2026/01/04

Externato Dr. José Gentil: o Ensino Particular em tempos de forte e conturbada agitação social

 

(Imagem da entrada da atual Escola Secundária de Alcácer do Sal, retirada do site da mesma)


 

A coleção de Alvarás sobre o licenciamento de estabelecimentos de Ensino Particular, constitui uma série documental do fundo da Inspeção Geral do Ensino Particular, integrada no grupo de fundos dos Arquivos da Administração Central, da Direção de Serviços de Documentação e de Arquivo da Secretaria Geral do Ministério da Educação e Ciência. O Alvará do Externato é titulado pela Diocese de Évora e gerido administrativamente pela Sociedade Anónima SOPEAL.

 

 

 O estudo da criação e o processo conturbado pelo qual passou o Externato Dr. José Gentil em Alcácer do Sal, constitui um exemplo peculiar da complexidade pela qual passaram alguns estabelecimentos de ensino na sequência da revolução de abril de 1974. Descrito em dezembro de 1973, no Jornal de Alcácer, de forma tão eloquente - “O novo edifício do Externato Dr. José Gentil tornou-se uma realidade. Ele lá está, entre o Senhor dos Mártires e o Castelo, sobranceiro ao rio Sado, enquadrado numa paisagem maravilhosa. Edifício amplo, moderno, apetrechado para um ensino capaz. Alcácer pode, agora, orgulhar-se do seu Colégio. Só o grande espírito de sacrifício de um pequeno grupo tornou realidade aquilo que muitos consideravam ideia peregrina. (…). Mas é justíssimo que se destaque o trabalho e a dedicação total do Rev. Padre José Sampaio Ferreira. Sacrificou-se, lutou e esgotou-se ao serviço de uma obra à qual o seu nome ficará ligado para sempre.” -, nada faria antever todas as convulsões por que passaria nos anos de 1974 e 1975. Na sequência da ocupação forçada do Colégio por estudantes e trabalhadores – “Ao chegar ali constatei que enorme multidão (alunos, pais, trabalhadores e bastantes deles rurais) se encontravam junto do edifício do Externato e nos seus páteos de recreio, e que um eficiente serviço das Forças Armadas mantinha a ordem no local. O Externato não estava em funcionamento e toda aquela gente aguardava desde a manhã a chegada de representantes do M.E.C para se procurar uma solução para a situação que se havia criado. Alguns alunos, pais e vogais da comissão administrativa da Câmara Municipal informaram-nos em breves palavras que o Diretor Pe. Sampaio e alguns alunos haviam passado a noite no Externato com receio do mesmo vir a ser ocupado e que durante a madrugada através de megafone foram lançados avisos que alertaram e alarmaram a população o que a levou a dirigir-se ao Externato. Oficiais e soldados do Regimento de Infantaria 11 e da GNR haviam comparecido a tempo, não se tendo verificado qualquer alteração na ordem, nem confrontações físicas.” (vidé folha 110 do Auto de Inquérito) -, a exigência do afastamento da direção do citado padre e consequente saneamento dos professores reacionários e a nacionalização do Externato, obrigam a um despacho do Secretário de Estado da Administração Escolar, datado de 3 de maio de 1975, instaurando um Processo de Inquérito “Considerando a situação anormal que se vem verificando no Externato Dr. José Gentil, em Alcácer do Sal, as dúvidas postas relativamente à correção da respetiva gestão administrativa e pedagógica, situação ainda mais grave num estabelecimento de ensino fortemente subsidiado pelo Estado; os justos anseios da população local (…)”. O processo de inquérito conta com largas dezenas de Autos de Declarações de professores, pais, alunos e várias testemunhas da comunidade escolar. Como complemento processual, surgem apensos alguns Manifestos, Esclarecimentos públicos, Comunicados, Desmentidos, Tomadas de posição, Recortes de jornais e Panfletos públicos com marcado pendor político. A este propósito, importa destacar as posições da Comissão Administrativa da Câmara Municipal (vidé folha 3 e seguintes) ou de um grupo de professores da Escola Pedro Nunes de Alcácer do Sal (vidé folha 33). Analisados individualmente, ou no conjunto do Processo de Inquérito, estes documentos são por si só, o espelho das tensões e da vivacidade da tomada de posições que contrapõem ambos os lados em confronto. O Ensino Particular em Portugal esteve sempre muito associado à Igreja, em particular nas décadas de 1960 e 1970, sendo que muitos deles cessaram a sua atividade na década de `70, por distintas e diversas razões. Tal como o antigo Colégio Diocesano de Proença-a-Nova (Alvará 1788), criado em outubro de 1961, que esteve sempre sobre a égide da Diocese de Castelo Branco e Portalegre, a Diocese de Évora era a detentora do Alvará de funcionamento do Externato/ Colégio Dr. José Gentil, cuja gestão administrativa e financeira dependia da “SOPEAL – Sociedade de Promoção Educacional Alcacerence – é uma Sociedade por acções, criada por escritura Notarial, lavrada no Cartório Notarial de Alcácer do Sal, em 25 de Março de 1971.”( vidé folha 180). Tal como no caso do Colégio de Proença-a-Nova, também o Externato de Alcácer do Sal se iria tornar público e de ensino oficial, com a criação da futura Escola Secundária de Alcácer do Sal. Aliás, o ponto 5 do despacho governamental já citado, aponta para “o estudo da situação futura do Externato à luz do que vier a ser decidido sobre nacionalização do ensino particular.” O breve estudo deste Externato, permite conhecer melhor e inferir muito de um período particularmente conturbado da nossa História Contemporânea, fazendo jus à máxima que os Arquivos, quaisquer Arquivos, não podem ser só entendidos como testemunhos custodiais ou patrimoniais de um coletivo, mas constituem simultaneamente fontes primárias para a escrita ou reescrita da nossa História comum. Ao arquivista importa organizar, tratar e disponibilizar informação, enquanto que aos estudiosos das Ciências Sociais e da História, importa o estudo, a análise, a reflexão e a interpretação a partir das distintas fontes históricas.

