2020/12/03

Património imaterial de Portugal: Cante Alentejano

(Cartaz de divulgação onde está escrito "O Cante Alentejano. Matriz de um Povo" com uma imagem de um grupo de cantores alentejanos. Retirado da internet)

O cante alentejano é um estilo musical típico da zona do Alentejo, em Portugal. Não sendo a única forma de expressão musical desta área, destacou-se pela sonoridade única, tornando património cultural imaterial da humanidade em 2014.

Trata-se de um canto coral, executado sem instrumentos musicais, com um repertório que remete para a poesia tradicional, focando temas como a vida rural, o amor, a natureza, a maternidade ou a religião. Os grupos de cante podem ser constituídos até 30 elementos, onde cada grupo desempenha um papel: o “ponto”, que inicia a melodia; o “alto”, que replica esta melodia, mas uma terceira ou décima acima; e por último, todo o grupo coral. Estas características determinam a natureza repetitiva do cante e o seu andamento lento.

(Imagem de um grupo de Cante Alentejano. Retirado da internet)

Para além do aspeto musical, o cante tem papel de relevo nas reuniões socias e permite uma interligação entre gerações, criando um sentimento de identidade, de pertença e de coesão social.

A sua origem é indeterminada, mas poderá encontrar-se nos cantos gregorianos ou na cultura árabe, existindo igualmente alguns elementos pré-cristãos. Inicialmente, era uma manifestação espontânea, cantada por homens e mulheres, associada ao duro trabalho no campo, marcando o movimento e o ritmo da ceifa ou da apanha da azeitona.

(Imagem de um grupo de Cante Alentejano. Retirado da internet)

Com a industrialização agrícola crescente e a alteração dos ritmos de trabalho, o cante alentejano passou a ser cantado em tabernas, frequentadas maioritariamente por homens. Pensa-se que, por esta razão, os grupos de cante sejam masculinos.

O primeiro grupo surgiu em 1926, com os trabalhadores das Minas de São Domingos em Serpa. Esta iniciativa foi seguida por outros grupos que deram continuidade à tradição até aos dias de hoje.

 Para mais informações consulte o Centro Interpretativo do Cante Alentejano


MJS

 

2020/11/30

Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves, Lisboa

 

(Imagem da fachada do Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves, Lisboa. Retirada da internet)

O Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves, situado na zona centro-oriental e antiga da cidade de Lisboa, foi constituído por decisão ministerial, e integra alunos oriundos das freguesias da Penha de França, de Arroios e de São Vicente. O Agrupamento é formado pelos seguintes estabelecimentos de ensino:

    1. Escola Básica de 2,3 de Nuno Gonçalves (escola sede);

    2. Jardim de Infância da Pena;

    3. Escola Básica Nº 1 de Lisboa;

    4. Escola Básica Sampaio Garrido;

    5. Escola Básica Natália Correia;

    6. Escola Básica Arquiteto Victor Palla;

    7. Escola Secundária Dona Luísa de Gusmão.

Com uma oferta educativa que contempla o pré-escolar, o 1º, 2º e 3º ciclos do ensino básico, o ensino secundário e a educação e formação de adultos. Segundo o Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves (s.d.) a sua intervenção pedagógica tem melhorado a qualidade e a eficácia das aprendizagens dos alunos, promovido a igualdade, o respeito pelo outro e a cidadania ativa, incentivando a criatividade, o espírito empreendedor e a aprendizagem ao longo da vida.


 1.  Escola Básica de 2,3 de Nuno Gonçalves (escola sede)

 

(Imagem da fachada da Escola Básica 2/3 de Nuno Gonçalves, Lisboa. Retirada da internet)

A Escola de Nuno Gonçalves começou por ser uma escola técnica elementar prevista para servir a população dos bairros do Alto do Pina, Penha de França e Vale Escuro. O Ministério da Educação denominou esta escola Nuno Gonçalves e pô-la a funcionar para deslocar a população escolar que ocupava as antigas instalações do antigo Liceu Gil Vicente, nos paços de S. Vicente, que se obrigou a restituir ao Patriarcado em 1951.

