2019/07/03

Escola Industrial Afonso Domingues


No dia 24 de novembro de 1884 foi fundada a Escola de Desenho Industrial Afonso Domingues[1] na casa de João Cristiano Keil, na Calçada do Grilo, n.º 3-1º, sendo ministrado o curso diurno de desenho elementar e o curso noturno de desenho industrial e, posteriormente, alguns cursos profissionais.

A partir de 7 de janeiro de 1887, a escola foi transferida para o rés-do-chão do Palacete de D. Gonçalo Pereira da Silva de Sousa e Meneses, na Calçada da Cruz da Pedra, n.º 10. Logo após, em 1892, procede-se à adaptação de alguns edifícios anexos ao Asilo Dona Maria Pia, no do Convento da Madre Deus, para instalar a escola a inauguração das novas instalações ocorreu em 24 de dezembro de 1897.

Em 1900, a Escola Afonso Domingues encontrava-se perfeitamente estabelecida, com relevo para o curso de desenho elementar, de arquitetura e de máquinas. Dispunha de oficinas de pintura, fundição, carpintaria e serralharia e transformou-se num importante centro de estudos dos filhos dos mestres operários da região de Xabregas (E.S.A.D., 2010, p. 4):

“Ao longo destes anos, além dos cursos de desenho elementar e desenho Industrial, foram ministrados na escola entre outros: cursos profissionais (1886/87) com a criação de oficinas de pintura decorativa, de trabalhos em madeira e metal, carpintaria, etc. e cursos de ensino técnico, como os cursos de serralheiro mecânico, montador electricista, carpinteiro marceneiro, que funcionaram quer em regime diurno quer nocturno, os cursos profissionais de mecânica auto, instalações eléctricas, metalomecânica e produção e os cursos técnico-profissionais de manutenção mecânica, electrónica e instalações eléctricas e química, cursos do programa 15-18 de operador de laboratório, Instalações eléctricas, mecânica Auto e ainda cursos de educação e formação ao abrigo do Despacho 279/02 de 12 de abril, em regime diurno” (Escola Secundária Afonso Domingues, 2010, p. 4).


Os sucessivos directores da referida escola, para além de desempenharem funções de professores, detêm várias competências profissionais, tais como pintores, manualistas, etc. João José Vaz[2] foi pintor marinhista, professor e o primeiro director da Escola entre 1884-1926, sucedendo-lhe na direcção, entre 1926-1955, o engenheiro mecânico João Furtado Henriques.[3] Entre 1955-1967, o reconhecido autor de manuais escolares e engenheiro mecânico Avelino Marques Poole da Costa[4] assume a direção da Escola Industrial Afonso Domingues.


O Decreto-lei n.º 37.028, de 25 de agosto de 1948, implementou um programa de construção de edifícios escolares do ensino profissional: adaptações, ampliações e melhoramentos e escolas novas. No caso específico da Escola Industrial Afonso Domingues foi decretada a construção de um novo edifício sito na Quinta das Veigas, em Marvila, actualmente Rua Miguel de Oliveira.

Segundo Martins (2009, p. 99), o projecto da Escola Industrial Afonso Domingues, da autoria do Arquitecto José Silva Costa[5], seguiu o Anteprojecto Tipo elaborado para as escolas profissionais apresentado pela Junta das Construções para o Ensino Técnico e Secundário (JCETS), conforme a Memória Descritiva e Justificativa datada de 21 de dezembro de 1950, e obedecia ao mesmo espírito que presidira à concepção do projecto tipo para as Escolas Técnicas Elementares (1947) a existência de três corpos: aulas, ginásio e oficinas.




A 10 de dezembro de 1950 foi apresentado ao Ministro das Obras Públicas um plano geral de edificação de escolas, em que se incluía a Escola Industrial Afonso Domingues, com uma estimativa de 10.000 contos, e cuja construção deveria ser subsidiada pelo Fundo de Auxílio Americano.

