2024/12/30

Educadores Portugueses dos séculos XIX e XX: Braga Paixão (1892 – 1982)

  

(Imagem do autor retirada de Dicionário de educadores portugueses)


Vítor Manuel Braga Paixão nasceu em Lisboa a 13 de setembro de 1892. Estudou no Liceu Central de Lisboa, tendo sido um ativo participante na vida estudantil através do jornal Os Novos, instituindo a divisa “nós nos educaremos!”.

Concluiu o Curso Superior de Letras em 1913, iniciando a sua carreira docente no atual Liceu Pedro Nunes. Participou no movimento de professores sendo sócio da Associação do Magistério Secundário Oficial desde 1914. Publicou vários textos em diversas revistas como a Revista de Educação Geral e Técnica, Boletim Oficial do Ministério da Instrução Pública, Educação Social e Labor. Lecionou ainda no atual Liceu Nacional de Angra do Heroísmo durante cerca de 8 anos.

A partir de 1928 deixou a carreira docente ocupando cargos administrativos e de coordenação do sistema educativo. Foi nomeado Diretor Geral do Ensino Primário até 1937 e depois Diretor Geral dos Serviços de instrução Pública de Moçambique, onde residiu até 1940.

De regresso a Lisboa assumiu o cargo de Diretor Geral da Assistência e de Provedor da Casa Pia e da Santa Casa da Misericórdia. Em 1944 tornou-se Diretor Geral do Ensino Colonial desempenhando o cargo até 1962. Durante este período publicou vários textos relacionados com a educação e o ensino.

A produção literária de Braga Paixão compreendeu 3 períodos distintos. Entre 1913 e 1927 dedicou-se a questões educativas sob o ponto de vista do professor. A obra mais significativa foi Educação Moral: o liceu, a família, o meio social, em que o autor se debruçou sobre temas como a educação moral no contexto da laicização do ensino, das interferências familiares e da sociedade.

A partir de 1927, as suas preocupações voltaram-se para a política educativa devido aos cargos ocupou. Situou-se na linha ideológica do Estado Novo com contornos nacionalistas, tendo criado os Serviços de Orientação Pedagógica e o Boletim da Direção Geral do Ensino Primário. Neste sentido avançou com a publicação de Escola Portuguesa, dirigida para a formação pedagógica de professores.

Após a experiência em Moçambique, Braga Paixão publicou em 1949 Novos Aspetos do Problema Missionário Português, em que defendeu a importância da presença de técnicos pedagógicos nos serviços educativos das colónias. A presença de missionários, encarregues da área do ensino, não era suficiente para se promover uma educação eficiente.

Os últimos anos da sua vida foram dedicados à produção de obras ligadas à historiografia e à escrita biográfica.

 

 

Fonte principal: Dicionário de educadores portugueses / dir. António Nóvoa. - Porto : ASA, 2003.


MJS


2024/12/26

Instalações para o ensino (1968 a 1972) - Ministério das Obras Públicas - Liceus: Liceu Nacional da Covilhã

 

- Liceu Nacional da Covilhã -

O Ministério das Obras Públicas concluiu 42 edifícios, no período decorrente de 1968 a 1972, destinados a estabelecimentos dos cursos preparatório, secundário e médio. A título de divulgação, neste post, daremos a conhecer - o Liceu Nacional da Covilhã.



(Na imagem do topo pode observar-se o átrio de entrada. Em baixo, a fachada da escola)

 

 

 

(No topo, a imagem de um laboratório de ciências. Em baixo, uma imagem dos pavilhões e a ficha técnica com a identificação da escola, a dimensão da área coberta, a dimensão da superfície de pavimentos, o custo total das instalações, a data de conclusão da obra, a população escolar e a discriminação das dependências)

 

 

Ministério das Obras Públicas (1973). Novas Instalações para o ensino construídas entre

1968 e 1972. Lisboa: Direcção-Geral das Construções Escolares.

 

 

P. M. 

 

2024/12/23

Educadores Portugueses dos séculos XIX e XX: Bernardino Machado (1851 – 1944)

 

(Imagem do autor retirada da internet)

 

Bernardino Luís Machado Guimarães nasceu a 28 de março de 1851 no Rio de Janeiro, filho de António Luís Machado Guimarães, português e de Praxedes de Sousa Ribeiro Guimarães, de nacionalidade brasileira.

