2012/07/24

Manual escolar - Património Museológico




A história do livro é testemunha de que os manuais escolares passam de utensílios úteis a raros e, em alguns casos, ganham o estatuto de objetos museológicos. Consequentemente, esta vicissitude também se expande aos seus conteúdos programáticos, valores e pedagogias.


“O manual escolar é um produto/mercadoria com profundas repercussões no domínio da sociologia do conhecimento; a sua construção como objecto produto/cultural é também uma questão da ordem do saber; da ordem do livro e da ordem da cognição. Uma epistemologia do manual escolar constitui um desafio conceptual, cuja complexidade, extensível à história do livro, se particulariza, em síntese, numa dialéctica entre discurso e episteme.” (Magalhães, 2006:6)


 

No entender de Magalhães (2006:6), o manual escolar deverá ser perspetivado como produto/mercadoria e produto/cultura. Quando entendemos o manual escolar como um produto/mercadoria referimo-nos, essencialmente, ao enquadramento histórico desses utensílios pedagógicos. O estudo diacrónico do manual escolar representa-nos, em si mesmo, ciclos de conhecimento e, acima de tudo, petrifica as várias áreas do saber, quer ao nível da história, quer ao nível da ciência. 

 

A par desta perspetiva materialista, o manual escolar entendido como produto/cultura será sempre definido como uma estrutura cognitiva. O livro como um produto cultural tem vindo, ao longo do tempo, a desenvolver novos conceitos, novas abordagens e atitudes científicas.

 

Para além desta perspetiva dualista, a Secretaria-Geral do Ministério da Educação e Ciência, nomeadamente, a Divisão de Serviços de Documentação e de Arquivo, entende o manual escolar como objeto/arte. Entendemos o manual escolar na sua vertente museológica: o livro como objeto de arte, não como repositório de conteúdos de arte, mas arte em si mesmo.

 

“O livro pode apresentar-se como livro-objeto, como livro de artista ou livro de artista artesanal; pode fazer parte dos livros de bibliófilo ou manifestar-se como documento de performances, de trabalhos conceituais ou experiências de land art; pode assumir a forma de livro ilustrado por artistas ou de livro-objeto, livro-poema ou poema-livro, e outras denominações, as quais podem diferir a partir da concepção do referido objecto. Em realidade, não estão claros os limites entre o que é um livro de artista e o que não é, pois existem diferenças conceituais de autor para autor.” (Panek, 2006:41)

 

Como verificamos, Panek (2006:41) entende o livro como livro-objeto e livro-artista. A distinção dos vários conceitos, neste investigador, nem sempre é oportuna, ainda assim, podemos adiantar que o primeiro conceito diz respeito à usabilidade e utilidade dos livros, o segundo, descreve a necessidade de plasticidade das diversas tipologias monográficas.

 

Face ao exposto, podemos afirmar que existe o livro útil e o livro contemplação. Quanto à forma, a conceção tradicional do livro exige um conjunto milimétrico de fólios, geralmente, impressos e unidos entre si de modo a criarem um exemplar. As ilustrações contidas nestes artefactos pedagógicos, as encadernações ornamentadas, as observações manuscritas, os autógrafos, etc. fazem do livro como objeto de estudo museológico.

 

“Acreditando no valor pedagógico da imagem enquanto forma de comunicação e mais ainda, se esta for a imagem de uma obra de arte, temos igualmente o intento de observar e caracterizar a utilização das imagens das obras de arte inseridas no manual, sabendo que, para a grande maioria dos alunos, é por este intermédio que desenvolvem o seu primeiro contacto com a arte.” (Ribeiro, 2005:6)

 

Como afirma Ribeiro (2005:6), o valor pedagógico das imagens, das ilustrações e das gravuras inseridas nos manuais escolares fazem destes um meio privilegiado de comunicação estética nas escolas. O livro é um objeto de arte e cultura. Entendemos que a panóplia de manuais escolares depositados na Secretaria-Geral do Ministério da Educação e Ciência deverão também ser perspetivados segundo o pressuposto arte/cultura.

 

A própria semântica e a estilística contida nos manuais escolares, em si mesmo, testemunham a plasticidade e evolução dos saberes: as pedagogias reencontram-se com a arte. Por exemplo, a Cartilha maternal ou Arte de leitura de João de Deus[1], no próprio título contém o binómio arte vs. leitura.

