2011/06/15

3.º COLÓQUIO INTERNACIONAL MANUAIS ESCOLARES: PARTICIPAÇÃO DA SG-ME

Vai realizar-se nos próximos dias 30 de Junho e 1 de Julho de 2011, na Universidade Lusófona, em Lisboa, o 3º Colóquio Internacional sobre Manuais Escolares, subordinado ao tema «Manuais e Novas Práticas».
Este evento conta com a participação de especialistas internacionais, nomeadamente os investigadores ligados aos dois grandes projectos nesta área: o projecto MANES, com sede na Universidad Nacional de Educación a Distancia (UNED) de Madrid, focalizado na investigação sobre manuais escolares da Europa e América Latinas, de 1820 à actualidade; e o projecto Eckert, coordenado a partir do Institute for International Textbook Research, na Alemanha.
A Secretaria-Geral do Ministério da Educação irá estar representada neste Colóquio, com a apresentação de uma comunicação intitulada «Contributos para um Roteiro dos Manuais Escolares: Metodologias e Etapas de Projectos em Património da Educação». Nesta ocasião serão apresentadas as estratégias e acções relacionadas com manuais escolares que têm sido desenvolvidas no âmbito da política de preservação e divulgação do Património Cultural da Educação, designadamente o projecto BAME (Bibliotecas, Arquivos e Museus da Educação) e o Repositório de História da Educação, que se encontra em curso.
A Secretaria-Geral do Ministério da Educação possui um riquíssimo espólio bibliográfico de manuais escolares dos mais variados autores, épocas e âmbitos disciplinares, que inclui obras desde o século XVIII até à actualidade, e ainda projectos de manuais que não chegaram a ser editados, apresentados a concurso durante o Estado Novo, como é o caso de exemplares manuscritos por autores como Rómulo de Carvalho. Podemos, portanto, falar dos manuais escolares sob diversos pontos de vista: não apenas bibliográfico, mas também arquivístico e museológico.
Instrumento pedagógico central do processo de escolarização, o manual é um dos objectos mais ricos para a compreensão da prática pedagógica. Nele são espelhados os saberes consagrados em cada época, os valores dominantes transmitidos a par com as matérias, e as concepções pedagógicas e orientações práticas defendidas pelos educadores e especialistas nas diversas áreas curriculares.
Nesta comunicação pretende-se contribuir para a divulgação do importante espólio de manuais escolares da SG-ME e realçar as suas potencialidades para o estudo da evolução das práticas pedagógicas e dos saberes curriculares, abordando a temática dos manuais nas suas vertentes bibliográfica, arquivística e museológica.
O contacto com especialistas e representantes de projectos de dimensão internacional será, para a Secretaria-Geral do Ministério da Educação, uma mais-valia e uma oportunidade de aferição e discussão sobre os projectos em curso, numa lógica de melhoria contínua e de aperfeiçoamento das metodologias e estratégias de trabalho.