Passou os primeiros anos da sua vida no Brasil e estudou no Liceu de Laranjeiras até 1860, altura em que a família se mudou para Portugal, inicialmente para Joane e depois para Vila Nova de Famalicão. Completou a instrução primária no Liceu Nacional do Porto em 1862. Em 1866 ingressou na Universidade de Coimbra concluindo Matemática e Filosofia em 1875.

Em 1877 foi nomeado lente substituto da cadeira de Agricultura na Faculdade de Filosofia da Universidade de Coimbra. Em 1880 tornou-se professor catedrático e passou a lecionar Geologia e a partir de 1883 regeu as cadeiras de Física. Em 1886 ficou responsável pela cadeira de Antropologia, criada pela sua iniciativa.

Em 1882 casou-se com Elzira Dantas Gonçalves Pereira. Esta data marcou igualmente o inicio da sua carreira política, eleito deputado pelo Partido Regenerador em Lamego. Voltou a ser eleito em 1884-1887 pelo círculo de Coimbra.

A sua atividade foi intensa no final do século: em 1890 presidiu à Academia de Estudos Livres; em 1891-92 tornou-se diretor do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa; em 1892 foi nomeado vogal do Conselho de Instrução Pública; presidiu os congressos do Magistério Primário em 1892 e 1897, entre outros.

Durante este período publicou várias obras no âmbito da pedagogia: A Introdução à Pedagogia (1892), O Ensino (1898), O Ensino Primário e Secundário (1899), O Ensino Profissional (1899).

O seu pensamento como educador baseou-se na instrução como forma de garantir a evolução do país. O défice intelectual era a causa dos “males” da nação. O autor criticou duramente o estado do ensino secundário com as disciplinas incapazes de promover a especialização profissional e os métodos dogmáticos.

Para o autor, a distribuição do trabalho dos alunos deveria ser feita de acordo com a idade. O professor deveria ter em conta a vocação de cada aluno, dirigindo o seu trabalho pessoal de desenvolvimento. A autonomia pessoal deveria ser o propósito da escola secundária.

No que respeita à Universidade, Bernardino Machado afirmou que “uma Universidade deve ser escola de tudo, mas sobretudo de liberdade”. O professor deveria disciplinar, mas não escravizar os alunos. O tema liberdade e disciplina marcou o seu pensamento pedagógico: era importante dar às crianças a liberdade de uma atividade física para depois as motivar para o estudo. Para além disso, o professor deveria estar preparado pedagogicamente para lecionar, não bastando apenas o domínio das matérias em questão.

A par desta atividade, integrou o governo entre fevereiro e dezembro de 1893 como Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria. Bernardino Ribeiro teve igualmente um importante percurso na Maçonaria na Ordem do Grande Oriente Lusitano.

Aderiu ao Partido Republicano Português em 1903, contribuindo para a sua organização enquanto força política e intervindo em várias comunicações públicas. Entre 1906 e 1909 foi eleito membro do Diretório do Partido e Presidente do mesmo. Em 1907, aquando da greve académica, Bernardino Machado esteve ao lado dos estudantes, pedindo a exoneração do seu cargo na universidade.

Após a implantação da república foi escolhido para os Negócios Estrangeiros no Governo Provisório, cargo que desempenhou até 1911. Nesta data foi eleito para a Assembleia Nacional Constituinte e candidato à Presidência da República, tendo perdido para Manuel de Arriaga.

Em 1913 tornou-se o primeiro embaixador português no Brasil. No regresso a Portugal em 1914 foi chamado a resolver a situação de crise política provocada pela demissão de Afonso Costa de Chefe de Governo. Quando se iniciou a Primeira Guerra Mundial, Bernardino Machado encontrava-se a chefiar o governo e teve de decidir o papel de Portugal neste conflito: Portugal só iria intervir quando Inglaterra necessitasse. Esta posição não foi consensual e obteve críticas de vários quadrantes políticos.

