJS