2021/02/25

A Escola Primária de Faiões - uma escola construída pelos populares

Edifício escolar de 3 salas, com cantina, misto, tipo Granito, do núcleo escolar de Faiões. Inclui memória descritiva das obras a efetuar, orçamento das obras de conclusão no valor de 59 800$00. Contém alçado da "Escola primária de Faiões - Chaves - Vedação entrada e fontenário público na estrada de Chaves a Bragança - Escala de 0,02 por metro." e fachada principal, alçado lateral direito, lateral esquerdo, posterior e planta do 1º e 2º pavimentos na escala de 0,01 por metro, realizados pela sociedade Rogério Azevedo/ Baltazar de Castro, Arquitetos. Contém ainda a carta do benemérito António Moraes Sarmento, reitor da Universidade de Coimbra, dirigida ao capitão Gomes da Silva, com os requisitos e condições para a construção da futura escola primária. 

(Imagem da fachada da Escola Primária de Faiões)

Imagem retirada do site SIPA da Direção-Geral do Património Cultural

O processo referente à Escola Primária de Faiões, concelho de Chaves, distrito de Vila Real, encontra-se à guarda da Direção de Serviços de Documentação e de Arquivo da SGEC. A documentação deste processo encontra-se extremada entre fevereiro de 1932 e novembro de 1936. Mandada construir por António Luís de Moraes Sarmento, cujo pai tinha nascido precisamente em Faiões, a carta de intenções do benemérito é enviada do Laboratório de Físico-Química e Química Biológica da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, sendo endereçada ao capitão Gomes da Silva, com a data de 29 de fevereiro de 1932. António de Moraes Sarmento, eminente professor e médico de Coimbra, e grande promotor das águas mineromedicinais da estância termal do Vidago, chegou mesmo a assumir o cargo de Reitor da Universidade coimbrã. Da carta enviada ao oficial flaviense, presumivelmente colocado no Batalhão de Caçadores nº3, atual Regimento de Infantaria 19, cujo lema é “Sempre Excelentes e Valoroso”, importará reter as condições requeridas pelo médico benfeitor:

       “Consoante a comunicação feita a V. Exa. na minha carta de ontem, e o combinado em nossa palestra de 16 do corrente, tomo a liberdade de enviar a V. Exa. pelo correio d`hoje, registado, o “croquis” do terreno onde deverão realisar-se (sic) as construções escolares (quarteirão pertencente a Domingos Sarmento com 51,20 por 14) e seus arredores. Satisfazendo os desejos de V. Exa., volto a dizer-lhe, que, para os meus projectos poderem ter realidade, é necessário construir junto ao edifício escolar (e este para dois sexos) uma sala de reunião para adultos, um ginásio, trez (sic) cabines com chuveiros e podendo ser uma cantina. O Lumbrales, com quem hoje estive, pede-me lhe envie as suas melhores lembranças.”

   Em aditamento, a 3 de março, o benemérito envia de Coimbra, uma nova carta dando conta do seguinte:

      “Segundo notícias hoje recebidas, pode V. Exa. utilizar no projecto a elaborar para a construção do edifício escolar e anexos, não só o terreno indicado na planta que há dias tive a honra de enviar a V. Exa., como ainda o que reputar necessário dos terrenos limítrofes.”

(Desenho da fachada da Escola Primária de Faiões)

Arquivo da Secretaria-Geral da Educação e Ciência PT/MESG/AES/ACE/C/001/17.03.04/00024
Processo referente à escola da freguesia de Faiões, núcleo de Faiões

O Lumbrales enunciado en passant na missiva dirigida ao jovem capitão, não é só um mero cidadão que envia as “melhores lembranças” ao capitão de Infantaria. Com efeito, João Pinto da Costa Leite Lumbrales, será uma personalidade chave na construção do Estado Novo, que vigoraria temporalmente desde a Constituição de 1933 até à queda do regime em abril de 1974. Nascido no Porto em fevereiro de 1905, foi um professor universitário, monárquico convicto e político referencial durante muitas décadas do Estado Novo. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, onde foram recrutar Salazar para o cargo de ministro das Finanças, na sequência do golpe militar do 28 de maio de 1926, foi discípulo e posteriormente assistente do professor de Finanças Públicas Oliveira Salazar na mesma universidade. Doutorado em Ciências Político-Económicas em 1927, ocupou o cargo de Subsecretário de Estado de Salazar de julho a novembro de 1929. Tendo sido Presidente da Junta Central da Legião Portuguesa e da União Nacional, partido único do regime, foi, contudo, precisamente da década de 1930 e em particular na de `40 (foi ministro do Comércio e Indústria de dezembro de 1937 a agosto de 1940, ocupando de imediato a pasta das Finanças de 29 de agosto de 1940 a 2 agosto de 1950), que Lumbrales contribui para a construção e consolidação do regime político de Oliveira Salazar. Conduziu Portugal nas políticas da aplicação do Plano Marshall (que aliás se oporia numa primeira fase), na sequência da II Guerra Mundial, teve funções na SACOR, mas acabaria por morrer em Madrid no último dia de 1975, na sequência do exílio após a revolução dos Cravos.