 

AM

2025/12/29

Educadores Portugueses dos séculos XIX e XX: Adães Bermudes (1863 – 1947)

 

(Imagem do autor retirada da internet)

Arnaldo Redondo Adães Bermudes nasceu a 29 de setembro de 1863 no Porto, filho de Félix Redondo Adães, comerciante e de Cesina Romana Bermudes, originários da Galiza.

Frequentou a Academia Portuense de Belas Artes e concluiu arquitetura na Escola de Belas Artes de Lisboa, em 1886. Completou a sua formação em Paris, na École des Beaux-Arts, regressando a Portugal em 1894. Nesse mesmo ano foi premiado com a 2.ª medalha na Exposição do Grémio Artístico de Lisboa.

Em 1895 candidatou-se à Real Associação dos Arquitetos Civis e Arqueólogos Portugueses, proferindo um discurso em que apelou à dignificação das condições profissionais dos arquitetos portugueses. Nesse âmbito, em 1902 redigiu os estatutos da Sociedade dos Arquitetos Portugueses, juntamente com Rosendo Carvalheira, Ventura Terra, Alfredo Aragão Machado e António Dias da Silva. Outra das suas preocupações foi a organização de um novo regulamento de segurança para as classes operários.

Em 1897 foi-lhe adjudicada a conceção de um bairro de casas económicas, o Bairro do Arco do Cego, em Lisboa, que realizou recorrendo ao conceito de cidade jardim.

Em 1898 obteve o 1.º prémio no concurso para projetos tipo de escolas primárias, o que levou à sua nomeação para adjunto da Direção-Geral de Instrução Pública (1899) e para Diretor das Construções Escolares (1901 – 1906). No desempenho de funções, ficou responsável pelo processo de construção de cerca de 300 escolas em Portugal. A sua visão sobre este assunto estabelecia uma relação entre o desenvolvimento do ensino elementar e o progresso das nações, reconhecendo o impacto da qualidade dos edifícios escolares no desenvolvimento físico e intelectual dos alunos. O regulamento do concurso para os edifícios escolares denota a grande influencia dos princípios do movimento higienista.