No seu início, a escola tinha 30 turmas (cerca de 1000 alunos), e destinava-se a frequência masculina. Dotada já de um quadro próprio de pessoal, a Escola Elementar Nuno Gonçalves matricula os seus primeiros alunos no ano letivo de 1952/53.

Com a reforma de Veiga Simão, em 1968, passou a Escola do Ciclo Preparatório, onde eram lecionados o 1º e o 2º ano do ciclo preparatório. No ano letivo de 1990/91, abriu as portas ao 3º ciclo, recebendo algumas turmas do 7º ano. A partir de 1993/94 tornou-se uma Escola Básica do 2º e 3º ciclos, lecionando sempre a partir daí turmas dos dois ciclos. Ao longo destes cinquenta anos, muitos milhares de alunos frequentaram esta escola. No ano letivo 2004/2005 passou a ser a Escola sede do Agrupamento


 2. Jardim de Infância da Pena


(Imagem da fachada do Jardim de Infância da Pena, Lisboa. Retirada da internet)


Junta de Freguesia de Arroios, no âmbito da reorganização administrativa de Lisboa, adquiriu competências na área da educação nomeadamente na conservação e reparação de estabelecimentos de educação do 1º ciclo, pré-escolar, creches e jardins de infância públicos, assim como na gestão de recursos específicos para estes estabelecimentos.

No domínio do ensino público, a Junta de Freguesia de Arroios tutela diretamente dois agrupamentos escolares e uma escola secundária não agrupada, o Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves, o Agrupamento de Escolas Luís de Camões e a Escola Secundária de Camões. No jardim de Infância da Pena, pertencente ao Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves, há crianças de todo o mundo, vindas de quatro continentes:

 

“Neste ano lectivo, há 85 crianças, com idades entre os quatro e os seis anos, divididas entre as salas Laranja, Azul, Verde e Vermelha. Cerca de três quartos têm ascendência portuguesa, enquanto as restantes (várias das quais já nasceram no país), têm pais vindos de quatro continentes: Bulgária, Bélgica, Roménia, Espanha, Brasil, Estado Unidos da América, Guiné-Bissau, Senegal, Angola, São Tomé, Nepal, Índia, Bangladesh, China e Paquistão são alguns dos seus locais de origem.”  (Boaventura, 2014)

 

    3.  Escola Básica Nº1 de Lisboa

 

(Imagem da fachada Escola Básica N.º1, Lisboa. Retirada da internet)

Tal como o Jardim de Infância da Pena, a Escola Básica Nº 1 de Lisboa, situada no Largo da Escola Municipal, apresenta um público multicultural, proveniente de vários países. A confirmar tal fato, basta recordar que recebeu, na semana de 26 de fevereiro a 2 de março de 2018, vários professores dos países envolvidos no projeto Erasmus+ -Young European- A Conscious and Safe Citizen of the World.

Este é um programa de intercâmbio europeu, no qual os professores conhecem o trabalho desenvolvido nas diferentes escolas, sobre a temática da segurança e multiculturalismo.

 

    4. Escola Básica Sampaio Garrido


(Imagem da fachada Escola Básica Sampaio Garrido, Lisboa. Retirada da internet)

A Escola Básica Sampaio Garrido[1], situada na Praça Novas Nações, em lisboa, funciona com o 1.º ciclo e, também, com alunos de Jardim de Infância.

As salas, da referida escola básica, estão distribuídas por dois andares e a escola tem agora cinco espaços ao ar livre que serão usados como recreio: o recreio do labirinto, o recreio do brinquedo, o Pátio de Cima, o Campo de Jogos e a Horta. Existe também uma biblioteca escolar e um refeitório (as refeições são confecionadas na escola) que fica paredes meias com o ginásio (estas paredes meias são amovíveis, tornando possível transformar o espaço numa grande sala para realização de atividades/convívio).

