O Caminho Português de Peregrinação a Santiago de Compostela está em avaliação fazendo parte das listas indicativas para a candidatura de Bens a Património Mundial em Portugal.
Neste
momento, a Associação Espaço Jacobeus (AEJ) está a trabalhar junto da UNESCO
para conseguir esta classificação já em 2021. Neste sentido, têm sido
melhorados os trajetos, uma vez que não existe uma autoridade reconhecida
oficialmente como responsável. Foi declarado o primeiro Itinerário Cultural
Europeu em 1987, sendo que as áreas espanhola e francesa deste Caminho já são
património mundial, o que ocorreu respetivamente em 1993 e 1998.
Apesar
de ter caído no esquecimento, nos anos 80 o Caminho ganhou novo fôlego, não
apenas como itinerário religiosa, mas também como itinerário cultural e
espiritual. Os percursos espalham-se por toda a Europa e juntam-se no caminho
espanhol.
Os
Caminhos de Santiago são percursos efetuados por peregrinos até Santiago de
Compostela. Existem registos desde o século IX para ver as relíquias do
apóstolo e a Catedral em que se encontram. A origem do culto a Santiago é
desconhecida, mas pensa-se que deriva de uma peregrinação pagã.
De
acordo com as tradições locais foi em Iria Flávia, a 20 km a sudoeste de
Compostela que Santiago pregou pela primeira vez durante a evangelização da
Península Ibérica, cerca de 34 d. C. O apóstolo foi decapitado na Judeia e
posteriormente transportado para a Galiza por Teodoro e Atanásio, que
depositaram os seus restos mortais no monte Libredón, onde atualmente se ergue
a Catedral.
No
século VIII foi encontrado este sepulcro, o que coincide com a invasão da
Península Ibérica pelos Árabes. Não é de estranhar que Santiago se tenha ligado
a todo o processo de reconquista cristã. Outras tradições apontam a Basílica
Saint-Sernin, como o local para onde teria sido levado o corpo do Santo por
Carlos Magno.
O
primeiro peregrino a Santiago é, segundo a tradição, o rei Afonso II das
Astúrias (c. 791-842), onde mandou construir uma igreja e se estabeleceu uma
comunidade religiosa.
No
decorrer dos anos, este tornou-se num dos locais de peregrinação mais visitados
da Europa. Carlos Magno incentivou esta peregrinação como forma de defender as
suas fronteiras do avanço árabe. Afonso III fez igualmente este caminho,
ordenando a edificação de uma nova basílica.
Durante
o século X desenvolve-se o Caminho Francês. O Papa Calisto II, no século XII,
incentivou as peregrinações regulares a Compostela. Cerca de 1140 surge o
primeiro “guia” para o local, o Codex Calistinus, atribuído ao monge
Aimery Picaud, da Ordem de Cluny, onde se descrevem quatro rotas.
Após o
século XIV, os peregrinos afastam-se para outros locais não só pelo processo de
reconquista que exigia uma atenção redobrada dos monarcas na zona sul da
Península, mas também pelo Grande Cisma do Ocidente em 1378.
Os
peregrinos usam vários símbolos como é o caso de uma vieira (concha), cuja
origem se atribui a algumas versões lendárias que teriam ocorrido aquando do
transporte do corpo de Santiago. Apesar disso, a vieira é uma metáfora: os
sulcos da concha juntam-se num ponto, o que representa as várias rotas
utilizadas que confluem no sepulcro. Da mesma forma que as conchas são
arrastadas pelo mar até à costa, assim Deus guia o peregrino até Compostela. A
vieira é também um utensílio bastante prático pois permitia aos peregrinos
beber água e comer.
O
bordão é outro acessório que auxilia o peregrino na sua caminhada.
Tradicionalmente tem um gancho para ser levado ao ombro com vários objetos
pendurados.
Na
Península Ibérica, a Via Láctea é muitas vezes designada como “Caminho de
Santiago” pois teoricamente indicava o caminho para esta região durante a noite.
Os
peregrinos tinham consigo uma credencial, algo semelhante a um passaporte, com
14 páginas. Devia ser carimbada duas vezes por dia em igrejas ou albergues, o
que comprovava a passagem do peregrino pelas zonas em questão. Muitas vezes
levavam consigo uma carta de recomendação do pároco local, funcionando como um
salvo-conduto. Atualmente ainda existe este tipo de documento que deve ser
solicitado pelo peregrino, facilitando o processo de alojamento.
Quanto
aos caminhos, estão atualmente assinalados por setas amarelas no chão ou em
muros, postes, árvores ou mesmo em marcos de granito. Destacam-se os seguintes:
- O Caminho Francês que entra em Espanha através de Roncesvalles, no sopé dos Pirenéus. A este liga-se o Caminho Aragonês com saída em Somport;
- O Caminho da Prata, com saída em Sevilha, passando por Chaves. É o caminho mais longo;
- O Caminho Primitivo com saída em Oviedo;
- O Caminho do Norte, que sai de Irúm e passa por San Sebastian;
- O Caminho Português que inclui várias alternativas: a partir de Lisboa, passa por Alhandra, Azambuja, Santarém, Golegã, Tomar, Alvaiázere, Rabaçal, Coimbra, Mealhada, Águeda, Albergaria-a-Velha, Oliveira de Azeméis, Grijó, Porto. A partir do Porto, passa Vairão, Rates, Barcelos, Ponte de Lima, Rubiães, Valença, Tui, Redondela, Pontevedra, Caldas de Reis, Padrón, Santiago de Compostela. Os caminhos portugueses juntam-se, na sua maior parte, em Valença do Minho;
- O
Caminho Inglês que parte de Ferrol ou da Corunha.