O programa apresentado à Junta de Construções para o Ensino Técnico e Secundário pelo Ministério da Educação Nacional, em fevereiro de 1951, impunha a existência de uma área de 3.400 m² de espaço para oficinas, gabinetes de mestres e depósitos de materiais e ferramentas, ultrapassando, largamente, os 700 m2 previstos para a mesma finalidade.

A construção seguiu um projecto tipo, sendo composta por três edifícios, inaugurados no dia 1 de outubro de 1956, possuindo campos de jogos e pátios, inseridos numa zona arborizada, numa área total aproximada de 20.000 m2. O custo total desta obra foi 22.000.00$00. A escola foi entregue ao Ministério da Educação Nacional no dia 24 de maio de 1956:




No ano letivo de 1956/1957, a Escola Industrial Afonso Domingues já se encontrava instalada em edifício próprio construído na Quinta das Veigas, em Marvila. Esta infra-estrutura evoluída permitiu oferecer excelentes condições de ensino, nomeadamente, com o recurso a diversas oficinas bem equipadas e laboratórios especializados.



 As escolas industriais e comerciais foram extintas em Portugal depois do 25 de abril de 1974, como sabemos, foi instituída uma via unificada para o ensino, compreendendo o 7.º, 8.º e 9.º anos, terminando com a ramificação do ensino liceal e o ensino técnico, que marcara o futuro de tantas gerações. Consequentemente, o Decreto-Lei n.º 80/78, de 27 de abril, transforma a designação da Escola Industrial em Escola Secundária Afonso Domingues.




A Escola foi oficialmente extinta a 23 de março de 2010, por despacho de Secretário de Estado da Educação. O argumento então utilizado pelo governo do corredor para instalação da linha do TGV, para ligar Chelas ao Barreiro nunca se concretizou, sendo suspenso em 2012.

A Escola Secundária de Afonso Domingues, sita em Marvila, recebeu um ofício da Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo, no passado dia 28 abril, com a informação de que a escola foi extinta por Despacho do Senhor Secretário de Estado da Educação de 23 de março de 2010 e que teria de encerrar até 31 de agosto de 2010.



P. M. 



BIBLIOGRAFIA:

CARVALHO, Rómulo de (1996). História do ensino em Portugal: desde a fundação da nacionalidade até ao fim do regime de Salazar-Caetano. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2.ª edição.

DIAS, Luís Pereira (1998). As outras escolas: o ensino particular das primeiras letras entre 1859 e 1881. Lisboa: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação.

ESCOLA SECUNDÁRIA DE AFONSO DOMINGUES (2010). Regulamento interno [em linha]. Lisboa: Escola Secundária Afonso Domingues [Consult. 11 de jun. 2019]. Disponível: https://web.archive.org/web/20081010045858/http://www.esec-afonso-domingues.rcts.pt/docs/regulamento_interno.pdf

MARTINS, Maria Filomena Fernandes Pires (2009). Edifício escolar e ideologias: estudo comparativo dos edifícios das Escolas Técnicas Industriais Afonso Domingues e Marquês de Pombal [em linha]. Lisboa: Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Instituto de Ciências da Educação [Consult. 11 de jun. 2019]. Disponível: http://recil.grupolusofona.pt/handle/10437/1158

NÓVOA, António, 2003 (dir.). Dicionário de Educadores Portugueses. Porto: Asa.

SILVA, Carlos Manique da (2002). Escolas belas ou espaços sãos? Uma análise histórica sobre a arquitectura escolar portuguesa (1860-1920). Lisboa: IIE.