 

     5. Escola Básica Natália Correia

 

(Imagem da fachada Escola Básica Natália Correia, Lisboa. Retirada da internet)

Situada em Lisboa, na Rua dos Sapadores, a Escola Básica Natália Correia[2], sofreu algumas obras de remodelação no em 2007 (CM, 23 de novembro de 2007).

O mural que agora adorna uma das paredes exteriores da Escola Básica Natália Correia, efetuado ao abrigo do Orçamento Participativo, foi o projeto que reuniu mais votos residentes da freguesia. Na fachada reconhecem-se os heróis de algumas histórias infantis como o Capuchinho vermelho, Cinderela, Branca de neve, A bela adormecida, Alice no país das maravilhas, A menina do mar ou O principezinho. Este projeto foi proposto pela referida escola e executado por Isa Silva.

 

    6. Escola Básica Arquitecto Victor Palla

 

(Imagem da fachada Escola Básica Arquiteto Victor Palla, Lisboa. Retirada da internet)


 A Escola Básica Arquitecto Victor Palla[3], situada em Lisboa, na Rua Francisco Pedro Curado. No século XII, esta zona já se chamava Vale Escuro, mas só começou a fazer parte da cidade de Lisboa a partir de meados do século XX. Os terrenos foram sendo ocupados por bairros clandestinos de barracas e pelo cultivo desordenado de hortas.

Por volta de 1950, o Vale Escuro foi urbanizado e foi construída a nossa escola, com projeto dos arquitetos Bento de Almeida e Victor Palla, de 1954.

Quando foi construída, a escola estava dividida em duas, (masculino e feminino) com salas de aula, recreios e refeitórios separados. Tinha 16 salas de aula para 40 alunos cada e um painel decorativo à entrada, desenhado pelo pintor Júlio Pomar.

 

    7. Escola Secundária Dona Luísa de Gusmão

 
(Imagem da fachada Escola Secundária Dona Luísa de Gusmão, Lisboa. Retirada da internet)


A Escola Secundária D. Luísa de Gusmão é uma escola pública com ensino secundário e 3.º Ciclo localizada na freguesia da Penha de França, cidade de Lisboa. Foi fundada no tempo do Estado Novo para cobrir a crescente população da zona oriental de Lisboa, mas apenas permitia a frequência de raparigas. Depois do 25 de Abril de 1974, a escola passou a permitir a frequência de ambos os sexos.

“A Escola Secundária D. Luísa de Gusmão, situada em Lisboa (freguesia dos Anjos), foi inaugurada em 1958. Inicialmente funcionou como Escola Industrial Feminina, passou a Escola Industrial/Comercial em 1970 e a Secundária em 1975, em consequência das reformas educativas que tiveram lugar nessas datas.” (Direção de Serviços de Documentação e de Arquivo, 2020:65).

Apesar da cidade de Lisboa e esta zona em particular estarem a perder população, esta escola continua a ser uma das mais importantes e conhecidas da Capital e tem sido local de passagem de centenas de alunos. A percentagem de alunos naturais de outros países é cerca de 24%, com predomínio para os oriundos do Brasil, China e países africanos.

A Escola Secundária D. Luísa de Gusmão ostenta um conjunto de painéis  de Querubim Lapa,[4] realizados em 2005, de grande beleza e harmonia. A gramática decorativa utilizada, o cromatismo geométrico, onde predomina o branco, amarelo, azul e o verde. Estes jogos abstracionistas, de linhas coloridas, sobrepõem-se de modo a eludir movimentos quadriculares.

 

P. M. 

 

 

BIBLIOGRAFIA:

 

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS NUNO GONCALVES (s.d.). Apresentação do agrupamento [em linha]. Lisboa AENG [Consult. 23 de outubro de 2020]. Disponível: http://aenunogoncalves.net/

 

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS NUNO GONCALVES (s.d.a). Relatório de consecução dos objetivos do projeto educativo de agrupamento [em linha]. Lisboa: AENG [Consult. 27 de outubro de 2020]. Disponível: http://aenunogoncalves.com/upload/Relatorio_autoavaliacao_AENG_13.09.2019.pdf

 

