2019/10/09

Escola Secundária Nuno Álvares, Castelo Branco


ESCOLA SECUNDÁRIA NUNO ÁLVARES,
CASTELO BRANCO


A rede nacional de liceus foi criada em 1852, determinando que todas as capitais de distrito fossem contempladas com um estabelecimento semelhante. À data, Castelo Branco já possuía uma escola sem estatuto de liceu, lecionando gramática latina, filosofia e retórica. Em 1911, as instalações da escola foram transferidas para o palacete do Paço Episcopal da cidade, e poucos anos mais tarde, em 1918, passou a denominar-se Liceu Nacional Central de Nuno Álvares.

Em 1941 teve início a construção de um edifício projectado de raiz para receber a instituição de ensino albicastrense, concluído em 1944 e inaugurado no ano lectivo seguinte. Logo após, em 1947, foi nomeado o corpo docente para o Liceu de Castelo Branco: António José de Sousa professor das cadeiras de história e de oratória, José Joaquim Magro, enquanto regente de gramática latina e de latinidade, e, por último José Marques Leite, para lecionar filosofia e aritmética.

Em 1852 o liceu funcionou em duas salas do primeiro andar da ala nascente do edifício do antigo hospital da Misericórdia de Castelo Branco. No topo da mesma ala estava instalada a Escola de Ensino Mútuo, cuja sala, por ser maior, era por vezes ocupada para a realização de exames. A 16 de junho de 1863 a precariedade das instalações anteriores, agravadas por um desmoronamento ocorrido em 1859, conduziram à obtenção de uma autorização do Ministério do Reino para se proceder ao aluguer de uma casa senhorial no Largo da Sé.



Entre 1864-1865 as novas instalações permitem lecionar novas disciplinas introduzidas no currículo escolar: línguas (francês e inglês) e artes, aritmética e geometria.

No ano lectivo de 1883/1884 são inscritas as primeiras alunas externas. Em 1910, após a reforma do ensino de 1894-1895, protagonizada por Jaime Moniz, o liceu ganha prestígio. À data da implantação da República tinha já 212 alunos inscritos, no ano seguinte, com a extinção do Colégio de São Fiel.

Em 1911 o liceu é, definitivamente, instalado no antigo Paço Episcopal. Em 1914/1915, após a realização de obras de adaptação, o liceu passa a dispor de 11 salas de aula, uma sala de desenho, um museu de história natural, laboratório de físico-química, biblioteca, reitoria, secretaria, salas para pessoal docente e discente, arrecadações, salas de apoio aos laboratórios.



Em 1938 é aprovado o programa de construção, ampliação e melhoramentos dos edifícios liceais e respetivos encargos (Decreto-lei n.º 28604/1938, DG, 1.ª série, n.º 91). No referido plano é prevista a construção de raiz, em terreno a negociar com a Câmara Municipal de Castelo Branco, de um liceu misto com capacidade para 16 turmas, destinando-se para o efeito a quantia de 4.300.000$00.

Tendo em linha de conta o Decreto-lei n.º 28604/1938, DG, I série, n.º 91, a Junta das Construções do Ensino Técnico e Secundário (JCETS) prevê a construção e raiz de um liceu misto com capacidade para 16 turmas (cerca de 560 alunos). Dois anos mais tarde, em 1949, é apresentado o projeto, de um edifício em dois pisos, tendo apenas numa pequena parte um outro piso inferior, e abrange dois pátios separados pelas instalações de educação física da autoria do arquiteto José Costa e Silva e dos engenheiros Artur Bonneville Franco e António Carvalho Lopes Monteiro, todos pertencentes ao quadro técnico da JCETS.

Em janeiro de 1941, inicia-se a obra, adjudicada 4.239.200$00, nos terrenos cedidos para o efeito pela autarquia, em zona de expansão urbana, com a fachada principal sobre a avenida que liga a estação de caminho de ferro à Praça Nova, e constitui o principal arruamento da cidade. Nos anos seguintes a obra decorre morosamente, para o que contribuem as dificuldades em garantir mão de obra, bem como a aquisição e o transporte dos materiais. Em 1946 as obras são dadas por concluídas e feita a mudança das instalações, teve por custo final 6.759.729$51, ultrapassando a dotação inicialmente atribuída para a sua construção!