 

Para além desta hermenêutica, os técnicos da Divisão de Serviços de Documentação e de Arquivo, nas suas práticas de catalogação, são sensíveis à descrição de ponto de acesso secundários - o ilustrador e outras menções de responsabilidades afins fazem parte integrante das pistas de acesso à informação, destacamos os seguintes exemplos:

 

Leituras : para o ensino técnico / realização de Virgílio Couto ; colab. de Júlio Martins, Xavier Roberto ; capa de Almada Negreiros

 

§     Escola Secundária António Sérgio (V.N Gais) - RES 241-1

§     Escola Secundária Dr. António Mário Sacramento  (Aveiro ) – RES 1

§     Biblioteca Histórica da Educação - FG 113-1

 

Terra-Mãe : leituras para o 1.º e 2.º anos dos cursos  ; colab. de José Salvado Sampaio, Venâncio Ferro ;  il. de Dário Sousa Rodil

 

§     Escola Secundária Soares Basto (Oliveira de Azeméis) – RES 47

§     Escola Secundária der Vila Real de Santo António – RES 34

§     Biblioteca Histórica da Educação - ESDMF 484

 

Mar sem fim : para o ciclo preparatório do ensino secundário, 1.º ano / Virgílio Couto ; colab. Júlio Martins, Xavier Roberto, M. Fernanda Severo Alves ; il. de Calvet de Magalhães... [et al.]

 

§     Escola Secundária Sebastião e Silva (Oeiras) - RES 451

§     Escola Secundária der Vila Real de Santo António – RES 32

§     Biblioteca Histórica da Educação -  JBM 122

 

 Almada Negreiros, Calvet de Magalhães, Dário Sousa Rodil, entre outros, emprestaram aos manuais escolares cor, movimento e plasticidade. A arte chega a todos e reflete a igualdade de oportunidades, sem qualquer distinção e preconceito sociocultural.


 

“Finalmente reflectiremos sobre o papel particular das ilustrações nos manuais escolares, as mensagens e as especificidades sociais, culturais e étnicas e a sua importância na estandardização da igualdade de oportunidades e de atitudes e comportamentos dos alunos na escola e na sociedade.” (Queirós, 2004:27)

 

Em nome desta estandardização descrita por Queirós (2004:27), a Divisão de Serviços de Documentação e Arquivo descreve as autorias da conceção estética dos manuais escolares nos registos bibliográficos. Desta forma, usa uma panóplia de meta dados, tais como: inscrição pormenorizada no campo 215^c, anotações aquando pertinentes no capo 300^a e especificações várias no campo 702 ou 712 no ^4 (120, 130, 140, 240, 440, 510, 600, 750, etc.).

 

A título de curiosidade, resta-nos sublinhar que com Pires de Lima foram regulamentadas, no Decreto n.° 37 112, de 22 de Outubro de 1948, as normas de elaboração de conteúdos, seleção e ilustração de textos.

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

CARVALHO, Maria da Graça Serreira pena (2010). O manual escolar como objecto de design [on-line]: Tese apresentada às Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa para a obtenção do grau de Doutor em design

<http://www.repository.utl.pt/bitstream/10400.5/2791/1/Tese%20vol.1%20CD.pdf> [Consulta: Maio 2011]

 

COSTA, Fernando Monteiro da (2010). Da Capo al Coda, manualística de Educação Musical em Portugal (1967-2004): configurações, funções, organização [on-line]: Tese de doutoramento em História, Faculdade de Letras Universidade do Porto, 2010

<http://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/51228/2/tesedoutfernandocosta000116641.pdf> [Consulta: Maio 2011]

 

KUHN, Thomas S. (1996). A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva.

  

_________  (1979). Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa [on-line]: Extraído das atas do Colóquio Internacional sobre Filosofia da Ciência, (Londres, 1965)

<http://www.estondela.pt/Biblioteca/livros/filosofia/logica_descoberta_psic_pesquisa.pdf> [Consulta: Maio 2011]

 

MAGALHÃES, Justino (2006). O manual escolar no quadro da história cultural, para uma historiografia do manual escolar em Portugal [on-line]:  Sísifo. Revista de Ciências da Educação; Vol. 1 (2006), p. 5-14

<http://sisifo.fpce.ul.pt/pdfs/01-Justino.pdf> [Consulta: Maio 2011]

 

MERLEAU-PONTY,  M. (1999). Fenomenologia da percepção (trad. Carlos Alberto Ribeiro de Moura). São Paulo : Martins Fontes.