ASSOCIAÇÃO DE PAIS E ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO DA EB1 SAMPAIO GARRIDO (s.d.). Escola e agrupamento [em linha]. Lisboa: APEE Sampaio Garrido [Consult. 27 de outubro de 2020]. Disponível: http://apee.sampaiogarrido.com/category/news-escola/

 

BOAVENTURA, Inês (2014). Neste jardim de infância em Lisboa há crianças de todo o mundo, mas a única cor que as distingue é a da sala em que estudam [em linha]: Público, 19 de outubro de 2014. [Consult. 26 de outubro de 2020]. Disponível: https://www.publico.pt/2014/10/19/local/noticia/neste-jardim-de-infancia-em-lisboa-ha-criancas-de-todo-o-mundo-mas-a-unica-cor-que-as-distingue-e-a-da-sala-em-que-estudam-1673278

 

CORREIO DA MANHÃ (23 de novembro de 2007). Escola Natália Correia reabre [em linha]. Lisboa: CM [Consult. 27 de outubro de 2020]. Disponível: https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/escola-natalia-correia-reabre

 

E.B.1 ARQUITECTO VICTOR PALLA (s.d.). Victor Palla 1922-2006 [Mensagem de blog]. Lisboa: EB1 Arquiteto Victor Palla [Conslt. 27 de outubro de 2020. Disponível: http://ebarquitectovictorpalla.blogspot.com/p/historia.html

 

DIREÇÃO DE SERVIÇOS DE DOCUMENTAÇÃO E DE ARQUIVO (2020). História das Escolas inseridas no Projeto Bibliotecas, Arquivos e Museus da Educação (2008 – 2011) [em linha]. Lisboa: Secretaria-Geral da Educação e Ciência [Consult. 27 de outubro de 2020]. Disponível: https://www.sec-geral.mec.pt/sites/default/files/00._historia_das_escolas_compacto.pdf

 

PINCHA, João Pedro (2020). Painel de Querubim Lapa em escola de Lisboa pode ruir “mais dia, menos dia” [em Linha]. Lisboa: Público, 14 de abril de 2020 [Consult. 27 de outubro de 2020]. Disponível: https://www.publico.pt/2020/04/14/local/noticia/painel-querubim-lapa-escola-lisboa-ruir-dia-menos-dia-1912129 



[1] Carlos de Almeida Fonseca Sampaio Garrido (1883-1960) foi embaixador de Portugal em Budapeste em 1944, recebeu, a título póstumo, a medalha de “Justo entre as Nações” pela sua ação de proteção e salvamento de judeus húngaros. Licenciado em ciências económicas e financeira iniciou a sua carreira diplomática com adido de legação, em 24 de dezembro de 1901; em Serviço na Direção Geral dos Negócios Comerciais e Consulares. Em 27 de Julho de 1939 é enviado extraordinário e ministro plenipotenciário em Budapeste.

[2] Natália Correia nasceu nos Açores em 1923 e aos 11 anos desloca-se para Lisboa. Foi jornalista no Rádio Clube Português e colaborou no jornal Sol. Ativista política: apoiou a candidatura de Humberto Delgado; assumiu publicamente divergências com o Estado Novo e foi condenada a prisão com pena suspensa em 1966, pela «Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica». Deputada após o 25 de Abril, fez programas de televisão destacando-se o “Mátria” que apresentava o lado matriarcal da sociedade portuguesa. Fundou o bar “Botequim”, onde cantou durante muitos anos, transformando-o no ponto de reunião da elite intelectual e política nas décadas de 1970 e 80. Organizou várias antologias de poesia portuguesa como “Cantares dos Trovadores Galego-Portugueses” ou “Antologia da Poesia do Período Barroco”. Natália Correia foi uma versejadora de êxito, uma mulher carismática com uma vida social intensa, não fez concessões à mediania e notabilizou-se por uma vasta obra intelectual.