2011/06/14

PUPILOS DO EXÉRCITO: 100 ANOS DE ENSINO E DE CIDADANIA


No Palácio Valadares, ao Chiado, está patente ao público uma exposição que evoca o centenário da criação do Instituto dos Pupilos do Exército. Esta iniciativa conta com o apoio da Secretaria-Geral, que emprestou, para o efeito, alguns livros pertencentes à Biblioteca Histórica do Ministério da Educação.
Esta exposição foi instalada num espaço contíguo àquele em que se encontra a exposição «EDUCAR: Educação para todos. O Ensino na Primeira República». Esta proximidade justifica-se pelo facto deste Instituto, criado em Maio de 1911, ser um expressivo exemplo do investimento dos republicanos na Educação e do seu empenhamento na criação de instituições escolares que traduzissem, na prática, o ideário e os valores da República.
Uma das áreas governativas que mereceu maior preocupação por parte dos republicanos, na sequência da Revolução de 1910, foi, como é sabido, a Educação. De facto, 1911 foi um ano muito fértil em trabalho legislativo, tendo sido promulgados vários documentos legais que reorganizam praticamente todo o sistema de ensino português.
As reformas do Ensino Superior e do Ensino Primário, dois sectores prioritários do sistema educativo, são estabelecidas em março desse ano. E pouco depois, no mês de maio, será a vez das áreas mais técnicas. São então criados o Instituto Superior Técnico e o Instituto Superior do Comércio (atual ISEG) por decreto de 23 de maio, a que se segue a reforma de todo o ensino agrícola e da investigação agronómica, consignada em decreto de 26 de maio.
Por estes dias, entre estas duas reformas, é criado, a 25 de maio, o «Instituto Profissional dos Pupilos do Exército». O contexto cronológico desta criação dá bem conta do enquadramento e dos objetivos com que é fundado este Instituto, que mais tarde perderá a designação de «Profissional» e fixará definitivamente o seu nome em «Instituto Militar dos Pupilos do Exército».
De facto, os Pupilos do Exército nascem como um instrumento modelar para a concretização dos ideais republicanos. O propósito consignado no decreto fundador de nele se formarem «cidadãos úteis à pátria» traduz bem a intenção de praticar, nesta escola, um ensino profissionalizante, de forte pendor prático, orientado para a promoção da autonomia dos alunos, através da aquisição de competências e conhecimentos em áreas técnicas estratégicas e de vanguarda.
O fundador dos Pupilos é o General António Xavier Correia Barreto, um militar com forte intervenção política, que virá a ser Presidente do Senado entre 1915 e 1918 e entre 1919 e 1926, além de ser, por duas vezes, candidato à Presidência da República. Mas este militar e político é também um homem de ciência, especializado na área da Química. Com um importante currículo ligado à invenção e produção de um tipo especial de pólvora, que tão importante virá a ser para o conflito Mundial de 1914/18, ele é um dos fundadores, em 1911, da Sociedade portuguesa de Química.
O espírito e a marca do fundador estão ligados à criação, nos Pupilos, de «Aulas de Indústria» e «Aulas de Comércio». O Instituto é, desde cedo, apetrechado com instalações laboratoriais e equipamento técnico que permite um ensino prático nestas áreas. Mas há também, uma preocupação muito forte em proporcionar aos alunos uma ‘educação integral’, com uma componente cultural e artística muito expressiva desde os primeiros anos. Muito importante, neste contexto, é a presença, no Instituto, de professores que virão a constar entre os mais importantes pedagogos da História da Educação portuguesa. Destaque, acima de tudo, para Álvaro Viana de Lemos (1881-1972) uma das figuras mais marcantes da Educação Nova, movimento pedagógico inovador que valorizava a autonomia dos alunos e preconizava um modelo de ensino assente em ‘métodos ativos’, entendendo a escola como um local de trabalho e experimentação prática. Outro pedagogo que deixou forte marca como professor dos Pupilos foi João Soares (1878-1970) que viria, mais tarde, a fundar o Colégio Moderno, e deixaria diversos materiais didáticos na área da História e da Geografia, como um monumental Novo Atlas Escolar Português adotado oficialmente para o ensino, em cuja capa figura como «Professor dos Pupilos do Exército» ou os Quadros da História de Portugal, com ilustrações de Roque Gameiro e Alberto de Sousa, recentemente reeditados pela Gradiva.
