2025/03/20

Educadores Portugueses dos séculos XIX e XX: Delfim Santos (1907 – 1966)

 

(Imagem de Delfim Santos retirada da internet)

 

Delfim Pinto Santos nasceu no Porto a 6 de novembro de 1907, filho de Arnaldo Pinto, oriundo de uma família modesta. Começou a trabalhar aos 11 anos na oficina do pai, que veio a falecer em 1922. Em 1927 concluiu os Cursos Complementares de Letras e de Ciências na Escola Industrial.

Em 1931 terminou a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras do Porto. Frequentou ainda algumas cadeiras de Filologia Clássica e de Matemática.

Entre 1931-32 iniciou a sua carreira docente no Liceu Nacional José Falcão, em Coimbra. Completou as cadeiras pedagógicas na Universidade de Coimbra e fez estágio no Liceu Normal de Pedro Nunes, em Lisboa, entre 1933-34, prosseguindo depois a sua carreira no Liceu Gil Vicente entre 1934-35.

Entre 1935 e 1941 foi-lhe concedida uma bolsa da Junta de Educação Nacional. Esteve em Viena onde tomou contato com Moritz Schlick, Karl Bühler e Othmar Spann. Em Berlim foi marcado pelo pensamento de Nikolai Hartmann. Em 1937 deslocou-se a Londres, tendo estudado no British Institute of Philosophy, em Cambridge. Em 1940 apresentou a tese epistemológica Conhecimento e Realidade à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, obtendo o Doutoramento.

Regressou definitivamente a Portugal em 1942 e, após uma breve passagem pelo Liceu Camões, ingressou na faculdade, em 1943, como primeiro assistente de Ciências Pedagógicas. Em 1947 concorreu a professor extraordinário com a dissertação Fundamentação existencial da pedagogia e em 1950 tornou-se professor catedrático lecionando História da Educação (1942-1943 e 1965-66), Pedagogia e Didática (1947-48 a 1965-66) e Psicologia Escolar e Medidas Mentais (1958-59).

Em 1957 o Ministério da Educação Nacional incumbiu Delfim Santos de uma visita aos institutos de educação em Madrid, Paris, Bruxelas, Londres, Frankfurt, Heidelberg, Roma e Viena para analisar planos curriculares e estratégias de formação de professores. O objetivo era a futura criação do Instituto Superior de Educação.

Entre 1958 e 1962 foi professor de Psicologia e Sociologia no Instituto de Altos Estudos Militares. Em 1959 foi eleito representante do Senado Universitário do Conselho Escolar da Faculdade de Letras de Lisboa e em 1961 integrou o Conselho Consultivo da Fundação Calouste Gulbenkian para preparar a criação de um Centro de Investigação Pedagógica.

Foi membro da Academia das Ciências de Lisboa e presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores em 1962. Tornou-se um precursor da utilização dos meios audiovisuais na educação, tendo presidido o Conselho Pedagógico do IMAVE (Instituto dos Meios Audiovisuais de Ensino) criado em 1964.

Ao longo da vida participou em inúmeras publicações periódicas, congressos e conferências. Pode destacar-se a Linha Geral da Nova Universidade em que o educador propôs o fim da Universidade para dar lugar a outra, totalmente diferente, orientada para o aluno e para a formação de homens livres e socialmente interventivos. Esta conceção, anti massificadora, pôs em evidência que o homem era um ser em permanente mudança e evolução, devendo o educador aceitar a diferença do outro. Adepto do Método Montessori, defendeu a importância da criança enquanto ser único, sendo esta a sua característica primordial.

 

 

Fonte principal: Dicionário de educadores portugueses / dir. António Nóvoa. - Porto : ASA, 2003.


MJS


2025/03/17

Peça do mês de março/2025

 



Bandeira

 

Bandeira da Escola Industrial Machado de Castro com identificação da instituição a dourado e da data de criação (1895) sobre fundo azul contendo o símbolo da escola ao centro, constituído por uma roda dentada, um livro aberto e uma palma. Em baixo, apresenta a seguinte inscrição bordada: "Mestre Leonor Pereira, 1931".

Está inventariado com o número ME/ESMC/285 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária Machado de Castro.


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