[3] Victor Palla, arquiteto e fotógrafo, com obras de referência em ambas as áreas, foi também pintor, ceramista, designer gráfico, tradutor, editor, galerista e animador de muitos projetos. Faleceu a 28 de abril com 84 anos, em Lisboa, onde nascera em 1922. Aqui estudou arquitetura, antes de se transferir para o Porto, para se licenciar em 1948, sendo diretor da Galeria Portugália e um dos dinamizadores das Exposições Independentes, ao lado de Fernando Lanhas. De regresso a Lisboa, participou nas Exposições Gerais de Artes Plásticas, em diversas disciplinas e em quase todas as edições entre 1947 e 1955. No início da década de 50 foi um dos modernizadores da arquitetura portuguesa, seguindo os princípios funcionalistas do Estilo Internacional com particular radicalidade plástica, sob influência brasileira. À intervenção teórica e de divulgação em revistas (algumas sob a sua direção) juntaram-se obras como a escola do Vale Escuro, de 1953, projetada com Joaquim Bento de Almeida. Com atelier conjunto durante 25 anos, a dupla de arquitetos teve ação relevante na renovação dos espaços comerciais de Lisboa, em paralelo com Keil de Amaral e Conceição Silva. Em especial, ficaram a dever-se-lhes os novos cafés e snack-bares Terminus, Tique-Taque, Suprema, o antigo Pique-Nique, no Rossio, e o Galeto, já em 1966. O seu talento multifacetado manifestou-se no dinamismo espacial e material dos volumes arquitetónicos, conjugado com o design inovador do mobiliário e da iluminação, adequados aos novos consumos da «vida moderna».

[4]Querubim Lapa de Almeida (1925-2016) foi um artista plástico e professor, pintor, desenhador e gravador, autor de trabalhos de tapeçaria, Querubim Lapa é reconhecido sobretudo como um dos mais importantes ceramistas portugueses, com soluções plástica e tecnicamente inovadoras, destacando-se os seus inúmeros painéis para espaços públicos (assinalem-se, por exemplo, os painéis que criou para a Reitoria da Universidade de Lisboa, 1961, para a Avenida 24 de Julho, Lisboa, 1994, ou para a Estação Bela Vista, do Metropolitano de Lisboa, 1998). Da António Arroio, seguiu para a ESBAL para estudar escultura (concluiria também o curso de Pintura, mas só muito mais tarde, em 1978). Lá deu continuidade à sua formação e ao seu ativismo político. Depois de uma passagem breve pelas Belas Artes do Porto, mais liberais do que as de Lisboa, sempre sob intenso escrutínio da polícia do Estado Novo, Querubim Lapa regressou à capital para aceitar um lugar de professor na “sua” escola. Dirigiu ateliers de cerâmica na António Arroio durante 45 anos, marcando gerações de alunos com a sua dedicação e o seu fascínio pela arte e pelos materiais.

 

2020/11/26

Património imaterial de Portugal: Arte Chocalheira

(Imagem de uma oficina de fabrico de chocalhos. Retirada da internet)


A arte chocalheira diz respeito ao ofício de fabrico e manutenção de chocalhos artesanais, utilizados ao pescoço de animais do campo, com o intuito de os localizar.

Os chocalhos são igualmente usados por ranchos folclóricos ou em celebrações específicas como o Entrudo Chocalheiro do carnaval de Podence. O seu fabrico foi declarado Património Cultural Imaterial da Humanidade em 2015.


A candidatura foi apresentada pela Câmara Municipal de Viana do Alentejo, pela Junta de Freguesia de Alcáçovas e pelo Turismo do Alentejo. É nesta é a região que este ofício, com mais de dois mil anos, tem maior expressão.

A necessidade de salvaguarda urgente deve-se não só ao facto da diminuição da atividade pastorícia nesta área, mas também ao processo de fabrico moroso e complexo do chocalho.

Em tempos mais antigos, cada animal, consoante o tipo de gado, utilizava um chocalho de tamanho diferente conforme a época do ano. O animal mais guloso usava um chocalho maior e com som mais grave para que o seu dono pudesse perceber se andava a comer a pastagem do vizinho.