No ano lectivo de 1944-1945, a frequência do liceu desce para 431 alunos, dificuldades económicas e o crescimento do ensino particular (mais reputado) são razões apontadas para o decréscimo. Desta feita, no ano lectivo de 1950-1951, ultrapassada a capacidade prevista no projeto inicial do liceu, o reitor, Joaquim Sérvulo Correia, solicita a abertura de mais oito salas conseguidas por prolongamento das alas laterais.


Em 1978 a escola passa a designar-se Escola Secundária Nun'Álvares (Decreto-lei n.º 80/78, publicado no DR, 1.ª série, n.º 97, que termina com a distinção entre liceus e escolas técnicas, uniformizando as designações do ensino secundário). A 24 de agosto de 2006 o edifício está em vias de classificação, nos termos do Regime Transitório previsto no n.º 1 do Artigo 1.º do Decreto-Lei n.º 173/2006, DR, 1.ª série, n.º 16, tendo esta caducado, visto o procedimento não ter sido concluído no prazo fixado pelo Artigo 24.º da Lei n.º 107/2001, DR, 1.º série A, n.º 209 de 08 setembro 2001.

Atualmente, em 2013 foi criado o mega Agrupamento de Escolas Nuno Álvares, que congrega a até então escola não agrupada Secundária Nuno Álvares e os antigos agrupamentos Faria de Vasconcelos e Cidade de Castelo Branco, sendo assim a escola sede de um agrupamento vertical composto pelas escolas básicas do 1.º ciclo com jardim de infância da Boa Esperança, de Escalos de Baixo e Malpica do Tejo, as escolas básicas do 1.º ciclo do Cansado, da Horta Alva, da Mata e de Nossa Senhora da Piedade, Escola Básica dos 1.º e 2.º Ciclo e Jardim de Infância Faria de Vasconcelos, Escola Básica dos 1.º, 2.º e 3.º Ciclo e Jardim de Infância Cidade de Castelo Branco.


BIBLIOGRAFIA:

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS NUNO ÁLVARES (2018). Regulamento interno [em linha]. Castelo Branco: A.E.N.A. [consult. 26 de set. de 2019]. Disponível: https://drive.google.com/file/d/1A9_cbYy9_q8awXL-IqiznTMJEKoY9V1Z/view.>.


ATLAS SCHOOL ARCHITECTURE IN PORTUGAL: EDUCATION, HERITAGE AND CHALLENGES (s.d.).  Gallery. [em linha] Lisboa: Instituto Superior Técnico [Consult. 26 de set. de 2019]. Disponível: http://asap-ehc.tecnico.ulisboa.pt/index.php


DIREÇÃO-GERAL DO PATRIMÓNIO CULTURAL (s.d.). Liceu Nuno Álvares de Castelo Branco [em linha]. Lisboa: D.G.P.C. [Consult. 24 de jun. de 2019]. Disponível: http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/16899766


GAZETA DO INTERIOR (16 de setembro de 2015). Escola Nuno Álvares recebe obras de requalificação [em linha]. Castelo Branco: Informarte, Informação Regional, SA [Consult. 26 de set. de 2019]. Disponível: http://www.gazetadointerior.pt/media/692744/1396.pdf


SECRETARIA-GERAL DA EDUCAÇÃO E CIÊNCIA (s.d.). Escola Secundária Nuno Álvares, Castelo Branco [em linha]. Lisboa: Direção de Serviços de Documentação e de Arquivo [Consult. 26 de set. de 2019]. Disponível: http://arquivo-ec.sec-geral.mec.pt/details?id=61689


TERENO, Paula (2015). Liceu Nacional de Castelo Branco, Liceu Nuno Álvares, Escola Secundária Nuno Álvares [em linha]. Forte de Sacavém: Sistema de Informação para o Património Arquitetónico [Consult. 24 de jun. de 2019]. Disponível: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=9216


P.M.