   As gentes de Faiões, talvez arreigadas da realidade da conturbada política nacional por esses dias, deitaram mãos à obra e com o trabalho de todos, conseguiram construir a escola que comportaria 3 salas e seria construída de bom granito transmontano. Contam as gentes de Faiões, que em carros de bois, os populares acarretaram 99 carros de pedra, apanhada na vizinha aldeia do Castelo, sendo que por fim o senhor doutor Moraes Sarmento teria dito que eram o suficiente e bastariam para finalizar a obra tão desejada. Com uma traça singular, onde dominam o ar austero e sóbrio da fachada, mas com equilíbrio de formas, onde não faltam uma imitação da torre sineira com relógio, e das arcadas da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, a Escola Primária de Faiões assume uma individualidade singular no panorama das construções escolares nacionais. Consta-se até entre os habitantes de Faiões, que o Presidente do Conselho de Ministros, pela calada da noite, teria feito o acompanhamento das obras e até se teria enamorado da professora residente. (Ao que consta, as histórias do primeiro enamoramento do estadista com a professora primária Felismina de Oliveira já remontavam aos seus tempos de seminarista em Viseu, no já distante ano de 1905, e prolongar-se-iam durante toda a sua vida com mulheres cada vez mais distintas e eruditas …). Com efeito, e no caso da escola de Faiões, as gentes quando querem perpetuar a ação dos governantes, são pródigas em lendas e histórias fantasiosas.

   Composta por três salas de aula, sendo o piso térreo reservado a meninas e o primeiro piso reservado aos rapazes, a escola dispunha de cantina e um espaço bem amplo e aprazível para o recreio dos alunos. Dos custos orçamentados para as obras, consta o valor de 59 800$00 escudos – orçamento datado de 14 de maio de 1934 -, valor significativo para a época da sua construção. Atendendo a que o terreno primitivo foi ampliado, e ainda se construíram 10 casas de um bairro social, para dar apoio a famílias mais carenciadas da aldeia, o valor total das obras rondaria os 120 contos, correspondentes a 600 euros dos nossos dias.

(Planta da Escola Primária de Faiões)

Arquivo da Secretaria-Geral da Educação e Ciência PT/MESG/AES/ACE/C/001/17.03.04/00024

Processo referente à escola da freguesia de Faiões, núcleo de Faiões

Atento ao evoluir das obras, o próprio Morais Sarmento endivida esforços em carta de 5 de março de 1933, e em telegrama de 16 de novembro do mesmo ano, para que sejam pagas com a brevidade possível as folhas de pagamento referentes às obras da escola de Faiões. Por ofício datado de 4 de novembro é enviado ao Diretor Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais uma proposta de ajuste particular para a conclusão das obras, onde o doutor Moraes Sarmento assume por inteiro o valor de 50 000$00 para o desenvolvimento das obras em curso. O processo de conclusão das obras só seria, contudo, finalizado em novembro de 1936.

   Embora a criação da escola aqui retratada seja cronologicamente anterior ao crescimento exponencial que as escolas primárias sofreram com o designado Plano dos Centenários, a beneficência de particulares para a construção das escolas primárias, quer em terrenos, quer em verbas monetárias, ou ambos os contributos, é uma nota com alguma constância na história da construção escolar em Portugal. Assim, só no concelho de Chaves, são vários os núcleos escolares que tiveram beneméritos que deram o primeiro impulso para que fossem construídas escolas nos seus locais de nascitura, ou de afeição. São disso exemplo, as escolas primárias de Castelões (1933, doação ao Estado de terreno e edifício escolar, pelo professor António Moura de Morais Soares, nos termos do art. 16º do decreto 19 531); Vilar de Nantes (1934, doação do edifício escolar por Manuel Batista Carneiro, nos termos do mesmo preceito legal); Vila Verde da Raia (1935, cedência ao Estado do terreno, por D. Luiza de Moraes Sarmento) e de Outeiro Seco (1936, doação de edifício pelo padre Albano Dias, cujo imóvel apresenta no frontispício, a encimar a porta principal, a expressão “Instruir e Construir”).


Propostas de leitura:

DACOSTA, Fernando – Nascido no Estado Novo (narrativa). Lisboa: Editorial Notícias, 2001.


Descrição da Escola Primária de Faiões, no site SIPA:

http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=9294


A.M. 

2021/02/22

Produtividade Autor: Educação e Matemática

(Imagem de um relógio com ponteiros. Entre os ponteiros está montada uma rede onde se encontra um indivíduo. Retirada da internet)

A publicação periódica Educação e Matemática da Associação de Professores de Matemática (APM), na posse da Direção-Geral da Educação (DGE), sob a cota PP 60, pertencente à rede de Bibliotecas Sistema Integrado de Bibliotecas do Ministério da Educação e Ciência (SIBME), foi objeto de investigação analítica-bibliográfica pela Divisão de Serviços de Documentação e de Arquivo.

A finalidade deste estudo bibliográfico foi, sobretudo, disponibilizar e difundir meta informação correspondente a 349 registos, oriundos do espólio à guarda da DGE: n.º 5 ao n.º 88 (1.º trim. 1988 a mai./ jun. 2006); n.º 91 (jan./fev 2007); n.º 97 (mar./abr. 2008) e, finalmente, o n.º 104 (set./out. 2009).