[1] Afonso Domingues foi o nome dado à escola de desenho industrial para homenagear o nomeado arquiteto quatrocentista do Convento da Batalha.
[2] João José Vaz (Setúbal, 9 de março de 1859 - Lisboa, 17 de Fevereiro de 1931) foi um pintor e professor. Matriculou-se em 1872 na Academia das Belas-Artes de Lisboa. Ingressou no ensino em 1884, como professor e director na Escola Industrial Afonso Domingues. Em 1912 faz parte da comissão encarregada pelo Governo de formular a reorganização do ensino industrial e comercial nos graus elementar e médio. Dois anos mais tarde, em 1914, instalou o curso comercial na Escola de Desenho Industrial de Setúbal.
[3] João Furtado Henriques (?-1969) licenciado em Engenharia Mecânica no Instituto Superior Técnico, professor do ensino técnico, chefe interino da Repartição de Pedagogia Direcção Geral do Ensino Comercial e Industrial. Na década de quarenta, Furtado Henriques publicou vários manuais escolares de desenho de máquinas, geometria e tecnologia metalomecânica.
[4] Avelino Marques Poole da Costa (?-1972) foi engenheiro mecânico e electrotécnico. Professor do ensino técnico, director da Escola Industrial Afonso Domingues (1955-1967) e autor de autor e co-autor de manuais escolares de desenhos de máquinas e de lições de electricidade.
[5] José da Costa e Silva (Vila de Povos, Vila Franca de Xira, 25 de julho de 1747 - Rio de Janeiro, Brasil, 21 de março de 1819)  foi um arquiteto português que trabalhou em seu país e no Brasil. Em Bolonha estudou com Petronio Francelli e Carlos Bianconi, adquirindo conhecimentos de arquitectura, geometria, perspectiva, aritmética, mecânica e hidrostática. Obteve vários prémios e distinções na Academia, e em 1775 foi nomeado Académico de Honra. Antes de regressar a Portugal, apresentou um projeto à Academia de São Lucas de Roma e, por isso, foi reconhecido como Sócio de Mérito da escola. Ainda em Itália foi convidado a ser professor da Universidade de Coimbra, mas declinou o convite.




2019/06/25

Exposição: "Fotografia Impressa e Propaganda Visual em Portugal (1934 - 1974)"

A Biblioteca Nacional disponibiliza esta exposição até ao dia 30 de agosto, revisitando o Estado Novo através da fotografia impressa e da propaganda visual. Através destes meios, o Estado Novo conseguiu construir um imaginário de Portugal e do seu Império.

2019/06/19

Peça do mês de junho - 2019

Dobadoura
Instrumento utilizado nas aulas de Tecelagem dos antigos cursos de têxteis para a preparação de meadas de 1 metro ou 1 jarda e determinação do título do fio. Trata-se de um sistema manual com manivela e um indicador mecânico de voltas. Na parte superior do quadrante, tem uma placa metálica dourada, aparafusada ao centro, com a seguinte inscrição: "Instruments de précision M. Claeysen nº 7, Rue La Quintinie - Paris".
Está inventariado com o número ME/401092/22 e pertence ao espólio museológico da Escola Secundária Campos Melo
Trata-se de um aparelho manual utilizado para dobar as meadas de lã. O fio das meadas que se destina à tecelagem, precisa de ser alinhado em novelos, o que é feito através da dobadoura. Compõe-se geralmente de quatro varas dispostas vertical e paralelamente em torno de um eixo onde se enrolam as meadas.


2019/06/12

Exposição: "O Pêndulo no Museu Virtual de Educação"

O pêndulo é um dispositivo utilizado em estudos de mecânica, para o estudo da força peso e do movimento oscilatório. Consiste, na sua forma mais simples, numa massa presa a um fio que oscila em torno de um ponto fixo. O movimento pendular foi amplamente estudado por Galileu.

Existem vários tipos de pêndulos no Museu Virtual da Educação, com diferentes formatos e funções.