As escolas Adães Bermudes constituíram uma tentativa de inverter a situação de analfabetismo em Portugal. Os edifícios tinham traços característicos, integrando-se nas vilas e cidades, harmonizando-se ao nível da fachada e das proporções. Destinavam-se a um sexo e tinham capacidade para cerca de 50 alunos, incluindo a sala de aula e a residência do professor, com planta, em formato de L e piso térreo. Estavam incluídos no projeto os vestiários (átrio), uma aula de desenho, recreio coberto e instalações sanitárias. Na fachada existia um frontão triangular e três janelas. A casa do professor compunha-se por 2 andares: no primeiro, a sala de jantar, cozinha e sanitários; no segundo, dois quartos. Este era o projeto tipo base que sofreu alterações, dependendo do número de aulas e do tipo de escola. A organização pedagógica do espaço escolar seguia o modelo da escola única, sem divisão por classes ou atividades. Não existia qualquer espaço específico para biblioteca, museu ou laboratório, nem qualquer tipo de mobiliário definido.

Foram construídas 184 escolas deste modelo entre 1902 e 1912. Neste ano Adães Bermudes integrou uma Comissão encarregue de fixar normas técnicas e higiénicas, bom como de rever os projetos tipo existentes. Foram concluídas em 1914 e publicadas em 1916 na revista A Construção Moderna, ficando conhecidas como as Normas de 1917. O documento articulou normas arquitetónicas, médicas e pedagógicas.

Adães Bermudes foi igualmente responsável pelos projetos da Escola Central Primária de Santa Cruz (Coimbra, 1905-1907), do Instituto Superior de Agronomia de Lisboa (Tapada da Ajuda, 1910) e da Escola Normal Primária de Lisboa (Quinta de Marrocos, Benfica, 1913). Para além das escolas, foram da sua autoria outros projetos marcantes como os Paços do Concelho da Câmara Municipal de Sintra (1908); o mausoléu dos benfeitores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (1908); e ainda vários prédios de habitação, sendo distinguido com um Prémio Valmor (edifício sito na Avenida). Em 1914 foi um dos membros da equipa que levou a cabo o Monumento ao Marquês de Pombal, inaugurado em 1934. Dirigiu também várias intervenções de conservação e restauro em monumentos nacionais (Palácio Nacional de Sintra, Convento de Mafra, Palácio de Queluz, Mosteiro dos Jerónimos, Museu Nacional de Arte Antiga, Museu Nacional de Belas Artes de Lisboa). 

 Em 1909 desempenhou o cargo de Secretário da Comissão de Estudo das Construções nas Regiões Sísmicas; em 1911 foi vogal do Conselho de Arte e Arqueologia e do Conselho Superior de Instrução Pública, bem como Secretário da Comissão dos Monumentos Nacionais; em 1926 foi Chefe de Repartição da Direção-geral de Belas-Artes do Ministério da Instrução Pública; e entre 1929 e 1933, foi Diretor do Serviço de Monumentos Nacionais do Ministério do Comércio e Comunicações. Entre 1917 e 1933 foi professor de Construção e Resistência dos Materiais, Geometria Descritiva e Perspectiva na Escola de Belas-Artes de Lisboa, exercendo importante influência sobre toda uma geração de arquitetos.

 

Fonte principal: Dicionário de educadores portugueses / dir. António Nóvoa. - Porto : ASA, 2003.


MJS


 

2025/12/25

Muitos Anos de Escolas – Volume III – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário da Escola Piloto à Área Aberta. Casos Especiais – Capítulo II – O Projeto Regional do Mediterrâneo – Parte III

 

(Desenho da perspetiva geral da Escola-Piloto de Mafra)


 

II – O Projeto Regional do Mediterrâneo

4 - A Escola-Piloto para o Ciclo Unificado (Mafra)

 

O Projeto da Escola-Piloto para o Ciclo Unificado, a ser edificado em Mafra, destinava-se aos 2 anos de ensino vestibular, com crianças entre 10 e os 14 anos. O programa de disciplinas, ainda em estudo na época, compreendia 5 áreas: Formação Espiritual e Nacional (Língua Pátria, História e Geografia Pátria e Moral e Religião); Iniciação Científica (Matemática e Ciências da Natureza); Formação Plástica (Desenho e Trabalhos Manuais); Atividades Rítmicas (Educação Musical e Física); e Língua Viva (Francês ou Inglês).

A capacidade da escola rondaria os 800 alunos, com 12 turmas masculinas e 12 turmas femininas. O programa de instalações compreendia uma zona administrativa (serviços administrativos, direção, gabinete médico, gabinetes de orientação escolar, cantina, vestiários e instalações sanitárias); zona de circulação; zona de ensino geral com espaços diferenciados consoante os currículos; e zona de ensino formativo (biblioteca, museu, refeitório, sala polivalente e pequenas salas temáticas).

