2019/07/19

Instrumentos de Medida no Museu Virtual da Educação IV - Atmosfera terrestre

(Imagem de um termómetro retirada do Museu Virtual da Educação)


A meteorologia tem como objeto de estudo atmosfera terrestre, os processos atmosféricos e a previsão do tempo. Nesta área é imprescindível o registo de dados e medição das condições atmosféricas através de vários instrumentos.

(Imagem de um termómetro retirada do Museu Virtual da Educação)

Podemos, assim, referir alguns equipamentos meteorológicos mais comuns, como é o caso do termómetro, que permite medir a temperatura e as suas alterações. O mais comum é o termómetro de mercúrio, consistindo num tubo capilar (fino como cabelo) de vidro, fechado a vácuo, e um bulbo (espécie de bolha arredondada) numa das extremidades, contendo mercúrio.


(Imagem de um barómetro retirada do Museu Virtual da Educação)

 
O barómetro é utilizado para efetuar leituras de pressão atmosférica. O modelo aqui apresentado é constituído por uma caixa rectangular em madeira, à qual está fixo o barómetro. Na parte inferior existe um reservatório cilíndrico para conter o mercúrio. Do reservatório ergue-se um tubo capilar, fechado superiormente. Está graduado de 630 a 800 mmHg.

(Imagem de um anemómetro retirada do Museu Virtual da Educação)





O anemómetro tem como função efetuar a medição da velocidade do vento. Este modelo é um anemómetro de Richard, constituído por uma base em metal. Da base eleva-se um eixo vertical, que produz movimentos de rotação, no topo do qual estão inseridas quatro conchas hemisféricas. O rotor acciona um mecanismo onde é instalado um sensor eléctrico. A vantagem deste sistema é a sua independência relativamente à direcção do vento e consequentemente é independente de um dispositivo de
Anemómetro
ME/400634/103
alinhamento.



(Imagem de um higrómetro de Daniell retirada do Museu Virtual da Educação)

O higrómetro de Daniell é um instrumento que permite medir as temperaturas da saturação do ar exterior e determinar o estado higrométrico do ar. É constituído por uma caixa de madeira, onde se fixa um termómetro, e por um tubo de vidro recurvado duas vezes em ângulo reto que termina em esfera nas duas extremidades. No interior de uma delas existe um termómetro e éter, enquanto a outra esfera é coberta por gaze.

Existem outros tipos de higrómetros, mais simples, muitas vezes apelidados de higrómetros de cabelo, que medem a humidade presente na atmosfera. São utilizados principalmente em estudos do clima, mas também em locais fechados onde a presença de humidade excessiva ou abaixo do normal poderia causar danos, por exemplo em peças de museus, documentos de bibliotecas e elementos de laboratórios.


(Imagem de um pluviómetro retirada do Museu Virtual da Educação)

Higrómetro
ME/346779/95
O pluviómetro é outro instrumento de grande valia no que respeita à obtenção de dados relativos à precipitação. Consiste geralmente num recipiente utilizado para recolher e medir, em milímetros lineares, a quantidade de líquidos ou sólidos precipitados durante um determinado período de tempo e num determinado local.



(Imagem de um termógrafo retirada do Museu Virtual da Educação)

O termógrafo destina-se a medir e a registar a temperatura, baseado no emprego de um tubo de cobre, recurvado, de secção elíptica, quase plana. Este tubo, cujas dimensões variam com a sensibilidade do aparelho, está hermeticamente fechado e cheio de um liquido de difícil congelação. A dilatação do líquido obriga a distender-se o tubo que, tendo uma das extremidades fixa e outra ligada a um ponteiro provido de um estilete, poderá registar as variações de temperatura sobre um cilindro com movimento de relojoaria. O papel que envolve o cilindro é quadriculado, representando as linhas horizontais as horas dos diferentes dias da semana e as verticais as temperaturas. É uma instrumento fundamental na recolha de dados meteorológicos.




Bibliografia:  
Museu Virtual da Educação (2013) [em linha].
[Consulta: 28 de Novembro de 2013]

Museu da Física da Escola Secundária Alexandre Herculano (2013) [em linha].
[Consulta: 28 de Novembro de 2013]

Professor Bruce Mattson - Creighton University (2013) [em linha]
[Consulta: 28 de Novembro de 2013]

Michigan Technological University. Department of Chemistry (2013) [em linha].
[Consulta: 28 de Novembro de 2013]

Baú da Física e Química. Instrumentos antigos de Física e Química de escolas secundárias em Portugal (2013) [em linha]
[Consulta: 28 de Novembro de 2013]



MJS

2019/07/18

Instrumentos de Medida no Museu Virtual da Educação - III



Existem instrumentos empregues especificamente para a medição de grandezas elétricas, que podem ser classificados de forma esquemática de acordo com o tipo de grandeza que se pretende medir, por exemplo: o amperímetro para a medição da corrente elétrica; o voltímetro para a medição da tensão; o galvanómetro para a medição de correntes elétricas de baixa intensidade, ou a diferença de potencial elétrico entre dois pontos.


