2019/07/18

Instrumentos de Medida no Museu Virtual da Educação - III


Instrumentos de medida no Museu Virtual da Educação - III




Existem instrumentos empregues especificamente para a medição de grandezas elétricas, que podem ser classificados de forma esquemática de acordo com o tipo de grandeza que se pretende medir, por exemplo: o amperímetro para a medição da corrente elétrica; o voltímetro para a medição da tensão; o galvanómetro para a medição de correntes elétricas de baixa intensidade, ou a diferença de potencial eléctrico entre dois pontos.
Amperímetro
ME/400348/151
O amperímetro é utilizado para medir a intensidade da corrente elétrica, contínua ou alternada. A unidade usada é o Ampère. Quando se intercala o amperímetro num circuito, através dos botões, a corrente que passa nas bobines, imprime à barra e à agulha exterior um desvio variável com a intensidade da corrente que pode ser lida na escala apresentada no mostrador. Para as medições serem precisas, amperímetro deve ter uma resistência muito pequena.
Vo




O voltímetro é um aparelho que permite medir a tensão elétrica, contínua ou alternada, de um circuito, a força eletromotriz de um gerador ou a diferença de potencial, expressando esse valor em volts. Essas medições, são visíveis através de um ponteiro móvel. O voltímetro possui alta resistência interna, indicando a tensão entre seus terminais.
O galvanómetro pode medir correntes elétricas de baixa intensidade, ou a diferença de potencial eléctrico entre dois pontos.
Galvanómetro
ME/152171/136
O galvanómetro mais comum é o tipo conhecido como bobina móvel: uma bobina de fio muito fino é montada em um eixo móvel, e instalada entre os pólos de um ímã fixo. Quando circula corrente eléctrica pela bobina, se forma um campo magnético que interage com o campo do ímã, e a bobina gira, movendo um ponteiro, ou agulha, sobre uma escala graduada. Como o movimento do ponteiro é proporcional à corrente elétrica que percorre a bobina, o valor da corrente é indicado na escala graduada. Através de circuitos apropriados, o galvanômetro pode ler outras grandezas eléctricas, como tensão contínua, tensão alternada, resistência, potência, e outras.

Outro tipo de galvanómetro é o de ferro móvel: neste, a bobina é fixa, envolvendo uma pequena peça de ferro ligada ao ponteiro, e capaz de girar conforme o campo magnético produzido pela bobina. O galvanómetro de ferro móvel é pouco usado, por ser menos sensível que o de bobina móvel, mas possui as vantagens de ser mais barato, mais robusto, e funcionar tanto com corrente contínua como com corrente alternada.

O ohmímetro é um aparelho que, por leitura directa, indica o valor da resistência eléctrica ligada aos seus terminais. Emprega-se com duas finalidades: na verificação da continuidade dos circuitos ou na medição de resistências e de isolamentos. O modelo original de um ohmímetro provem de uma pequena bateria que aplica uma tensão à resistência.

Wattímetro
ME/400531/95
O wattímetro é um instrumento utilizado para medir a potência eléctrica fornecida ou dissipada por um elemento. Tal como o voltímetro e o amperímetro, o wattímetro ideal mede a tensão sem desvio de qualquer fluxo de corrente, e mede a corrente sem introduzir qualquer queda de tensão aos seus terminais.




Bibliografia:  
Museu Virtual da Educação (2014) [em linha].
[Consulta: 26 de junho de 2014]


Museu da Física da Escola Secundária Alexandre Herculano (2014) [em linha].
[Consulta: 26 de junho de 2014]


Baú da Física e Química. Instrumentos antigos de Física e Química de escolas secundárias em Portugal (2014) [em linha]
[Consulta: 26 de junho de 2014]

Peça do mês de novembro

Equilibrista
O equilibrista é um instrumento científico que consta de um boneco, neste caso vestido como um equilibrista de circo, equilibrando-se nas suas mãos sobre um suporte. Ao nível da cintura encontra-se uma vara dobrada em U invertido, nas extremidades da qual existem duas pesadas esferas metálicas, cuja função é fazer baixar o centro de gravidade do conjunto, abaixo do ponto de apoio. Trata-se de um conjunto clássico que, desde finais do séc. XVII, era comum encontrar-se em Gabinetes de Física. Está inventariado com o número ME/402436/1468 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária de Passos Manuel.
É um dispositivo com grande valor artístico e histórico, sendo muitas vezes utilizado com uma função decorativa e não só didática. Apoiado sobre um pequeno disco com um espigão, no topo do qual se encontra o equilibrista, este move os braços e as pernas. Desta forma, consegue equilibrar-se nas mais diversas posições, constituindo um verdadeiro desafio às leis da gravidade.
Estes brinquedos didáticos de conceção simples permitem fazer a demonstração de verdades conhecidas, ou seja, a importância da posição do centro de gravidade de um corpo face à sua base de sustentação em equilíbrio estável.