A orientação patente desde os primeiros tempos irá manter-se e revelar-se, por vezes com alguns constrangimentos, ao longo das décadas seguintes. A escolha, em 1936, de D. João de Castro como Patrono da escola corresponde ao mesmo simbolismo de assumir por referência uma figura da ciência e do saber, movido pela curiosidade e espírito de descoberta.
A segunda Guerra Mundial virá a acentuar a investimento no ensino técnico e tecnológico. O desenvolvimento industrial do pós-guerra incentiva a formação de quadros especializados, sendo dada especial atenção às tecnologias de ponta, como é o caso da indústria dos moldes, em que Portugal virá a ser líder.
A partir dos anos 1960 assiste-se a uma preocupação mais forte com a instrução física. Todo o contexto de guerra colonial faz redobrar o investimento nas atividades gímnicas e desportivas. O ideal de «serviço à pátria», que vem desde a fundação do Instituto, orienta muitos ex-alunos a seguir a carreira das armas e o carácter profissional do ensino praticado permite a preparação de quadros militares com formação técnica especializada. Mas esse mesmo ideal fará com que um grupo largo, de várias dezenas de ex-alunos militares, venha a participar nas conspirações conducentes à Revolução de 1974: primeiro na revolta de Beja, depois na Intentona das Caldas e finalmente no 25 de Abril.
Os novos ventos dos anos 1970 chegam aos Pupilos do Exército por diversas vias. Em 1977 o Instituto dá um salto qualitativo importante que é abrir-se ao Ensino Superior. Os cursos então criados, mais uma vez, são fiéis à linha da formação Técnica e Tecnológica e os seus nomes são disso a melhor expressão: Engenharia de Eletrónica e Telecomunicações; Engenharia de Energias e Sistemas de Potência; Engenharia de Máquinas; e Contabilidade e Administração. Esta é uma iniciativa de vanguarda no âmbito das escolas militares de ensino. A saída dos primeiros bacharéis para o mercado de trabalho, neste final dos anos 1970, reflete a mesma preocupação de sempre com uma educação orientada para habilitar os alunos a um desempenho profissional autónomo, mas agora subindo o nível de qualificações.
Outro aspeto não menos relevador da abertura a novos tempos é o facto de, no contexto da criação do Ensino Superior - naturalmente em regime de frequência externa e não de internato– o Instituto passar a ter uma frequência mista, sendo então admitidas as primeiras alunas. Ao mesmo tempo, é por esta altura que as primeiras professoras integram o quadro docente dos Pupilos, até então reservado, como os alunos, ao universo masculino.
Este processo tem a sua extensão natural já nos dias de hoje com a decisão de tornar, igualmente, o Ensino Básico e Secundário, de frequência mista, sendo as primeiras alunas destas faixas etárias admitidas em 2009. Entretanto, a orientação profissional dos cursos superiores avançou para áreas relacionadas com ecologia, com novas energias e sustentabilidade, sendo atualmente oferecidos os cursos de Técnico de Gestão; Técnico de Manutenção Industrial (vertentes Mecatrónica e Eletromecânica); Técnico de Gestão do Ambiente; Técnico de Energias Renováveis (vertentes: Sistemas Solares e Sistemas Eólicos). Estando neste momento aberto à frequência externa, o Instituto conserva ainda a possibilidade de internato, que vem da sua fundação. Mais do que uma escola, esta acaba por ser uma Casa para os alunos que nela vivem, regularmente, entre domingo à noite e sexta-feira à tarde. Por outro lado, o regime de internato e as instalações que foi necessário erigir para lhe corresponder, permitem facultar aos alunos uma oferta diversificada para além do tempo letivo, desde um apoio ao estudo com maior proximidade, até às atividades extracurriculares, designadamente algumas práticas desportivas pouco frequentes em estabelecimentos de ensino, como equitação, esgrima ou remo.
A orientação e os objetivos que nortearam a criação deste Instituto são característicos de uma época sendo, a esse nível, um caso de estudo interessante. Mas parecem, também, ter sido suficientemente válidos para lhe garantir continuidade e mérito. O espírito de coesão e de camaradagem que é apanágio das instituições com regime de internato, tem vindo, neste caso, a ser articulado com uma permeabilidade ao ambiente exterior e uma capacidade de adaptação às mudanças, essenciais nas instituições de ensino dos tempos que vivemos.