ME/152481/108
Pêndulo de âncora

Instrumento científico utilizado nas aulas de física para demonstrar o funcionamento de um relógio de pêndulo. É formado por um pêndulo simples metálico, que se liga pelo seu eixo a uma peça em forma de âncora, cujas extremidades recurvadas se adaptam, alternadamente, aos dentes de uma roda. Esta roda encaixa centralmente num cilindro metálico, ao qual se enrola um fio, que ao ser puxado por ação de um peso ou outra força, lhe imprime um movimento de rotação que é transmitido a todo o mecanismo do instrumento. A oscilação constante do pêndulo devesse ao facto de estar conectado à âncora que serve de regulador, ao prender alternadamente os dentes da roda, de forma cadenciada.


ME/402436/1426
Pêndulo em cruz

Instrumento utilizado nas aulas de Física, formado por quatro hastes metálicas que se encontram unidas ao centro formando uma cruz. As hastes estão presas a uma estrutura formada por dois pinos de metal que assentam num tripé.

ME/400129/113
Pêndulo de Foucault

Constituído por um fio preso a uma elevação metálica, tendo suspenso um corpo com determinada massa. Submetendo esse corpo à ação de um momento torsor com a direção do eixo e abandonando-o em seguida, o corpo fica sujeito a forças que o fio exerce sobre ele ficando a oscilar, em primeira aproximação, com um movimento oscilatório harmónico, para um e para outro lado da posição de equilíbrio.


ME/346330/21
Pêndulo de Newton

Instrumento científico utilizado em contexto das práticas pedagógicas nas aulas de Física. O Pêndulo de Newton é um dispositivo utilizado no estudo dos movimentos dos corpos, como a quantidade de movimento e conservação de energia. É construído a partir de uma série de pêndulos (normalmente 5) adjacentes uns dos outros. Cada pêndulo está anexado a uma armação por duas cordas de igual comprimento e ângulos opostos formados entre estas, restringindo os movimentos do pêndulo ao mesmo plano. Se essas cordas não fossem iguais em comprimento, as bolas ficariam desequilibradas. O comportamento do pêndulo decorre da conservação do momento e da energia apenas no caso de dois pêndulos. Na verdade, se houver n pêndulos existem também n velocidades desconhecidas para serem calculadas a partir das condições iniciais. Uma outra condição para o resultado observado é que uma onda de impacto deve se propagar livre de dispersão por entre a cadeia de bolas.

ME/401766/15
Pêndulo gravítico

Pêndulo gravítico constituído por um suporte retangular, no qual está montada uma haste em ângulo reto. Esta serve de suporte a três esferas de alumínio, latão e plástico.


ME/346779/329
Conjunto de pêndulos oscilantes

Aparelho composto por dois pêndulos metálicos oscilantes, de forma circular, suspensos de um suporte vertical em forma de T, que se encontra fixo a uma base retangular de madeira. 



2019/06/05

Ginestal Machado, Patrono da Escola Industrial e Comercial de Santarém





GINESTAL MACHADO (1874 - 1940) 


A Escola Industrial e Comercial de Santarém foi criada pelo Decreto n.º 40725, de 8 de agosto de 1956. Passadas três décadas, em 1987, adotou como patrono António Ginestal Machado (cf. Portaria n.º 261/87, de 2 de abril de 1987).


Ginestal Machado nasceu na vila de Almeida, a 3 de maio de 1874 e faleceu na cidade de Santarém, a 28 de junho de 1940. Estudou no Liceu da Guarda, frequentando posteriormente, em Lisboa, a Escola Naval, onde se diplomou (1895), concluindo depois o Curso Superior de Letras (1897).


Inicia a aprendizagem das primeiras letras na terra natal e desde cedo demonstra o desejo de vir a ser professor. O prosseguimento dos estudos obriga-o a mudar-se para Braga, onde frequentou o Liceu. A morte do pai, aos 13 anos, marca-o profundamente e, confrontado com as dificuldades da vida, é obrigado a abandonar a Escola. O sentido da responsabilidade e de autonomia levam-no, em 1891, a assentar praça no Regimento de Infantaria, na Cidade da Guarda, conjugando em simultâneo a vida castrense e a conclusão dos Estudos Secundários.