Os conteúdos mais relevantes, dos anteriores anos analisados (1988-2009), são as Práticas pedagógicas; a Formação de professores; o Software educativo; as Biografias; os Projetos educativos, enfim, a Política de educação em todos os seus graus de ensino.

No que diz respeito à visibilidade quantitativa dos autores analisados, respeitante aos números investigados, inspiramo-nos na Lei de Lotka[1], usando o tamanho da frequência anteriormente referido como critério, com a finalidade de averiguar a produtividade autor na revista Educação e Matemática:

(Gráfico de barras horizontais onde se apresenta a Produtividade Autor)

Numa população de 349 registos bibliográficos (analíticos) foram apurados os seguintes dados de produtividade autor (ver: gráfico Produtividade Autor 1):

Eduardo Veloso (var. Veloso, Eduardo),[2]  nascido em 1928, foi professor de matemática, e, neste contexto, é o autor que mais frequência absoluta apresenta de artigos científicos − 17 artigos cientifícos;

Cristina Loureiro (var. Loureiro, Cristina),[3] nascida em 1955, professora de matemática e coordenadora da Escola Superior de Educação, Instituto Politécnico, apresenta uma frequência absoluta de 9 artigos;

Ana Boavida (var. Boavida, Ana)[4] e Ana Vieira (var. Vieira, Ana), ambas apresentam uma frequência de 7 artigos.

Ana Boavida, nascida em 1955, é professora adjunta da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal. Licenciada em matemática - ramo educacional, Universidade de Lisboa e Mestrado em educação e desenvolvimento - educação matemática.

Paulo Abrantes (var. Abrantes, Paulo) e professora de matemática Fernanda Perez (var. Perez, Fernanda) a presentam uma frequência absoluta em ex aecuo, 6 artigos de didática de matemática.

Fernanda Perez, professora de matemática, dedica-se, sobretudo, à valorização das competências dos professores, tais como, a sua formação contínua.  Paulo Manuel Caetano Abrantes, segundo o Jornal o Público (Costa, 2003) nasceu em Lisboa, em 1953. Licenciou-se em matemática na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), em 1977, e doutorou-se em Educação dezassete anos depois, com distinção e louvor. Foi professor do ensino secundário até 1982, ano este em que passou a colaborar com o Departamento de Educação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL). Lecionou ainda nas Universidades dos Açores e da Madeira e orientou teses de mestrado e doutoramento. 

Em 1986, Paulo Abrantes esteve na base da fundação da Associação de Professores de Matemática (APM), a que presidiu nos dois anos seguintes. Foi autor de manuais escolares de matemática e de um sem-número de publicações na área da Educação. Em 2003, o ilustre matemático, veio a falecer vitima de doença prolongada.

Fernando Nunes (var. Nunes, Fernando), João Pedro da Ponte (var. Ponte, João) e, Joana Maria Leitão Brocardo (var. Porfírio, Joan) apresentam, também, em ex aecuo 5 artigos científicos publicados.

Nuno Fernando é licenciado em engenharia química, com Mestrado em metodologia do ensino da matemática. Foi Presidente da Associação de Professores de Matemática (2001-2003), membro de vários Grupos de Trabalho da Associação de Professores de Matemática, nomeadamente do Grupo de Trabalho da Internet. Foi professor desde 1974, lecionando em todos os níveis de ensino. 

João Pedro da Ponte[5], nascido a 1953, é professor catedrático de didática da matemática; licenciado em matemática pela Universidade de Lisboa; Doutor em educação matemática pela University of Georgia,  com Agregação pela Universidade de Lisboa.

Joana Maria Leitão Brocardo Porfírio é licenciada em matemática (1979) pela FCUL, Mestre em educação na especialidade de metodologia do ensino da matemática (1992) pela FCUL e Doutora em didática da matemática (2002) pela mesma Instituição. É professora na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal desde 1989. Foi Diretora Geral (2008-2009) e Subdiretora Geral (2006-2008) na Direção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular.

(Gráfico de barras verticais onde se apresenta a Produtividade Autor)

Segundo o gráfico Produtividade Autor – 2, António Bernardes (var. Bernardes, António); Maria José Costa (var. Costa, Maria José); Leonor Cunha Leal (var. Leal, Leonor); Alexandra Pinheiro (var. Pinheiro, Alexandra); Paula Teixeira (var. Teixeira, Paula) e José Paulo Viana (var. Viana, José) são os autores que, no conjunto de 349 registos, apresentam um valor absoluto de 4 artigos científicos de matemática publicados.

António Bernardes, Maria José Costa e Paulo Teixeira são, ambos, autores de manuais escolares de matemática. Leonor Cunha Leal é Mestre em avaliação educacional (área de matemática); em 1992 analisa um conjunto diversificado de instrumentos, trabalhados num contexto de inovação curricular, o projeto Mat. 789.

Finalmente, José Paulo Viana é também autor de manuais escolares e, consequentemente, professor de matemática na Escola Secundária de Vergílio Ferreira e autor da seção "Desafios" aos domingos no jornal Público.