 

OLIVEIRA, Anderson Rodrigo de Oliveira (2007). A revolução coperniciana na obra Crítica da Razão Pura de Immanuel Kant [on-line]: Trabalho de conclusão do curso

de filosofia do Instituto de Filosofia Santo Tomás de Aquino, Seminário Diocesano de

São Carlos, 21 de Nov. de 2007

<http://br.monografias.com/trabalhos-pdf/revolucao-copernicana-razao-pura-ant.pdf> [Consulta: Maio 2011]

 

PANEK, Bernadette (2006). Livro de artista: uma integração entre poetas e artistas [on-line]: Anais, IV Fórum de pesquisa científica em arte, Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Curitiba, 2006

<http://www.embap.pr.gov.br/arquivos/File/anais4/bernadette_panek.pdf> [Consulta: Maio 2011]

 

PINTO, Mariana oliveira (2003). Estatuto e função dos manuais escolares de língua portuguesa [on-line]: Revista Iberoamericana de Educación; (2003), p. 174-183

<http://www.ipv.pt/millenium/millenium28/14.pdf> [Consulta: Maio 2011]

 

QUEIRÓS, T. (2004). [Des]igualdade de Oportunidades nos Manuais Escolares de Educação Física do 2.° ciclo do Ensino Básico? Análise das ilustrações e das percepções de professores/as-estaaiários/as. Dissertação de Mestrado em Ciência do Desporto - Desporto para Crianças e Jovens. Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto, Porto.

 

RIBEIRO, Ângelo (2005). A imagem da imagem da obra de arte no uso dos manuais de Educação Visual [on-line]: Tese de Mestrado Educação, Tecnologia Educativa, Julho 2005

http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/3961/1/A%20imagem%20da%20imagem%20da%20arte%20no%20uso%20dos%20manuais%20de%20Educa%C3%A7%C3%A3o%20Vi.pdf > [Consulta: Maio 2011]

 

SANTO, Esmeralda Maria (2006). Os manuais escolares, a construção de saberes e a autonomia do aluno, auscultação a alunos e professores [on-line]: Revista Lusófona de Educação; Vol. 8 (2006), p. 103-115

<http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/rle/n8/n8a07.pdf> [Consulta: maio 2011]

 

ARAIVA, Carlos Alberto Alexandre (2003). Evolução histórica da abordagem do eletromagnetismo e indução eletromagnética nos livros de texto para o ensino secundário. 2003. Dissertação (Mestrado)-Universidade de Aveiro, Aveiro, 2003

 

VISEU, Floriano (2009). O manual escolar na prática docente do professor de matemática [on-line]: Actas do X Congresso Internacional Galego Português de Psicopedagogia. Braga: Universidade do Minho, 2009

<http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/10095/1/o%20manual%20escolar%20na%20pr%c3%a1tica%20docente%20do%20professor%20de%20matem%c3%a1tica.pdf>  [Consulta: Maio 2011]

 

 

PM




[1] Cartilha maternal ou arte de leitura /João de Deus. - 23.ª ed. – Lisboa: Imprensa Nacional, 1911. - 139 p. ; il. 18 cm. Cota: BMEP MAN 51

 


2012/07/11

Profissionais e instituições: adaptabilidade do “bibliotecário” a novos contextos profissionais


(Imagem de várias lombadas de livros)

A gestão de informação, na atualidade, lança os “bibliotecários” num labirinto sem contornos epistemológicos, o qual chamamos de hibridez profissional. Devido a tal facto, despontam novas disciplinas que desenvolvem e conceptualizam novos conceitos no domínio da Biblioteconomia. A identificação e divulgação da informação perde-se in illo tempore, contudo é usual referirmos a cultura grega como uma das primeiras sistematizações explícitas do método racional (έπιστήμη), em contraposição com o saber do senso comum (δόξα).

 

A par destas sistematizações, tão familiar aos profissionais de informação, o crescimento exponencial da informação, na atualidade, rompe com os paradigmas tradicionais do conhecimento. Ao nível das Ciências da Informação, despontam novas sagezas e metodologias para identificação da informação — referimo-nos sobretudo a domínios tridimensionais, tanto ao nível de softwares, como de recursos humanos e de conteúdos projetáveis. 

 

Na esteira destas vicissitudes paradigmáticas, a análise dos fluxos de informação exige uma reavaliação dos processos cognitivos (enquanto ser experiencial) e gestor de informação (enquanto ser profissional). Esta dupla atitude, mediante a informação, impele o investigador à reinterpretação de conceitos, simbologias e atitudes proactivas face à comunicação de informação. 

 

Nas Ciências da Informação, e em todos os saberes que exigem semânticas metalinguísticas, há um hiato conceptual entre a noção de dado vs informação. Dito de outra forma, a informação é muito mais do que um conjunto ordenado de axiologias linguísticas, dito de outro modo, a ato de informar processa-se através de representações intelectuais —os dados e, sobretudo, a informação só ganha sentido através da descodificação de símbolos (o real só o é enquanto descodificado intencionalmente).

 

A Secretaria-Geral, reconhecendo a importância da informação e da gestão do património bibliográfico, arquivístico e museológico da educação (BAME) que se encontra à sua guarda, tem vindo a desenvolver uma visão integrada do património da Educação. Isto é, pensa de forma transversal e articulada o património bibliográfico, o património arquivístico e o património museológico. Ao nível conceptual, o olhar que lança sobre o património tem esse enfoque triplo e um bom exemplo disso são os manuais escolares. Antes de mais, os livros escolares são, como é óbvio, espécies bibliográficas. Mas no nosso entender, sobretudo tendo em conta o espólio que possuímos, os manuais podem também ser vistos como documentos de arquivo e como objetos de valor museológico.