(Imagem de vários tipos de chocalhos. Retirada da internet)


O fabrico do chocalho é totalmente artesanal, talhado em folha de ferro, pendurando-se depois o badalo e, por último, a asa.

Para obtenção de um melhor som é necessário soldar os bordos e colocar uma folha de latão e bronze, coberta por barro amassado com palhinha de trigo. Levam-se à forja e são posteriormente molhados em água fria. Depois de secos o barro é removido. Há, então, que afinar o som na bigorna através de várias marteladas.

Os nomes dos chocalhos variam consoante o seu tamanho que vai desde 2 a 50 cm. Cada um tem uma espécie de brasão, a assinatura do artesão que o produziu e a marca da casa agrícola que o encomendou.

Em Portugal, atualmente existem cerca de uma dúzia de chocalheiros com um saber e uma arte que não pode cair no esquecimento. Estão localizados no Alentejo, na sua maioria, mas também em Braga, Tomar, Cartaxo e Angra do Heroísmo.

(Imagem de chocalhos de diferentes tamanhos. Retirada da internet)

Em Alcáçovas pode-se visitar o Museu do Chocalho, uma coleção particular com mais de 3.000 peças, recolhidas ao longe de 60 anos.

Para saber mais visite a Câmara Municipal de Viana do Alentejo


MJS

 

2020/11/23

Exposição virtual "Jogos didáticos do Instituto António Aurélio da Costa Ferreira"

António Aurélio da Costa Ferreira (1879 - 1922) foi toda a sua vida um defensor de medidas no âmbito da educação e da assistência médica e social às crianças. Fundador do Instituto Médico-Pedagógico em 1915, visava um ensino individualizado e o mais alargado possível. Após a sua morte o Instituto Médico-Pedagógico passou a designar-se Instituto António Aurélio da Costa Ferreira (1929) e dedicou-se à educação de crianças com deficiências. Os exercícios de observação e de lógica eram fundamentais em todo este processo, a par do trabalho manual. Através de exercícios simples de recorte ou colagem, a criança desenvolvia capacidades ao nível da educação dos sentidos, como o tato ou a visão. O ensino da língua era feito através do método da escrita-leitura que combinava as palavras com as imagens. O desenho desempenhou um importante papel neste método de ensino, uma vez que permitia ao aluno desenvolver a motricidade fina e combinações motrizes mentais: o decalque de figuras, o contorno e a representação de silhuetas de plantas e animais. A iniciação ao cálculo também era realizada através do desenho, começando por objetos de grandes dimensões até, progressivamente atingir a capacidade de execução de cálculos mentais. O estudo de pesos e medidas e a realização de operações com notas e moedas davam ao aluno uma preparação para a vida prática. A música também não foi esquecida, fazendo parte da atividade curricular. Nesta exposição apresentamos alguns jogos utilizados, de forma lúdica, para desenvolver capacidades cognitivas, motrizes e de pensamento lógico.


Jogo didático – “L´Énfant Constructeur”

ME/IAACF/75

ME/Instituto António Aurélio da Costa Ferreira

Jogo didático denominado "L' enfant Constructeur". Trata-se de uma caixa de madeira contendo pequenas peças perfuradas em madeira para efetuar construções de veículos e outros objetos.


Jogo da Pesca 

ME/IAACF/190

ME/Instituto António Aurélio da Costa Ferreira

Jogo didático denominado "Jogo da Pesca". Trata-se de uma caixa que contém peixes de papel numerados, com um anzol, canas de pesca de madeira e uma estrutura em cartão. O objetivo é apanhar os peixes com a cana de pesca, desenvolvendo capacidades de motricidade.

 

Jogo “Kiddicraft. Le Jouet pour les tout petits. Feutradécor”

 ME/IAACF/242

ME/Instituto António Aurélio da Costa Ferreira

Jogo didático com título "Kiddicraft. Le jouet pour les tout petits. Feutradécor". Trata-se de jogo de feltro adequado para crianças entre os 4 e os 8 anos. A criança começa por separar os elementos pré-cortados nas folhas de feltro de diversas cores e por arrumá-los nos locais adequados. De seguida pode realizar uma gama infinita de modelos devido à aderência do feltro a um tabuleiro de base fornecido pelo jogo. Permite o desenvolvimento do sentido visual e a identificação de formas, para além de incentivar a imaginação. O jogo ganhou 2 prémios em 1956 e 1959.