2019/10/02

Ação de formação "Preservação e Conservação de Acervos Audiovisuais"

A BAD irá promover uma ação de formação para desenvolver competências na área das práticas de preservação e conservação de arquivos audiovisuais. Terá lugar nos dias 17 e 18 de outubro de 2019. A inscrição deverá ser feita através do preenchimento de um formulário online até ao dia 9 de outubro. Para mais informações aceda ao site da BAD aqui.


2019/09/25

Alexandre Herculano - Patrono


Alexandre Herculano (1810-1877)



Desde a criação do Liceu Alexandre Herculano, em 1906/1907, até à atualidade, como sede de Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano, esta instituição de ensino do Porto sempre ostentou o nome do pensador/historiador como patrono.

Quem era Alexandre Herculano? A sua educação literária começou com o estudo do latim e latinidade nas aulas dos padres congregados de S. Filipe Nery, do hospício das Necessidades, sendo seu mestre o padre Vicente da Cruz.  Preparava-se para continuar os preparativos indispensáveis para a matrícula na Universidade de Coimbra, mas em 1827, cegando seu pai, e sofrendo seu avô materno um grande revés da fortuna, pela falta de pagamento de somas importantes de que era credor como mestre nas obras da Ajuda, faltaram-lhe os recursos; contudo, Alexandre Herculano não desanimou do seu propósito de se ilustrar, e conseguiu aprender particularmente as língua francesa, inglesa e alemã, matriculando-se no primeiro ano da Aula do comércio em 1830, seguindo o curso de Paleografia, a que então se chamava Diplomática, na Torre do Tombo, regido por Francisco Ribeiro Dosguimarães, no ano lectivo de 1830-1831.

Desta época data a primeira revelação que teve da literatura alemã, que lhe fez a Marquesa de Alorna, como ele próprio confessa na biografia que escreveu daquela ilustre senhora. Contava 21 anos, e já o jovem estudante, com os conhecimentos variados que adquirira, bem mostrava que a sua mocidade fora bem dedicada ao estudo. Animavam-se então naquela época os ânimos políticos; a guerra civil com todos os seus horrores absolutistas, enchia de presos as cadeias do reino só pelo crime de serem liberais, e nas praças públicas eram os patíbulos levantados consecutivamente.

Alexandre Herculano viu-se obrigado a interromper os estudos para seguir a voragem da revolução; inimigo de todas as opressões, e estrénuo defensor da liberdade, uniu-se aos constitucionais, e sendo implicado na malograda revolta de infantaria n.º 4 em 31 de agosto de 1831. Por Decreto de 17 de julho de 1833 foi nomeado segundo bibliotecário da Biblioteca Pública do Porto, e exercia ainda esse cargo, quando rebentou a 10 de setembro de 1836 o movimento em Lisboa contra a Carta Constitucional. Herculano mandou logo no dia 17 um ofício ao presidente da câmara municipal dando a sua demissão, dizendo que partia para Lisboa, porque prestara a maior fé à Carta Constitucional.

Em 1843 efectuou-se novo contrato, e os Panoramas de 1853 e 1854 têm muitos artigos de Alexandre Herculano, que mais tarde se publicaram em livros. Em 1852, conjuntamente com o marquês de Niza, fundou o jornal político O País, em que fez veemente oposição ao governo. Dois anos mais tarde organizou outro jornal, intitulado O Português. A Academia Real das Ciências intentou a publicação dos Monumentos históricos de Portugal, desde o século VIII até ao século XV, começando por distribuir em épocas os trabalhos de indagação e catalogação dos mesmos monumentos, e devendo a primeira parte abranger os do século VIII até ao ano de 1280. Esta obra Importantíssima foi encetada, e compunha-se de três partes: Escritores, Diplomas e Cartas, Leis e Costumes.

Alexandre Herculano havia sido nomeado sócio correspondente em 21 de fevereiro de 1844, efectivo em 13 de fevereiro de 1852 e de mérito em 14 de junho de 1850. Ninguém mais habilitado do que ele poderia ser chamado para um trabalho daquela ordem, para o qual eram precisos grandes conhecimentos de diplomática e de paleografia, e a maior prática de rever arquivos. Em 6 de junho do 1853 saiu de Lisboa Alexandre Herculano, em direcção à Beira, onde até setembro visitou todos os arquivos e bibliotecas. 