Foram apresentados vários projetos, mas nenhum se concretizou, o que só aconteceria mais terce, cerca de 1968.

 

MJS

 

 

Fonte: BEJA, Filomena, et al. Muitos Anos de Escolas – Volume III – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário da Escola Piloto à Área Aberta. Casos Especiais. Lisboa, Secretaria Geral do Ministério da Educação, 1997.

 

2025/12/22

Educadores Portugueses dos séculos XIX e XX: Fonseca Benevides (1835 – 1911)

 

(Imagem do autor retirada da internet)
 

Francisco da Fonseca Benevides nasceu a 28 de janeiro de 1835 em Lisboa, filho de Inácio António da Fonseca Benevides. Em 1851 concluiu o curso da Escola Politécnica de Lisboa e ingressou na Marinha, onde permaneceu até 1856, e onde completou o curso da Escola Naval, em 1853.

Em 1854 foi designado professor das cadeiras de Física e de Hidrografia, no Instituto Industrial de Lisboa, e também das disciplinas de Mecânica e de Artilharia, na Escola Naval, onde lecionou até 1871.

Participou em várias exposições industriais, como a Exposição Internacional do Porto (1856) e Exposição Universal de Paris (1867). Fonseca Benevides foi diretor do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa onde procurou reformar o ensino tecnológico. Assumiu igualmente o cargo de Chefe da Inspeção do Ensino Industrial da Circunscrição Sul.

A sua grande preocupação foi a modernização do ensino industrial e a renovação tecnológica em Portugal, tendo colaborado em vários projetos de reforma, sobretudo no de Emídio Navarro, apresentado em 1891. Neste âmbito fundou o Museu Tecnológico do Instituto Industrial de Lisboa: a sua função seria a recolha de material pedagógico (estampas de máquinas e instrumentos de medida), a criação de centros de divulgação científica e a propaganda industrial. O Museu tinha subjacente o pensamento de que o ensino profissional, encarado como um sistema de distribuição de competências, estava diretamente relacionado com o desenvolvimento industrial da nação.

A sua produção escrita abrangeu várias áreas (a guerra, a física, a música e a história): Curso de Artilharia da Escola Naval: descrição do material de guerra (1858); Curso elementar de Física, contendo algumas noções de mecânica, e aplicações científicas e industriais (1863); O Fogo: obra científica e literária (1866); A Música: memória histórico-descritiva (1866), Noções de Física Moderna com Numerosas Aplicações (1870); Rainhas de Portugal (1878-1879), O Real Teatro de S. Carlos de Lisboa (1894). Para além disso, escreveu vários artigos para revistas e jornais. Foi agraciado com os graus de Cavaleiro da Ordem de Cristo (1862), Cavaleiro da Ordem de Santiago (1866) e Comendador da Ordem de Cristo (1867), tendo ainda sido admitido como Sócio Correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa, em 1866.

 

Fonte principal: Dicionário de educadores portugueses / dir. António Nóvoa. - Porto : ASA, 2003.

 

MJS


2025/12/18

Muitos Anos de Escolas – Volume III – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário da Escola Piloto à Área Aberta. Casos Especiais – Capítulo II – O Projeto Regional do Mediterrâneo – Parte II

 

(Desenho da perspetiva geral da Escola-Piloto de Mem Martins)


II – O Projeto Regional do Mediterrâneo

3 - A Escola-Piloto de Mem Martins

 

Concluído em outubro de 1966 e em funcionamento efetivo em 1967/68, o Projeto da Escola-Piloto de Mem Martins baseou-se em quatro princípios fundamentais: a escola é para a criança; a escola deve facilitar a integração da criança na comunidade; a escola deve comunicar uma ideia de modo de viver; e a escola deve assumir-se como um prolongamento da casa.

Participaram neste projeto 180 alunos dos dois sexos, num total de quatro classes. Em cada sala o número máximo de alunos era de 40, com espaços diferenciados para cada um dos sexos. A estrutura, de esquema radial, estava apoiada em 4 salas de aula, a principal unidade do conjunto; um espaço polivalente que servia de refeitório; instalações sanitárias; salas para o pessoal docente e administrativo; cozinha; arrecadação; e zonas ao ar livre (exercício físico, horta pedagógica, recreio, etc.).