 

Apesar desta potencialidade, à qual a Secretaria-Geral interioriza na sua missão (consagrada na sua Lei orgânica), a informação só ganha sentido enquanto útil (i.e. tomada de decisões). A informação só tem valor/sentido dentro de um certo contexto epistemológico. Desta forma, os projetos da referida Instituição têm como propósito, acima de tudo, a construção de referenciais de (re)conhecimento do património, o que implica a sua referenciação, inventariação, catalogação, tendo sempre como objetivo último a divulgação e o facultar de acesso à informação.

 

No seio desta problemática, Thomas Davenport, investigador e visionário, tende a ultrapassar a noção de tecnologia, entendendo esta como uma mera resolução final da informação. Desta forma, a informação deverá ser perspetivada como o meio ou modo de o homem compreender, criar, usar e distribuir conhecimento (o sentido das metalinguagens reside na sua descodificação). Assim, a Secretaria-Geral recolhesse que os seus destinatários não são apenas investigadores, mas sim, especialmente, os cidadãos em geral, cujas memórias e cuja construção identitária passou, em larguíssima medida, pelo património escolar de que foram utilizadores e reconstrutores, no sentido em que todos deixamos marcas no material escolar que, durante um determinado período, esteve nas nossas mãos.

 

As metalinguagens, usadas nos contextos biblioteconómicos, representam diversas culturas e atitudes científicas (são exemplo os formatos e a classificação: UMIMARC e USMARC; CDU e DDC, etc.). Assim sendo, as metalinguagens (contextos) são chaves hermenêuticas de representações e consequente gestão de informação. A própria seleção quantitativa e qualitativa de informação levar-nos-á, inevitavelmente, a um conjunto de processos cognitivos de reavaliação das organizações, diremos à capacidade de ignorar o que se apresenta não relevante ou não descodificável. Atualmente, esta atitude perante a informação representa, em si mesmo, um desequilíbrio nos novos ambientes informacionais.

 

A Secretaria-Geral do Ministério da Educação tem por missão a preservação, salvaguarda e tratamento do património da Educação. Este desígnio inclui responsabilidades sobre o património quer das escolas, quer das diversas entidades que compõem a estrutura organizacional do Ministério da educação. Por outro lado, e mercê das suas funções e história institucional, a Secretaria-Geral possui um riquíssimo espólio patrimonial, que inclui objetos, espécies bibliográficas e material de arquivo.

 

É exigido aos profissionais da informação a exegese do sentido e, consequentemente, uma súmula dos estímulos recebidos através da informação. Ou seja, a análise da informação requer uma dialética entre as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e novas habilidades de recolha e análise de dados: esta perspetiva requer uma integração harmoniosa entre tecnologia, vivência, cultura e informação. Desta forma, as organizações, atualmente, caracterizam-se por novas formas de gestão que, a seu modo, representam uma rutura com os modelos tradicionais baseados em motivação, recompensa e punição dos recursos humanos.

 

A informação, no contexto atual, deverá repensar-se como informação completa do meio ambiente. Esta visão holística requer, por si, uma análise para além das engenharias, ou seja, todos os processos de informação deverão ter como modelo as TIC, valores e crenças, uso de informação, políticas de disseminação de informação, sistemas de informação e, finalmente, as tecnologias como complemento.

 

Na perspetiva de Lev S. Vygotsky, com grandes influências em Piaget, a esmagadora maioria dos processos de assimilação de conhecimento são, na verdade, processos de internalização. Ou seja, o desenvolvimento cognitivo é sempre o resultado de uma atividade de mediação. O processo de internalização deverá entender-se como a reconstrução interna de uma operação externa: um processo interpessoal é transformado num processo intrapessoal, ou seja, uma operação designada como atividade externa é reconstruída a partir de intuições internas.

 

Não devemos olvidar de que a tomada de decisões numa organização é atribuída, sem exceção, aos indivíduos que a compõem. A atividade profissional é exclusivamente humana, desta forma, o sucesso de modelos de gestão da informação está fortemente vinculado aos comportamentos e ações individuais e coletivas. Portanto, a organização enquanto tal exerce grande influência neste processo interno vs. Externo.

 

Reforça, assim, a ideia de que a condição humana só existe enquanto indivíduo. Ou seja, a consciência tem uma dimensão individual, contudo, todo o ser humano é produto coletivo, social e histórico. O indivíduo conhece por meios universais, vivemos no mundo produzindo os nossos pensamentos pessoais, mas para comunidade —o próprio trabalho faz parte da comunidade onde estamos inseridos. Nesta atividade é-nos exigido uma grande capacidade racional, não só individual, mas também de cariz coletivo.