Sendo em março de 1856 nomeado guarda-mor da Torre do Tombo, Joaquim José da Costa Macedo, que pouco tempo antes pedira a sua exoneração de sócio e de secretário perpétuo da Academia, por grandes desinteligências que o tornavam incompatível nesta corporação com alguns dos seus colegas, Alexandra Herculano declarou terminantemente na sessão de 31 do referido mês, que em vista daquela nomeação, não podia voltar à Torre do Tombo, em consequência da incompatibilidade de privar com o novo guarda-mor; e como os seus trabalhos para a publicação dos Monumentos Históricos exigiam as suas frequentes visitas ao arquivo nacional, resignava os serviços que poderia prestar, e assim demitia-se do cargo de vice-presidente, e até mesmo de sócio.

A Academia em 9 de outubro do mesmo ano, deu-lhe novo diploma de sócio, que ele aceitou, e em dezembro tornou a elegê-lo vice-presidente. Herculano, numa carta datada de 27 deste mês, não só persiste na resolução de não ocupar a vice-presidência, mas declara-se morto para as letras, enquanto se achar colocado pelos poderes públicos entre a humilhação e o silêncio, entre a desonra e a abstenção, porque a pátria tinha o direito de exigir tudo de seus filhos, menos o aviltamento. Foi esta a razão por que deixou os Monumentos Históricos e a História de Portugal, em que também trabalhava, e a vida activa das letras, entregando-se à agricultura na quinta do Calhariz, pertencente aos duques de Palmela, no concelho de Sesimbra, que por esse tempo trazia arrendada, indo desterrar-se mais tarde, em 1867, para Vale de Lobos, onde se conservou até falecer. 

Em 8 de outubro de 1857 fora aposentado o guarda-mor da Torre do Tombo, e Alexandre Herculano tinha de novo aberta a porta daquele arquivo público, e como sócio da Academia, que se encarregara dos Monumentos históricos, voltou à sua tarefa até 1873, mas por sua morte deixou incompleta, apesar de ficarem muito adiantadas as três partes. A História da Inquisição, e a maneira como descreve no 1.º volume da História de Portugal a batalha de Ourique, negando a aparição de Cristo ao fundador da Monarquia, levantaram contra ele as iras de todo o clero, que não se fartava de o invectivar por toda a forma, tanto em folhetos, como em jornais religiosos, e até nos próprios púlpitos, chegando a acusá-lo de inibidor das glórias portuguesas.


Os últimos anos da sua vida foram quase dedicados aos trabalhos agrícolas, prestando assim grandes serviços à agricultura. Poucas vezes vinha à Lisboa, e a última vez foi no primeiro de setembro de 1877 para visitar o imperador do Brasil, retirando-se para Vale de Lobos já, bastante doente, falecendo no dia 13, conforme dissemos. O seu cadáver ficou depositado na igreja da Azóia, em Santarém, no jazigo do general Gorjão, e no dia 15 realizaram-se exéquias solenes, a que concorreu muita gente de Lisboa, representantes de toda a imprensa periódica, de corporações, da Academia Real das Ciências, deputados, ministros, etc. Suas Majestades, o Rei D. Luís e Senhora D. Maria Pia, também se fizeram representar. Em 1888 foi colocado, no Mosteiro dos Jerónimos no centro da Sala do Capítulo, o túmulo de Alexandre Herculano delineado por delineado por Eduardo Augusto da Silva. Em 1940 é modificado, sendo deixada singelamente apenas a arca tumular.


 P. M. 



BIBLIGRAFIA:


COENTRÃO, Abel (2019). Reabilitação do liceu Alexandre Herculano não teve concorrentes [em linha]. Lisboa: Jornal Públio [Consult. 5 maio de 2019]. Disponível: https://www.publico.pt/2019/01/03/local/noticia/reabilitacao-liceu-alexandre-herculano-nao-concorrentes-1856566


DICIONÁRIO HISTÓRICO (s.d.). Carvalho e Araújo (Alexandre Herculano de). [em linha]. [Consult. 5 de maio de 2019]. Disponível: http://www.arqnet.pt/dicionario/herculanoalex.html


DIREÇÂO-GERAL DIO PATRIMONIO CULTURAL (2003). Liceu Alexandre Herculano [em linha]. [Consult. 5 de maio]. Disponível: http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/6853117/


NÓVOA, António (coord.) (2003). Liceus de Portugal: histórias arquivos memórias. Lisboa: ASA.