 

Jogo de formas

ME/IAACF/250

ME/Instituto António Aurélio da Costa Ferreira

Jogo didático para aprendizagem de formas. Trata-se de um jogo que se encontra no interior de uma caixa de cartão e é constituído por uma base de madeira onde se encaixam várias peças coloridas de diferentes formatos: triângulos, quadrados e retângulos.

 

Loto

ME/IAACF/241

ME/Instituto António Aurélio da Costa Ferreira

Jogo didático com o título "Loto da minha casa". Trata-se de um loto de identificação e observação para 2 a 4 jogadores. É constituído por 4 cartões e 40 fichas. As fichas têm uma temática relacionada com as divisões da casa: sala de jantar, casa de banho, quarto e cozinha. A cada cartão correspondem 10 fichas que são reconhecíveis na imagem. O objetivo é desenvolver a observação e a classificação lógica e aumentar o vocabulário. Para além de ser usado como loto, pode ser usado como jogo de memória.

 

Puzzle

ME/IAACF/17

ME/Instituto António Aurélio da Costa Ferreira

Jogo didático constituído por uma caixa de madeira pintada com 9 cubos que organizados de forma correta, formam uma imagem à semelhança de um puzzle. Estão pintados à mão.


MJS


2020/11/19

Peça do mês de novembro/2020



Variómetro/ Barómetro de Hefner-Alteneck
O Variómetro de Hefner-Alteneck era utilizado para determinar a variação da pressão atmosférica com a altitude. Consta de uma garrafa de vidro de 1 litro, envolta em feltro para garantir o seu isolamento térmico, com rolha de borracha atravessada por um tubo de vidro estreito e dobrado. O tubo forma uma parte horizontal que leva uma gota de petróleo para servir de índice. A sua posição pode ser lida numa escala graduada posterior.
Friedrich Heinrich Philipp Franz von Hefner-Alteneck (1845-1904)  foi um engenheiro eletrotécnico alemão, que desenvolveu vários instrumentos científicos, nomeadamente a Lâmpada de Hefner. Colaborou com Werner von Siemens e foi eleito membro da Academia Real das Ciências da Suécia em 1896.
A peça está inventariada com o número ME/404652/196 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária de Pedro Nunes.
MJS

2020/11/16

Património imaterial de Portugal: Artesanato de Estremoz


(Imagem de artesanato de Estremoz que representa 3 figuras masculinas sentadas a uma mesa. Retirada da internet)

As figuras de barro, mais conhecidas como “bonecos” de Estremoz fazem parte de uma arte com mais de três séculos de tradição. Foram identificadas mais de 100 figuras diferentes, relacionadas com a temática do quotidiano rural e urbano.

A primeira menção a estas figuras data do inicio do século XVIII. Em 1770 há referência a mulheres que produziam figuras de barro. A sua origem é, possivelmente, de natureza espiritual, ou seja, o povo gostava de ter em sua casa alguns santinhos e na impossibilidade de os comprar, começaram a elaborar estas figuras.

Partindo deste pressuposto, começaram a surgir presépios, onde se inclui a Sagrada Família, os Reis Magos e as figuras características do povo como o pastor, a mulher das galinhas e outros.

(Imagem de artesanato de Estremoz que representa um presépio. Retirada da internet)


No início do século XX, o fabrico destas peças quase desapareceu com a morte de Gertrudes Rosa Marques. Através da fundação da Escola de Artes e Ofícios de Estremoz em 1924 por José Maria Sé Lemos, retomou-se a produção com a barrista Ana das Peles. Depois seguiu-se Mariano da Conceição, oleiro da família Alfacinha, que deu novo fôlego a esta arte. Seguiu-se Sabrina Santos, sua irmã e posteriormente Liberdade da Conceição, sua esposa.