 

Na Secretaria-Geral, nos referidos contornos informacionais, o estudo dos fatores internos e/ou externos manifesta-se com sucesso na criação, seleção, sistematização e disseminação de informação. Sendo que as hermenêuticas da informação são indispensáveis para a criação de significados, construção de conhecimento e tomada de decisões. Dito de outro modo, a reconversão de modelos mentais em conceitos, símbolos, metáforas, etc. são vetores de externalização necessários para a sobrevivência das bibliotecas e da cultura impressa em geral.

 

O ambiente organizacional, em si mesmo, impele a atitudes cognitivas de interpretação do meio circundante. Esta situação exegética desencadeia a criação de significados e exige, por si, empenho dos recursos humanos da organização para a interpretação novos ambientes com a finalidade de aprofundar inter-relações, a todos os níveis. A complexidade da ciência e da tecnologia exigem alternativas urgentes e mais sofisticadas para otimizar os impactos cumulativos de uma sobre a outra:

 As bibliotecas espelham os bibliotecários e vive-verse. O indivíduo constitui o pilar fundamental de todas as organizações. Grosso modo, é neste patamar que é comparável a Organização com o Indivíduo, no sentido em que o conhecimento emana do ser vivente e reflete-se na sua criação. Para além deste facto, a valoração do indivíduo como “cérebro” e gestor de informação é uma questão a salutar.

 

Qual será a postura do “bibliotecário” perante as novas exigências na gestão do conhecimento?

 

Sebastià i Salat, uma investigadora reconhecida nesta área, reporta-se ao problema atual dos curricula vitae face às novas exigências de informação. Digamos, a descontinuidade e a competitividade são as palavras-chave para a compreensão do problema proposto anteriormente em forma de pergunta. A descontinuidade entende-se como as mudanças de estratégias e de alternativas na gestão de conhecimento, por tal, impõe-se a competitividade através da especialização que, a seu modo, assegura o “equilíbrio” exigido das novas arquiteturas de informação. 

 

No caso particular dos “bibliotecários” é imprescindível a sua adaptabilidade às novas tecnologias — capacidade de comunicação interpessoal, disposição para a aceitar e assumir mudanças, tanto ao nível tecnológico como cognitivo. Assim, as confluências da inovação e das condições favoráveis de mercado produzem novos serviços que, a seu modo, requerem novas competências e perfis profissionais:


(Esquema que apresenta a criação de necessidades e perfis profissionais: as inovações e o mercado geram necessidade de novos serviços e estes exigem novos profissionais)
 

Como verificamos na Figura 1, o mercado em geral (criação e consumo de informação, no nosso caso) e a inovação tecnológica potenciam novos serviços e perfis profissionais. Esta indagação é um alerta para os bibliotecários do futuro, na medida em que o sucesso do seu estatuto profissional requer novos perfis e mutação na cadeia de valores (eliminação da resistência à mudança). Qualquer perfil profissional requer conhecimentos, habilidades e atitudes (componentes científicos, cognitivos, afetivos e motivacionais). Perante tal complexidade, Muñoz Cruz (1998) nas sextas Jornadas Españolas de la Documentación interroga-se sobre o perfil e o papel dos novos gestores de informação:


“¿Cuál es el perfil del gestor de la Información? El gestor de información se ocupará de la planificación estratégica y la coordinación de todos los recursos relacionados con la información y participará en el diseño e implantación del sistema de información de la organización, a través de la coordinación de todos aquellos departamentos que manejan información. Esa es la labor que tiene encomendada para el siglo XXI y su formación ha de estar en consonancia con esta necesidad potencial que se detecta desde hace algunos años.” (Muñoz Cruz, 1998)

Como verificamos, Muñoz Cruz interroga-se acerca da hibridez e atitude dos bibliotecários perante a gestão da informação no século XXI. A globalização impõe-se em todos os domínios do saber e, por conseguinte, a matéria-prima do bibliotecário já não é o documento mas a informação: a gestão da informação e a respeitabilidade da missão e a estrutura cognitiva da biblioteca são os ativos invisíveis com maior impacto de competitividade.

 

O desenvolvimento dos serviços de informação requer técnicas de investigação que permitam os gestores de informação analisarem novas necessidades e antecipar formas de uso: o gestor deve conhecer metodologias tanto qualitativas como quantitativas para analisar o uso e aceção dos serviços dentro da biblioteca.