Formou-se na Faculdade de Direito de Coimbra e exerceu o Magistério Liceal. Fez parte do Partido Unionista, do qual veio a ser um dos principais dirigentes, sendo partidário de uma linha republicana moderada. Promoveu a fusão do seu partido com o Evolucionista, do qual resultou o Partido Liberal, depois transformado no Partido Nacionalista.

“Ginestal Machado, dirigente de diversas colectividades ao longo das décadas em estudo, definiu um projecto cultural que ainda hoje apresenta marcas nalgumas colectividades da cidade. Será que podemos enquadrá-lo na ‘cultura popular’? Sendo que esta foi uma das grandes questões colocadas ao longo deste estudo, consideramos que o ideário de Ginestal não correspondia estritamente aos universos da ‘cultura popular’, uma vez que aqueles que beneficiaram das oportunidades culturais trabalhavam essencialmente nos serviços, na administração pública e no comércio” (Moreira, 2013, p. 409).

Desempenhou lugar de relevo na política portuguesa do início do século. Amigo pessoal de Brito Camacho, fez parte do partido unionista. Deve-se-lhe a formação do Partido Liberal, que resultou da fusão do Partido Unionista e Evolucionista. Foi membro da Câmara dos Deputados, Ministro da Instrução Pública (1921) e Chefe de um efémero governo que durou apenas 33 dias (de 15 de novembro a 18 de dezembro de 1923).

Antes da implantação da República, iniciou uma colaboração regular na imprensa, tanto local como nacional, e participou ativamente na Liga Nacional de Instrução (criada em 1907 por Trindade Coelho e Borges Grainha) e na Junta Liberal (fundada em 1909 por Miguel Bombarda), tendo presidido às respetivas delegações na cidade de Santarém.

Ginestal Machado desenvolveu a sua carreira profissional em Santarém: em 1904 foi professor efetivo do Liceu Nacional de Santarém, em 1909 foi eleito presidente da Junta Distrital da mesma cidade, em 1910 liderou o movimento republicano no distrito de Santarém durante a implantação da República Portuguesa, em 1917 foi eleito vogal da Junta Geral de distrito e em 1919 foi provedor da Santa Casa da Misericórdia de Santarém.

“[…] ministro português da Instrução Pública, Ginestal Machado (1874-1940), o carácter social da ciência nas suas duas vertentes: ‘porque é o producto mais alto da sociedade humana’ e porque é ‘predominante no desenvolvimento da civilização’” (Bernardo, 2013, p. 47).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almeida; Lisboa (Freguesia de São Domingos de Benfica, Edital de 14-05-1979, ex-Rua G à Estrada da Luz), Santarém.

Doado pelos herdeiros à Biblioteca Nacional de Portugal em julho de 2008, o espólio (24 caixas, mais alguns documentos de grande formato) testemunha a sua atividade profissional e política, com especial relevo na década de 1920, incluindo manuscritos e datiloscritos, correspondência do autor e de terceiros, documentos biográficos, arquivo de imprensa, impressos e fotografias.

A própria Biblioteca Histórica da Educação, do Ministério da Educação e Ciência, dispõe no seu espólio 79 títulos de manuais escolares, compêndios, tratados e seletas. Este material didático está disponível no Sistema Integrado de Bibliotecas do Ministério da Educação e Ciência (SIBME), sob a cota AGM.


P. M.





BIBLIOGRAFIA:


ALMEIDA, Pedro Tavares (2010). Espólio de António Ginestal Machado 1874-1940: inventário. Lisboa : Biblioteca Nacional de Portugal (ISBN: 9789725654569).

BERNARDO, Luis Miguel (2013). Cultura científica em Portugal: uma perpectiva histórica. Porto: Universiadde do Porto (ISBN 978-989-7460-20-3).