(Imagem de um amperímetro retirada do Museu Virtual da Educação)


O amperímetro é utilizado para medir a intensidade da corrente elétrica, contínua ou alternada. A unidade usada é o Ampere. Quando se intercala o amperímetro num circuito, através dos botões, a corrente que passa nas bobines, imprime à barra e à agulha exterior um desvio variável com a intensidade da corrente que pode ser lida na escala apresentada no mostrador. Para as medições serem precisas, amperímetro deve ter uma resistência muito pequena.

(Imagem de um voltímetro retirada do Museu Virtual da Educação)


O voltímetro é um aparelho que permite medir a tensão elétrica, contínua ou alternada, de um circuito, a força eletromotriz de um gerador ou a diferença de potencial, expressando esse valor em volts. Essas medições, são visíveis através de um ponteiro móvel. O voltímetro possui alta resistência
 interna, indicando a tensão entre seus terminais.

(Imagem de um galvanómetro retirada do Museu Virtual da Educação)



O galvanómetro pode medir correntes elétricas de baixa intensidade, ou a diferença de potencial elétrico entre dois pontos.

O galvanómetro mais comum é o tipo conhecido como bobina móvel: uma bobina de fio muito fino é montada em um eixo móvel, e instalada entre os pólos de um ímã fixo. Quando circula corrente eléctrica pela bobina, se forma um campo magnético que interage com o campo do ímã, e a bobina gira, movendo um ponteiro, ou agulha, sobre uma escala graduada. Como o movimento do ponteiro é proporcional à corrente elétrica que percorre a bobina, o valor da corrente é indicado na escala graduada. Através de circuitos apropriados, o galvanômetro pode ler outras grandezas eléctricas, como tensão contínua, tensão alternada, resistência, potência, e outras.

Outro tipo de galvanómetro é o de ferro móvel: neste, a bobina é fixa, envolvendo uma pequena peça de ferro ligada ao ponteiro, e capaz de girar conforme o campo magnético produzido pela bobina. O galvanómetro de ferro móvel é pouco usado, por ser menos sensível que o de bobina móvel, mas possui as vantagens de ser mais barato, mais robusto, e funcionar tanto com corrente contínua como com corrente alternada.

(Imagem de um ohmímetro retirada do Museu Virtual da Educação)



O ohmímetro é um aparelho que, por leitura direta, indica o valor da resistência elétrica ligada aos seus terminais. Emprega-se com duas finalidades: na verificação da continuidade dos circuitos ou na medição de resistências e de isolamentos. O modelo original de um ohmímetro provem de uma pequena bateria que aplica uma tensão à resistência.


(Imagem de um wattímetro retirada do Museu Virtual da Educação)



Wattímetro
ME/400531/95
O wattímetro é um instrumento utilizado para medir a potência elétrica fornecida ou dissipada por um elemento. Tal como o voltímetro e o amperímetro, o wattímetro ideal mede a tensão sem desvio de qualquer fluxo de corrente, e mede a corrente sem introduzir qualquer queda de tensão aos seus terminais.




Bibliografia:  
Museu Virtual da Educação (2014) [em linha].
[Consulta: 26 de junho de 2014]


Museu da Física da Escola Secundária Alexandre Herculano (2014) [em linha].
[Consulta: 26 de junho de 2014]


Baú da Física e Química. Instrumentos antigos de Física e Química de escolas secundárias em Portugal (2014) [em linha]
[Consulta: 26 de junho de 2014]

Peça do mês de novembro


Equilibrista
O equilibrista é um instrumento científico que consta de um boneco, neste caso vestido como um equilibrista de circo, equilibrando-se nas suas mãos sobre um suporte. Ao nível da cintura encontra-se uma vara dobrada em U invertido, nas extremidades da qual existem duas pesadas esferas metálicas, cuja função é fazer baixar o centro de gravidade do conjunto, abaixo do ponto de apoio. Trata-se de um conjunto clássico que, desde finais do séc. XVII, era comum encontrar-se em Gabinetes de Física. Está inventariado com o número ME/402436/1468 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária de Passos Manuel.
É um dispositivo com grande valor artístico e histórico, sendo muitas vezes utilizado com uma função decorativa e não só didática. Apoiado sobre um pequeno disco com um espigão, no topo do qual se encontra o equilibrista, este move os braços e as pernas. Desta forma, consegue equilibrar-se nas mais diversas posições, constituindo um verdadeiro desafio às leis da gravidade.
Estes brinquedos didáticos de conceção simples permitem fazer a demonstração de verdades conhecidas, ou seja, a importância da posição do centro de gravidade de um corpo face à sua base de sustentação em equilíbrio estável.