 

PM

 

 

2012/07/05

Pedagogia em ação




A expressão παιδαγωγός (paidagogós) dá origem a pedagogo. O παιδαγωγός não era, entre os gregos, um pedagogo ou um académico especializado; era um escravo responsável por conduzir crianças. Etimologicamente, a formação da palavra pedagogo processa-se por aglutinação. παιδαγωγός é uma expressão que surge da aglutinação de παιδός (genitivo de παῖς, criança), e άγω (conduzir). Assim, o παιδαγωγός é aquele que conduz a criança.


Atualmente, a noção de pedagogo desenha-se com outros traços epistemológicos e sociais. Segundo pensamos, a evolução da consciência coletiva produz um conjunto de saberes holísticos que, a seu modo, induz uma certa hibridez no perfil do pedagogo – a memória da humanidade já não está confinada nas bibliotecas, mas sim em contínua reconstrução. Neste cenário imprevisível, a tarefa do pedagogo deverá reconstruir ações transdisciplinares:

 

“A tecnologia não permite que se sustente mais o mestre-transmissor de conteúdos - isso pode ser feito, a partir de agora, por softwares interativos mais completos, abrangentes e dinâmicos. Mas cabe ao novo professor atuar de uma forma muito mais importante, como uma espécie de arquiteto cognitivo […]” (Ramal, 2002)

 

A noção de pedagogo como arquiteto cognitivo requer um dinamismo atento ao mundo do conhecimento. O pedagogo enquanto projetor, executor e supervisor de obras intelectuais reconstrói comunidades de aprendizagem capazes de comunicar aprender, coletivamente.

 

Segundo Eduardo Franco (Franco, 1999), a história da pedagogia em Portugal, não pode ser feita sem um profundo conhecimento, ao longo dos tempos, do ideário pedagógico que se impôs na formação da mentalidade portuguesa. Sendo que a ação realizada por estadistas e educadores, médicos e professores, arquitetos e pedagogos, entre tantos outros, contribui para formatar um modelo que deve assegurar a consolidação da identidade nacional e a preparação para a nova sociedade industrial em espaços que preservem a saúde das crianças e lhes permitam progredir de forma sistemática nas aprendizagens escolares (cfr. Nóvoa, s.d.).


Escusado será dizer que a comunidade científico-educacional alimenta-se dos professores e legitima-se através de uma reflexão sobre eles. Deste modo, não espanta que também os pedagogos sejam excessivos nas referências aos professores, pois esta é a melhor maneira de valorizarem o seu próprio trabalho.

 

Atendendo ao exposto, descrevemos no quadro seguinte um conjunto significativo de pedagogos portugueses que, a seu modo, influenciaram o ato de aprender e ensinar em Portugal e que, como verificamos, estão disponíveis na biblioteca da Direção de Serviços de Documentação e Arquivo da Secretaria-Geral do Ministério da Educação e Ciência.














Bibliografia:


 

FRANCO, José Eduardo (1999). Brotar Educação – História da Brotéria e da Evolução do seu Pensamento Pedagógico (1902-1996). Lisboa: Roma Editora.

 

NÓVOA, António (s.d). Educação 2021: para uma história do futuro [on-line].

<http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/670/1/21232_1681-5653_181-199.pdf> [Consulta: 15 junho 2012]

 

PEÇA, Américo (2006). Sérgio Niza: a Construção de uma democracia na acção educativa [on-line]: Educação, Temas e Problemas; N.º 1, Ano 1 (2006)

<http://www.ciep.uevora.pt/revista/revista1/entrevista_sergio_niza.pdf > [Consulta: 15 junho 2012]


RAMAL, Andrea Cecília. (2002).  “Pedagogo: a profissão do momento”. [on-line]. Gazeta Mercantil; 6 de março de 2002.

http://www.idprojetoseducacionais.com.br/artigos/PEDAGOGO.pdf > [Consulta: 15 junho 2012]

 

 

PM




2012/06/20

Tratamento documental de manuais escolares - Os pressupostos adotados pela Direção de Serviços de Documentação e de Arquivo do Ministério de Educação e Ciência


(Imagem de vários livros abertos e sobrepostos)

 

A Lei n.º 47/2006 de 28 de Agosto, alínea b, artigo 3.º descreve o manual escolar como um recurso didático-pedagógico relevante, ainda que não exclusivo, do processo de ensino e aprendizagem, concebido por ano ou ciclo. Constitui um instrumento de apoio ao trabalho autónomo do aluno que visa contribuir para o desenvolvimento das competências e das aprendizagens definidas no currículo nacional para o ensino básico e para o ensino secundário, apresentando informação correspondente aos conteúdos nucleares dos programas em vigor, bem como propostas de atividades didáticas e de avaliação das aprendizagens, podendo incluir orientações de trabalho para o professor.