CARVALHO, Rómulo de (1996). História do Ensino em Portugal: desde a Fundação da Nacionalidade até ao fim do Regime de Salazar-Caetano. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2.ª edição.

INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO E CIÊNCIA (2014). Avaliação externa das escolas, Relatório, Agrupamento de Escolas Dr. Ginestal Machado [em linha]. [Consult. 16 de abr. 2019]. Disponível: https://www.igec.mec.pt/upload/AEE_2014_Sul/AEE_2014_AE-DrGinestalMachado_R.pdf

MOREIRA, Maria Teresa do R. L. da Cruz (2013). “Todos têm direito à cultura” a dinâmica cultural da cidade de santarém (1930-1959) [em linha]. Tese apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Doutor em História [Consult. 21 de abr. de 2013]. Disponível: https://run.unl.pt/bitstream/10362/13831/1/teresamoreira.pdfZ

NOTÍCIAS DO RIBATEJO (2016). Encontro anual dos antigos alunos, em 27 fev. 2016, comemoração dos 60 anos da fundação da escola [Escola Industrial e Comercial de Santarém, 1956-2016]. [em linha]. Santarém: Notícias do Ribatejo. [Consult. 16 de abr. de 2019]. Disponível: https://noticiasdoribatejo.blogs.sapo.pt/encontro-anual-dos-antigos-alunos-em-27-3784513

VIDAL, Angela Vieira (2013). Desenvolvimento da criatividade nos alunos de artes visuais [em linha]. Lisboa: Relatório de Estágio apresentado à Escola Superior de Design do IADE. [Consult. 6 de maio de 2019]. Disponível: https://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/10306/1/Angela%20Vidal_Desenvolvimento%20da%20criatividade_IADE_2013.pdf



2019/05/29

Escola Industrial e Comercial de Santarém




Escola Industrial e Comercial de Santarém


*

Agrupamento de Escolas Dr. Ginestal Machado






A Escola Secundária Dr. Ginestal Machado1 é uma escola portuguesa, do ensino secundário, sediada em Santarém. Atualmente é parte integrante, e sede, do Agrupamento de Escolas Dr. Ginestal Machado, cujo agrupamento pressupõe a direção de quatro escolas desde o ensino primário, ao ensino secundário.

Criada pelo Decreto n.º 40725, de 8 de agosto de 1956, com a denominação de Escola Industrial e Comercial de Santarém, a escola nasce no quadro do desenvolvimento da rede do ensino técnico e profissional em Portugal (no final dos anos 50, do século XX), promovida pelo Ministro da Educação Nacional, Prof. Leite Pinto, procurando dar resposta às necessidades de formação profissional do país.

“Fundada em 1956, a Escola Industrial e Comercial de Santarém funcionou até 1979, ano em que, com o aparecimento do Ensino Unificado, foi posto fim às escolas do Ensino Técnico. Ao fim de 23 anos, terminava assim uma modalidade de ensino que, em Santarém e em todo o país, havia provocado mudanças significativas no panorama da educação escolar de jovens que, com uma formação teórico-prática de apreciável qualidade e actualidade, estavam preparados para o mercado de trabalho” (Notícias do Ribatejo, 2016).


Já em 1935 a Associação Comercial de Santarém tinha procurado, junto do Ministro da Instrução Pública, embora sem sucesso, alcançar a criação de uma escola profissional na cidade. Devido ao desenvolvimento demográfico verificado nos últimos anos em Santarém, tornou-se urgente a construção de um novo edifício escolar que substituísse as precárias instalações da Escola Industrial e Comercial.

Para isso, feita uma prospeção de terrenos, escolheu-se o Planalto do Fau para a implementação da nova escola, quer pela localização cêntrica, quer pelo arejamento de toda a zona.