Surge assim uma nova geração de bonequeiros, como é o caso de António Lino de Sousa, José Moreira e Mário Lagartinho e muitos outros.

(Imagem de artesanato de Estremoz que representa 3 figuras femininas. Retirada da internet)


A sua produção é relativamente simples, utilizando três tipos de processos como a bola, a placa e o rolo. Depois de moldada a figura, fica a secar vários dias, sendo depois cozida a 800º. Seguidamente, a pintura feita com óxidos de terra misturados com cola. Após a secagem da tinta é aplicado um verniz para proteção da mesma. As cores são sempre fortes e garridas, conferindo à peça um aspeto alegre.

Em 2017 esta arte foi considerada Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

Para mais informações aceda à página da Câmara Municipal de Estremoz .


MJS


2020/11/12

Património Imaterial de Portugal

 

(Imagem com alguns elementos representativos do património imaterial de Portugal. Retirada da internet)


O património imaterial é uma das categorias do património cultural, onde se concentram tradições e expressões culturais de um grupo de pessoas, devendo ser preservadas para posteridade. Aqui se incluem elementos tão dispersos como lendas, música, dança, costumes, celebrações, saberes e práticas tradicionais.

De acordo com o estabelecido na Lei 107/2001 de 8 de setembro entende-se património imaterial “como todos os bens que, sendo testemunhos com valor de civilização ou de cultura portadores de interesse cultural relevante, devem ser objeto de especial proteção e valorização.” Inclui bens de caráter histórico, arqueológico, paleontológico, arquitetónico, linguístico, documental, artístico, etnográfico, científico, social, industrial ou técnico e ainda “bens imateriais que constituam parcelas estruturantes da identidade e da memória coletiva do povo português”.

O património imaterial foi reconhecido em 2003 como uma categoria interna do património cultural da humanidade, com o apoio e reconhecimento da UNESCO. Assim sendo, esta organização considera vários tipos de património, cujo valor pode ser histórico, arqueológico, ambiental ou natural. Existem todos os anos vários tipos de candidaturas a este estatuto.

De acordo com a Comissão Nacional da UNESCO, o património imaterial em Portugal inclui:

    - Falcoaria (partilhado com a Bélgica, República Checa, França, Coreia, Mongólia, Marrocos, Qatar, Arábia Saudita, Espanha, Síria, Emirados Árabes Unidos, Áustria e Hungria);

    - Dieta Mediterrânica (partilhado com Itália, Grécia, Chipre, Croácia, Espanha e Marrocos);

    - Fado;

    - Cante Alentejano;

    - Artesanato de Estremoz;

    - Arte Chocalheira;

    - Olaria Negra de Bisalhães;

    - Carnaval de Podence.


O património cultural português faz parte do património mundial classificado pela UNESCO desde 1983. Apresentamos uma listagem dos vários tipos de bens materiais e imateriais que a integram:


1983

Centro histórico de Angra do Heroísmo (Açores), Mosteiro da Batalha, Mosteiro dos Jerónimos/Torre de Belém (Lisboa) e Convento de Cristo (Tomar)

1986

Centro histórico de Évora

1989

Mosteiro de Alcobaça

 1995

Paisagem cultural de Sintra

 1996

Centro histórico do Porto

 1998

Sítios Pré-históricos de Arte Rupestre do Vale do Rio Côa

1999

Floresta Laurissilva da Madeira

 2001

Centro histórico de Guimarães e Alto Douro Vinhateiro

2004

Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, nos Açores

 2011

Fado

 2012

Fortificação de Elvas

 2013

Universidade de Coimbra

Dieta mediterrânica

 2014

Cante Alentejano

 2015

Processo de fabrico de chocalhos em Portugal considerado Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente.

2016

Processo de fabrico do barro preto de Bisalhães, em Vila Real  inscrito na lista do Património Cultural Imaterial que necessita de salvaguarda urgente da UNESCO.

Falcoaria

2017

Produção dos "Bonecos de Estremoz"

2019

Carnaval de Podence


MJS