MJS

Afonso Domingues: o patrono


O arquitecto quatrocentista Afonso Domingues foi, desde início, o patrono da Escola de Desenho Industrial, criada na casa de João Cristiano Keil, na Calçada do Grilo, no dia 24 de novembro de 1884. O nome Afonso Domingues sempre permaneceu no nome da escola, desce a sua criação até ao seu terminus, independentemente das vicissitudes políticas. 

A vida de Afonso Domingues permanece incógnita, sabe-se, no entanto, que foi arquitecto e terá nascido em Lisboa, em meados do século XIV e faleceu em 1404. Oriundo de uma família abastada, uma vez que tinha residência numa das zonas mais caras de Lisboa, na freguesia da Madalena. Terá cegado, pouco antes da sua morte, por volta de 1401/2, quando abandonou o controlo das obras do Mosteiro da batalha (Cf. Herculano, s.d., p. 361).

Com a experiência adquirida da edificação da Sé Catedral de Lisboa, Afonso Domingues foi o mestre arquiteto a quem se ficou a dever a traça original do Mosteiro da Batalha, tendo dirigido as obras desde 1388 até 1402 (até à sua morte). Da autoria do mestre Afonso Domingues são, efectivamente, o Claustro Real e a Sala do Capítulo e, possivelmente foi o autor do projeto da Sé Catedral da Guarda.

“Estai quieto; estai quieto, mestre Afonso — disse Frei Lourenço, segurando o cego pelo braço. — O indigno prior do Mosteiro da Vitória não consentirá que o muito sabedor arquiteto e imaginador Afonso Domingues, o criador da oitava maravilha do Mundo, o que traçou este edifício, doado pelo virtuoso de grandes virtudes rei D. João à nossa Ordem, se levante para estar em pé diante do pobre frade [...]” (Herculano, s.d., p. 349).

Alexandre Herculano inspirou-se em Afonso Domingues ao escrever A Abóbada: em 1401 a diacronia de Lendas e Narrativas situa-se no ano de 1401, tendo como assunto a construção do Mosteiro da Batalha, mais concretamente, a construção da abóbada da Casa do Capítulo do Convento, por Afonso Domingues que a delineou e que, apesar de cego, a concluiu, depois das obras terem sido entregues ao arquiteto Huguet.

Segundo esta lenda, Afonso Domingues quis morrer na célebre sala, em cumprimento de um voto fatal, declamando: a abóbada não caiu, a abóbada não cairá! Sabe-se hoje que a abóbada da Casa Capitular não é da autoria de Afonso Domingues, mas de David Huguet, tendo podido ser, eventualmente, reconstruída por Martim Vasques, acredita-se, no entanto que a lenda tenha um resquício de verdade:

“Aliás, devo acrescentar que embora o Mestre Afonso Domingues tenha sido o primeiro mestre, eventualmente aquele que esboçou o projecto inicial de como se desenvolveria a obra, o que hoje nos resta do monumento, sobretudo os seus espaços que ainda hoje podem ser visitados, a sua construção deve-se fundamentalmente ao Huguet. Estamos a falar do portal principal, estamos a falar da cobertura da igreja, da Capela do Fundador, do Claustro Juanino e das Capelas Imperfeitas, que foram iniciadas por Huguet” (Órfão, 2003).

Como verificamos, Afonso Domingues foi o primeiro Mestre a esboçar a edificação do Mosteiro e, por conseguinte, a acompanhar as obras iniciáticas, não obstante, foi David Huguet – catalão ou flamengo – o segundo Mestre a findar as obras e a completar a abóboda.


P.M.




BIBLIOGRAFIA:



CARVALHO, Rómulo de (1996). História do Ensino em Portugal: desde a Fundação da Nacionalidade até ao fim do Regime de Salazar-Caetano. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2.ª edição.


DIAS, Luís Pereira (1998). As outras escolas: o ensino particular das primeiras letras entre 1859 e 1881. Lisboa: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação.