Dedicou-se a Câmara Municipal de Santarém a urbanizar, com larga visão, todo o local, envolvendo a escola com espaços verdes. Em 1967, a Junta das Construções para o ensino Técnico e Secundário, iniciou a adaptação do 1.º Estudo Normalizado aos condicionamentos específicos do local e do programa apresentado.

Decidida a adjudicação, deu-se início aos trabalhos de construção dos corpos de maior envergadura, tais como o núcleo de Aulas, o Ginásio e as Oficinas. Decorridos dois anos de esforço conjunto da sociedade empreiteira e dos Serviços da Junta das Construções para o Ensino Técnico e Secundário, a Escola passou a receber 1200 rapazes e raparigas, valorização possível pela existência deste núcleo imobiliário.


Analisando a escola, em si mesmo, nota-se que esta procura envolver os jovens num misto conforto intelectual e físico. Para isso, além de campos de jogos, de amplos espaços destinados à convivência entre alunos, tais como refeitórios, espaços para atividades circum-escolares, recreios cobertos, salas de estar para mais intimidade de convivência encontram-se espalhadas funcionalmente pelos Corpos de Salas de Aula, Ginásio e Oficinas, as diversas zonas destinadas aos vários tipos de ensino e de cursos, tais como:
  • §  Formação de serralheiros;
  • §  Formação feminina;
  • §  Formação geral de comércio;
  • §  Formação de montador eletricista;
  • §  Formação de carpinteiro-mercenário;
  • §  Aperfeiçoamento de serralheiro;
  • §  Aperfeiçoamento de comércio.




As dependências destinadas a cada um dos tipos de formação determinam um conjunto de espaços amplos que subdividem o todo escolar nos diversos departamentos e cursos. A escola possui as seguintes dependências:

  • §  16 Salas de aulas normal;
  • §  3 Salas de ciências geográfico-naturais;
  • §  7 Salas de desenho;
  • §  1 Anfiteatro de tecnologia;
  • §  2 Anfiteatros pra aulas de física e de química;
  • §  1 Anfiteatro de geografia;
  • §  1 Sala de contabilidade;
  • §  1 Escritório comercial;
  • §  1 Sala de dactilografia,
  • §  1 Sala de caligrafia;
  • §  1 Laboratório de física;
  • §  1 Laboratório de química;
  • §  1 Sala-oficina para formação feminina;
  • §  2 Salas para trabalhos manuais;
  • §  1 Sala para canto coral;
  • §  1 Oficina de eletricidade;
  • §  2 Oficinas de serralharia;
  • §  1 Oficina de carpintaria-marcenaria;
  • §  2 Ginásios e seus anexos (vestiários e balneários).

A Escola Industrial e Comercial foi o 70.º edifício destinado ao ensino técnico profissional construído pelo Ministério das Obras Públicas e o 111.º edifício escolar entregue ao Ministério da Educação Nacional.

A Escola Industrial e Comercial foi inaugurada em 28 de setembro de 1969, com a presença do  Presidente da República Contra-Almirante Américo Deus Rodrigues Thomaz e os Ministro das Obras Públicas Engenheiro Rui Alves da Silva Sanches e o Ministro da Educação Nacional Doutor José Hermano Saraiva.


As obras de construção civil foram iniciadas em 23 de maio de 1967, tendo ficado concluídas em 23 de junho de 1969. O custo total da obra foi de 21800 contos, cabendo aos edifícios 17.00 contos e 4.800 contos ao seu equipamento.
A área do terreno é de 16.000 m2, sendo a superfície coberta de 5080 m2 e de pavimento 12.450 m2. A empreitada de construção dos edifícios foi entregue à EDIFER-Construção Pires Coelho e Fernandes, S.A.R.L.
Atualmente, a escola industrial passou a Agrupamento de Escolas Dr. Ginestal Machado e situa-se na cidade de Santarém. Criado em 2010, resulta da agregação do Agrupamento de Escolas de Mem Ramires com a Escola Secundária que o nome à nova unidade orgânica. É constituído pelos jardins de infância da Feira (em instalações provisórias desde 1997) e Sacapeito; Escola Básica do Pereiro (1.º ciclo e educação pré-escolar); Escola Básica dos Leões (1.ºciclo); Escola Básica Mem Ramires (2.º e 3.º ciclos) e Escola Secundária Dr. Ginestal Machado (sede) que oferece o 3.º ciclo e o ensino secundário.