 

 P.M.

 

 

BIBLIOGRAFIA:

 

ABRANTES, Paulo (1994). “Contagens, grafos e matrizes nos nossos programas? talvez um dia...” Educação e matemática; n.º 30 (2.º Trim. 1994), p. 17-20

 

BERNARDES, António (et al.) (1999). “Avaliando investigações: contributos para a discussão.” Educação e matemática; n.º 51 (Jan./Fev. 1999), p. 19-21

 

BOAVIDA, Ana Maria (et al.) (1999). “Tempos passados... tempos presentes: os materiais em 1974: os materiais em 1999.” Educação e matemática; n.º 53 (Mai./Jun. 1999), p. 38-39

 

COSTA, Maria José (1998). “Oh professora, pode ser um jogo? pode...” Educação e matemática; n.º 46 (Jan./Fev. 1998), p. 20

 

COSTA, Sandra Silva (2003). “Vítima de doença prolongada: morreu o ex-director do Departamento de Educação Básica” [em linha]: Jornal Público; 16 de julho de 2003 [Consult. 26 de janeiro de 2021]. Disponível: https://www.publico.pt/2003/07/16/portugal/noticia/morreu-o-exdirector-do-departamento-de-educacao-basica-1157406

 

LEAL, Leonor Cunha (1994). “Normas profissionais para o ensino da matemática: uma leitura possível.” Educação e matemática; n.º 31 (3.º Trimestre 1994), p. 35-37, 40

 

LOUREIRO, Cristina (1998). “ProfMat 97, duas intervenções: um olhar sobre a ProfMat.” Educação e matemática; n.º 46 (Jan./Fev. 1998), p. 5-6

 

NUNES, Fernando (2000). “Estranho mas verdadeiro... acredite se quizer!” Educação e matemática; n.º 58 (Mai./Jun. 2000), p. 17-18

 

PINHEIRO, Alexandra (et al.) (2000). “A reforma dos programas de matemática: um olhar sobre um painel no ProfMat 94.” Educação e matemática; n.º 32 (4.º Trim. 1994), p. 7-10

 

PEREZ, Fernanda (1999). “Dinâmica de grupo e práticas colaborativas: resultados do Matemática 2001” Educação e matemática; n.º 53 (Mai./Jun. 1999), p. 37

 

PONTE, João Pedro da (1997). “O     ensino da matemática na sociedade da informação” Educação e matemática; n.º 45 (Nov./Dez. 1997), p. 1-2

 

PORFÍRIO, Joana (et al.) (1993). “Uma experiência de resolução de problemas no 7.º ano de escolaridade” Educação e matemática; n.º 28 (4.º Trimestre 1993), p. 5-8, 14

 

TEIXEIRA, Paula (1998). “Alguns recursos para o ensino de estatística na Internet.” Educação e matemática; n.º 47 (Mar./Abr. 1998), p. 22

 

VELOSO, Eduardo (1994). “Geometria no 10.º ano, o fracasso que era previsível...” Educação e matemática; n.º 30 (2.º Trimestre 1994), p. 29-30

 

VIANA, José Paulo (1999). “O problema do ProfMat 98.” Educação e matemática; n.º 51 (Jan./Fev. 1999), p. 15-16

 

VIEIRA, Ana (1999). “Materiais para a aula de matemática.” Educação e matemática; n.º 52 (Mar./Abr. 1999), p. 34

 



[1] A Lei de Lotka está corelacionada com a produtividade dos autores e, por tal, fundamenta-se na premissa básica de que alguns pesquisadores publicam muito e muitos publicam pouco. Dito de outro modo, enuncia que a relação entre o número de autores e o número de artigos publicados por esses, em qualquer área científica, segue a Lei do Inverso do Quadrado ou seja, 1𝑛2. Por exemplo, se num determinado período de tempo, analisando um número n de artigos, o número de cientistas que escrevem dois artigos seria igual a ¼ do número de cientistas que escreveram um artigo.

[2] Nome completo: Eduardo Manuel Souto de Sousa Veloso.

[3] Nome completo: Maria Cristina Cunha Santos Loureiro.

[4] Nome completo: Ana Maria Dias Roque de Lemos Boavida.

[5] Nome completo: João Pedro Mendes da Ponte.

2021/02/18

Peça do mês de fevereiro









Locomotiva

Modelo de uma locomotiva utilizado nas aulas de Física para ilustrar as matérias de termodinâmica. Trata-se de um objeto em metal sobre suporte de madeira para demonstração do funcionamento de uma locomotiva a vapor.

Está inventariado com o número ME/ESMC/179 e pertence ao espólio museológico da Escola Machado de Castro.


MJS

2021/02/16

Escola Secundária de Camões: o património em destaque

A Escola Secundária de Camões incentivou sempre a partilha e a valorização do seu património. A história da instituição e a diversidade do seu acervo contribuíram para um trabalho conjunto, de professores e alunos, cujo objetivo é trazer a público, mensalmente, uma peça considerada relevante.