INFOPÉDIA (2019). Afonso Domingues [em linha]. Porto: Porto Editora [consult. 29 de abr. 2019]. Disponível: https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$afonso-domingues

HERCULANO, Alexandre (s. d.). Lendas e narrativas [em linha]. Lisboa: Luso Livros [Consult. 29 de abr. 2019]. Disponível: https://www.luso-livros.net/wp-content/uploads/2014/05/Lendas-e-Narrativas.pdf


ÓRFÃO, Júlio (2003). Quem terminou a Sala do Capítulo do Mosteiro foi David Huguet e não Afonso Domingues [em linha]. Lisboa: Tinta Fresca: Jornal de Arte & Cultura e Cidadania, N.º 38 (dez. 2003). [Consult. 12 de jun. 2019]. Disponível: http://www.tintafresca.net/News/newsdetail.aspx?news=2fbb7637-7210-4a4a-a917-b012d5cd37e4&edition=38



2019/07/16

História da Ordem da Instrução Pública

Ordens Honoríficas Portuguesas
História da Ordem da Instrução Pública


Ordens honoríficas de Portugal são distinções de mérito entregues pelo Presidente da República Portuguesa, em nome dos portugueses, para distinguir "... em vida ou a título póstumo, os cidadãos portugueses que se notabilizem por méritos pessoais, por feitos cívicos ou militares ou por serviços prestados ao Pais".




A Ordem da Instrução Pública – que integra o panorama das Ordens Honoríficas Portuguesas – deve a sua criação à necessidade sentida de reconhecer e galardoar por altos serviços prestados à causa da Educação e do Ensino.
A sua origem remonta a abril de 1927, altura em que, igualmente, foi criada a Ordem da Instrução e da Benemerência visando galardoar os serviços prestados (por nacionais, ou estrangeiros; ou, por corporações), à causa da instrução, bem como todos os atos de benemerência pública que tivessem repercussão no progresso e prosperidade do país.
Dois anos passados (1929), a Ordem da Instrução e da Benemerência foi reformulada, tendo resultado em duas ordens distintas: a Ordem da Benemerência e a Ordem da Instrução Pública. Esta última ficou circunscrita a galardoar serviços prestados à causa da instrução, mantendo o distintivo e as insígnias da Ordem originária.

A Ordem da Instrução Pública é composta por cinco graus:


A Lei orgânica das Ordens Honoríficas de 1962 definiu um pouco melhor o âmbito de concessão da Ordem da Instrução Pública, que passou a destinar-se a galardoar “serviços prestados por funcionários no ensino ou na administração escolar” e os “serviços prestados por quaisquer pessoas à causa da educação ou do ensino.”

Na legislação subsequente simplificaram-se os fins de atribuição da Ordem da Instrução Pública, com a referência aos “altos serviços prestados à causa da educação e do ensino.”


Ainda segundo uma das fontes consultadas:

● Esta Ordem não tem, atualmente, o grau de Cavaleiro/Dama, tendo sido substituído, em 1962, pela Medalha (MIP);
● Do mesmo modo que acontece com outras Ordens Portuguesas, o título de Membro Honorário pode ser atribuído a instituições e localidades;
● Para além dos cidadãos nacionais, também os cidadãos estrangeiros podem ser agraciados com esta Ordem.


Alguns dos agraciados (nas diferentes sete categorias):
Membros Titulares e Honorários
António Sampaio da Nóvoa (Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública);
Roberto Carneiro (Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública);
Jorge Miranda (Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública);
Virgínia Rau (Grande Oficial da Ordem da Instrução Pública);
João José Fraústo da Silva (Grande Oficial da Ordem da Instrução Pública);
Joaquim Veríssimo Serrão (Comendador da Ordem da Instrução Pública);
Amélia Rey Colaço (Comendador da Ordem da Instrução Pública);
Humberto Delgado (Oficial da Ordem da Instrução Pública);
Fernando de Castro Pires de Lima (Cavaleiro da Ordem da Instrução Pública);
Manuel Correia Abreu (Medalha da Ordem da Instrução Pública);
Universidade Católica Portuguesa (Membro-Honorário da Ordem da Instrução Pública).

JMG


Bibliografia consultada e citada:

BRAGANÇA, José Vicente de (2004). As Ordens Honoríficas Portuguesas. In “Museu da Presidência da República”. Lisboa: Museu da P.R./C.T.T.

CHANCELARIA DAS ORDENS HONORÍFICAS PORTUGUESAS (1968). Ordens Honoríficas Portuguesas. Lisboa: Imprensa Nacional.

WIKIPEDIA (2019). Ordem da Instrução Pública [em linha]. [Consult. 30 de maio 2019].

ORDENS HONORÍFICAS PORTUGUESAS [2019]. História da ordem da instrução pública [em linha]. Lisboa: Presidência da República Portuguesa [Consult. 28 de maio de 2019]. Disponível: http://www.ordens.presidencia.pt/?idc=139

PORTUGAL. Lei n.º 5/2011, de 2 de março. Lei das Ordens Honoríficas Portuguesas [em linha]. D.R., 1.ª Série, N.º 43, 2 mar. de 2011.  [Consult. 30 de maio de 3019]. Disponível: https://dre.pt/application/dir/pdf1sdip/2011/03/04300/0124901267.pdf