No dia 24 de novembro de 1884 foi fundada
a Escola de Desenho Industrial Afonso Domingues na casa de João Cristiano
Keil, na Calçada do Grilo, n.º 3-1º, sendo ministrado o curso diurno de desenho
elementar e o curso noturno de desenho industrial e, posteriormente, alguns cursos profissionais.
A partir de 7 de janeiro de 1887, a escola
foi transferida para o rés-do-chão do Palacete de D. Gonçalo Pereira da Silva
de Sousa e Meneses, na Calçada da Cruz da Pedra, n.º 10. Logo após, em 1892, procede-se
à adaptação de alguns edifícios anexos ao Asilo Dona Maria Pia, no do Convento
da Madre Deus, para instalar a escola — a inauguração das novas instalações
ocorreu em 24 de dezembro de 1897.
Em 1900, a Escola Afonso Domingues
encontrava-se perfeitamente estabelecida, com relevo para o curso de desenho elementar,
de arquitetura e de máquinas. Dispunha de oficinas de pintura, fundição, carpintaria
e serralharia e transformou-se num importante centro de estudos dos filhos dos
mestres operários da região de Xabregas (E.S.A.D., 2010, p. 4):
“Ao longo destes anos, além dos cursos de desenho
elementar e desenho Industrial, foram ministrados na escola entre outros:
cursos profissionais (1886/87) com a criação de oficinas de pintura decorativa,
de trabalhos em madeira e metal, carpintaria, etc. e cursos de ensino técnico,
como os cursos de serralheiro mecânico, montador electricista, carpinteiro marceneiro,
que funcionaram quer em regime diurno quer nocturno, os cursos profissionais de
mecânica auto, instalações eléctricas, metalomecânica e produção e os cursos
técnico-profissionais de manutenção mecânica, electrónica e instalações
eléctricas e química, cursos do programa 15-18 de operador de laboratório,
Instalações eléctricas, mecânica Auto e ainda cursos de educação e formação ao
abrigo do Despacho 279/02 de 12 de abril, em regime diurno” (Escola Secundária
Afonso Domingues, 2010, p. 4).
Os
sucessivos directores da referida escola, para além de desempenharem funções de
professores, detêm várias competências profissionais, tais como pintores,
manualistas, etc. João
José Vaz
foi pintor marinhista, professor e o primeiro director da Escola entre
1884-1926,
sucedendo-lhe na direcção, entre 1926-1955, o engenheiro mecânico João Furtado
Henriques.
Entre 1955-1967, o reconhecido autor de manuais escolares e engenheiro mecânico
Avelino Marques Poole da Costa assume a direção da Escola Industrial Afonso Domingues.
O Decreto-lei
n.º 37.028, de 25 de agosto de 1948, implementou um programa de construção de edifícios
escolares do ensino profissional: adaptações, ampliações e melhoramentos e
escolas novas. No caso específico da Escola Industrial Afonso Domingues foi decretada
a construção de um novo edifício sito na Quinta das Veigas, em Marvila,
actualmente Rua Miguel de Oliveira.
Segundo Martins (2009, p. 99), o projecto da Escola
Industrial Afonso Domingues, da autoria do Arquitecto José Silva Costa, seguiu
o Anteprojecto Tipo elaborado para as escolas profissionais apresentado pela Junta das Construções para o Ensino Técnico e
Secundário (JCETS),
conforme a Memória Descritiva e Justificativa datada de 21 de dezembro de 1950,
e obedecia ao mesmo espírito que presidira à concepção do projecto tipo para as
Escolas Técnicas Elementares (1947) — a existência de três
corpos: aulas, ginásio e oficinas.
A 10 de dezembro
de 1950 foi apresentado ao Ministro das Obras Públicas um plano geral de
edificação de escolas, em que se incluía a Escola Industrial Afonso Domingues,
com uma estimativa de 10.000 contos, e cuja construção deveria ser subsidiada
pelo Fundo de Auxílio Americano.