 

“O manual escolar desempenha uma função central no processo educativo, quer pelo seu papel de mediador entre o currículo prescrito e o currículo programado e planificado, quer pela sua função de legitimação cultural que veicula uma dada informação […].”(Viseu, 2009:3178)

 

A par da referida lei, Viseu (2009:3178) sublinha que a essência do manual escolar restringe-se a processos educativos e, acima de tudo, é o mediador entre a lei e a informação. A Secretaria-Geral do Ministério da Educação e Ciência, nomeadamente, a Direção de Serviços de Documentação e Arquivo (DSDA), reconhece a importância da gestão do património bibliográfico, arquivístico e museológico da educação (BAME) que se encontra à sua guarda.

 

Tecnicamente, este património tem vindo a ser tratado de uma forma integrada, ou seja, cada tipologia documental é perspetivada no seu espaço sociocultural e, desta forma, tratado numa conjetura recíproca - o manual escolar não é perspetivado per si mas em correlação com os fundos documentais existentes – tendência biblioteconómica à qual as regras de catalogação estão a dar alguma importância, sobretudo as ISBD(A).[1]

 

Todos os fundos documentais existentes na DSDA possuem manuais escolares, não obstante, esta documentação mantém-se integrada nos espólios respetivos, o que facilita as pesquisas browsing e, acima de tudo, respeita a integridade da documentação (i.e. reconstrução de coleções, fundos, estudos locais, personalidades, etc.). Destacam-se os seguintes fundos detentores de manuais escolares:

§  Bibliotecas e Museu do Ensino Primário;

§  Ministério da Instrução Pública;

§  Grupo de Trabalho do M.E. para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses;

§  Construções Escolares;

§  Gabinete de Estudos e Planeamento;

§  Bibliotecas populares;

§  Fundo Geral;

§  António Ginestal Machado;

§  Faria Vasconcelos;

§  José Baptista Martins;

§  Escola Ferreira Borges;

§  Escola Marquesa de Alorna;

§  Escola Rodrigues Sampaio;

§  Escolas Secundária David Mourão Ferreira;

§  Instituto António Aurélio da costa Ferreira.

 

Atendendo à necessidade de reintegrar os manuais escolares no contexto da história da educação, a DSDA adota uma definição formal para o tratamento documental desta documentação:

 

“Adotámos a designação de ‘manual escolar’ porque se trata de livros manuseáveis […], albergam saberes básicos essenciais e porque esses saberes que se transmitem nos manuais são parte de uma matéria ou disciplina do currículo escolar.” (Santos, 2006)

 

A definição anterior remete para o conceito de manual escolar enquanto conteúdo, embora existam várias formas para estudar este material didático na perspetiva catalográfica:

§  Antologias - coleção de trabalhos escolares (compêndio);

§  Guia do professor;

§  Guia do aluno;

§  Literatura adjuvante (ex.: silabários, atas escolares, etc.);

§  Estudos de caso – estudos específicos sobre educação.

 

O conceito de manual escolar, em si mesmo, poderá apresentar uma aceção restrita ou lata. Segundo entendemos, a noção conveniente às boas práticas BAME deverá ser abrangente às cinco alíneas anteriores. Esta prática apresenta resultados tanto ao nível da catalogação como da indexação, classificação e pesquisa final.

 

Este património bibliográfico, como o entende a DSDA, tem uma dimensão museológica, não só devido às suas encadernações, design, formato, mas também devido às suas ilustrações. Destacamos, assim, alguns artistas de renome que ilustraram os manuais escolares portugueses, tais como Almada Negreiros, Dário Sousa Rodil, Calvet de Magalhães, Raquel Roque Gameiro, etc.

 

Todos estes elementos são objeto de estudo, na verdade, a DSDA detém uma Biblioteca Histórica da Educação que visa a excelência no tratamento e, consequentemente, na sua disseminação. Como tal, todos os dados referentes a notas gerais (i.e. portarias, adendas, etc.), ilustradores e coautores não são omissos.

 

Nesta linha de exegese, a própria classificação e/ou indexação dos manuais escolares obedece a regras estritamente rígidas; as notações seguem a seguinte hierarquia semântica:

1.        Área do conhecimento;

2.        Tipologia;

3.        Grau de ensino;

4.        Nome geográfico (usado como assunto).

 

Esta classificação pré-coordenada ajudar-nos-á a cruzar pesquisas entre os diversos descritores (Thesaurus Europeu do Sistema Educativo).