O governo acabou por cair em 1915 com a implantação do governo ditatorial do General Pimenta Machado. No entanto, a vitória do Partido Democrático nas eleições legislativas terminou com a ditadura e permitiu a Bernardino Machado vencer as eleições presidenciais.

Em 1916 Portugal foi chamado a intervir no contexto da guerra, aprisionando os navios alemães em águas territoriais, a pedido de Inglaterra. Foi oficialmente declarada guerra e constituiu-se um novo governo que organizou a força expedicionária portuguesa. A forte contestação de todos os setores conduziu ao golpe de Sidónio Pais em 1917. Bernardino Machado exilou-se em Paris.

Após o assassinato de Sidónio Pais em 1918 e tendo declarado abdicar do cargo de Presidente, Bernardino Marchado foi autorizado a regressar ao país em 1919. Seguiram-se anos de enorme instabilidade política e em 1925 venceu as eleições presidenciais, iniciando o seu segundo mandato.

Em 1926 o golpe militar de Manuel da Costa Gomes e Mendes Cabeçadas provocou a queda do governo e do Presidente. Bernardino Machado tornou a ser exilado devido às suas relações com opositores do regime, passando por Espanha e França, onde publicou vários manifestos contra o regime. Só regressou a Portugal em 1940, com residência fixada pelo governo. Faleceu em 1944.

 

 

Fonte principal: Dicionário de educadores portugueses / dir. António Nóvoa. - Porto : ASA, 2003.


MJS


2024/12/19

Instalações para o ensino (1968 a 1972) - Ministério das Obras Públicas - Liceus: Liceu Nacional da Guarda

 

- Liceu Nacional da Guarda -

O Ministério das Obras Públicas concluiu 42 edifícios, no período decorrente de 1968 a 1972, destinados a estabelecimentos dos cursos preparatório, secundário e médio. A título de divulgação, neste post, daremos a conhecer - o Liceu Nacional da Guarda.


(No topo podemos observar a imagem de uma sala de conferências. Em baixo, a fachada da escola)

 

 

(No topo, a imagem de um laboratório de ciências. Em baixo, uma imagem de uma sala de convívio e a ficha técnica com a identificação da escola, a dimensão da área coberta, a dimensão da superfície de pavimentos, o custo total das instalações, a data de conclusão da obra, a população escolar e a discriminação das dependências)

 

 

Ministério das Obras Públicas (1973). Novas Instalações para o ensino construídas entre

1968 e 1972. Lisboa: Direcção-Geral das Construções Escolares.

 

 

P. M. 

 

2024/12/16

Peça do mês de dezembro/2024

 

(Imagem de um termoscópio duplo de Looser retirada do Museu Virtual da Educação)


Termoscópio duplo de Looser


Instrumento utilizado em contexto das práticas pedagógicas de Física para a realização de experiências sobre as leis da calorimetria (dilatação dos corpos, condução do calor, calor produzido por compressão, etc.). O termoscópio duplo de Looser é constituído por uma base retangular em madeira, de onde se eleva uma placa em madeira de forma recortada, no centro da qual está uma dupla escala graduada de 0 a 30 cm, sobre fundo branco. Esta dupla escala permitia a observação da subida ou descida do líquido contido nas colunas. Entre as duas réguas da escala, descem dois tubos de vidro que, no topo, têm um pequeno depósito com rolha perfurada e atravessada por outro tubo mais estreito. Esses tubos (manómetros) eram cheios de líquido colorido. Ao chegar à base, os tubos curvam ligeiramente, subindo até um pouco abaixo do topo dos tubos centrais. Estes tubos laterais, a meia altura, formam um pequeno depósito acima do qual existem aberturas em forma de bico. Ambos são abertos no topo, podendo ser fechados através de acessórios, também em vidro. Os tubos estão presos à placa de madeira através de anilhas.

A peça está inventariada com o número ME/402047/101 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária Latino Coelho.