2019/09/19

"International Congress on Architectural Archives"

Nos próximos dias 25 a 27 de setembro realizar-se-à o congresso "International Congress on Architectural Archives", na Universidade do Minho. O tema deste ano serão "Experiências Profissionais numa Diversidade Cultural". A Secretaria-Geral da Educação e Ciências vai participar com uma comunicação intitulada "O arquivo da Direção-Geral das Construções Escolares um caso impar de um arquivo de um arquivo arquitetónico no seio da Administração Pública Portuguesa".

2019/09/18

Peça do mês de setembro - 2019


Gasómetro
Instrumento utilizado no Laboratório de Física para as práticas pedagógicas. Este utensilio serve para produzir acetileno, a partir da reação da carbite com água, colocados no depósito superior da peça. O produto desta reação passa para o reservatório inferior, através da torneira existente na base do depósito superior. O acetileno obtém-se através de uma mangueira que se liga a uma saída existente na parte inferior do reservatório.
Está inventariado com o número ME/402310/241 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária Mouzinho da Silveira.
O gasómetro teve a sua origem nos finais século XIX. Era geralmente formado por dois reservatórios: na zona superior é colocada água e na inferior, carboneto de cálcio. Através de uma válvula controla-se a quantidade de água que passa de uma zona para a outra, o que permite o controle do caudal de gás que é produzido e que é responsável pela luz que é ampliada pelo refletor de latão. Entre 1920 e 1950 foi o sistema de iluminação mais utilizado, inclusive nos faróis do primeiro modelo da Ford.



MJS

2019/09/11

Escola Secundária Alexandre Herculano



ESCOLA SECUNDÁRIA ALEXANDRE HERCULANO

LICEU ALEXANDRE HERCULANO
LICEU CENTRAL DE ALEXANDRE HERCULANO
LICEU NACIONAL ALEXANDRE HERCULANO





Com o aumento demográfico verificado em finais de oitocentos e, acima de tudo, devido às exigências sociais republicanas, impunha-se a construção de novos estabelecimentos liceais no país. Neste panorama político, a cidade do Porto seria dividida em duas grandes zonas pedagógicas, instalando-se em cada uma delas um liceu central, por Decreto de 4 de janeiro de 1906.

A criação de um liceu no porto foi imediata em instalações provisórias e inapropriadas - num velho e feio pardeiro, ali à rua do Sol, com um pavilhão anexo apenas coberto por telhados de zinco[1]-, passados dois anos, em 1908, o referido liceu já ostentando a denominação de Liceu Central de Alexandre Herculano e, desta feita, procedeu-se à sua transferência para a Rua de Sto. Ildefonso.

Depois de ter sido lançada a primeira pedra da construção do Liceu, em 1916, em cerimónia oficial testemunhada pelo presidente da República Bernardino Machado (1851-1944), a conclusão do projecto verificou-se apenas em 1934, da autoria do conhecido arquitecto José Marques da Silva (1869-1947), que viveu em Paris, entre 1889 e 1896, depois de ter cursado na Academia de Belas-artes do Porto, e antes de ter obtido vários prémios de reconhecimento internacional, designadamente no âmbito das Exposições Universais de Paris (1900) e do Rio de Janeiro (1908).



Um longo período pautado por diversas adversidades, não apenas económicas, como, sobretudo, políticas, ditadas, quer pelo envolvimento do país na I Grande Guerra, quer pelos sucessivos tumultos registados entre finais da segunda década, inícios da terceira, culminando no estabelecimento da Ditadura Militar e do Estado Novo, no início do qual seria finalizado, ainda que já fosse frequentado desde o ano lectivo de 1921-1922.