(Imagem da planta da Escola-Piloto de Mem Martins)


Do currículo constavam as seguintes disciplinas: aritmética; geometria; história pátria; ciências geográfico-naturais, desenho, trabalhos manuais, moral e religião, educação física e educação feminina.

Quanto ao mobiliário escolar, desenharam-se 2 linhas de mesas e cadeiras, tendo em conta a diferente estatura dos alunos, com componentes em madeira e metal. Obedeciam aos seguintes requisitos: durabilidade e conservação; permitir a postura correta dos alunos; leveza, para um manejamento mais facilitado; e polivalência

 

MJS

 

 

Fonte: BEJA, Filomena, et al. Muitos Anos de Escolas – Volume III – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário da Escola Piloto à Área Aberta. Casos Especiais. Lisboa, Secretaria Geral do Ministério da Educação, 1997.


2025/12/15

Peça do mês de dezembro/2025



 


Trabalho escolar

Conjunto de trabalhos escolares, elaborados por alunos do 2.º ano - 1ª Turma, 1959-60 do Curso Geral do Comércio, da Escola Comercial Veiga Beirão, no contexto das práticas pedagógicas de Língua Portuguesa. Trata-se de uma encadernação de vários trabalhos de alunos sobre a temática do Natal. Na 1.º página pode ler-se "À Biblioteca da Escola, Oferecem este pequeno livro, produto do trabalho, do esforço e da boa vontade de todos." Escrito à mão e com desenhos alusivos à época, inclui contos, poemas, tradições europeias e portuguesas.

A peça está inventariada com o número ME/ESDMF/26 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária David Mourão Ferreira, à guarda da SGEC (nesta escola encontram-se espólios da Escola Veiga Beirão e D. Maria I).


MJS


2025/12/11

Muitos Anos de Escolas – Volume III – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário da Escola Piloto à Área Aberta. Casos Especiais – Capítulo II – O Projeto Regional do Mediterrâneo – Parte I

 

(Imagem do Sistema Escolar do Projeto do Estatuto da Educação Nacional)


 

II – O Projeto Regional do Mediterrâneo

1 - O Grupo de Trabalho sobre Construções Escolares

2 - Normas para a Construção de edifícios para o Ensino Primário

 

O conceito de desenvolvimento económico, a partir da segunda metade do século XX, foi associado aos níveis de educação. A OCDE assumiu a responsabilidade de prestar assistência a alguns países com dificuldade em estabelecer planos educativos através do Projeto Regional do Mediterrâneo.

Em Portugal a sede do projeto foi o Centro de Estudos de Estatística Económica (Instituto de Alta Cultura), sob a direção do Professor Doutor Alves Martins. Os estudos realizados demonstraram que Portugal continuava pobre e culturalmente atrasado, o que não agradou ao regime e fez com que o Relatório fosse confidencial até 1964. Nesta sequência, o ministro Galvão Telles publicou em 1969 o Estatuto da Educação Nacional, uma lei de bases do ensino.

Em 1964 foi criado o Grupo de Trabalho Sobre as Construções Escolares, presidido pelo Eng. Francisco Mello Ferreira de Aguiar, cujo objetivo era elaborar estudos que seriam orientadores para a construção de escolas primárias e secundárias. Desta forma era necessário estudar normas de espaço e de habitabilidade para as escolas; determinar custos limite; elaborar projetos-piloto; analisar a estrutura administrativa e propor a sua reorganização. A equipa foi acompanhada pelo Arquiteto Guy Oddie.


(Imagem do Quadro Resumo das normas quantitativas para as Escolas Primárias)

Este grupo de trabalho elaborou diversas normas qualitativas e recomendações para os edifícios do ensino primário e elaborou 2 Projetos Piloto, para o ensino primário e para o futuro ciclo preparatório.

 

 MJS

 

Fonte: BEJA, Filomena, et al. Muitos Anos de Escolas – Volume III – Edifícios para o Ensino Infantil e Primário da Escola Piloto à Área Aberta. Casos Especiais. Lisboa, Secretaria Geral do Ministério da Educação, 1997.