 MJS



2024/12/12

Instalações para o ensino (1968 a 1972) - Ministério das Obras Públicas - Liceus: Liceu Nacional de Cascais, São João do Estoril

 

- Liceu Nacional de Cascais, S. João do Estoril -

O Ministério das Obras Públicas concluiu 42 edifícios, no período decorrente de 1968 a 1972, destinados a estabelecimentos dos cursos preparatório, secundário e médio. A título de divulgação, neste post, daremos a conhecer - o Liceu Nacional de Cascais, S. João do Estoril, Cascais.


(No topo pode observar-se o átrio de entrada. Em baixo, a imagem da fachada da escola)

 

 

(No topo, a imagem de um laboratório. Em baixo, uma imagem de outro laboratório com instrumentos mais modernos e a ficha técnica com a identificação da escola, a dimensão da área coberta, a dimensão da superfície de pavimentos, o custo total das instalações, a data de conclusão da obra, a população escolar e a discriminação das dependências)

 

 

Ministério das Obras Públicas (1973). Novas Instalações para o ensino construídas entre

1968 e 1972. Lisboa: Direcção-Geral das Construções Escolares.

 

 

P. M. 

 

2024/12/09

Educadores Portugueses dos séculos XIX e XX: Bento de Jesus Caraça (1901 – 1948)

 

(Imagem do autor retirada da internet)
 

Bento de Jesus Caraça nasceu a 18 de abril de 1901 em Vila Viçosa, filho de João António Caraça e de Domingas Espadinha, trabalhadores rurais. Aprendeu a ler e a escrever com um dos trabalhadores, tendo a concluído a instrução primária em 1911. Frequentou o curso liceal no Liceu de Santarém e terminou –o no Liceu de Pedro Nunes em Lisboa em 1918.

Em 1923 licenciou-se no Instituto Superior do Comércio e em 1924 foi nomeado Primeiro Assistente. Em 1927 ascendeu a professor extraordinário e em 1929 a professor catedrático de Matemáticas Superiores.

Apoiou a Universidade Popular Portuguesa desde a sua fundação, em 1919, e integrou o seu Conselho Administrativo. Em 1936 fundou o Núcleo de Matemática, Física e Química com outros doutorados nesta área. Em 1938, juntamente com Mira Fernandes e Beirão da Veiga, fundou o Centro de Estudos de Matemáticas Aplicadas à Economia, do qual foi presidente até 1946.

Em 1940 foi criada a Gazeta da Matemática em colaboração com António Aniceto Monteiro, Hugo Batista Ribeiro, José da Silva Paulo e Manuel Zaluar Nunes. No ano seguinte, surgiu a Biblioteca Cosmos dedicada à divulgação de livros científicos e culturais. Foi aqui que publicou a obra Conceitos Fundamentais de Matemática, que alterou a abordagem da história da Matemática.

Após a implantação do Estado Novo, Bento de Jesus Caraça envolveu-se em várias atividades políticas antifascistas. Foi membro do Movimento de Unidade Nacional Antifascista- MUNAF, criado em 1943 e presidente do Movimento de Unidade Democrática- MUD, criado em 1945.

Entre 1943 e 1944 foi presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática juntamente com Aureliano de Mira Fernandes. Em 1946 foi preso pela PIDE e afastado do ensino.

Bento de Jesus Caraça denunciou alguns problemas do sistema de ensino da matemática como a extensão dos programas e das matérias lecionadas. Lutou pelo acesso de todos à cultura e à educação. Um dos seus escritos mais marcantes foi a conferência de 1933, A cultura integral do indivíduo, onde refletiu sobre cultura, sabedoria, liberdade e civilização.

 


Fonte principal: Dicionário de educadores portugueses / dir. António Nóvoa. - Porto : ASA, 2003.


MJS


2024/12/05

Instalações para o ensino (1968 a 1972) - Ministério das Obras Públicas - Liceus: Liceu Nacional de Bragança

 

- Liceu Nacional de Bragança -

O Ministério das Obras Públicas concluiu 42 edifícios, no período decorrente de 1968 a 1972, destinados a estabelecimentos dos cursos preparatório, secundário e médio. A título de divulgação, neste post, daremos a conhecer - o Liceu Nacional de Bragança.


(No topo pode observar-se a fachada da escola. Em baixo, uma vista dos pavilhões.)