  
Contemplando de início 28 salas de aula, com áreas específicas destinadas ao ensino de física, química, geografia, desenho e música, a par de uma biblioteca, anfiteatro para apresentação de teatros e, já num segundo momento, de cinema, cinco pátios de recreio, um de desporto, três ginásios, piscina, cozinha e refeitórios, sanitários, gabinetes médicos, sala de professores, gabinete do médico escolar e três cómodos para o reitor, o projecto denunciava um conhecimento assaz profundo das mais recentes teorias e práticas pedagógicas, designadamente das implementadas além-fronteiras, assim como, certamente, uma colaboração estreita e verdadeiramente exemplar entre arquitecto e pedagogos. 


As alterações verificadas, desde então, resumiram-se à construção de 8 novas salas de aula e de uma capela, já nos anos sessenta, perante o aumento do número de alunos entretanto registado, amplamente frequentado por destacados membros da sociedade portuense, nomeadamente das suas Artes e Letras. 


O Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano (AEAH) foi criado em junho de 2012, sendo então frequentado por cerca de 2800 alunos. Atualmente, o agrupamento conta com uma população discente composta por cerca de 15521 alunos, sendo constituído por todos os anos de escolaridade/níveis de ensino (da Educação Pré-escolar ao Ensino Secundário).


O AEAH compreende nove estabelecimentos de ensino (seis escolas básicas com educação pré-escolar e 1.º ciclo, duas escolas básicas com 2.º e 3.º ciclos e uma escola secundária) situados na zona central e oriental do concelho do Porto, a saber: na Freguesia do Bonfim, situam-se as Escolas Básicas da Alegria, do Campo 24 de agosto, da Lomba, Dr. Augusto César Pires de Lima e a Escola Secundária Alexandre Herculano, sede do agrupamento onde se prevê, a curto prazo, a realização de obras de requalificação; na Freguesia de Campanhã, estão localizadas as Escolas Básicas das Flores, Ramalho Ortigão e de Noeda; na União de Freguesias do Centro Histórico do Porto, está situada a Escola Básica do Sol.

As unidades educativas enunciadas, construídas há largos anos, são geograficamente pouco dispersas e estão inseridas num meio urbano com grande diversidade étnico-cultural, circunstanciado pelo forte decréscimo da população estudantil que se tem vindo a verificar, desde os anos 80, como reflexo da deslocação demográfica de grandes massas populacionais para a periferia do Porto.


O AEAH tem vindo a promover a inclusão e a sensibilização para a diferença, integrando:

  •   Uma Escola de Referência para a Educação Bilingue de Alunos Surdos (EREBAS), a funcionar na escola sede;
  •   Uma Unidade de Apoio Especializado para a Educação de Alunos com Multideficiência, também a funcionar na escola sede;
  •   Uma Unidade de Ensino Estruturado para Alunos com Perturbações no Espetro do Autismo, a funcionar na escola básica do Campo 24 de Agosto.

Atualmente, e no âmbito do novo enquadramento legal, o DL 54/2018, de 6 de julho, estas valências integram o Centro de Apoio à Aprendizagem. Para além disso, apresenta a oferta, em regime presencial, do Ensino Recorrente e dos Cursos PFOL (Português Para Falantes de Outras Línguas).



P. M. 


  

BIBLIOGRAFIA:




AGRUPAMENTO DE ESCOLAS ALEXANDRE HERCULANO (2017). +Projeto educativo 2017/21 [em linha]. Porto: A.E.A.H. [Consult. 5 de maio de 2019]. Disponível: http://www.aealexandreherculano.pt/2018-19/documentos/projeducativo.pdf


AGRUPAMENTO DE ESCOLAS ALEXANDRE HERCULANO (2013). Regulamento interno [em linha]. Porto: A.E.A.H. [Consult. 5 de maio de 2019]. Disponível: http://www.aealexandreherculano.pt/2013-14/Reg_Interno_AEAH.pdf


COENTRÃO, Abel (2019). Reabilitação do liceu Alexandre Herculano não teve concorrentes [em linha]. Lisboa: Jornal Públio [Consult. 5 maio de 2019]. Disponível: https://www.publico.pt/2019/01/03/local/noticia/reabilitacao-liceu-alexandre-herculano-nao-concorrentes-1856566


DICIONÁRIO HISTÓRICO (s.d.). Carvalho e Araújo (Alexandre Herculano de). [em linha]. [Consult. 5 de maio de 2019]. Disponível: http://www.arqnet.pt/dicionario/herculanoalex.html


DIREÇÂO-GERAL DO PATRIMONIO CULTURAL (2003). Liceu Alexandre Herculano [em linha]. [Consult. 5 de maio]. Disponível: http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/6853117/


NÓVOA, António (coord.) (2003). Liceus de Portugal: histórias arquivos memórias. Lisboa: ASA.