O programa
apresentado à Junta de Construções para o Ensino Técnico e Secundário pelo
Ministério da Educação Nacional, em fevereiro de 1951, impunha a existência de
uma área de 3.400 m² de espaço
para oficinas, gabinetes de mestres e depósitos de materiais e ferramentas,
ultrapassando, largamente, os 700 m2 previstos para a mesma
finalidade.
A construção
seguiu um projecto tipo, sendo composta por três edifícios, inaugurados no dia
1 de outubro de 1956, possuindo campos de jogos e pátios, inseridos numa zona
arborizada, numa área total aproximada de 20.000 m2. O custo total
desta obra foi 22.000.00$00. A escola foi entregue ao Ministério da Educação
Nacional no dia 24 de maio de 1956:
No ano letivo de 1956/1957, a Escola
Industrial Afonso Domingues já se encontrava instalada em edifício próprio
construído na Quinta das Veigas, em Marvila. Esta infra-estrutura evoluída permitiu oferecer
excelentes condições de ensino, nomeadamente, com o recurso a diversas oficinas
bem equipadas e laboratórios especializados.
As escolas industriais e comerciais
foram extintas em Portugal
depois do 25 de abril de 1974, como
sabemos, foi instituída uma via unificada para o ensino, compreendendo o 7.º,
8.º e 9.º anos, terminando com a ramificação do ensino liceal e o ensino
técnico, que marcara o futuro de tantas gerações. Consequentemente, o Decreto-Lei n.º 80/78, de 27 de abril, transforma a designação da
Escola Industrial em Escola Secundária Afonso Domingues.
A Escola
foi oficialmente extinta a 23 de março de 2010, por despacho de Secretário de
Estado da Educação. O argumento então utilizado pelo governo do corredor para instalação
da linha do TGV, para ligar Chelas ao Barreiro nunca se concretizou, sendo
suspenso em 2012.
A
Escola Secundária de Afonso Domingues, sita em Marvila, recebeu um ofício da Direcção
Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo Direcção Regional de Educação de
Lisboa e Vale do Tejo, no passado dia 28 abril, com a
informação de que a escola foi extinta por Despacho do Senhor Secretário de
Estado da Educação de 23 de março de 2010 e que teria de encerrar até 31 de agosto
de 2010.
P. M.
BIBLIOGRAFIA:
CARVALHO,
Rómulo de (1996). História do ensino em Portugal: desde a fundação da nacionalidade
até ao fim do regime de Salazar-Caetano. Lisboa: Fundação Calouste
Gulbenkian, 2.ª edição.
DIAS,
Luís Pereira (1998). As outras escolas: o ensino particular das primeiras letras
entre 1859 e 1881. Lisboa: Faculdade de Psicologia e de Ciências da
Educação.
MARTINS, Maria Filomena Fernandes
Pires (2009). Edifício escolar e
ideologias: estudo comparativo dos edifícios das Escolas
Técnicas Industriais Afonso Domingues e Marquês de Pombal [em linha]. Lisboa: Universidade Lusófona de
Humanidades e Tecnologias, Instituto de Ciências da Educação [Consult. 11 de
jun. 2019]. Disponível: http://recil.grupolusofona.pt/handle/10437/1158
NÓVOA,
António, 2003 (dir.). Dicionário de Educadores Portugueses. Porto: Asa.
SILVA,
Carlos Manique da (2002). Escolas belas ou espaços sãos? Uma análise
histórica sobre a arquitectura escolar portuguesa (1860-1920). Lisboa: IIE.
Afonso Domingues foi o nome dado à escola de desenho industrial para homenagear o nomeado arquiteto quatrocentista do Convento da Batalha.
João Furtado Henriques (?-1969) licenciado em Engenharia Mecânica no Instituto Superior Técnico, professor do ensino técnico, chefe interino da Repartição de Pedagogia Direcção Geral do Ensino Comercial e Industrial. Na década de quarenta, Furtado Henriques publicou vários manuais escolares de desenho de máquinas, geometria e tecnologia metalomecânica.
Avelino Marques Poole da Costa (?-1972) foi engenheiro mecânico e electrotécnico. Professor do ensino técnico, director da Escola Industrial Afonso Domingues (1955-1967) e autor de autor e co-autor de manuais escolares de desenhos de máquinas e de lições de electricidade.