  

 

(No topo, a imagem de um laboratório. Em baixo, uma imagem de um pavilhão e a ficha técnica com a identificação da escola, a dimensão da área coberta, a dimensão da superfície de pavimentos, o custo total das instalações, a data de conclusão da obra, a população escolar e a discriminação das dependências)

 

 

Ministério das Obras Públicas (1973). Novas Instalações para o ensino construídas entre

1968 e 1972. Lisboa: Direcção-Geral das Construções Escolares.

 

 

P. M. 

 

2024/12/02

Educadores Portugueses dos séculos XIX e XX: Faria de Vasconcelos (1880 – 1939)

 


(Imagem do autor retirada da internet)

 

António de Sena Faria de Vasconcelos Cabral Azevedo nasceu em Castelo Branco a 2 de março de 1880, filho de Luís Cândido de Faria e Vasconcelos, licenciado em direito e delegado do Procurador Régio e de Maria Rita de Sena Belo de Vasconcelos.

Foi aluno do Colégio do Espírito Santo de Braga até 1895 e posteriormente licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra em 1901 com a tese O Materialismo Histórico e a Reforma Religiosa do Século XVI.

Em 1902 publicou a obra O Ensino Ético-Social das Multidões, em que sustentou a teoria de que as sociedades modernas se encontravam debilitadas, sendo necessária uma nova educação moral e científica, através da educação.

Desde cedo se interessou pela vertente pedagógica e educativa como forma de transformação social. Nesse sentido, frequentou a Universidade Nova de Bruxelas onde obteve o grau de Doutor em Ciências Sociais em 1904 com a tese Esquisse d’une Théorie de la Sensibilité Sociale. Entre 1904 e 1914 foi regente de Psicologia e Pedagogia no Instituto de Altos Estudos.

Faria de Vasconcelos aderiu ao movimento da Escola Nova, cujo núcleo mais ativo se situava no Instituto Jean-Jacques Rousseau. Em 1912, o educador fundou a Escola de Bierges em Bruxelas, cuja experiência foi relatada na obra Une École Nouvelle en Belgique publicada em 1915. Nesta escola cumpriram-se 28,5 dos 30 princípios da escola nova, de acordo com o Bureau International des Écoles Nouvelles.

Devido à eclosão da Primeira Guerra Mundial, o pedagogo mudou-se para Genève em 1914 onde exerceu funções docentes no Instituto jean-Jacques Rousseau. Mais tarde, realizou um trabalho de destaque em Cuba (1915-1917) e na Bolívia (1917-1920) que se estendeu a toda a América Latina através da obra Didactica de la Escuela Nueva.

Em 1921 regressou a Portugal e passou a exercer o cargo de professor de Pedagogia na Escola Normal Superior. Foi cofundador do Grupo Seara Nova, tendo participado ativamente na revista Seara Nova, na Educação Popular e n’ A Batalha.

Tornou-se Assistente da Faculdade de Letras de Lisboa em 1922 e publicou alguns artigos sob o título Bases para a Solução dos Problemas da Educação Nacional que estruturaram a reforma da educação de João Camoesas.

Empenhou-se na organização da Universidade Popular Portuguesa, fundada em 1919 por Ferreira de Macedo. Em 1924 publicou a obra Lições de Psicologia Geral e em 1925 fundou o Instituto de Orientação Profissional em Lisboa.

Em 1931 envolveu-se na organização do Instituto Dr. Navarro de Paiva em articulação com o Instituto de Reeducação Mental e Pedagógica. O Instituto destinava-se a jovens do sexo masculino entre os 9 aos 16 anos que seriam úteis à sociedade através de uma reeducação e da prática de um ofício adequado.

Seria interessante relembrar o artigo publicado neste blogue sobre Faria de Vasconcelos e o seu respetivo espólio bibliográfico e arquivístico, em 2011.

 


Fonte principal: Dicionário de educadores portugueses / dir. António Nóvoa. - Porto : ASA, 2003.