O potencial expositivo do património da Escola Secundária de Camões é enorme, possibilitando múltiplas abordagens. Podem ser realizados estudos a partir de um edifício ou de um espaço, de um objeto ou de um conjunto de objetos (livros, manuscritos, fotografias, mapas, pinturas, esculturas, peças associadas a uma celebração ou a um testemunho, espécimes de história natural, instrumentos científicos, entre outros a ponderar). A este propósito foi elaborado um flyer com informações específicas relativamente a esta temática. 

(Imagem de um microscópio)

Neste flyer a escolha recaiu sobre um microscópio ótico de precisão, inclinável, com componente mecânica de latão parcialmente esmaltado a preto (coluna, parte da platina e base). Para mais informações aceda aqui. 

2021/02/15

Património Material de Portugal: Paisagem de Sintra

 

(Imagem do Palácio Real de Sintra retirada da internet)

A Paisagem Cultural de Sintra faz parte do património mundial classificado pela UNESCO desde 1995.

A zona de Sintra e da sua serra caracterizam-se por uma paisagem natural de grande beleza e singularidade, bem como por um conjunto de construções artísticas e monumentos de valor incalculável.

Conhecida como Monte da Lua, Sintra está associada a um local de culto desde a época pré-histórica. Durante o período de ocupação romana o local foi dinamizado a todos os níveis, bem como durante as invasões muçulmanas. Era um dos principais centros urbanos a seguir a Lisboa, tendo funcionado como polo abastecedor da “capital” e apoio defensivo.

A Carta de Foral foi concedida à vila em 1154, tendo sido doadas terras aos povoadores de diversas proveniências. Á medida que a Reconquista avançava para sul, Sintra perdeu a sua importância estratégica. D. Dinis concedeu foral à vila de Colares em 1281 e iniciou a ampliação da alcáçova moura que viria a tornar-se posteriormente o Palácio Real.

D. João I procedeu à construção de vários edifícios na zona, como é o caso do Convento da Santíssima Trindade e à ampliação do Palácio, sob a direção do mestre João Garcia de Toledo. A presença da corte durante várias temporadas neste local contribuiu largamente para a intensificação da vida política e económica da vila.

(Imagem do Castelo dos Mouros em Sintra retirada da internet)

Durante o século XV, a corte instala-se em Sintra, tendo sido o local de nascimento de D. Afonso V. A concessão de benefícios régios e isenções potenciou o desenvolvimento de toda esta zona, tanto mais que D. João II foi aqui aclamado rei.

D. Manuel continuou as obras no Palácio, que se tornou um exemplar de profissão de estilos arquitetónicos e decorativos. Sob a égide deste monarca, foi erigido um mosteiro, em 1511, bem como a renovação do Mosteiro da Penha Longa, em 1517 e do Mosteiro de São Martinho. D. Catarina fundou a Misericórdia de Sintra em 1545. Muitos nobres passaram a gravitar junto da corte reformando quintas e pequenos palácios que engrandeceram a vila.

O gosto humanista, típico do renascimento, tornou Sintra num polo cultural, onde se desenvolveram as letras e as ciências. Várias foram as figuras ilustres que por aqui passaram, desde Gil Vicente, Pedro Nunes, João de Barros, Damião de Góis ou Luís de Camões entre outros.

Com o domínio filipino e a ausência da corte esta pujança cultural desapareceu, apenas animada com as cortes de aldeia, apanágio de alguns membros da nobreza. A situação acentuou-se durante a Restauração, uma vez que a monarquia preferiu Lisboa como centro da governação.

(Imagem do Palácio da Pena em Sintra retirada da internet)

À semelhança de Lisboa, Sintra perdeu grande parte dos seus edifícios com o terramoto de 1755, embora as obras de reconstrução tenham sido rápidas.

Só no final do século XVIII se renovaria a importância de Sintra, visitada por vários intelectuais estrangeiros, como Beckford, Byron ou Southey. Gerard Devisme construiu um palácio em Monserrate, Daniel Gildemeester erigiu a Quinta da Alegria em 1783. O Hotel Lawrence, inaugurado em 1786, tornou-se um dos primeiros da Europa.

O século XIX, a par do movimento romântico, tornou-se o período mais marcante para Sintra. Desta época são o Palácio da Pena, o Palácio de Monserrate, a Quinta da Regaleira ou a Quinta do Relógio.

No início do século XX houve uma profunda intervenção arquitetónica na vila, em que a ligação entre o homem e a natureza foi amplamente privilegiada. O clima da Serra de Sintra tem características muito próprias, com vegetação abundante que se funde com a arquitetura.

Desta forma, ao nível do património paisagístico, destacam-se o Parque Botânico de Monserrate e o Parque Botânico da Pena.

O Parque de Monserrate está situado na zona Norte da Serra de Sintra. Esta área foi arrendada a William Beckford nos finais do século XVIII que criou um parque botânico. Mais tarde, Sir Francis Cook adquiriu a propriedade que foi reconstruída por James Burt. Foram criados ambientes de várias zonas do mundo, incluindo nascentes e cascatas artificiais.

O Parque da Pena foi iniciado por D. Fernando II em 1840, com a presença de espécies europeias, da América do Norte, da Ásia e da Nova Zelândia, onde se conjugam com quiosques, fontes, lagos e miradouros.