MJS

Afonso Domingues (1330-1401): patrono da Escola Secundária de Afonso Domingues



Afonso Domingues (1330 - 1401)


O arquitecto quatrocentista A
fonso Domingues foi, desde início, o patrono da Escola de Desenho Industrial, criada na casa de João Cristiano Keil, na Calçada do Grilo, no dia 24 de novembro de 1884. O nome Afonso Domingues sempre permaneceu no nome da escola, desce a sua criação até ao seu terminus, independentemente das vicissitudes políticas. 

A vida de Afonso Domingues permanece incógnita, sabe-se, no entanto, que foi arquitecto e terá nascido em Lisboa, em meados do século XIV e faleceu em 1404. Oriundo de uma família abastada, uma vez que tinha residência numa das zonas mais caras de Lisboa, na freguesia da Madalena. Terá cegado, pouco antes da sua morte, por volta de 1401/2, quando abandonou o controlo das obras do Mosteiro da batalha (Cf. Herculano, s.d., p. 361).

Com a experiência adquirida da edificação da Sé Catedral de Lisboa, Afonso Domingues foi o mestre arquiteto a quem se ficou a dever a traça original do Mosteiro da Batalha, tendo dirigido as obras desde 1388 até 1402 (até à sua morte). Da autoria do mestre Afonso Domingues são, efectivamente, o Claustro Real e a Sala do Capítulo e, possivelmente foi o autor do projeto da Sé Catedral da Guarda.

“Estai quieto; estai quieto, mestre Afonso — disse Frei Lourenço, segurando o cego pelo braço. — O indigno prior do Mosteiro da Vitória não consentirá que o muito sabedor arquiteto e imaginador Afonso Domingues, o criador da oitava maravilha do Mundo, o que traçou este edifício, doado pelo virtuoso de grandes virtudes rei D. João à nossa Ordem, se levante para estar em pé diante do pobre frade [...]” (Herculano, s.d., p. 349).

Alexandre Herculano inspirou-se em Afonso Domingues ao escrever A Abóbada: em 1401 a diacronia de Lendas e Narrativas situa-se no ano de 1401, tendo como assunto a construção do Mosteiro da Batalha, mais concretamente, a construção da abóbada da Casa do Capítulo do Convento, por Afonso Domingues que a delineou e que, apesar de cego, a concluiu, depois das obras terem sido entregues ao arquiteto Huguet.

Segundo esta lenda, Afonso Domingues quis morrer na célebre sala, em cumprimento de um voto fatal, declamando: a abóbada não caiu, a abóbada não cairá! Sabe-se hoje que a abóbada da Casa Capitular não é da autoria de Afonso Domingues, mas de David Huguet, tendo podido ser, eventualmente, reconstruída por Martim Vasques, acredita-se, no entanto que a lenda tenha um resquício de verdade:

“Aliás, devo acrescentar que embora o Mestre Afonso Domingues tenha sido o primeiro mestre, eventualmente aquele que esboçou o projecto inicial de como se desenvolveria a obra, o que hoje nos resta do monumento, sobretudo os seus espaços que ainda hoje podem ser visitados, a sua construção deve-se fundamentalmente ao Huguet. Estamos a falar do portal principal, estamos a falar da cobertura da igreja, da Capela do Fundador, do Claustro Juanino e das Capelas Imperfeitas, que foram iniciadas por Huguet” (Órfão, 2003).

Como verificamos, Afonso Domingues foi o primeiro Mestre a esboçar a edificação do Mosteiro e, por conseguinte, a acompanhar as obras iniciáticas, não obstante, foi David Huguet – catalão ou flamengo – o segundo Mestre a findar as obras e a completar a abóboda.


P.M.




BIBLIOGRAFIA:



CARVALHO, Rómulo de (1996). História do Ensino em Portugal: desde a Fundação da Nacionalidade até ao fim do Regime de Salazar-Caetano. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2.ª edição.


DIAS, Luís Pereira (1998). As outras escolas: o ensino particular das primeiras letras entre 1859 e 1881. Lisboa: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação.


INFOPÉDIA (2019). Afonso Domingues [em linha]. Porto: Porto Editora [consult. 29 de abr. 2019]. Disponível: https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$afonso-domingues

HERCULANO, Alexandre (s. d.). Lendas e narrativas [em linha]. Lisboa: Luso Livros [Consult. 29 de abr. 2019]. Disponível: https://www.luso-livros.net/wp-content/uploads/2014/05/Lendas-e-Narrativas.pdf


ÓRFÃO, Júlio (2003). Quem terminou a Sala do Capítulo do Mosteiro foi David Huguet e não Afonso Domingues [em linha]. Lisboa: Tinta Fresca: Jornal de Arte & Cultura e Cidadania, N.º 38 (dez. 2003). [Consult. 12 de jun. 2019]. Disponível: http://www.tintafresca.net/News/newsdetail.aspx?news=2fbb7637-7210-4a4a-a917-b012d5cd37e4&edition=38