MJS


2024/11/28

Instalações para o ensino (1968 a 1972) - Ministério das Obras Públicas - Liceus: Liceu Nacional da Amadora, Oeiras

 

- Liceu Nacional da Amadora -

O Ministério das Obras Públicas concluiu 42 edifícios, no período decorrente de 1968 a 1972, destinados a estabelecimentos dos cursos preparatório, secundário e médio. A título de divulgação, neste post, daremos a conhecer - o Liceu Nacional da Amadora, Oeiras.



(Na imagem podem observar-se os vários pavilhões que constituem a escola)

 

 

(No topo, a imagem de um laboratório de química. Em baixo, a ficha técnica com a identificação da escola, a dimensão da área coberta, a dimensão da superfície de pavimentos, o custo total das instalações, a data de conclusão da obra, a população escolar e a discriminação das dependências)

 

 

Ministério das Obras Públicas (1973). Novas Instalações para o ensino construídas entre

1968 e 1972. Lisboa: Direcção-Geral das Construções Escolares.

 

 

P. M. 

 

2024/11/25

Educadores Portugueses dos séculos XIX e XX: António Sérgio (1883 – 1969)

  

(Imagem do autor retirada da internet)

António Sérgio de Sousa nasceu em Damão, na Índia, a 3 de setembro de 1883, filho do vice-almirante António Sérgio de Sousa (1842 – 1906) e neto do vice-almirante e Governador-Geral da Índia, com o mesmo nome. Não frequentou a escola durante a infância, dividida entre a Índia e África, devido ao facto do seu pai ter sido Governador do Congo Português.

Em 1893 chegou a Lisboa, frequentando o Colégio Militar, a Escola Politécnica e mais tarde a Escola Naval. Chegou à posição de segundo-tenente da Marinha de Guerra quando foi proclamada a República. Abandonou a carreira militar, uma vez que era afeto à monarquia.

Entre 1901 e 1903, influenciado pela obra de Antero de Quental, redigiu as Notas sobre os Sonetos e as Tendências Gerais da Filosofia, editadas em 1909.

Casou com Luísa Epifâneo da Silva e em 1912 concorreu para lente de Filosofia na Universidade de Lisboa. Entre 1914 e 1916 frequentou o Instituto Jean-Jacques Rousseau, um dos grandes centros da Escola Nova.

Entre 1918-19 lançou a revista Pela Grei em que participaram vários especialistas. Em 1920 integrou a direção da Seara Nova e em 1923 assumiu a pasta da Educação no governo de Álvaro de Castro. Neste âmbito tinha como objetivo criar uma Junta de Ampliação de Estudos para apoio a bolseiros no estrangeiro e financiamento de institutos e escolas. Este projeto só se veio a concretizar em 1929 com a Junta de Educação Nacional.

Entre 1926 e 1933 viveu em Paris, exilado, após a queda da primeira República. Regressou ao país nessa data tornando-se ativista do movimento cooperativista e do socialismo democrático.

Fez parte do Movimento de Unidade Democrática, juntamente com um enorme grupo de intelectuais. Mais tarde apoiou a candidatura de Humberto Delgado. Foi preso em 1958, após a derrota de Delgado e em 1959 abandonou a vida de intervenção e a escrita.

O seu pensamento pedagógico, orientado por pensadores como John Dewey, Guglielmo Ferrero, Ramsay MacDonald ou Georg Kerschensteiner, pautou-se pelas seguintes ideias:

- Criação de novos processos de educação na infância, nomeadamente através do método Montessori;

- Ligação entre a instrução popular e as atividades económicas da região;

- Interpretação da história de Portugal sobre uma perspetiva económica e social;

- Instituição de bolsas de estudo no estrangeiro para estudantes portugueses;

- Recusa do ensino apoiado unicamente na mnemónica;

- Utilização dos métodos da democracia política na formação dos estudantes;

- Desenvolvimento de um ensino de continuação;

- Promoção da divisa “Trabalho e Autonomia”.