2011/06/09

Exposição virtual: Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades - 10 de Junho de 2011

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, celebra-se a 10 de Junho, assinalando a data da morte de Camões e lembrando a importância de Portugal. O património da educação reflecte a importância destas celebrações, associadas na sua grande maioria à época dos Descobrimentos e às figuras que lhe são inerentes.
Pode aceder a esta exposição, aqui.
A exposição integra representações de figuras históricas como Luís de Camões ou o Infante D. Henrique e de símbolos emblemáticos dos Descobrimentos como o Padrão, as caravelas, as naus e os mapas.

2011/05/30

Peça do mês


Traje de cena
Traje de cena, criado por alunos e professores, utilizado na peça de teatro "Pedro e Inês".
O traje pertence à Escola Secundária Quinta do Marquês, com o número de inventário ME/ 402606/88
O traje de cena é o tipo de indumentária utilizada nas artes cénicas, dança, mímica, circo, entre outros. O exemplo apresentado, constituído por um vestido longo de cor vermelha e um toucado, integra um núcleo notável, variado e rico de trajes de cena, que tentam reproduzir com exactidão os trajes da época da personagem a que se destinam
As representações teatrais promovidas por alunos e professores têm sido uma presença constante nesta escola, como forma de aprofundar e interiorizar os conhecimentos adquiridos nas aulas. Os temas são variados, consoante os conteúdos programáticos.
Este tipo de trajes tem como base o figurino, um desenho a cores ou a preto e branco, que constitui o modelo da indumentária e que caracteriza a personagem a que se destina. O traje de cena, “a verdadeira pele do actor”, contém em si mesmo um pouco da história da arte dramática. Até ao início do século XX era utilizado como um simples disfarce, com elementos que permitiam identificar as personagens. A partir de então assume uma verdadeira função cénica e dinamizadora da peça teatral, influenciado pela moda e pelo design.
Um dos nomes importantes no traje de cena em Portugal é António Francisco, criador deste tipo de vestes em finais do século XVIII. Cerca de 1850, com o impulso criativo de Almeida Garrett, figuras como Manuel Bordalo Pinheiro e Braz Martins destacam-se no panorama teatral português. Em 1880, a cenografia e o guarda-roupa ganham um novo fôlego com a criação da Companhia Rosas & Brasão. Carlos Cohen, Manuel Castelo Branco e Augusto Pina introduzem uma corrente “naturalista” em que se pretende reproduzir os ambientes de época de forma tão rigorosa e fiel quanto possível.

2011/05/20

Dia Internacional da Diversidade Biológica - 22 de maio

Associando-nos a esta celebração sugerimos uma visita à nossa Exposição:

2011/05/18

Seminários do Património Científico Português, no Museu da Ciência!

No dia 19 de Maio, pelas 17h00, no Museu da Ciência na Rua da Escola Politécnica, 56, em Lisboa, realizou-se um Seminário sobre " O Projecto do Museu Virtual do Ministério da Educação" apresentado pela Dra. Paula Telo, do Ministério da Educação.
 