O agrupamento conta também com uma unidade de ensino estruturado (UEE) e duas unidades de apoio especializado à educação de alunos com multideficiência (UAM). Refira-se que a Escola Secundária não foi alvo de avaliação no 1.º ciclo de avaliação externa e que o Agrupamento de Escolas de Mem Ramires foi avaliado, na fase piloto, no ano letivo de 2005-2006.

Segundo a Inspeção-Geral da Educação e Ciência (2014) o agrupamento conta com 187 docentes, dos quais 88,8% pertencem aos quadros e apenas 12,8% lecionam menos de 10 anos. A estes, acresce 76 trabalhadores não docentes, dos quais 59,2% têm 10, ou mais, anos de serviço.

1 António Ginestal Machado  (Almeida, 3 de maio de 1874 — Santarém, 28 de junho de 1940)  foi um advogado, professor liceal e político português. Entre outras funções, foi deputado, ministro da Instrução Pública e Presidente do Ministério (primeiro-ministro) durante a Primeira República Portuguesa. Republicano moderado, iniciou a sua actividade política como companheiro de Álvaro de Castro, sendo em 1909 eleito  presidente da Junta Distrital de Santarém. Após a implantação da República Portuguesa passou a liderar o movimento republicano no distrito de Santarém, presidindo à comissão republicana que assumiu o poder a 6 de outubro de 1910 naquela cidade.

P. M. 


BIBLIOGRAFIA:


CARVALHO, Rómulo de (1996). História do Ensino em Portugal. Desde a Fundação da Nacionalidade até ao fim do Regime de Salazar-Caetano. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2.ª edição.

DIAS, Luís Pereira (1998). As outras Escolas. O Ensino Particular das Primeiras Letras entre 1859 e 1881. Lisboa: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação.

ESCOLA SECUNDÁRIA JERÓNIMO EMILIANO DE EMILIANO (2018). Um pouco de
história… [em linha]. Angra do Heroísmo: Governo dos Açores. [Consult. 16 de abr 2019]. Disponível:  http://esjea.edu.azores.gov.pt/um-pouco-de-historia

INSPECÇÃO-GERAL  DA  EDUCAÇÃO  E  CIÊNCIA  (2014).  Avaliação  externa  das escolas, Relatório, Agrupamento de Escolas Dr. Ginestal Machado [em linha]. [Consult. 16 de abr. 2019]. Disponível: https://www.igec.mec.pt/upload/AEE_2014_Sul/AEE_2014_AE- DrGinestalMachado_R.pdf

NOTÍCIAS DO RIBATEJO (2016). Encontro anual dos antigos alunos, em 27 fev. 2016, comemoração dos 60 anos da fundação da escola [Escola Industrial e Comercial de Santarém, 1956-2016]. [em linha]. Santarém: Notícias do Ribatejo. [Consult. 16  de abr.  de 2019].   Disponível: https://noticiasdoribatejo.blogs.sapo.pt/encontro-anual-dos-antigos-alunos- em-27-3784513

NÓVOA, António, 2003 (dir.) Dicionário de Educadores Portugueses. Porto: Asa.

SILVA, Carlos Manique da (2002). Escolas belas ou espaços sãos? Uma análise histórica sobre a arquitectura escolar portuguesa (1860-1920). Lisboa: IIE.

TENGARRINHA, José Manuel (dir.) (2002). História do Governo Civil de Lisboa. Lisboa: Governo Civil.