O Centro histórico da vila é outro dos locais mais emblemáticos e resulta da reconstrução pombalina. Tendo como ponto de partida o Palácio e um tecido urbano medieval, à medida que nos afastamos vai apresentando ruas mais largas e construções mais amplas.

No quer respeita à arquitetura áulica, temos o Chalet Biester, o Palácio de Monserrate, O Chalet da Condessa d’Edla, o Palácio de Seteais, o Palácio Nacional da Pena, o Paço de Ribafrias, o Palácio Nacional de Sintra, a Quinta da Regaleira, a Quinta da Amizade, a Quinta do Relógio, a Quinta da Penha Verde, a Quinta do Saldanha e a Quinta dos Pisões.

Ao nível da arquitetura militar temos o Palácio dos Mouros. A arquitetura religiosa inclui o Convento da Trindade, a Ermida de Nossa Senhora da Piedade, o Convento de Santa Ana da Ordem do Carmo, a Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia, o Convento de Santa Cruz dos Capuchos, a Igreja Paroquial de Santa Maria do Arrabalde, a Igreja Paroquial de São Martinho, a Igreja Paroquial de São Pedro de Canaferrim e a Igreja Paroquial de São Miguel do Arrabalde.

(Imagem do poço da Quinta da Regaleira em Sintra retirada da internet)

No que respeita ao património arqueológico podem referir-se a Necrópole Medieval de Nossa Senhora de Milides, o Monumento Pré-Histórico da Bela Vista, o Sítio Romano da “Vila Velha” de Sintra, Via e provável Necrópole Romanas da Rua da Ferraria, o Sítio Calcolítico da Penha Verde, o Sítio da Idade do Bronze/Ferro do Parque das Merendas, o Sítio Neolítico/ Calcolítico da Rua das Padarias, o Depósito da Idade do Bronze do Monte do Sereno, o Sítio Neolítico de São Pedro de Canaferrim e o Sítio da Idade do Bronze do Castelo dos Mouros.

Estes são apenas os locais classificados pela UNESCO, embora o património sintrense inclua muito mais. Para saber mais poderá consultar o site da Câmara Municipal de Sintra e saber tudo o que esta região tem para oferecer. http://paisagemcultural.sintra.pt/patrimonio

 

MJS

2021/02/11

Património Material de Portugal: Mosteiro de Alcobaça

 

(Imagem da fachada do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. Retirada da internet)

O Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça faz parte do património mundial classificado pela UNESCO desde 1989.

Situado na cidade de Alcobaça, este mosteiro é considerado a primeira obra totalmente em estilo gótico em Portugal. 

Em finais do século X, foi fundado em Cluny um mosteiro beneditino que seguia a Regra de S. Bento. No entanto, o abandono das regras rígidas da Ordem, levou alguns monges a fundar um novo mosteiro em Cister. Estes monges chegaram a Portugal em plena reconquista cristã levada a cabo por D. Afonso Henriques. Este monarca doou várias terras a S. Bernardo, na região de Alcobaça e em 1153 foi concedida uma Carta de Couto tendo-se iniciado a construção do Mosteiro em 1178.

Á medida que que conquista avançava para sul, estes monges tiveram um papel fundamental no povoamento e defesa do território. O auxílio à população e as ações de beneficência tornaram-se fundamentais.

O mosteiro é constituído por várias zonas que podemos destacar. Em primeiro lugar, a Igreja, que é a primeira construção totalmente gótica em Portugal. A sua planta de cruz latina tem uma nave central, duas naves laterais e um transepto. A capela-mor é limitada por um deambulatório com nove capelas. A sua arquitetura reflete a regra beneditina de humildade, isolamento e serviço a Deus, através da estrutura simples. Ao longo do tempo a igreja foi sofrendo alterações, nomeadamente entre 1702 e 1725, com a inclusão de elementos barrocos e campanários.

(Imagem dos claustros do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. Retirada da internet)

No interior da igreja encontram-se os túmulos de alguns monarcas portugueses, como é o caso de D. Afonso II (185-1223) e de D. Afonso III (1210 – 1279). Numa sala lateral estão mais oito túmulos, entre os quais o de D. Beatriz, mulher de D. Afonso III e três dos seus filhos e também D. Urraca, mulher de D. Afonso II.

Destacam-se igualmente os túmulos de D. Pedro I e de D. Inês de Castro, profundamente danificados aquando das invasões francesas

O primeiro Claustro foi provavelmente edificado em 1240. Foi substituído pelo Claustro de D. Dinis, edificado no século XIV, o centro da vida do mosteiro, à volta do qual se situam a Sala do Capítulo, o Refeitório, a Sala dos Monges, o Dormitório, o Parlatório e a Cozinha. D. Manuel I adicionou um segundo andar a esta construção.

A sala do Capítulo, incluída na zona do Claustro do Capítulo, tem uma fachada vistosa e servia às assembleias dos monges. Aqui se procedia à leitura dos capítulos da Regra Beneditina.

O Parlatório encontrava-se ao lado da Sala do Capítulo e era apenas aqui que os monges estavam autorizados a falar.