Dia Internacional dos Museus

No início do corrente mês de maio tiveram lugar, em Lisboa, dois eventos importantes para a gestão do património cultural. Assinalando-se hoje, 18 de maio, o Dia Internacional dos Museus, e realizando-se, amanhã, uma apresentação do projeto do Museu Virtual da Educação, justifica-se trazer a este espaço uma síntese das tendências atuais ao nível da gestão do património cultural que as diversas intervenções nesses dois eventos revelaram.
No dia 2 de maio, teve lugar no Cinema S. Jorge, um seminário sobre ‘Políticas de Património Cultural’, uma organização conjunta do ICOM e do ICOMOS cujos diretores, Luís Raposo e José Aguiar, moderaram as duas mesas de oradores. O objetivo era promover um debate sobre as recentes políticas na área do património, ouvindo um leque bastante vasto de personalidades como, por exemplo, Luís Campos e Cunha, Luís Calado, Nuno Vassalo e Silva, Raquel Henriques da Silva, Fernando António Baptista Pereira, ou Walter Rossa. Foi pedido a cada interveniente uma breve opinião sobre os pontos mais críticos das atuais políticas culturais e a apresentação de sugestões para o ciclo político que se avizinha.
Entre as muitas questões levantadas na sessão foram especialmente ressaltadas as seguintes preocupações:
• A questão da viabilidade financeira dos projetos culturais e a necessidade de dar visibilidade aos seus resultados. Para qualquer projeto na área do património cultural, é cada vez menos admissível ignorar a ponderação da sua sustentabilidade económica e aferir os seus benefícios e resultados. Os investimentos na cultura têm de ser justificados em função dos seus produtos e dos efeitos educativos que estes produzem sobre os públicos a que se destinam.
• A necessidade de repensar as instituições museológicas, não apenas ao nível da rede e distribuição dos equipamentos, mas a sua estrutura e modos de funcionamento. Foram salientadas as vantagens das estruturas museológicas ‘leves’, que não assumam como principal missão a concentração de avolumadas reservas patrimoniais, mas privilegiem, sobretudo, o seu papel educativo e de divulgação.
• A importância do conhecimento dos públicos e da orientação dos projetos culturais em função dos seus interesses, necessidades e enriquecimento cultural. Os museus e as suas atividades não devem ser pensados a partir dos espólios que possuem, mas em função dos seus visitantes. Há que inventar novas narrativas expositivas que tenham eco junto daqueles a quem se destinam.
• A ponderação da existência de um número crescente de cidadãos anónimos empenhados na defesa de um património que sentem como seu. A voz da ‘opinião pública’ tem cada vez mais peso e impacto, até porque existem, hoje em dia, inúmeros instrumentos (internet, blogues, petições...) que permitem exprimir opiniões, contestar opções e pressionar as instituições na tomada das suas decisões.
Dois dias depois, a 4 de maio, teve lugar no Museu Nacional de Arte Antiga uma sessão de apresentação do Plano Nacional de Conservação e Restauro.
A cerimónia foi aberta pelo diretor do IMC, João Brigola, mas foi a António Candeias, Diretor do Laboratório de Conservação e Restauro José de Figueiredo, que coube a explicitação detalhada do Plano. O Secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, encerrou a sessão.
Segundo os oradores, o Plano então apresentado justifica-se pela necessidade de regular a atividade da Conservação e Restauro e de tornar operacional a aplicação da Lei do Património (lei 140 /2009). Para atingir tais objetivos, várias ações concretas foram enunciadas:
• A criação de um «Conselho Regulador» desta atividade, que reunirá representantes do IMC, do IGESPAR, da BN, da DGARQ, das Direções Regionais de Cultura e das associações profissionais;
• A reestruturação interna dos serviços do Instituto José de Figueiredo, através da fusão do «Departamento de Conservação e Restauro» com o «Laboratório de Conservação e Restauro» numa estrutura única, um «Centro de Conservação e Restauro José de Figueiredo»;
• Um conjunto diversificado de parcerias e protocolos com a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) na área da Conservação e Restauro;
• A apresentação de candidaturas aos mecanismos internacionais de financiamento, designadamente o EEA Grants, no âmbito do qual Portugal apresentou o Projeto SAPPHIRE - Saphegard Actions for de Preservation of Portuguese Heritage: Inovation, Reabilitation and Education.
No quadro das ações concretas, mereceu especial destaque o anúncio de criação da RENACOR - Rede Nacional de Conservação e Restauro (RENACOR), que reunirá vários departamentos do IMC, e IGESPAR, Direções Regionais de Cultura, e outras instituições.
Esta rede terá como funções, entre outras, a promoção de sessões de sensibilização sobre prevenção e restauro, a organização de cursos de atualização para profissionais no ativo; a realização de Intervenções ao nível da gestão de risco e da prevenção; o apoio à atividade desenvolvida no terreno, designadamente na regulação de concursos e adjudicação de empreitadas ou na monitorização e acompanhamento de intervenções em curso por meio de inspeções de equipas técnicas.
Do conjunto destas duas iniciativas sobressai, como tendência comum, a necessidade de tornar a gestão do património mais eficaz e, simultaneamente, mais transparente, dando visibilidade aos produtos e aos resultados das iniciativas culturais. Naturalmente, os efeitos dos projetos culturais não podem ser medidos através de uma contabilidade estreita, mas avaliando o retorno que produzem ao nível do enriquecimento educativo dos públicos a que se destinam. Não se pode subjugar a cultura às lógicas da gestão financeira, mas deve pensar-se a cultura como um território de criação de valor, com efeitos indiretos, mas expressivos, sobre o perfil

económico do país. Em época de crise, mais que nunca, há que ter presente o poder de atração de investimentos e de visitantes que o prestígio cultural exerce, e ser capaz de reconhecer os benefícios que advêm da imagem de Portugal enquanto país culturalmente interessante.