Vários foram os desenvolvimentos estratégicos desta linha de pensamento, que se concretizaram em várias conclusões:

- Crítica à importância dada à aprendizagem do alfabeto, uma vez que ler deve ser um instrumento de trabalho;

- Crítica aos conteúdos académicos, sendo que as ciências (matemática, física ou biologia) e a história deveriam ser simples pretextos ou instrumentos;

- Necessidade de reforma da instrução e da construção de mais escolas;

- Necessidade de preparação e formação de professores no estrangeiro, sob a orientação da Escola Nova;

- Descentralização do ensino que devia ser gerido por uma Conselho de Instrução Pública eleito por professores;

- Difusão de novos métodos de ensino;

-Consciencialização de que a inovação pedagógica é um processo que se encontra em constante movimento.

 

A sua posição relativamente à história de Portugal, com a publicação em 1941 do primeiro tomo da História de Portugal, Introdução Geográfica, voltou-se para as causas da decadência do país, inspirado por Antero de Quental. Para António Sérgio essas causas eram a importância da aristocracia militar que não permitiu o desenvolvimento de uma burguesia forte; o ensino para as armas e não para o trabalho criador; a corrupção gerada pelo sistema de conquistas; os descobrimentos encarados como um prolongamento da reconquista cristã e a presença da Inquisição.

Na sua vasta bibliografia merecem destaque os Ensaios (1920-1958) onde analisou questões literárias, refletindo o seu humanismo, a intervenção cívica e a pedagogia. Nos Diálogos de Doutrina Política (1933), o autor expressou a sua contestação ao ideário e ao pensamento de Salazar.

 

 

Fonte principal: Dicionário de educadores portugueses / dir. António Nóvoa. - Porto : ASA, 2003.


MJS


2024/11/21

Instalações para o ensino (1968 a 1972) - Ministério das Obras Públicas - Liceus: Liceu Nacional de Garcia de Orta, Porto

 

- Liceu Nacional de Garcia de Orta -

O Ministério das Obras Públicas concluiu 42 edifícios, no período decorrente de 1968 a 1972, destinados a estabelecimentos dos cursos preparatório, secundário e médio. A título de divulgação, neste post, daremos a conhecer - o Liceu Nacional de Garcia de Orta, Porto.


(Na imagem pode observar-se a fachada da escola)

 

 

(No topo, a imagem de uma sala de exposições. Em baixo, a ficha técnica com a identificação da escola, a dimensão da área coberta, a dimensão da superfície de pavimentos, o custo total das instalações, a data de conclusão da obra, a população escolar e a discriminação das dependências)

 

 

Ministério das Obras Públicas (1973). Novas Instalações para o ensino construídas entre

1968 e 1972. Lisboa: Direcção-Geral das Construções Escolares.

 

 

P. M. 


2024/11/18

As Bibliotecas e a História - A Biblioteca de Pérgamo - A grande rival de Alexandria (Parte II)

 

A Biblioteca de Pérgamo.
Fonte: https://www.worldhistory.org/

 

«Antes da invenção da imprensa, cada livro era único. Para que existisse um novo exemplar, alguém devia reproduzi-lo letra a letra, palavra por palavra, num exercício paciente e esgotante. Havia poucas cópias da maioria das obras e a possibilidade de que um determinado texto se extinguisse totalmente era uma ameaça muito real. Na Antiguidade, em qualquer momento, o último exemplar de um livro podia estar a desaparecer numa prateleira, devorado pelas térmitas ou destruído pela humidade. E, enquanto a água ou as mandíbulas do inseto atuavam, uma voz era silenciada para sempre».

                                                                    (Irene Vallejo, p. 74, 2020)

 

Segundo narra Plínio, o Velho, em inícios do século II a.C., Alexandria não queria ser superada por outra biblioteca, uma vez que as bibliotecas eram, não só, reflexo de cultura, mas, também, de poder. Assim, terá proibido a venda de papiro para a biblioteca de Pérgamo, para que esta não mais pudesse copiar ou produzir nenhum novo livro. O rei Eumenes II, como resposta, terá ordenado que fosse encontrado um novo material que pudesse ser utilizado na confeção dos manuscritos, o que levou a uma exponencial produção de pergaminho, feito a partir da pele de ovelha ou de cabra. O próprio vocábulo “pergaminho” parece derivar do topónimo “Pérgamo”. Este material revelou-se mais resistente, durável, podia ser utilizado de ambos os lados e ser rasurável. A descoberta foi tão importante que a própria Alexandria passou a adotar o pergaminho, em lugar do frágil papiro. Contudo, há que notar que o pergaminho já vinha sendo usado noutros lugares, como a Anatólia, antes de Pérgamo. Certo é que o uso do pergaminho, em lugar do papiro, veio também facilitar a disseminação do conhecimento por toda a Europa e Ásia, para além de ampliar a importância da biblioteca de Pérgamo no Mundo Antigo.