O Dormitório localiza-se no primeiro andar e conserva ainda a sua forma medieval. Atualmente possui três naves de grandes dimensões.

A Sala dos monges situava-se por baixo da zona norte do dormitório e servia, nos primeiros tempos, para o alojamento dos noviços. No início do século XVI esta zona foi transformada em área de trabalho e sala de estar para os monges.

A cozinha inicial tinha em consideração os hábitos alimentares dos monges que não consumiam carnes nem matérias gordas. A alteração destes costumes, com a autorização do consumo de carne tornou necessária a construção de uma nova cozinha, provavelmente em 1712. Incluía uma lareira central e duas laterais que permitam alimentar mais de 500 pessoas. Ao lado da nova cozinha encontrava-se o refeitório.

No que respeita às novas alas, podem destacar-se o Claustro do Cardeal, edificado no século XVI em homenagem ao Cardeal D. Henrique; o Claustro da Portaria e a Sala das Conclusões. Na zona Sul, funcionou o Colégio da Nossa Senhora da Conceição e o Claustro da Leitura.

O Núcleo Barroco inclui a Sacristia Nova, a Capela Relicário. e a Capela do Desterro.

(Imagem do interior do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. Retirada da internet)

A Capela-Relicário foi erigida entre 1669 e 1672, um exemplar único em Portugal em trabalho de talha dourada.

A Capela do Desterro data do século XVIII e o seu interior é totalmente revestido a azulejos onde se narram episódios da vida de Jesus.

A Sacristia, de origem medieval, foi substituída na época de D. Manuel I, mas desapareceu durante o terramoto de 1755. Foi reconstruída em 1770 em estilo Barroco, tendo-se conservado os portais manuelinos.

O Mosteiro de Alcobaça estava murado, mas foi-se desmoronando ao longo do tempo. Entre o muro e o mosteiro existiam jardins e ainda um lago e um obelisco, provavelmente datados do século XVIII. As áreas reservadas à agricultura situavam-se na zona norte. O cemitério dos monges localizava-se no lado sul do transepto da igreja.

Deve-se ainda referir o sistema hidráulico utilizado pelo mosteiro. O rio Alcoa foi desviado em algumas zonas para criar um sistema de abastecimento de água.

 

 

MJS

2021/02/08

Livro Único : Axiologias do Estado Novo

 

(Imagem de uma página censurada de uma obra. Podem observar-se dois prisioneiros e por baixo a frase: "- Ainda bem que temos de cá estar mais cinco anos! Aquilo lá de fora está muito mau!")

O Estado Novo[1] decidiu, inicialmente, utilizar manuais escolares adotados durante a República. Após alguma controvérsia, optou pelo livro único cuja utilização permitia uniformizar conteúdos e práticas pedagógicas.  Efetivamente, a 1.ª República (1910-1926) definiu contextos ideológicos dis­tintos dos períodos que antecederam e precederam o Estado Novo, este, em si mesmo, reflete a ideologia do regime, suprimindo-se determi­nados períodos da história de Portugal e enaltecendo outros (cf. Sole, 2017).

O Estado Novo, a seu modo, reconstrói uma representação da sociedade tendo em vista a exaltação do passado nacionalista para a construção do homem novo. Assim, o livro único surge como forma de expurgar os manuais que não se enquadravam nos valores e ideologia dominantes, e como instrumento de inculcação ideológica, corporizando o sistema ideológico oficial: conservador, nacionalista e rural.


“Os livros únicos assumem esse propósito antropologizante, aspirando à moldagem dos alunos através de conteúdos centrados numa axiologia hierarquizadora tendo em vista a harmonia social. Ao haver uma cultura escolar de ‘ritualização, gestualidade, socialização’ e formação vertida do manual, como aconteceu durante o Estado Novo, existe uma propensão para a homogeneização, contextualização e meta-projeção do que nele se veiculava.” (Pires, et al. 2009:10)

 

Em 1933 a escolha de livros e compêndios, dentro dos adotados superior­mente, é confiada individualmente aos professores e não pode ser objeto de resoluções coletivas tomadas em reuniões prévias convocadas para o efeito as quais estão proibidas –  Circular nº 22, de 15 de outubro de 1933. 

Os manuais escolares apresentam-se como um meio eficaz de inculcar a ideologia nascente, tornando-se, por tal motivo, imprescindível o controle do seu conteúdo por parte dos organismos oficiais que surgem com os decretos: n.º 20741 de 11 de janeiro de 1932; n.º 23982 de 8 de junho de 1934; n.º 24610 de 24 de outubro de 1934; n.º 25447 de 1 de junho de 1935 e a Portaria 8210 de 28 de agosto de 1935. 

Foi a 24 de novembro de 1936, decretado que a cada classe escolar corresponderá um único livro, compreendendo as matérias de todas as disciplinas (Decreto Lei nº 27/279, artigo 2.º).  Efetivamente, no artigo 15.º, do mesmo decreto, foi decretada a imediata caducidade de aprovação oficial de todos os livros do ensino primário – em 1937 foi aberto um concurso público destinado à produção dos textos para o livro único –  exaltado nacionalismo e espírito cristão.