[1] NÓVOA, António (2003). Liceus de Portugal: histórias arquivos memórias, p. 596.

2019/09/04

Exposição: "Imagens anamórficas no Museu Virtual da Educação"

As imagens anamórficas são desenhos elaborados com uma perspetiva deformada. Quando colocadas junto a um espelho cilíndrico, a ângulo da sua superfície corrige a deformação do desenho e permite vê-lo com clareza.

São utilizadas em contexto pedagógico nas aulas de Física para o estudo dos fundamentos da reflexão e da formação da imagem em espelhos curvos e planos. Permite realizar experiências relacionadas com a área da ótica, proporção e medidas, leis da reflexão e formação da imagem. O termo anamorfose é de origem grega e significa retorno, reformação, renovação.



ME/402047/88
ME/Escola Secundária Latino Coelho

Conjunto de 12 cartões com desenhos deformados (perspetiva) que servem para ser colocados junto ao objecto cilíndrico (o ângulo da sua superfície corrige a deformação do desenho). São utilizadas em contexto pedagógico nas aulas de Física.


ME/402837/93
ME/Escola Secundária de Sá da Bandeira


Cartão com imagem anamórfica de um casal de figurinos, que é visível na sua forma original quando vista através de um espelho cilíndrico colocado sobre a circunferência preta existente na imagem. Faz parte de um conjunto de seis imagens relativas a diferentes temáticas.


ME/402837/93/1
ME/Escola Secundária de Sá da Bandeira

Cartão com imagem anamórfica de uma figura zoomórfica, que é visível na sua forma original quando vista através de um espelho cilíndrico colocado sobre a circunferência preta existente na imagem. Faz parte de um conjunto de seis imagens relativas a diferentes temáticas.

ME/402837/93/2
ME/Escola Secundária de Sá da Bandeira

Cartão com imagem anamórfica de uma camponesa rodeada de ovelhas, que é visível na sua forma original quando vista através de um espelho cilíndrico colocado sobre a circunferência preta existente na imagem. Faz parte de um conjunto de seis imagens relativas a diferentes temáticas.

ME/402837/93/3
ME/Escola Secundária de Sá da Bandeira

Cartão com imagem anamórfica de corações, que é visível na sua forma original quando vista através de um espelho cilíndrico colocado sobre a circunferência preta existente na imagem. Faz parte de um conjunto de seis imagens relativas a diferentes temáticas.



 ME/402837/93/4
ME/Escola Secundária de Sá da Bandeira

Cartão com imagem anamórfica de um navio, que é visível na sua forma original quando vista através de um espelho cilíndrico colocado sobre a circunferência preta existente na imagem. Faz parte de um conjunto de seis imagens relativas a diferentes temáticas.


 ME/402837/93/5
ME/Escola Secundária de Sá da Bandeira

Cartão com imagem anamórfica de um acrobata, que é visível na sua forma original quando vista através de um espelho cilíndrico colocado sobre a circunferência preta existente na imagem. Faz parte de um conjunto de seis imagens relativas a diferentes temáticas.


ME/403556/170
ME/Escola Básica e Secundária de Carcavelos

Cartão com imagem anamórfica de um insecto, que é visível na sua forma original quando vista através de um espelho cilíndrico colocado sobre a circunferência delineada a negro, existente na imagem. Faz parte de um conjunto de seis imagens relativas a diferentes temáticas, utilizadas em contexto pedagógico nas aulas de Física.


ME/403556/172
ME/Escola Básica e Secundária de Carcavelos

Cartão com imagem anamórfica de um pierrot, que é visível na sua forma original quando vista através de um espelho cilíndrico colocado sobre a circunferência delineada a negro, existente em cada imagem. Faz parte de um conjunto de seis imagens relativas a diferentes temáticas, utilizadas em contexto pedagógico nas aulas de Física.