Segundo a investigadora e escritora Irene Vallejo:

«A medida (o contra-ataque de Ptolomeu a Eumenes), poderia ter sido demolidora, mas – para frustração do vingativo rei – o embargo impulsionou um grande avanço que, para além do mais, imortalizaria o nome do inimigo. Em Pérgamo reagiram aperfeiçoando a antiga técnica oriental de escrever sobre couro, uma prática cujo uso tinha sido secundário e local até então. Em memória da cidade que o universalizou, o produto melhorado chamou-se “pergaminho”. Cerca de quatro séculos mais tarde, essa descoberta mudaria a fisionomia e o futuro dos livros».

 (Irene Vallejo, p. 77, 2020)


Ruínas de Pérgamo, na atualidade.
Fonte: https://www.archetravel.com 

A cidade de Pérgamo haveria de cair nas mãos dos romanos no ano de 133 a.C., sendo a biblioteca negligenciada. Mais tarde, no ano de 1300, a cidade de Pérgamo é conquistada pelo Império Otomano. A biblioteca manteve a sua existência até à era cristã, embora não tenha sido muito mencionada por historiadores, dando a entender que a sua coleção não era mais significativa. Muito mais tarde, nas décadas de 1860 e 1870, do século XIX, surge a curiosidade e o interesse em descobrir e reconstituir a história da grandeza de Pérgamo e da sua magnífica e lendária biblioteca, por parte dos governos alemão e otomano. Em 2014, o local onde se encontram ainda muitas das ruínas, foi declarado património mundial, pela UNESCO.


 JMG

 

REFERÊNCIAS E SUGESTÕES DE LEITURA:

(BIBLIOGRAFIA, WEBGRAFIA e ILUSTRAÇÕES)

 

BARBIER, Frédéric (2018). De Alexandria às bibliotecas virtuais. São Paulo: EDUSP.

BATTLES, Matthew (2003). A conturbada história das bibliotecas. São Paulo: Planeta do Brasil.

CASSON, Lionel (2001). Libraries in the ancient world. New Haven and London: Yale University Press.

CURIOSIDADES EDAD ANTIGUA (2022). GUADALUPO, Irene. La biblioteca de Pérgamo. [em linha]. [Consult. 16.09.2024]. Disponível: https://labibliotecadepergamo.com/historia/edad-antigua/la-biblioteca-de-pergamo/

OIKONOMOPOULOU, Katerina; WOOLF, Greg (2013). Ancient libraries. St. Andrews: Cambridge University Press.

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WIKIPEDIA (2024). Pergamon altar. [em linha]. [Consult. 17.09.2024]. Disponível: https://en.wikipedia.org/wiki/Pergamon_Altar

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2024/11/14

Peça do mês de novembro/2024

 

(Imagem de um modelo de protonema retirada do Museu Virtual da Educação)



Protonema

 

Modelo de anatomia vegetal em estafe (material de construção obtido por moldagem de gesso cozido sobre fibra de cânhamo ou sisal), colorido, representando o protonema filamentoso verde (clorofilino, portanto, com vida independente), ramificado, de um musgo, resultante da germinação de um esporo (este, também visível, com cor amarelo-acastanhada) em condições favoráveis.

No protonema observa-se um pequeno gomo (ou gema), verde, com felídeos em roseta, que é o gametófito jovem e cujo desenvolvimento originará os gametângios femininos e masculinos. O modelo, com 6 cm de altura, está fixado numa base circular (diâmetro = 18 cm e espessura = 2 cm) de madeira pintada (preto). Modelo aumentado cerca de 1500 vezes.

A peça está inventariada com o número ME/404652/715 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária de Pedro Nunes.


MJS