 

 

BIBLIOGRAFIA  RECOMENDADA:

 

CARVALHO, Maria da Graça Serreira pena (2010). O manual escolar como objecto de design [on-line]: Tese apresentada às Faculdade de Auquitectura da Universidade Técnica de Lisboa para a obtenção do grau de Doutor em design

<http://www.repository.utl.pt/bitstream/10400.5/2791/1/Tese%20vol.1%20CD.pdf> [Consulta: maio 2012

 

 

COSTA, Fernando Monteiro da (2010). Da Capo al Coda, manualística de Educação Musical em Portugal (1967-2004): configurações, funções, organização [on-line]: Tese de doutoramento em História, Faculdade de Letras Universidade do Porto, 2010

<http://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/51228/2/tesedoutfernandocosta000116641.pdf> [Consulta: maio 20129

 

 

MAGALHÃES, Justino (2006). O manual escolar no quadro da história cultural, para uma historiografia do manual escolar em Portugal [on-line]:  Sísifo. Revista de Ciências da Educação; Vol. 1 (2006), p. 5-14

<http://sisifo.fpce.ul.pt/pdfs/01-Justino.pdf> [Consulta: Maio 2012]

 

 

PANEK, Bernadette (2006). Livro de artista: uma integração entre poetas e artistas [on-line]: Anais, IV Fórum de pesquisa científica em arte, Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Curitiba, 2006

<http://www.embap.pr.gov.br/arquivos/File/anais4/bernadette_panek.pdf> [Consulta: maio 2012

 

 

RIBEIRO, Ângelo (2005). A imagem da imagem da obra de arte no uso dos manuais de Educação Visual [on-line]: Tese de Mestrado Educação, Tecnologia Educativa, Julho 2005

http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/3961/1/A%20imagem%20da%20imagem%20da%20arte%20no%20uso%20dos%20manuais%20de%20Educa%C3%A7%C3%A3o%20Vi.pdf > [Consulta: maio 2012]

 

 

SANTO, Esmeralda Maria (2006). Os manuais escolares, a construção de saberes e a autonomia do aluno, auscultação a alunos e professores [on-line]: Revista Lusófona de Educação; Vol. 8 (2006), p. 103-115

<http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/rle/n8/n8a07.pdf> [Consulta: maio 2012]

 

 

SANTO, Esmeralda Maria (2006). “Os manuais escolares, a construção de saberes e a autonomia do aluno : auscultação a alunos e professores “[on-line]: Revista Lusófona de Educação; N.º 8 (2006), p. 103-115

< http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/rle/n8/n8a07.pdf> [Consulta: junho 2012]

 

 

VISEU, Floriano (2009). O manual escolar na prática docente do professor de matemática [on-line]: Actas do X Congresso Internacional Galego Português de Psicopedagogia. Braga: Universidade do Minho, 2009

 

 

PM

 



[1] International Standard Bibliographic Description for Older Monographic Publications (Antiquarian).


2012/06/12

Peça do mês de Junho



Sineta

Sineta utilizada para chamar os alunos para as aulas, datada de 1935 e colocada no átrio da escola A peça pertence à Escola Secundária Dr. Júlio Martins, Braga, com o número de inventário ME/400531/109.

Em 1889 foi criada, em Chaves uma Escola Industrial, que absorveu a anterior Escola de Desenho Industrial. Orientada para o apoio à área industrial, o curriculum escolar contava com Aritmética e Geometria elementar, Português, Língua Francesa e Desenho industrial. Em 1891, devido à reorganização do ensino industrial e comercial por João Franco, a escola foi extinta. Em 1919, volta a ser criada uma Escola Industrial e Aula Comercial pela mão do ministro Júlio Martins, embora sem um edifício construído de raiz. Os cursos ministrados eram os de Serralharia Mecânica e de Carpintaria Civil. Em 1922 foi introduzido o curso de Trabalhos Femininos. Posteriormente, a escola passou a designar-se Escola Industrial e Comercial de Júlio Martins, funcionando nas antigas instalações da Escola de Desenho Industrial, onde permaneceu até 1961. Com a reforma do ensino em 1948 foram introduzidos mais cursos na Escola que passou a designar-se de Escola Industrial e Comercial de Chaves. Em 1978, a instituição volta a mudar de nome, adotando como patrono o Dr. Júlio Martins.

O sino, ou sineta, é um instrumento metálico, geralmente com formato de campânula, que contém uma peça metálica no seu interior denominada badalo. É utilizado para produzir sons mais ou menos fortes quando o badalo bate na campânula. Pode igualmente produzir som através de um martelo exterior.

Este objeto encontra-se mais associado à cultura católica, comandando a vivência diária das populações. Colocados nas igrejas anunciavam acontecimentos, como festas, atos religiosos, acidentes, entre outros. Neste caso, trata-se de uma sineta escolar, cuja função era igualmente marcar o tempo – a entrada e a saída das aulas.

 

 

Bibliografia e informação adicional:

http://www.geira.pt/museus/tema1/index.asp?id=15

 

 

Para consultar a história da Escola Secundária Dr. Júlio Martins, Braga:

http://esb3-drjuliomartins.org/inicio.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_Secund%C3%A1ria_Dr._J%C3%BAlio_Martins

 

 

MJS