 A Direção de Serviços de Documentação e de Arquivo, da Secretaria-geral da Educação e Ciência[2], possui um acervo significativo de alguns “Livros de Concurso” candidatos à posição de livros únicos e afins, nestes são visíveis observações, críticas e rasuras do Regime. Os referidos livros, aos que chamamos de concurso, são, na sua esmagadora maioria, livros já publicados, mas, por razões de censura e agilização pedagógica, são submetidos a novos concursos com anotações, rasuras e colagem.

 

“Apesar de (muito provavelmente) os escritores terem feito esse esforço, os resultados não foram positivos e, por esse mesmo motivo, foi decreta­do em 1940 que ‘a elaboração dos textos e a sua ilustração colorida são confinadas a uma comissão de técnicos, escolhidos de entre os de reco­nhecido mérito pedagógico, literário e artístico. Essa mesma comissão uniu forças e trabalhou, tendo publicado no ano de 1941, o primeiro livro único destinado à primeira classe do Ensino Primário Elementar.’” (Basto, 2015:43)

 

Em 1940 foi nomeada uma comissão especial para escrever e ilustrar os novos manuais de leitura que tiveram como principal fonte de inspiração os livros escolares italianos. Surgem, assim, livros da série escolar da 1ª à 4ª classe. Os seus conteúdos assentavam na ideia da harmonia social, veiculando um sentimento de amor à pátria que tinha como referência o Chefe de Estado e o Presidente da República.

 

 “Naturalmente que os métodos mais divulgados no Estado Novo suportam a organização da informação nos livros, de forma enciclopédica e deliberadamente ideológica e consubstanciam essa mesma informação nos testes, nos exercícios e nos exames; isto é, este modelo está naturalmente configurado e estruturado para transmitir a informação […].” (Simão, 2014)

 

O esforço do Estado Novo, grosso modo, para preservar a identidade de instrução nacional, perspetivava uma escolarização elementar, onde, por conseguinte, o manual escolar, petrificado em livro único, representa uma verdadeira pedagogia e tendência conteudista.

 

P.M. 

 


BIBLIOGRAFIA:

 

BASTO, Joana (2015). A representação de género em manuais escolares do ensino primário do estado novo [em linha]. Mestrado em design de comunicação, apresentado à Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos [Consult. 14 de janeiro 2021]. Disponível: https://comum.rcaap.pt/handle/10400.26/9352

 

CARVALHO, Rómulo (1986). História do Ensino em Portugal. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

 

NETO, Aida Celeste Caetano (2015).  Os manuais do ensino primário elementar e a inculcação dos valores do Estado Novo [em linha]. Mestrado em ensino do português como língua segunda e estrangeira [Consult. 14 de janeiro de 2021]. Disponível: https://run.unl.pt/bitstream/10362/15980/1/Os%20Manuais%20do%20Ensino%20Prim%C3%A1rio%20Elementar%20e%20a%20Inculca%C3%A7%C3%A3o%20dos%20Valores%20do%20Estado%20Novo.pdf


PIRES, Cristina Maria Mesquita Gomes, [et al.] (2009). A iconografia nos manuais escolares do Estado Novo. Bragança: Instituto Politécnico de Bragança.


SECRETARIA-GERAL DA EDUCAÇÂO E CIÊNCIA (2021). Organograma [em linha]. Lisboa: SGEC [Consult. 14 de janeiro de 2021]. Disponível: https://www.sec-geral.mec.pt/pt-pt/organograma

 

SIMÃO, Francisco (2014). “Educação e ensino: notas sobre manuais escolares
um instrumento ideológico ao serviço do Estado Novo” [em linha]:
PROFFORMA,  Nº 13, Junho 2014 [consult. 14 de janeiro de 2021]. Disponível: http://cefopna.edu.pt/revista/revista_13/es_01_13_fs.htm

 

SOLE, Maria Glória (2017). “A história nos manuais escolares do ensino primário em Portugal: representações sociais e a construção de identidade(s)” [em linha]: Historia y Memoria de la Educación; 6 (2017): 89-127 [Consult. 14 de janeiro de 2021]. Disponível: http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/47748/1/17128-37024-1-PB.pdf

 

 



[1] Em 1933 entra em vigor a Constituição que faz nascer o Estado Novo, substituindo a de 1911 que, na prática, não era aplicada desde o golpe militar de 1926. O documento subalternizava o Parlamento, limitando também as liberdades individuais. A nova Constituição, desenhada pelos militares e por Oliveira Salazar, entrou em vigor em 11 de abril de 1933, após plebiscito realizado em 19 de março do mesmo ano. O regime vai perdurar até 1974, período durante o qual as liberdades individuais e coletivas são limitadas. Durante quase 50 anos Portugal vai conhecer Presidentes da República militares, apesar do poder estar na mão de Oliveira Salazar.

[2] À Direção de Serviços de Documentação e de Arquivo compete sinteticamente: (i) preservar, valorizar e promover o património histórico da educação e da ciência nas componentes arquivística, bibliográfica e museológica; (ii) desenvolver o modelo de organização e gestão dos arquivos correntes e intermédios e assegurar o atendimento e o apoio especializado aos utilizadores da biblioteca, museu e arquivo.